LIVRES PENSANTES
"A coisa mais indispensável a um homem é reconhecer o uso que deve fazer do seu próprio conhecimento" Platão
sexta-feira, 6 de novembro de 2026
Uma interpretação ideológica de um soneto de Camões
quarta-feira, 4 de novembro de 2026
Everything Must Change
Everything must change
Everything must change
Nothing stays the same
Everyone must change
No one stays the same
The young become the old
And mysteries do unfold
Cause that's the way of time
Nothing and no one goes unchanged
There are not many things in life
You can be sure of
Except rain comes from the clouds
Sun lights up the sky
And hummingbirds do fly
Winter turns to spring
A wounded heart will heal
But never much too soon
Yes everything must change
The young become the old
And mysteries do unfold
Cause that's the way of time
Nothing and no one goes unchanged
There are not many things in life
You can be sure of
Except rain comes from the clouds
Sun lights up the sky
And butterflies do fly
Rain comes from the clouds
Sun lights up the sky
And music
terça-feira, 3 de novembro de 2026
Homenagear o 86º aniversário de Manoel de Andrade
Ai, América,
que longo caminhar!
Eu venho com o trigo do meu canto
minha ternura aberta
e o meu espanto;
e do fundo de mim e do meu assombro
e pelos meus lábios de vinho e gaivotas,
te trago o meu cantar de caminhante.
Para ti, amada minha,
para teu corpo de cansaço
e por tua fome
eu trago esse meu verso frutecido.
Eu venho com o rocio do amanhecer
sou o cantor da aurora
o que desperta
o que anuncia a vida e a esperança.
Eu sou o mensageiro destes anos
o cantor deste tempo e destas terras
eu sou daqui,
desde a Patagônia até o Rio Bravo
e daqui alço meu canto para o mundo.
Ai América,
que longo caminhar!
Eu sou como uma ave que passa
apenas um cantor errante,
mas se na minha voz há uma sinfonia delirante,
é para golpear-te, América,
para entoar teu grito emudecido.
Agora venho cantar-te
e meu canto é como o dia e como a água
para que me entenda sobretudo o homem humilde.
Agora venho cantar-te
mas em teu nome, América,
eu só posso cantar com a voz que denuncia.
Eu não venho cantar o esplendor de Machu Picchu,
a Grande Cordilheira e a neve eterna;
não venho cantar esta América de vulcões e arquipélagos
esta América altiplânica da lhama esbelta e da vicunha;
venho em nome de uma América parda, branca e negra,
e desde Arauco a Yucatán,
venho em nome desta América indígena agonizante.
Eu venho sobretudo em nome de uma América proletária,
em nome do cobre e do estanho ensanguentado.
Eu hoje não venho cantar um continente de paisagens,
não venho cantar o mar que amo,
os lagos escondidos na montanha,
nem os rios que correm ao fundo dos vales florescidos.
Não, eu não venho cantar este trigo que se nega a quem semeia;
eu venho por uma história mais sincera,
venho falar do homem que vi e ouvi pelos caminhos.
Ai América,
que longo caminhar!
Eu venho falar do camponês
de seu poncho roto e o seu colchão de terra,
de sua resignação e o seu misterioso silêncio,
de seu gesto incontido que em alguma parte se levanta,
de sua fome saciada com o sangue dos massacres.
Eu venho falar do mineiro e sua morte prematura,
de uma vida vivida na penumbra tumular dos socavões,
da silicose escavando dia a dia os pulmões dos operários jovens.
Venho contar das mulheres de Yanuni, Catavi e Siglo Veinte
das palhiris bolivianas com quem falei um dia,
dessas desamparadas viúvas do mineiro massacrado ou soterrado,
que buscam no lixo do estanho
o pão diário dos seus filhos.
Eu não venho cantar o encanto colonial destas cidades,
os altares espanhóis recobertos com o ouro dos Incas,
as grandes praças onde se erguem as estátuas dos libertadores.
Venho cantar as favelas, barriadas e tugúrios,
as povoações calhampas e as vilas-misérias,
Venho denunciar a tuberculose e o frio,
venho em nome dos meninos sem pão e chocolates,
em nome das mães e de suas lágrimas.
Eu venho falar por toda voz que se levanta,
por uma geração reprimida com fuzis,
venho falar das universidades fechadas
e com a marca das tiranias encravada nas paredes.
Eu venho denunciar falsas revoluções
e o oportuno pacifismo,
venho denunciar um tempo de desterros e de torturas,
eu venho alertar sobre um terror que cresce uniformizado
e sobre estes anos em que cada promessa de paz é uma mentira.
Ai América,
eu venho em nome do homem e sua agonia,
em nome de uma infância sem doçura.
E por isso eu venho falar de outra colheita
e de um vale semeado na montanha.
Eu venho anunciar o mel e a espiga
e a terra fértil e doce e repartida.
Ai América,
em nome de uma América americana,
eu venho convocar-te para a luta.
Eu canto para isso, amada minha,
para pronunciar um tempo já chegado entre nós todos,
para dizer-te destes punhos que amadurecem em cada gesto,
e destes rifles que disparam em cada peito.
Ai América,
que longo caminhar!
Rumo ao norte
ao sul
a leste ou a oeste,
eu avanço atravessando essas nações.
Oh caminhar, caminhar...
e saber sentir-se um caminhante!
Pois é tão triste morrer a cada dia,
morrer com os punhos abertos e o coração vazio.
Morrer distante do homem e sua esperança
morrer indiferente ao mundo que morre
morrer sempre,
morrer pequenamente
quando a vida é um gesto de amor desesperado.
Oh caminhar, caminhar...
mas caminhar como caminha o rio e a semente,
conhecendo a completa plenitude em seu destino.
Oh caminhar!
Caminhar
e saber-se um dia fruto.
Caminhar
e sentir-se um dia mar.
Ai América,
que não exista a dúvida em meu caminho,
que somente esta paixão de justo me enamore.
Fui prisioneiro,
mas outra vez sou pássaro,
outra vez um caminhante,
e volto a abrir a alma com meu canto.
Hoje me detenho aqui...
levanto minha voz, minha acusação, meu juízo.
Declamo minha bandeira de sonhos,
proclamo minha fé,
recolho meu testemunho e me vou.
Eu sou o jogral maldito
e bem amado.
Meu canto é um grito de combate
e eu não canto por cantar.
Eu parto deixando sempre uma inquietude,
deixando numa senha a certeza de uma aurora.
Eu sou o cantor clandestino e fugitivo,
aquele que ama a solidão imensa dos caminhos.
Passo despercebido de cidade em cidade,
em algum lugar público eu vou dizer meus versos
e ali conheço amigos e inimigos.
Mas sempre pude encontrar o grande companheiro,
o homem novo,
aquele que traz a face da esperança,
aquele que se aproxima em silêncio
e com um gesto inconfundível me saúda.
Ai América,
que longo caminhar!
Eu venho amada América,
para iluminar com meu canto este caminho.
Trago-te meu sonho imenso, latino e americano
e meu coração descalço e peregrino.
Mas quando sinto meu sangue escorrendo-se nos anos
e a vida se me acabe antes de ver-te amanhecida;
Quando penso que é tão pouco, amada minha,
o que eu posso dar-te em um poema;
Ai, quando penso nessas flores de sangue que murcharam,
nestes iluminados corpos que tombaram,
e que ainda não pude fazer por ti quanto quisera;
Ai, se com o tempo eu descobrir
que este lírico fuzil que empunho não dispara,
ai América...
quem dirá que a intenção que tive foi sincera."
segunda-feira, 2 de novembro de 2026
O amor não é mundano
domingo, 1 de novembro de 2026
Ao Domingo Há Música
MOZART
O génio musical no estado puro.
Como se a música fosse só ele,
dando, sem esforço, o mais fino apuro,
com notas que lhe saíam da pele.
Criador abundante, a qualidade,
nunca ferida pela quantidade,
quase parecia uma maldade,
aos que a não sofriam com humildade.
A música dele pode ser sublime
ou deliciosamente faceira,
mas nunca por nunca ela deprime,
fluindo airosa e feiticeira.
Meteoro breve da criação,
mostrou-nos a via da perfeição.
26.06.2022
sábado, 31 de outubro de 2026
Bonito luar…
Título: Melhores contos
Páginas: 208
Formato: 21 x 13.8 x 1.2 cm
Acabamento: Livro brochura
Lançamento: 01/01/2012 (12ª edição)
ISBN: 978-8526001336
Selo: Global
sexta-feira, 30 de outubro de 2026
Viajar por Uttarakhand , Himalaias indianos
segunda-feira, 26 de outubro de 2026
Sobre a palavra
Entre a folha branca e o gume do olhar
a noite aproxima-se da chama
Assim se morre dizias tu
Assim se morre dizia o vento acariciando-te a cintura
Na porosa fronteira do silêncio
a mão ilumina a terra inacabada
Interminavelmente
Eugénio de Andrade, in "Véspera da Água", Assírio & Alvim Editores , reimpressão: 02-2014


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