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terça-feira, 12 de abril de 2011

Os segredos do Universo

Buraco negro «mãe» do Universo teria a massa de 3.000 sóis
O útero cósmico no qual o nosso Universo terá sido gerado era um buraco negro da categoria peso-pesado, cuja massa seria equivalente a 3.000 vezes a do nosso Sol. A tese é do físico polaco Nikodem Poplawski, da Universidade de Indiana, nos Estados Unidos.
Num artigo publicado no ArXiv (uma espécie de biblioteca electrónica aberta, na qual os físicos costumam divulgar versões preliminares das suas pesquisas para apreciação da comunidade científica), ele apresentou o cálculo da massa necessária para que um buraco negro produza um Universo com as características do nosso.
O investigador reacendeu a discussão sobre a possibilidade de o Cosmos ter «nascido» dentro de um buraco negro.
Ele publicou uma sequência de artigos sobre o tema no ArXiv e na revista Physics Letters B, uma das mais importantes sobre física nuclear e de partículas.
Essas publicações confrontam a teoria do Big Bang, que define que o Universo teria surgido a partir da expansão de uma grande concentração de massa e energia, comparada a uma explosão.
A questão é que, quando se considera que o Big Bang é o início de tudo, é preciso postular que a expansão do Universo teria começado a partir de um ponto incrivelmente pequeno, de densidade e energia infinitas.
Para os físicos, esses infinitos são suspeitos, porque é impossível investigar o que acontecia no momento inicial da expansão cósmica.
Uma das formas de resolver o problema é propor que o Big Bang não foi o começo de tudo o que existe, mas uma perturbação no interior de um buraco negro em outro universo, conforme defendido pelo cientista polaco.
Segundo Poplawski, todos os universos (já que haveria vários deles) estão dentro de buracos negros. E todos têm estrelas que, se altamente contraídas (quando o seu combustível acaba), dariam origem a novos buracos negros - e a novos universos.
Os números da conta saíram de uma modificação da teoria da relatividade geral de Einstein (que Poplawski tem usado nos seus estudos com frequência).
«Outros trabalhos mostram que algo acontecia antes do Big Bang», disse Poplawski. E, de facto, o investigador não está sozinho. «Poplawski não é o único a especular sobre o que poderia ter havido antes do Big Bang», afirma Roberto Belisário, físico formado pela Unicamp (Brasil).
«Entre os cosmólogos, o Big Bang já não é considerado o início da criação de tudo. Deve ter havido um antes, assim como está a haver um depois», completa.
A repercussão sobre a nova proposta do físico polaco ainda está a gatinhar.
«A teoria ainda é muito qualitativa. Só o tempo dirá qual ideia vencerá essa corrida», conclui Belisário. In “Diário Digital”, 11 Abril 2011
Outros artigos: Grupo Local                         Asteróide vai passar perto da Terra

sexta-feira, 4 de março de 2011

Nova teoria sobre o " Big Bang"


Estudo indica que meteoritos desencadearam a vida na Terra.Trabalho foi publicado na revista "Proceedings of National Academy of Sciences"


Meteoritos encontrados na Antárctida e utilizados na investigação (Imagem NASA)

Perceber como surgiu a vida na Terra sempre intrigou os cientistas, que ao longo do tempo desenvolveram várias teorias, sem  alguma vez terem comprovado alguma. Uma das mais conhecidas é a do químico sueco Svante August Arrhenius, segundo a qual a vida está espalhada pelo universo e chegou ao  nosso planeta em forma bacteriana num meteorito, que serviu como "semente" para que se desenvolvessem os organismos hoje existentes. Outra das hipóteses diz que os meteoritos não trouxeram a vida, mas os elementos e moléculas necessários para o seu aparecimento, uma teoria que é agora reforçada com uma nova investigação publicada na revista "Proceedings of National Academy of Sciences".
Trata-se de um trabalho  que traz importantes dados de apoio a esta possibilidade de que as moléculas precursoras da vida na Terra têm uma origem extraterrestre. 
Uma equipa de investigadores da Universidade  do Estado do  Arizona, nos Estados Unidos, liderada por Sandra Pizzarello, estudou  um meteorito que continha materiais orgânicos pertencentes ao grupo dos nunataks (picos rochosos expostos em áreas completamente geladas) da Antárctida.  Os cientistas pretendiam comprovar se o complexo material que forma o asteróide continha algum traço da evolução da vida terrestre.
Para isso reproduziram as condições ambientais que existiam na Terra antes do aparecimento de vida, pelo que usaram escalas temporais de laboratório (pois seria impossível recriar os tempos reais) para recriar a actividade hidrotermal, a temperatura e pressão da Terra primitiva.
Os resultados mostraram, para a surpresa dos investigadores, que este meteorito libertou uma grande quantidade de iões amónio (NH4), um importante precursor das moléculas biológicas complexas, tais como os aminoácidos ou o DNA.
Para descartar a possibilidade de que o amónio provinha da contaminação no laboratório, analisaram a composição isotópica do nitrogénio e verificaram que tal não tinha acontecido, visto que é muito diferente da que existe na atmosfera actual. Desta forma, Pizzarello e a sua equipa lançaram no seu trabalho a  ideia de  que a chegada destes meteoritos podem ter acelerado ou desencadeado a evolução das moléculas que deram origem à vida.
In "Ciência Hoje"01/03/2011