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quinta-feira, 29 de março de 2012

Vida na Lua de Saturno

Uma das luas de Saturno tem condições para albergar vida.
"A sonda Cassini, da NASA, obteve novos dados que confirmam este potencial, numa missão realizada ontem em que sobrevoou a região polar do sul daquele satélite natural.Nesta aproximação, a nave espacial analisou os jactos que são projectados a partir daquilo que pode ser um oceano subterrâneo. Irrompem como se fossem géiseres através das fissuras que se encontram na superfície gelada da lua. Os cientistas acreditam que para confirmar definitivamente a presença de pequenos organismos basta apenas analisar o vapor de água que é emitido.Encélado, uma das muitas luas de Saturno, tem grandes potencialidades para albergar vida, acreditam que  os “mais de 90 jactos de todos os tamanhos estão a expulsar o vapor de água, partículas de gelo e compostos orgânicos”, explica Carolyn Porco, investigadora da missão Cassini. A nave voou ontem a 46 milhas do pólo sul, confirmando que a salinidade das partículas de gelo é a mesma que as dos oceanos da Terra.
As medições térmicas das fendas de Encélado revelaram temperaturas suficientemente quentes. Os investigadores põem a hipótese de ser Saturno a proporcionar este calor. A sua força gravitacional faz com que a forma da lua mude um pouco todos os dias, à medida que o orbita, movimentos esses que geram calor.
A cientista acredita que o satélite natural, com o seu mar líquido debaixo da superfície, produtos orgânicos e uma fonte de energia pode albergar o mesmo tipo de vida que encontramos em ambientes semelhantes no nosso planeta.
“Pode parecer loucura”, diz, “mas os micróbios podem estar a cair sobre a superfície daquele pequeno mundo. É o lugar mais prometedor que se conhece para encontrar vida fora da Terra”, admite."  in  " Ciência Hoje", 28/03/2012

segunda-feira, 30 de maio de 2011

E se o Universo fosse infinito?


“ Investigador taiwanês desenvolve modelo alternativo à teoria do Big Bang.
A teoria do Big Bang é tão extensa como o fenómeno a que se refere. No entanto, o investigador Wun-Yi Shu, da Universidade Nacional de Tsinghua ,em Taiwan, sugere um novo modelo para explicar o Universo.
O cientista indica que não existiu uma origem nem vai existir um final. Segundo esta teoria do infinito, que sugere que a massa, o espaço e o tempo se relacionam de forma diferente da que é considerada pelos cientistas. No estudo, publicado na arXiv.org 
a grande explosão nunca terá chegado a existir.
Shu explica que o novo modelo responde a uma nova perspectiva sobre alguns conceitos básicos da astrofísica, como tempo, o espaço, a massa e a longitude. Na sua proposta, bastante complexa, o tempo e o espaço podem converter-se um no outro, e a velocidade da luz é o factor de conversão entre ambos.
Como o Universo está em expansão, o tempo transforma-se em espaço e a massa em longitude. À medida que o Universo se contrai, ocorre o contrário.
A proposta de Shu tem quatro características distintas. A primeira é que a velocidade da luz e a gravitação não são constantes, mas variam com a evolução do Universo. Em segundo, o tempo não tem principio nem fim, isto é, nunca terá ocorrido o Big Bang nem o Big Crunch (uma teoria que antecipa que o Universo está a fechar-se aos poucos e a comprimir até que todos os elementos voltem ao ponto original, destruindo toda a matéria num único ponto de energia). Ponto três: a secção espacial do Universo é de três dimensões curvada numa quarta, o que descarta uma geometria plana ou hiperbolóide, e por último, existem fases de aceleração e desaceleração.
Força misteriosa
A ideia, além de complexa pode parecer arriscada, mas Shu assegura que as suas informações encaixam perfeitamente com as observações realizadas pelos astrónomos na Terra.
Para entender o funcionamento do Cosmo, a sua teoria não necessita da energia negra, uma misteriosa força, que compõe 74 por cento do Universo e cuja existência é discutida por alguns investigadores.
No entanto, tem um ponto fraco: as suas ideias não podem explicar a existência do fundo cósmico de microondas, que supõe a evidência mais sólida dos restos do Big Bang.” In Ciência Hoje

terça-feira, 26 de abril de 2011

Os vulcões de Marte

"A nave Mars Express da ESA enviou imagens de um par de vulcões, localizados no hemisfério norte do Planeta Vermelho. Muito depois de ter cessado a actividade vulcânica, a área foi transformada pelo impacto de meteoritos, que depositaram material nos flancos dos vulcões.  

The region around Ceraunius Tholus and Uranius Tholus
Ambiente em torno de Ceraunius Tholus y Uranius Tholus


Quando a nave passou novamente por cima para captar os últimos dados, as nuvens já se tinham dissipado, daí que haja uma linha fininha entre eles, na imagem final.
A palavra latina “tholus”refere-se à estrutura cónica dos vulcões. A base do Ceraunius Tholus tem 130 km de comprimento, o seu pico ergue-se até aos 5,5 km. No seu cume está a grande caldeira de 25 km de largura. Com uma morfologia semelhante à do seu vizinho, e localizado 60 km mais a norte, o Uranius Tholus é um vulcão mais pequeno, com uma base com um diâmetro de 62 km e uma altura de 4,5 km.


Features around Ceraunius Tholus and Uranius Tholus
Principais características da região de Ceraunius Tholus e Uranius Tholus


Os flancos do Ceraunius Tholus são relativamente íngremes, com uma inclinação de 8°, e está rodeada de vales. Têm cortes profundos em vários locais, sugerindo que tenha havido deposição de macio e de fácil erosão, como camadas de cinza, depositadas durante as erupções vulcânicas.
O maior e mais profundo destes vales tem cerca de 3,5 Km de comprimento e 300 m de profundidade e termina numa grande cratera de impacto, de forma alargada, situada entre os dois vulcões, na qual se nota a deposição de sedimentos em forma de leque. 

Elevation of Ceraunius Tholus and Uranius Tholus
Elevação de Ceraunius Tholus e Uranius Tholus


Apesar de ainda haver algum debate científico relacionado com a origem do leque, pensa-se que pode ter sido formado quando o material de uma câmara de lava ou tubo foi empurrada para baixo pelo degelo do cume do vulcão.
O cume desta cratera – a caldeira – é plana e suave, ou seja, é possível que tenha tido um lago nos primórdios da história de Marte, quando a atmosfera era mais densa. Também é possível que a água tenha sido produzida quando a actividade vulcânica derreteu estruturas conhecidas como lentes de gelo. A lente de gelo forma-se quando a humidade se entranha abaixo da superfície e forma uma camada gelada entre o solo e a camada rochosa por baixo.

Ceraunius Tholus and Uranius Tholus in high resolution
Ceraunius Tholus y Uranius Tholus em alta resolução

A cratera alongada entre os dois vulcões tem o nome de Rahe. Mede 35 km por 18 km e é o resultado do impacto oblíquo de um meteorito.
Uma cratera de impacto mais pequena, com 13 km, pode ser vista a oeste de Uranius Tholus. Esta também se formou depois de terminada toda a actividade vulcânica e o material projectado cobriu as laterais inferiores da cratera, o que implica que apenas as estruturas superiores originais sejam agora visíveis." In Portal da ESA , Abril de 2011

terça-feira, 12 de abril de 2011

Os segredos do Universo

Buraco negro «mãe» do Universo teria a massa de 3.000 sóis
O útero cósmico no qual o nosso Universo terá sido gerado era um buraco negro da categoria peso-pesado, cuja massa seria equivalente a 3.000 vezes a do nosso Sol. A tese é do físico polaco Nikodem Poplawski, da Universidade de Indiana, nos Estados Unidos.
Num artigo publicado no ArXiv (uma espécie de biblioteca electrónica aberta, na qual os físicos costumam divulgar versões preliminares das suas pesquisas para apreciação da comunidade científica), ele apresentou o cálculo da massa necessária para que um buraco negro produza um Universo com as características do nosso.
O investigador reacendeu a discussão sobre a possibilidade de o Cosmos ter «nascido» dentro de um buraco negro.
Ele publicou uma sequência de artigos sobre o tema no ArXiv e na revista Physics Letters B, uma das mais importantes sobre física nuclear e de partículas.
Essas publicações confrontam a teoria do Big Bang, que define que o Universo teria surgido a partir da expansão de uma grande concentração de massa e energia, comparada a uma explosão.
A questão é que, quando se considera que o Big Bang é o início de tudo, é preciso postular que a expansão do Universo teria começado a partir de um ponto incrivelmente pequeno, de densidade e energia infinitas.
Para os físicos, esses infinitos são suspeitos, porque é impossível investigar o que acontecia no momento inicial da expansão cósmica.
Uma das formas de resolver o problema é propor que o Big Bang não foi o começo de tudo o que existe, mas uma perturbação no interior de um buraco negro em outro universo, conforme defendido pelo cientista polaco.
Segundo Poplawski, todos os universos (já que haveria vários deles) estão dentro de buracos negros. E todos têm estrelas que, se altamente contraídas (quando o seu combustível acaba), dariam origem a novos buracos negros - e a novos universos.
Os números da conta saíram de uma modificação da teoria da relatividade geral de Einstein (que Poplawski tem usado nos seus estudos com frequência).
«Outros trabalhos mostram que algo acontecia antes do Big Bang», disse Poplawski. E, de facto, o investigador não está sozinho. «Poplawski não é o único a especular sobre o que poderia ter havido antes do Big Bang», afirma Roberto Belisário, físico formado pela Unicamp (Brasil).
«Entre os cosmólogos, o Big Bang já não é considerado o início da criação de tudo. Deve ter havido um antes, assim como está a haver um depois», completa.
A repercussão sobre a nova proposta do físico polaco ainda está a gatinhar.
«A teoria ainda é muito qualitativa. Só o tempo dirá qual ideia vencerá essa corrida», conclui Belisário. In “Diário Digital”, 11 Abril 2011
Outros artigos: Grupo Local                         Asteróide vai passar perto da Terra

domingo, 20 de março de 2011

Música do Espaço para este Domingo

 A maior Lua Cheia dos últimos 18 anos
" A formação da Lua terá ocorrido há 4,5 mil milhões de anos, resultado do impacto de um corpo celeste na Terra. A Lua estabiliza a inclinação do eixo da Terra. Sem ela, o planeta teria alterações climáticas mais bruscas. A gravidade lunar tem influência nas grandes massas líquidas da Terra, provocando as diferentes marés.
O satélite natural da Terra atinge o ponto mais próximo do planeta, o perigeu (oposto ao apogeu, quando está mais afastada), passando a 356 577 quilómetros, quatro mil quilómetros mais perto do que é habitual.Ocasionalmente, uma Lua Cheia coincide com o perigeu, e com isso pode apresentar-se até 30 por cento mais brilhante do que uma Lua Cheia no apogeu. Também fica significativamente maior, graças a um efeito óptico notável, produzido sempre que está baixa no horizonte. É a chamada super-Lua, que teve o seu ponto máximo ao entardecer do dia de Sábado, ontem. Essa proximidade da Lua pode aumentar um pouco as marés, mas os especialistas garantem que não há razão para preocupação: as variações serão de apenas alguns centímetros a mais do que o normal, não desencadeando desastres naturais como algumas teses sustentam. Mas os fenómenos astronómicos deste fim-de-semana não se ficam por aqui:hoje,Domingo, às 23h21, há o equinócio da Primavera, dia que marca a mudança da estação e em que o dia e a noite têm exactamente a mesma duração.Mas esta coincidência temporal não tem qualquer consequência a não ser atrasar o domingo de Páscoa, data que, apesar de católica, é calculada em função da astronomia: celebra-se no primeiro domingo a seguir à primeira Lua Cheia após o equinócio da Primavera (no hemisfério norte, Outono no hemisfério sul).Uma vez que este ano há uma Lua Cheia imediatamente antes do equinócio, há que esperar pela próxima Lua Cheia e pelo domingo que se segue. Estes cálculos dizem que a Páscoa pode celebrar-se entre 22 de Março e 25 de Abril".Adaptação do artigo de Mário Gil,in CM

'The Reaktor Song' e " Space Generic"

Com um fim de semana também  virado para o espaço, a música para este Domingo tinha de traduzir os sons que o preenchem. Assim, para que possamos viajar de galáxia em galáxia,  na senda do nosso paraíso celestial ficam estas notáveis melodias legendadas por imagens da ESA(European Space Agency) e de astrónomos amadores.



"The Reaktor Song" foi composta pela banda alemã "Eclipse Sol-Air". As imagens acompanham a música, pelo que o violino e o piano invocam os tempos pioneiros da História Europeia espacial, os baixos e a bateria captam a excitação dos tempos hodiernos provocada pela moderna e avançada tecnologia espacial.
"Space Generic" é um hino de Stephane Eliot ao nosso admirável Universo com imagens muito belas captadas por  astrónomos amadores.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

O universo de Marte

A invasão dos Marcianos não está ainda declarada, mas Marte deixou o nosso imaginário fantástico para se converter em objecto de estudo e palco de  exploração científica. É, agora, o Homem que procura desvendar a vida marciana. Invadir Marte é um projecto científico que se está traduzindo gradualmente em descobertas importantes tal como esta que vamos apresentar.

Dunas  geladas de Marte mudam rapidamente
Superfície do Planeta vermelho continua a surpreender os cientistas

As mais recentes investigações sobre a superfície de Marte revelam que a região do norte daquele planeta, composta por areias congeladas, sofre mudanças repentinas. Súbitas avalanches de areia que alteram a superfície marciana, criando novas falésias, pareciam impossíveis visto o vento de Marte não ser capaz de levantar poeira.
Os cientistas consideravam as dunas bastantes estáticas desde a sua formação, quando os ventos na superfície eram muito mais forte do que hoje. Mas a câmara de alta resolução HiRISE, da Mars Reconnaissance Orbiter, registou modificações profundas. As calotas de gelo de dióxido de carbono modificam-se com as estações e com a força do vento. A sonda da NASA chegou ao planeta vermelho há cinco anos e passou quatro deles (dois anos marcianos) com a atenção posta nessa zona. O estudo está publicado na «Science».
Os campos de dunas geladas cobrem uma superfície do tamanho do Texas. Apesar das novas investigações sugerirem que esta zona se encontra entre as paisagens mais activas de Marte, muitas poucas mudanças se tinham assinalado até agora. A chave destas mudanças encontra-se em dois factores: o dióxido de carbono gelado e as rajadas de vento mais fortes do que o esperado.
A capa de gelo cobre a região no Inverno, mas na mudança para a Primavera torna-se gasosa. Este fluxo de gás desestabiliza a areia, provocando avalanches e a criação de novas formas. Os cientistas ficaram surpreendidos pelo nível de erosão verificado em apenas um ano. O vento proporciona outro tipo de alterações.
A mais interessante para os investigadores foi que as “cicatrizes” provocadas pelas avalanches eram parcialmente apagadas durante um ano marciano. Os cientistas acreditam que o clima polar será mais propício a que o vento atinja altas velocidades
.In "Ciência hoje", 8/02/2011
Leia o Artigo: Seasonal Erosion and Restoration of Mars’ Northern Polar Dunes

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

O Homem e o devir do Universo

"Apertados sobre a sua pequena Terra, ameaçados pelo seu próprio poderio, os seres conscientes e curiosos levantam os olhos ao céu e perguntam, ansiosos, como irá continuar esta bela história do mundo ?"



Em 1994, o cientista Carl Sagan lançou o livro "Pálido Ponto Azul", baseado na imagem da Voyager, onde faz uma profunda reflexão sobre o planeta. O livro também foi lançado em formato "Audio Book".