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segunda-feira, 7 de maio de 2012

Os riscos naturais

Toda a costa portuguesa está exposta a tsunamis
"O antigo reitor da Universidade de Coimbra, Fernando Rebelo, defendeu  que toda a costa portuguesa está sujeita ao risco de tsunami, e não apenas a sul de Peniche, como consta no Mapa Oficial de Riscos.
O  académico falava em Aveiro, no Instituto Superior de Ciências da Informação e da Administração, sobre o tema «O Litoral e riscos naturais», no VII Encontro Nacional de Riscos e I Fórum sobre Riscos e Segurança, em que teceu várias críticas ao Mapa Oficial de Riscos, publicado em 2006, em anexo ao Plano Nacional da Política de Ordenamento do Território.
Embora reconhecendo que o risco é maior na costa alentejana e no Algarve, o geógrafo considerou que "um mapa de riscos de tsunami tem de ser bem pensado para Portugal" e salientou que, de acordo com dados históricos, o tsunami que se seguiu ao terramoto de 1755 teve efeitos conhecidos na Irlanda e a norte de Londres, ou mesmo na Suécia, para concluir que "o risco de tsunami está em toda a costa portuguesa".
Referiu também um artigo publicado por um grupo de geógrafos franceses que visitou Portugal e no qual estes especialistas defendem que todas as praias portuguesas devem muito ao tsunami que se seguiu ao terramoto de 1755, que terá arrastado muita areia do fundo [do mar] para as praias.
"O risco mais elevado está no sul, particularmente na costa ocidental do Alentejo e no Algarve, no resto do país é médio ou pequeno, mas não há risco zero", disse. Aquele professor salientou, por outro lado, que a origem dos tsunamis está nos terramotos, mas não é a única e são referidas como "outras causas" as erupções vulcânicas e deslizamentos.
Nessa linha, observou que "logo no início do estudo das placas tectónicas apareceu frente à Península Ibérica um Rifte (zona de fractura, acompanhada por afastamento em direcções opostas da superfície terrestre), onde havia conhecimento de muitas erupções submarinas", lembrando: "os Açores nasceram assim".
Vulcões em actividade
Rebelo salienta que tem havido vulcões a funcionar que já não estavam activos há 500 anos, para concluir que não há garantias de que um vulcão não venha a entrar em actividade nessa área, tanto mais que, ao largo da Ilha Terceira, o vulcão submarino da Serreta esteve em erupção entre 1998 e 2001, limitando a passagem na área de navios e aviões.
Para corroborar a sua tese, socorreu-se ainda de um estudo comandado pelo geólogo Vítor Forjaz, que aponta para a possibilidade de existir, na placa euroasiática, uma microplaca na zona dos Açores, com riscos graves para São Miguel.
Lembrou ainda que estudos recentes admitem a possibilidade de existir uma zona de subducção (área de convergência de placas tectónicas, onde uma delas se infiltra debaixo da outra) muito perto de Cádis, hipótese que classificou como "assustadora, principalmente se foi a responsável pelo tremor de terra em Granada [que ocorreu em 2010]".
Segundo aquele docente, que os riscos de tsunami, tufão e tempestade no mar desdobram-se em riscos de inundações no Litoral (igualmente ignorados no Mapa Oficial de Riscos), de ventos fortes e de movimentos de massa em arribas ou em vertentes.
"O conhecimento de casos já ocorridos permite ter uma melhor consciência desses riscos, tanto através da análise dos processos envolvidos, como através das vulnerabilidades existentes. Mas o facto de não serem conhecidas manifestações de riscos desse tipo num determinado local não dispensa uma análise criteriosa da possibilidade de virem a ocorrer", concluiu." in CiênciaHoje" em 2012-04-19

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Como comunicamos uns com os outros?

Estudo revela que as pessoas utilizam um ritmo à base de "descargas"
"Um estudo espanhol, que analisou nove mil milhões de chamadas durante quase um ano, é o primeiro a identificar as características do processo de comunicação e a quantificar o impacto sobre a divulgação de informações.
“Isto é muito importante em processos como a difusão de informações comerciais, mas também em situações como espalhar boatos, opiniões, políticas, etc.”, explica um dos autores da investigação, Esteban Moro, da
Universidade Carlos III de Madrid.
A principal conclusão do estudo, publicado na revista Physical Review E, é que as pessoas comunicam em rajadas. Ou seja, o nosso comportamento não ocorre uniformemente ao longo do tempo mas em ritmo de "descargas".
“Este aspecto da actividade humana, que também tem sido observado noutras actividades, tais como nos e-mails, visitas à internet ou em operações de mercado de acções, regulam a comunicação entre as pessoas”, concluem os cientistas.
O efeito das explosões é que retarda a disseminação de informações, já que os longos períodos de inactividade na comunicação entre duas pessoas são menos propensos a transferir informações de uma para a outra.
O estudo também destaca outro aspecto importante da comunicação humana: as discussões de grupo. Apesar destas acontecerem em rajadas, ocorrem ao mesmo tempo entre os membros do grupo social, o que acelera a difusão de informações dentro desses grupos.
O principal objectivo do estudo é tentar compreender o padrão temporal de comunicação entre pessoas numa rede social. “Diante da visão estática de uma rede social, o nosso estudo procura compreender quando, como e como essas relações sociais são produzidas”, diz o professor Stephen Moro. E com dois propósitos: o primeiro, ver se o ritmo da comunicação entre duas pessoas nos permite conhecer um pouco das características da relação (família, amigo, conhecido, colega, etc.); o segundo, para investigar o impacto desses ritmos na disseminação de informações em redes sociais, em processos de marketing, recomendação de produtos, etc."In Ciência Viva, 2011-09-06

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Combater a degradação dos solos


  "Amazônia....Amazônia...
  quem deterá o teu martírio
  uma vida tão diversa num  adverso viver...
  Falo dos teus hectares de sangue
  da lâmina cruel, da pira ardente
  dessa cartilha de serras, rifles e archotes
  dessa morte plural
  na diversidade de aves e primatas
  roedores, felinos e serpentes.
  Falo de uma terra de cepos
  de raízes degoladas
  de caules retalhados
  de castanheiras preservadas... a morrer de solidão.
  Falo da linha negra do fogo
  e desse cemitério de troncos defumados."
               Manoel de Andrade, in "Cantares", Ed. Escrituras,Brasil

Degradação dos solos em Portugal


Satélites combatem a degradação dos solos
24 Outubro 2011
Depois de as Nações Unidas terem assinalado, na semana passada, o Dia Mundial da Alimentação, representantes internacionais reuniram-se na Coreia do Sul para discutir formas de travar a desertificação e a consequente perda de solo produtivo. Os satélites desempenham um importante papel na monitorização e avaliação das terras secas.
A desertificação é a degradação do solo nas regiões áridas, semi-áridas e sub-húmidas secas. É causada principalmente pelas actividades humanas e pelas variações climáticas já que os ecossistemas das terras secas são extremamente vulneráveis à sobre-exploração, ao uso inapropriado da terra e às secas.
Este fenómeno tem vindo a afectar de forma muito negativa o modo de vida dos agricultores de todo o mundo, causando instabilidade nas culturas em muitas áreas. Os satélites conseguem detectar a desertificação e deste modo identificam tendências de degradação, aqui mesmo na Europa.


Estes resultados foram apresentados durante a 10ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação, em Changwon, na Coreia.
O evento que decorreu de 10 a 21 de Outubro foi uma oportunidade de discutir estratégias de contenção da perda de terreno produtivo – o que tem aumentado estrondosamente nos últimos anos.
A ESA organizou um evento paralelo sobre a monitorização e avaliação da degradação do solo, com recurso a dados de satélite.
A detecção remota, a partir do espaço, é uma ferramenta eficaz e compensatória, do ponto de vista económico, de monitorizar regularmente o efeito dos programas de combate à desertificação em grandes áreas ou em locais de difícil acesso.
Degradação dos solos em Moçambique

No projecto DesertWatch, promovido pela ESA, está a ser desenvolvido um sistema de informação baseado em tecnologias de observação da Terra para apoiar as autoridades locais e nacionais a construir, de forma simples, os relatórios sobre a evolução da degradação que devem ser enviados à UNCCD.
Nas conclusões apresentadas na conferência, o DesertWatch indicou que quase metade do solo de Moçambique está degradado. Pior ainda, 19% do solo continua a degradar-se.
Moçambique é um dos países mais pobres do mundo, com cerca de 30% das famílias a enfrentarem a carestia de alimentos.
Os satélites também detectaram desertificação em Portugal: 33% do solo está degradado. A região do Alentejo, muito importante para o cultivo dos cereais, continua a sofrer um processo de degradação .

Susceptibilidade à desertificação no nordeste do Brasil
Do outro lado do oceano, no Nordeste brasileiro, a agricultura muito intensa, associada a uma seca severa, reduziram a qualidade da vegetação em algumas áreas.
Estas áreas ficam assim mais sujeitas à desertificação – ou já estão a sofrer de todos estes processos.
Ainda não está disponível um sistema de observação global totalmente dedicado à seca.
Apesar de estarem disponíveis diversas técnicas, são necessários métodos mais desenvolvidos e uma maior integração para que se cumpram os requisitos de monitorização da desertificação, degradação do solo e processos de seca expostos pela UNCCD.
A observação a partir do espaço é a única técnica capaz de oferecer imagens contínuas com actualizações periódicas de variáveis relacionadas com a desertificação. ESA, Portugal

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

O nosso surpreendente Universo

Saul Perlmutter, Adam G. Riess e Brian P. Schmidt
(da esquerda para a direita)
Prémio Nobel da Física
Universo em gelo e céu sem estrelas: revelação abala bases da cosmologia
A descoberta da aceleração da expansão do universo através da observação de supernovas valeu o 110º prémio Nobel da Física a três cientistas norte-americanos – Saul Perlmutter, Adam G. Riess e Brian P. Schmidt – das universidades da Califórnia, Baltimore e Austrália, respectivamente.
Já, segundo escrevera o poeta Robert Frost (1920), “alguns dizem que o mundo acabará em fogo, outros em gelo”. O trabalho de investigação do trio galardoado vem refutar a Lei da Gravitação (de Isaac Newton) – que defende a ideia de que o universo se expande cada vez mais devagar. A descoberta revela que, consequentemente, "se a expansão continuar a acelerar, o universo acabará em gelo", referiram os premiados à comissão do Prémio Nobel, tal como se lê na
página oficial
.
Em entrevista ao jornal «Ciência Hoje», Ana Mourão, investigadora do Centro Multidisciplinar de Astrofísica (CENTRA) e do Departamento de Física do Instituto Superior Técnico (IST), explicou que “há já mais de 20 anos que se observa a luz das supernovas” (velas cosmológicas), ou seja, “a luz decorrente de explosões energéticas, caracterizada pela morte de estrelas quando estas arrebentam”, para perceber a que distância estão, com a ajuda de telescópios.
“Estes fenómenos astrofísicos têm uma luminosidade bem conhecida, fixa e determinada" e é possível perceber a sua distância "através da intensidade da luz detectada". Adiantou também que “a luz da explosão é tão intensa que se consegue medir mesmo estando muito longe e se esta luz demorar a chegar, ou seja, for menos brilhante do que se esperava, isto significa que estão mais longe e para tal, o universo teve de se expandir”, descreveu a investigadora do CENTRA.
A docente do IST lembrou ainda que durante muito tempo acreditou-se que, na sequência do Big Bang, a expansão do universo ocorria de forma desacelerada. “Com a explosão tudo se afastou, mas devido à presença da força gravitacional, mantinha-se em desaceleração, podendo mesmo colapsar (encolher)”. No entanto, percebendo que as supernovas são menos brilhantes, significa que estão mais longe, mais afastadas do que se pensava; logo, “o universo está a expandir-se mais rapidamente”.
Céu sem estrelas
“Já não há estrelas no céu!” A frase que dá o mote à música de Rui Veloso poderá ser outra realidade, daqui por “muitos milhões de anos”, porque “tudo irá afastar-se”, disse Ana Mourão assinalando ainda que “a distância entre os objectos do universo está a aumentar”. E acrescentou: “Agora, com o estudo das supernovas, concluiu-se que o universo está em expansão e há uma energia superior à gravitacional”.
"Não conhecemos a razão desta aceleração e deixamos de perceber 75 por cento da constituição do universo”, continuou, concluindo que “esta descoberta vem revolucionar as bases da cosmologia”.
Ana Maria Mourão tem vindo a desenvolver diferentes projectos científicos na área, como por exemplo, «Cosmologia com Supernovas» e «Propriedades de galáxias hospedeiras de supernovas e raios gamma e implicações em cosmologia» e liderou a equipa composta por dois portugueses – uma estudante de licenciatura, que desenvolveu o projecto de final de curso com Saul Perlmutter, e um aluno que já tinha terminado – que trabalharam directamente com o agora Prémio Nobel, em Berkeley.
Os premiados
Saul Perlmutter tem 52 anos e é o responsável pelo projecto «The Supernova Cosmology», desenvolvido pela Lawrence Berkeley National Laboratory da Universidade da Califórnia, a funcionar em Berkeley, nos Estados Unidos.
Em entrevista telefónica à comissão do Prémio Nobel, Adam G. Riess avançou que estava a dormir quando recebeu a notícia. E contou que “no momento em que encontrou qualquer coisa pensou que tinha cometido um erro” e, decidindo perceber qual seria, “fez novas medições que o levaram à descoberta”.
Brian P. Schmidt, de 44 anos, é o responsável pela equipa de investigação «High-z», na Universidade da Austrália, e Adam Riess, 42 anos, é astrónomo na Universidade Johns Hopkins e no Instituto de Ciência «Space Telescope», que funciona em Baltimore
. Por Marlene Moura (texto) , in “ Ciência Hoje”,  2011-10-04

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Ética, Sofrimento e Vida


A Ética e o sofrimento na perspectiva da neuro-biologia humana moderna
"A relação entre o cérebro e os desempenhos especificamente humanos foi suspeitada desde a antiguidade clássica, aflora em alguns filósofos como uma verificação de facto, mas é prejudicada pelo total desconhecimento da estrutura e do funcionamento do sistema nervoso central, nesses tempos antigos.
Na cultura hebraica os desempenhos especificamente humanos eram atribuídos a uma acção de Iavé, descrita como uma insuflação nasal, que se distribui por todo o corpo do homem, dando-lhe capacidades que o simples sopro vital não conferia aos outros seres vivos. Ao assinalar esta diferente intervenção de Iavé sobre os seres vivos criados a narrativa bíblica fixa, por escrito, o conceito, já presente durante todo o período mítico-oral, da diferença entre os seres vivos, humanos, e os outros animais. Esta noção encontra-se registada em textos de outros povos da Mesopotânia, contemporâneos da bíblia hebraica, fazendo parte integrante do mito fundacional e da relação entre o ser humano e a transcendência.
David Abram no seu notável e profético livro “The spell of the sensuous”, dá uma rigorosa interpretação dos termos usados na escrita do Génesis, que vou comentar porque nos introduz, directamente, na questão central da minha breve apresentação e que é a da relação entre cérebro e os desempenhos humanos que lhe são específicos.
Diz David Abram que os hebreus tinham a mesma palavra para significar espírito e vento que era a palavra ruach. O carácter primordial de ruach e a sua íntima associação com o divino torna-se evidente logo no início do texto bíblico quando este refere que “antes de serem criados o céu e a terra e tudo estava vazio e escuro, a presença de Deus era assinalada pelo ruach (vento ou espírito) sweeping over the water. A Bíblia em língua portuguesa, dos Frades Capuchinhos, diz “o Espírito de Deus movia-se sobre a superfície das águas” (Gen. 1-2).
David Abram que é um especialista das mitologias dos índios Navajos encontrou nestes o mesmo carácter primordial do ar em movimento. Cito “O vento existia primeiro e quando a Terra começou a existir o Vento tomou-a a seu cuidado”.
Por causa deste duplo valor semântico da palavra ruach, vento e espírito, a respiração é considerada como a mais íntima e elementar forma de ligação entre os humanos e o divino, flui directamente entre Deus e o Homem e é desse fluir que resulta a vida. Mas, ao referir-se ao ser humano, o texto bíblico não usa ruach, que deve entender-se como espírito de vida em geral, mas usa neshamah para significar um aspecto mais pessoal e individualizado do vento, do ar inalado por uma determinada pessoa. Neste sentido neshamah significa a percepção individual ou seja a consciência perceptiva. Recebida de Iavé (Gen. 2-7)
Devo ainda referir que as raízes gregas e latinas das nossas palavras actuais relacionadas com a consciência, como alma, espírito e psique, são todas relativas a sopro, a vento, a ar, a respiração. “Spiritus spirit ut vuld”, o Espírito sopra onde lhe apraz.
Esta noção de que a consciência perceptiva humana é um mistério de origem divina expandiu-se durante séculos pelos países de tradição hebraico–cristã e era algo em que não se devia tocar porque seria entrar no âmago sagrado da relação entre Deus e os homens e, portanto, seria como que um sacrilégio.
Por isso quando Augusto Comte, proclamou, como sequência da sua famosa teoria dos três estados, que “o cérebro segrega o pensamento, como o fígado segrega a bílis” suscitou uma reprovação quase universal.
Acresce que, já no século XIX e depois no século XX, o progresso no conhecimento científico da estrutura e das funções dos nossos outros órgãos permitiu construir uma imagem corporal cientificamente coerente e biologicamente exacta. O cérebro, porem, continuava fechado à investigação como se o mistério da consciência perceptiva inibisse a intervenção da consciência cognitiva.
Foram as descobertas absolutamente seminais de Ramón y Cajal, no plano da morfologia microscópica do cérebro, que permitiram criar um novo paradigma e abrir o cérebro a uma investigação científica, primeiro descritiva, que foi fundamental, e depois morfo-funcional, atingindo na última década, chamada a década do cérebro, um tal volume de artigos científicos publicados que leva a considerar as neuro-ciências como o maior campo de investigação científica moderna.
A mudança de paradigma provocada por Ramón y Cajal, mudança que, mais tarde, Kühn havia de considerar como o verdadeiro motor do progresso científico, resultou da observação de Cajal de que as células que constituíam o cérebro eram células livres que comunicavam entre si por longos prolongamentos interconectados.
Deste novo paradigma morfológico nasceu um novo paradigma funcional: as actividades cerebrais não resultam da acção directa de uma célula ou grupo de células mas sim da rede que entre si todas as células nervosas constituem. Esta nova concepção e o aparecimento de equipamentos, - para além do velho electro-encefalograma que já foi um progresso – de equipamentos que permitiram conhecer, e ver, o tempo e o modo das activações das redes neuronais, constituem, hoje, um vastíssimo acervo de conhecimentos da neuro-fisiologia da percepção sensitiva e sensorial.
E, depois, a descoberta das moléculas químicas que percorrem as redes neuronais, activando-as e desactivando-as, tornou possível intervir sobre o funcionamento cerebral, inibindo-o ou estimulando-o, e compreender o mecanismo de certas alterações comportamentais como o agora tão falado síndroma de hiperactividade infanto-juvenil ou a depressão ligeira.
Mas será que há, já, uma compreensão neuro-biológica do sofrimento?
(…)Então, tudo começa com um estímulo que atinge o sistema perceptivo, sensitivo, sensorial e extra-sensorial – um rosto, um som, um odor, uma palavra, uma picada, um corte, um esmagamento, o frio, o calor, a pressão atmosférica, que sei eu – e que gera uma percepção neuronal, em regra complexa, à qual se segue uma representação: pela emoção, pela consciência da emoção, pela coloração afectiva e pela análise racional.
(…)A palavra dor é simultaneamente o nome da emoção e a designação do sentimento que provoca.
A análise afectiva do sentimento, efectuada pelo que Goleman chama inteligência emocional, e a análise racional, finalmente efectuada pela inteligência reflexiva e simbolizadora, dão uma ampla interpretação ao sentimento dor e preparam-no para ser arquivado na memória consciente como sofrimento, com carga afectiva negativa – isto quando o sentimento não se furtou a ambas as análises e foi aninhar-se, rapidamente, na sub-consciência, porque então tudo pode complicar-se no futuro.(…) Damásio também reconhece que a construção do que chama consciência nuclear tem um suporte neuro-biológico – que é todo o mecanismo da percepção externa ou interna e consequente geração de imagens, sem palavras; mas, ao tentar subir para a compreensão da consciência nuclear, usa a metáfora da cartografia cerebral para dizer que as percepções dos objectos levam à constituição de mapas próprios que interagem com os mapas corporais gerando imagens mentais que pertencem à categoria dos sentimentos.
Para que, em cada ser humano, se manifeste a consciência do mundo objectual e a consciência do eu que conhece, do self, do soi même, afinal da auto-consciência é preciso um cérebro humano normal e progressivamente estimulado desde a vida intra-interina, cérebro que o eu, constituído por um processo que nos é, ainda hoje, totalmente desconhecido, possa usar, gerando, por sua vez, uma realidade virtual a que tenho chamado autobiografia.
Ora é este ser auto-biográfico que tem conteúdos conscientes, memorizados e evocáveis, e conteúdos sub-conscientes, que vai usar a qualidade ética da sua inteligência para defrontar o sofrimento.
A categoria ética da inteligência permite ponderar valores pessoais para decidir. E os valores não são mais que conteúdos da autobiografia de cada um, chamados ao campo da auto-consciência, para que a inteligência emocional e racional os avalie, ponderando a sua carga afectiva e o seu peso heurístico. As percepções ao serem arquivadas como valores, constituem, em cada pessoa, a sua experiência de vida e são estruturantes da autobiografia.
Um faquir indiano que se deita em cima de uma cama de pregos aguçados para poder ganhar o sustento diário, tem dor, por estímulo neuronal, mas não tem sofrimento, por decisão ética, tomada livremente na sua auto-consciência.
(…)Pelo contrário. É possível construir, no campo da auto-consciência, um sofrimento imenso, sem nenhuma dor física, sempre que a ponderação ética dá o primado a valores autobiográficos negativos, destruidores, mesmo catastróficos, conscientes ou que emergiram subitamente da sub-consciência e ocuparam todo o espaço do campo virtual onde tudo, afinal, acontece.
A capacidade ética de lidar com o sofrimento depende, portanto, da experiência de vida de cada um.
As terríveis imagens de sofrimento silencioso das crianças africanas com fome e das mães, de peito seco e sem nada para lhes darem, comparadas com as das crianças que nos bons e caros restaurantes deitam a comida fora, fartas e com a complacência das mães, entretidas com bisbilhotices, dão-me para acreditar que a experiência de vida, a autobiografia, condiciona a resposta ética ao sofrimento pessoal.
E nós, que nos consideramos bem equipados com os valores sociais, os grandes pilares da ética social, como a Declaração Universal dos Direitos Humanos e a dos Direitos das Crianças, o que é que somos capazes de fazer pelo sofrimento dos outros?
Esta é, para mim, a pergunta-chave, a pergunta radical num debate sobre ética, sofrimento e vida."
Daniel Serrão,in XIX Encontro de Filosofia – Coimbra, 10 de Fevereiro de 2005

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Os malefícios do tráfego excessivo

Congestionamento afecta negativamente saúde dos condutores
Estudo da IBM revela aumento dos níveis de stress e raiva
Um estudo desenvolvido pela IBM (Global Commuter Pain), que vai na quarta edição, sobre deslocações em hora de ponta, realizado em algumas das cidades economicamente mais importantes à escala global, mostra que as queixas dos condutores não param de crescer, embora os trajectos e as infra-estruturas tenham melhorado significativamente no último ano.
Em mais de metade dos locais analisados, registou-se um crescimento expressivo (quando comparado com o estudo anterior) do número de condutores que afirmou que o trânsito tem aumentado os seus níveis de stresse, raiva, frustração, afectando o desempenho no trabalho e na escola.
As deslocações diárias de casa para o trabalho e vice-versa afectaram negativamente, no último ano, e de alguma forma, a saúde de 69 por cento dos entrevistados: 45 por cento revela aumento dos níveis de stresse e 35 por cento de raiva. Os problemas respiratórios devido ao congestionamento de trânsito foram mais evidentes na China e na Índia.
“Os efeitos negativos da condução rotineira em hora de ponta não aparecem de forma gratuita”, afirmou Naveen Lamba, especialista da IBM em sistemas de transportes inteligentes (Global Intelligent Transportation). “A resposta emocional dos condutores às deslocações diárias e rotineiras está directamente associada a vários factores, nomeadamente ao congestionamento do tráfego. O estudo deste ano indica que os condutores estão mais instáveis, inquietos e ansiosos do que em 2010”.
Segundo os resultados da IBM, o número de queixas tem subido mesmo nas cidades em que os condutores admitem existir uma melhoria substancial no tráfego rodoviário. Entre os queixosos, o desejo de usar novos sistemas e serviços para obter informações mais precisas e oportunas sobre as condições da estrada foi sobretudo partilhada pelos condutores de Los Angeles, Chicago, Moscovo e Bangalore.
"Não podemos simplesmente construir um caminho alternativo, seja em que cidade for", diz Vinodh Swaminathan, director de sistemas de transportes inteligentes, da IBM. “As cidades precisam de avançar a um nível superior de conhecimento e reagir. É necessário encontrar maneiras de antecipar e evitar situações que causem o congestionamento de trânsito, que, caso nada seja feito, transformarão o mundo num estacionamento gigante".
Dados
8042 condutores entrevistados, em 20 cidades, de quatro continentes;
Condutores em todo o mundo confirmam mais stress e frustrações associadas a condução diária de casa para o trabalho e vice-versa;
41 por cento acreditam que se os governos melhorassem as redes de transportes públicos o nível de stress baixaria.
Em economias emergentes
Os resultados do inquérito sugerem um investimento em infra-estruturas rodoviárias nas economias em maior crescimento. Comparativamente a outras cidades analisadas, os condutores de Bangalore, Nova Deli, Pequim e Shenzhen constatam uma melhoria nos últimos três anos.
No entanto, os condutores nestas cidades relatam ainda, com mais frequência do que a média, que o tráfego tem afectado negativamente os seus níveis de stresse, saúde e produtividade. Por exemplo, 86 por cento dos inquiridos em Pequim, 87 por cento em Shenzhen, 70 por cento em Nova Deli e 61 por cento em Nairobi classificam o congestionamento de tráfego como o inibidor chave para o sucesso profissional ou um bom desempenho escolar. Por outro lado, 67 por cento dos condutores da Cidade do México, 63 por cento de Shenzhen e Nova Deli, e 61 por cento em Pequim, admitem que no último mês decidiram ficar pelo menos um dia em casa para evitar o tráfego intenso.
Os resultados do inquérito reflectem uma maior disposição para usar transportes públicos e tecnologia. Globalmente, 41 por cento acreditam que melhorar a rede de transportes colectivos ajudaria a reduzir o congestionamento. Esta utilização revela-se mais habitual em cidades emergentes, incluindo Nairobi, Cidade do México, Shenzhen, Buenos Aires e Pequim. O estudo revela uma disparidade entre vários locais: Montreal revelou ter a estrutura urbana mais acessível entre as cidades estudadas, seguida por Londres e Chicago. A Cidade do México, Shenzhen e Pequim estão no extremo oposto.
Os investigadores procuraram saber junto dos condutores o tempo que demoram a fazer a viagem casa-trabalho ou casa-escola e o tempo médio que estão presos no trânsito, de acordo com os seguintes pontos: preço do combustível, tráfego, pára-arranca, stresse e raiva. Artigo publicado em “CiênciaHoje”, 12/09/2011

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Notícias à volta da Terra

A Terra está a ficar mais redonda
"Degelo nos polos faz aumentar massa no Equador.Uma nova análise à Terra permitiu verificar que tem havido um aumento das medidas terrestres na região equatorial que é causado principalmente pelo degelo na Gronelândia e na Antárctida.
Cientistas da Universidade do Colorado, nos Estados Unidos revelaram, num artigo publicado na “Geophysical Research Letters”, que, por ano, as duas regiões polares perderam juntas 382 biliões de toneladas de gelo, que, derretido, segue em direcção às áreas equatoriais e modifica a distribuição de massa na Terra.
Esta conclusão coloca um ponto final num mistério que já durava há duas décadas, quando se percebeu que o formato da Terra, achatado nos polos, vinha a sofrer alterações, tornando-se mais arredondado.
A forma achatada deve-se ao facto de que, há 22 mil anos, vários quilómetros de gelo cobriam boa parte do hemisfério norte, pressionando a superfície para baixo. Com o degelo ao longo dos séculos, a pressão sobre a superfície diminui e o solo voltou a expandir-se nos polos, fazendo com que o planeta ficasse mais esférico.
Segundo esta nova análise, a zona do Equador está a aumentar 71 centímetros por década, sendo que, actualmente, a distância até o centro da Terra (o raio terrestre) a partir do Equador é 21 quilómetros maior do que nos polos. Contudo, os especialistas acreditam que, com o tempo, a massa do planeta vai readequar-se." In "CiênciaHoje"


Primeiro asteróide “troiano” descoberto junto à Terra
2010 TK7 foi detectado pelo telescópio WISE
"Um pequeno asteróide de 300 metros de diâmetro acompanha o movimento da Terra à volta do Sol, procedendo-a na sua órbitra. Trata-se do primeiro asteróide “troiano” deste planeta - o 2010 TK7 -, e foi detectado  pelo telescópio WISE, da NASA.
Segundo um artigo publicado na revista
“Nature”, o asteróide está a 80 milhões de quilómetros da Terra, que é agora o quarto planeta do sistema solar que tem a “companhia” de pelo menos um asteróide "troiano”, depois destes elementos serem conhecidos em Júpiter, Marte e Neptuno.
O termo “troiano” é utilizado para designar os asteróides posicionados na órbita de um planeta, num ponto de equilíbrio estável, designado pontos de Lagrange, no caso o ponto 4 (L4) da órbita terrestre, 60 graus à frente do nosso planeta. Desta forma, o asteróide segue o planeta no seu movimento de translação, precedendo-o, segundo um ângulo bem definido.
O 2010 TK7, no entanto, não está exactamente no L4. As observações indicam que oscila a sua rota, fazendo com que também varie a sua órbita para o ponto Lagrange 3 em períodos de 400 anos.
"Como precede o movimento da Terra ou o segue, não entra nunca em colisão", destacaram especialistas da NASA, acrescentando que está previsto que, nos próximos cem anos, não se aproxime a menos de 24 milhões de quilómetros da Terra.
Já há muito que os cientistas acreditavam que a Terra poderia ter asteróides “troianos”, mas só agora constataram a sua presença, difícil de ser observada, pois ficam, em geral, mergulhados na luz solar. Contudo, a detecção do asteróide 2010 TK7 foi facilitada porque estava numa "órbita incomum que o afastou bastante do Sol", explicaram os investigadores." In CiênciaHoje"

sexta-feira, 29 de julho de 2011

A Primavera em Marte

Enquanto o Algarve torra sob um sol intenso e estival , pelas veredas desse imenso Universo a Primavera afirma-se em planetas longínquos que na mira das investigações científicas se nos vão revelando. Hoje , aportaremos em  Marte.
Mars’ south pole
Primavera no Pólo Sul de Marte
A nave da ESA Mars Express celebra oito anos no espaço com uma nova imagem de gelo na região do pólo sul marciano. Os pólos estão directamente relacionados com o clima do planeta e mudam com as estações. Estudá-los é um importante objectivo científico da missão.

region around Ulyxis Rupes
Ulyxis Rupes em contexto
Em cerca de dois terços da imagem está parte das calotes de gelo e outros depósitos de gelo dispersos, próximo de uma estrutura conhecida como Ulyxis Rupes. O lado esquerdo da imagem é dominado pelo escudo de gelo das calotes, coberto por pó escuro que esconde os gelos brilhantes que estão por baixo.
Neste local, a mais de 1000 km do próprio Pólo Sul, o gelo é relativamente fino: dados de radar indicam que tem apenas cerca de 500 metros de espessura, enquanto próximo do Pólo Sul pode atingir mais de 3,7 km.

No entanto, nas falésias viradas para norte as camadas de gelo e pó são distinguíveis. Fazem parte dos depósitos polares distribuídos em camadas. As falésias são com frequência encurvadas, o que pode querer dizer que são modeladas por crateras de impacto que estão por baixo.
Elevation of Ulyxis Rupes
Elevações de Ulyxis Rupes
Mais para norte da camada de gelo, a meio da imagem, há grandes depósitos de gelo cobertos por dunas, formadas pelos ventos predominantes nesta região. A orientação das dunas faz pensar que o vento deve vir predominantemente de noroeste.
Estruturas em destaque em Ulyxis Rupes
elevação nesta região diminui marcadamente do sul para o norte, descendo em degraus cerca de 1500 m no total, da esquerda para a direita a longo da imagem.

Ulyxis Rupes in high resolution
Ulyxis Rupes em alta resolução

À medida que aumenta a distância relativamente ao pólo sul, o gelo vai ficando confinado às crateras de impacto maiores, tais como a que está na parte superior direita da imagem. As crateras acabam por apresentar uma melhor protecção. O gelo está ligeiramente inclinado para norte, porque com a luz do sol a vir do norte, as paredes a sul da cratera aquecem mais, derretendo o gelo. Ulyxis Rupes é uma grande falésia e é a única estrutura com nome nesta imagem (‘rupes’ é a palavra latina para falésia). Com um comprimento de 390 km e uma altura até 1 km, é visível na parte superior direita da imagem, onde atinge a superfície esquerda da cratera.
Ulyxis Rupes in perspective
Ulyxis Rupes em perspectiva
No quarto inferior direito da imagem, no pó marciano, poder ser observadas intrigantes estruturas paralelas. Apesar de a sua origem ser incerta, é possível que sejam o resultado de depósitos de gelo que estão por baixo, permanentemente gelados, já que estão protegidos pelas camadas de pó e pedras.
A imagem foi tirada em Janeiro de 2011, durante a primavera no sul de Marte. Agora é verão nesta região, mas quando o inverno começar, em Março de 2012, as temperaturas irão descer novamente e irá acumular-se mais gelo. A Mars Express estará à espera.In "ESA Portal-Portugal"

Ulyxis Rupes in 3D
Ulyxis Rupes em 3D

Saiba mais sobre o espaço : ESA Portal - Portugal - A galáxia Andrómeda em vários tons

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Vulcões submarinos

Encontrados doze vulcões submarinos desconhecidos. Estruturas geológicas foram descobertas no oceano Antárctico.

Mapeamento dos doze vulcões (Clique para aumentar)
Mapeamento dos doze vulcões (Clique para aumentar)
"Uma cadeia de doze vulcões, alguns com três quilómetros de altitude, foi encontrada nas águas do Oceano Antárctico por cientistas do British Antarctic Survey (BAS), sendo este mais um passo para uma melhor compreensão da actividade vulcânica.
De acordo com a BAS, a investigação foi realizada através do navio oceanográfico “RRS James Clark Ross”, onde os cientistas mapearam o fundo do mar junto às ilhas South Sandwich, durante duas missões, em 2007 e 2010.
Os vulcões submarinos foram encontrados numa área com aproximadamente 600 quilómetros de extensão por 150 de largura. “Os cientistas encontraram crateras de cinco quilómetros de diâmetro, originadas pelo colapso de vulcões, e ainda sete vulcões activos observáveis acima do nível do mar”, explicou o BAS.
Este trabalho traz avanços científicos para “a compreensão do que acontece quando há erupção ou colapso de vulcões debaixo de água e o seu potencial para criar tsunamis”, garantiu o centro de investigação.
Os investigadores concluíram ainda que as águas aquecidas pela actividade vulcânica criam um habitat rico para muitas espécies de fauna e “acrescenta uma nova visão sobre a vida na Terra”.
"Há muita coisa que não entendemos sobre a actividade vulcânica submarina. É provável que os vulcões estejam em erupção ou colapso a toda a hora. As tecnologias que os cientistas podem agora usar a partir de navios não só nos dão uma oportunidade de conhecer a história da evolução da Terra, mas também ajudam a lançar uma nova luz sobre o desenvolvimento dos acontecimentos naturais que apresentam riscos para as pessoas", disse Phil Leat, do BAS, no Simpósio Internacional de Ciências da Terra da Antártida.In "CiênciaHoje",14/07 2011

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Os Oceanos em perigo


Oceanos enfrentam declínio "chocante".Novo relatório revela situação sem precedentes na história da humanidade.



Relatório recomenda o fim da pesca intensiva.
"As pressões que se exercem no oceano, como o aumento de temperatura ou a sobre-pesca, fizeram-no entrar num declínio “chocante”, marcado por sintomas que antecedem as extinções em massa.
O alerta foi feito num relatório realizado por investigadores do Programa Internacional sobre o Estado dos Oceanos (IPSO, na sigla em inglês), que indica que os ecossistemas marinhos enfrentam perigos ainda maiores do que os estimados até agora pelos cientistas e que correm o risco de entrar numa fase de extinção de espécies sem precedentes na história da humanidade.Neste trabalho, o painel de especialistas advertiu que factores como a pesca intensiva, a poluição e as mudanças climáticas estão a agir de uma forma conjunta que não havia sido antecipada.
Segundo Alex Rogers, director científico do IPSO e professor da Universidade de Oxford, "as conclusões são chocantes. Há mudanças que estão a acontecer mais rápido do que o expectável e de forma que não se esperava que fossem acontecer por centenas de anos", como o degelo no Árctico, na Groenlândia e na Antárctida, o aumento do nível dos oceanos e libertação de metano no mar.
Efeitos em cadeia provocados pelos poluentes
Neste estudo verificou-se, por exemplo, que alguns poluentes permanecem nos oceanos por estarem presos a pequenas partículas de plástico que lá foram depositadas. A existência destes componentes, para além de prejudicar a alimentação dos peixes que os consomem, é responsável pela proliferação de algas tóxicas.
O estudo descreveu também como a acidificação do oceano, o aquecimento global e a poluição estão a agir de forma conjunta para aumentar as ameaças aos recifes de corais, tanto que 75 por cento dos corais mundiais correm o risco de sofrer um severo declínio.
O relatório observou ainda que episódios anteriores de extinção em massa revelaram tendências que estão a ocorrer actualmente, como distúrbios no ciclo de carbono, acidificação e baixa concentração de oxigénio na água.


Alex Rogers, director científico do IPSO continua:
"Ainda contamos com boa parte da biodiversidade mundial, mas o ritmo actual da extinção é muito mais alto [do que no passado] e o que enfrentamos é, certamente, um episódio de extinção global significativa", afirmou Alex Rogers, explicando ainda que os níveis de CO2 que são absorvidos pelos oceanos já são bem mais altos do que os registados durante a grande extinção de espécies marinhas que ocorreu há 55 milhões de anos.
Este relatório, que será formalmente apresentado esta semana em Nova Iorque, recomenda ainda que se acabe, urgentemente, com a pesca intensiva, dando atenção ao alto mar, onde não há regulamentação eficaz, que se mapeie e reduza a entrada de poluentes como plásticos, fertilizantes agrícolas e dejectos humanos e que se minimize as emissões de gases de efeito estufa." In "CiênciaHoje" em 21/06/2011

terça-feira, 14 de junho de 2011

A Lua em Eclipse Total amanhã

“A Lua vai estar "escondida" quando nascer, esta quarta-feira, devido a um eclipse. Dos seis previstos para 2011, este será o único visível em Portugal.
Tanto no continente, como nas ilhas, este fenómeno pode ser observado ao nascer da Lua, ou seja, "quando nascer já vai estar totalmente eclipsada, por isso não vai ser vista", como explicou o presidente do Observatório de Lisboa.
"Com o Sol a desaparecer no outro horizonte, temos um céu azul claro ainda e o brilho da Lua vai ser tão fraco que ficará escamoteado pelo céu azul. Com o passar das horas, teremos um céu azulado a perder brilho, a ficar cada vez mais escuro, a Lua progride pelo céu, começa a sair do cone de sombra e começa a ver-se cada vez melhor, acrescentou Rui Agostinho.
O eclipse total da Lua é um fenómeno astronómico em que a Lua "mergulha" por completo na sombra da Terra. Isto acontece quando a Lua cheia passa nos nodos da sua órbita ou na proximidade.
Observatório de Lisboa convida a assistir ao eclipse
O Obsvervatório de Lisboa inicia uma acção pública, a partir das 20.30 horas, em que todos os interessados em astronomia são convidados a deslocar-se até às suas instalações e a levar os seus binóculos ou pequenos telescópios, já que o eclipse é visível.”In JN

segunda-feira, 30 de maio de 2011

E se o Universo fosse infinito?


“ Investigador taiwanês desenvolve modelo alternativo à teoria do Big Bang.
A teoria do Big Bang é tão extensa como o fenómeno a que se refere. No entanto, o investigador Wun-Yi Shu, da Universidade Nacional de Tsinghua ,em Taiwan, sugere um novo modelo para explicar o Universo.
O cientista indica que não existiu uma origem nem vai existir um final. Segundo esta teoria do infinito, que sugere que a massa, o espaço e o tempo se relacionam de forma diferente da que é considerada pelos cientistas. No estudo, publicado na arXiv.org 
a grande explosão nunca terá chegado a existir.
Shu explica que o novo modelo responde a uma nova perspectiva sobre alguns conceitos básicos da astrofísica, como tempo, o espaço, a massa e a longitude. Na sua proposta, bastante complexa, o tempo e o espaço podem converter-se um no outro, e a velocidade da luz é o factor de conversão entre ambos.
Como o Universo está em expansão, o tempo transforma-se em espaço e a massa em longitude. À medida que o Universo se contrai, ocorre o contrário.
A proposta de Shu tem quatro características distintas. A primeira é que a velocidade da luz e a gravitação não são constantes, mas variam com a evolução do Universo. Em segundo, o tempo não tem principio nem fim, isto é, nunca terá ocorrido o Big Bang nem o Big Crunch (uma teoria que antecipa que o Universo está a fechar-se aos poucos e a comprimir até que todos os elementos voltem ao ponto original, destruindo toda a matéria num único ponto de energia). Ponto três: a secção espacial do Universo é de três dimensões curvada numa quarta, o que descarta uma geometria plana ou hiperbolóide, e por último, existem fases de aceleração e desaceleração.
Força misteriosa
A ideia, além de complexa pode parecer arriscada, mas Shu assegura que as suas informações encaixam perfeitamente com as observações realizadas pelos astrónomos na Terra.
Para entender o funcionamento do Cosmo, a sua teoria não necessita da energia negra, uma misteriosa força, que compõe 74 por cento do Universo e cuja existência é discutida por alguns investigadores.
No entanto, tem um ponto fraco: as suas ideias não podem explicar a existência do fundo cósmico de microondas, que supõe a evidência mais sólida dos restos do Big Bang.” In Ciência Hoje

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

O universo de Marte

A invasão dos Marcianos não está ainda declarada, mas Marte deixou o nosso imaginário fantástico para se converter em objecto de estudo e palco de  exploração científica. É, agora, o Homem que procura desvendar a vida marciana. Invadir Marte é um projecto científico que se está traduzindo gradualmente em descobertas importantes tal como esta que vamos apresentar.

Dunas  geladas de Marte mudam rapidamente
Superfície do Planeta vermelho continua a surpreender os cientistas

As mais recentes investigações sobre a superfície de Marte revelam que a região do norte daquele planeta, composta por areias congeladas, sofre mudanças repentinas. Súbitas avalanches de areia que alteram a superfície marciana, criando novas falésias, pareciam impossíveis visto o vento de Marte não ser capaz de levantar poeira.
Os cientistas consideravam as dunas bastantes estáticas desde a sua formação, quando os ventos na superfície eram muito mais forte do que hoje. Mas a câmara de alta resolução HiRISE, da Mars Reconnaissance Orbiter, registou modificações profundas. As calotas de gelo de dióxido de carbono modificam-se com as estações e com a força do vento. A sonda da NASA chegou ao planeta vermelho há cinco anos e passou quatro deles (dois anos marcianos) com a atenção posta nessa zona. O estudo está publicado na «Science».
Os campos de dunas geladas cobrem uma superfície do tamanho do Texas. Apesar das novas investigações sugerirem que esta zona se encontra entre as paisagens mais activas de Marte, muitas poucas mudanças se tinham assinalado até agora. A chave destas mudanças encontra-se em dois factores: o dióxido de carbono gelado e as rajadas de vento mais fortes do que o esperado.
A capa de gelo cobre a região no Inverno, mas na mudança para a Primavera torna-se gasosa. Este fluxo de gás desestabiliza a areia, provocando avalanches e a criação de novas formas. Os cientistas ficaram surpreendidos pelo nível de erosão verificado em apenas um ano. O vento proporciona outro tipo de alterações.
A mais interessante para os investigadores foi que as “cicatrizes” provocadas pelas avalanches eram parcialmente apagadas durante um ano marciano. Os cientistas acreditam que o clima polar será mais propício a que o vento atinja altas velocidades
.In "Ciência hoje", 8/02/2011
Leia o Artigo: Seasonal Erosion and Restoration of Mars’ Northern Polar Dunes

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Estudo lança novas pistas sobre Alterações Climáticas

 

Jasper Kok analisou o tamanho das partículas e a forma como se propagam


A propagação de pó na atmosfera segue  padrão das partículas de um copo partido. Um Estudo publicado na PNAS ( Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America) dá novas pistas para a análise das alterações climáticas.
As partículas de pó emitidas para a atmosfera têm um papel importante no controlo da energia solar e, consequentemente, no clima. As mais pequenas reflectem a radiação solar, reencaminhando-a para o espaço e arrefecendo o planeta. As maiores (do diâmetro de um cabelo humano) prendem a radiação ao solo, ou seja, reforçam o efeito de estufa.Num artigo publicado agora na «PNAS», o investigador norte-americano Jasper Kok diz que estas partículas, chamadas aerossóis, emitidas para a atmosfera seguem um padrão de propagação semelhante ao dos fragmentos de vidros partidos. Afirma também que deve haver mais partículas grandes do que pequenas.
Os aglomerados de partículas de pó no solo comportam-se de mesma forma que os vidros que se espalham quando um copo cai ao chão, diz o investigador do Centro Nacional de Pesquisa Atmosférica, responsável pelo estudo.Conhecer este padrão pode ajudar a estabelecer um quadro mais claro de como a poeira atmosférica afecta o clima. Kok defende que há mais partículas de poeira na atmosfera do que se pensava.A investigação centrou-se nas partículas suspensas, os aerossóis minerais. O impacto destas ocorre através da interacção com as nuvens, com os ecossistemas e com a radiação em si, e representa uma incerteza quando se fala de alterações climáticas. “Uma das causas dessa incerteza reside no facto da distribuição de aerossóis ser mal compreendido”, diz o investigador. As partículas maiores (silte) são emitidas quando os grãos de areia são arrastados no solo, levantando a sujidade e emitindo fragmentos para o ar que podem ter o tamanho de 50 micrómetros de diâmetro, aproximadamente o tamanho de um cabelo humano. Estas caem para o solo após uns dias. Quanto maior for a partícula, maior é a tendência de haver um efeito de aquecimento da atmosfera.As mais pequenas (argila) permanecem na atmosfera durante mais tempo, uma semana, circulando pelo mundo, e exercem uma influência de arrefecimento ao reflectir o sol. A investigação indica que as partículas maiores existem em maior quantidade do que aquela que é apresentada nos modelos climáticos. Os cientistas que estudam o clima calibram os modelos para simular o número real de partículas de argila na atmosfera. Mas o estudo sugere que os modelos enganam-se quando se trata da quantidade de partículas de silte.Ajustar a sua quantidade nos modelos computacionais poderá gerar melhores projecções sobre o futuro do clima principalmente nas regiões desérticas.Os resultados do estudo sugerem também que os ecossistemas marinhos, que atraem o dióxido de carbono, podem receber muito mais ferro das partículas que andam no ar do que se pensava. O ferro aumenta a actividade biológica para benefício das cadeias alimentares marinhas. Além de influenciar a quantidade de calor solar na atmosfera, as partículas também são depositadas na acumulação de neve nas montanhas, onde absorvem o calor e aceleram o degelo. Publicado em "Ciência Hoje" em  30/12/2010