LIVRES PENSANTES
"A coisa mais indispensável a um homem é reconhecer o uso que deve fazer do seu próprio conhecimento" Platão
segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Pensamento do Dia
domingo, 20 de setembro de 2026
Ao Domingo Há Música
Tens os olhos de Deus,E cada qual com os seusVê a lonjura que quer,E quando me tocas por dentroDe ti recolho o alentoQue cada beijo trouxer.E eu preciso de mais,Preciso de mais.Pedro Abrunhosa
sábado, 19 de setembro de 2026
O último poema
Assim eu quereria meu último poema
Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.
Manuel Bandeira, in 50 poemas escolhidos pelo autor, Ed. Cosac Naify – São Paulo, 2006, pág. 35.
sexta-feira, 18 de setembro de 2026
Uma vergonhosa e hipócrita mentira
quinta-feira, 17 de setembro de 2026
Sobre um mundo em turbulência
por Eugénio Lisboa
Se não formos autorizados a rir
no Céu, não quero ir para lá.
Martinho Lutero
O fanatismo embrutece
ou a estupidez fanatiza?
A burrice não me enternece
e o fanático barbariza.
O fanático tem certezas,
onde certezas não existem:
estão repletas de bichezas
que são nocivas e persistem.
A fé não é conhecimento,
pelo menos, até mais ver.
Transforma o mundo em turbulento
e estupora o bom viver.
Crê quem desiste de entender,
por isso o crente é perigoso:
quando não sabe convencer,
vira tirano afanoso.
O fanático não tolera
aquilo que não compreende:
torna-se logo uma fera,
filha bastarda de duende!
25.10.2023
Eugénio Lisboa, poema inédito
quarta-feira, 16 de setembro de 2026
Parabéns, querido pai
A saudade , pai, é aquilo que nos fica de tudo o que deu peso e razão à vida. E hoje a nostalgia cresce em mim, com maior intensidade . Hoje, querido pai, festejava-se o seu aniversário. Era criança , quando o descobri. E nunca mais o deixei fugir. Todos os anos, surgia radioso porque era, apenas e tão só, o seu dia. Engalanava-se a casa e todos, (éramos muitos), se concertavam nessa festa de vida.
Não sei como crescemos tão depressa. Num ápice, já não éramos filhos, mas também pais que traziam os filhos para a sua festa. E o dia era ainda maior e mais radioso. Um dia de muitos sorrisos, de muita memória viva.
Hoje, pai, estou aqui à espera de um dia que não chega. O dia que foi sempre seu. Um dia que vive no coração . Um dia que continuo a não deixar fugir. Mas um dia que dói de tanta saudade de si.
Parabéns, querido pai.
segunda-feira, 14 de setembro de 2026
Era em Setembro
Que fazer sem ti?
Era em Setembro nos anfiteatros vazios,
na alameda que subia para onde nos devíamos encontrar,
e não estavas; era um outono que caía sobre
as árvores do estádio, empurrando-lhes
as folhas para cima da mesa da esplanada, onde está vazia a mesa em
que as minhas mãos deviam procurar as tuas; era
a tua ausência em todos os lugares em que eu sabia
que poderias estar à minha espera, e só a sombra
das nuvens me trazia a memória da tua passagem, como
se fosses a ave que parte quando o primeiro sopro
do inverno se anuncia.
Que fazer sem ti, nestes anfiteatros de bancos
vazios, nos corredores melancólicos que levam para
átrios e pátios, nesses relvados onde não vale a pena
sentar-me, perguntar-te se gostas do outono, ou dizer que
os teus olhos é que valem a pena, agora que vejo, neles,
as nuvens que correm para o sul? E tu, sem estares aqui,
dizes-me que não é preciso que eu me lembre de ti; que
estás para chegar, de trás das árvores do estádio, para
limpares de folhas a mesa da esplanada, e pedires-me que
pegue nas tuas mãos, como se o inverno
não estivesse para chegar.
Mas um cansaço antigo prende-me a estes bancos
de anfiteatro; uma indecisão de passos empurra-me por
corredores e salas, em busca de um bar que fechou
há muito; o vento varreu as folhas da mesa
da esplanada, tirando a única justificação para que venhas. Abro,
então, as gavetas do passado. Tiro cartas, fotografias,
poemas, o livro em que me escreveste a frase interrompida
do amor. Como se eu não soubesse que as nuvens encheram
de sombra todas as imagens; que os pássaros levaram
para o sul tudo o que tinhas para me dizer; que
as folhas no chão cobriram o teu corpo, antes que
o inverno tivesse de o fazer.
Nuno Júdice, in Cartografia de Emoções, Publicações Dom Quixote, 2001
domingo, 13 de setembro de 2026
Ao Domingo Há Música
e temo e espero; e entre o suspiro e a rima,
alivio o meu fardo: e Amor me lima
o peito com tal força que me espanto.
Francesco Petrarca, Sonetos

