sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Interlúdio musical

Casa onde nasceu Chopin, em Zolazowa ( Polónia), que se converteu em Museu.
 
A simplicidade é a conquista final. Depois de ter tocado uma quantidade de notas e mais notas, é a simplicidade que emerge como a recompensa coroada da arte.
Põe toda a tua alma nisso, toca da maneira como sentes a música!
                                   Frédéric Chopin

Chopin foi um virtuoso do piano. Punha-lhe a alma e fazia da simplicidade uma obra de arte. 
Escutá-lo é imergir nesse mundo raiado pelo encanto para um incondicional e deleitoso abandono. 
Nocturne, op 27 no 2, de Frédéric François Chopin, numa brilhante interpretação de Maria João Pires, no Jardin Musical. O estúdio Jardin Musical é um espaço de gravação de áudio e vídeo no coração de Bruxelas, dedicado a músicos e artistas.
 

quinta-feira, 15 de outubro de 2026

O adeus a Moçambique

África do Sul: o adeus a Moçambique
por Eugénio Lisboa
"Os últimos dois anos, em Moçambique, tinham sido anos de emoções intensas e contraditórias: exaltação, receio, decepção, medo, rejeição… Vivêramo-los com intensidade, mesmo os sentimentos negativos e as amargas desilusões. O mundo ruíra, mas, mesmo o desmoronar, fora intenso e ocupara espaço emotivo dentro de nós. A paz que agora desfrutávamos contrastava demasiado com esse viver intenso, tornando-se desmobilizadora. O descanso tornava-se uma espécie de vazio. O sossego enfim alcançado era uma espécie de morte. Começávamos a experimentar uma estranha saudade: a saudade do perigo e da ameaça… No “hotel President” foi só o tempo de tratarmos de algumas pequenas coisas (papéis, dinheiro) e logo partimos para umas necessitadas e merecidas férias na Europa. Ia ser uma viagem, desde a partida, já sem o sabor das anteriores; nessas, partia-se de casa (Lourenço Marques) e regressava-se a casa: aos familiares e amigos. Agora, partíamos de terra estranha e regressaríamos a terra estranha, sem ter a quem contar, com alegria, o que tínhamos vivido na mítica Europa. Toda a magia da viagem tinha desaparecido.(…)
O tempo foi passando mas, em Junho, começou novo sobressalto. Mais ou menos em meados deste mês, minha mãe telefonou-me de Lourenço Marques, dizendo-me que iam enviar o meu pai, de avião, para Joanesburgo. A arteriosclerose tomara conta dele, de forma profunda, tivera um AVC e encontrava-se suficientemente mal para ter que vir a Joanesburgo ser visto e tratado como devia ser (o estado em que se encontrava o “hospital Miguel Bombarda”, depois da precipitada, absurda e criminosa “nacionalização” dos serviços de saúde, não era compatível com o tratamento decente que o estado do meu pai requeria.(…)
O meu pai ficou ali cerca de uma semana, com momentos de lucidez e grandes períodos de confusão. Teve visitas de amigos e familiares, nessa altura a viverem em Joanesburgo, e, por momentos, animava-se a conversar e mesmo a galhofar. O Dr. Alberto Reis Costa, que acompanhava o caso, dizia-me que o coração se encontrava muito dilatado, mas que estava optimista quanto ao resultado. Meu pai falava em partir para Portugal, o que me parecia uma boa solução, embora quase inconcebível: o meu pai adoptara África muito mais profundamente do que eu, que lá nascera e a considerava minha, não pensando, nunca, em de lá sair… Depois de um domingo, com muitas visitas e bastante conversa bem disposta, já à noite, regressámos a casa, na hengilcon Avenue. Levávamos boas esperanças, depois da conversa com o Dr. Alberto Reis Costa. Deitámo-nos, descansados, embora, no fundo, sempre um pouco apreensivos. O que iria ser a vida dos meus pais, naquele Portugal desarrumado e inquieto, uma terra em que eles nunca tinham concebido viver? Onde? A reforma permitir-lhe-ia viver com um mínimo de conforto? Como poderia eu ajudá-los? Acabei por adormecer. Mas o sono não foi longo: de madrugada, acordou-me a campainha do telefone. Quase me parou o coração: àquela hora, numa terra em que eu conhecia tão pouca gente que me telefonasse, aquele toque de campainha era ominoso. Levantei o telefone, sentindo-me esvaziar por dentro: era alguém, do hospital, a anunciar o falecimento do meu pai. Ataque cardíaco. Porque o coração estava grande demais? Era, em qualquer dos casos, para mim, a confirmação de que prosseguia a débacle: primeiro, a desagregação do nosso mundo, em Lourenço Marques, agora, o desaparecimento daquela força da natureza, que fora o meu pai. Ele estivera sempre perto, prestável, mesmo quando eu estivera ausente, em Portugal, durante mais de sete anos. Era um apoio óbvio, forte, omnipresente. Podia-se contar com ele. Estava lá, sempre. Mas afinal, quebrara, partira, cedera, não aguentara mais. O meu pai, afinal, não era imortal! Enterrámo-lo em Joanesburgo – a ele, que vivera quase toda a sua vida em Moçambique, de norte a sul, de fora para dentro… Um enterro simples, acompanhado por quase ninguém – ele, que ajudara tanta gente, uns agora mortos, outros dispersos, outros a tratarem simplesmente da sua própria sobrevivência.Em Joanesburgo, improvavelmente, ficou. No estado em que estava tudo,em Moçambique, incluindo uma burocracia sufocante, incompetente e desconfiada, não quis sujeitar o caixão e o corpo do meu pai a humilhações desnecessárias
(…)Os dias que se seguiram ao falecimento de meu pai foram dias sombrios. Pouco depois, fui a Lourenço Marques, com o fim de dar apoio a minha mãe e ver como estavam as coisas com ela,(...)As ruas eram as mesmas, mas já não eram as mesmas: tudo me parecia parado, inanimado, caricatura triste do que tinha sido bulício, noutro tempo. O poeta, romancista e contista Ernest Dowson, representante de um decadentismo literário, ficou célebre sobretudo por um verso e a metade de outro. O verso que, melancolicamente, gostaria de aqui recordar é este: “They are not long the days of wine and roses” (o meio verso – “gone with the wind” – seria aproveitado para título do romance de Margaret Mitchell, que o cinema celebrizaria). O verso que citei exprime, de modo agudo e de grande beleza sonora, o que eu senti, nesses três ou quatro dias em que divaguei pelas ruas de Lourenço Marques: “Não duram muito os dias de vinho e rosas”. E o meio verso – “gone with the wind” – diz o resto: tudo tinha ido com o vento, após um breve, ainda que intenso fulgor. Tinha de facto sido tudo tão bom e tão breve (o título do livro de Dowson, a que o verso pertence, é: Vitae Summa Brevis). Os dias de convívio, os dias de anos e de festa, os dias de criação literária, de praia, de amor e de amizade, os dias de vinho e rosas – tudo tinha fugido tão depressa, levado por um vento desatento e indiferente! E ali estava aquela carapaça grotesca, feita de casas desabitadas, de cariz cinzento, mortiço, despido de vida… Revi alguns amigos, algumas das minhas alunas, a Maria de Lourdes Cortez, o Adrião Rodrigues. Mas já nada sabia ao mesmo, porque já nada era o mesmo. Se, ao menos, os desapossados de antes, estivessem agora a trincar o seu justo quinhão e a serem finalmente livres e felizes… Mas estaria a ser assim? Apertados naquele espartilho ideológico, de um hediondo puritanismo? Enfim, tudo flui, nada permanece, dissera-o já o velho heráclito. A minha própria vida passara já por muita mudança, alguma dela, profundamente dolorosa – como foi o caso da minha mudança, de Lourenço Marques para Lisboa, em 1947. Mas, agora, fora tudo muito brusco, muito brutal, muito desarrumador. E eu já não tinha dezassete anos, tinha feito, havia pouco, quarenta e seis e as “bases” não estavam intactas: o meu pai morrera (inconcebível) e a minha tia Maria (outro pilar) acusara, nos últimos tempos, fragilidades de saúde. Os “avisos” estavam por todo o lado. Para onde iria a minha mãe, com a pensão de viúva ainda a resgatar da infernal teia burocrática, que se assarapantava no Consulado português, em Maputo? O processo acabaria por se extraviar, entre o Maputo e Lisboa… E a tia Maria, nossa mãe sempre mais à mão, a envelhecer a olhos vistos… E o meu irmão? E as tias, sem vencimento, sem reforma e sem nada de material a que se agarrarem? (A casa do Alto Mahé, literalmente construída, pedra a pedra, degrau a degrau, pelo Tio Tropa, grande artista da madeira, que morreu pobre, fora, como tudo, “nacionalizada” – rima com “roubada” e rima com fundamento). Era o fim desordenado e feio de um mundo! De tudo isto ia congeminando, para arrumos e soluções que, não demoraria muito, haveria que tomar. E nós, numa África do Sul, no cú do mundo, e assente num vulcão, que não parava de emitir avisos… Estive, como disse, com algumas das minhas alunas de eleição, com a Maria de Lourdes, com a minha mãe e com a minha cidade, que deixara de ser minha! E regressei a Joanesburgo, desconsolado e com uma terrível sensação de perda irrecuperável.”
Eugénio Lisboa, in  Acta est fabula, Memórias IV Peregrinação: Joanesburgo. Paris. Estocolmo.Londres. (1976-1995), pp. 19,20,35-41, Editora Omnia Opera, Outubro de 2014

quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Tudo isso excede este rigor

A antiga canção

A antiga canção,
Amor, renova agora.
Na noite, olhos fechados, tua voz
Dói-me no coração
Por tudo quanto chora.
Cantas ao pé de mim, e eu ‘stou a sós.


Não, a voz não é tua
Que se ergue e acorda em mim
Murmúrios de saudade e de inconstância,
O luar não vem da lua
Mas do meu ser afim
Ao mito, à mágoa, à ausência e à distância.


Não, não é teu o canto
Que como um astro ao fundo
Da noite imensa do meu coração
Chama em vão, chama tanto...
Quem sou não sei... e o mundo?...
Renova, amor, a lembrada canção.


Cantas mais que por ti,
Tua voz é uma ponte
Por onde passa, inúmero, um segredo
Que nunca recebi —
Murmúrio do horizonte,
Água na noite, morte que vem cedo.


Assim, cantas sem que existas.
Ao fim do luar pressinto
Melhores sonhos que estes da ilusão.
            01.01.1920
Fernando Pessoa, in Poesia  1918-1930, 
Assírio e Alvim, [ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine], 2005.                                                                        
A criança que ri na rua

A criança que ri na rua,
A música que vem no acaso,
A tela absurda, a estátua nua,
A bondade que não tem prazo —
Tudo isso excede este rigor
Que o raciocínio dá a tudo,
E tem qualquer cousa de amor,
Ainda que o amor seja mudo
            04.10.1934
Fernando Pessoa, in Poesia 1931-1935, Assírio e Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005.

A luz que vem das estrelas

A luz que vem das estrelas,
Diz — pertence-lhes a elas?
O aroma que vem da flor,
É seu? Dize, meu amor.


Problemas vastos, meu bem,
Cada cousa em si contém.
Pensando claro se vê
Que é pouco o que a mente lê
Em cada cousa da vida,
Pois que cada cousa, enfim,
É o ponto de partida
Da estrada que não tem fim.


Perante este sonho eterno
Falar em Deus, céu, inferno…


Ah! dá nojo ver o mundo
Pensar tão pouco profundo.
            15.11.1908
Fernando Pessoa, in Poesia 1902-1917, Assírio e Alvim, [ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine], 2005.

terça-feira, 13 de outubro de 2026

O Túmulo da Múmia




 O Túmulo da Múmia
( Dactiloscrito* , 17–18 de Maio de 1946, Lilly Library)
por Sylvia Plath
"Tinha vindo ao museu pesquisar sobre o Egito para o meu caderno de História. Passei pela enorme arcada e entrei na primeira das cinco salas que constituíam a coleção egípcia. As paredes altas pareciam húmidas e sombrias. A única coisa que iluminava a sala era a serena luz cinzenta de um dia de chuva. Sombras escuras espreitavam por trás das vitrinas e das estátuas, escondendo‑se nos cantos. Um cheiro bolorento dominava o ar gelado que me atravessava os ossos. Encontrava‑me sozinha neste memorial de tempos antigos. Os únicos pontos luminosos eram algumas tapeçarias desinteressantes. Nas vitrinas havia algumas joias danificadas do período egípcio. Junto a uma parede havia imponentes blocos de pedra, gravados com figuras grotescas. Fiz algumas anotações acerca do tipo de material usado na época egípcia, e passei depressa para a sala seguinte. Era inteiramente dedicada à cerâmica. Passei os olhos pela acumulação de obras tradicionais: as cores dominantes nos vasos eram o almagre, o verde‑água e o preto. As figuras representadas eram pintadas em cores contrastantes. Eram‑me familiares dos tempos da escola básica: rostos e pernas de perfil, busto e olhos de frente. A terceira sala continha apenas uma entediante quantidade de ferramentas e utensílios usados pelos egípcios. Listei alguns deles e passei para a quarta sala.
Nesta sala havia sobretudo cópias de mobiliário. Poucas peças verdadeiras enfeitavam as paredes.
A quinta sala, porém, fascinou‑me. As paredes estavam cobertas de velhos sarcófagos, e no centro deste misterioso lugar estendia‑se uma fileira de vitrinas baixas. Controlei o meu entusiasmo pelas múmias e aproximei‑me primeiro da fileira de mesas. O meu olhar distraído foi subitamente arrebatado por algo que brilhava no meio dos pendentes. Passou‑me pela cabeça que fosse um olho. Um olho humano! Costumo gabar‑me de possuir um temperamento calmo, resistente e curioso, mas naquele momento comecei a tremer por dentro e por fora. A roupa colava‑se‑me ao corpo, húmida de suor, ao mesmo tempo que um calafrio gélido me subia pelas costas. Enquanto tentava refazer os resquícios confusos daquilo a que gosto de chamar a minha compostura, li a legenda por baixo do olho. Era apenas feito de ágata! No entanto, sob o meu olhar frenético, tinha um aspeto gelatinoso, e a pupila parecia dilatar‑se ao fitar‑me.
Afastei‑me com alívio da vitrina e apressei‑me a ver os seis sarcófagos. Os primeiros cinco eram interessantes: tinham‑se soltado algumas lascas de tinta, o que lhes dava um agradável ar de antiguidade. Os rostos lisos e sérios desenhados no exterior dos sarcófagos olhavam diretamente para cima, como se tentassem ver além do pesado teto e obter um vislumbre dos céus soalheiros que não avistavam há tantos anos. Parei, espantada, em frente do sexto sarcófago. Dele saía um forte odor a carne putrefacta!
— É claro que não pode haver nenhuma múmia antiga aqui — disse para comigo.
De repente, ocorreu‑me uma ideia horripilante… mas era demasiado improvável, demasiado horrível, para ser concebida pela mente humana. Enquanto pensava nisso, ouvi passos furtivos atrás de mim. Virei‑me depressa.
Na minha cabeça, imaginei toda a espécie de espetros sangrentos. No entanto, senti‑me tranquilizada por uma risada rouca provinda do velhote enrugado ao meu lado ao perceber a minha surpresa. Disse‑me então:
— Estava a observá‑la de trás daquela coluna ali; vi‑a a admirar o globo ocular na vitrina. Parece real, não é?
O velhote soltou outra risada das suas e levou‑me de volta à vitrina. Senti que estava a ser impelida por algum feitiço invisível, inédito, tal como acontece em sonhos, quando estamos a ser perseguidos e não conseguimos mexer nenhum músculo. Impotente, vi o homem de cabelo branco tirar do bolso uma minúscula lupa, que colocou sobre o olho. Para meu terror, o olho mexia‑se e fitava‑me lastimosamente à medida que o homem deslocava a lupa sobre o horrível órgão. Fui‑me embora em bicos de pés, depois de lançar um olhar furtivo à figura curvada, ainda alegremente absorta no seu bizarro jogo.
Durante toda a noite, fui assombrada por ideias terríveis. Não conseguia adormecer, porque visões assustadoras de olhos líquidos e múmias vivas desfilavam diante de mim. Tentei convencer‑me de que o facto de o olho ser real não passava de uma invenção do velhote, mas foi em vão.
Ainda estava a chover, quando os primeiros sinais da madrugada surgiram no horizonte. Acordei e vesti‑me. Depois comecei a refletir sobre a melhor estratégia a seguir. Não era altura para gestos imprudentes. Às cinco e meia da tarde o museu fechava, e eu não poderia escapar ao sensor fotoelétrico. Tive, então, uma ideia: se ao menos resultasse! Entretanto já eram oito e meia, por isso tomei o pequeno‑almoço com a dona da pensão e fui de seguida ao First National do bairro, onde comprei um pão e um frasco de manteiga de amendoim. Quando regressei ao quarto, preparei quatro sandes de manteiga de amendoim e embrulhei‑as em papel de cera antes de as colocar num saco de papel. Pus também de lado um chapéu de abas largas e um guarda‑chuva. Às quatro horas, peguei nas sandes e no guarda‑chuva, pus o chapéu na cabeça, puxei a gola do casaco para cima e apanhei o autocarro das 4h10 para o museu.
Quinze minutos depois, ao subir a escadaria de mármore, constatei que o museu estava vazio, com exceção de dois ou três guardas. Não havia ninguém por perto, quando passei pelo sensor fotoelétrico. Peguei, então, no guarda‑chuva e passei‑o pelo sensor como se alguém estivesse a sair. Levantei o útil guarda‑chuva e percorri os longos e escuros corredores do museu. Ninguém me conseguia ver na escuridão cerrada, mas (engoli em seco) eu também não conseguia ver ninguém. Não tinha lanterna! Esquecera‑me talvez da coisa mais importante. Com cuidado, atravessei depois o átrio que ia dar à sala egípcia. Encontrei um banco num canto escuro da entrada. Ali me deitei, tremendo de excitação. Devorei com fome as sandes e adormeci logo.
Não sei durante quanto tempo me agitei no meu sono perturbado ou o que me terá acordado, mas sentei‑me e fui, então, surpreendida por um débil raio de luz que atravessava a noite escura como uma faca. Vinha da sala egípcia, da zona do túmulo da múmia! O pungente cheiro a carne podre chegou‑me de novo às narinas. Entrei às escondidas na sala. O que ali vi deixou‑me paralisada de horror. Sentia o corpo dormente, e só conseguia observar de forma impotente as ações quase inconcebíveis praticadas por um monstro desumano, desprovido de sanidade.
A luz da vela acesa no túmulo tremeluzia ao sabor das correntes de ar, projetando sombras assustadoras na parede. Essa luz permitiu‑me entrever as feições loucas do empregado de cabelo branco que já tinha conhecido — na véspera. Carregava um corpo vivo, enfaixado em ligaduras brancas, com aberturas apenas nos olhos e no nariz. A figura soltava gemidos abafados e contorcia‑se. O empregado abriu depois o quinto sarcófago, ao lado daquele de onde vinha o peculiar cheiro. Para meu horror, vi que a metade de cima se abria como a tampa de um caixão e estava revestida de espigões compridos e afiados: decerto para torturar a vítima aprisionada! O empregado deitou, então, a criatura humana na caixa, mas não a fechou. Aproximei‑me aos poucos, colada às sombras na parede. O empregado pegara, entretanto, numa colher afiada e inclinava‑se para arrancar os olhos da vítima aterrorizada, quando me viu aparecer. Reconheceu‑me!!
— Ah! — comentou, lançando‑me um olhar de soslaio. — Conseguiste fugir ontem, mas hoje vai ser diferente. Vou abafar os teus gritos de angústia e deixar‑te esvair em sangue numa agonia terrível. Tens de ir ao encontro dos deuses egípcios. Vou cortar‑te devagar os olhos e endurecê‑los antes de os expor na vitrina.
Quando avançou na minha direção, bati‑lhe com o guarda‑chuva e ele caiu inanimado no chão com um baque surdo. Demasiados anos naquela silenciosa câmara de tortura tinham‑lhe enfraquecido o coração e enlouquecido os sentidos. Soltei a rapariga, que desmaiara com o susto, e amarrei o empregado com o generoso rolo de gaze e fita adesiva. Depois percorri os corredores já familiares que iam dar ao escritório do museu, onde telefonei à polícia para contar que tinha descoberto a rapariga desaparecida, cuja fotografia fora publicada em todos os jornais, bem como o louco raptor e futuro assassino. Quando regressei à fatídica sala para tranquilizar a rapariga restabelecida, o estrépito das sirenes policiais já fustigava o ar.
Na manhã seguinte, acordei por volta das dez horas com o telefone a tocar e atendi sonolentamente, pois ainda sentia o corpo dorido e uma dor de cabeça fortíssima. Era o chefe da polícia, que me contou que o empregado tinha confessado um assassinato e uma tentativa de assassinato antes de cair morto com um segundo ataque cardíaco. O chefe da polícia também me disse que o pai da rapariga me ia dar uma grande recompensa. Sorri ao lembrar‑me dela e disse ao chefe da polícia para agradecer ao pai em meu nome, mas para lhe dizer que guardasse a recompensa. Depois de desligar, voltei para a cama, mergulhando de imediato num sono tranquilo, liberto de sonhos."
Sylvia Plath, in  Prosa Reunida , Relógio D'Água Editores, 20.07.2026,  pp.37- 40

Nota:
* Embora o dactiloscrito tenha sido datado de 17 de Maio de 1946 por SP, o seu diário inclui a seguinte passagem escrita a 18 de maio de 1946: “Depois do almoço, ambas escrevemos contos. Eu comecei um assustador policial (a roçar até o mórbido) intitulado ‘O Túmulo da Múmia’. Depois do jantar, deitámos as crianças e fomos então para o quarto da Margot, onde terminámos os nossos respetivos contos e pusemos em dia os nossos diários.” SP escreveu sobre um tema semelhante a este conto numa carta para Margot Loungway Drekmeier, a 17 de Novembro de 1945, publicada em The Letters of Sylvia Plath, Volume 1. Uma cópia hológrafa de “O Túmulo da Múmia” foi vendida através da Bonhams a 11 de Novembro de 2015. A Peter Harrington Rare Books pôs à venda a mesma cópia em março de 2023.
Sobre o livro
"Este livro reúne, pela primeira vez num único volume, a escrita em prosa de Sylvia Plath, uma das vozes mais intensas e intransigentes da literatura do século XX
São textos que revelam uma observadora implacável do quotidiano, permitindo ao leitor entrar na mente da autora e nas fissuras que a atravessam.
Nestas páginas reconhecem-se os temas que fariam de Plath uma autora incontornável, desde Sa identidade ao corpo, passando pelo desejo de controlo e a fragilidade da consciência. Lê-las é entrar na vida de uma autora que escreve como quem testa os limites da linguagem e, por vezes, da própria vida.
«Ver reunida sob uma mesma capa uma tão vasta parte da ficção e do jornalismo de Plath, bem como tantos dos seus ensaios e recensões, é voltar a surpreender-se com a amplitude da sua visão, ambição e talento. Um enorme acontecimento literário e um recurso de valor inestimável.» [Times Literary Supplement]
«Sylvia Plath não foi apenas uma grande poeta; foi também autora de algumas das melhores páginas de prosa do século XX. Escreveu cartas de um engenho e de uma vivacidade extraordinários. A sua publicação constitui um grande acontecimento literário.» [The Times]
«Tal foi o impacto da exploração por parte de Plath — tanto das paisagens interiores como exteriores, numa linguagem de intensidade vertiginosa, brutal e lírica —, que a sua perda para o mundo literário tem sido lamentada desde então.» [Financial Times]
Sylvia Plath

Sobre a autora
"Sylvia Plath nasceu em Boston, Massachusetts, a 27 de Outubro de 1932. Teve uma breve, intensa e agitada vida, tendo escrito poesia, um romance, contos e um diário.
O pai, Otto Plath, de origem alemã, trabalhava como professor de Biologia na Universidade de Boston, onde conheceu e casou com uma sua aluna, Aurelia, a mãe de Sylvia.
Em 1935, nasceu o segundo filho do casal, Warren. No rescaldo da Grande Depressão, a família deslocou-se em 1936 para Winthrop, Massachusetts, onde Sylvia passaria a maior parte da sua infância.
Aos oito anos, Plath publicou o seu primeiro poema na secção infantil do Boston Herald. Otto Plath morreu pouco depois dessa publicação (Sylvia haveria de escrever sobre a ambígua relação que tinha com ele o poema «Daddy»).
No seu primeiro ano no Smith College, Plath tentou suicidar-se com uma overdose de narcóticos, o que levou ao seu internamento numa instituição psiquiátrica. No verão do seu terceiro ano de estudos universitários, Sylvia Plath deslocou-se um mês para Nova Iorque, colaborando na revista Mademoiselle.
Nada disso a impediu de ser uma estudante brilhante, formando-se com louvor aos 23 anos. Obteve mesmo a bolsa Fulbright para frequentar a Universidade de Cambridge, em Inglaterra, onde continuou a escrever poesia. É então uma jovem mulher de maneiras educadas e espírito rebelde.
Em Fevereiro de 1956, conheceu, na festa de lançamento da St. Botolph’s Review, o poeta Ted Hughes, com quem casaria quatro meses depois. É um encontro fusional e de uma intensidade fulgurante.
Entre Julho de 1957 e Outubro de 1959, o jovem casal viveu nos Estados Unidos, tendo acabado por se fixar em Boston, onde Sylvia Plath assistiu aos seminários de Robert Lowell e conheceu a poeta Anne Sexton. Atravessando dificuldades materiais, Sylvia tem mesmo de trabalhar num hospital psiquiátrico.
Com a gravidez de Sylvia Plath, o casal regressa a Inglaterra, em 1959, fixando-se em Londres e mais tarde na pequena cidade de North Tawton, no Devon. Em 1960, nasce Frieda e, dois anos depois, Nicholas. O primeiro livro de poemas de Sylvia Plath, The Colossus, é publicado em Inglaterra em 1960 e, dois anos depois, nos Estados Unidos. Em Fevereiro de 1961, Plath sofre um aborto, que seria um tema recorrente em vários dos seus poemas.
No início dos anos 60, a relação com Ted Hughes entra em crise, sobretudo devido à relação deste com Assia Wevill (Ted Hughes daria a sua versão do que se passou em Cartas de Aniversário, e Assia, esposa de um poeta canadiano, haveria de se suicidar com a filha em 1969). O casal separa-se em finais de 1962. É no inverno que se segue à separação e num período depressivo que Sylvia escreve Ariel.
Plath regressa a Londres com os filhos, alugando um apartamento em Fitzroy Road, onde escreveria um romance semiautobiográfico, The Bell Jar, sob o pseudónimo de Victoria Lucas. Sente-se isolada e deprimida.
Na manhã de 11 de Fevereiro de 1963, nevava sobre Londres e o frio era intenso. Sylvia Plath suicida-se com o gás do fogão, tendo antes tido o cuidado de proteger os filhos."

domingo, 11 de outubro de 2026

Ao Domingo Há Música

Come on and come to me now Don't be ashamed to cry Let me see you through 'cause I've seen the dark side too When the night falls on you You don't know what to do Nothing you confess Could make me love you less I'll stand by you I'll stand by you Won't let nobody hurt you
I'll stand by you

Que conforto se sente, quando há alguém como nós  que garante estar connosco:  " I'll stand by you". O mundo passa  a ter uma dimensão diferente .
E há quem  saiba cantar o amor , a compaixão  e nos traga o enlevo que já nos arrebatou e que continua a arrastar-nos.
Eis uma colectânea de canções para encher os dias vindouros com o doce sabor de outros tempos.

Queen, em  Bohemian Rhapsody (Live Aid 1985)Tears are in your eyes.
  
Tina Turner, em  Let's Stay Together (LIVE).
 
Guns N' Roses & Elton John, em   November Rain (MTV 1992).
   
Simply Red, em  You Make Me Feel Brand New.
   
The Pretenders, em  I' LL Stand By You [ Official Live Video ] HD.
 

sábado, 10 de outubro de 2026

AFORISMOS DE H. L. MENCKEN


AFORISMOS DE H. L. MENCKEN (1880 – 1956)
por Eugénio Lisboa
“Henry Louis Mencken, literariamente conhecido como H. L. Mencken, foi provavelmente o mais influente crítico e ensaísta americano, nos anos vinte do século passado. Dotado de um sumptuoso e acutilante poder de manejo da língua inglesa e de um invulgar poder de ver as coisas muito por dentro, Mencken teve sempre a destemida vocação de se não render facilmente aos ventos que sopravam. Opondo-se, com óbvio risco, à religião organizada, à democracia representativa e à crença num deus qualquer, não se pode dizer que Mencken não sabia escolher bem os seus adversários.
Tinha uma característica qualidade, que muito admiro: detestava glórias fraudulentas e batia-se como um bravo por impor escritores de real valor, como Theodore Dreiser e Sinclair Lewis. Mas tinha um ponto fraco: nem sempre viu a necessidade de pôr linhas vermelhas ao seu sarcasmo brilhante, e os americanos não acharam muita graça ao facto de ele fazer chacota com o New Deal de Roosevelt, depois de uma depressão assassina. Foi também muito mal visto que ele, inicialmente, se não desse conta do que significava a ascensão de Hitler na Alemanha. Mas deve notar-se que muita gente cometeu este erro. O brilhante George Bernard Shaw não deixou de ter o seu flirt com Mussolini. Acontece aos melhores.
Da vasta bibliografia de Mencken, podem destacar-se os seguintes títulos: TRE PHILOSOPHT OF FREDERICH NIETZSCHE (1907); IN DEFENSE OF WOMEN (1918); PREJUDICES, seis volumes de crítica (1919 – 1927); THE AMERICAN LANGUAGE (1919).
Dou a seguir uma pequena mas significativa amostra do inquietante poder aforístico de Mencken.
 
Diga-se o que se disser dos Dez Mandamentos, devemos dar-nos por felizes por serem só dez.
Não há assuntos chatos, há só escritores chatos.
Ópera em inglês faz tanto sentido como beisebol em italiano.
Quando se ouve um homem falar no seu amor pelo seu país, pode-se estar certo de que ele espera ser pago por isso.
O pior governo é o mais moral. Um governo composto por cínicos é frequentemente mais tolerante e humano. Mas quando os fanáticos tomam o poder, não há limites para a opressão.
A consciência é aquela voz interior que nos avisa que alguém pode estar a olhar.
Nenhum homem merece uma confiança ilimitada – na melhor das hipóteses, a sua traição aguarda apenas uma tentação suficientemente forte.
É relativamente fácil suportar a injustiça. É mais difícil suportar a justiça.
Deus é um comediante a actuar para uma plateia demasiado assustada para poder rir.
Os homens casados vivem mais tempo do que os solteiros – ou, pelo menos, queixam-se durante mais tempo-.
Nada pode sair do artista que não esteja no homem.
Nunca pus um charuto na boca, antes dos nove anos.
É difícil acreditar que um homem está a dizer a verdade, quando sabemos que mentiríamos se estivéssemos no seu lugar.
Imoralidade é a moralidade daqueles que se estão a divertir mais do que nós.
Nunca deixe que um inferior lhe faça um favor. Pode custar-lhe caro.
A fé pode ser definida, em resumo, como uma crença ilógica na ocorrência do improvável.
Pode ser um pecado pensar mal dos outros. Mas raramente é um engano. "
Eugénio Lisboa, 05.02.2022

Navanethem Pillay: Prémio Nobel da Paz 2026


Navanethem Pillay

"O Prémio Nobel da Paz é o único que nunca falha em Oslo: é atribuído por um comité de cinco membros nomeados pelo Parlamento norueguês, de acordo com o testamento de Alfred Nobel.
O Prémio Nobel da Paz de 2026 foi atribuído a Navanethem Pillay "pelos seus esforços para promover a paz e o direito internacional". O comité tornou pública a decisão nesta sexta-feira, 9 de Outubro, em Oslo. 
Navi Pillay, no seu papel de Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, proferiu uma frase que resume um dos pilares éticos mais importantes da diplomacia internacional: "A credibilidade do trabalho em matéria de direitos humanos depende do compromisso com a verdade".
O Prémio Nobel da Paz é o único que não é atribuído em Estocolmo: é concedido por um comité de cinco membros nomeados pelo Parlamento norueguês, seguindo o testamento de Alfred Nobel. O inventor da dinamite deixou escrito em 1895 que deveria ser premiado quem mais tivesse feito pela fraternidade entre as nações, pela redução dos exércitos e pela promoção de congressos de paz. É atribuído desde 1901 e, este ano, está dotado de 12 milhões de coroas suecas, cerca de um milhão de euros. A cerimónia terá lugar em Oslo a 10 de Dezembro, data do aniversário da morte de Nobel.
No ano passado, a distinção foi atribuída à líder da oposição venezuelana María Corina Machado, pela sua luta a favor de uma transição pacífica para a democracia. Já em 2024, o prémio foi para Nihon Hidankyo, a organização japonesa de sobreviventes das bombas atómicas; em 2023, para a activista iraniana Narges Mohammadi; e em 2022, para o bielorrusso Ales Bialiatski, juntamente com a ONG russa Memorial e o Centro para as Liberdades Civis da Ucrânia.
O Nobel da Paz encerra a semana de atribuição de cinco de seis galardões:
Na próxima segunda-feira, dia 12 de Outubro, será anunciado o Prémio Nobel da Economia.
Quem é Navy Pillay?
Navy Pillay é uma jurista sul-africana e defensora dos direitos humanos que dedicou grande parte da sua carreira profissionalao combate à discriminação, à tortura e à violência contra as mulheres. Nascida em 1941, foi a primeira mulher a exercer a advocacia na província sul-africana de Natal, em 1967.
Durante o apartheid, defendeu activistas perseguidos pelo regime e contribuiu para denunciar os abusos cometidos contra os presos políticos. Participou também em iniciativas para incorporar a igualdade e a protecção contra a discriminação na Constituição da África do Sul.
Ao longo da sua carreira, Pillay ocupou vários cargos na justiça internacional. Foi magistrada do Tribunal Penal Internacional para o Ruanda, onde contribuiu para o desenvolvimento da jurisprudência sobre violência sexual e genocídio, e posteriormente exerceu funções como juíza do Tribunal Penal Internacional. Em 2008, foi nomeada Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, cargo que desempenhou até 2014. A partir desta posição, trabalhou na defesa dos direitos fundamentais e na denúncia de violações dos direitos humanos em diversas partes do mundo."
Constanza V. Paura, National Geographic

sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Anne Carson foi galardoada com o Prémio Nobel da Literatura de 2026


"Poeta, ensaísta e tradutora canadiana Anne Carson foi galardoada com o Prémio Nobel da Literatura de 2026, “pela sua obra audaz e inventiva que, num diálogo lúdico com a tradição clássica, criou novas formas para a literatura contemporânea”.
A escritora, de 76 anos, é conhecida pelo estilo híbrido, que combina poesia e prosa, bem como narrativas contemporâneas com o mito antigo.
A Academia declarou: “Quase toda a sua produção literária se centrou na intersecção entre a obsessão do filólogo pelas palavras e o desejo do poeta de encontrar novos sentidos. A própria autora identificou a etimologia das palavras como ponto de partida para todo o seu trabalho.”
Entre as obras mais conhecidas de Carson contam-se a estreia, em 1986, “Eros the Bittersweet”, uma análise do prazer e da dor do desejo na literatura grega antiga; a obra de 1998, muitas vezes apontada como a sua maior, “Autobiography of Red: A Novel in Verse”, um romance queer de passagem à idade adulta que reimagina um poema grego sobre Héracles; “The Beauty of the Husband: A Fictional Essay in 29 Tangos” (2001); e “Norma Jeane Baker of Troy” (2019), que aproxima Marilyn Monroe de Helena de Tróia.
O trabalho mais recente é “Wrong Norma”, publicado em 2024.
Com este prémio, Carson torna-se apenas na 19.ª mulher a receber o Nobel da Literatura; entre as vencedoras recentes contam-se Han Kang em 2024, Annie Ernaux em 2022 e Louise Glück em 2020.
Até hoje, o prémio de literatura foi atribuído pelo comité Nobel da Academia Sueca em 119 ocasiões, a um total de 123 laureados (quatro prémios de literatura foram partilhados entre vários vencedores).
O prémio de literatura é o quarto anunciado esta semana, depois dos Nobel de 2026 em medicina, física e química.
Cada prémio este ano inclui 12 milhões de coroas suecas (1,07 milhões de euros). Os laureados recebem ainda uma medalha de ouro de 18 quilates e um diploma.
O vencedor do Prémio Nobel da Paz será anunciado na sexta-feira e o último galardão, o Prémio Sveriges Riksbank em Ciências Económicas, será divulgado na segunda-feira.
As cerimónias de entrega dos Prémios Nobel realizam-se a 10 de dezembro, no aniversário da morte de Alfred Nobel, em 1896."
Euronews