quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Interlúdio Musical

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Waloyo Yamoni (We Win the Wind), do álbum "The Drop That Contained the Sea". Interpretada ao vivo pelo duas vezes vencedor de um Grammy, Christopher Tin, pelo Coro Bel Canto de Vilnius (direcção artística de Milda Švelnienė), pela Orquestra Sinfónica Estatal da Lituânia (direcção artística de Gintaras Rinkevičius), pelos solistas Jamal Moore (EUA) e Evita Rudžionytė (LT) e pelo coro sueco A Scalpella (direcção artística de Rasmus Krigström). Gravada ao vivo no concerto "Open to the World ’24", na Sala de Concertos da Orquestra Sinfónica Estatal da Lituânia, em Vilnius, a 9 de Dezembro de 2024.
REGENTE | COMPOSITOR: Christopher Tin. Produtores: Audrius Valatkevičius (Coro Bel Canto de Vilnius), Meg Davies e Claire Long (Music Productions). 
CORO BEL CANTO VILNIUS Director Artístico e Maestro: Milda Švelnienė, Mestres de Coro: Raminta Gocentienė e Povilas Vanžodis, Treinadores Vocais: Eglė Stundžiaitė e Eimantas Bešėnas. Sopranos: Agnė Juodvalkė, Audinga Mielkutė Jurgelevičienė, Benita Buragaitė-Staponkienė, Elena Salamandič-Alijošienė, Gabrielė Špejeraitė-Barutė, Karolina Brazdauskytė, Lauryna Kriščiūnaitė-Kirjanovė, Milda Balakina, Sandra Vaičė, Viktorija Ivanauskienė, Žaneta Matušinskaitė. Contraltos: Aistrida Latvėnė, Donata Sekonaitė, Eglė Sonata Padagaitė, Emilė Indrašiūtė, Gerda Valiukonytė, Gintarė Butkutė, Jenny Holm, Jūratė Paurytė, Jurgita Steponavičienė, Kristina Pažusytė, Laura Timinskaitė, Viktorija Pinine. Tenores: Daumantas Kikutis, Evaldas Stulgaitis, Gediminas Tamašauskas, Julijonas Beconis, Justas Pocius, Justinas Stanevičius, Mindaugas Rumšas, Mikas Vasiliauskas, Pranas Cirtautas, Vilius Lukauskas, Vilius Mickūnas. Barítonos/Bases: Adomas Jurkevičius, Aidis Jakimavičius, Andrius Gailiūnas, Arnoldas Dapkus, Brian Sutton, Dovydas Braukyla, Dovydas Jurgelevičius, Martynas Vaitkevičius, Mykolas Vitkus, Simas Bačiulis, Simas Martinkus, Simonas Girdzijauskas, Vytenis Šalkauskis. 
CORO DE SCALPELLA Diretor Artístico e Maestro: Rasmus Krigström. Sopranos: Aline Rådestad, Amanda Hjertman, Elin Hermansson, Ellen Thunberg, Freja Bagge, Isabelle Pano, Julia Ren Liu, Kina Lagneskog, Minna Westerberg Ekman, Nora Hedin, Pille-Riin Kurrikoff, Rebecka Nienkerk, Shih-Ying Chen. Contraltos: Ella Larsson, Felicia Kvarfordt, Graziella Tabacaru, Ida Lindholm, Izabelle Brattås, Karolina Martinsen, Klara Meurk, Lee Ann Madissoon, Mikaela Lindstedt, Sara Jaeger. Tenores: Emil Olofsson, Hendrik Vija, Jared Knutti, Julius Jernberg, Ludvig Siljeholm, Orgil Jargalsaikhan, Oskar Rune, Vidar Fors, William Osika. Barítonos/Baixos: Daniel Eriksson, Eyvind Bache Blix, Felix Westin, Gustav Lundberg, Perikles Nalbantis, Philip Brandin, Rasmus Engblom Strucke, Tomáš Hart. 
ORQUESTRA SINFÓNICA DO ESTADO DA LITUÂNIA Director Artístico e Maestro: Gintaras Rinkevičius.
SOLISTAS Jamal Moore, Evita Rudžionyte.
PRODUÇÃO DE VÍDEO E ÁUDIO Produtores de gravação: Vilius Keras e Aleksandra Kerienė (Baltic Mobile Recordings). Realizador de vídeo: Jonas Juozapaitis. Directora de Edição: Justina Dovydaitytė. Director de Gravação: Vilius Keras. Director de Fotografia: Deividas Nutautas. Videógrafos: Jonas Burnickis, Deimantas Kučinskas, Deivis Nutautas, Edvinas Urnikas, Giedrius Ilgūnas, Mindaugas Bagdonas, Mykolas Alekna, Skirmantas Jankauskas. Engenheiro de vídeo: Skirmantas Bajoras. Produtor de vídeo dos bastidores: Kipras Štreimikis. Engenheiros de som: Giedrius Ūsas e Donatas Kielius. 
PROJECTO DE ILUMINAÇÃO Aurimas Vilda (Serviço de Produção do Báltico).

terça-feira, 4 de agosto de 2026

Fernando Pessoa e a Mensagem


Fernando Pessoa (1888-1935)
A "Mensagem" de Fernando Pessoa 
 "O meu livro "Mensagem" chamava-se primitivamente "Portugal". Alterei o título porque o meu velho amigo Da Cunha Dias me fez notar — a observação era por igual patriótica e publicitária — que o nome da nossa Pátria estava hoje prostituído a sapatos, como a hotéis a sua maior Dinastia. «Quer V. pôr o título do seu livro em analogia com "portugalize os seus pés?"» Concordei e cedi, como concordo e cedo sempre que me falam com argumentos. Tenho prazer em ser vencido quando quem me vence é a Razão, seja quem for o seu procurador. Pus-lhe instintivamente esse título abstracto. Substituí-o por um título concreto por uma razão... E o curioso é que o título "Mensagem" está mais certo — àparte a razão que me levou a pô-lo — de que o título primitivo. Deus fala todas as línguas, e sabe bem que o melhor modo de fazer-se entender de um selvagem é um manipanso e não a metafísica de Platão, base intelectual do cristianismo. Reservo-me porém o direito de pensar que tal forma da religião é uma forma inferior. É sem dúvida necessário que haja quem descasque batatas, mas, reconhecendo a necessidade e a utilidade do acto descascador, dispenso-me de o considerar comparável ao de escrever a "Ilíada". Não me dispenso porém de me abster de dizer ao descascador que abandone a sua tarefa em proveito da de escrever hexâmetros gregos. "
Fernando Pessoa , in Sobre Portugal - Introdução ao Problema Nacional (Recolha de textos de Maria Isabel Rocheta e Maria Paula Morão. Introdução organizada por Joel Serrão.) Lisboa: Ática, 1979

BRASÃO

Bellum Sine Bello

I. Os Campos

Primeiro / O dos Castelos

A Europa jaz, posta nos cotovelos:
De Oriente a Ocidente jaz, fitando,
E toldam-lhe românticos cabelos
Olhos gregos, lembrando.

O cotovelo esquerdo é recuado;
O direito é em ângulo disposto.
Aquele diz Itália onde é pousado;
Este diz Inglaterra onde, afastado,

A mão sustenta, em que se apoia o rosto.
Fita, com olhar ’sfíngico e fatal,
O Ocidente, futuro do passado.
O rosto com que fita é Portugal.

Segundo / O das Quinas

Os Deuses vendem quando dão.
Compra-se a glória com desgraça.
Ai dos felizes, porque são
Só o que passa!

Baste a quem baste o que lhe basta
O bastante de lhe bastar!
A vida é breve, a alma é vasta:
Ter é tardar.

Foi com desgraça e com vileza
Que Deus ao Cristo definiu:
Assim o opôs à Natureza
E Filho o ungiu.

II. Os Castelos

Primeiro / Ulisses

O mito é o nada que é tudo.
O mesmo sol que abre os céus
É um mito brilhante e mudo —
O corpo morto de Deus,
Vivo e desnudo.

Este, que aqui aportou,
Foi por não ser existindo.
Sem existir nos bastou.
Por não ter vindo foi vindo
E nos criou.

Assim a lenda se escorre
A entrar na realidade,
E a fecundá-la decorre.
Em baixo, a vida, metade
De nada, morre.

Segundo / Viriato

Se a alma que sente e faz conhece
Só porque lembra o que esqueceu,
Vivemos, raça, porque houvesse
Memória em nós do instinto teu.

Nação porque reincarnaste,
Povo porque ressuscitou
Ou tu, ou o de que eras a haste —
Assim se Portugal formou.

Teu ser é como aquela fria
Luz que precede a madrugada,
E é já o ir a haver o dia
Na antemanhã, confuso nada.
Fernando Pessoa, in Mensagem, Editora Assírio & Alvim

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Viajar por Portugal

O teu Olhar

Passam no teu olhar nobres cortejos,
Frotas, pendões ao vento sobranceiros,
Lindos versos de antigos romanceiros,
Céus do Oriente, em brasa, como beijos,

Mares onde não cabem teus desejos;
Passam no teu olhar mundos inteiros,
Todo um povo de heróis e marinheiros,
Lanças nuas em rútilos lampejos;

Passam lendas e sonhos e milagres!
Passa a Índia, a visão do Infante em Sagres,
Em centelhas de crença e de certeza!

E ao sentir-se tão grande, ao ver-te assim,
Amor, julgo trazer dentro de mim
Um pedaço da terra portuguesa!

Florbela Espanca, sonetos



Portugal's Breathtaking Landscapes in 4K | Relaxing Drone Film,by Scenic 4k with Elian"( Paisagens deslumbrantes de Portugal em 4K | Filme relaxante com drone por Elian)
"Descubra Portugal em 4K .Sobrevoe cidades históricas, aldeias encantadoras e paisagens naturais deslumbrantes nesta jornada cinematográfica de drone. Das dramáticas falésias do Algarve às ilhas verdejantes da Madeira e aos lagos vulcânicos dos Açores, este filme aéreo transmite a alma de Portugal com música relaxante e cenários inspiradores. 
🌟 Destaques: • Cidades históricas e aldeias pitorescas • Costas atlânticas dramáticas • Lagos vulcânicos e picos montanhosos • Tesouros escondidos e natureza intocada 
🎥 Sobre Elián: Movido por um profundo amor pela natureza, Elián cria filmes de viagem imersivos em 4K que trazem paisagens deslumbrantes directamente para o seu écran. Subscreva e deixe-se levar pela tranquilidade dos momentos mais inspiradores do nosso planeta."

domingo, 2 de agosto de 2026

Ao Domingo Há Música


Canto como quem usa
Os versos em legitima defesa.
Canto, sem perguntar à Musa
Se o canto é de terror ou de beleza.
 Miguel Torga , Orfeu Rebelde 

Ouvi-te e ouvi-a
No mesmo tempo
E diferentes
Juntas cantar.
E a melodia
Que não havia.
Se agora a lembro,
Faz-me chorar.
Fernando PessoaCancioneiro

O canto ecoa diferentemente  em cada um de nós. Mas ecoa . Acorda.. Desafia. 
E há vozes que nos trazem memórias de um canto vivido . Um canto que se repercute e se estende com profunda  intensidade.
Esta  voz, que se apresenta,  tem essa capacidade. 
 
Lizz Wright e Kenny Banks Sr. interpretam The Nearness of You, nos Bell Choir Studios, do seu próximo álbum 'Nearness', com lançamento previsto para 25 de Setembro de 2026.  
A cantora confessa que "a presença de uma alma gémea pode mudar a forma como experienciamos o mundo, como nos vemos e como usamos os nossos dons. The Nearness of You é o segundo single do meu próximo álbum em duo com Kenny Banks Sr.."
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Lizz Wright e Kenny Banks Sr. interpretam Soon I Will Be Done, nos Bell Choir Studios, do seu próximo álbum 'Nearness', com lançamento previsto para 25 de Setembro de 2026. 
"Soon I Will Be Done " é uma canção que a maioria associa à morte, ganha um novo significado e interpretação na voz de Wright. Ela observa: "Faz-me querer mergulhar mais fundo para desenterrar toda a minha força e descobrir o que significa para mim viver com o máximo de plenitude, amor e poder que puder. Viver com Deus, voltar para casa pode realmente significar viver em amor e lembrar-me de quem sou."
 

sábado, 1 de agosto de 2026

História da presença portuguesa em Ormuz


Quando Portugal dominou o Estreito de Ormuz e o Golfo Pérsico 
Histórias Desconhecidas. 
"Hoje, o mundo fala diariamente do Estreito de Ormuz. A instabilidade no Médio Oriente e o conflito envolvendo o Irão voltaram a colocar este estreito no centro da geopolítica internacional. Por aqui, passa uma parte significativa do petróleo transportado por via marítima no planeta, e qualquer ameaça à navegação nesta passagem estratégica tem impacto imediato na economia mundial. Mas poucos sabem que, há cerca de cinco séculos, este mesmo estreito esteve sob o controlo de uma pequena potência europeia. Durante mais de um século, entre 1515 e 1622, Portugal dominou Ormuz, controlando a entrada do Golfo Pérsico e uma das rotas comerciais mais importantes do mundo. Neste vídeo exploramos a história da presença portuguesa em Ormuz: – a chegada de Afonso de Albuquerque ao Golfo Pérsico – a construção da fortaleza portuguesa na ilha – o papel de Ormuz no comércio do Oceano Índico – a vida dos portugueses naquele ambiente extremamente árido – e o dramático cerco que levou à queda da cidade em 1622. Numa pequena ilha quase sem água e exposta a um calor extremo, soldados, mercadores e administradores portugueses viveram durante décadas guardando uma das portas do comércio mundial. Uma história fascinante do Império Português no Oriente, que liga directamente o passado da expansão marítima portuguesa à importância estratégica que o Estreito de Ormuz continua a ter hoje. 
Se gosta de História de Portugal, história marítima ou das grandes rotas comerciais do mundo, este episódio mostra como uma fortaleza portuguesa conseguiu, durante mais de um século, controlar um dos pontos mais estratégicos do planeta."

sexta-feira, 31 de julho de 2026

AS RELIGIÕES NÃO CRISTÃS (1)

Manoel de Andrade

Transcrevemos do  aplaudido livro, Em Busca da verdade, reflexões e estudos sobre  Cristianismo e Espiritismo, do poeta Manoel de Andrade, algumas das primeiras  reflexões que enquadram a busca da  Verdade e revelam o profundo conhecimento dos temas em estudo. 

MÓDULO I - ANTECEDENTES DO CRISTIANISMO
AS RELIGIÕES NÃO CRISTÃS (1)
por Manoel de Andrade 
"Foi no Oriente que se acenderam as primeiras lâmpadas para iluminar a alma humana. Foi de lá que migraram os primeiros passos do pensamento religioso e filosófico que enriqueceram a cultura do Ocidente. A China e a Índia foram os berços dos maiores pensadores da antiguidade que buscaram expressar a espiritualidade na sua mais pura essência.                    
Hinduísmo
O Hinduísmo surgiu há cerca de 3500 anos entre as antigas religiões das comunidades do norte da Índia e se tornou uma das mais poderosas forças culturais como expressão de modo de vida, marcadas pela não violência, pelo princípio da tolerância, a crença na reencarnação, pelo realce no progresso e na libertação espiritual. Suas orações, hinos e mantras, culturalmente santificados pelo povo, eram transmitidos oralmente de geração em geração e foram posteriormente compilados nos Vedas, formando a base ritual do Hinduísmo e tido como o primeiro livro sagrado da história.
Eis por que a formação do Hinduísmo clássico retrocede ao remoto período védico, época da transcrição das expressões orais que deram origem aos Upanishads, composição de hinos, diálogos e poemas considerados como o mais antigo tratado de filosofia que chegou quase intacto ao nosso tempo. O ponto alto da literatura clássica indiana são as epopeias, Ramayana, escrita há mais de 2000 anos e contendo os ensinamentos dos primeiros sábios hindus, e o grande poema filosófico Mahabhárata, com cerca de 100 mil versos. É a obra literária reconhecida como o maior poema épico da história da humanidade, dentro do qual o Bhagavad-Gita ocupa uma de suas partes e onde é chamado a “canção do bem-aventurado”. O Bhagavad-Gita é o livro sagrado do hinduísmo, a mais conhecida obra da literatura sânscrita, por conter a essência do conhecimento védico e tendo influenciado inumeráveis movimentos espiritualistas do mundo.
O Hinduísmo mantém o seu sistema de castas como uma expressão de “estágio” cármico, e eis por que o praticante do Hinduísmo encara religiosamente a vida como um rito de renúncia, não havendo separação entre o sagrado e o profano. Vive de acordo com o “dharma”, ou seja, em harmonia com o amplo significado da lei, com o caminho da justiça e da plena retidão moral.

Budismo
A outra grande expressão religiosa indiana é o Budismo, que nasceu na Índia e migrou para o Ceilão (hoje Sri Lanka), China e Japão, onde predomina, e para vários países do Ocidente, congregando, atualmente, uma das mais expressivas legiões de seguidores em todo o mundo.
Seu fundador era chamado Sidarta Gautama, também conhecido por Sakiamuni, um príncipe sábio nascido no povo Sakia, num reino na fronteira entre o Nepal e a Índia. Ao ver a miséria do seu povo, renunciou ao trono e saiu em busca das respostas para o sofrimento humano. Nesse caminho encontrou a iluminação, passando então a ensinar suas verdades, das quais nasceu o Budismo.
O Budismo, como uma religião contemplativa, surgiu na Índia entre os séculos VI e IV a.C. A essência da sua filosofia é superar o desejo como causa do sofrimento. Duas grandes escolas dividem seus ensinamentos: a Hinayana (Veículo Menor) e a Mahayana (Veículo Maior), e cada uma delas com diferentes filosofias espalhadas pelo mundo, com seus próprios conceitos sobre iluminação e libertação. O estado de libertação é o resultado da busca espiritual do ser humano para atingir o Nirvana, um estado eterno de graça pela superação do karma. Resulta de um longo caminho percorrido pela meditação, pela renúncia às ilusões do mundo e do aniquilamento de certos traços da personalidade como: o orgulho, o ódio, a inveja e o egoísmo.
Buda compreendeu que as dores humanas são causadas pela ignorância das leis que governam a vida e que só se alcança a felicidade e se abre o caminho para a iluminação quando o ser se liberta das distrações mundanas. Segundo ele os prolongados sofrimentos são causados por uma mente desgovernada. Ensinou que:

- "Tudo o que somos é resultado do que pensamos. A mente é tudo. O que pensamos, nós nos tornamos."
- "A paz vem de dentro. Não a busque fora."
- "A raiz do sofrimento é o apego."
- "A felicidade nunca virá para aqueles que não apreciam o que já têm."
- "Manter o corpo em boa saúde é um dever... caso contrário, não seremos capazes de manter a mente forte e clara."
- "Não viva no passado, não sonhe com o futuro, concentre a mente no momento presente."
- "Assim como uma vela não pode queimar sem fogo, os homens não podem viver sem uma vida espiritual."
- "Milhares de velas podem ser acesas com uma única vela, e a vida da vela não será encurtada. A felicidade nunca diminui ao ser compartilhada."
- "No final, apenas três coisas importam: o quanto você amou, o quão gentilmente você viveu e o quão graciosamente você abriu mão de coisas que não eram para você."
(1)

A imagem de Buda como um mestre iluminado, a vida ascética nos mosteiros budistas, os princípios e práticas do seus ensinamentos, suas atividades sociais e expressões culturais pelo mundo, colocam o Budismo como a quarta maior religião da Humanidade, com mais de 520 milhões de seguidores. No Brasil, segundo o censo de 2010, residem aproximadamente 245 mil budistas."
Manoel de Andrade, in  
 Em Busca da verdade, reflexões e estudos sobre  Cristianismo e EspiritismoEdição do Centro Espírita Luz da Caridade,Rua Mato Grosso, 145 – Água Verde, CEP: 80260-070 – Curitiba - Paraná, pp.33-36

(1)-https://www.revistaentreasanas.com.br/post/10-cita%C3%A7%C3%B5es-de-buda-para-voc%C3%AA-aprender-e-refletir-no-seu-dia-a-dia.

quarta-feira, 29 de julho de 2026

Um poema

UM POEMA

Não tenhas medo, ouve:
É um poema
Um misto de oração e de feitiço...
Sem qualquer compromisso,
Ouve-o atentamente,
De coração lavado.
Poderás decorá-lo
E rezá-lo
Ao deitar
Ao levantar,
Ou nas restantes horas de tristeza.
Na segura certeza
De que mal não te faz.
E pode acontecer que te dê paz...
Miguel Torga, in  Diário XIII, Círculo de Leitores

terça-feira, 28 de julho de 2026

Viajar por Évora


Eugénio Lisboa registou, nos Diários, que foi escrevendo ao longo da sua vida, muitas páginas de grande relevância sobre viagens que realizou. Publicou algumas, em 2017 , num tomo único, a que deu o título " Diário de Viagens Fora da Minha Terra".
Hoje ,transcrevemos  páginas inéditas de uma viagem a Évora , acompanhado da sua mulher, Maria Antonieta.

Évora, 15.07.2005 – Pousada dos Lóios
por Eugénio Lisboa
"Há 3 dias em Évora, neste convento transformado em pousada. O convento, dizem os historiadores, foi mandado construir por D. Rodrigo de Melo, em 1481, logo após a morte de D. Afonso V (28 de Agosto desse ano), com quem andara à espadeirada aos mouros, no norte de África. Diz-se que o velho fidalgo se encontrava, por esta altura da sua vida, “entristecido e carregado de anos”. Não custa muito imaginar que uma juventude de matança, mesmo de “infiéis” e mesmo ao serviço de um rei de quem se é amigo e fiel servidor, conduza a uma velhice entristecida. Que imagens de corpos trespassados, de gritos de aflição sem resolução, de olhos espantados e devastados de surpresa nos podem dar à velhice uma aura de tristeza sem remédio? Estarei a especular? Penso que não. O facto de D. Rodrigo ter pedido que após a sua morte (sua mulher, D. Isabel fora à frente), se rezasse, no convento, “missa quotidiana por sua alma e de sua mulher” é sinal inconfundível de que os fantasmas (mesmo de infiéis) atormentavam, mais do que ligeiramente, os últimos anos do fidalgo.
Seja como for, mandou construir este magnífico convento, onde nos encontramos, eu e a Maria Antonieta, há três dias. Vamo-nos, de regresso a S. Pedro, daqui por três horas. O convento é magnífico, amplo e, nos claustros em que antes se ouvia o silêncio majestoso das meditações, agora come-se, profanamente, os requintados manjares que a Babette local, D. Francisca, congemina, para nosso deleite. Pode ser que se cozinhe tão bem, noutros lugares deste Portugalinho atraente e turístico. Melhor, duvido. Que riqueza, na simplicidade airosa (e capitosa!) dos menus! Não é de admirar que os empregados de mesa nos perguntem, não se tudo está bom, mas, antes, se tudo está óptimo! O “bom” seria uma litote ofensiva…
Os quartos que habitamos chamam-se “celas” porque foram as celas que os frades habitaram, nos tempos de convento que o convento já teve. Tudo é grande, amplo, generoso, neste convento que se originou numa grande vontade de redenção. D. Rodrigo de Melo não pensou pequeno: ele lá sabia as razões que tinha.
Uma piscina moderna – e muito a propósito para nos ajudar na luta contra o calor alentejano – dá um ar de saborosa profanação que se acrescenta ao capitoso ultraje de repastos sensuais a desflorar a paz mística dos claustros…
Não sei o que D. Rodrigo pensaria de tudo isto. Mas julgo que tudo isto nos leva, irresistivelmente, até ele – e a pensar nele. Não é uma forma de lhe preservar a presença, entre nós? Não é um modo de lhe garantir um modicum, ainda que modesto, de eternidade?
Em Évora, cidade património do Alto Alentejo, passámos, eu e a Maria Antonieta, três dias de revisitas a lugares vários (a catedral, a Igreja de S. Francisco, a Praça do Giraldo, a  Biblioteca Pública, a Igreja de S. João Evangelista – adjacente ao convento – etc.) Sempre sediados no convento, a que regressávamos, magneticamente atraídos pelos filtros mágicos da Babette eborense e para fins de restauro de forças, pelo sono celular…
Vamos agora deixar Évora e o Convento dos Lóios. Para voltarmos cá? Gostaria de pensar que sim!"
Eugénio Lisboa, in Aperto Libro III ( obra inédita)
 
Évora, património da humanidade, partindo da zona monumental, chamada de acrópole, mostro um percurso pelo centro histórico, mostrando a Sé Catedral, Igreja do Convento dos Lóios, Palácio dos Duques de Cadaval, Cerca Velha, Universidade, Porta de Moura, Igreja da Misericórdia, Igreja do Convento da Graça, Igreja do Convento de S.Francisco, Praça de Giraldo, seu Chafariz e Igreja de Santo Antão, a Porta da Selaria, as ruas encostadas à antiga Cerca Velha, vendo as suas antigas Torres, o Aqueduto da Água de Prata, a Porta de D.Isabel, e a Cerca Nova ou muralha medieval.