O beijo na boca tem muito mais milhões de anos do que pensávamos
por Sergio Parra
"Uma nova análise sugere que o beijo na boca, longe de ser uma invenção cultural moderna, pode ter surgido há mais de 21 milhões de anos entre os primeiros ancestrais dos grandes símios.
De acordo com um estudo de 2007, um único beijo apaixonado promove a transferência de até mil milhões de bactérias de uma boca para outra, juntamente com cerca de 0,7 miligramas de proteína, 0,45 miligramas de sal, 0,7 microgramas de gordura e 0,2 microgramas de "compostos orgânicos variados", ou seja, restos de comida. Mas porque existe o beijo? Não é uma fonte de infecções?
Existem gestos humanos que parecem tão profundamente pessoais e culturais que é fácil esquecer a sua dimensão evolutiva. De acordo com um novo estudo publicado na revista Evolution and Human Behavior, o beijo na boca não é uma invenção recente nem exclusivamente humana, mas um comportamento com profundas raízes biológicas que pode remontar à linhagem comum dos grandes símios, há entre 21,5 e 16,9 milhões de anos.
Esta descoberta, que desafia a ideia de que o beijo evoluiu como um gesto exclusivamente cultural, baseia-se numa extensa análise filogenética de dados observacionais sobre o comportamento social em primatas. Investigadores do Departamento de Biologia da Universidade de Oxford, liderados pela bióloga evolutiva Matilda Brindle, reuniram evidências de interacções orais não agressivas em chimpanzés, bonobos, orangotangos e gorilas, concluindo que esse tipo de contacto já estava presente nos ancestrais comuns a essas espécies.
O que é um beijo?
O beijo é definido nesta investigação como um acto não violento de contacto entre bocas, com movimento, mas sem transferência de alimento. Esta definição evita abordagens antropocêntricas e permite identificar comportamentos semelhantes em diferentes espécies. O problema é que este tipo de interacções não deixa vestígios fósseis. Por isso, a equipa optou por uma reconstrução filogenética, utilizando modelos bayesianos e milhões de simulações para rastrear probabilidades evolutivas.
Os resultados desta abordagem não só situam a origem do beijo muito antes do que se pensava, como também apoiam a hipótese de que os neandertais e outros hominídeos extintos podiam praticá-lo e até partilhá-lo com o Homo sapiens durante os períodos de hibridização entre espécies.
Apesar da surpreendente descoberta, o estudo também deixa muitas questões em aberto. Entre elas, a mais intrigante: porque nos beijamos? Embora o beijo possa fortalecer os laços sociais, servir como prelúdio sexual ou ajudar a avaliar possíveis parceiros através de sinais químicos, continua a ser um comportamento que implica riscos, como a transmissão de doenças. Em termos evolutivos, não está claro se os seus benefícios superam esses custos.
Uma parte cultural
Nesta linha, os investigadores apontam que o comportamento do beijo não é universal nem entre os primatas nem entre os humanos. Estudos antropológicos indicam que apenas 46% das culturas humanas documentadas praticam o beijo romântico. Essa variabilidade sugere que, embora possa haver uma base biológica para o beijo, a sua expressão depende em grande parte do contexto social e cultural.
Além disso, as informações sobre esses comportamentos em animais selvagens ainda são limitadas. Grande parte dos dados provém de observações em zoológicos e santuários, onde o ambiente controlado pode influenciar os comportamentos. Por isso, os investigadores sublinham a necessidade de mais estudos em populações selvagens e em espécies fora do grupo dos grandes símios, para compreender melhor como o beijo pode ter surgido e se transformado ao longo de milhões de anos.” in Revista National Geographic
Entretanto , fomos para além destas formulações. Demos voz à música, onde tudo é mais simples. Harmonioso. Nela, o beijo é mote de muitas canções. Encantámo-nos e seleccionámos algumas, cantadas em português.
Só um beijo, por Luísa Sobral com Salvador Sobral - | Eléctrico | Antena 3
Solta-se o beijo, por Ala dos Namorados & Sara Tavares & Nuno Guerreiro.
Beijo de Saudade, por Mariza e Tito Paris.
Beijo, por Pedro Abrunhosa e Os Bandemónio.
Primeiro beijo, por Rui Veloso .