Receitas simples e baratas
para se travar a catástrofe climática
por Eugénio Lisboa
“Até há pouco tempo, contemporâneos de Newton e
mesmo autoridades posteriores ao grande cientista inglês, faziam interessantes
propostas para nos livrarmos do perigo de trovoadas, tempestades e outros
malefícios. Nada de sustos nem complicações: a ciência só serve para complicar
e empatar. Vou dar dois exemplos que brilham pela simplicidade terapêutica.
Sobre trovoadas, por exemplo, Monsenhor Camus, bispo
de Belley (1582 – 1653), falava-nos delas, nestes termos aconchegadamente
tranquilizadores: “Os sinos dissipam as trovoadas e afastam os demónios, que se
imiscuem nesses meteoros e impressões aéreas, para prejudicarem os humanos. A
experiência faz ver que o diabo é inimigo dos bons odores, vilão como é, não se
dando bem a não ser com maus cheiros e sujidade; também odeia a harmonia, a
música e todo o som que seja bom e agradável. O som dos sinos perfumados é, portanto,
naturalmente útil contra demónios e trovoadas.” Eis, pois, uma fórmula
aliciantemente simples, para nos livrarmos de perigos celestes, sem grande
dispêndio de dinheiro e sem termos de reduzir o carbono emitido para a
atmosfera: sinos e um bocadinho de perfume. Não há como a sabedoria dos padres
da Igreja.
Outro bispo, já mais perto de nós, Monsenhor Gaume,
da segunda metade do século XIX, oferece-nos outra receita eficaz e
adoravelmente discreta e barata: ”Tais são as trovoadas, as tempestades, as
epidemias dos homens, dos animais, das plantas. Nós sabemos, de ciência certa,
que a água benta é um excelente preservativo contra esses diferentes fenómenos
de que a natureza misteriosa e o carácter particularmente maléfico indicam ,
suficientemente, serem, com demasiada frequência, obra do diabo.” Afinal, uns
borrifos de água benta resolverão, sem grande espalhafato, a catástrofe
climática que alegadamente se aproxima.
Há magníficos e saborosos DICTIONNAIRES DES BÊTISES
que nos oferecem estas e outras preciosas receitas, para não nos deixarmos
assustar pelas palavras levianas do Engenheiro António Guterres e do Papa
Francisco, o qual se deixou envenenar pelos avisos de assessores científicos,
proferindo avisos desnecessariamente alarmantes (estes, curiosamente, plasmados
na mesma edição do PÚBLICO, em que J. Miguel Tavares nos põe de sobreaviso
contra os sempre possíveis descarrilamentos da ciência…).”
Eugénio Lisboa, em 05.10.2023
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