terça-feira, 13 de outubro de 2026

O Túmulo da Múmia




 O Túmulo da Múmia
( Dactiloscrito* , 17–18 de Maio de 1946, Lilly Library)
por Sylvia Plath
"Tinha vindo ao museu pesquisar sobre o Egito para o meu caderno de História. Passei pela enorme arcada e entrei na primeira das cinco salas que constituíam a coleção egípcia. As paredes altas pareciam húmidas e sombrias. A única coisa que iluminava a sala era a serena luz cinzenta de um dia de chuva. Sombras escuras espreitavam por trás das vitrinas e das estátuas, escondendo‑se nos cantos. Um cheiro bolorento dominava o ar gelado que me atravessava os ossos. Encontrava‑me sozinha neste memorial de tempos antigos. Os únicos pontos luminosos eram algumas tapeçarias desinteressantes. Nas vitrinas havia algumas joias danificadas do período egípcio. Junto a uma parede havia imponentes blocos de pedra, gravados com figuras grotescas. Fiz algumas anotações acerca do tipo de material usado na época egípcia, e passei depressa para a sala seguinte. Era inteiramente dedicada à cerâmica. Passei os olhos pela acumulação de obras tradicionais: as cores dominantes nos vasos eram o almagre, o verde‑água e o preto. As figuras representadas eram pintadas em cores contrastantes. Eram‑me familiares dos tempos da escola básica: rostos e pernas de perfil, busto e olhos de frente. A terceira sala continha apenas uma entediante quantidade de ferramentas e utensílios usados pelos egípcios. Listei alguns deles e passei para a quarta sala.
Nesta sala havia sobretudo cópias de mobiliário. Poucas peças verdadeiras enfeitavam as paredes.
A quinta sala, porém, fascinou‑me. As paredes estavam cobertas de velhos sarcófagos, e no centro deste misterioso lugar estendia‑se uma fileira de vitrinas baixas. Controlei o meu entusiasmo pelas múmias e aproximei‑me primeiro da fileira de mesas. O meu olhar distraído foi subitamente arrebatado por algo que brilhava no meio dos pendentes. Passou‑me pela cabeça que fosse um olho. Um olho humano! Costumo gabar‑me de possuir um temperamento calmo, resistente e curioso, mas naquele momento comecei a tremer por dentro e por fora. A roupa colava‑se‑me ao corpo, húmida de suor, ao mesmo tempo que um calafrio gélido me subia pelas costas. Enquanto tentava refazer os resquícios confusos daquilo a que gosto de chamar a minha compostura, li a legenda por baixo do olho. Era apenas feito de ágata! No entanto, sob o meu olhar frenético, tinha um aspeto gelatinoso, e a pupila parecia dilatar‑se ao fitar‑me.
Afastei‑me com alívio da vitrina e apressei‑me a ver os seis sarcófagos. Os primeiros cinco eram interessantes: tinham‑se soltado algumas lascas de tinta, o que lhes dava um agradável ar de antiguidade. Os rostos lisos e sérios desenhados no exterior dos sarcófagos olhavam diretamente para cima, como se tentassem ver além do pesado teto e obter um vislumbre dos céus soalheiros que não avistavam há tantos anos. Parei, espantada, em frente do sexto sarcófago. Dele saía um forte odor a carne putrefacta!
— É claro que não pode haver nenhuma múmia antiga aqui — disse para comigo.
De repente, ocorreu‑me uma ideia horripilante… mas era demasiado improvável, demasiado horrível, para ser concebida pela mente humana. Enquanto pensava nisso, ouvi passos furtivos atrás de mim. Virei‑me depressa.
Na minha cabeça, imaginei toda a espécie de espetros sangrentos. No entanto, senti‑me tranquilizada por uma risada rouca provinda do velhote enrugado ao meu lado ao perceber a minha surpresa. Disse‑me então:
— Estava a observá‑la de trás daquela coluna ali; vi‑a a admirar o globo ocular na vitrina. Parece real, não é?
O velhote soltou outra risada das suas e levou‑me de volta à vitrina. Senti que estava a ser impelida por algum feitiço invisível, inédito, tal como acontece em sonhos, quando estamos a ser perseguidos e não conseguimos mexer nenhum músculo. Impotente, vi o homem de cabelo branco tirar do bolso uma minúscula lupa, que colocou sobre o olho. Para meu terror, o olho mexia‑se e fitava‑me lastimosamente à medida que o homem deslocava a lupa sobre o horrível órgão. Fui‑me embora em bicos de pés, depois de lançar um olhar furtivo à figura curvada, ainda alegremente absorta no seu bizarro jogo.
Durante toda a noite, fui assombrada por ideias terríveis. Não conseguia adormecer, porque visões assustadoras de olhos líquidos e múmias vivas desfilavam diante de mim. Tentei convencer‑me de que o facto de o olho ser real não passava de uma invenção do velhote, mas foi em vão.
Ainda estava a chover, quando os primeiros sinais da madrugada surgiram no horizonte. Acordei e vesti‑me. Depois comecei a refletir sobre a melhor estratégia a seguir. Não era altura para gestos imprudentes. Às cinco e meia da tarde o museu fechava, e eu não poderia escapar ao sensor fotoelétrico. Tive, então, uma ideia: se ao menos resultasse! Entretanto já eram oito e meia, por isso tomei o pequeno‑almoço com a dona da pensão e fui de seguida ao First National do bairro, onde comprei um pão e um frasco de manteiga de amendoim. Quando regressei ao quarto, preparei quatro sandes de manteiga de amendoim e embrulhei‑as em papel de cera antes de as colocar num saco de papel. Pus também de lado um chapéu de abas largas e um guarda‑chuva. Às quatro horas, peguei nas sandes e no guarda‑chuva, pus o chapéu na cabeça, puxei a gola do casaco para cima e apanhei o autocarro das 4h10 para o museu.
Quinze minutos depois, ao subir a escadaria de mármore, constatei que o museu estava vazio, com exceção de dois ou três guardas. Não havia ninguém por perto, quando passei pelo sensor fotoelétrico. Peguei, então, no guarda‑chuva e passei‑o pelo sensor como se alguém estivesse a sair. Levantei o útil guarda‑chuva e percorri os longos e escuros corredores do museu. Ninguém me conseguia ver na escuridão cerrada, mas (engoli em seco) eu também não conseguia ver ninguém. Não tinha lanterna! Esquecera‑me talvez da coisa mais importante. Com cuidado, atravessei depois o átrio que ia dar à sala egípcia. Encontrei um banco num canto escuro da entrada. Ali me deitei, tremendo de excitação. Devorei com fome as sandes e adormeci logo.
Não sei durante quanto tempo me agitei no meu sono perturbado ou o que me terá acordado, mas sentei‑me e fui, então, surpreendida por um débil raio de luz que atravessava a noite escura como uma faca. Vinha da sala egípcia, da zona do túmulo da múmia! O pungente cheiro a carne podre chegou‑me de novo às narinas. Entrei às escondidas na sala. O que ali vi deixou‑me paralisada de horror. Sentia o corpo dormente, e só conseguia observar de forma impotente as ações quase inconcebíveis praticadas por um monstro desumano, desprovido de sanidade.
A luz da vela acesa no túmulo tremeluzia ao sabor das correntes de ar, projetando sombras assustadoras na parede. Essa luz permitiu‑me entrever as feições loucas do empregado de cabelo branco que já tinha conhecido — na véspera. Carregava um corpo vivo, enfaixado em ligaduras brancas, com aberturas apenas nos olhos e no nariz. A figura soltava gemidos abafados e contorcia‑se. O empregado abriu depois o quinto sarcófago, ao lado daquele de onde vinha o peculiar cheiro. Para meu horror, vi que a metade de cima se abria como a tampa de um caixão e estava revestida de espigões compridos e afiados: decerto para torturar a vítima aprisionada! O empregado deitou, então, a criatura humana na caixa, mas não a fechou. Aproximei‑me aos poucos, colada às sombras na parede. O empregado pegara, entretanto, numa colher afiada e inclinava‑se para arrancar os olhos da vítima aterrorizada, quando me viu aparecer. Reconheceu‑me!!
— Ah! — comentou, lançando‑me um olhar de soslaio. — Conseguiste fugir ontem, mas hoje vai ser diferente. Vou abafar os teus gritos de angústia e deixar‑te esvair em sangue numa agonia terrível. Tens de ir ao encontro dos deuses egípcios. Vou cortar‑te devagar os olhos e endurecê‑los antes de os expor na vitrina.
Quando avançou na minha direção, bati‑lhe com o guarda‑chuva e ele caiu inanimado no chão com um baque surdo. Demasiados anos naquela silenciosa câmara de tortura tinham‑lhe enfraquecido o coração e enlouquecido os sentidos. Soltei a rapariga, que desmaiara com o susto, e amarrei o empregado com o generoso rolo de gaze e fita adesiva. Depois percorri os corredores já familiares que iam dar ao escritório do museu, onde telefonei à polícia para contar que tinha descoberto a rapariga desaparecida, cuja fotografia fora publicada em todos os jornais, bem como o louco raptor e futuro assassino. Quando regressei à fatídica sala para tranquilizar a rapariga restabelecida, o estrépito das sirenes policiais já fustigava o ar.
Na manhã seguinte, acordei por volta das dez horas com o telefone a tocar e atendi sonolentamente, pois ainda sentia o corpo dorido e uma dor de cabeça fortíssima. Era o chefe da polícia, que me contou que o empregado tinha confessado um assassinato e uma tentativa de assassinato antes de cair morto com um segundo ataque cardíaco. O chefe da polícia também me disse que o pai da rapariga me ia dar uma grande recompensa. Sorri ao lembrar‑me dela e disse ao chefe da polícia para agradecer ao pai em meu nome, mas para lhe dizer que guardasse a recompensa. Depois de desligar, voltei para a cama, mergulhando de imediato num sono tranquilo, liberto de sonhos."
Sylvia Plath, in  Prosa Reunida , Relógio D'Água Editores, 20.07.2026,  pp.37- 40

Nota:
* Embora o dactiloscrito tenha sido datado de 17 de Maio de 1946 por SP, o seu diário inclui a seguinte passagem escrita a 18 de maio de 1946: “Depois do almoço, ambas escrevemos contos. Eu comecei um assustador policial (a roçar até o mórbido) intitulado ‘O Túmulo da Múmia’. Depois do jantar, deitámos as crianças e fomos então para o quarto da Margot, onde terminámos os nossos respetivos contos e pusemos em dia os nossos diários.” SP escreveu sobre um tema semelhante a este conto numa carta para Margot Loungway Drekmeier, a 17 de Novembro de 1945, publicada em The Letters of Sylvia Plath, Volume 1. Uma cópia hológrafa de “O Túmulo da Múmia” foi vendida através da Bonhams a 11 de Novembro de 2015. A Peter Harrington Rare Books pôs à venda a mesma cópia em março de 2023.
Sobre o livro
"Este livro reúne, pela primeira vez num único volume, a escrita em prosa de Sylvia Plath, uma das vozes mais intensas e intransigentes da literatura do século XX
São textos que revelam uma observadora implacável do quotidiano, permitindo ao leitor entrar na mente da autora e nas fissuras que a atravessam.
Nestas páginas reconhecem-se os temas que fariam de Plath uma autora incontornável, desde Sa identidade ao corpo, passando pelo desejo de controlo e a fragilidade da consciência. Lê-las é entrar na vida de uma autora que escreve como quem testa os limites da linguagem e, por vezes, da própria vida.
«Ver reunida sob uma mesma capa uma tão vasta parte da ficção e do jornalismo de Plath, bem como tantos dos seus ensaios e recensões, é voltar a surpreender-se com a amplitude da sua visão, ambição e talento. Um enorme acontecimento literário e um recurso de valor inestimável.» [Times Literary Supplement]
«Sylvia Plath não foi apenas uma grande poeta; foi também autora de algumas das melhores páginas de prosa do século XX. Escreveu cartas de um engenho e de uma vivacidade extraordinários. A sua publicação constitui um grande acontecimento literário.» [The Times]
«Tal foi o impacto da exploração por parte de Plath — tanto das paisagens interiores como exteriores, numa linguagem de intensidade vertiginosa, brutal e lírica —, que a sua perda para o mundo literário tem sido lamentada desde então.» [Financial Times]
Sylvia Plath

Sobre a autora
"Sylvia Plath nasceu em Boston, Massachusetts, a 27 de Outubro de 1932. Teve uma breve, intensa e agitada vida, tendo escrito poesia, um romance, contos e um diário.
O pai, Otto Plath, de origem alemã, trabalhava como professor de Biologia na Universidade de Boston, onde conheceu e casou com uma sua aluna, Aurelia, a mãe de Sylvia.
Em 1935, nasceu o segundo filho do casal, Warren. No rescaldo da Grande Depressão, a família deslocou-se em 1936 para Winthrop, Massachusetts, onde Sylvia passaria a maior parte da sua infância.
Aos oito anos, Plath publicou o seu primeiro poema na secção infantil do Boston Herald. Otto Plath morreu pouco depois dessa publicação (Sylvia haveria de escrever sobre a ambígua relação que tinha com ele o poema «Daddy»).
No seu primeiro ano no Smith College, Plath tentou suicidar-se com uma overdose de narcóticos, o que levou ao seu internamento numa instituição psiquiátrica. No verão do seu terceiro ano de estudos universitários, Sylvia Plath deslocou-se um mês para Nova Iorque, colaborando na revista Mademoiselle.
Nada disso a impediu de ser uma estudante brilhante, formando-se com louvor aos 23 anos. Obteve mesmo a bolsa Fulbright para frequentar a Universidade de Cambridge, em Inglaterra, onde continuou a escrever poesia. É então uma jovem mulher de maneiras educadas e espírito rebelde.
Em Fevereiro de 1956, conheceu, na festa de lançamento da St. Botolph’s Review, o poeta Ted Hughes, com quem casaria quatro meses depois. É um encontro fusional e de uma intensidade fulgurante.
Entre Julho de 1957 e Outubro de 1959, o jovem casal viveu nos Estados Unidos, tendo acabado por se fixar em Boston, onde Sylvia Plath assistiu aos seminários de Robert Lowell e conheceu a poeta Anne Sexton. Atravessando dificuldades materiais, Sylvia tem mesmo de trabalhar num hospital psiquiátrico.
Com a gravidez de Sylvia Plath, o casal regressa a Inglaterra, em 1959, fixando-se em Londres e mais tarde na pequena cidade de North Tawton, no Devon. Em 1960, nasce Frieda e, dois anos depois, Nicholas. O primeiro livro de poemas de Sylvia Plath, The Colossus, é publicado em Inglaterra em 1960 e, dois anos depois, nos Estados Unidos. Em Fevereiro de 1961, Plath sofre um aborto, que seria um tema recorrente em vários dos seus poemas.
No início dos anos 60, a relação com Ted Hughes entra em crise, sobretudo devido à relação deste com Assia Wevill (Ted Hughes daria a sua versão do que se passou em Cartas de Aniversário, e Assia, esposa de um poeta canadiano, haveria de se suicidar com a filha em 1969). O casal separa-se em finais de 1962. É no inverno que se segue à separação e num período depressivo que Sylvia escreve Ariel.
Plath regressa a Londres com os filhos, alugando um apartamento em Fitzroy Road, onde escreveria um romance semiautobiográfico, The Bell Jar, sob o pseudónimo de Victoria Lucas. Sente-se isolada e deprimida.
Na manhã de 11 de Fevereiro de 1963, nevava sobre Londres e o frio era intenso. Sylvia Plath suicida-se com o gás do fogão, tendo antes tido o cuidado de proteger os filhos."

domingo, 11 de outubro de 2026

Ao Domingo Há Música

Come on and come to me now Don't be ashamed to cry Let me see you through 'cause I've seen the dark side too When the night falls on you You don't know what to do Nothing you confess Could make me love you less I'll stand by you I'll stand by you Won't let nobody hurt you
I'll stand by you

Que conforto se sente, quando há alguém como nós  que garante estar connosco:  " I'll stand by you". O mundo passa  a ter uma dimensão diferente .
E há quem  saiba cantar o amor , a compaixão  e nos traga o enlevo que já nos arrebatou e que continua a arrastar-nos.
Eis uma colectânea de canções para encher os dias vindouros com o doce sabor de outros tempos.

Queen, em  Bohemian Rhapsody (Live Aid 1985)Tears are in your eyes.
  
Tina Turner, em  Let's Stay Together (LIVE).
 
Guns N' Roses & Elton John, em   November Rain (MTV 1992).
   
Simply Red, em  You Make Me Feel Brand New.
   
The Pretenders, em  I' LL Stand By You [ Official Live Video ] HD.
 

sábado, 10 de outubro de 2026

AFORISMOS DE H. L. MENCKEN


AFORISMOS DE H. L. MENCKEN (1880 – 1956)
por Eugénio Lisboa
“Henry Louis Mencken, literariamente conhecido como H. L. Mencken, foi provavelmente o mais influente crítico e ensaísta americano, nos anos vinte do século passado. Dotado de um sumptuoso e acutilante poder de manejo da língua inglesa e de um invulgar poder de ver as coisas muito por dentro, Mencken teve sempre a destemida vocação de se não render facilmente aos ventos que sopravam. Opondo-se, com óbvio risco, à religião organizada, à democracia representativa e à crença num deus qualquer, não se pode dizer que Mencken não sabia escolher bem os seus adversários.
Tinha uma característica qualidade, que muito admiro: detestava glórias fraudulentas e batia-se como um bravo por impor escritores de real valor, como Theodore Dreiser e Sinclair Lewis. Mas tinha um ponto fraco: nem sempre viu a necessidade de pôr linhas vermelhas ao seu sarcasmo brilhante, e os americanos não acharam muita graça ao facto de ele fazer chacota com o New Deal de Roosevelt, depois de uma depressão assassina. Foi também muito mal visto que ele, inicialmente, se não desse conta do que significava a ascensão de Hitler na Alemanha. Mas deve notar-se que muita gente cometeu este erro. O brilhante George Bernard Shaw não deixou de ter o seu flirt com Mussolini. Acontece aos melhores.
Da vasta bibliografia de Mencken, podem destacar-se os seguintes títulos: TRE PHILOSOPHT OF FREDERICH NIETZSCHE (1907); IN DEFENSE OF WOMEN (1918); PREJUDICES, seis volumes de crítica (1919 – 1927); THE AMERICAN LANGUAGE (1919).
Dou a seguir uma pequena mas significativa amostra do inquietante poder aforístico de Mencken.
 
Diga-se o que se disser dos Dez Mandamentos, devemos dar-nos por felizes por serem só dez.
Não há assuntos chatos, há só escritores chatos.
Ópera em inglês faz tanto sentido como beisebol em italiano.
Quando se ouve um homem falar no seu amor pelo seu país, pode-se estar certo de que ele espera ser pago por isso.
O pior governo é o mais moral. Um governo composto por cínicos é frequentemente mais tolerante e humano. Mas quando os fanáticos tomam o poder, não há limites para a opressão.
A consciência é aquela voz interior que nos avisa que alguém pode estar a olhar.
Nenhum homem merece uma confiança ilimitada – na melhor das hipóteses, a sua traição aguarda apenas uma tentação suficientemente forte.
É relativamente fácil suportar a injustiça. É mais difícil suportar a justiça.
Deus é um comediante a actuar para uma plateia demasiado assustada para poder rir.
Os homens casados vivem mais tempo do que os solteiros – ou, pelo menos, queixam-se durante mais tempo-.
Nada pode sair do artista que não esteja no homem.
Nunca pus um charuto na boca, antes dos nove anos.
É difícil acreditar que um homem está a dizer a verdade, quando sabemos que mentiríamos se estivéssemos no seu lugar.
Imoralidade é a moralidade daqueles que se estão a divertir mais do que nós.
Nunca deixe que um inferior lhe faça um favor. Pode custar-lhe caro.
A fé pode ser definida, em resumo, como uma crença ilógica na ocorrência do improvável.
Pode ser um pecado pensar mal dos outros. Mas raramente é um engano. "
Eugénio Lisboa, 05.02.2022

Navanethem Pillay: Prémio Nobel da Paz 2026


Navanethem Pillay

"O Prémio Nobel da Paz é o único que nunca falha em Oslo: é atribuído por um comité de cinco membros nomeados pelo Parlamento norueguês, de acordo com o testamento de Alfred Nobel.
O Prémio Nobel da Paz de 2026 foi atribuído a Navanethem Pillay "pelos seus esforços para promover a paz e o direito internacional". O comité tornou pública a decisão nesta sexta-feira, 9 de Outubro, em Oslo. 
Navi Pillay, no seu papel de Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, proferiu uma frase que resume um dos pilares éticos mais importantes da diplomacia internacional: "A credibilidade do trabalho em matéria de direitos humanos depende do compromisso com a verdade".
O Prémio Nobel da Paz é o único que não é atribuído em Estocolmo: é concedido por um comité de cinco membros nomeados pelo Parlamento norueguês, seguindo o testamento de Alfred Nobel. O inventor da dinamite deixou escrito em 1895 que deveria ser premiado quem mais tivesse feito pela fraternidade entre as nações, pela redução dos exércitos e pela promoção de congressos de paz. É atribuído desde 1901 e, este ano, está dotado de 12 milhões de coroas suecas, cerca de um milhão de euros. A cerimónia terá lugar em Oslo a 10 de Dezembro, data do aniversário da morte de Nobel.
No ano passado, a distinção foi atribuída à líder da oposição venezuelana María Corina Machado, pela sua luta a favor de uma transição pacífica para a democracia. Já em 2024, o prémio foi para Nihon Hidankyo, a organização japonesa de sobreviventes das bombas atómicas; em 2023, para a activista iraniana Narges Mohammadi; e em 2022, para o bielorrusso Ales Bialiatski, juntamente com a ONG russa Memorial e o Centro para as Liberdades Civis da Ucrânia.
O Nobel da Paz encerra a semana de atribuição de cinco de seis galardões:
Na próxima segunda-feira, dia 12 de Outubro, será anunciado o Prémio Nobel da Economia.
Quem é Navy Pillay?
Navy Pillay é uma jurista sul-africana e defensora dos direitos humanos que dedicou grande parte da sua carreira profissionalao combate à discriminação, à tortura e à violência contra as mulheres. Nascida em 1941, foi a primeira mulher a exercer a advocacia na província sul-africana de Natal, em 1967.
Durante o apartheid, defendeu activistas perseguidos pelo regime e contribuiu para denunciar os abusos cometidos contra os presos políticos. Participou também em iniciativas para incorporar a igualdade e a protecção contra a discriminação na Constituição da África do Sul.
Ao longo da sua carreira, Pillay ocupou vários cargos na justiça internacional. Foi magistrada do Tribunal Penal Internacional para o Ruanda, onde contribuiu para o desenvolvimento da jurisprudência sobre violência sexual e genocídio, e posteriormente exerceu funções como juíza do Tribunal Penal Internacional. Em 2008, foi nomeada Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, cargo que desempenhou até 2014. A partir desta posição, trabalhou na defesa dos direitos fundamentais e na denúncia de violações dos direitos humanos em diversas partes do mundo."
Constanza V. Paura, National Geographic

sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Anne Carson foi galardoada com o Prémio Nobel da Literatura de 2026


"Poeta, ensaísta e tradutora canadiana Anne Carson foi galardoada com o Prémio Nobel da Literatura de 2026, “pela sua obra audaz e inventiva que, num diálogo lúdico com a tradição clássica, criou novas formas para a literatura contemporânea”.
A escritora, de 76 anos, é conhecida pelo estilo híbrido, que combina poesia e prosa, bem como narrativas contemporâneas com o mito antigo.
A Academia declarou: “Quase toda a sua produção literária se centrou na intersecção entre a obsessão do filólogo pelas palavras e o desejo do poeta de encontrar novos sentidos. A própria autora identificou a etimologia das palavras como ponto de partida para todo o seu trabalho.”
Entre as obras mais conhecidas de Carson contam-se a estreia, em 1986, “Eros the Bittersweet”, uma análise do prazer e da dor do desejo na literatura grega antiga; a obra de 1998, muitas vezes apontada como a sua maior, “Autobiography of Red: A Novel in Verse”, um romance queer de passagem à idade adulta que reimagina um poema grego sobre Héracles; “The Beauty of the Husband: A Fictional Essay in 29 Tangos” (2001); e “Norma Jeane Baker of Troy” (2019), que aproxima Marilyn Monroe de Helena de Tróia.
O trabalho mais recente é “Wrong Norma”, publicado em 2024.
Com este prémio, Carson torna-se apenas na 19.ª mulher a receber o Nobel da Literatura; entre as vencedoras recentes contam-se Han Kang em 2024, Annie Ernaux em 2022 e Louise Glück em 2020.
Até hoje, o prémio de literatura foi atribuído pelo comité Nobel da Academia Sueca em 119 ocasiões, a um total de 123 laureados (quatro prémios de literatura foram partilhados entre vários vencedores).
O prémio de literatura é o quarto anunciado esta semana, depois dos Nobel de 2026 em medicina, física e química.
Cada prémio este ano inclui 12 milhões de coroas suecas (1,07 milhões de euros). Os laureados recebem ainda uma medalha de ouro de 18 quilates e um diploma.
O vencedor do Prémio Nobel da Paz será anunciado na sexta-feira e o último galardão, o Prémio Sveriges Riksbank em Ciências Económicas, será divulgado na segunda-feira.
As cerimónias de entrega dos Prémios Nobel realizam-se a 10 de dezembro, no aniversário da morte de Alfred Nobel, em 1896."
Euronews

Os livros de Outubro da Guerra & Paz e da Gradiva

Outubro, livros de tendência vulcânica
"Ali em cima, disse vulcânico, mas queria só dizer alegria. É a minha newsletter, que vos escrevo com a candura dos 73 anos e o gosto em contar-vos como amigos. Obrigado.
Manuel S. Fonseca, editor da Guerra & Paz e da Gradiva

Os meus livros de Outubro
de tendência vulcânica, cuidado com a leitura

Guerra e Paz
Nos meus livros de Outubro deste ano da graça de 2026, há tudo o que de vulcânico é preciso para mover o mundo. E o que move o mundo? O ódio ou o amor, o ressentimento ou o perdão?
A Guerra e Paz editores começa com De Gaulle e com um embaixador português. O que teria acontecido se o rígido De Gaulle tivesse encontrado o nosso luxuriante embaixador? Bernard Phan decifra o labirinto que nos habituámos a conhecer pelo nome de Charles De Gaulle. António Luiz Cotrim, o nosso embaixador, leva-nos ao céu com as histórias de uma avó extravagante, com os seus socos a pides e a salvação de amigos estrafegados, no delicioso Memórias de Um Cidadão de 2.ª. Que alegria de livro e de episódios loucos! (Merece mesmo o pontinho de exclamação.)
«Não é o milagre que perturba o jovem poeta, mas a sua brusca e nunca pressentida ausência», escreveu o nosso poeta maior dos últimos 70 anos. Já não se pode chamar jovem poeta a João Moita. O seu A Deus, à Poesia mobiliza abismos sem prestidigitações, mergulha no crepúsculo de deuses e demónios, num íntimo e intratável buraco negro. Cuidado com a leitura.
Renovando os Clássicos da Guerra e Paz, chega Sensibilidade e Bom Senso, de Jane Austen. É um dos grandes romances dessa gente europeia a que chamam ocidentais, escrito no revelador anonimato de by a lady. Junta-se a Orgulho e Preconceito e Persuasão para dirimir as batalhas entre cabeça e coração, a que um certo Camilo juntaria o delicado estômago.
Proliferam enigmas em Outubro. E logo os de Natal, como este em que a nossa autora Alexandra Benedict se entretém a tricotar o intrigante e agathiano (sabem bem de quem estou a falar) Os Enigmas dos Crimes de Natal.
Num outro registo, o linguista Marco Neves estreia-se no thriller. Começa que parece quase o fim do mundo: «Tomás Cabral, o morto deste livro, foi encontrado carbonizado numa manhã do final da Primavera de 2025 por…» Leva por título Morte em 22 Letras e é um livro de uma invenção luzente. Ah, vê-se que há bom português nessa PJ que anda agora na boca dos jornais.
A renovada chancela Crisântemo oferece dois livros que são mesmo «pela sua rica saúde», A Arte de Habitar o Caos, Viver com a Cabeça Ligada à Ficha, relato pessoal de Patrícia Rebelo sobre a experiência de viver com PHDA – Perturbação de Hiperactividade e Défice de Atenção, e Os 7 Elementos da Felicidade, do psiquiatra António Sampaio, uma visão biopsicossocial do processo sempre em construção de uma vida que valha a pena ser vivida.
Não sei se a visão de Vitor Ramalho, meu kamba afro-luso, é biopsicossocial. Mas sei que o seu Portugal, a Democracia, o PS, Que Futuro? se inquieta com o cerne da questão: ainda poderemos salvar do pântano, em que já está pelo pescoço, esse centro político que edificou, mano a mano, a nossa democracia?
Igualmente salvífico é Sexo, Ciência e Censura: as verdades tabu da guerra de género, que Peggy Sastre e Leonardo Orlando escreveram, e eu juntei à minha colecção jimi hendrix, (hierarquias minhas, hey, joe): Os Livros Não se Rendem. Eu sei, genes, biologia, sexo, evidência científica, parecem coisas do passado, mas olhem que não. Se são, são coisas do futuro.
Guardei para o fim um romance de felicíssimo título: No Azul Que Nada Devolve. Escreveu-o Lara Ramos Alves, estreante que sabe tudo sobre mergulho, corais e peixes. Desse saber sacou um policial sufocante, quase irrespirável: mergulha-se e tem de se voltar aflitivamente à superfície. Há um crime. O crime só se resolve lá em baixo, no fundo do mar, no «deep blue sea», «blue» que nada devolve. É um azul de amor e morte. Azul talvez de redenção. Mas que primeiro romance. Primeiríssimo. 
 
Euforia & Alquimia
E aqui, entre Guerra e Paz e Gradiva, fica a nota destas duas chancelas que a Rita Fonseca mantém em estado de activa e pletórica matéria editorial. Na euforia publicam-se Ele Vê-te Enquanto Dormes, de Alta Hensley e Antes, Agora, Sempre, de Amanda Gayle. Na Alquimia, chancela que agora começou a gatinhar, Entre Nuvens e Ossos, de Ella Fields.
Três romances, num leque que vai do dark à fantasy, passando pelo sub-género second-chance. Eu posso não saber do que estou a falar, mas milhares de leitores sabem.
 
Gradiva
Na Gradiva Publicações, a editora da Mimi, deixem-me começar pelas crianças.
A maravilhosa Lucy Pepper (que bem que o raio dessa nossa inglesa desenha) voltou a fazer, com novas receitas e novos desenhos, O Livro das Receitas Nojentas. O meu neto já viu: gritou de alegria, lambeu cada imagem, levou o tesouro para p jardim de infância e os pequenos selvagens «fizeram» o livro em pedaços. É a glória, querida Lucy, é a glória para uma autora e para um editor.
E para criar alguma simetria, publico também Um Natal Cheio de Neve, de Marc Bratcher e Korky Paul, os criadores da Mimi. É uma historinha de Santa Claus (o paizinho natal) e nunca pára de nevar. Logo cá que nunca neva: um encanto.
Tenho mais uma razão, não só para deixarem vir a mim as criancinhas, mas para vos transformar a todos, de novo, em pequeninos seres a andar de gatas. Para alegria do fundador Guilherme Valente e minha, seu sucessor, reeditámos, em fulgurante edição, o Cosmos de Carl Sagan. Corto já o meu paleio promocional para deixar ouvir a voz cantante e risonha do cientista que é Carlos Fiolhais: «Faz-nos sonhar. Poder-se-á pedir mais de um livro?»
Mando embora as crianças e junto as tropas. Dois generais, Alípio Tomé Pinto e João Vieira Borges, coordenaram um livro de grandes testemunhos e reflexões (como a de Ramalho Eanes) que dão corpo a 25 de Novembro de 1975 – 50 Anos Depois. O livro paira bem acima das rasas disputas ideológicas sobre uma data sem a qual, provavelmente, teríamos tido um cortejo de «a ferro e fogo, sangue e morte». Tivemos, e nesse dia ficou certo, a democracia.
Segue em busca de renovação a Ciência Aberta, esse prodígio de colecção que o Guilherme, meu velho colega de filosofia, criou, inspirado por Fiolhais, Buescu e Mariano Gago. O engenheiro Rui Manuel Barreira é a mais recente «aquisição». Escreveu O Clima Sem Mitos: como um engenheiro lê a crise.  Tem uma visão não catastrofista. No centro dessa visão, «uma convicção aprendida na água fria do Atlântico onde o autor mergulha desde criança: quase tudo o que nos assusta se enfrenta com anteparos e o clima, ao contrário do que dizem os manuais, não se resolve com um preço».
Termino de romance na mão. Uma das promessas que fiz ao Guilherme quando me «deu» a Gradiva foi a de manter-lhe a identidade. E a Gradiva trazia na cabeça uma tiara: a bela ficção literária. Ora bem, Ishiguro, McEwan, Eco e agora Michael Cunningham estão de volta. Também este Uma Casa no Fim do Mundo, com capa nova. Ah, as capas novas… Conto? Não conto? Ah, catano, conto mesmo.
Mr. McEwan – o próprio – depois de ver as novas capas mandou-nos este mimo: «They all look amazing, very powerful, striking and beautifully designed. I’m honoured.» Ainda estávamos a tentar descer à terra, quando chegou isto de Mr. Ishiguro: «I think the cubist-y concept crossed with comic-style illustration works really well.» Foi preciso atar o Ilídio Vasco, e também a Diana Trigo, a nossa equipa de designers, para não nos saírem a flutuar pela janela.
E eu? Eu estou capaz de beijar toda a gente. Só peço, e lá vou fazendo as minhas orações da noite, para que continuem a muito ler e, «por virtude do muito imaginar» se transformem de «amador em cousa amada».
Manuel S. Fonseca, editor da Guerra & Paz e da Gradiva

quarta-feira, 7 de outubro de 2026

terça-feira, 6 de outubro de 2026

Pensamentos do dia

Aforismos de Henry de Montherlant
por Eugénio Lisboa
“O escritor francês Henry de Montherlant, um dos maiores do século XX francês – Valéry considerava-o o maior – foi, de um modo geral, mais falado e comentado do que real e profundamente lido, como a sua obra merecia e merece. Como prosador, insere-se na grande linha que vem de Bossuet, passa por Chateaubriand e Barrès e nele desagua. Acrescenta-lhes uma ironia felina e uma coragem de dizer “ce qui est”, própria de quem não tem frio nos olhos. Sobre ele, escreveram-se mais dislates do que os muitos que é normal debitar-se sobre os grandes escritores. Grande romancista, grande dramaturgo, grande poeta e ensaísta, não costuma ser referido como um dos mais notáveis pensadores aforistas, na linha dos maiores que a França produziu e a colocam num lugar ímpar, entre as nações.
Na sua obra de narrador, de dramaturgo, de ensaísta, mas, sobretudo, nos seus notabilíssimos CARNETS, os aforismos penetrantes e, às vezes, assassinos e bem dignos dos mais acutilantes antepassados, pululam. Deixo aqui, hoje, uma pequena amostra, para incitar o leitor a procurar mais.

Vivam os meus inimigos! Eles, ao menos, não me podem trair.

Depois de fazer amor, o primeiro a falar diz uma tolice.

Pode ferir-se o amor-próprio; matá-lo, nunca.

Morremos quando não há mais ninguém por quem tenhamos vontade de viver.

A felicidade nunca me aborrece.

Pode fruir-se tanta alegria em dar prazer a alguém, que, às vezes, quase nos sentimos na obrigação de lhe agradecer.

As épocas perturbadas fazem perder tempo. Só se pensa em salvar a cabeça e não há tempo para fazer mais nada.

A política é a arte de captar em proveito próprio a paixão dos outros.

Muitas coisas não merecem ser ditas e muitas pessoas não merecem que as outras coisas lhes sejam ditas. Isto faz muito silêncio.

Todo o grande homem age e escreve para desenvolver duas ou três ideias.

Tudo o que não é paixão tem um fundo de aborrecimento.

A infelicidade só se consola com a infelicidade dos outros.

Há dois momentos na sua vida em que todo o homem é respeitável: na sua infância e na sua agonia.
Eugénio Lisboa, 28.01.2022

domingo, 4 de outubro de 2026

Ao domingo Há Música


Cada passagem de uma composição musical actua sobre nós , quer queiramos quer não, por meio de uma expressão emocional.
             Milan Kundera

Quando se lançam , os sons espalham-se em concatenação harmoniosa como se fossem o acontecimento mais imperativo, mais urgente do momento. E tudo acaba e começa ali. É a Música que chega e toma o espaço de cada um. Abandonam-se. Entregam-se. Sem qualquer resistência. E cada um encontra o ritmo mágico do seu coração.
Assim acontece com este magnífico Adagio.

Adagio Re minor BWV 974 (Piano-Violoncello), de Johann Sebastian Bach.  
Esta versão é feita por Elise Robineau - Concerto en re mineur BWV974 - Adagio d'après Marcello - Piano & Cello.
 

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

África

África 
Um continente de múltiplas surpresas. Quem o descobre acalentá-lo-á na memória. Memória que se construirá em muitas emoções: fortes, resplandecentes, gloriosas, chocantes, jubilosas, doloridas, mas sempre grandes à imagem da sua própria dimensão. Emoções imperecíveis que deixarão um rasto de ostensiva profundidade. Estive, em África, em diversas épocas por tempos diferentes. Tenho armazenadas imagens tão intensas que , por vezes, se tornam indizíveis, embora algumas já tenham sido registadas, neste espaço. E, como a memória é um veículo que nos transporta quando o desejamos, resolvi voltar a África para refruir alguns dos sons que sempre nos surpreendem pela sua beleza natural e genuína melodia. África é um imenso , belo e diverso continente. A grandiosidade da sua dimensão permite uma enorme riqueza de sons que muitos não conhecem. Há vozes que nos chegam ainda impregnadas da largueza das savanas e do doce marulhar dos mares.

Umhlabathi – Ancient Zulu Earth Spirit Chant | African Tribal Music for Healing & Energy Cleansing
Breath of Life – Ancient African Ritual Music | Sacred Zulu Chant for Deep Sleep & Meditation