"A coisa mais indispensável a um homem é reconhecer o uso que deve fazer do seu próprio conhecimento" Platão
quarta-feira, 22 de abril de 2026
No Dia Mundial da Terra
terça-feira, 21 de abril de 2026
Poesia e Música
Mariza, em "Há uma música do povo
Há uma música do povo
Há uma música do povo,
Nem sei dizer se é um fado —
Que ouvindo-a há um chiste novo
No ser que tenho guardado...
Ouvindo-a sou quem seria
Se desejar fosse ser...
É uma simples melodia
Das que se aprendem a viver...
E ouço-a embalado e sozinho...
É essa mesma que eu quis...
Perdi a fé e o caminho...
Quem não fui é que é feliz.
Mas é tão consoladora
A vaga e triste canção...
Que a minha alma já não chora
Nem eu tenho coração...
Se uma emoção estrangeira,
Um erro de sonho ido...
Canto de qualquer maneira
E acaba com um sentido!
9-11-1928
Fernando Pessoa, in Poesias Inéditas (1919-1930).. (Nota prévia de Vitorino Nemésio e notas de Jorge Nemésio.) Lisboa: Ática, 1956 (imp. 1990).
Fado Português
O Fado nasceu um dia,
quando o vento mal bulia
e o céu o mar prolongava,
na amurada dum veleiro,
no peito dum marinheiro
que, estando triste, cantava,
que, estando triste, cantava.
Ai, que lindeza tamanha,
meu chão , meu monte, meu vale,
de folhas, flores, frutas de oiro,
vê se vês terras de Espanha,
areias de Portugal,
olhar ceguinho de choro.
Na boca dum marinheiro
do frágil barco veleiro,
morrendo a canção magoada,
diz o pungir dos desejos
do lábio a queimar de beijos
que beija o ar, e mais nada,
que beija o ar, e mais nada.
Mãe, adeus. Adeus, Maria.
Guarda bem no teu sentido
que aqui te faço uma jura:
que ou te levo à sacristia,
ou foi Deus que foi servido
dar-me no mar sepultura.
Ora eis que embora outro dia,
quando o vento nem bulia
e o céu o mar prolongava,
à proa de outro velero
velava outro marinheiro
que, estando triste, cantava,
que, estando triste, cantava.
José Régio, in 'Poemas de Deus e do Diabo'
segunda-feira, 20 de abril de 2026
No reino do ditador
depois de constante bombardear,
aquele cadáver frio que procria,
sem sabedoria nem alegria,
onde se tortura com arrogância,
e se mata irmão ou filho, que importa,
é preciso é desamparar a porta,
até aí, imóvel, caminhar,
imparável e ameaçadora besta,
outra floresta, até aí quieta,
em direcção a Macbeth, como seta!
11.05.2023
Eugénio Lisboa
| 133- Putin caricature stock illustrations |
Nero recomendava o suicídio
ou mandava a guarda pretoriana
ou também usava o matricídio,
querendo livrar-se de algum sacana.
O melhor modo de fazer calar
um adversário muito eloquente
é, sem mais, fazê-lo assassinar,
de modo rápido e eficiente.
Navalny foi agora “afastado”,
porque incomodava muita gente.
Putine, naturalmente agastado,
disse: “Quem me livra deste demente?”
Os seus assessores compreenderam
e, muito prestamente, procederam.
16.02.2024
Eugénio Lisboa SONETO MUITO GAUCHE PARA USO DOS
OPRESSORES DO MOMENTO
Os ditadores usam a cartilha
normalmente usada por quem oprime.
O opressor percebe bem que trilha
inocentes e que nada o redime.
A razão do opressor é a força,
já que outra razão não tem.
Porém a força a razão reforça
e a razão faz da força seu refém.
A sabedoria dos opressores
é o contrário de saber viver:
o uso constante dos seus terrores
é sementeira que fará colher
os tais destemidos frutos da ira,
que atira os restos da força à pira!
25.02.2022
Eugénio Lisboa, in Poemas em tempo de guerra suja , Editora Guerra & Paz , Setembro de 2022, p 17
domingo, 19 de abril de 2026
Ao Domingo Há Música
Música é a expressão perfeita de um Mundo Ideal que nos é comunicado através da harmonia. Esse mundo existe não a um nível superior ou inferior ao mundo real, mas paralelamente a este.Albert Camus, escritos de juventude.
sábado, 18 de abril de 2026
A propósito de Fernando Pessoa
Quando falo com sinceridade não sei com que sinceridade falo. Sou variamente outro do que um eu que não sei se existe (se é esses outros).
Sinto crenças que não tenho. Enlevam-me ânsias que repudio. A minha perpétua atenção sobre mim perpetuamente me aponta traições de alma a um carácter que talvez eu não tenha, nem ela julga que eu tenho.
Sinto-me múltiplo. Sou como um quarto com inúmeros espelhos fantásticos que torcem para reflexões falsas uma única anterior realidade que não está em nenhuma e está em todas.
Como o panteísta se sente árvore [?] e até a flor, eu sinto-me vários seres. Sinto-me viver vidas alheias, em mim, incompletamente, como se o meu ser participasse de todos os homens, incompletamente de cada [?], por uma suma de não-eus sintetizados num eu postiço.
Fernando Pessoa, "Páginas Íntimas e de Auto-Interpretação. Fernando Pessoa". Lisboa: Ática, 1966. p. 93.
Eu olho com saudade esse futuro
Em que serei mais novo que depois,
E essa saudade, com que me sinto dois,
Cerca-me como um mar ou como um muro.
Não descreio, nem creio; mas ignoro:
‘Stou posto onde se cruzam as estradas,
Multiplicando definidos nadas,
E no meio do jogo amuo e choro.
O presságio roeu os meus prenúncios.
Velei a esfinge com serapilheiras.
E os jardins dispostos em quincúncios
Dão sobre esteiras de mar morto e vago,
E um vapor de corda, sem bandeiras,
Pára no tanque, que nos finge um lago.
Fernando Pessoa, (escrito em 28.5.1924), in Poesia 1902-1917, Assírio e Alvim, [ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine], 2005.
Eu amo tudo o que foi
Tudo o que já não é,
A dor que já me não dói,
A antiga e errónea fé,
O que só dor deixou,
O que deixou alegria
Só porque foi, e voou
E hoje é já outro dia.
Fernando Pessoa, (escrito em 1932), in Poesia 1931-1935, Assírio e Alvim, [ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine], 2005.
quinta-feira, 16 de abril de 2026
A actualidade em cartoon
quarta-feira, 15 de abril de 2026
Um dueto sinfónico
A música cria para nós um passado que ignorávamos e desperta em nós tristezas que tinham sido dissimuladas às nossas lágrimas.
Oscar Wilde
terça-feira, 14 de abril de 2026
Índia : Mani Bhavan, a casa de Mahatma Gandhi
| Rua Laburnum , sede do Mani Bhavan, Museu Mahatma Gandhi, no bairro de Gamdevi, Bombaim, Índia. |
| Mani Bhavan |
| Mani Bhavan |
No primeiro andar , há uma série de fotografias de Gandhi, da família, da sua acção anterior na África do Sul e posterior acção na ìndia.
No segundo andar, encontra-se o quarto de Gandhi, preservado no seu estado original. Aí, Gandhi teve a sua primeira lição na arte de fiar e bebeu o seu primeiro copo de leite de cabra, quando a sua saúde se deteriorou. As paredes foram convertidas numa galeria de fotografias, que mostram diferentes momentos da vida do líder.
Neste andar, as paredes das divisões contíguas ao quarto estão repletas de quadros representativos de momentos importantes da vida e luta de Mahatma Gandhi.




