sábado, 10 de outubro de 2026

Navanethem Pillay: Prémio Nobel da Paz 2026


Navanethem Pillay

"O Prémio Nobel da Paz é o único que nunca falha em Oslo: é atribuído por um comité de cinco membros nomeados pelo Parlamento norueguês, de acordo com o testamento de Alfred Nobel.
O Prémio Nobel da Paz de 2026 foi atribuído a Navanethem Pillay "pelos seus esforços para promover a paz e o direito internacional". O comité tornou pública a decisão nesta sexta-feira, 9 de Outubro, em Oslo. 
Navi Pillay, no seu papel de Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, proferiu uma frase que resume um dos pilares éticos mais importantes da diplomacia internacional: "A credibilidade do trabalho em matéria de direitos humanos depende do compromisso com a verdade".
O Prémio Nobel da Paz é o único que não é atribuído em Estocolmo: é concedido por um comité de cinco membros nomeados pelo Parlamento norueguês, seguindo o testamento de Alfred Nobel. O inventor da dinamite deixou escrito em 1895 que deveria ser premiado quem mais tivesse feito pela fraternidade entre as nações, pela redução dos exércitos e pela promoção de congressos de paz. É atribuído desde 1901 e, este ano, está dotado de 12 milhões de coroas suecas, cerca de um milhão de euros. A cerimónia terá lugar em Oslo a 10 de Dezembro, data do aniversário da morte de Nobel.
No ano passado, a distinção foi atribuída à líder da oposição venezuelana María Corina Machado, pela sua luta a favor de uma transição pacífica para a democracia. Já em 2024, o prémio foi para Nihon Hidankyo, a organização japonesa de sobreviventes das bombas atómicas; em 2023, para a activista iraniana Narges Mohammadi; e em 2022, para o bielorrusso Ales Bialiatski, juntamente com a ONG russa Memorial e o Centro para as Liberdades Civis da Ucrânia.
O Nobel da Paz encerra a semana de atribuição de cinco de seis galardões:
Na próxima segunda-feira, dia 12 de Outubro, será anunciado o Prémio Nobel da Economia.
Quem é Navy Pillay?
Navy Pillay é uma jurista sul-africana e defensora dos direitos humanos que dedicou grande parte da sua carreira profissionalao combate à discriminação, à tortura e à violência contra as mulheres. Nascida em 1941, foi a primeira mulher a exercer a advocacia na província sul-africana de Natal, em 1967.
Durante o apartheid, defendeu activistas perseguidos pelo regime e contribuiu para denunciar os abusos cometidos contra os presos políticos. Participou também em iniciativas para incorporar a igualdade e a protecção contra a discriminação na Constituição da África do Sul.
Ao longo da sua carreira, Pillay ocupou vários cargos na justiça internacional. Foi magistrada do Tribunal Penal Internacional para o Ruanda, onde contribuiu para o desenvolvimento da jurisprudência sobre violência sexual e genocídio, e posteriormente exerceu funções como juíza do Tribunal Penal Internacional. Em 2008, foi nomeada Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, cargo que desempenhou até 2014. A partir desta posição, trabalhou na defesa dos direitos fundamentais e na denúncia de violações dos direitos humanos em diversas partes do mundo."
Constanza V. Paura, National Geographic

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