"A coisa mais indispensável a um homem é reconhecer o uso que deve fazer do seu próprio conhecimento" Platão
sexta-feira, 25 de setembro de 2026
Interlúdio musical
Baiano é um estado de espírito
SOBRE O LIVRO
FICHA TÉCNICA
Título: Bahia de todos-os-santos
Páginas: 400
Formato: 21 x 13.6 x 2.4 cm
Acabamento: Livro brochura
Lançamento: 17/08/2012 (1ª edição)
ISBN: 978-8535921373
Selo: Companhia das Letras
quinta-feira, 24 de setembro de 2026
O poema
VII
A manhã começa a bater no meu poema.
As manhãs, os martelos velozes, as grandes flores
líricas.
Muita coisa começa a bater contra os muros do meu poema.
Escuto um pouco a medo o ruído das gárgulas,
o rodopio das rosáceas do meu
poema batido pela revelação das coisas.
Os finos ramos da cabeça cantam mexidos
pelo sangue.
Talvez eu enlouqueça à beira desta treva
rapidamente transfigurada.
Batem nas portas palavras,
sobem as escadas desta intimidade.
É como uma casa, é como os pés e as mãos
das pessoas invasoras e quentes.
Estou deitado no meu poema. Estou universalmente só,
deitado de costas, com o nariz que aspira,
a boca que emudece,
o sexo negro no seu quieto pensamento.
Batem, sobem, abrem, fecham,
gritam à volta da minha carne que é a complicada carne
do poema.
Uma inspiração fende lírios na minha testa,
fende-os ao meio
como os raios fendem as direitas taças de pedra.
Eu sorrio e levo pela mão essa criança poderosa,
uma visita do sangue cheio de luzes interiores.
Acompanho, como tocando uma espécie de paisagem
levitante,
as palavras pessoas caudas luminosas ascéticas aldeias.
.
É a madrugada e a noite que rolam sobre os telhados
do poema. É Deus que rola e a morte
e a vida violenta. E o meu coração é um castiçal
à beira
do povo que até mim separa os espinhos das formas
e traz sua pureza aguda e legítima.
– Trazem liras nas mãos, trazem nas mãos brutais
pequenos cravos de ouro ou peixes delicados
de música fria.
– Eu enlouqueço com a doçura dos meses vagarosos.
.
O poema dói-me, faz-me.
O povo traz coisas para sua casa
do meu poema.
Eu acordo e grito, bato com os martelos
dos dias da minha morte
a matéria secreta de que é feito o poema.
.
– A manhã começa a colocar o poema na parte
mais límpida da vida. E o povo canta-o
enquanto crescem os campos levantados
ao cume das seivas.
A manhã começa a dispersar o poema na luz incontida
do mundo.
Herberto Helder, in Poemas completos. Série Grandes Escritores, Rio de Janeiro: Editora Tinta-da-China, 2016 – p. 39.
quarta-feira, 23 de setembro de 2026
Até sempre, Jorge Palma!
Citações do dia
Se quiseres brilhar como o sol, terás, em primeiro lugar, que queimar, como ele.
Eu uso a emoção para muitos e reservo a razão para poucos.
Só aquele que domina a juventude domina o futuro.
Ao vencedor, nunca lhe será perguntado se disse a verdade.
Recolha de
Eugénio Lisboa, 14.01.2024
terça-feira, 22 de setembro de 2026
A gratidão em poesia, num Simpósio de Medicina
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| Manoel de Andrade e Edson Gomes Tristão no 7º Simpósio da Associação Médico Espírita do Paraná |
Eu te agradeço, Senhor,
ser filho do Teu amor
e herdeiro do Universo.
Ser cantor dessa beleza,
ter um lugar nessa mesa,
pelo sabor do meu verso.
Senhor, muito obrigado,
pelos pais bons e honrados
e pelas lições da pobreza.
Pelo café com farinha,
por tudo que eu não tinha
e que fez minha riqueza
Pelo meu corpo perfeito,
pela poesia em meu peito
e os anos da minha idade.
Por todo dever cumprido,
pelo amparo recebido
e o céu da imortalidade.
Eu Te agradeço também
pela semente do bem
plantada no meu pomar.
Pela doçura desse fruto
não ter me tornado um bruto
e ter aprendido a amar.
Pela água da minha fonte,
pela linha do horizonte
e um sonho de marinheiro.
Pelo meu mar de criança
e o meu barco de esperança
percorrendo o mundo inteiro.
Pelo pão, pelo abrigo,
pelo abraço do amigo,
por Teu carinho invisível.
Agradeço-Te com veemência
esta paz na consciência
e a minha fé invencível.
Pela luz que me ilumina
desde a antiga Palestina
na alegria e na dor.
Por quem sou, pelo que sei,
por Moisés trazendo a Lei,
por Jesus trazendo o amor.
Senhor, eu Te agradeço
pela dor e o tropeço
quando ensinam uma lição.
Ninguém paga sem dever
e a Lei obriga a colher
o efeito da nossa ação.
Pela sapiência contida
no pergaminho da vida,
na magia e na razão.
Agradeço-Te a minha parte,
pela ciência, pela arte
e pela Grécia de Platão.
Por Cabral no rumo certo,
pelo Brasil descoberto,
pela pátria e o cidadão.
Pelo herói da Inconfidência,
o Grito da Independência
e a bênção da Abolição.
Pelas lições da História,
pelo povo e a sua glória
na busca da liberdade.
E pela Humanidade inteira,
quando erguer sua bandeira
pela paz e a verdade.
Grato sou por ter um sonho,
sonhar com um mundo risonho
numa paz contagiante.
Ver este Brasil fecundo,
como o coração do mundo,
em um porvir deslumbrante
e ter encarado esse embate,
com o coração despojado.
Com Tua luz nos meus passos,
a fraternidade em meus braços
e o meu sonho preservado.
Contigo, Senhor, sou forte,
tenho um fanal, tenho um norte:
amor, sensibilidade.
Eu moro na melodia,
na música, na poesia
e no farol da verdade.
Muito obrigado, Senhor
pelo trabalho e o suor,
pelo que dei e recebi.
Quando chegar meu momento,
se eu tiver merecimento,
me leva pra junto de Ti.
Curitiba, Dezembro de 2002
Manoel de Andrade, in As palavras no Espelho, Editora Escrituras, São Paulo, Brasil, 2018, pp. 255-258
segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Pensamento do Dia
domingo, 20 de setembro de 2026
Ao Domingo Há Música
Tens os olhos de Deus,E cada qual com os seusVê a lonjura que quer,E quando me tocas por dentroDe ti recolho o alentoQue cada beijo trouxer.E eu preciso de mais,Preciso de mais.Pedro Abrunhosa
sábado, 19 de setembro de 2026
O último poema
Assim eu quereria meu último poema
Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.
Manuel Bandeira, in 50 poemas escolhidos pelo autor, Ed. Cosac Naify – São Paulo, 2006, pág. 35.
sexta-feira, 18 de setembro de 2026
Uma vergonhosa e hipócrita mentira
quinta-feira, 17 de setembro de 2026
Sobre um mundo em turbulência
por Eugénio Lisboa
Se não formos autorizados a rir
no Céu, não quero ir para lá.
Martinho Lutero
O fanatismo embrutece
ou a estupidez fanatiza?
A burrice não me enternece
e o fanático barbariza.
O fanático tem certezas,
onde certezas não existem:
estão repletas de bichezas
que são nocivas e persistem.
A fé não é conhecimento,
pelo menos, até mais ver.
Transforma o mundo em turbulento
e estupora o bom viver.
Crê quem desiste de entender,
por isso o crente é perigoso:
quando não sabe convencer,
vira tirano afanoso.
O fanático não tolera
aquilo que não compreende:
torna-se logo uma fera,
filha bastarda de duende!
25.10.2023
Eugénio Lisboa, poema inédito
quarta-feira, 16 de setembro de 2026
Parabéns, querido pai
A saudade , pai, é aquilo que nos fica de tudo o que deu peso e razão à vida. E hoje a nostalgia cresce em mim, com maior intensidade . Hoje, querido pai, festejava-se o seu aniversário. Era criança , quando o descobri. E nunca mais o deixei fugir. Todos os anos, surgia radioso porque era, apenas e tão só, o seu dia. Engalanava-se a casa e todos, (éramos muitos), se concertavam nessa festa de vida.
Não sei como crescemos tão depressa. Num ápice, já não éramos filhos, mas também pais que traziam os filhos para a sua festa. E o dia era ainda maior e mais radioso. Um dia de muitos sorrisos, de muita memória viva.
Hoje, pai, estou aqui à espera de um dia que não chega. O dia que foi sempre seu. Um dia que vive no coração . Um dia que continuo a não deixar fugir. Mas um dia que dói de tanta saudade de si.
Parabéns, querido pai.
segunda-feira, 14 de setembro de 2026
Era em Setembro
Que fazer sem ti?
Era em Setembro nos anfiteatros vazios,
na alameda que subia para onde nos devíamos encontrar,
e não estavas; era um outono que caía sobre
as árvores do estádio, empurrando-lhes
as folhas para cima da mesa da esplanada, onde está vazia a mesa em
que as minhas mãos deviam procurar as tuas; era
a tua ausência em todos os lugares em que eu sabia
que poderias estar à minha espera, e só a sombra
das nuvens me trazia a memória da tua passagem, como
se fosses a ave que parte quando o primeiro sopro
do inverno se anuncia.
Que fazer sem ti, nestes anfiteatros de bancos
vazios, nos corredores melancólicos que levam para
átrios e pátios, nesses relvados onde não vale a pena
sentar-me, perguntar-te se gostas do outono, ou dizer que
os teus olhos é que valem a pena, agora que vejo, neles,
as nuvens que correm para o sul? E tu, sem estares aqui,
dizes-me que não é preciso que eu me lembre de ti; que
estás para chegar, de trás das árvores do estádio, para
limpares de folhas a mesa da esplanada, e pedires-me que
pegue nas tuas mãos, como se o inverno
não estivesse para chegar.
Mas um cansaço antigo prende-me a estes bancos
de anfiteatro; uma indecisão de passos empurra-me por
corredores e salas, em busca de um bar que fechou
há muito; o vento varreu as folhas da mesa
da esplanada, tirando a única justificação para que venhas. Abro,
então, as gavetas do passado. Tiro cartas, fotografias,
poemas, o livro em que me escreveste a frase interrompida
do amor. Como se eu não soubesse que as nuvens encheram
de sombra todas as imagens; que os pássaros levaram
para o sul tudo o que tinhas para me dizer; que
as folhas no chão cobriram o teu corpo, antes que
o inverno tivesse de o fazer.
Nuno Júdice, in Cartografia de Emoções, Publicações Dom Quixote, 2001
domingo, 13 de setembro de 2026
Ao Domingo Há Música
e temo e espero; e entre o suspiro e a rima,
alivio o meu fardo: e Amor me lima
o peito com tal força que me espanto.
Francesco Petrarca, Sonetos
sábado, 12 de setembro de 2026
AS BEM-AVENTURANÇAS
1
AS BEM-AVENTURANÇAS
Esta passagem de Mateus e Lucas foi tão estudada e comentada ao longo dos tempos que vale aqui fazer uma singela reflexão lembrando de dois fatos tão significativos na história do cristianismo. Moisés subiu a uma montanha para receber os Mandamentos da Lei e Jesus subiu a um monte para nos enviar os mandamentos do coração. Entre tantas referências, por certo a mais expressiva foram as palavras de Mahatma Gandhi (1869 – 1945) quando, numa de suas reflexões, afirmou que “Se se perdessem todos os livros sacros da humanidade e só se salvasse O Sermão da Montanha, nada estaria perdido.” (1) Essa sábia dedução de um homem tão iluminado como Ghandi indica que essa marcante passagem do Evangelho resume todo o fundamento moral do Cristianismo. Santo Agostinho escreveu o livro “Sobre o Sermão do Senhor na Montanha” onde analisa em profundidade cada detalhe da mensagem incomparável de Jesus. Martinho Lutero (1483 – 1546) dedicou ao texto vários sermões em Wittenberg, publicados em 1532 e Francois Mauriac (1885 – 1970), o grande mestre do romance francês, que descreveu Jesus em seu livro O Filho do Homem e foi laureado com o prêmio Nobel de Literatura de 1952, comentando o mais belo discurso do Divino Mestre, afirmou: "Quem nunca leu o Sermão da Montanha, não é capaz de saber o que é o cristianismo". E mesmo diante de tanta reverência, no Ocidente, essa mensagem sublime de Jesus foi deformada pela poderosa tutela “teocrática” que tinha a Igreja sobre a consciência das pessoas. A vigilância pela pureza dogmática mantida pela intolerância do Santo Ofício negava todo o elevado significado da compaixão, da caridade e do perdão que marcaram indelevelmente as palavras de Jesus. Nascida à sombra arbitrária da cura pontifícia e do trono imperial, a Inquisição marcou o desprezo absoluto pelo significado da fé, do amor e da esperança contida no Sermão da Montanha, restando às vítimas do poder eclesiástico, o desespero, a ruína e a crença na perdição irreparável da salvação da própria alma.
Finalmente, é indispensável acrescentar que no Sermão da Montanha, contido no Evangelho de Mateus, está descrito o nosso mais belo “caminho” para nos dirigir a Deus. É lá que Jesus nos ensina a orar com humildade e respeito ao Criador, proferindo a mais perfeita e a única prece que nos ensinou: o Pai Nosso."
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(1)https://www.pensador.com/frase/MjYzMDEyOA
sexta-feira, 11 de setembro de 2026
O caminho da escola para casa
"As horas na Escola não se sentiam. Passavam tão depressa que, nos primeiros meses, julguei existir um relógio diferente para a escola. Lá, as horas eram mais curtas. A novidade e a sedução das letras davam ao tempo uma dimensão diferente. Uma dimensão que se estendeu a toda a minha permanência na Escola Primária. Foi um tempo de encantamento contínuo. A professora ficou para sempre no retábulo dos eleitos da minha vida. Daqueles que me formaram e me tocaram indelével e persistentemente.
Quando o regresso para casa era feito pela estrada, havia uma paragem obrigatória, que se repetia, mesmo a contragosto da Fernanda. Ao cimo da longa estrada que saía da Vila , erguia-se uma imponente construção toda murada com grades de ferro forjado, trabalhado minuciosamente. Tinha em cada extremo um grande caramanchão , como se fossem vigias para protecção do grandioso casarão . Era pertença de um emigrante português que vivera muitos anos no Brasil e regressara rico. Era conhecida como a casa do brasileiro. Nesse tempo, havia muitos destes sinais de riqueza, vindos de emigrantes que voltavam ao solo pátrio.
Essa casa despertava a nossa curiosidade. Tinha uma colecção muito grande de pavões que nos assustava pelo tamanho e pelos sons grasnados que soltava, mas que nos atraía também. Cada um era diferente de um outro. E eram tantos, com penas de muitas e fulgurantes cores que era impossível fugir-lhes. Passeavam-se pelo jardim fronteiro à casa , deixando-se ver e contemplar. E era isso que fazíamos. Cada um de nós lançava suspiros de regozijo ou de medo conforme se abria ou fechava a cauda, que parecia um leque gigantesco. Deslocava uma grande massa de ar que atingia os nossos pequenos rostos, encostados à vedação. Saía invariavelmente um gritinho de reparo perante aquela pena azul , ou aquela outra quase dourada ou perante toda aquela cauda de inacabado circulo multicolor, que do alto da sua imponência, parecia afirmar, sem qualquer relutância, a sua insofismável idoneidade cromática.
E, após este marcado encontro, seguíamos felizes pelo caminho até casa. À medida que se reduzia a distância, éramos cada vez menos. Apenas a Catarina, a Lurdes, a Francisca seguiam quase até ao fim. Moravam perto da Quinta, um pouco para lá da estrada que lhe dava acesso.
Todos os dias, nessa estrada, passava uma figura que nunca esqueci: o Luís. Filho de um lavrador , puxava um carro de bois ou uma charrua para lavrar os campos. Cantava muito bem. Eram canções lindas que eu não conhecia. Chamavam-lhe o Luís tolo. Alto e jovem, sorria quando não cantava. Assim que escutava a sua voz , vinha a correr ao portão, para vê-lo. Os meus pais não permitiam que se abrisse o portão, nesse momento. Talvez, por isso, o fascínio fosse maior. O Luís acenava-me e sorria. Logo, em seguida, desatava a cantar e eu ficava, ali, a ouvi-lo.
Nunca tive medo do Luís. Andava descalço, mas sempre limpo e arranjado. Os pais tinham posses . Era o irmão mais novo de uma família de cinco filhos. Todos tinham estudado, excepto ele. No entanto, não havia nenhum como ele. O Luís comandava bois de sorriso nos olhos e canções na boca. Aos meus olhos, ainda tão pouco perspicazes, ele surgia como um herói, quase o D. Quixote que vim a descobrir mais tarde. Aquela insanidade era de uma pureza incontroversa, genuína.
Há também uma figura que não posso deixar de incluir. Uma figura que me traz memória de um afecto profundo que faz doer a alma de tanta saudade.
Uma parte da família de meu pai, que era nortenho, como já referi, dedicava –se ao Ensino. Havia uma série de professores e todos eles mais velhos que meu pai. Um deles, (o tio Francisco Alão, que não era bem tio porque era irmão de tio Adão, casado com a irmã do meu pai que também era professor) que já era aposentado , esperava-nos sempre junto a uma mercearia – café que ficava na esquina da estrada, que saía da vila. Todos os dias , o Tio Alão ali estava quando regressávamos da escola. Alto e forte, com uns enormes e bem penteados bigodes brancos, sorria mal nos avistava. Era uma corrida acelerada até chegar a seus braços. Levantava cada um de nós e fazia-nos sentar numa sempre reservada mesa, para lhe contarmos o dia de escola. Questionava isto e aquilo , desde a lição de Leitura, o Ditado até à aritmética no jogo incansável das contas. Mais tarde, deambulava pela História de Portugal, sem excluir a Geografia. Pelas respostas , classificava o interesse de cada um e respectiva aprendizagem. Pelo meio, contava-nos uma nova história que nunca deixava de nos deslumbrar. No fim e, em jeito de magia, extraía dos bolsos um pequeno regalo : um lápis de cor, um rebuçado, um chocolate pequeno nos dias de maior felicidade. Outros dias havia que, sem qualquer gesto de magia, nos oferecia um livro de contos. Foi assim que tivemos os Contos de Perrault, os Contos de Hans Christian Andersen , os Mais belos Contos dos irmãos Grimm , as Fábulas de La Fontaine e outros que não nomeio como “O Romance da Raposa “, de Aquilino Ribeiro.
A Escola tinha destes encantos , destas surpresas que faziam de nós crianças felizes."
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