domingo, 9 de agosto de 2026

Ao Domingo Há Música

Joni Mitchell

O talento revela-se exactamente porque esconde a sua perfeição.
     William Shakespeare

Um grande artista revela-se sempre. Não se torna vulnerável ao tempo. A erosão não o afecta, quando o talento o sustenta.
Joni Mitchell valida as palavras de Shakespeare. 
Nascida Roberta Joan Anderson, 82 anos (7 de Novembro de 1943) é uma cantora, compositora, artista plástica e poetisa canadiana cuja obra atravessa folk, jazz, pop e rock, marcada por letras poéticas e afinações inovadoras de guitarra. Reconhecida como uma das maiores compositoras do século XX, influenciou gerações com álbuns como Blue (1971) e Court and Spark (1974), ganhou múltiplos Grammys e integra o Rock and Roll Hall of Fame.
Há quem tenha escrito que há nela, "com todas as suas introspeções e metafísicas, um extraordinário amor à vida e à música. Não espanta: em função da poliomielite [na adolescência], Joni Mitchell não desistiu da guitarra e, com problemas no braço esquerdo, desatou a inventar afinações próprias para poder tocar.
É, muitas vezes, referida como a melhor das mulheres guitarristas de sempre – e isso não é dizer pouco. Quanto aos tempos mais recentes, é comovente – depois de ter perdido a fala e de ter ficado paralisada – voltar a ouvi-la cantar e tocar como só ela sabe: sempre muito bem.”

Joni Mitchell,  em  Both Sides Now (Live at the Newport Folk Festival 2022) [Official Video]
Joni Mitchell surpreendeu o público do Newport Folk Festival no verão de 2022, com uma actuação surpresa – a primeira em 20 anos – num espetáculo emocionante, em parceria com Brandi Carlile e um elenco notável de músicos e amigos que formaram os The Joni Jam. Este regresso triunfal aos palcos a 24 de Julho de 2022  foi apresentado num novo álbum ao vivo, AT NEWPORT. Disponível a 28 de Julho de 2023 e produzido por Brandi Carlile e Joni, Joni Mitchell. 
Both Sides Now (Live at Newport Folk Festival 2022) [Vídeo Oficial]Angariação de fundos.

  .
E , em 1971, muitos anos antes, Joni Mitchell brindou o mundo com  A Case of You,  do quarto Álbum " Blue".

sábado, 8 de agosto de 2026

"À espera de Godot" subiu ao palco há 74 anos

 

que faria eu sem este mundo sem rosto sem contenda
onde ser não dura mais que um instante onde cada instante
se verte no vazio no esquecimento de ter sido
sem esta onda onde por fim
corpo e sombra juntos se consomem
que faria eu sem este silêncio onde murmúrios se despenham
ofegantes fogosos rumo ao amparo rumo ao amor
sem este céu que se eleva
acima da poeira do seu lastro

que faria eu faria como ontem como hoje
quando busco pela minha vigia um outro como eu
vagueio na corrente longe de toda a vida
num espaço viciado sem voz entre as vozes fechadas comigo .
Samuel Beckett, Poema originalmente escrito em francês, do período entre 1947-49, correspondente à escrita de À Espera de Godot, in Selected Poems: 1930-1989. Faber and Faber, 2009.

À espera de Godot peça emblemática do teatro do absurdo, em que a espera indefinida de Godot simboliza a condição humana de incerteza e expectativa, subiu ao palco há 74 anos.
 espera de Godot, (En Attendant Godot), de Samuel Beckett foi escrita em francês, em 1948 e representada pela primeira vez, em 8 de Agosto de 1952, em Paris.  Beckett conseguiu dar forma ao vazio neste seu livro. O vazio que invadiu a vida, e expurgou toda a beleza depois da segunda guerra mundial. É uma história que não está situada no tempo e no espaço. O cenário é qualquer cidade devastada, qualquer chão sujo por aí. E o que vai por dentro das personagens é só o vazio e o horror. E a história…Que história? A história é sobre o nada, sobre o que sobrou depois da mortificação da arte.
Beckett é considerado um dos principais autores do teatro do absurdo, influenciando gerações de escritores e dramaturgos.  A sua obra é traduzida para mais de trinta línguas e continua sendo encenada mundialmente, mantendo relevância tanto no teatro quanto na literatura contemporânea."

Samuel Bckett
(Dublin, 13 de Abril de 1906 — Paris, 22 de Dezembro de 1989)

"Samuel Beckett (1906-1989) nasceu perto de Dublin. Estudou francês e italiano no Trinity College de Dublin, foi professor em Paris, conheceu Joyce, regressou à Irlanda em 1931, voltou a Paris quando rebentou a guerra, fez parte da Resistência. É no pós-guerra que vive o período mais intenso da sua produção literária, com a escrita, em francês, das peças “À Espera de Godot” e “Fim de Partida”, além de uma trilogia de romances composta por "Molloy", "Malone Morre" e "O Inominável". Começa a traduzir os seus textos para inglês e volta a escrever também nesta língua. Constrói assim uma obra bilingue, cada vez mais depurada. Recebe o Nobel em 1969, distribuindo o dinheiro pelos amigos."

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

O conceito de “católica e apostólica" na igreja cristã primitiva

Basílica de S. Pedro, Vaticano, Roma, Itália
Igreja ortodoxa

23
IGREJA CATÓLICA APÓSTOLICA ROMANA E ORTODOXA
por Manoel de Andrade
"O conceito de “católica e apostólica”, na igreja cristã primitiva, foi usado, textualmente, no ano 325 d.C., no Concilio de Niceia, como parte do conteúdo do credo nicênico, que é a oração conhecida como o “Creio em Deus Pai”, quando expressa, em seu último parágrafo: “Cremos na santa Igreja Católica e Apostólica (...)” O termo “católico” é de origem grega e significa “universal” ou “aquilo que é conforme o todo”. Segundo a história da Igreja, a palavra foi usada pela primeira vez no início do século II por Inácio de Antioquia, um dos mais antigos pais da Igreja, martirizado pelas feras no Coliseu de Roma, no governo do Imperador Trajano. Já o conceito de “romana” surgiu como contraponto à Reforma Protestante, no final do século XVI. Por outro lado, desde o Grande Cisma de 1054, a Igreja Católica Apostólica Romana, em consequências de suas diferenças culturais, teológicas e políticas, e segundo suas origens, foi dividida, geográfica e nominalmente, em duas partes. No Ocidente, por sua ascendência latina, foi designada como Igreja Católica Romana, com sua sede em Roma, e no Oriente, por sua origem grega, foi adjetivada como Igreja Ortodoxa do Oriente, com sede em Constantinopla, atual Istambul. Ambas se baseiam na Bíblia e no Evangelho de Jesus, mas diferem doutrinariamente na sua liturgia e na organização hierárquica: A Igreja Católica segue o Papa e a igreja Ortodoxa, o Patriarca.

A Igreja Católica
O Édito de Milão, promulgado em 313 pelo imperador Constantino, abriu ao culto cristão, e a todas as outras religiões, as portas da liberdade religiosa e, posteriormente, em 380, pelo Édito de Tessalônica, promulgado pelo imperador Teodósio, o Cristianismo foi designado como a religião oficial do Império Romano. Foi a partir daí que o grande crescimento do Cristianismo deu à Igreja Católica seu importante papel na história mundial.
Após a queda do Império Romano, o Reino Ostrogodo abarcou toda a península itálica, e o reinado de Teodorico, o Grande (454-526), foi marcado por uma grande tolerância com a Igreja Católica. Na Gália, Clovis I (466 – 511) o primeiro rei da França, unificou todas as tribos francas e com outras tribos bárbaras se converteu ao catolicismo. Foi o primeiro rei bárbaro a se tornar católico depois da queda do Império Romano, e sua conversão teve grande repercussão na história europeia, consolidando os elos de dois séculos entre a dinastia merovíngia e a Igreja Católica. Foi a partir dessa aliança entre a monarquia e a Igreja que, já nos primeiros séculos da Idade Média, o domínio do catolicismo cresceu sempre mais, assim como a corrupção na sua hierarquia religiosa. Por outro lado, a Igreja passou a ter todo o monopólio do conhecimento, maculando as bases primitivas do Cristianismo e condicionando a cultura medieval pelo dogmatismo, pela fé cega e pelo poder do papa. Foi nesse contexto que surgiu a Inquisição e seu rastro de horrores.
Mas a Igreja trouxe, também, sua grande cota de saberes para a Humanidade. Suas grandes universidades e mosteiros foram os principais centros de cultura da época. Toda a imensa literatura da antiguidade greco-romana foi preservada da destruição sendo guardada e copiada pelos monges copistas nas bibliotecas dos inumeráveis mosteiros.
Foi no início do século XIII que surgiram os primeiros sinais de mudança e renovação na Igreja Católica, trazidos pelos votos de pobreza e vivência incondicional do Evangelho, por Francisco de Assis. Com seus testemunhos e exemplos incomparáveis fundou uma ordem de pregação itinerante que procurou levar ao mundo os mais belos princípios do Cristianismo.
Posteriormente, ao longo dos séculos XV à XVII, os missionários católicos se espalharam pelo mundo, levando a verdadeira mensagem do Evangelho. Os monges franciscanos e dominicanos evangelizaram o México. As missões católicas portuguesas e espanholas evangelizaram parte da Ásia e toda a América do Sul e Central.
O jesuíta espanhol Francisco Xavier, (1506-1552) celebrizado como o “Apóstolo do Oriente”, evangelizou na Índia portuguesa, na China e no Japão. Afirmam seus biógrafos que ele converteu mais pessoas ao Cristianismo do que qualquer outro missionário desde Paulo de Tarso.
Os jesuítas portugueses Manuel da Nóbrega (1517-1570) e José de Anchieta (1534-1597) foram os pioneiros na introdução do Cristianismo no Brasil.
O frade dominicano espanhol Frei Bartolomeu de Las Casas (1484-1566) foi o grande defensor dos indígenas na América Central, pregando o Evangelho na Venezuela, na Nicarágua e na Guatemala, onde cristianizou grande parte dos povos originários da região.
Essa galeria de missionários católicos é imensa e não cabe nos limites desta reflexão. Mas não poderíamos esquecer de dois gigantes, um francês e outro italiano que, no século dezenove, espalharam pelo mundo a educação evangelizadora para a juventude: Marcelino Champagnat e Dom Bosco.
Muitos outros exemplos que dignificaram a história da Igreja Católica poderiam ser aqui nominados, mas essa relação seria interminável. Ainda assim, é indispensável registrar a memória de duas freiras católicas que fizeram da própria vida um modelo de misericórdia e a mais bela personificação da caridade: Madre Tereza de Calcutá, na Índia e Irmã Dulce, no Brasil.

(...)

A Igreja Ortodoxa
O que dividiu o Catolicismo em duas Igrejas começou muito antes do Cisma do Oriente, em 1054. Historicamente sua causa remota foi a mudança, no ano 330, da sede do Império Romano para Constantinopla e a partir de então os cristãos orientais não mais aceitaram a autoridade do Papa em Roma.
Na Igreja Ortodoxa, não existe uma autoridade central como o Papa em Roma, coordenando o catolicismo em todo o mundo. O Patriarca de Constantinopla coordena a interlocução entre as várias igrejas ortodoxas, mas não tem autoridade para impor decisões e doutrinas sobre elas. Cada Igreja, seja ela russa, romena, sérvia, búlgara ou grega, tem seu próprio patriarca, como a autoridade espiritual da sua jurisdição. O Patriarca de Constantinopla é personificado como um símbolo de identidade religiosa e liderança espiritual do Cristianismo Oriental.
Com relação às duas Igrejas, muitas foram as diferenças de liturgia que as dividiram. No Ocidente as missas eram rezadas em latim e no Oriente em grego e hebraico. Ao contrário dos católicos, os ortodoxos não reverenciam as imagens dos santos. Os católicos usam o calendário gregoriano e os ortodoxos o calendário juliano, comemorando o Natal em 7 de janeiro. Na igreja Ortodoxa se reza de pé e na Romana, de joelhos A cruz ortodoxa tem três barras horizontais e a cruz católica tem apenas uma. Quando ao casamento, sua permissão é concedida apenas para os padres. O celibato é obrigatório somente nas altas posições da hierarquia patriarcal.
O que caracterizou historicamente suas grandes divergências com a Igreja Católica foi sua negação da autoridade e infalibilidade papal e a adoração de imagens, assim como as grandes discussões em torno da condição de Maria como mãe de Deus ou de Cristo e da natureza de Jesus como divina e humana.
Um aspecto espiritualmente relevante entre os ortodoxos é a feição mística e contemplativa da sua religiosidade na expressão pessoal da criatura glorificando o Criador, como a busca de um caminho, através da oração contínua e a purificação da mente e do coração, procurando a íntima união com Deus."
Manoel de Andrade, in Em Busca da verdade, reflexões e estudos sobre Cristianismo e Espiritismo, Edição do Centro Espírita Luz da Caridade, Rua Mato Grosso, 145 – Água Verde, CEP: 80260-070 – Curitiba - Paraná, pp. 131, 132, 133, 137,138

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

A difícil arte de admirar


A difícil arte de admirar
por Eugénio Lisboa
Aquele que deseja a rosa
deve respeitar o seu espinho
  André Gide
 
“A admiração é algo de nobre, mas esconde compartimentos sombrios. Num deles, habitam, encafuados, a inveja e o ciúme, que precedem a frustração e o rancor. A admiração pode ser ou parecer que é motor de arranque para uma emulação construtiva. É, por exemplo, o caso do grito dado muito cedo por Victor Hugo: “Quero ser Chateaubriand ou nada!” Isso levou-o aos píncaros de ser Victor Hugo, o maior poeta da língua francesa. Mas o querer ser alguém que se admira pode implicar uma alquimia produtora de vinagre ou mesmo de veneno. Admirar está cheio de armadilhas. A pior é a do amor supostamente não correspondido. O “Quero ser Chateaubriand ou nada” descamba, não raro, no ódio vesgo a Chateaubriand. Não foi o caso de Hugo, ou o de Barrès ou o de Montherlant, que terão tido esse sonho: porque, tinham eles próprios, génio de sobra. Mas foi, no século passado, nos anos trinta, quarenta, cinquenta, o caso do “Eu quero ser Régio”, anseio de tantos jovens que, depois, não se cansaram de denegri-lo, de persegui-lo, de odiá-lo… de invejá-lo, tanto mais e tanto mais zangadamente, quanto mais ele se mostrava insubornável e admiravelmente independente. Que os novos acrescentadores de poesia ou de ficção se crispassem e o farpeassem – merece uma certa compreensão e atenuante: os que lavram o mesmo território, tendem a não se verem com particular carinho uns aos outros. Wilde, com a finíssima perspicácia que o caracterizava, observou que os deuses, ao correrem nas suas carroças, fazem tanta poeira para os lados, que se não conseguem ver uns aos outros. Claudel não via Gide, Gide não via Proust, Tolstoi não via Shakespeare e o sereno, ponderado e objectivo Martin du Gard não via Balzac (este, felizmente, viu Stendhal). Mas isto diz respeito aos que metem a mão na massa, isto é, aos criadores de arte. Mas que, por essa mesma altura, críticos, ensaístas encartados, professores, gente a quem compete outra objectividade, outra capacidade de perspectiva, gente que devia ver-se como verdadeiros guardiães do património, que gente desta sacudisse para o caixote do lixo uma grande e invulgar figura como o autor de MAS DEUS É GRANDE, de O PRÍNCIPE COM ORELHAS DE BURRO, de A CHAGA DO LADO, de JACOB E O ANJO, de HISTÓRIAS DE MULHERES, de A VELHA CASA, de EM TORNO DA EXPRESSÃO ARTÍSTICA, de ENSAIOS DE INTERPRETAÇÃO CRÍTICA, que um autor de uma obra vasta e de invulgar quilate fosse assim levianamente descartado, como imprestável, pergunto: que país é este? Que clercs são estes? Somos assim tão ricos que possamos dar-nos ao luxo de desprezar pepitas destas? Dizia Malraux que “uma das mais altas qualidades de um homem que não é um animal é ser capaz de admirar”. Infelizmente, entre nós, a capacidade de admirar merece sério escrutínio: quem se admira, como se admira, por que se admira e por que se deixa de admirar, para passar a desprezar e atacar. Observava um não muito conhecido escritor francês que “há no homem, quase sempre, duas vozes que falam simultaneamente: a admiração e a inveja”. À mínima suspeita de amor mal correspondido, a primeira torna-se na segunda, com particular rancor incluído… Vi isso acontecer, em muitos casos, com o grande escritor de Vila do Conde e de Portalegre. Jovens escritores, ambiciosos e gulosos de glória, cedo concluíam que o sóbrio e muito ocupado escritor, professor, jornalista, colecionador de antiguidades e cuidadoso e muito requisitado epistológrafo, além de assíduo frequentador de salas de cinema, não tinha disponível, para eles e para a promoção deles, todo o tempo e energia a que se julgavam com direito: receita infalível para o amor se transformar em azedume de má catadura. Vi, quando, na casa do escritor, em Vila do Conde, passei a pente fino as cartas que religiosamente guardara, a adulação ali manuscrita pela mão de jovens e empertigados autores que, depois, se passaram, com armas e bagagens, para o outro lado: o da denegrição.
A admiração que visa ser escada de acesso a uma promoção do admirador não traz felicidade. Os poetas, às vezes, dizem-no melhor e de maneira mais curta: “O segredo da felicidade reside em admirar sem desejar” (Carl Sandburg, poeta americano).”
Eugénio Lisboa, 21.01.2024

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Interlúdio Musical

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Waloyo Yamoni (We Win the Wind), do álbum "The Drop That Contained the Sea". Interpretada ao vivo pelo duas vezes vencedor de um Grammy, Christopher Tin, pelo Coro Bel Canto de Vilnius (direcção artística de Milda Švelnienė), pela Orquestra Sinfónica Estatal da Lituânia (direcção artística de Gintaras Rinkevičius), pelos solistas Jamal Moore (EUA) e Evita Rudžionytė (LT) e pelo coro sueco A Scalpella (direcção artística de Rasmus Krigström). Gravada ao vivo no concerto "Open to the World ’24", na Sala de Concertos da Orquestra Sinfónica Estatal da Lituânia, em Vilnius, a 9 de Dezembro de 2024.
REGENTE | COMPOSITOR: Christopher Tin. Produtores: Audrius Valatkevičius (Coro Bel Canto de Vilnius), Meg Davies e Claire Long (Music Productions). 
CORO BEL CANTO VILNIUS Director Artístico e Maestro: Milda Švelnienė, Mestres de Coro: Raminta Gocentienė e Povilas Vanžodis, Treinadores Vocais: Eglė Stundžiaitė e Eimantas Bešėnas. Sopranos: Agnė Juodvalkė, Audinga Mielkutė Jurgelevičienė, Benita Buragaitė-Staponkienė, Elena Salamandič-Alijošienė, Gabrielė Špejeraitė-Barutė, Karolina Brazdauskytė, Lauryna Kriščiūnaitė-Kirjanovė, Milda Balakina, Sandra Vaičė, Viktorija Ivanauskienė, Žaneta Matušinskaitė. Contraltos: Aistrida Latvėnė, Donata Sekonaitė, Eglė Sonata Padagaitė, Emilė Indrašiūtė, Gerda Valiukonytė, Gintarė Butkutė, Jenny Holm, Jūratė Paurytė, Jurgita Steponavičienė, Kristina Pažusytė, Laura Timinskaitė, Viktorija Pinine. Tenores: Daumantas Kikutis, Evaldas Stulgaitis, Gediminas Tamašauskas, Julijonas Beconis, Justas Pocius, Justinas Stanevičius, Mindaugas Rumšas, Mikas Vasiliauskas, Pranas Cirtautas, Vilius Lukauskas, Vilius Mickūnas. Barítonos/Bases: Adomas Jurkevičius, Aidis Jakimavičius, Andrius Gailiūnas, Arnoldas Dapkus, Brian Sutton, Dovydas Braukyla, Dovydas Jurgelevičius, Martynas Vaitkevičius, Mykolas Vitkus, Simas Bačiulis, Simas Martinkus, Simonas Girdzijauskas, Vytenis Šalkauskis. 
CORO DE SCALPELLA Diretor Artístico e Maestro: Rasmus Krigström. Sopranos: Aline Rådestad, Amanda Hjertman, Elin Hermansson, Ellen Thunberg, Freja Bagge, Isabelle Pano, Julia Ren Liu, Kina Lagneskog, Minna Westerberg Ekman, Nora Hedin, Pille-Riin Kurrikoff, Rebecka Nienkerk, Shih-Ying Chen. Contraltos: Ella Larsson, Felicia Kvarfordt, Graziella Tabacaru, Ida Lindholm, Izabelle Brattås, Karolina Martinsen, Klara Meurk, Lee Ann Madissoon, Mikaela Lindstedt, Sara Jaeger. Tenores: Emil Olofsson, Hendrik Vija, Jared Knutti, Julius Jernberg, Ludvig Siljeholm, Orgil Jargalsaikhan, Oskar Rune, Vidar Fors, William Osika. Barítonos/Baixos: Daniel Eriksson, Eyvind Bache Blix, Felix Westin, Gustav Lundberg, Perikles Nalbantis, Philip Brandin, Rasmus Engblom Strucke, Tomáš Hart. 
ORQUESTRA SINFÓNICA DO ESTADO DA LITUÂNIA Director Artístico e Maestro: Gintaras Rinkevičius.
SOLISTAS Jamal Moore, Evita Rudžionyte.
PRODUÇÃO DE VÍDEO E ÁUDIO Produtores de gravação: Vilius Keras e Aleksandra Kerienė (Baltic Mobile Recordings). Realizador de vídeo: Jonas Juozapaitis. Directora de Edição: Justina Dovydaitytė. Director de Gravação: Vilius Keras. Director de Fotografia: Deividas Nutautas. Videógrafos: Jonas Burnickis, Deimantas Kučinskas, Deivis Nutautas, Edvinas Urnikas, Giedrius Ilgūnas, Mindaugas Bagdonas, Mykolas Alekna, Skirmantas Jankauskas. Engenheiro de vídeo: Skirmantas Bajoras. Produtor de vídeo dos bastidores: Kipras Štreimikis. Engenheiros de som: Giedrius Ūsas e Donatas Kielius. 
PROJECTO DE ILUMINAÇÃO Aurimas Vilda (Serviço de Produção do Báltico).

terça-feira, 4 de agosto de 2026

Fernando Pessoa e a Mensagem


Fernando Pessoa (1888-1935)
A "Mensagem" de Fernando Pessoa 
 "O meu livro "Mensagem" chamava-se primitivamente "Portugal". Alterei o título porque o meu velho amigo Da Cunha Dias me fez notar — a observação era por igual patriótica e publicitária — que o nome da nossa Pátria estava hoje prostituído a sapatos, como a hotéis a sua maior Dinastia. «Quer V. pôr o título do seu livro em analogia com "portugalize os seus pés?"» Concordei e cedi, como concordo e cedo sempre que me falam com argumentos. Tenho prazer em ser vencido quando quem me vence é a Razão, seja quem for o seu procurador. Pus-lhe instintivamente esse título abstracto. Substituí-o por um título concreto por uma razão... E o curioso é que o título "Mensagem" está mais certo — àparte a razão que me levou a pô-lo — de que o título primitivo. Deus fala todas as línguas, e sabe bem que o melhor modo de fazer-se entender de um selvagem é um manipanso e não a metafísica de Platão, base intelectual do cristianismo. Reservo-me porém o direito de pensar que tal forma da religião é uma forma inferior. É sem dúvida necessário que haja quem descasque batatas, mas, reconhecendo a necessidade e a utilidade do acto descascador, dispenso-me de o considerar comparável ao de escrever a "Ilíada". Não me dispenso porém de me abster de dizer ao descascador que abandone a sua tarefa em proveito da de escrever hexâmetros gregos. "
Fernando Pessoa , in Sobre Portugal - Introdução ao Problema Nacional (Recolha de textos de Maria Isabel Rocheta e Maria Paula Morão. Introdução organizada por Joel Serrão.) Lisboa: Ática, 1979

BRASÃO

Bellum Sine Bello

I. Os Campos

Primeiro / O dos Castelos

A Europa jaz, posta nos cotovelos:
De Oriente a Ocidente jaz, fitando,
E toldam-lhe românticos cabelos
Olhos gregos, lembrando.

O cotovelo esquerdo é recuado;
O direito é em ângulo disposto.
Aquele diz Itália onde é pousado;
Este diz Inglaterra onde, afastado,

A mão sustenta, em que se apoia o rosto.
Fita, com olhar ’sfíngico e fatal,
O Ocidente, futuro do passado.
O rosto com que fita é Portugal.

Segundo / O das Quinas

Os Deuses vendem quando dão.
Compra-se a glória com desgraça.
Ai dos felizes, porque são
Só o que passa!

Baste a quem baste o que lhe basta
O bastante de lhe bastar!
A vida é breve, a alma é vasta:
Ter é tardar.

Foi com desgraça e com vileza
Que Deus ao Cristo definiu:
Assim o opôs à Natureza
E Filho o ungiu.

II. Os Castelos

Primeiro / Ulisses

O mito é o nada que é tudo.
O mesmo sol que abre os céus
É um mito brilhante e mudo —
O corpo morto de Deus,
Vivo e desnudo.

Este, que aqui aportou,
Foi por não ser existindo.
Sem existir nos bastou.
Por não ter vindo foi vindo
E nos criou.

Assim a lenda se escorre
A entrar na realidade,
E a fecundá-la decorre.
Em baixo, a vida, metade
De nada, morre.

Segundo / Viriato

Se a alma que sente e faz conhece
Só porque lembra o que esqueceu,
Vivemos, raça, porque houvesse
Memória em nós do instinto teu.

Nação porque reincarnaste,
Povo porque ressuscitou
Ou tu, ou o de que eras a haste —
Assim se Portugal formou.

Teu ser é como aquela fria
Luz que precede a madrugada,
E é já o ir a haver o dia
Na antemanhã, confuso nada.
Fernando Pessoa, in Mensagem, Editora Assírio & Alvim

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Viajar por Portugal

O teu Olhar

Passam no teu olhar nobres cortejos,
Frotas, pendões ao vento sobranceiros,
Lindos versos de antigos romanceiros,
Céus do Oriente, em brasa, como beijos,

Mares onde não cabem teus desejos;
Passam no teu olhar mundos inteiros,
Todo um povo de heróis e marinheiros,
Lanças nuas em rútilos lampejos;

Passam lendas e sonhos e milagres!
Passa a Índia, a visão do Infante em Sagres,
Em centelhas de crença e de certeza!

E ao sentir-se tão grande, ao ver-te assim,
Amor, julgo trazer dentro de mim
Um pedaço da terra portuguesa!

Florbela Espanca, sonetos



Portugal's Breathtaking Landscapes in 4K | Relaxing Drone Film,by Scenic 4k with Elian"( Paisagens deslumbrantes de Portugal em 4K | Filme relaxante com drone por Elian)
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🌟 Destaques: • Cidades históricas e aldeias pitorescas • Costas atlânticas dramáticas • Lagos vulcânicos e picos montanhosos • Tesouros escondidos e natureza intocada 
🎥 Sobre Elián: Movido por um profundo amor pela natureza, Elián cria filmes de viagem imersivos em 4K que trazem paisagens deslumbrantes directamente para o seu écran. Subscreva e deixe-se levar pela tranquilidade dos momentos mais inspiradores do nosso planeta."

domingo, 2 de agosto de 2026

Ao Domingo Há Música


Canto como quem usa
Os versos em legitima defesa.
Canto, sem perguntar à Musa
Se o canto é de terror ou de beleza.
 Miguel Torga , Orfeu Rebelde 

Ouvi-te e ouvi-a
No mesmo tempo
E diferentes
Juntas cantar.
E a melodia
Que não havia.
Se agora a lembro,
Faz-me chorar.
Fernando PessoaCancioneiro

O canto ecoa diferentemente  em cada um de nós. Mas ecoa . Acorda.. Desafia. 
E há vozes que nos trazem memórias de um canto vivido . Um canto que se repercute e se estende com profunda  intensidade.
Esta  voz, que se apresenta,  tem essa capacidade. 
 
Lizz Wright e Kenny Banks Sr. interpretam The Nearness of You, nos Bell Choir Studios, do seu próximo álbum 'Nearness', com lançamento previsto para 25 de Setembro de 2026.  
A cantora confessa que "a presença de uma alma gémea pode mudar a forma como experienciamos o mundo, como nos vemos e como usamos os nossos dons. The Nearness of You é o segundo single do meu próximo álbum em duo com Kenny Banks Sr.."
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Lizz Wright e Kenny Banks Sr. interpretam Soon I Will Be Done, nos Bell Choir Studios, do seu próximo álbum 'Nearness', com lançamento previsto para 25 de Setembro de 2026. 
"Soon I Will Be Done " é uma canção que a maioria associa à morte, ganha um novo significado e interpretação na voz de Wright. Ela observa: "Faz-me querer mergulhar mais fundo para desenterrar toda a minha força e descobrir o que significa para mim viver com o máximo de plenitude, amor e poder que puder. Viver com Deus, voltar para casa pode realmente significar viver em amor e lembrar-me de quem sou."