sexta-feira, 26 de junho de 2026

O tal prazer da escrita

O tal prazer da escrita
por Eugénio Lisboa
“A escrita é muitas coisas mas é também uma forma de salvação: ela descobre, ela acicata a memória, fecha-nos às aflições do momento, mergulhando-nos num universo prodigioso, escudado e inacessível às turbulências exteriores. E cura-nos, pela alegria que nos dá o encontrar as palavras certas para exprimir o inefável.
A escrita é a melhor arma de defesa e de ataque de que dispomos. Nenhuma nos defende tão bem de uma ferida ou faz, nos outros, uma ferida tão perene.
A escrita foi inventada por alguém que precisava muito dela, para registar informações. Assim, começou por ser útil e passou a ser agonicamente necessária. Escrevo, logo existo. Mas também: escrevo, logo não sofro. Quando escrevo, falo de um sofrimento que já foi, mas que deixa de o ser, no momento em que o escrevo. A funda alegria de o escrever mata o sofrimento que já se sentiu, mas se apaga ante o fulgor da escrita. Como dizia Montherlant, o escritor é aquele ser peculiar, que sofre, não sofrendo.
O Camões que escreveu o “Alma minha” não sentia, no momento em que a invocava, saudades da morta, sua amada. O que ele sentia, no momento da escrita, era a alegria de escrever uma saudade, que sentira, antes de a escrever, mas que não podia sentir, no momento em que a escrevia. O escritor é um monstro que mata, sem escrúpulos, no momento de o celebrar, o mais profundo sentimento que antes o afligira, para melhor o poder glosar, com os utensílios da sua arte. A alegria de escrever, o tal prazer da escrita tem muito de inumano. O grande escritor é, na sociedade em que vive, um suspeito a vigiar, porque pode ser perigoso. Por isso, o escritor Tonio Kröger, da famosa novela de Thomas Mann, ao regressar um dia, no tarde da sua vida, coberto de glória, à sua terra natal, torna-se suspeito, aos olhos da polícia local, que o toma por um malfeitor…
Não nos esqueçamos de que o grande William Faulkner declarou um dia que seria capaz de matar meia dúzia de velhinhas, se isso lhe permitisse escrever a belíssima ODE A UMA URNA GREGA, do poeta John Keats. Um poeta é capaz de tudo, mesmo de vender a alma ao diabo, para acertar um verso ou colocar uma vírgula no lugar certo. Quem não compreende isto não compreende nada deste ofício nem dos seus oficiantes.”
Eugénio Lisboa, em 20.06.2023

 

quarta-feira, 24 de junho de 2026

Viajar pelo Sahara

O desejo de partilhar uma experiência que julgamos valiosa não se deve perder.
                 George Orwell, Porque escrevo

Sahara: Uma viagem pelas Montanhas Hoggar, no sul da Argélia pelos Amazing Places 4K.
Explore a região das Montanhas Hoggar (Ahaggar), no sul da Argélia, e descubra a paisagem desértica de altitude com as suas dramáticas formações vulcânicas e graníticas, picos irregulares, estruturas basálticas erodidas e vastos planaltos rochosos. Locais apresentados no vídeo: O Monte Ilamane é um dos picos mais icónicos e visualmente impressionantes das Montanhas Hoggar, perto de Tamanrasset, no sul da Argélia. É um proeminente remanescente vulcânico no maciço de Atakor. Assekrem (Planalto de Assekrem) é, sem dúvida, o destino mais icónico e espiritualmente impactante das Montanhas Hoggar. Trata-se de um planalto vulcânico elevado e o ponto alto de qualquer expedição ao Sahara/Hoggar. Guelta Afilal consiste em piscinas naturais em rochas que albergam água permanente, uma raridade neste ambiente árido, bem como flora única e até pequenos peixes — entre as últimas espécies de peixes sobreviventes no Sahara. O sítio arqueológico de Tagmart Tan Afella é conhecido pelos seus antigos petróglifos gravados nas rochas graníticas.
0:00 Mount Ilamane; 2:15 Road to Assekrem; 3:44 Assekrem; 5:15 Guelta Afilal; 6:08 Desert Camp with petroglyphs; 7:44 Archaeological Site Tagmart Tan Afella.
Música por  JaySound. Design, Rawvibrations / Pond5
Sobre Amazing Places on Our Planet: Vídeos de alta qualidade de destinos turísticos incríveis de todo o mundo. Mergulhe nos lugares mais belos do planeta sem a distracção das palavras. Filmado e editado por Milosh Kitchovitch (contacto comercial: ). YouTube: Site: Facebook: Instagram: Todos os vídeos no mapa 4K. More Amazing Places em 4K.

terça-feira, 23 de junho de 2026

A Mulher Adúltera

A mulher adúltera é um poema do  poeta brasileiro Manoel de Andrade que acaba de ser  musicado por Gustavo Lencin.

A Mulher Adúltera

Jesus chegara ao nascer do dia,
e ali, no Templo, ensinava o povo.
Falava a todos sobre um reino novo
e o caminho do amor a todos anuncia.

Chegam depois escribas e fariseus,
trazendo uma mulher por adultério
e citando a Lei, por tamanho vitupério,
apedrejada devia ser entre os judeus.

Que dizes tu? perguntam provocando,
para acusá-lo, se desse o seu perdão.
E vendo-o sereno a escrever no chão,
os acusadores persistem interrogando.

Ergue-se Jesus, ao ser tão provocado
e ante a pobre mulher ali prostrada,
Diz-lhes: Que dê a primeira pedrada
o que dentre vós estiver sem pecado.

E ouvindo isto, saem eles de mansinho,
o orgulho humilhado pela sapiência,
seus pecados na própria consciência
e a hipocrisia buscando outro caminho.

E no meio de todos que lá estavam
compadecido da mulher por seus errores
pergunta-lhe: Onde estão teus acusadores?
Não te condenaram os que te denunciavam?

Ninguém, Senhor, disse ela ante os demais.
Pois também eu, mulher, não te condeno,
disse com compaixão o meigo nazareno.
Vai, e de agora em diante não peques mais.

Curitiba, 24 de janeiro de 2026
Manoel de Andrade

domingo, 21 de junho de 2026

Ao Domingo Há Música

  
Quando ouço música, a minha imaginação compraz-se muitas vezes com o pensamento de que a vida de todos os homens e a minha própria vida não são mais do que sonhos de um espírito eterno, bons e maus sonhos, e de que cada morte é o despertar.
                        Arthur Schopenhauer

A música tem,  para todos nós,  a capacidade de,  em qualquer momento, nos libertar , nos levar para lá daquilo que nos apouca e , por vezes, nos atormenta. Se o sonho  liberta , a música  transforma. E quando a sentimos , o mundo engalana-se de todas as cores, em  eufónico brilho ,   conforme o desejo de cada um.
Hoje, apostamos em duetos de composições que nos agradam e ficaram na memória. As vozes souberam dar-lhe a forma que chega ao coração e faz reviver a magia que nos invadiu.

Céline Dion Luciano Pavarotti , em  I Hate You Then I Love You (Live).

   
Chris Stapleton Lady Gaga, em  When A Man Loves A Woman (2026 AI Music Video)  

Bárbara Bandeira  e Carminho , em  Onde Vais (feat. Carminho) [Official Music Video].
 
Sinéad O'Connor e Roger Waters, em Mother.
Jimmy Barnes  e Tina Turner , em  (Simply) The Best (Official Video).
  
Mary J. Blige U2, em  One (Official Music Video).
 

quarta-feira, 17 de junho de 2026

Rico e vário

Sou rico – e vário
por Eugénio Lisboa
"Tem havido quem estranhe que eu, saído de Moçambique, tenha depois dedicado tão pouca da minha atenção às literaturas africanas de língua portuguesa. Como de costume, a estranheza é que é estranha. Nascido em Moçambique e aí tendo vivido um total de 38 anos, terei sido um dos primeiros – mas não seguramente o primeiro – a dedicar alguma atenção crítica e não pouco carinho a textos importantes de uma emergente literatura africana. Mas a minha cultura, como a de quase todos os europeus residentes em África, era uma cultura fundamentalmente portuguesa, europeia e universal no melhor sentido. Nunca me inculquei – porque nem era verdade, nem era a minha verdadeira vocação – como especialista de literatura moçambicana. Estudei-a, sim, e até muito antes de outros que depois se lhe dedicaram em exclusividade. Mas tive, desde muito novo, outras apetências, outros alimentos a que nunca soube, nem quis fugir. Se a África me está no sangue, no imaginário e no coração, a Europa e as Américas não o estão menos. Aluno de engenharia, em Lisboa, a partir de 1947, a minha curiosidade insaciável por nomes como Camões, Pessoa, Vieira, Sá-Carneiro, Eça, Garrett, Camilo, Régio, Gide, Proust, Montaigne, Montherlant, Thomas Mann, Racine, Stendhal, Balzac, Shakespeare, Dickens, George Eliot, Shelley, Wordsworth, Pessoa, Sá-Carneiro, Régio, Lorca, Unamuno, Ortega y Gasset, T.S. Eliot, Sherwood Anderson, Edgar Poe, Hemingway, Faulkner, Pirandello, D’Annunzio, Huxley, Bertrand Russell, Bernard Shaw, o inimitável Oscar Wilde, Tolstoi, Tcheckov, Dostoiewsky ou Fiodor Sologub, [a minha curiosidade por todos estes nomes] nunca cessou de me devorar e estimular no melhor sentido. Se estudei Craveirinha, Luis Bernardo Honwana, Rui Knopfli, Rui Nogar ou Glória de Sant’Ana, que em Moçambique viveram (e, alguns, nasceram, e outros, ainda, nasceram e morreram), se o fiz com um cuidado e uma imparcialidade crítica que nem sempre se tem votado às literaturas africanas, não me senti por isso obrigado a jugular aquelas outras apetências que eram, para mim, vitais. De nada disto me sinto com vontade de pedir desculpa ao povo de Moçambique. Porque o povo de Moçambique tem a grandeza de Moçambique e deve portanto saber alcançar o que está para além de Moçambique. O melhor do que é particular é também universal. Foi para mim um privilégio inconcebível, uma permanente fonte de assombro – e é o assombro que leva a todas as descobertas – ter nascido em Moçambique: aqui descobri os afectos, os saberes, o respeito sagrado pelas crianças e pelos velhos, o Oceano Índico, as praias como não há outras, o amor, a leitura, a ciência, o calor, os mais bonitos outonos e invernos do universo, mas aprendi também – e assim é a humanidade – que se é muitas vezes feliz e cumulado de riquezas no meio de outros que são menos felizes e bem menos municiados pelos alimentos terrestres. Aprendi que existe a injustiça que fere como um espinho que nunca se arranca. E aprendi que a nossa simpatia para com o sofrimento dos injustiçados nos pode marginalizar numa sociedade que se construiu sobre a injustiça e teme a justiça como o fim de privilégios que se habituara a ter como bens de direito divino. Aprendi a sofrer, também, aqui, em Moçambique. E aprendi a deixar de ser feliz daquela maneira inocente de ser feliz que me visitara a infância e a adolescência, mas que a idade adulta foi desassossegando como quem mina fundações que pareciam tão sólidas. Moçambique. Dei-lhe o que podia, sendo eu quem sou. Não lhe dei, talvez, tudo quanto devia. Repito: tenho raízes em mais do que um quintal. Sou rico – e vário. Ao fim de cinquenta anos de escrever e publicar, agora que se aproxima o fim da minha aventura, agradeço do coração a todos os que me enriqueceram com o seu convívio, com as luzes que em mim acenderam, com os acordes que me encantaram os ouvidos. Moçambicanos ou não, o meu temperamento não se dá nem com a rejeição, nem com a exclusão. Dizia Montaigne – e melhor conselheiro do que ele não há! – que a diversidade é a qualidade mais universal que há no mundo. Com ela me dei sempre bem, ao seu calor me aqueci, com o seu estímulo, caminhei. E, aqui, neste Moçambique que visito provavelmente pela última vez e onde descobri, com assombro inextinguível, o milagre de estar vivo e de estar vivo com outros um pouco diferentes de mim, aqui me despeço de vós, com quem aprendi, entre outras coisas, aquilo que há muitos séculos fora já descoberto por um escravo chamado Terêncio: que, sendo humano, a nada do que é humano sou alheio.” 
Eugénio Lisboa, inTexto lido na Escola Portuguesa de Moçambique, em 7 de Junho de 2007

segunda-feira, 15 de junho de 2026

Viajar pelo Irão

Foi sempre com a legenda que se construiu a vida.
                                     Raul  Brandão
 
Irão em 4K - paisagens  incríveis com música relaxante, por Adnan Akhtar.

domingo, 14 de junho de 2026

Ao Domingo Há Música


A nuvem veio e o sol parou

A nuvem veio e o sol parou.
Foi vento ou ocasião que a trouxe?
Não sei: a luz se nos velou
Como se luz a sombra fosse.

Às vezes, quando a vida passa
Por sobre a alma que é ninguém,
A sensação torna-se baça
E pensar é não sentir bem.

Sim, é como isto: pelo céu
Vai uma nuvem destroçada
Que é véu, mau véu, ou quase véu,
E, como tudo, não é nada.
                    10-9-1934
Fernando Pessoa, in Novas Poesias Inéditas. (Direcção, recolha e notas de Maria do Rosário Marques Sabino e Adelaide Maria Monteiro Sereno.) Lisboa: Ática, 1973 (4ª ed. 1993)

Festejámos Fernando Pessoa, ontem , 13 de Junho, dia do seu aniversário. Um aniversário que já fora versejado por ele próprio, no poema "Aniversário", na voz do seu heterónimo  Álvaro Campos.  Nele, o poeta faz a  revisão do tempo que passou e que, no seu devir, alterou o sentido da festa natalícia.  A nostalgia de um tempo feliz  marca a primeira estrofe  do  poema: No tempo em que festejavam o dia dos meus anos/ Eu era feliz e ninguém estava morto./ Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,/ E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.
E , perante o desencanto que lhe provocou a passagem dos dias ,  confessa mais à frente: Hoje já não faço anos./ Duro./ Somam-se-me dias./ Serei velho quando o for./ Mais nada./ Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!
Era impossível não  festejar o seu 138º aniversário. Não nos conformámos, pelo que teimámos em dedicar-lhe o dia de ontem. E porque  a Língua Portuguesa era a sua pátria, continuamos sob a  influência deste poeta maior, ao apresentar o registo musical deste domingo na sua língua  e com  novas produções de vozes  portuguesas. 

Sara Correia, em As Mãos Do Meu Carinho.
Marisa Liz e Camané, em Gente Aberta
Letra e Música: Erasmo Carlos. Voz - Marisa Liz e Camané Mistura e masterização - Sassá Nascimento. Bateria - Ricardo Danin. Baixo - Tiago Pais Dias. Guitarra Acústica - Gui Salgueiro e Tiago Pais Dias. Viola da Terra - Gui Salgueiro. Lap Steel - Zé Nuno. Teclados - Gui Salgueiro. Programações - Gui Salgueiro. Coros - Marisa Liz e Gui Salgueiro. Produção - Gui Salgueiro, Tiago Pais Dias e Marisa Liz. Técnico de Gravação - Nuno Simões. Vídeo: Realização e Edição: Diogo Branco.

sábado, 13 de junho de 2026

Festejar Fernando Pessoa o mais universal poeta português


 Outros modernistas como Yeats, Pound, Eliot inventaram máscaras pelas quais falavam ocasionalmente… Pessoa inventava poetas inteiros
                    Robert Hass, poeta americano, a propósito dos heterónimos

"Fernando António Nogueira Pessoa nasceu em Lisboa a 13 de Junho de 1888, mas viveu a sua infância em Durban, na África do Sul. Alguns anos depois de regressar a Portugal para completar os seus estudos, e quando já tinha iniciado a modesta atividade profissional de tradutor comercial que exerceria ao longo de toda a vida, começa a publicar os seus primeiros textos e participa ativamente em tertúlias literárias, sendo um dos fundadores em 1915 da revista “Orpheu” – onde também colaboravam Mário de Sá-Carneiro, Almada Negreiros ou Santa-Rita Pintor – publicação seminal responsável pela introdução do Modernismo em Portugal. Poeta “plural como o Universo”, e que assumia que “ser poeta e escritor não é profissão, mas vocação”, a sua escrita é muitas vezes impossível de catalogar ou definir, até pela multiplicidade dos heterónimos que figuram na autoria de muitas das suas obras – onde se destacam Álvaro de Campos, Ricardo Reis, Alberto Caeiro, e Bernardo Soares – constituindo também por isso uma profunda reflexão sobre a relação entre a verdade, a existência e a identidade. A figura de Pessoa, um homem profundamente introvertido e melancólico, acaba assim por se fundir com a dos seus heterónimos, espelho duma ambição de viver outras vidas, expandindo a sua existência para além da simples condição de empregado de escritório que vivia modestamente e praticamente sem vida social. Paradoxalmente, para quem escrevia compulsivamente “como se fosse muitos”, Fernando Pessoa apenas publicou em vida alguns textos e poemas dispersos e, um ano antes da sua morte, a colecção de 44 poemas “Mensagem”, obra épica, metafórica e profética, onde apresenta a sua visão patriótica dum Quinto Império, tentando encontrar um sentido para a antiga grandeza de Portugal e a decadência existente na época em que o livro foi escrito. Aquele que trazia consigo “todos os sonhos do Mundo” e para quem “a Pátria é a língua portuguesa”, viria a falecer em 1935 tal como viveu, só."
Casa Fernando Pessoa

 

Fernando Pessoa 01 - Mariza, Camané, Madredeus, Mísia, Dulce Pontes & Salvador Sobral (letra)
00:12 - Há uma música do povo
Intérprete: Mariza e Sinfonietta de Lisboa, Lisboa - 2006 
Poema: Fernando Pessoa, 9-11-1928 - Poesias Inéditas (1919-1930)
 Música: Mário Pacheco Arranjo e regência: Jaques Morelenbaum

03:37 - Ai, Margarida
Intérprete: Camané, Antena 1 - 2013
Poema: Fernando Pessoa / Álvaro de Campos
Música: Mário Laginha

06:46 - Silfos ou Gnomos tocam?
Intérprete: Madredeus, Centro Cultural Belém - 1993
Poema: Cartas de Fernando Pessoa a Armando Côrtes-Rodrigues, 25-9-1914
Música: António Variações

12:25 - Dança de mágoas
Intérprete: Mísia
Poema: Fernando Pessoa, “Cancioneiro”
Música: Raúl Ferrão, Fado Carriche

16:32 - Infante
Intérprete: Dulce Pontes, Istambul - 2007
Poema: Fernando Pessoa, "Mensagem"
Música: Dulce Pontes, Meir Ariel e Yehuda Eder

21:07 - Presságio
Intérprete: Salvador Sobral, Fórum Cultural do Seixal - 2017
Poema: Fernando Pessoa, 1928 - Poesias Inéditas (1919-1930)
Música: Júlio Resende