quarta-feira, 1 de abril de 2026

Um intróito maior para esta semana

 

 
Mozart's Requiem in the Basilica of the Sagrada Familia - ARTE Concert
" Quando um monumento da música sacra ressoa num espetacular cenário arquitetónico: a Orquestra e o Coro do Gran Teatre del Liceu apresentam uma magnífica interpretação do "Requiem" de Mozart dentro das muralhas da Sagrada Família, em Barcelona. As duas obras-primas inacabadas — a Basílica da Sagrada Família, um templo de luz concebido pelo arquitecto catalão Antoni Gaudí, e a Missa de Requiem em Ré menor de Mozart — encontram-se… Em perfeita harmonia, dão a impressão de formarem um todo indissociável: cada elemento arquitectónico do edifício, das colunas aos arcos e aos vitrais modernistas, parece responder ao poder dramático da partitura. Sob a enérgica direcção do Maestro Giovanni Antonini, a Orquestra e o Coro do Gran Teatre del Liceu, acompanhados por quatro solistas, imprimem a este concerto uma rara força emocional, palpável desde as primeiras notas do "Introitus". Uma experiência imersiva, enriquecida por uma produção inspirada. Concerto (França, 2025, 48 min)"
Nota: A Basílica de Gaudi acaba de ser completada com uma belíssima torre que continua o modelo pensado pelo seu arquitecto.

terça-feira, 31 de março de 2026

O poema

O poema
VII

A manhã começa a bater no meu poema.
As manhãs, os martelos velozes, as grandes flores
líricas.
Muita coisa começa a bater contra os muros do meu poema.
Escuto um pouco a medo o ruído das gárgulas,
o rodopio das rosáceas do meu
poema batido pela revelação das coisas.
Os finos ramos da cabeça cantam mexidos
pelo sangue.
Talvez eu enlouqueça à beira desta treva
rapidamente transfigurada.
Batem nas portas palavras,
sobem as escadas desta intimidade.
É como uma casa, é como os pés e as mãos
das pessoas invasoras e quentes.

Estou deitado no meu poema. Estou universalmente só,
deitado de costas, com o nariz que aspira,
a boca que emudece,
o sexo negro no seu quieto pensamento.
Batem, sobem, abrem, fecham,
gritam à volta da minha carne que é a complicada carne
do poema.

Uma inspiração fende lírios na minha testa,
fende-os ao meio
como os raios fendem as direitas taças de pedra.
Eu sorrio e levo pela mão essa criança poderosa,
uma visita do sangue cheio de luzes interiores.
Acompanho, como tocando uma espécie de paisagem
levitante,
as palavras pessoas caudas luminosas ascéticas aldeias.

É a madrugada e a noite que rolam sobre os telhados
do poema. É Deus que rola e a morte
e a vida violenta. E o meu coração é um castiçal
à beira
do povo que até mim separa os espinhos das formas
e traz sua pureza aguda e legítima.
– Trazem liras nas mãos, trazem nas mãos brutais
pequenos cravos de ouro ou peixes delicados
de música fria.

- Eu enlouqueço com a doçura dos meses vagarosos.

O poema dói-me, faz-me.
O povo traz coisas para sua casa
do meu poema.
Eu acordo e grito, bato com os martelos
dos dias da minha morte
a matéria secreta de que é feito o poema.

– A manhã começa a colocar o poema na parte
mais límpida da vida. E o povo canta-o
enquanto crescem os campos levantados
ao cume das seivas.
A manhã começa a dispersar o poema na luz incontida
do mundo.
 
Herberto Helder, in Poemas completos. Série Grandes Escritores, Rio de Janeiro: Editora Tinta-da-China, 2016 – p. 39.

segunda-feira, 30 de março de 2026

A construção da Ponte de Brooklyn

 
A construção atribulada da Ponte de Brooklyn, em Nova Iorque
por Javier Zori del Amo
"Da dezena de pontes que atravessam o East River, só a de Brooklyn alcança a categoria de ícone graças à sua arquitectura – e a uma história singular.
A Ponte de Brooklyn não é apenas um emblema da arquitectura nova-iorquina – é também um símbolo literário e cinematográfico imortalizado em inúmeras obras da cultura popular. É uma das construções mais icónicas de Nova Iorque e caminhar na sua faixa pedonal, partilhada com ciclistas, tornou-se uma das experiências essenciais para quem visita a cidade. Atravessar a ponte ao entardecer, especialmente no sentido Brooklyn-Manhattan, proporciona uma vista espectacular do perfil iluminado da ilha – uma recepção quente e majestosa da cidade que nunca dorme.
A história da ponte de Brooklyn é marcada por perseverança e sacrifício. Desenhada pelo engenheiro John August Roebling, a ponte começou a ser construída após a aprovação do projecto, em 1867. Roebling já provara a sua genialidade em obras como o passadiço das Cataratas do Niágara, mas não chegou a ver a ponte terminada.
Um acidente ceifou-lhe a vida em 1869, deixando o seu filho Washington Roebling encarregado da obra monumental. No entanto, também Washington foi vítima de um golpe duro. Afectado pela “doença de Caisson”, uma condição causada pela descompressão rápida após a realização de trabalhos a grandes profundidades debaixo de água, ficou parcialmente paralisado.
Emily Warren e a ponte de Brooklyn
Foi então que a sua esposa, Emily Warren Roebling, se tornou a verdadeira heroína do projecto. Sem conhecimentos prévios de engenharia, Emily assumiu a direcção da ponte, servindo de intermediário entre o seu marido e os trabalhadores, supervisionando as obras e estudando engenharia para concluir a estrutura. É-lhe atribuído o mérito de ter levado o projecto a termo com sucesso, tornando-se assim uma figura-chave da história da ponte.
A ponte foi finalmente inaugurada no dia 24 de Maio de 1883, numa cerimónia presidida por Chester A. Arthur. Com quase dois quilómetros de comprimento e as suas torres neogóticas, foi considerada a oitava maravilha do mundo. Durante anos, foi a estrutura mais alta do Ocidente, consolidando a sua posição como uma das jóias da engenharia do século XIX. Além disso, em termos urbanísticos, a sua construção foi fundamental para a consolidação da Área Metropolitana de Nova Iorque em 1898, unindo Manhattan a Brooklyn, Queens, Staten Island e ao Bronx.
Actualmente, a Ponte de Brooklyn continua a ser uma peça essencial na infra-estrutura de Nova Iorque, embora também tenha evoluído como espaço de recreio. Nova-iorquinos e turistas desfrutam de caminhadas ou passeios de bicicleta na ponte, contemplando as vistas únicas de Manhattan e Brooklyn. Os acessos são fáceis em ambas as margens do rio. Em Manhattan é possível aceder-lhe a partir de uma plataforma de madeira em Centre Street, perto da estação de metro Brooklyn Bridge-City Hall.
Um passeio em DUMBO
Em Brooklyn, as escadas ficam em Washington Street e Prospect Street, perto de Cadman Square. Uma vez em Brooklyn, o bairro de DUMBO (Down Under the Manhattan Bridge Overpass) é uma paragem obrigatória. Esta zona, outrora um distrito industrial, transformou-se num vibrante epicentro cultural e gastronómico, com uma vasta oferta de restaurantes, galerias de arte e lojas.
Com as suas ruas enfeitadas e ambiente moderno, DUMBO proporciona uma vista inigualável da ponte de Brooklyn e do skyline de Manhattan. É um bairro em constante mudança, onde antigos armazéns industriais transformados em lofts de luxo convivem com espaços de trabalho modernos e lojas. O Brooklyn Bridge Park, situado junto à margem do East River, é outro sítio perfeito para relaxar e desfrutar das melhores vistas da ponte, sobretudo ao cair da noite, quando as luzes da cidade transformam o horizonte num espectáculo inesquecível."
Javier Zori del Amo, in National Geographic, Outubro de 2025

domingo, 29 de março de 2026

Ao Domingo Há Música

La saeta

Quién me presta una escalera
para subir al madero,
para quitarle los clavos
a Jesús el Nazareno?
Antonio  Machado , La saeta , Campos de Castilla


Aqui junto a nós , há  ritmos que sabem dar ao tempo a forma que lhes é própria. 
É assim , nesta época , em Espanha, na Andaluzia que tão marcadamente celebra a semana santa. 
Fica a voz de  India Martinez, em La saeta, canção de Joan Manuel Serrat , adaptação de um poema de Antonio Machado.
Jennifer Jessica Martínez Fernández (Córdoba, 1985), mais conhecida por India Martínez, é uma cantora espanhola. Aos 12 anos participou no programa televisivo Veo Veo, apresentado por Teresa Rabal, e foi finalista. Durante estes anos, começou a estudar guitarra clássica e teoria musical, ganhando vários primeiros prémios em festivais de flamenco. Gravou o seu primeiro álbum, Azulejos de lunares, em 2004, aos 17 anos. India Martínez lançou o seu segundo álbum, Despertar, em 2008, que foi nomeado para dois Grammy Latinos, e em 2012 conquistou o seu primeiro Disco de Ouro com Trece verdades. India Martínez venceu o Prémio Goya de Melhor Canção Original por "Niño sin miedo", do filme "El niño", em 2015. Em 2019, homenageou o humilde bairro de Las Palmeras, em Córdoba, onde cresceu, com o álbum Palmeras. Recebeu a Medalha da Andaluzia em 2017. 
A letra de "La Saeta" baseia-se num poema de Antonio Machado, publicado em "Campos de Castilla" (1912). Foi imortalizada como canção por Juan Manuel Serrat, que compôs a canção e a incluiu no seu álbum de 1969, dedicado a Antonio Machado, o poeta sevilhano que morreu a caminho do exílio. A Andaluzia acolheu-a e é uma canção frequentemente interpretada durante a Semana Santa, tendo-se tornado uma marcha processional. Deixando de lado o discurso crítico sobre a Semana Santa do republicano Antonio Machado, e com a música do cantor e compositor catalão Joan Manuel Serrat, a canção alcançou um estatuto independente como parte da banda sonora da Semana Santa andaluza. 
A primeira adaptação de "La Saeta", de Serrat, como marcha processional foi interpretada pelo grupo musical Santísimo Cristo de la Buena Muerte, de Ayamonte, Huelva. A banda María Santísima de las Angustias gravou a primeira versão para a Semana Santa em Sevilha, em 1986, para acompanhar a procissão do Cristo de los Gitanos, na manhã de Sexta-feira Santa. A partir desse momento, La Saeta alcançaria grande popularidade como marcha processional.
   
 India Martinez Coro ArteSí de Olvidados , em Niño Sin Miedo.
 

sábado, 28 de março de 2026

Eugénio Lisboa cita Roger Martin du Gard

Eugénio Lisboa , como grande pensador , não deixava de citar muitas reflexões de outros grandes escritores que se convertiam em belos e enriquecedores momentos de leitura. 
Eis algumas  retiradas do romance Os Thibault de Roger Martin du Gard , que constam  do seu primeiro volume de Memórias , Acta est fabula. I. Lourenço Marques – 1930-1947

"Deixo aqui, do grande escritor francês, Roger Martin du Gard,  algumas pérolas, todas colhidas nos Thibault:
– “Não há verdade, a não ser provisória... Tactear, hesitar. Não afirmar nada, definitivamente. Todo o caminho em que nos lançamos a fundo torna-se um impasse. Curarmo-nos do gosto da certeza.”

– Jacques: “Um dos dias decisivos da minha vida foi aquele em que compreendi que o que, em mim, era, pelos outros, julgado repreensível, perigoso, era, pelo contrário, o melhor, o mais autêntico de mim.”

– “O orgulho é a minha alavanca, a alavanca de todas as minhas forças. Sirvo-me dele. Tenho perfeitamente esse direito. Será que se não trata, antes de mais nada, de utilizar as nossas forças?”

– “Armadilha do diabo. Disfarçar o orgulho não é o mesmo que ser modesto. Mais vale deixar saltar à vista os defeitos que se não soube vencer, fazer disso uma força, do que mentir e enfraquecer, dissimulando-os.”

– “Nunca se está só, quando se está à mesa de trabalho.”

– “É tentador desembaraçarmo-nos do fardo exigente da nossa personalidade! É tentador deixarmo-nos englobar num vasto movimento de entusiasmo colectivo! É tentador acreditar, porque é cómodo, e porque é supremamente confortável! Saberás resistir à tentação?”

– “É preciso escolher as virtudes que engrandecem. Virtude suprema: a energia.”
Eugénio Lisboa, in Acta Est Fabula, I , Memórias,  Lourenço Marques - 1930- 1947 ,Editora Opera Omnia, 2012, pp.157-158

sexta-feira, 27 de março de 2026

Entre Portugal e Espanha: Uma História Fascinante

 
 Olivença - Entre Portugal e Espanha: Uma História Fascinante

"Olivença, uma cidade histórica envolta em controvérsia, é um destino repleto de monumentos únicos e eventos marcantes. Neste vídeo, exploramos a rica história desta localidade raiana, desde os primeiros registos até à atualidade, revelando o património arquitetónico e cultural que a cidade oferece. Caminhe connosco pelas ruas de Olivença e descubra os traços que revelam a sua ligação a Portugal e Espanha. 
O vídeo percorre os principais monumentos da cidade, como o Castelo, a Igreja de Santa Maria Madalena e os Paços do Concelho, destacando a importância cultural e histórica de cada local. Vamos ainda descobrir como as influências arquitectónicas portuguesas e espanholas se entrelaçam, refletindo a herança partilhada e a complexidade da história de Olivença. Além do percurso histórico, também é abordada a "Questão de Olivença", o diferendo entre Portugal e Espanha pela posse desta cidade, que dura desde há mais de 200 anos. 
Se lhe interessa a história, o património cultural ou as complexidades das fronteiras, este vídeo é uma viagem essencial pela cidade de Olivença."

quinta-feira, 26 de março de 2026

A desgraça da guerra

A desgraça da guerra, o terror
Paris, 1948 - o número
"Paris , casa de Picasso, em torno à mesa , somos uns poucos na tentativa de convencê-lo a comparecer ao Congresso de Intelectuais pela Paz que se vai reunir em Wroclaw na Polónia: Louis Aragon, Alexandre Korneichuk, Pierre Gamara, Emílio Sereni e a cineasta polaca Wanda Jacubowska, cujo filme de estreia triunfa nas salas de cinema. Wanda está sentada ao lado do pintor .
Picasso, intransigente na recusa, não irá , peçam-lhe outra coisa, pode doar um quadro, se preciso. Comparecer, jamais , perda de tempo, tem mais o que fazer , deve pintar. Gastaram-se todos os argumentos , caíram todos no vazio, terminamos por desistir, o Congresso não contará com a estrela de Guernica. Queijos, vinhos, comenta-se o filme de Wanda Jacubowska.
Picasso demora o olhar no braço nu da cineasta, vê o número gravado, pergunta de que se trata.
- Meu número no campo de concentração onde estive durante a guerra.
Picasso passa de leve a ponta dos dedos no braço da moça de Varsóvia, olha para nós, dirige-se a Aragon:
- Eu vou, podem contar comigo.
Foi e fez discurso, esteve o tempo todo. Depois desenhou para outros congressos, a Paloma signo da paz. Tocara com os dedos a desgraça da guerra, o terror."
Jorge Amado, in Navegação de Cabotagem, Publicações Europa - América, p 238

quarta-feira, 25 de março de 2026

Vamos Ler

Vamos Ler
por Eugénio Lisboa
"A leitura é, para os grandes leitores, um prazer, uma instrução e uma terapêutica. Prazer, já vimos como pode sê-lo – e de que maneira absorvente! Quanto a instrução, não há dúvida de que a grande literatura nos abre grandes e novas perspectivas sobre o mundo em que vivemos: fala-nos de lugares e de pessoas, de ideias e de emoções, de conflitos humanos e de aventuras que nos enriquecem. A falta de leitura pode ser a causa de certos impedimentos aparentemente inexplicáveis. Contava o proprietário de uma grande empresa americana, que dependia fundamentalmente do espírito inventivo dos seus engenheiros, para o êxito comercial da firma, que, a certa altura, começou a sentir-se desconfortável com o facto de nunca dar aos seus indispensáveis técnicos uma hipótese de chegarem ao topo da hierarquia da empresa. Mantinha-os a investigar, num nível mais baixo do organograma, embora com salários elevados, ficando os lugares de topo para gente do direito e da economia. Bem pagos, sim, promovidos, não. Permaneciam lá em baixo, a produzir os “gadgets” que a empresa vendia… Por fim, o proprietário, para aliviar a sua consciência, decidiu que era injusto não dar aos seus engenheiros, a quem a empresa tanto devia, a mesma oportunidade de promoção que dava aos juristas e aos economistas. E começou a promovê-los, empurrando-os suavemente pelo organograma acima. Mas acabou a verificar que, a partir de um certo nível da hierarquia, nem eles se sentiam confortáveis com as tarefas de pura gestão, nem os lugares pareciam ajustar-se-lhes. Intrigado, tentou arduamente, durante algum tempo, perceber a razão disto, uma vez que não queria que a injustiça se perpetuasse. O tempo foi passando, sem que ele chegasse a uma conclusão. Até que, um dia, para seu grande espanto, deu com a resposta: o que aos seus engenheiros faltava, para se sentirem mais confortáveis no topo da hierarquia, era um bom bocado de leitura e de cultura geral. A leitura abre-nos portas e ilumina realidades, idiossincrasias, conflitos, emoções, preconceitos, ambições, etc., que um chefe de empresa não pode ignorar. A leitura não fornece um apêndice decorativo ao grande empresário – é simplesmente uma necessidade. Um dos grandes engenheiros electrotécnicos do nosso país, que foi um grande Professor do Instituto Superior Técnico e um notável Ministro da Economia – Ferreira Dias – era também um homem de grande cultura, com a qual muito enriqueceu o seu magistério, do qual, nós, alunos, aproveitámos, gulosamente: durante as viagens de fim de curso, com ele, como cicerone, ou sempre que uma oportunidade surgia. O grande matemático, Mira Fernandes, era um homem cultíssimo, como o era Bento de Jesus Caraça, fundador da legendária Biblioteca Cosmos, e também o Professor de Física do Instituto Superior Técnico, António da Silveira (que escrevia admiravelmente). Os grandes profissionais, os verdadeiramente de topo, não rejeitam a leitura, até ao fim das suas vidas. Aprender até morrer – é o lema. O mítico empresário Henry Ford disse-o de forma categórica: “Quem quer que cesse de aprender é velho, quer tenha vinte, quer tenha cinquenta anos. Quem quer que continue a aprender mantém-se eternamente jovem.” Só os profissionais e empresários medíocres se confinam no universo estreito e fechado da sua “especialidade”. Egas Moniz foi um grande médico, um grande Professor, um notável investigador e um espírito aberto à cultura e à literatura."
Eugénio Lisboa, in Vamos Ler!, Editora Guerra e Paz, 2021, pp.42-45