IGREJA CATÓLICA APÓSTOLICA ROMANA E ORTODOXA
por Manoel de Andrade
"O conceito de “católica e apostólica”, na igreja cristã primitiva, foi usado, textualmente, no ano 325 d.C., no Concilio de Niceia, como parte do conteúdo do credo nicênico, que é a oração conhecida como o “Creio em Deus Pai”, quando expressa, em seu último parágrafo: “Cremos na santa Igreja Católica e Apostólica (...)” O termo “católico” é de origem grega e significa “universal” ou “aquilo que é conforme o todo”. Segundo a história da Igreja, a palavra foi usada pela primeira vez no início do século II por Inácio de Antioquia, um dos mais antigos pais da Igreja, martirizado pelas feras no Coliseu de Roma, no governo do Imperador Trajano. Já o conceito de “romana” surgiu como contraponto à Reforma Protestante, no final do século XVI. Por outro lado, desde o Grande Cisma de 1054, a Igreja Católica Apostólica Romana, em consequências de suas diferenças culturais, teológicas e políticas, e segundo suas origens, foi dividida, geográfica e nominalmente, em duas partes. No Ocidente, por sua ascendência latina, foi designada como Igreja Católica Romana, com sua sede em Roma, e no Oriente, por sua origem grega, foi adjetivada como Igreja Ortodoxa do Oriente, com sede em Constantinopla, atual Istambul. Ambas se baseiam na Bíblia e no Evangelho de Jesus, mas diferem doutrinariamente na sua liturgia e na organização hierárquica: A Igreja Católica segue o Papa e a igreja Ortodoxa, o Patriarca.
A Igreja Católica
O Édito de Milão, promulgado em 313 pelo imperador Constantino, abriu ao culto cristão, e a todas as outras religiões, as portas da liberdade religiosa e, posteriormente, em 380, pelo Édito de Tessalônica, promulgado pelo imperador Teodósio, o Cristianismo foi designado como a religião oficial do Império Romano. Foi a partir daí que o grande crescimento do Cristianismo deu à Igreja Católica seu importante papel na história mundial.
Após a queda do Império Romano, o Reino Ostrogodo abarcou toda a península itálica, e o reinado de Teodorico, o Grande (454-526), foi marcado por uma grande tolerância com a Igreja Católica. Na Gália, Clovis I (466 – 511) o primeiro rei da França, unificou todas as tribos francas e com outras tribos bárbaras se converteu ao catolicismo. Foi o primeiro rei bárbaro a se tornar católico depois da queda do Império Romano, e sua conversão teve grande repercussão na história europeia, consolidando os elos de dois séculos entre a dinastia merovíngia e a Igreja Católica. Foi a partir dessa aliança entre a monarquia e a Igreja que, já nos primeiros séculos da Idade Média, o domínio do catolicismo cresceu sempre mais, assim como a corrupção na sua hierarquia religiosa. Por outro lado, a Igreja passou a ter todo o monopólio do conhecimento, maculando as bases primitivas do Cristianismo e condicionando a cultura medieval pelo dogmatismo, pela fé cega e pelo poder do papa. Foi nesse contexto que surgiu a Inquisição e seu rastro de horrores.
Mas a Igreja trouxe, também, sua grande cota de saberes para a Humanidade. Suas grandes universidades e mosteiros foram os principais centros de cultura da época. Toda a imensa literatura da antiguidade greco-romana foi preservada da destruição sendo guardada e copiada pelos monges copistas nas bibliotecas dos inumeráveis mosteiros.
Foi no início do século XIII que surgiram os primeiros sinais de mudança e renovação na Igreja Católica, trazidos pelos votos de pobreza e vivência incondicional do Evangelho, por Francisco de Assis. Com seus testemunhos e exemplos incomparáveis fundou uma ordem de pregação itinerante que procurou levar ao mundo os mais belos princípios do Cristianismo.
Posteriormente, ao longo dos séculos XV à XVII, os missionários católicos se espalharam pelo mundo, levando a verdadeira mensagem do Evangelho. Os monges franciscanos e dominicanos evangelizaram o México. As missões católicas portuguesas e espanholas evangelizaram parte da Ásia e toda a América do Sul e Central.
O jesuíta espanhol Francisco Xavier, (1506-1552) celebrizado como o “Apóstolo do Oriente”, evangelizou na Índia portuguesa, na China e no Japão. Afirmam seus biógrafos que ele converteu mais pessoas ao Cristianismo do que qualquer outro missionário desde Paulo de Tarso.
Os jesuítas portugueses Manuel da Nóbrega (1517-1570) e José de Anchieta (1534-1597) foram os pioneiros na introdução do Cristianismo no Brasil.
O frade dominicano espanhol Frei Bartolomeu de Las Casas (1484-1566) foi o grande defensor dos indígenas na América Central, pregando o Evangelho na Venezuela, na Nicarágua e na Guatemala, onde cristianizou grande parte dos povos originários da região.
Essa galeria de missionários católicos é imensa e não cabe nos limites desta reflexão. Mas não poderíamos esquecer de dois gigantes, um francês e outro italiano que, no século dezenove, espalharam pelo mundo a educação evangelizadora para a juventude: Marcelino Champagnat e Dom Bosco.
Muitos outros exemplos que dignificaram a história da Igreja Católica poderiam ser aqui nominados, mas essa relação seria interminável. Ainda assim, é indispensável registrar a memória de duas freiras católicas que fizeram da própria vida um modelo de misericórdia e a mais bela personificação da caridade: Madre Tereza de Calcutá, na Índia e Irmã Dulce, no Brasil.
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A Igreja Ortodoxa
O que dividiu o Catolicismo em duas Igrejas começou muito antes do Cisma do Oriente, em 1054. Historicamente sua causa remota foi a mudança, no ano 330, da sede do Império Romano para Constantinopla e a partir de então os cristãos orientais não mais aceitaram a autoridade do Papa em Roma.
Na Igreja Ortodoxa, não existe uma autoridade central como o Papa em Roma, coordenando o catolicismo em todo o mundo. O Patriarca de Constantinopla coordena a interlocução entre as várias igrejas ortodoxas, mas não tem autoridade para impor decisões e doutrinas sobre elas. Cada Igreja, seja ela russa, romena, sérvia, búlgara ou grega, tem seu próprio patriarca, como a autoridade espiritual da sua jurisdição. O Patriarca de Constantinopla é personificado como um símbolo de identidade religiosa e liderança espiritual do Cristianismo Oriental.
Com relação às duas Igrejas, muitas foram as diferenças de liturgia que as dividiram. No Ocidente as missas eram rezadas em latim e no Oriente em grego e hebraico. Ao contrário dos católicos, os ortodoxos não reverenciam as imagens dos santos. Os católicos usam o calendário gregoriano e os ortodoxos o calendário juliano, comemorando o Natal em 7 de janeiro. Na igreja Ortodoxa se reza de pé e na Romana, de joelhos A cruz ortodoxa tem três barras horizontais e a cruz católica tem apenas uma. Quando ao casamento, sua permissão é concedida apenas para os padres. O celibato é obrigatório somente nas altas posições da hierarquia patriarcal.
O que caracterizou historicamente suas grandes divergências com a Igreja Católica foi sua negação da autoridade e infalibilidade papal e a adoração de imagens, assim como as grandes discussões em torno da condição de Maria como mãe de Deus ou de Cristo e da natureza de Jesus como divina e humana.
Um aspecto espiritualmente relevante entre os ortodoxos é a feição mística e contemplativa da sua religiosidade na expressão pessoal da criatura glorificando o Criador, como a busca de um caminho, através da oração contínua e a purificação da mente e do coração, procurando a íntima união com Deus."
Manoel de Andrade, in Em Busca da verdade, reflexões e estudos sobre Cristianismo e Espiritismo, Edição do Centro Espírita Luz da Caridade, Rua Mato Grosso, 145 – Água Verde, CEP: 80260-070 – Curitiba - Paraná, pp. 131, 132, 133, 137,138