quinta-feira, 11 de junho de 2026

O primeiro livro e o regresso a Lourenço Marques


Eugénio Lisboa, 1930-2024

O primeiro livro e o regresso a Lourenço Marques
por Eugénio Lisboa
“Publiquei o meu primeiro livro, há 50 anos. Vivia então na cidade da Beira (ainda hoje se chama assim), em Moçambique. O livro, diga-se de passagem, não foi publicado na Beira, nem sequer em Lourenço Marques, cidade onde nascera e onde vivera a maior parte da minha vida até então vivida. Também não foi publicado em Lisboa, onde tirara o meu curso de engenharia (como se vê, a minha vocação para eterno “outsider” é impecável). Viu a luz no Porto, onde nunca vivi, editado pela Livraria Tavares Martins, que o acolheu numa colecçãozinha intitulada “Poetas de Ontem e de Hoje”, dirigida por João Gaspar Simões, que eu não conhecia pessoalmente, e que me não conhecia a mim, nem pessoalmente, nem de maneira nenhuma: eu nunca publicara nada, nem em livro, nem em revista, nem em jornal e não tinha por costume andar atrás de escritores, mesmo dos que admirava. A responsabilidade do livro foi-me simplesmente cometida, de forma algo escandalosa, por um dos tais escritores que eu muito admirava – José Régio - , cuja obra conhecia como os meus dedos, mas sobre a qual não escrevera, nem sonhava escrever uma única linha. Uma noite, em Portalegre, regressando com ele do Café Central – hoje assassinado - , comunicou-me que, na sua recente visita ao Porto, o Tavares Martins lhe pedira autorização (e colaboração) para incluir na supra dita colecção, logo a seguir ao tomo dedicado a Garrett, uma antologia de poesia do autor de Poemas de Deus e do Diabo. Régio respondera-lhe que sim, com a condição de ser ele – e não Simões – a escolher o ensaísta que organizaria a antologia e para ela escreveria um estudo crítico introdutório. E que o escolhido seria um oficial miliciano chamado Eugénio Lisboa, que conhecera em Portalegre e ali se encontrava, a cumprir serviço. O Tavares Martins aceitara e, pelos vistos, o Simões também. (…) Portalegre serviu, também, para me apresentar o Alentejo, que ainda hoje é a minha província favorita num Portugal a que pertenço e não pertenço, visto encontrar-me maravilhosamente tripartido entre Moçambique, a Inglaterra e Portugal, minhas três pátrias de que não abdico: não sou um desenraizado, o que tenho é muitas raízes – em suma, sou rico. De qualquer modo, só para conhecer uma cabeça como a do Régio e um coração como o do Dr. Falcão, valeu a pena ir cumprir a pena de degredo, em Portalegre.
(…)Comecei por gaguejar com a honra que surpreendentemente me visitava e por dizer ao Régio que, sim senhor, me tocava muito o convite, mas que nunca publicara nada (embora rabiscasse um “diário” errático para a gaveta) e que, portanto, não fazia sentido aceitar a oferta. Mas o Régio sabia-a toda. E foi por ali fora, alegando isto e aquilo e ainda que, nas nossas alongadas conversas de café, eu mostrara um conhecimento, em profundidade, da obra dele, como nunca vira em ninguém, que, acrescentava ele, a escrever, é que se aprende a escrever, e que, em suma, ele não tinha qualquer dúvida quanto ao serviço asseado que sairia das minhas mãos. Mas eu iria, poucos meses depois, para África, atirei-lhe, a ver se o dissuadia... Que não fazia mal: acabava o trabalho antes de partir e ele, Régio, comprometia-se a rever, em Portugal, as provas, com todo o cuidado que punha nas suas próprias coisas.
(…)Parti para Lisboa em fim de Fevereiro de 1955, envaidecido e apavorado. Parecia-me cada vez mais uma enorme loucura ter-me rendido ao desafio do grande escritor. De qualquer modo, pus-me ao trabalho, aboletado, em república, na casa do Rui Serrão, colega e amigo de batalhão, que também se fizera amigo do Régio e do Dr. Falcão e deixara, por acaso, o coração em Portalegre, nas mãos gentis da “bela Helena”, com quem viria a casar. De dia, fazia os estágios e ia preparando os relatórios e, à noite, relia o Régio, tomava notas, escrevia períodos que me pareciam dignos de, mais tarde, se irem encaixar no mítico ensaio-a-haver. E tinha cada vez mais medo de não ser capaz de escrever coisa com coisa. Mas sempre ia descobrindo, na obra do autor de A Velha Casa, recantos que, até então, só mal entrevira: dava-me um estranho gozo interior sentir, às vezes, que acertara, que tocara em algo de profundamente revelador, mas sufocava-me a angústia de ainda não ver o texto em que tudo aquilo se iria inserir. Foi um trabalho longo, minucioso, lento, angustiado, que durou de Março a Maio: três meses suados e bem suados. Acabei, com uma alegria que não há palavras para contá-la, por descortinar o guião geral em que as minhas pérolas singulares se iriam incrustar. Aqueles átomos de descoberta não iriam ficar pendurados, sem se articularem num todo que fizesse sentido. Finalmente eu via o argumento. Mas havia em tudo aquilo um defeito contra o qual não me apetecia lutar: era o meu primeiro livro, mais, era o meu primeiro texto, e era-o sobre um escritor que eu conhecia bem e que me “agarrara” aos quinze ou dezasseis anos, com um livro que nunca mais saíra de mim: Uma Gota de Sangue, primeiro volante de uma vasta e ambiciosa soma romanesca, que viria a ficar incompleta. Como acontece com os primeiros livros, eu queria meter “tudo” logo no primeiro parágrafo: tal era o medo de que se “perdesse” se o não registasse logo ali... Um ou outro período corria assim o risco de sair, não propriamente “rico”, mas sim “atafulhado”...
Escrevia à mão, com letra bem desenhada e, no fim, copiei o texto num caderno de trinta e cinco linhas (salvo erro, não juro, branco), que enviei ao Régio, em Portalegre. Passara as duas últimas noites a escrever, sem dormir, à custa de anfetaminas, de que, depois, nunca mais abusei. E fiquei à espera.
Pelo meio, acabei os estágios, amanhei à pressa e sem grande convicção, os relatórios e recusei, com desenvoltura e alguma leviandade, um bom emprego que me fora lisonjeiramente oferecido, para Alverca: decidira mesmo regressar a África, à minha África, onde tinha espaço, recordações, família, o Nero já enterrado e, quem sabe, amores à espera. Estava farto de Lisboa, de Portugal, da Europa, da pequenez disto tudo. Ir-me-ia embora – o Régio não aprovava – no princípio de Agosto. Entretanto, no meio da agitação que precedia a partida, chegaria a reacção do poeta aos meus trabalhos de Hércules. E, com efeito, com data de 22 de Maio (três dias antes do meu aniversário) veio por fim a carta acusando a recepção do meu manuscrito. Abri-a a tremer. Entre outras coisas, dizia o seguinte, começando com as “cautelas” do protocolo: “Ao fazer um juízo sobre o seu trabalho, tenho de ser muito sóbrio: isto porque – numa certa medida – louvando-o, quase teria a impressão de me estar louvando a mim próprio(...) Só quis dizer que Você é muito amável com as minhas coisas. As restrições também lá estão, por certo, e ainda bem! Mas os meus inimigos dirão que certos aspectos apologéticos excedem em muito as observações restritivas, Mais uma vez passemos adiante. O que não pode ser louvar-me, - é reconhecer eu a penetração, a densidade, o encadeamento lógico, visíveis (e creio que, felizmente, não só a mim!) em todo o seu estudo, e que, aliás, eu já esperava de Você. A forma nem sempre é lapidar, e até possível é que Você não tenha propensão especial para o lapidarismo. Ainda se não vê bem, perante certos seus longos períodos, o que é devido a uma inexperiência natural num jovem escritor, ou o que deriva de uma personalidade. Mas o emprego do termo próprio, justo, já é notável na sua prosa; e devo confessar que, se já esperava de Você as qualidades de inteligência e sensibilidade patentes num estudo tão completo e aprofundado a dentro dos seus limites de extensão, não sabia, por ainda não ter lido nada seu, quais seriam as suas possibilidades de expressão verbal. Vejo que tais possibilidades de expressão já não desmerecem da coisa exprimível. Estou, portanto, e em suma, verdadeiramente satisfeito com o ter escolhido, se me permite falar assim. Quando o livro saia, e me pedir alguém de fora (como já tem sucedido) um estudo que dê uma ideia da minha obra – terei, finalmente, um pequeno volume em que já se diz muito sobre ela.” O elogio, vindo do cauteloso Régio, era de monta. Mas fui particularmente sensível ao facto de ele ter percebido o “encadeamento lógico” do meu texto: sofrera angústias, com o receio de não vir a dar uma articulação de enredo ao conjunto de observações que a obra regiana me suscitara. Temera, sobretudo, produzir um amontoado de “pérolas” sem fio de ligação – e, sem fio, como nota Ortega y Gasset, não há “colar”. A carta de Régio vinha sossegar-me.” 
Eugénio Lisboa, Texto lido na Escola Portuguesa de Moçambique, em 7 de Junho de 2007

quarta-feira, 10 de junho de 2026

Que país constróis?


Que país constróis?

Porque tens nos olhos
o sol
       e o mar…

Porque tens nos olhos
o rio
    e também:
 o riso
e o fogo
 
Porque tens no ventre
a raiz de todas
as crianças…
 
que país constróis
diariamente?
Maria Teresa Horta, in Mulheres de AbrilEditorial Caminho, Lisboa, 1977

terça-feira, 9 de junho de 2026

Lançamento do livro EM BUSCA DA VERDADE, de Manoel de Andrade

O encanto do conhecimento permeia todas as páginas deste incomparável propósito de estudos , motivando sempre o realce da consciência na renovação íntima de cada um. 
 Manoel de Andrade , in  Nota de Autor, Em busca da Verdade. 

Capa e contracapa do novo livro de Manoel de Andrade, poeta brasileiro, residente em Curitiba , Paraná. Um livro que é lançado nesta terça feira , nono dia do mês de Junho, conforme anunciado no convite que publicamos, no dia 3  deste mês. 
Manoel de Andrade nasceu em Rio Negrinho, SC, Brasil, em 1940. Mudou-se para Curitiba, onde permanece e se formou em Direito.
Ao longo de cinquenta anos, como seguidor da doutrina espírita, desenvolveu uma actividade que reflecte o seu profundo espiritualismo , ao  consagrar um permanente estudo dos pilares , ou seja, dos  diversos  aspectos doutrinários do Espiritismo e do Cristianismo, numa criteriosa e incansável   "Busca da Verdade".
Eis, pois,  o release do  lançamento deste novo livro do  notável poeta de Curitiba:

"O livro EM BUSCA DA VERDADE, do poeta Manoel de Andrade, será lançado hoje, dia 9 de junho, em Curitiba, cidade onde vive, no sul do Brasil. A obra retrata seu perfil espiritualista, como um estudioso das grandes religiões, profundo conhecedor do Evangelho e como um adepto praticante do Espiritismo kardecista. Nas suas 475 páginas, o autor analisa e interpreta, com uma base crítica e racional, os grandes sistemas religiosos e espirituais do mundo, dando destaque para os relevantes marcos históricos e as verdades centrais do Cristianismo e do Espiritismo. Seu conteúdo foi indicado pela Federação Espírita Brasileira (FEB), para complementar a nova edição dos cinco volumes do Estudo Aprofundado da Doutrina Espírita (EADE), um programa nacional avançado para o estudo sistemático e contínuo sobre a essência do Cristianismo e dos aspectos filosóficos, científicos e religiosos da Doutrina Espírita.
A indicação pela FEB, a “Casa Mater” do Espiritismo no Brasil, de que suas reflexões passem a integrar um projeto nacional de estudos, no país mais espírita do mundo, com mais de 3,8 milhões de adeptos e 30 milhões de simpatizantes, não deixa de ser uma consagração do trabalho do incansável poeta, historiador e ensaísta paranaense pela doutrina de Kardec, que a estuda e vivencia há cerca de cinquenta anos."

segunda-feira, 8 de junho de 2026

Os livros de Junho da Guerra & Paz e da Gradiva

"Não é bem uma newsletter, é mais o tampo de uma mesa com petiscos, uns copos de vinho, e uma catrefa de amigos debruçados à conversa.
De que outra coisa falaríamos senão de livros. Obrigado por se sentarem a esta mesa. 
Manuel S. Fonseca, Editor da Guerra & Paz e da Gradiva

Os meus livros de Junho

Épicos e contos de fadas nas noites de Junho

Há um épico que nunca deixará de nos lamber o ouvido com a sua língua defumada e a sua luz ultramarina. Falo de Os Lusíadas. E com vontade que o comecem a ler, o poeta António Carlos Cortez reescreveu-o para que rapazes e raparigas das escolas não só o leiam, mas aprendam a delicada arte de o degustar. Por isso, Uma estória de Os Lusíadas, de António Carlos Cortez, livro de iniciação, é o primeiro dos meus dez livros de Junho. 
A poesia flui e reflui entre equinócios e solstícios. Pedro Rapoula é um poeta novo. Revela-nos Coisas que me ensinaram a calar, uma escrita que não foge a dores de infância, ao frio da casa e do afecto. É poesia, essa coisa que de nada serve por tanto lá estar tudo.
Mês de Feira do Livro, mês de prémios. O Sal e a Ferida, de Diana Teixeira, é Prémio Nacional de Literatura do Lions e mostra-nos que as feridas abertas no Andes não ficam apenas no Andes, desaguando mesmo à nossa porta, e Antologia Brutalista, do italiano Ricardo Rao, com autênticos episódios da guerra social brasileira, mereceu o Prémio de Revelação Literária UCCLA/CML. 
Aos meus leitores ofereço agora os Contos de Fadas Turcos, na mesma colecção em que já publiquei contos de fadas japoneses e chineses. Façam o favor de entrar no maravilhoso turco povoado de dervixes, pássaros cor-de-laranja, mitos xamânicos, um maravilhoso pintado a ilustrações que combinam cores e tradições persas e otomanas, alegria dos olhos e felicidade dos dedos que desatam a correr de página a página.
Ponho, agora, o meu melhor ar circunspecto. Falemos de pensamento. De René Girard, filósofo maior das últimas cinco décadas, publico uma antologia póstuma, Desejo de Tirania, cuja primeira jóia nos assombra: «É o medo de ser morto que faz do soberano um tirano. E é o nosso medo de morrer que faz com que nos deixemos tiranizar». É da colecção Os Livros Não se Rendem e os meus fabulosos parceiros, a Fundação Manuel António da Mota e a Mota Gestão e Participações encerram aqui um apoio de quatro anos, que se traduziu na doação de cerca de nove mil livros à rede nacional de bibliotecas públicas.
E há um livro, Cataclismo Atlântico: Repensar o Tráfico Atlântico de Escravos, de David Eltis, que diz coisas novas sobre a mais antiga e pungente das práticas humanas, a escravatura. Nenhum debate futuro será possível, ou pelo menos honesto, sem considerar os factos e a informação deste livro. Polémico porque verdadeiro, contra um tempo carregado de demagogia.
Figura destacada da Judiciária e do universo policial, José Lopes apresenta uma proposta sedutora: falar do sistema (mas será que é mesmo um «sistema») de organização das nossas polícias. Quantas são, o que fazem, que redundâncias? Com um prefácio diligente e reflectido de António Araújo, O Sistema Policial Português, Onde Nasceu, Como Cresceu, No Que Deu, vai incomodar algumas almas mais dadas a uma certa paz dos cemitérios, perdão, gabinetes.
O sistema policial era outro quando Carolina Loff, sereia do seu tempo, foi presa e torturada na polícia política. Eis que, frente a frente, ficaram uma comunista e um Pide. Dos antecedentes e da sua teia de espionagem e clandestinidade nos conta este emotivo A Comunista e o PIDE, de Felícia Cabrita. Não vos vou dizer que é uma história de amor, não se vá dar o paradoxo de acreditarem em mim. Ah, é verdade, a Felícia Cabrita autorizou-me a escrever um posfácio. 
Fecho com um extraterrestre chamado Cristiano Ronaldo. Um jornalista do grande L’Équipe, Régis Dupont, mergulhou na vida, mas sobretudo na prodigiosa carreira desportiva do já lendário goleador e escreveu Cristiano Ronaldo, 25 anos no topo do futebol. Para ler antes que comece um Mundial de que só queremos sair campeões.

São os meus dez livros de Junho, dez golos e ainda nem o jogo começou.

duas euforias

A minha luminosa Rita Fonseca continua a mergulhar os milhares de leitoras da sua euforia nas ínvias sombras do dark romance.  A portuguesa Inês Valadas teve arranque eufórico com Onze Minutos e Sara Cate põe as personagens de Elogia-me a fazer coisas sem sexo. Ou será com?

Os livros de Junho são estrelas que descem dos céus

São de sombras e luzes, e o mistério de buracos negros, os livros de Junho da Gradiva, a começar pela prosa cativante e tão feeling good das histórias que Edgar Valles nos conta em Sombras e Luzes do Império, a que João Soares respondeu com competente prefácio. E o mesmo império mereceu, ao investigador José Sá Carneiro, uma incursão muito bem documentada a um momento dramático da nossa história do século XX, A Descolonização e os seus Antecedentes.
Dessa raposa – não, não era um ouriço! – chamada Isaiah Berlin, cujos conceitos de liberdade positiva e liberdade negativa marcaram o pensamento recente, vamos publicar Rousseau e Outros Cinco Inimigos da Liberdade. São seis os filósofos dissecados: todos eles a roerem o pão e queijo da liberdade individual.
Peçam um romance sobre a «diferença»: Estranha Sedução, de Ian McEwan, dá logo um passo em frente. A acção decorre numa cidade sem nome e as traves da perversidade seguram o «conforto dos estranhos» que é a chave de uma história arrepiante: o clímax assusta.
Acendam velas: chegou a edição comemorativa dos 50 anos de O Gene Egoísta, de Richard Dawkins. Um livro de viragem na história da ciência e do evolucionismo darwinista: o «gene» está no centro de tudo. O prefácio é do genial Robert Trivers.
Há livros que se publicam a pedido das famílias. Esta obra meritória de Ana Paula Santana e João Filipe Queiró, Introdução à Álgebra Linear, tem um claro objectivo de apoio pedagógico. Límpido e de serviço público. 
Luís F. Rodrigues trocou a Guerra e Paz pela Gradiva e publica Gestalt da Alma: Método de Autoconhecimento Profundo pela Expressão Artística e Simbólica, com um propósito:  de que modo podemos recuperar a capacidade de escuta interior?
Do espaço interior para o cosmos, a Gradiva, fazendo justiça à sua vocação de «ciência aberta», quer provar que O Céu é o Máximo, e fá-lo com este livro de Máximo Ferreira, que nos põe a olhar lá para o alto entre as estrelas.
De outra maneira, arrebatando os mais distraídos e mesmo os mais afobados ou sôfregos, Astrofísica para Gente com Pressa, de Neil deGrasse Tyson, é uma viagem emocionante aos mistérios do cosmos.
E os pais que queiram converter os filhos à contemplação das galáxias têm, do mesmo autor, Neil deGrasse Tyson, um livrinho infantil, Olha para o Céu Comigo: uma vida entre as estrelas, que Jennifer Berne adaptou e Lorraine Nam ilustrou com delicadeza.

Fechamos este mês em que a Gradiva se passeia pelos astros com um livro do Prémio Nobel da Física, Alain Aspect, Einstein e as Revoluções Quânticas. As experiências de Aspect mostram que partículas entrelaçadas, mesmo se separadas por grandes distâncias, permanecem ligadas, comportando-se de forma idêntica. Começa aqui a física do futuro.

Onze livros Gradiva: a entrelaçar o fundo da história com a imensidão galáctica."

Manuel S. Fonseca, editor da Guerra & Paz e da Gradiva.

Jonas Kaufmann, num emocionante "encore"

  
E lucevan le stelleda ópera Tosca de Giacomo Puccini, pelo tenor Jonas Kaufmann, num emocionante "encore".

quarta-feira, 3 de junho de 2026

Manoel de Andrade publica um novo livro


Manoel de Andrade , o poeta brasileiro que tantas páginas nos tem ofertado ao longo da vida deste blog, acaba de publicar um novo livro a ser apresentado a 9 de Junho, em Curitiba, para o qual nos remete um honroso  convite.
Manoel de Andrade foi desde a época da Ditadura, nos anos obscuros  de setenta, um insigne arauto da luta pela liberdade  que o obrigou ao exílio e a uma comprometida diáspora pela América Latina. Desse tempo, registou, com mestria, em prosa fluida e assertiva, as memórias de um bardo guerreiro que lutava, com a palavra, a defesa dos oprimidos, sob o jugo de alguns tiranos que , então, dominavam a grande maioria dos países dessa América Latina ensanguentada.
Poeta , Manoel de Andrade tem na palavra  o rigor e a música que faz da poesia a mais bela interpretação da vida. No entanto , é um exímio prosador que dá forma ao que o rodeia e interpreta o mundo. Homem culto e de profunda humanidade tem, em si,  os fundamentos de um grande comunicador que não só nos cativa através da sua escrita , mas também no trato directo com aqueles que têm o privilégio de o ouvir e de o conhecer.
Neste último livro, este intelectual brasileiro transmite-nos, através de doutos comentários, os longos e profundos estudos que tem realizado sobre o Velho e o Novo Testamento.  "Muitas histórias sobre a vida de Jesus , de leitura e releitura  das obras básicas e complementares da Doutrina Espírita e de muitos anos  na busca da beleza e do conhecimento na História, na Filosofia, na Ciência , nas Religiões, na Arte e na Literatura."
De aqui, saudamos Manoel de Andrade , apresentando nosso sempre grato regozijo por mais uma importante e valiosa  obra.

segunda-feira, 25 de maio de 2026

Celebrar o 96º aniversário de Eugénio Lisboa

Eugénio Lisboa (25 de Maio 1930 - 9 de Abril de 2024)

         Máquina de Assombros

Das humildes praias deste oceano,
te olhámos, cosmos: era o começo.
De aqui, assombros vimos: cada ano,
o milagre era um recomeço.
          Eugénio Lisboa, O Ilimitável Oceano

Talento é acertar um alvo que ninguém acerta. Genialidade é acertar um alvo que ninguém vê.
Arthur Schopenhauer

Eugénio Lisboa nasceu a 25 de Maio de 1930, na cidade de Lourenço Marques, actualmente Maputo. Completaria, hoje, 96 anos.
Recordar o seu aniversário é homenagear a Literatura Portuguesa. 
Poesia, Crítica , Ensaio, Crónica são alguns dos géneros literários cultivados por Eugénio Lisboa. Mestre da exigência e da perfeição produziu uma vasta obra que retrata um percurso brilhante e inovador.
Celebrar a vida de Eugénio Lisboa é celebrar a Cultura. Ano após ano, não cessou de surpreender pela beleza e largueza com que semeou Cultura. A sua obra é um repositório magnânimo e um manual precioso de como se deve fazer Cultura, em qualquer parte do mundo. Portugal tem nele o obreiro mais insigne e engenhoso da actualidade
Ler Eugénio Lisboa é descobrir a transcendente magia da Literatura; é viajar por um mundo cheio de inesperados assombros que nos deslumbra e desassossega. Conhecer Eugénio Lisboa é verificar como a simplicidade, a humildade vestem sempre um grande Homem. A sabedoria tem nele uma vantagem: a partilha. Dá-no-la em doses gigantescas , espalhando-a por sumptuosos ensaios, magníficas crónicas, extraordinárias intervenções, valiosos livros e na imperdível e rica obra memorialística, registada em sete volumes.
Todos os títulos das obras de Eugénio Lisboa são ricos e sugestivos. Requisita-os com argúcia e apropriação que só um espírito sagaz e culto sabe fazer.
" Acta Est Fabula " é o título da vasta obra onde a memória se estende. Dos idos tempos de Lourenço Marques a S. Pedro de Estoril, a voz de Eugénio Lisboa faz a narração de uma vida singular: a sua. Com ela ,atravessamos quase um século de descoberta e de encontros com vultos importantes da Literatura Nacional e Universal. Mas é Eugénio Lisboa que nos toca, que nos ensina como se constrói uma vida aberta à aprendizagem, ao conhecimento.
Eça de Queiroz, o notável autor de "Os Maias", afirmava: Não tenha medo de pensar diferente dos outros, tenha medo de pensar igual e descobrir que todos estão errados!
Eugénio Lisboa não teve medo de o fazer. Nunca pensou igual. Fê-lo diferente e proficuamente. A nós, cumpre agradecer-lhe por ter praticado a diferença ao produzir uma obra que nos faz mais felizes e igualmente mais sábios. 
O primeiro volume de "Acta est fabula" foi galardoado com o Grande Prémio da Literatura Biográfica APE, que lhe foi entregue em Março de 2015.
E, porque homenagear um autor é celebrar a sua obra, transcrevemos as comovidas palavras proferidas por Eugénio Lisboa, na cerimónia de entrega do Prémio, em Castelo Branco, que são o mais perfeito exemplo de como a simplicidade, a humildade vestiram sempre este grande Homem:

Exm.º Senhor Presidente da Câmara de Castelo Branco
Exm.º Presidente da APE
Exm.º Vice-Presidente da APE
Exm.ª Porta-Voz do Júri do Prémio
Exm.º Comendador Jorge Morão

"Estou aqui, hoje, em Castelo Branco, por onde passei, em Junho de 1977, numa atormentada viagem entre Estocolmo e Lisboa, estou aqui, dizia, para receber um Prémio. Melhor ainda: um Grande Prémio.
Há piores razões para se estar num lugar, embora as opiniões, no que respeita a galardões, se dividam. Os prémios, como tudo na vida, são matéria de controvérsia. Há reacções a eles, de todos os gostos e formatos.
Há quem os recuse liminarmente. Tolstoi, por exemplo, avisou a Academia sueca, em vias de lho atribuir, que o não fizesse, porque ele, Tolstoi, o autor insigne da Guerra e Paz e da Ana Karenina, se veria na obrigação de o recusar. George Bernard Shaw, o mais civilizado de todos os recusadores, aceitou o diploma e a medalha, mas rejeitou o alentado pacote de coroas suecas, que pouca falta lhe faziam: que o dessem, sugeriu ele, a um jovem e promissor escritor sueco, que mal não lhe faria; Jean-Paul Sartre, o pior dos três, recusou ostensivamente o Prémio, mas consta que mandou recado submarino ao embaixador sueco, dizendo que não queria o diploma nem a medalha, mas que se não importaria de ficar com o dinheiro. A elegância nunca tinha sido o seu forte e continuaria a não sê-lo de aí em diante. Jean Cocteau, o “enfant terrible” da literatura francesa do século passado, adoptou, a este respeito, a atitude mais radical, ao aconselhar: “Não só não deves aceitar um prémio, como não deves sequer merecê-lo.” Isto é, segundo o critério do autor de Orphée, no merecer um prémio já havia um indício de cedência ou conformismo…
O já citado e eminente dramaturgo irlandês, George Bernard Shaw, talvez o maior dramaturgo em língua inglesa, depois de Shakespeare, via, na atribuição dos prémios, um projecto amaciador, quando dizia: “O objectivo real dos prémios que se dão nas escolas é o de encorajar as crianças a criarem o mínimo possível de turbulência.” Eu não creio, sinceramente não creio que os meus amigos que, por acaso, foram membros do júri, me tivessem atribuído este prémio para pacificarem quaisquer meus pruridos de turbulência.
Outra reacção típica dos recebedores de prémios reside em afectarem um ar recomendavelmente humilde, insinuando não merecerem eles o prémio que lhes foi atribuído, o qual deveria ter ido parar a terceiros, que, às vezes, até nomeiam. Foi o caso de Hemingway que, ao ser-lhe atribuído o Nobel, em 1954, se apressou a dizer que o laureado não devia ter sido ele, mas, antes, ou o escritor espanhol Pio Baroja ou a grande contista dinamarquesa Karen Blixen. O que, de modo algum, implicava que o laurel lhe não tivesse sabido bem. E até nem consta que tivesse dividido o seu valor monetário com aqueles dois alegadamente injustiçados. Fair-play, sim, mas devagar, como certamente recomendaria el-rei D. Sebastião.
Neste saboroso registo do “não sou eu quem merece o prémio”, o mais capitoso exemplo que conheço é o do grande cómico americano Jack Benny, com quem imparavelmente me ri, na minha infância e adolescência, o qual, no momento de lhe ser outorgado um galardão qualquer, reagiu nestes termos: “Eu não mereço este prémio, mas, se vamos a isso, também não mereço ter a artrite que tenho.” Por outras palavras, se tinha artrite, mesmo sem merecê-la, por que não haveria de ter um prémio, mesmo não o merecendo? Convenhamos que a lógica é irrespondível. É esta resposta do meu outrora admirado Jack Benny que me deixa relativamente confortável quanto à possibilidade – ou mesmo, alta probabilidade – de eu aqui estar a receber um galardão não irresistivelmente merecido. Que saiba, não tenho artrite, mas tenho 84 anos, que valem por não sei quantas artrites e mais um infindável número de outras desvantagens. Venha, pois, o prémio, mesmo com a dimensão de Grande Prémio, e aqui ficam os meus agradecimentos aos membros do júri, a quem deu para repararem no meu livrinho. Mentiria como um desbragado mentiroso, se dissesse que não fiquei feliz. Não sei se ficaria igualmente feliz com um prémio atribuído a qualquer outro livro meu (e sei do que falo, porque já os recebi). Mas o carinho e o investimento emocional que pus neste, em particular, quero dizer: neste primeiro volume das minhas sonhadas e arquitectadas memórias em 5 volumes, foi tão grande, que o reconhecimento a ele dado pelo júri me caiu fundo, no coração. É, para mim, um livro especial, como são e serão os restantes volumes da saga. Andei anos a magicá-lo, a sonhá-lo, a fruí-lo, antes de me meter a escrevê-lo. É que iria falar, nele – falar-vos, nele – de algo muito importante que me aconteceu, há muitos anos, em África: ter ali nascido e ter, para sempre, ficado espantado por isso me ter acontecido, a mim: ter nascido e ter nascido, ali. O meu livro – e os dois volumes que se lhe seguiram e os dois que se lhe hão-de seguir – falam o tempo todo – mesmo quando o não dizem claramente – desse espanto inaugural, que nunca mais me abandonou, ao longo do caminho da vida. O Alto Mahé, a Rua Norte, o Largo João Albasini, a Estrada do Zixaxa, o Cine-Variedades, onde se inventou o cinema, mesmo em frente à imponente Casa das Tias, a Rua Mendonça Barreto, no Alto Mahé, de onde eu via o mundo todo, nas páginas dos livros que devorava, o liceu, no outro extremo da 24 de Julho, o Cabo Submarino, as matinées do Scala – tudo marcas profundas que o espanto de as ter recebido, como dom dos deuses, sem bem saber porquê, gravou a fogo na minha memória. Ficaram cá, dentro de mim, e eu não gostaria de ficar egoistamente com elas, de as não partilhar convosco, antes de me ir embora para paragens de que não há nunca notícia.
Do corpo do texto deste 1º volume – o que foi premiado – transportei para a contra capa, uma significativa passagem que ilumina o fundo do meu propósito, ao empreender esta minha busca de um tempo (nunca) perdido: “Lanço, neste papel, memórias que me parecem importantes – a mim.
Escrever memórias é tentar imprimir a marca da eternidade a momentos para nós inesquecíveis e inesquecidos, intensos, mágicos, às vezes, quase insuportavelmente vivos… mas que serão, para outros, provavelmente despidos de interesse. Captar a atenção destes, a sua cumplicidade, atraí-los a esta narrativa de minúcias e convencê-los de que estes momentos foram realmente algo de especial – eis a tarefa gigantesca do memorialista. Tarefa impossível ou quase, mas que, de quando em quando – uma vez num milhão – resulta. Não vou meter-me a acreditar – sou paranóico, sim, mas devagar – que este meu empreendimento é esse “um num milhão”. Mas, como acontece com todos aqueles que pousam palavras no papel, gostaria muito que fosse. Como dizia o maluco chapado do Álvaro de Campos, “Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez”.
Fico, pois, feliz, com o Prémio, porque alguém reparou no meu livro e gostou dele – e um livro é um filho nosso. Não se leva a bem que o não achem bonito. Mas fiquei também feliz – e não pouco – por verificar que há instituições e autarquias que acreditam – bem hajam! – que a cultura é importante para a imagem que um país projecta, em todos os sectores da vida, que a cultura não é um mero adereço mais ou menos fútil e inócuo, que é parte subliminarmente vital do melhor que esse país tem a oferecer. Sem uma imagem culturalmente forte, ninguém vai ter muita fé na qualidade dos outros produtos que ele ostenta, sejam eles industriais ou agrícolas ou meros mas não insignificantes serviços.
Só mais uma observação: não creio que um prémio literário confira qualquer poder ao galardoado – nem sequer poder literário. Dizia esse grande sage americano que dava pelo nome de Oliver Wendell Holmes que “o único prémio acarinhado pelos poderosos é o poder. Para o general, o prémio não é uma tenda maior – o prémio é o comando.” O poder – mesmo o poder literário – foi algo que nunca visei e junto do qual sempre respirei mal. Não seria agora, nesta hora tardia do meu caminhar pela vida, que iria mudar o meu modo de estar no mundo. Este prémio deixa-me feliz e grato – mas intacto.
Resta-me agradecer à Câmara de Castelo Branco, que financiou o galardão e organizou, com cuidado e competência, a cerimónia da sua atribuição, à Associação Portuguesa de Escritores, cujo Presidente e meu Amigo, Dr. José Manuel Mendes, se dignou deslocar-se a esta cidade, assinalando, carinhosamente, o patrocínio intelectual do prémio, ao Dr. José Correia Tavares, que foi presidente do júri e se desmultiplicou nas árduas tarefas de logística e promoção, as quais não são de diminuta importância, e, por fim, à Professora Isabel Cristina Rodrigues, minha colega e amiga dos meus tempos na Universidade de Aveiro e porta-voz do júri, cujo voto e palavras aqui proferidas, comovidamente, assinalo, abrangendo, na minha gratidão os outros membros do júri: Doutora Teresa Martins Marques e o Doutor António Cândido Franco, também meus caros amigos.
Como diz o título das minhas memórias, ACTA EST FABULA.
A todos, mais uma vez, os meus sinceros agradecimentos. Bem hajam!"
Eugénio Lisboa (Castelo-Branco, 4 de Março de 2015)

domingo, 26 de abril de 2026

Ao Domingo Há Música


Amanhã 
Estas noites sempre iguais 
Duras de mastigar 
Entre dentes e punhais 
No vazio que por vezes me dás 

Noite o teu tempo 
É canto passageiro 
Fome de caminheiro 
Peça sem tabuleiro
 
Amanhã vivo mais cedo 
Amanhã lembro quem és 
Mais cedo que os nós 
Que demos à vida
 No amanhã que amanhece a teus pés

 Em noites frias
 De chuva na mão 
Atiras para a vala 
O meu coração 

Tempo de glória 
Dum amor livre 
Que conta uma história 
De quem sobrevive 

Na tua noite
 Lisa, suave 
Deitada rosa 
Num denso enclave
Descansa-me na tua brisa 
No amanhã que amanhece a teus pés

 Amanhã vivo mais cedo 
Amanhã lembro quem és 
Mais cedo que os nós 
Que demos à vida 
No amanhã que amanhece a teus pés
Ricardo Ribeiro

Neste Abril de 2026, em que tanto mundo se destrói em obscuras e sanguinárias lutas, em guerras que se prolongam para além da nossa compreensão, urge um amanhã novo que amanheça radioso e promissor de uma nova era. 
As vozes que nos trazem saudade e esperança talvez rasguem horizontes que nos permitam sonhar, neste domingo português de Abril. Se o homem se faz pelo sonho , sonhemos em funda comunhão. E se a utopia é sempre um sonho, escutemos as palavras de  Fernando Birri, citado por Eduardo Galeano, em ‘Las palabras andantes": A utopia está lá no horizonte. Aproximo-me dois passos, ela afasta-se dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar.


Ricardo Ribeiro, em  Amanhã [ Official Music Video ].Letra e música de Ricardo Ribeiro.
Voz: Ricardo Ribeiro. Guitarra Portuguesa: Ângelo Freire. Contra Baixo: Rodrigo Correia. Viola: Bernardo Saldanha. Piano: Manuel Oliveira. Percussão: Alexandre Frazão. Iluminação: Pedro Leston. Produção Executiva: João Oliveira Produção: Sons em Trânsito Realização: Rafael Rodrigues e Joana Araújo. Edição: Tomás Moreira.
  
Ricardo Ribeiro feat. Ana Moura , em  Maré.
‘Maré’ é um tema de almas reunidas conscientes do mar, ora sereno ora revolto, da vida. Duas almas num canto que se salvam do quotidiano e do tempo que as atravessa. Mais do que uma canção, são versos de fraternidade e paciência com a vida e com tudo o que nos dá. Porque sabemos que nos podemos salvar uns aos outros com amor e empatia.”
Ricardo Ribeiro
 
Ricardo Ribeiro, em  Oração (Oficial Audio).