sábado, 22 de agosto de 2026

Para lá do tempo


 I – Para lá do tempo
 por Maria José Vieira de Sousa

 

O presente é o lugar onde vivemos, enquanto o passado é o lugar onde sonhamos.
  John Banville, Retalhos do Tempo, um  memorial de Dublin
 
"Naquele tempo, o meu nascimento já não era uma novidade. A minha mãe sabia-lhe  todos os segredos. Desde quando os primeiros sintomas se anunciavam até à explosão final de um outro ser, de uma outra vida. Há vários anos que vinha sendo mãe. Eu era o seu terceiro filho. Não era, em precisão e em objectividade, a novidade. Aquilo que faz de uma mulher a maior geradora de riquezas e que a eleva a um patamar de transcendência total e única: a descoberta da maternidade. A minha mãe  já a descobrira há alguns anos . Ansiada, amada e bem vinda, eu vinha juntar-me à família.
Preparara tudo com mão mestra. Encomendara um soberbo enxoval, embora aproveitando algumas peças da minha irmã que nascera havia dois anos. O berço fora remodelado apenas nas forras interiores. Era uma peça valiosa,  de madeira trabalhada, que vivia na família com vaidade. Fora e seria também o leito de todos os meus irmãos. O meu pai herdara-o quando casara. Fora a aposta para o sucesso de uma grande família. Sendo ele o mais novo de sete irmãos, tinha sido o último  a usá-lo. O berço competia-lhe e, de acordo com o vaticínio da minha avó paterna, era o símbolo da fertilidade futura.
Nesse dia aprazado , nasci de mansinho. Eu, uma singular criaturinha.  Esta, que, para lá do tempo, tenta reescrever uma história que findou. Pequenina, roliça, embrulhada em vermelho púrpura , já que nascer exige também esforço para quem quer aparecer. Vinha aumentar uma família predestinada a ser numerosa.  E foi.  Seis filhos que se sucederam, ano após ano, dando à casa e à  família o estatuto real  de grandeza. E essa grandeza não era apenas  quantitativa.  Éramos muitos numa grande  casa. Mas uma casa grande onde se  respirava uma buliçosa alegria e um eufónico ruído. 
Nasci à noite. Quando o dia de um Agosto, quente e estival, estava a sumir do calendário, nesse ano glorioso. Era a véspera do dia da cidade. O meu pai, apostado em unir-me a uma data assinalável, decidiu registar-me  no dia seguinte. Pensava ele que esse gesto me traria fama e glória. Enganou-se ou enganei-o eu. Não fiquei na história dos notáveis, nem a isso me propus. 
Nasci com um sorriso a aflorar nos lábios. A minha mãe nunca se cansava de o referir. Sorriso que passou a ser um traço identificativo  e talvez o mais sedutor da minha personalidade. Mantive-o ao longo da vida. Era um sorriso único, realçava a minha mãe. Cativei-a infindamente. Ela tinha, porém, um sorriso maior do que o meu. Era a luz que sempre se acendeu desde o meu primeiro dia. Iluminava tudo à sua volta. E que falta me faz essa luz.( As mães não deveriam partir. Deixar-nos órfãos.)
A azáfama que causou o meu nascimento  obrigou à requisição de familiares. A minha avó espanhola, andaluza de Sevilha, deixou Lisboa e rumou ao Norte. Era a minha avó materna.
Recém viúva de um gentleman alemão. Efusiva e decidida, passou a comandar, com mão forte, os empregados da casa e os netos.  Isolou  a minha mãe e com ela ,lá fui eu, também, para os aposentos mais recônditos da casa. Pretendia resguardar-nos da agitação de uma casa habitada por adultos e por crianças e dos intensos ruídos que campeavam pela rua devido à festa da cidade. Nos primeiros dias, a minha mãe aceitou as regras impostas com algum agrado e também pela conformidade que tinham com os preceitos, então, usuais e seguidos pelas  parturientes. Os partos  eram feitos em casa. No entanto, havia  uma terapia definida para uma boa convalescença que passava pelo repouso e por uma  alimentação específica. À minha mãe, apesar de ter uma mãe bem esclarecida e aberta, foi-lhe totalmente aplicado esse tratamento.  Ao fim de meia dúzia de dias, o isolamento tornou-se insuportável. Era uma fatalidade a que minha mãe não queria  entregar-se. De rebelião em rebelião, decidida e  doce, ora filha dedicada , ora mãe independente, conseguiu amaciar a relutância da  minha avó e mudar-se para o quarto que lhe pertencia.
O calor e a confusão da casa em nada me perturbavam. Dormia feliz e cândida como compete a um recém- nascido. Estava na minha casa , no lugar que me haviam reservado. O quarto dos meus pais. Enorme, de tecto alto, mas acolhedor e confortável. Vivi nele os primeiros meses de vida  até completar um ano. Só lá voltei a dormir, quando a Escarlatina me tomou e foram obrigados a isolar-me por causa do contágio. Tinha eu cinco anos."
Maria José Vieira de Sousa , in O livro que já escrevi,  Maio de 2018, pp.8-10

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Os livros de Agosto da Guerra & Paz e da Gradiva

" É Agosto, mês de calor e férias. Trago-vos, pacientes leitores desta newsletter, fantasias pompeianas e alguns afagos matemáticos. Obrigado por gostarem de livros."
Manuel S. Fonseca, editor da Guerra & Paz e da Gradiva

Os meus livros de Agosto
heranças e fantasia


Os livros Gradiva de Agosto
"A fantasia abre Agosto na Gradiva. Já tínhamos, na editora, a divagação ronronante de Freud, mas faltava-nos o pequeno sobressalto original, o inspirador romance Gradiva, Uma Fantasia Pompeiana, de Wilhelm Jensen: agora sim, sabemos de que onirismo é filho o nome desta editora. Publicado pela primeira vez em Portugal, abre as novidades dos livros Gradiva deste mês.
E na pré-rentrée, nos últimos dias de Agosto, há dois romances – clássicos contemporâneos, se me autorizam o dúbio oxímoro – que a Gradiva leva às livrarias. De Michael Cunningham, vencedor do Prémio Pulitzer, regressa As Horas: a capa é nova e felicíssima, tendo lá dentro as vidas de três mulheres, que são capelas interiores e (im)perfeitas.
E com Ian McEwan voltamos a Amsterdão, romance vencedor do Booker Prize, que irónica e essencialmente se passa em Londres e começa à porta de um crematório, num funeral: impiedoso e divertido. Herança magnífica do fundador desta casa, Guilherme Valente.
Herança de Valente também são dois autores portugueses raros, magistrais e insólitos. Ora, leiam.
Jorge Calado, professor de química em Cornell e no Técnico, escreveu Após a Bomba, para uma história da ciência em Portugal (1945-2005), um livro escrupulosamente verdadeiro, com o apoio da Sociedade Portuguesa de Química, em que o autor testemunha os passos de desenvolvimento da ciência em Portugal, a partir do dia em que foi lançada sobre Hiroxima a bomba atómica.
Jorge Buescu, vencedor do Prémio Ciência Viva 2024, é um dos grandes matemáticos portugueses, mas é sobretudo um intelecto imprevisível, com um fascinante pendor para gerar as mais inesperadas e imaginativas associações, do que o leitor terá substancial prova em Casamentos e Outros Desencontros… a culpa é da matemática? Casamentos, relações humanas, economia, o cosmos até, não resistem ao penetrante afago do pensamento matemático."

«Não leias mensagens da tua mãe num clube de sexo» é a regra n.º 1 que o leitor de Olha para mim, de Sara Cate, encontra mal dá a volta à esquina do prólogo do livro. É um livro da euforia, a chancela em que a Rita Fonseca, a editora, só traz livros que brinquem com o fogo.

Os livros Guerra e Paz de Agosto
"E a Agosto a Guerra e Paz editores oferece três livros. Conversas Soltas na Casa das Palavras é uma homenagem a uma professora de português, mestre em didáctica, Emília Amor. Falecida há três anos, deixou-nos este livro, um objecto entre a ficção e a pedagogia, que só o esforço de vários professores, seus colegas e admiradores, conseguiu transformar em realidade.
Nuno Ferrão é o meu autor de Desamor. Como se saísse ele próprio de um romance, Nuno Ferrão converte-se em personagem e conta-se em Um Corpo Sob Reserva, Esclerose Múltipla. Diz-nos como convive com a esclerose múltipla, mas acima de tudo como luta contra essa esclerose que o invade, desgasta e rouba. Uma luta em que a lucidez e o humor guiam o Nuno.
Acabo com uma edição gloriosa. Em grande formato (24x33 cm) com organização dos angolanos Irene Guerra Marques e Carlos Monteiro Ferreira (Cassé), a Guerra e Paz tem a honra de editar a «reconstituição» da célebre revista Mensagem, a voz dos naturais de Angola, de que se publicou, em Luanda, o primeiro número, em Julho de 1951, saindo os números 2, 3 e 4 em conjunto, em Outubro de 1952. Com o mecenato exclusivo do dstgroup, a quem a cultura portuguesa (a angolana também) muito deve. Além das livrarias portuguesas, haverá mil exemplares a ser distribuídos em Angola, 200 dos quais doados a um grupo vasto de bibliotecas e entidades ligadas ao ensino. Em fac-símile, aqui se encontram poemas memoráveis de Viriato da Cruz, textos de Mário Pinto de Andrade, intervenções de Óscar Ribas, Mário António e Agostinho Neto, no que quis ser simultaneamente afirmação estética e fundacional de uma literatura e de uma pátria. Um documento histórico."
Manuel S. Fonseca, editor da Guerra & Paz e da Gradiva

terça-feira, 18 de agosto de 2026

Viajar por África, Namíbia

Em África , tudo se dilata com o calor, inclusivamente a dimensão do tempo e do espaço, isto é, há muito espaço e muito tempo. A África é enorme, nunca mais acaba, e os dias vão durando por ali fora e dão tempo para tudo e ainda sobra tempo. Trabalha-se devagar, mexemo-nos devagar, amamos devagar ( nem sempre). A vida, ali, dura mais, mesmo quando dura pouco.
           Eugénio Lisboa, Acta Est Fabula-Memórias I
 
NAMIBIA 4K - A Visual Escape to Africa's Wild Beauty & Nature
NAMÍBIA 4K - Uma Viagem Relaxante pela Natureza e Vida Selvagem em Ultra HD "Embarque numa viagem 4K de cortar a respiração pelas paisagens majestosas e pela alma selvagem da Namíbia. Desde as imponentes dunas vermelhas de Sossusvlei e as árvores misteriosas de Deadvlei, até aos penhascos escarpados de Spitzkoppe, aos desfiladeiros profundos e à costa selvagem onde o deserto se encontra com o oceano. Mergulhe em paisagens sonoras tranquilas e música relaxante, criadas para lhe proporcionar paz, admiração e o espírito indomável de África. Ideal para relaxar, estudar, criar um ambiente agradável ou simplesmente admirar o mundo natural em 4K Ultra HD."

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Pensamento para hoje


Das utopias

Se as coisas são inatingíveis... ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos se não fora
A mágica presença das estrelas!
Mario Quintana, in Espelho Mágico,
1945-1951,  Editor Globo.

domingo, 16 de agosto de 2026

Ao Domingo Há Música













Naturalidade

Europeu, me dizem.
Eivam-me de literatura e doutrina
europeias
e europeu me chamam.

Não sei se o que escrevo tem raiz a raiz de algum
pensamento europeu.
É provável ... Não. É certo,
mas africano sou.
Pulsa-me o coração ao ritmo dolente
desta luz e deste quebranto.
Trago no sangue uma amplidão
de coordenadas geográficas e mar Índico.
Rosas não me dizem nada,
caso-me mais à agrura das micaias
e ao silêncio longo e roxo das tardes
com gritos de aves estranhas.

Chamais-me europeu? Pronto, calo-me.
Mas dentro de mim há savanas de aridez
e planuras sem fim
com longos rios langues e sinuosos,
uma fita de fumo vertical,
um negro e uma viola estalando.
Rui Knopfli, Antologia Poética, organização de Eugénio Lisboa, Editora UFMG, 2010

África é um imenso , belo e diverso continente. A grandiosidade da sua dimensão permite uma enorme riqueza de sons . Há vozes que nos chegam ainda impregnadas da largueza das savanas e do doce marulhar dos mares.
Quem nasceu, viveu ou visitou África ficou preso na beleza daqueles largos horizontes. O fascínio desse imenso continente captura para sempre quem ousa mergulhar no mar dos muitos e longos areais, quem se perde na frondosa vegetação das suas terras , quem se atreve a descobrir a savana, o planalto ou o deserto.
Descobrir África é também ouvir o seu cantar . A canção foi e será uma das mais vigorosas expressões do sentir africano
 
Waloyo Yamoni, de Christopher Tin pelo St. Albert Catholic Choir, UNIBEN/UBTH. 
"Waloyo Yamoni", de Christopher Tin, é uma peça cativante enraizada na tradição africana, cantada em Lango, uma língua ugandesa. Significa "Vencemos o Vento". A canção é uma profunda metáfora de esperança e perseverança na adversidade, refletindo o tema do último concerto de Natal do coro: "A Esperança para Todas as Nações". 
Esta peça, com os seus ritmos marcantes e melodias cativantes, evoca a união e a força em tempos difíceis, oferecendo inspiração e ancorando na promessa de Romanos 15:13: "Que o Deus da esperança vos encha de toda a alegria e paz, pela vossa fé, para que transbordeis de esperança, pela força do Espírito Santo."

sábado, 15 de agosto de 2026

Gostar de aprender

Gostar de aprender
por Eugénio Lisboa
"No final do 6.º ano, tivemos exame de ciclo e obtive, neste, a classificação final de 18 valores, o que me valeu o “Prémio Müller”, dado ao melhor aluno do liceu, nesse ano. Em Matemática, tivera 19, em História, 18, em Inglês, 17 e, nas restantes, 16. Fiquei, entre eufórico e assustado, até porque o Liceu Salazar, o único existente em toda a colónia (Moçambique), era conhecido pela sua exigência e, em matéria de “notas”, era como o seu patrono, em relação às outras notas: não gostava de abrir os cordões à bolsa... 
Os meus pais, orgulhosos (mas, disfarçando o melhor que podiam), perguntaram-me que presente gostaria eu de receber. Eu tinha namorado, numa livraria modesta da Praça Sete de Março, no “Prédio Fonte Azul”, na baixa, dois grossos volumes de um escritor francês, Roger Martin du Gard: Os Thibault, na edição brasileira da “Globo”. Já lera outro romance deste escritor, O drama de João Barois (Jean Barois, no original), na tradução portuguesa da “Inquérito”, e ficara profundamente comovido e estimulado, embora o problema religioso não tivesse nunca existido, para mim. 
Quando a minha mãe foi à livraria, o livro tinha desaparecido: foi uma desilusão. Deram-me, como compensação provisória, os Emigrantes, de Ferreira de Castro, que li, com bastante interesse (no começo do ano lectivo descobrira A Selva, do mesmo autor, e a Tempestade, de que também gostara...), mas não era o “presente” com que tinha sonhado... Algumas semanas depois, ainda em férias, a livraria recebeu novo exemplar dos Thibault e avisou os meus pais. A leitura empolgou-me e abriu-me as portas de uma Europa, de uma Paris, que passaram, desde então, a viver, de uma forma intensa, dentro de mim. Os amores “difíceis” de Jacques e Jenny ecoavam, dolorosamente, os meus “labirintos”, no que dizia respeito às “jeunes filles en fleur” – que me acenavam, no horizonte, mas de que eu receava não corresponderem àquele amor – único – que me estava reservado. Mais tarde, leria, no poeta irlandês, William Butler Yeats, uns versos belíssimos, que traduziam esta aspiração – impossível – ao infinito: “It is love that I am seeking for / But of a beautiful unheard of kind / That is not in the World.”
 Em Os Thibault, tudo me interessou: o registo e sondagem precisos, penetrantes e dolorosos dos conflitos humanos, no plano individual e colectivo. A descrição minuciosa (e tumultuosa) das semanas que precederam a 1.ª Guerra Mundial, a caracterização magistral dos meios da Internacional Socialista – é claro que me atingiram. Mas foram sobretudo as relações entre os personagens individuais (Jacques e Antoine, Jacques e Jenny, Antoine e o pai, Jacques e Gise, Antoine e Rachel, Madame de Fontanin e Antoine, Antoine e Philipe) que profundamente me tocaram, revelando-me, com inexcedível mestria e uma espécie de humildade exemplar, todo um mundo até aí apenas pressentido. Roger Martin du Gard tinha como modelo supremo, a seguir, o Tolstoi de Ana Karenina e de Guerra e Paz. A sua grande saga, em que pese aos alados cultores do “genial” e do “brilhante”, ficará como um grande romance do século XX, que não desmerece das duas grandes obras do conde russo. 
(...)
(Deixo aqui, do grande escritor francês, Roger Martin du Gard, algumas pérolas, todas colhidas nos Thibault:
– “Não há verdade, a não ser provisória... Tactear, hesitar. Não afirmar nada, definitivamente. Todo o caminho em que nos lançamos a fundo torna-se um impasse. Curarmo-nos do gosto da certeza.”
– Jacques: “Um dos dias decisivos da minha vida foi aquele em que compreendi que o que, em mim, era, pelos outros, julgado repreensível, perigoso, era, pelo contrário, o melhor, o mais autêntico de mim.”
– “O orgulho é a minha alavanca, a alavanca de todas as minhas forças. Sirvo-me dele. Tenho perfeitamente esse direito. Será que se não trata, antes de mais nada, de utilizar as nossas forças?”
– “Armadilha do diabo. Disfarçar o orgulho não é o mesmo que ser modesto. Mais vale deixar saltar à vista os defeitos que se não soube vencer, fazer disso uma força, do que mentir e enfraquecer, dissimulando-os.”
– “Nunca se está só, quando se está à mesa de trabalho.”
– “É tentador desembaraçarmo-nos do fardo exigente da nossa per sonalidade! É tentador deixarmo-nos englobar num vasto movimento de entusiasmo colectivo! É tentador acreditar, porque é cómodo, e porque é supremamente confortável! Saberás resistir à tentação?”
– “É preciso escolher as virtudes que engrandecem. Virtude suprema: a energia.”
Eugénio Lisboa, in Acta Est Fabula, Memórias I , Lourenço Marques. 1930-1947 , Opera Omnia Editora, Novembro de 2012, pp.155, 154, 158

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Um momento profundo de emoção

 
Adagio for Strings, Op. 11, de Samuel Barber interpretado pela Vienna Philharmonic, regida pelo Maestro Gustavo Dudamel, no Summer Night Concert 2019.
" A Sony Classical orgulha-se de lançar o Adagio para Cordas, Op. 11, de Samuel Barber, do Concerto Noite de Verão de 2019. A Filarmónica de Viena foi dirigida por Gustavo Dudamel.
O Concerto Noite de Verão foi apresentado no dia 20 de Junho de 2019. É um evento anual ao ar livre, realizado desde 2008. O parque do Palácio de Schönbrunn, em Viena de Áustria, é o cenário mágico do concerto, que é gratuito para todos os residentes e visitantes da cidade. O programa do Concerto Noite de Verão de 2019 da Filarmónica de Viena teve como ponto central a história musical dos Estados Unidos da América: as obras apresentadas no programa de 2019 foram compostas nos EUA ou para os EUA, estabelecendo ao mesmo tempo ligações com a tradição musical vienense."
Adagio para Cordas, de Samuel Barber, é uma das obras de concerto mais conhecidas e amadas de todos os tempos. Derivada do movimento central de seu Quarteto de Cordas, Op. 11, foi estreada em 1938 por Arturo Toscanini, regendo a Orquestra Sinfónica da NBC. Enquanto os Estados Unidos lutavam para se recuperar da Grande Depressão e a perspectiva de guerra na Europa se aproximava, Adagio para Cordas proporcionou ao público um espaço para libertar as suas emoções, por meio de transmissões radiofónicas e apresentações por toda a América. Para muitos ouvintes, o Adagio há muito serve como um símbolo cultural de luto. Foi executado no funeral de Franklin Delano Roosevelt, após o assassinato de John F. Kennedy e no BBC Proms na sequência do 11 de Setembro. A peça também foi amplamente sampleada e remixada por produtores de música pop e electrónica, em que as longas linhas melódicas e poderosos crescendos harmónicos criam uma sensação de êxtase. Acima de tudo, o Adagio oferece um momento profundo de emoção intensa, com a sua simplicidade deliberada permitindo que os ouvintes mergulhem em toda a gama da experiência humana. A Wise Music tem o prazer de reconhecer a posição singular desta obra na história da música clássica e no coração de seus ouvintes." 

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Pensamentos de Tolstoi

Lev Tolstoi (1828-1910)


Lev Tolstói nasceu a 9 de Setembro de 1828, na Rússia. Era de família rica e aristocrática, mas ficou órfão de pai e de mãe ainda na infância. Herdou a propriedade onde nascera, Iasnaia Poliana,  e foi lá que escreveu Guerra e Paz , entre 1862 e 1869, e Ana Karenina entre 1873 e 1877, além de outras obras. Fundou, nessa propriedade , uma escola para educar os filhos de seus servos.
O autor converteu-se ao cristianismo e acabou por falecer a 20 de Novembro de 1910. Deixou uma obra volumosa e grandiosa que faz dele um dos maiores vultos da Literatura Universal .  Foi, por tal,  o escritor russo mais conhecido internacionalmente, durante a primeira década do século XX,  permanecendo até à actualidade.

Frases de Tolstoi

Amar com amor humano é poder passar do amor ao ódio, enquanto o amor divino é imutável.

A tristeza pura é tão impossível quanto a alegria pura.

A verdade deve  impor-se sem violência.

Dizer que  pode amar uma pessoa por toda a sua vida é como afirmar que uma vela continuará acesa enquanto  viver.

O casamento, como existe hoje, é a mais hedionda de todas as mentiras, a forma suprema de egoísmo.

Quem tem dinheiro põe no bolso quem não tem.

O amor começa quando uma pessoa se sente só e termina quando uma pessoa deseja estar só.

A verdadeira felicidade está na própria casa, entre as alegrias da família.

A violência produz apenas algo semelhante a si mesma.

Os homens distinguem-se entre si também neste caso: alguns primeiro pensam, depois falam e, em seguida, agem; outros, ao contrário, primeiro falam, depois agem e, por fim, pensam.

Há quem passe por um bosque e só veja lenha para a fogueira.

A sabedoria com as coisas da vida não consiste, ao que me parece, em saber o que é preciso fazer, mas em saber o que é preciso fazer antes e o que fazer depois.

Todo mundo pensa em mudar o mundo, mas ninguém pensa em mudar a si mesmo.

Não existe grandeza onde não há simplicidade, bondade e verdade.

O mal não pode vencer o mal. Só o bem pode fazê-lo.

A arte não é um trabalho manual, ela é a transmissão de sentimento que o artista experimentou.