terça-feira, 25 de agosto de 2026

Viajar pelas Ilhas Gregas

… viajar é sempre um desafio mental, e até no que tem de mais difícil 
viajar pode ser uma iluminação.
         Paul Theroux, A  Arte da Viagem
 
Greek Islands 4K - Scenic Relaxation Film with Calming Music
"A Grécia alberga algumas das ilhas mais belas do planeta. Desfrute deste relaxante filme em 4K que destaca a beleza das ilhas gregas. Das falésias de cortar a respiração de Zakynthos às águas cristalinas de Milos, a Grécia irá encantá-lo com as suas ilhas paradisíacas. Qual é a sua ilha grega preferida?"

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Dez pérolas de sabedoria sobre o gato





 Dez pérolas de sabedoria sobre o gato

Nos tempos antigos, os gatos eram venerados como deuses; nunca se esqueceram disso.
  Terry Pratchett

Disseram-me que o procedimento de treino, com os gatos, é muito difícil. Não é verdade. O meu gato treinou-me em dois dias.
  Bill Dana

Quem quer que alguma vez tenha lidado com gatos, durante algum tempo, sabe muito bem que os gatos têm uma paciência enorme com as limitações dos humanos.
  Cleveland Amory

Estudei muitos filósofos e muitos gatos. A sabedoria dos gatos é muito superior.
  Hyppolyte Taine

Um gato leva a outro gato.
  Ernest Hemingway

Gosto de gatos porque gosto de estar em casa; e, pouco a pouco, eles tornam-se a alma visível dela.
  Jean Cocteau

O felino mais pequeno é uma obra-prima.
  Leonardo

O céu não é um Paraíso, a não ser que os gatos estejam lá à minha espera.
  Autor desconhecido

Acredito que os gatos são espíritos que vieram para a Terra. Um gato, tenho a certeza, consegue caminhar em cima das nuvens, sem cair.
  Jules Verne

O tempo gasto com um gato não é tempo perdido.
  Sigmund Freud

Não há gatos vulgares.
  Colette

Eugénio Lisboa, in Manual Prático de Gatos para uso diário e intenso, Editora Guerra & Paz, Novembro de 2024,  pp. 8,9

domingo, 23 de agosto de 2026

Ao Domingo Há Música


Sonhando sempre eu não tinha sonhado
Que n'esta vida sonha-se acordado,
Que n'este mundo a sonhar se vive!
  Fernando Pessoa, Poesias 1942

É isso. Sonha-se e muito. De qualquer maneira , em qualquer lugar, em inesperado momento. Sonha-se . Que o mundo é azul.  A terra floresce. Os homens são felizes. A paz é um imperativo. As guerras, guerrilhas e batalhas acabaram. Que a vida é um dom a preservar, com misericórdia e  lealdade entre todos e por todos.  Que mundo fantástico seria! 
Uns dizem que é  a força da Utopia, outros chamam-lhe  apenas  Esperança.
Mas sonha-se e nós continuamos a sonhar.

As vozes que apresentamos também sonham. Vêm, de lá longe, para nos encantar num vibrato que já lhes conhecemos.
Eis a voz da talentosa Jennifer Hudson , em The Impossible Dream,  na  inauguração do Obama Museum.
Jennifer Hudson, em  The First Time Ever I Saw Your Face.
 
Patti LaBelle, Yolanda Adams, Queen Latifah, Fantasia e Jennifer Hudson  interpretam Superwoman, no   theGrio Awards!
 

sábado, 22 de agosto de 2026

Para lá do tempo


 I – Para lá do tempo
 por Maria José Vieira de Sousa

 

O presente é o lugar onde vivemos, enquanto o passado é o lugar onde sonhamos.
  John Banville, Retalhos do Tempo, um  memorial de Dublin
 
"Naquele tempo, o meu nascimento já não era uma novidade. A minha mãe sabia-lhe  todos os segredos. Desde quando os primeiros sintomas se anunciavam até à explosão final de um outro ser, de uma outra vida. Há vários anos que vinha sendo mãe. Eu era o seu terceiro filho. Não era, em precisão e em objectividade, a novidade. Aquilo que faz de uma mulher a maior geradora de riquezas e que a eleva a um patamar de transcendência total e única: a descoberta da maternidade. A minha mãe  já a descobrira há alguns anos . Ansiada, amada e bem vinda, eu vinha juntar-me à família.
Preparara tudo com mão mestra. Encomendara um soberbo enxoval, embora aproveitando algumas peças da minha irmã que nascera havia dois anos. O berço fora remodelado apenas nas forras interiores. Era uma peça valiosa,  de madeira trabalhada, que vivia na família com vaidade. Fora e seria também o leito de todos os meus irmãos. O meu pai herdara-o quando casara. Fora a aposta para o sucesso de uma grande família. Sendo ele o mais novo de sete irmãos, tinha sido o último  a usá-lo. O berço competia-lhe e, de acordo com o vaticínio da minha avó paterna, era o símbolo da fertilidade futura.
Nesse dia aprazado , nasci de mansinho. Eu, uma singular criaturinha.  Esta, que, para lá do tempo, tenta reescrever uma história que findou. Pequenina, roliça, embrulhada em vermelho púrpura , já que nascer exige também esforço para quem quer aparecer. Vinha aumentar uma família predestinada a ser numerosa.  E foi.  Seis filhos que se sucederam, ano após ano, dando à casa e à  família o estatuto real  de grandeza. E essa grandeza não era apenas  quantitativa.  Éramos muitos numa grande  casa. Mas uma casa grande onde se  respirava uma buliçosa alegria e um eufónico ruído. 
Nasci à noite. Quando o dia de um Agosto, quente e estival, estava a sumir do calendário, nesse ano glorioso. Era a véspera do dia da cidade. O meu pai, apostado em unir-me a uma data assinalável, decidiu registar-me  no dia seguinte. Pensava ele que esse gesto me traria fama e glória. Enganou-se ou enganei-o eu. Não fiquei na história dos notáveis, nem a isso me propus. 
Nasci com um sorriso a aflorar nos lábios. A minha mãe nunca se cansava de o referir. Sorriso que passou a ser um traço identificativo  e talvez o mais sedutor da minha personalidade. Mantive-o ao longo da vida. Era um sorriso único, realçava a minha mãe. Cativei-a infindamente. Ela tinha, porém, um sorriso maior do que o meu. Era a luz que sempre se acendeu desde o meu primeiro dia. Iluminava tudo à sua volta. E que falta me faz essa luz.( As mães não deveriam partir. Deixar-nos órfãos.)
A azáfama que causou o meu nascimento  obrigou à requisição de familiares. A minha avó espanhola, andaluza de Sevilha, deixou Lisboa e rumou ao Norte. Era a minha avó materna.
Recém viúva de um gentleman alemão. Efusiva e decidida, passou a comandar, com mão forte, os empregados da casa e os netos.  Isolou  a minha mãe e com ela ,lá fui eu, também, para os aposentos mais recônditos da casa. Pretendia resguardar-nos da agitação de uma casa habitada por adultos e por crianças e dos intensos ruídos que campeavam pela rua devido à festa da cidade. Nos primeiros dias, a minha mãe aceitou as regras impostas com algum agrado e também pela conformidade que tinham com os preceitos, então, usuais e seguidos pelas  parturientes. Os partos  eram feitos em casa. No entanto, havia  uma terapia definida para uma boa convalescença que passava pelo repouso e por uma  alimentação específica. À minha mãe, apesar de ter uma mãe bem esclarecida e aberta, foi-lhe totalmente aplicado esse tratamento.  Ao fim de meia dúzia de dias, o isolamento tornou-se insuportável. Era uma fatalidade a que minha mãe não queria  entregar-se. De rebelião em rebelião, decidida e  doce, ora filha dedicada , ora mãe independente, conseguiu amaciar a relutância da  minha avó e mudar-se para o quarto que lhe pertencia.
O calor e a confusão da casa em nada me perturbavam. Dormia feliz e cândida como compete a um recém- nascido. Estava na minha casa , no lugar que me haviam reservado. O quarto dos meus pais. Enorme, de tecto alto, mas acolhedor e confortável. Vivi nele os primeiros meses de vida  até completar um ano. Só lá voltei a dormir, quando a Escarlatina me tomou e foram obrigados a isolar-me por causa do contágio. Tinha eu cinco anos."
Maria José Vieira de Sousa , in O livro que já escrevi,  Maio de 2018, pp.8-10

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Os livros de Agosto da Guerra & Paz e da Gradiva

" É Agosto, mês de calor e férias. Trago-vos, pacientes leitores desta newsletter, fantasias pompeianas e alguns afagos matemáticos. Obrigado por gostarem de livros."
Manuel S. Fonseca, editor da Guerra & Paz e da Gradiva

Os meus livros de Agosto
heranças e fantasia


Os livros Gradiva de Agosto
"A fantasia abre Agosto na Gradiva. Já tínhamos, na editora, a divagação ronronante de Freud, mas faltava-nos o pequeno sobressalto original, o inspirador romance Gradiva, Uma Fantasia Pompeiana, de Wilhelm Jensen: agora sim, sabemos de que onirismo é filho o nome desta editora. Publicado pela primeira vez em Portugal, abre as novidades dos livros Gradiva deste mês.
E na pré-rentrée, nos últimos dias de Agosto, há dois romances – clássicos contemporâneos, se me autorizam o dúbio oxímoro – que a Gradiva leva às livrarias. De Michael Cunningham, vencedor do Prémio Pulitzer, regressa As Horas: a capa é nova e felicíssima, tendo lá dentro as vidas de três mulheres, que são capelas interiores e (im)perfeitas.
E com Ian McEwan voltamos a Amsterdão, romance vencedor do Booker Prize, que irónica e essencialmente se passa em Londres e começa à porta de um crematório, num funeral: impiedoso e divertido. Herança magnífica do fundador desta casa, Guilherme Valente.
Herança de Valente também são dois autores portugueses raros, magistrais e insólitos. Ora, leiam.
Jorge Calado, professor de química em Cornell e no Técnico, escreveu Após a Bomba, para uma história da ciência em Portugal (1945-2005), um livro escrupulosamente verdadeiro, com o apoio da Sociedade Portuguesa de Química, em que o autor testemunha os passos de desenvolvimento da ciência em Portugal, a partir do dia em que foi lançada sobre Hiroxima a bomba atómica.
Jorge Buescu, vencedor do Prémio Ciência Viva 2024, é um dos grandes matemáticos portugueses, mas é sobretudo um intelecto imprevisível, com um fascinante pendor para gerar as mais inesperadas e imaginativas associações, do que o leitor terá substancial prova em Casamentos e Outros Desencontros… a culpa é da matemática? Casamentos, relações humanas, economia, o cosmos até, não resistem ao penetrante afago do pensamento matemático."

«Não leias mensagens da tua mãe num clube de sexo» é a regra n.º 1 que o leitor de Olha para mim, de Sara Cate, encontra mal dá a volta à esquina do prólogo do livro. É um livro da euforia, a chancela em que a Rita Fonseca, a editora, só traz livros que brinquem com o fogo.

Os livros Guerra e Paz de Agosto
"E a Agosto a Guerra e Paz editores oferece três livros. Conversas Soltas na Casa das Palavras é uma homenagem a uma professora de português, mestre em didáctica, Emília Amor. Falecida há três anos, deixou-nos este livro, um objecto entre a ficção e a pedagogia, que só o esforço de vários professores, seus colegas e admiradores, conseguiu transformar em realidade.
Nuno Ferrão é o meu autor de Desamor. Como se saísse ele próprio de um romance, Nuno Ferrão converte-se em personagem e conta-se em Um Corpo Sob Reserva, Esclerose Múltipla. Diz-nos como convive com a esclerose múltipla, mas acima de tudo como luta contra essa esclerose que o invade, desgasta e rouba. Uma luta em que a lucidez e o humor guiam o Nuno.
Acabo com uma edição gloriosa. Em grande formato (24x33 cm) com organização dos angolanos Irene Guerra Marques e Carlos Monteiro Ferreira (Cassé), a Guerra e Paz tem a honra de editar a «reconstituição» da célebre revista Mensagem, a voz dos naturais de Angola, de que se publicou, em Luanda, o primeiro número, em Julho de 1951, saindo os números 2, 3 e 4 em conjunto, em Outubro de 1952. Com o mecenato exclusivo do dstgroup, a quem a cultura portuguesa (a angolana também) muito deve. Além das livrarias portuguesas, haverá mil exemplares a ser distribuídos em Angola, 200 dos quais doados a um grupo vasto de bibliotecas e entidades ligadas ao ensino. Em fac-símile, aqui se encontram poemas memoráveis de Viriato da Cruz, textos de Mário Pinto de Andrade, intervenções de Óscar Ribas, Mário António e Agostinho Neto, no que quis ser simultaneamente afirmação estética e fundacional de uma literatura e de uma pátria. Um documento histórico."
Manuel S. Fonseca, editor da Guerra & Paz e da Gradiva

terça-feira, 18 de agosto de 2026

Viajar por África, Namíbia

Em África , tudo se dilata com o calor, inclusivamente a dimensão do tempo e do espaço, isto é, há muito espaço e muito tempo. A África é enorme, nunca mais acaba, e os dias vão durando por ali fora e dão tempo para tudo e ainda sobra tempo. Trabalha-se devagar, mexemo-nos devagar, amamos devagar ( nem sempre). A vida, ali, dura mais, mesmo quando dura pouco.
           Eugénio Lisboa, Acta Est Fabula-Memórias I
 
NAMIBIA 4K - A Visual Escape to Africa's Wild Beauty & Nature
NAMÍBIA 4K - Uma Viagem Relaxante pela Natureza e Vida Selvagem em Ultra HD "Embarque numa viagem 4K de cortar a respiração pelas paisagens majestosas e pela alma selvagem da Namíbia. Desde as imponentes dunas vermelhas de Sossusvlei e as árvores misteriosas de Deadvlei, até aos penhascos escarpados de Spitzkoppe, aos desfiladeiros profundos e à costa selvagem onde o deserto se encontra com o oceano. Mergulhe em paisagens sonoras tranquilas e música relaxante, criadas para lhe proporcionar paz, admiração e o espírito indomável de África. Ideal para relaxar, estudar, criar um ambiente agradável ou simplesmente admirar o mundo natural em 4K Ultra HD."

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Pensamento para hoje


Das utopias

Se as coisas são inatingíveis... ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos se não fora
A mágica presença das estrelas!
Mario Quintana, in Espelho Mágico,
1945-1951,  Editor Globo.

domingo, 16 de agosto de 2026

Ao Domingo Há Música













Naturalidade

Europeu, me dizem.
Eivam-me de literatura e doutrina
europeias
e europeu me chamam.

Não sei se o que escrevo tem raiz a raiz de algum
pensamento europeu.
É provável ... Não. É certo,
mas africano sou.
Pulsa-me o coração ao ritmo dolente
desta luz e deste quebranto.
Trago no sangue uma amplidão
de coordenadas geográficas e mar Índico.
Rosas não me dizem nada,
caso-me mais à agrura das micaias
e ao silêncio longo e roxo das tardes
com gritos de aves estranhas.

Chamais-me europeu? Pronto, calo-me.
Mas dentro de mim há savanas de aridez
e planuras sem fim
com longos rios langues e sinuosos,
uma fita de fumo vertical,
um negro e uma viola estalando.
Rui Knopfli, Antologia Poética, organização de Eugénio Lisboa, Editora UFMG, 2010

África é um imenso , belo e diverso continente. A grandiosidade da sua dimensão permite uma enorme riqueza de sons . Há vozes que nos chegam ainda impregnadas da largueza das savanas e do doce marulhar dos mares.
Quem nasceu, viveu ou visitou África ficou preso na beleza daqueles largos horizontes. O fascínio desse imenso continente captura para sempre quem ousa mergulhar no mar dos muitos e longos areais, quem se perde na frondosa vegetação das suas terras , quem se atreve a descobrir a savana, o planalto ou o deserto.
Descobrir África é também ouvir o seu cantar . A canção foi e será uma das mais vigorosas expressões do sentir africano
 
Waloyo Yamoni, de Christopher Tin pelo St. Albert Catholic Choir, UNIBEN/UBTH. 
"Waloyo Yamoni", de Christopher Tin, é uma peça cativante enraizada na tradição africana, cantada em Lango, uma língua ugandesa. Significa "Vencemos o Vento". A canção é uma profunda metáfora de esperança e perseverança na adversidade, refletindo o tema do último concerto de Natal do coro: "A Esperança para Todas as Nações". 
Esta peça, com os seus ritmos marcantes e melodias cativantes, evoca a união e a força em tempos difíceis, oferecendo inspiração e ancorando na promessa de Romanos 15:13: "Que o Deus da esperança vos encha de toda a alegria e paz, pela vossa fé, para que transbordeis de esperança, pela força do Espírito Santo."