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quinta-feira, 16 de junho de 2011

O desespero está na rua

Imagens de desespero passam pelo mundo vindas de tantos e diferentes países. São jovens acossados pela invisibilidade de um Futuro, são trabalhadores despojados da única fonte de sobrevivência, são cidadãos perseguidos e explorados por governos déspotas e opressores, são desalojados à procura de uma pátria , são multidões de desencantados pela ganância e egoísmo que imperam neste mundo crísico e vácuo.
Cerca de 2 mil manifestantes cercaram nesta quarta-feira o Parlamento catalão em Barcelona, num protesto contra o plano regional de austeridade.O Presidente da Catalunha, Artur Mas, estava entre os Deputados regionais que só conseguiram chegar ao Parlamento num helicóptero da polícia, já que os manifestantes barricavam a entrada .
Alguns Deputados foram atingidos por jactos de tinta enquanto passavam pelos cordões da polícia e outros que tentavam entrar no Parlamento foram empurrados.
A sessão parlamentar iniciou-se com considerável atraso e com a ausência de mais de metade dos Deputados.
Os manifestantes protestam contra o plano regional de austeridade que prevê cortes na Saúde e na Educação.
A maior parte dos manifestantes de Barcelona faz parte de um movimento de jovens designado por "Indignados" , que já fez vários protestos por toda a Espanha contra os planos de austeridade do governo espanhol. Muitos deles iniciam ,hoje, uma manifestação em Valência.(Notícia baseada nos Media)




Confrontos em Atenas, Grécia, em mais um dia de greve geral.Os gregos protestam também contra a adopção de um pacote adicional de medidas de austeridade, que vai começar  a ser analisado no Parlamento e do qual depende a continuação da ajuda da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional (FMI) para evitar a bancarrota do país. Centenas de manifestantes, pertencentes ao movimento de protesto popular dos 'indignados', reuniram-se, ontem,na praça Syntagma à frente do Parlamento. Acampados na praça há três semanas, os indignados gregos prevêem formar uma cadeia humana e cercar o Parlamento. A polícia colocou uma barreira de dezenas de veículos estacionados na rua, à frente da entrada do Parlamento, para permitir o acesso aos deputados e impedir a multidão de se aproximar.(Notícia baseada nos Media)

terça-feira, 24 de maio de 2011

O Mundo em Notícias


Primeiro "e-G8" discute futuro da Internet
“O primeiro fórum "e-G8", um encontro de dezenas de empresários, investigadores e jornalistas ligados às novas tecnologias para discutir o futuro do digital, arranca hoje em Paris no meio de alguma polémica.
Até quarta-feira, o objetivo do encontro convocado pelo Presidente francês, Nicolas Sarkozy, é "esclarecer e alimentar as discussões dos chefes de Estado e de Governo dos países do G8 com a visão de atores da rede em relação à importância e impacto da Internet na sociedade e na economia", explica o comunicado do evento.
"A Internet é um setor de atividade económica essencial para o crescimento das economias mundiais, quer através de empresas que não existiam há dez anos quer por via das empresas tradicionais que desenvolveram atividades 'online'", escreve Sarkozy na mensagem de boas-vindas aos participantes.
A ideia da conferência é reunir um conjunto de propostas para apresentar aos líderes do G8, que se reúnem quinta e sexta-feira em Deauville, em França.
Da agenda do "e-G8" constam temas como o impacto sobre o crescimento da Internet, o respeito pela privacidade e propriedade intelectual ou o desenvolvimento de redes.
Um conjunto de 14 organizações ligadas aos direitos dos utilizadores digitais criou uma plataforma de protesto contra o "e-G8", que acusam de ser um passo no sentido de "controlar e censurar a Internet".
" (Sarkozy)convocou líderes mundiais para uma cúpula em busca de uma 'Internet civilizada', conceito emprestado do governo chinês", escreve o grupo na página do protesto, a que chamou de "G8 vs. Internet".
Por seu lado, um dos oradores do evento, Jeff Jarvis, professor na City University de Nova Iorque, publicou um texto no seu blogue em que apela a um "juramento de Hipócrates para a Internet", enquanto plataforma criada para ser "aberta, livre e distribuída", que "deve manter-se assim".
"A pena é que esta reunião sobre o futuro da Internet e do seu crescimento tenha sido convocada por um chefe de Estado e não por nós, as pessoas da 'net'", escreve Jarvis.
Entre os dois mil convidados encontram-se diversos nomes sonantes do panorama das novas tecnologias, incluindo o fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, o 'executive chairman' da Google, Eric Schmidt, e o responsável pela Amazon, Jeffrey Bezos.
Os discursos de destaque hoje vão estar a cargo do presidente francês, do presidente executivo da News Corporation, Rupert Murdoch, e do fundador do Groupon, Andrew Mason.
O segundo dia do encontro vai ser aberto pela comissária europeia para a agenda digital, Neelie Kroes, e encerra com uma conversa com o criador do Facebook.”SIC

EUA consideram que a lavagem de dinheiro é um crime "preocupante" em Portugal
"Os EUA consideram que a lavagem de dinheiro é um crime "preocupante" em Portugal, de acordo com um relatório do departamento de Estado, revela hoje o Diário de Notícias. O documento aconselha um controlo mais apertado e novas medidas de combate ao crime.
O relatório do Gabinete para o Controlo Internacional de Narcóticos alerta para a ligação entre lavagem de dinheiro, tráfico de droga e terrorismo e deixa claro que Portugal é um pais preocupante e legalmente vulnerável.
Em causa estão várias questões como a rigidez do sigilo bancário, falhas na criminalização da lavagem de dinheiro para todos os crimes graves, a fraca regulação bancária, a descoordenação sobre transacções suspeitas, uma postura condescendente com a corrupção e a existência de offshores.
De acordo como DN, Portugal tem praticamente todas as vulnerabilidades que o departamento de Estado da administração de Obama considera preocupantes.
Por estas e outras razões, Portugal integra uma lista de 70 países e encontra-se no segundo nível de ameaça, juntamente com países como a Bélgica e a Irlanda.
No primeiro nível estão, entre outros, Espanha, França, Alemanha e Grécia, definidos pelas autoridades norte-americanas como países cujas instituições financeiras estão envolvidas em elevadas transacções financeiras provenientes de tráfico internacional de droga.
O documento, concluído em Março, aconselha estes países a criarem regimes legais anti-lavagem de dinheiro.
As conclusões resultam da reunião com as autoridades norte-americanas e as agências que combatem a lavagem de dinheiro em todo o mundo e do balanço de medidas dos governos." SIC

Tornado deixa mais de 100 mortos no Missouri
Ventos de mais de 300 km/h atingiram Joplin no domingo à noite, destruindo um terço da cidade e deixando pessoas soterradas
"Um dos tornados mais violentos dos últimos 60 anos devastou a cidade de Joplin, no Missouri, matando ao menos 116 pessoas. Outras centenas ficaram feridas e muitos sobreviventes e corpos ainda estavam presos sob os escombros quase um dia depois da passagem dos ventos de mais de 300 km/h.
Cerca de 2 mil casas, supermercados, escolas, lojas e prédios foram destruídos. Carros chegaram a ser suspensos no ar e caminhões derrubados quando o tornado, de mais de um quilómetro de largura, atravessou a pequena cidade, de 50 mil habitantes. Um dos problemas, segundo meteorologistas, foi o tornado ter se concentrado sobre Joplin, se movimentando muito lentamente.
O tornado de domingo é o mais recente de uma série que atingiu Estados do sul e do norte dos EUA nos últimos meses, provocando a morte de ao menos 340 pessoas e prejuízos estimados em cerca de US$ 2 bilhões. Em viagem à Irlanda, o presidente Barack Obama, apresentou em um comunicado "condolências aos afectados pelo tornado no Missouri" e acrescentou que a Fema (agência de gerenciamento de emergência dos EUA) "estava trabalhando nos esforços de salvamento". O órgão tem sido alvo de críticas desde a passagem do furacão Katrina, há seis anos.
Os ventos atingiram a cidade na noite de domingo, quando muitos dos 50 mil habitantes ainda jantavam. A área de restaurantes da cidade foi uma das mais danificadas e corpos estavam espalhados pelas ruas ontem. Mais de um terço de Joplin foi destruído pelos ventos. Ao menos cinco famílias foram resgatadas dos escombros.
As buscas por sobreviventes têm sido prejudicadas pelas tempestades que ainda atingem esta região dos Estados Unidos. A comunicação é outro obstáculo, com 17 torres de celular destruídas. Linhas telefónicas fixas também não funcionavam e mais da metade da população estava sem energia eléctrica. Por causa de explosões de gás, havia focos de incêndio espalhados por toda Joplin.
"Acreditamos que muitas pessoas estão vivas sob os escombros e estamos tentando resgatá-los de todas as formas possíveis", disse Jay Nixon, governador do Missouri, em entrevista à rede de TV CNN. Um hospital com 180 pacientes foi destruído pelos ventos. Autoridades disseram que algumas imagens de raio X foram encontradas a mais de 100 quilómetros de distância do local.
Não há informações sobre quantas pessoas internadas no hospital sobreviveram. A maior parte dos pacientes tinha sido transferida para outras instalações médicas ao redor de Joplin. Os habitantes estavam sendo alocados em abrigos de emergência. Até mesmo o comandante do Corpo de Bombeiros da cidade viu sua casa ser destruída pelo tornado.
Graças a um esquema de alerta, feito por meio de 25 sirenes, muitos habitantes conseguiram escapar quando foram avisados cerca de 20 minutos antes de o tornado chegar a Joplin.
"O problema é que muitas pessoas não foram capazes de conseguir abrigo a tempo. O barulho da tempestade foi tão alto que eles não ouviram as sirenes tocando", disse o governador.
"Foi um terror, fiquei com muito medo. Preciso agradecer por ter saído viva", disse uma sobrevivente. "/ COM AP in “ Estadão”

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Propaganda, Propaganda vai-te embora

As falsas  promessas na campanha eleitoral de  2005 conduziram à multiplicação contrária
4 x 150.000 =600.000 desempregados em 2011
«A Central de Propaganda
Eduardo Cintra Torres
Público, 29-4-2011

A TVI lá fez mais uma entrevista a Sócrates, ajeitando-se à agenda do líder do PS. Como se comprovou no final, a entrevista foi, para o país, totalmente inútil. Zero de conteúdo. Quaisquer que sejam as perguntas, ele repete à exaustão as mesmas cinco frases memorizadas. Hábil a intimidar entrevistadores, ignora-lhes as perguntas, debitando o menu decorado e queimando tempo.
Judite Sousa não colocou diversas perguntas importantes e não obteve respostas às que colocou. Resultado: um festival de propaganda pessoal, mais um em poucas semanas. Sócrates só falou de si mesmo — o seu tema preferido — ou repetiu as cinco frases combinadas lá na Central de Propaganda. E, ajudado pela entrevistadora, alimentou a agora habitual confusão total entre primeiro-ministro e secretário-geral do PS.
A estranha última pergunta de Sousa sobre a vida privada de Sócrates foi colocada ao secretário-geral do PS na sede do governo de Portugal. Sousa apresentou Sócrates como “divorciado” e “com dois filhos” e perguntou-lhe se “tenciona fazer campanha eleitoral com a família”. Recorde-se que nas presidenciais apareceram familiares de todos os candidatos nas campanhas e nenhum jornalista, nem Sousa, os interrogou sobre isso.
A pergunta permitiu a Sócrates fazer exactamente o que disse que não vai fazer: usar os filhos. Mencionou duas vezes o “amor aos meus filhos”. Disse também “sempre os procurei proteger”. Ora, na campanha de 2009, em entrevista à SIC, Sócrates fez “referências premeditadas” aos filhos (como lhes chamou então um dirigente da agência de comunicação LPM). Também a sua vida privada foi usada em ocasiões escolhidas a dedo ao longo dos anos. Mais de uma vez as revistas cor-de-rosa souberam com antecipação onde ele estaria em momentos “privados” com uma alegada namorada; e numa entrevista ao Diário de Notícias na campanha de 2009 ele falou da alegada namorada (i, 21.09.09).
Na acção mediática de Sócrates não há nada, mas rigorosamente nada, que surja ao acaso. As “respostas” em entrevistas são frases decoradas. Toda a sua agenda e a do Estado que comanda estão planeadas para obter ou evitar efeitos mediáticos. Por exemplo, a correcção para baixo do défice foi divulgada pelo INE no sábado de Páscoa, com o país político ausente. A gestão de danos é brilhante: a Central obliterou Teixeira dos Santos dos media quando este, a bem de Portugal, traiu Sócrates e falou da necessidade da ajuda externa.
A Central vai debitando diariamente pequenos “casos” para a imprensa: através de dirigentes e outras figuras do PS (as ordinarices de Lello não são “arreliadoras deficiências tecnológicas” mas declarações públicas calculadas, cabendo a Lello o papel de abandalhar os políticos em geral); ou através de “fontes”, ou nem isso, como nas campanhas negras na Internet. Essa acção permanente da Central, 24 horas por dia, desgasta os adversários, em especial o principal partido da oposição, sem a mínima preparação para enfrentar uma organização profissionalíssima, que hoje atingiu a dimensão de um embrião de polícia política de informações, agindo exclusivamente através dos media e Internet, directamente ou através de apaniguados ou ingénuos.
O desgaste dos adversários ainda está no princípio. Dado que Cavaco Silva e os ex-presidentes pediram uma campanha eleitoral esclarecedora, caberá à Central de Propaganda oculta e semi-secreta ao serviço do PS encher os media e a blogosfera de “casos”, invenções, mentiras, factóides descontextualizados, etc. Esta Central tem acesso a informações, por métodos quase científicos de busca, selecção e organização de informações, a que os jornalistas não têm ou não podem ter acesso, ou nem sonham que existem. A Central conhece o passado de todos quantos agem no espaço público e ousam desagradar ao PS-Governo. A Internet é usada para divulgar elementos “comprometedores” da sua vida. Fernando Nobre e família foram alvo desses ataques mal ele se candidatou pelo PSD. Nos EUA tem crescido igual tipo de desinformação, como a campanha negra por republicanos mais primários de “dúvidas” acerca da nacionalidade de Obama.
A brutalidade da desinformação e das campanhas negras atinge não só os adversários políticos, mas todos os que exerçam livremente a liberdade de expressão. Como o PS-Governo vive exclusivamente dos media, a Central visa em especial os comentadores e jornalistas que considere fazerem algo negativo para os seus interesses.
A jornalista Sofia Branco foi recentemente demitida de editora na agência LUSA por se ter recusado, com critérios editoriais, a pôr em linha uma “notícia” oriunda da Central de Propaganda. Recorde-se que o director de Informação da LUSA foi uma escolha pessoal de Sócrates e que o seu administrador principal é amigo pessoal de Sócrates. A demissão teve carácter de exemplo, pois visa recordar a todos os jornalistas, começando pelos da LUSA, que “quem se mete com o PS leva”.
O caso revela a Central em acção. Uma correspondente da LUSA recolheu uma declaração dum assessor do primeiro-ministro que este atribuiu a Sócrates. A editora da LUSA não quis divulgar declarações dum assessor como se fossem de Sócrates (dado que não eram de Sócrates!); disponibilizou-se para ouvi-las do próprio, mas o assessor negou a hipótese. A editora rejeitou a “notícia”. Acontece que a Central precisava que a “notícia” fosse vomitada para os media naquele dia; por isso, a chefia da LUSA soube logo do caso e colocou a “notícia” em linha; a editora foi liminarmente demitida, retaliação que já seria de dureza totalmente desajustada ao normal funcionamento de uma redacção se a editora tivesse procedido mal. No dia seguinte, Sócrates disse a tal frase que fora dita pelo assessor: é o habitual processo de inculcação pela repetição.
Sofia Branco foi demitida por ser jornalista. Se houve “quebra de confiança”, como a direcção socretista da LUSA invocou, não foi no profissionalismo da editora, mas sim quebra de confiança da Central de Propaganda numa jornalista que agiu como jornalista. “Hoje, 37 anos depois do 25 de Abril, faz-se jornalismo com medo”, disse Sofia Branco ao P2 (25.04).
A pressão infernal sobre os jornalistas deu resultados extraordinários nestes seis anos. Somada a campanhas negras e cumplicidades no seio dos media, permitiu a Sócrates ganhar em 2009 e está a permitir-lhe recuperar nas sondagens em 2011.
A estratégia da Central para esta campanha já está delineada. Um dos elementos tem passado despercebido: através de pessoas como Lello e de comentários anónimos produzidos pela Central e despejados na blogosfera e caixas de comentários, repete-se a ideia de que os políticos são todos iguais, todos corruptos, nem vale a pena ir votar. A Central sabe que a percentagem do PS pode subir se a abstenção crescer. O paradoxo de um partido fomentar subrepticiamente a abstenção explica-se: como os eleitores mais livres votariam mais facilmente na oposição, neutralizá-los diminui os votos nos outros e aumenta a proporção relativa do núcleo duro dos eleitores do PS.
Outro elemento que favorecerá essa estratégia será a habitual forma de as televisões cobrirem as campanhas na estrada. Apesar da crise no país, é provável que a cobertura televisiva se concentre, como habitualmente, nos almoços da “carne assada”, nas declarações da velhota na rua, do comerciante à porta, do militante de reduzida inteligência, no “isto está uma loucura” do jornalista empurrado por jornalistas, etc. Enfim, fait-divers sem conteúdo político e sem relação com o discurso dos responsáveis partidários.
Se as televisões juntarem às habituais reportagens da “carne assada” e da velha que grita na rua alguma cobertura aos “casos” emanados da Central, estará lançada a confusão que serve um único entre todos os partidos: o PS-Governo. Tudo o que não esclareça políticas, divirja para os “casos” do dia e para o diz-que-disse, em que a Central tem mestria absoluta, servirá para impedir um esclarecimento mínimo (desfavorável a quem governou) e para induzir descontentes a absterem-se. Se fizerem uma cobertura das campanhas como a de 2009, as televisões estarão a colaborar, não indirecta, mas directamente com a governação dos últimos anos e com a aplicação concreta, diária, da estratégia de desinformação e propaganda.»

sábado, 7 de maio de 2011

Portugal

"O que os finlandeses não sabem sobre Portugal" foi o vídeo que o presidente da Câmara de Cascais inesperadamente apresentou no encerramento das Conferências do Estoril, onde estiveram presentes nomes como o prémio Nobel egípcio Mohamed ElBaradei, o jornalista norte americano Larry King, o economista, também norte-americano, Francis Fukuyama ou o antigo primeiro-ministro francês Dominique de Villepin.
Minutos antes da intervenção de ElBaradei, que encerrou as conferências, Carlos Carreiras queixava-se: «Por essa Europa fora, Portugal, o meu país, o nosso país, passou a ser tema de campanha eleitoral. Passou a ser verbo impresso em outdoors de eleições».
Dizia ainda Carreiras que «generalizam sobre nós mas não sabem quem somos».
Foi para inverter este desconhecimento, que apresentou este vídeo à audiência." SOL



sexta-feira, 6 de maio de 2011

Notícias de Portugal

Hoje é dia de greve nacional na função pública e estão abrangidos pelo pré-aviso 250 mil trabalhadores. Os sindicatos antecipam uma forte perturbação no funcionamento de todos os serviços públicos.
Hospitais, centros de saúde, tribunais, serviços da Segurança Social e escolas serão provavelmente os locais em que mais se sentirão os efeitos da greve marcada para esta sexta-feira por diversos sindicatos da CGTP, que representam trabalhadores do Estado.
Os alunos dos 4º e 6º ano do ensino básico têm a prova de aferição de português marcada mas sem funcionários, as escolas podem não abrir. A não ser que os professores assumam o trabalho dos não docentes, o que o Sindicato da Função Pública considera ilegal.
Os dirigentes sindicais têm boas expectativas quanto à adesão à greve, mas também temem a desmobilização após o primeiro-ministro ter anunciado que as medidas impostas pela "troika" não implicavam despedimentos, cortes nos salários ou nos subsídios de férias e de Natal."RR

"Pacote da troika é atestado de incompetência ao Governo de Sócrates"
"Em entrevista à Renascença, Álvaro Santos Pereira, analisa o pacote de ajuda negociado entre o Governo e a "troika", salientando as causas e consequências da actual situação financeira em Portugal.
Em entrevista à Renascença, Álvaro Santos Pereira analisa o pacote de ajuda negociado entre o Governo e a "troika", salientando as causas e consequências da actual situação financeira em Portugal. O professor da Universidade Simon Fraser (Canadá) acusa os governos dos últimos 15 anos de terem sido "irresponsáveis" por terem levado o país "quase à bancarrota".
Quando se insistem em políticas erradas durante anos a fio, o "preço é o declínio absoluto e o empobrecimento" desses países, sublinha o economista, que deixa um caminho para mudança: “Quem quiser votar na bancarrota do país, quem quiser assinar e votar na maior taxa de desemprego dos últimos 90 anos, na, na maior dívida pública dos últimos 160 anos, no pior crescimento económico dos últimos 90 anos, na pior dívida externa dos últimos 120 anos, na pior taxa de poupança dos últimos 50 anos, na segunda pior taxa de emigração dos últimos 160 anos. Quem quiser isto tudo, no dia 5 deve votar na continuação das políticas dos últimos anos. Quem quiser uma inversão de curso, estiver interessado em ficar no país e estiver interessado em dar um futuro aos seus filhos é melhor que pense duas vezes.” RR

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Vitorino Magalhães Godinho morreu aos 92 anos


"Vitorino Magalhães Godinho (1918-2011) morreu ao princípio da noite de terça para quarta-feira. Figura ímpar de historiador e de democrata, o seu nome e a sua obra passarão à história e ficarão inscritos no panteão da nossa memória colectiva, numa genealogia onde só cabem, antes dele, Oliveira Martins e Jaime Cortesão. Nasceu em Lisboa, de família republicana, com raízes na região de Ovar.
Nele se manifestaram, desde muito cedo, o interesse pela história e pelas questões de lógica aplicadas às ciências humanas e sociais. Em 1940, licenciou-se em Ciências Histórico-Filosóficas, tendo sido nomeado professor extraordinário da Faculdade de Letras de Lisboa (1941-44).
Em 1959, enquanto investigador do Centre National de Recherche Scientifique e após longa integração na chamada École Pratique des Hautes Études, associada à célebre revista "Annales", defendeu o seu doutoramento de Estado na Sorbonne. Regressou, então, a Portugal como professor catedrático do Instituto Superior de Estudos Ultramarinos (1960-62). Duas vezes nomeado professor em universidades portuguesas foi, em ambos os casos, demitido por razões políticas. A sua inquebrável defesa dos valores da cidadania democrática e a sua lúcida adesão aos valores republicanos forçaram-no ao exílio. O pior dos quais terá sido o que viveu no desemprego, mas envolvido em intenso trabalho intelectual e editorial, ao longo dos oito anos que se seguiram à greve académica e ao rebentar da Guerra Colonial.
Em 1970 voltou a França para integrar o corpo docente da Universidade de Clermont-Ferrand. Após o 25 de Abril, regressou a Portugal, tendo sido Ministro da Educação e Cultura (1974) e Director da Biblioteca Nacional (1984), cargos dos quais se demitiu por discordâncias políticas que sempre tornou públicas. Foi professor catedrático da Universidade Nova de Lisboa, desde 1975. O seu projecto de criação de uma verdadeira faculdade de ciências sociais e humanas, organizava-se em torno de uma maneira de pensar historicamente, mas foi desvirtuado e infelizmente mal compreendido.
Um modo global e interdisciplinar de pensar historicamente os problemas do presente, como era a sua proposta, foi substituído por uma concepção entrincheirada da história e das ciências sociais. O Prémio Balzan, espécie de Nobel para as Humanidades e Ciências Sociais, que lhe foi conferido em 1991, constituiu o reconhecimento internacional por uma obra e o modo como sempre soube excercer o seu ofício de historiador.
Entre os seus principais livros contam-se: "Razão e História - Introdução a um problema" (1940); "Documentos para a História da Expansão Portuguesa" (1943-1956); "A Expansão Quatrocentista Portuguesa" (1944); "Prix et monnaies au Portugal, 1750-1850" (1955); "A economia dos descobrimentos henriquinos" (1962); "Os Descobrimentos e a Economia Mundial" (1963-1971; edição francesa, 1966; edição revista, 1983-1984); "A Estrutura da Antiga Sociedade Portuguesa" (1971), "Mito e Mercadoria, Utopia e Prática de Navegar, Séculos XIII-XVIII" (1990). A este vasto elenco, acrescentam-se diversos volumes de ensaios, a direcção da enciclopédia Focus e da Revista de história económica e social, pela Sá da Costa; e a direcção de várias colecções na Cosmos.
O funeral realiza-se amanhã, da capela da Praça de Londres para o cemitério do Alto de São João."Elogio fúnebre do historiador Diogo Ramada Curto, in jornal “Expresso “, 27/04/2011

Entretanto, em declarações à Agência Lusa, Manuela Mendonça, presidente da Academia Portuguesa da História, afirmou que Magalhães Godinho é “o último de uma geração de ouro da historiografia portuguesa” destacando os “novos contributos dados pelo investigador no estudo da História, quer na conceptualização quer na metodologia, fortemente influenciados pela École des Annales, de que foi membro”.
O Presidente da República, Cavaco Silva, considerou Vitorino Magalhães Godinho como “um dos mais notáveis historiadores do século XX”, declarando que, com a sua morte, Portugal perdeu “um grande homem de cultura”.
Mário Soares, antigo presidente da República e também perseguido pelo Estado Novo, preso e exilado antes do 25 de Abril, já o tinha referido como “um cidadão exemplar. Um homem probo, de uma inteireza de carácter excepcional e de uma honestidade moral e intelectual invulgar. Tem uma obra que o classifica entre os maiores historiadores portugueses”.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Os enganos da Política

Continua a festa das inaugurações num país onde os enganos já não são permitidos. O Presidente do Conselho  deslocou-se neste fim-de-semana para ostentórias inaugurações num país falido e  em rota de desaire completo. A tal anunciada troika da ajuda internacional  já se instalou para fiscalizar a obra que levou Portugal à miséria. Estamos à deriva e de bolsos vazios, mas a banda ainda toca e os tambores ribombam atrás do entronizado Secretário Geral do PS que se esquece que é Primeiro Ministro de dez milhões de portugueses.  Transferir para um país o simulacro de uma  pacificação podre, gerada em Congresso, já nem sequer é risível e muito menos admissível.
Resguarde-se e meta-se ao trabalho , Senhor Primeiro Ministro, para que   Portugal se possa ainda defender da crescente  xenofobia europeia.


Os dias de todos os espantos
por Baptista Bastos 
Parece que os socialistas ficaram muito contentes com o congresso do seu partido. E o mais contente de todos eles foi José Sócrates. Ungido como salvador da pátria e inocente vítima de inimigos inclementes, ele perguntou, comovido e lacrimejante, se os seus camaradas o seguiam, o desejavam, o amavam. Em coro, congestionados de amor e devoção, mil e oitocentos congressistas gritaram que sim. A nota e o resultado estavam dados. Só faltou o ceptro, a coroa e o manto vermelho de seda e gola de arminho. Depois, foram para casa, felizes por terem cumprido, com veneração e afecto, a liturgia da consagração.
O congresso do PS não serviu para outra coisa senão como metáfora de um particular panteísmo de linguagem e de espectáculo. É sempre assim, em qualquer reunião daquela natureza, dir-se-á. Por isso mesmo é que produzem a indiferença. A veneração quando atinge as raias da sabujice tem um preço. Um preço reconcentrado e vasto que se exprime das formas mais diversas. Uma delas é tornar oblíquo o pensamento e liquidar as ideias críticas. Nem um projecto, nem o esboço de uma teoria, nem o sopro de uma referência ideológica, nem o mais escasso resquício de vergonha interior pelo passado, pelos actos e actividades dos governos PS. Somente uma pose, uma farsa desesperada de quem abandonou o compromisso e a esperança, e se remete para um signo que se oculta noutro signo. Ana Gomes, a única que não destilou banalidades e fugiu um pouco à dissimulação, foi colocada à meia-noite para falar. Vinte socialistas esparsos e ensonados estavam na sala.
A coroação de Sócrates é uma vitória do próprio e uma nova derrota daqueles que, no PS, ainda acreditam nos ideais (que quer isto dizer?) e na possibilidade de se alterar o estado das coisas. Porém, as evidências e as comparações históricas são severas para quem embala essa fé: nenhum partido é reformável "por dentro". A dissidência tem sido o caminho e o estigma de quem a tal se aventurou. Por exemplo: nos partidos comunistas. A lição é crucial. Mas, como não tem sido apreendida e reflectida, as forças do progresso saem cada vez mais enfraquecidas. A soma e o resto estão à vista. Estes dias últimos fazem com que fiquemos mais ensimesmados, funestos e sigilosos. Um prestamista internacional vem ditar-nos o molde dos nossos comportamentos, e achincalhar o que sobrevive da nossa dignidade. Um homem que desdenhava a petulância dos partidos e a tacanhez afectada dos políticos mudou de carril com desenvolta impassibilidade. Os factos rasgam as nossas feridas e os paradigmas volatilizam-se. Não há em quem nem em que acreditar. A honra e a decência deixaram de possuir exactos significados e transferiram-se para os territórios da ambiguidade e das evasivas. Resta-nos as palavras. E mesmo assim... "
Artigo de Opinião de Baptista Bastos , publicado no DN em 13 de Abril de 2011

As intempéries desta Primavera

"Mais de metade dos mortos do sismo e tsunami que afectaram o nordeste do Japão a 11 de Março tinha 65 ou mais anos e a maioria morreu afogada, indicam dados da polícia nipónica revelados pela agência Kyodo.
Os últimos números da tragédia indicam 13.843 mortos e 14.030 desaparecidos, revelaram hoje as autoridades policiais.
Os últimos números da tragédia indicam 13.843 mortos e 14.030 desaparecidos, revelaram hoje as autoridades policiais.
Dos 9.112 mortos nas prefeituras de Iwate, Miyagi e Fukushima cuja identidade está confirmada, 4.990 ou cerca de 54,8 por cento, tinha 65 anos ou mais.
Só em Miyagi, dos 8.015 mortos confirmados até 10 de Abril, 7.676 pessoas - 95,8 por cento - pereceram por afogamento em consequência do tsunami.
Peritos em catástrofes assinalaram que pode também assumir-se que nas outras prefeituras as mortes foram principalmente por afogamento, confirmando que a tragédia foi maior por as comunidades mais envelhecidas do nordeste terem sido as mais atingidas.
Até agora estão confirmadas 8.412 mortes em Miyagi, 3.981 em Iwate e 1.387 em Fukushima."In DN
Ler mais:Japão: Mais de metade das vítimas morreu afogada - Globo - DN

Série de violentos  tornados e tempestades atinge EUA
"Estados Unidos registaram mais de 60 tornados nos últimos três dias. Arkansas e Alabama são os estados mais afectados
Pelo menos 35 pessoas já morreram no sul dos Estados Unidos em três dias de tempestades de Primavera, com as autoridades esperando mais vítimas à medida que as equipes de emergência trabalharem nas localidades mais afetadas. Alguns relatos na imprensa americana já falam em 44 mortos.
Na Carolina do Norte, as tempestades causaram quatro mortes no sábado. Foram registrados mais de 60 tornados. Sete pessoas morreram em Arkansas e outras sete no Alabama, os Estados mais afetados
Em Arkansas, um homem e a sua filha morreram quando uma árvore foi derrubada por um raio e caiu sobre a casa onde eles viviam. Outro menino de seis anos de idade morreu ao ser derrubado de uma árvore pelos ventos. O governador do Alabama declarou emergência em todo o estado.
Em Oklahoma, onde cinco escolas foram destruídas, duas irmãs anciãs morreram. Uma pessoa morreu no Mississippi, que declarou estado de emergência em 14 condados.
No Texas, um bombeiro foi morto tentando apagar um incêndio florestal alimentado pelos fortes ventos. Os ventos fortes, os mais violentos da temporada, também derrubaram árvores na Geórgia.
Os alertas de tornados  espalham-se por diversos estados no sul do país e agora incluem partes do leste, como a capital, Washington D.C., e os estados de Vírginia e Maryland."Globo

Tempestades na China provocam pelo menos 17 mortos
As autoridades chinesas confirmaram a morte de pelo menos 17 pessoas e ferimentos em dezenas de outras devido a violentas tempestades que atingiram a zona centro e sul da província de Guangdong, adjacente a Macau e Hong Kong.
Funcionários dos serviços de emergência explicaram que a chuva de granizo e ventos fortes atingiram a capital de Guangdong, a cidade de Cantão, além de outras como Foshan, Dongguan e Zhaoqing.
As vitimas foram atingidas pela queda de objectos e colapso de paredes entre outros acidentes que terão provocado, pelo menos, 118 feridos, escreveu a agência oficial, Xinhua.
A região de Guangdong é a sede de parte do sector produtivo para exportações na China, mas até agora as autoridades não referenciaram qualquer dano grave nas fábricas da região.  Agência Lusa
Mau tempo
Chuva e trovoada lançam aviso amarelo para todo o país
Hoje, todos os distritos de Portugal continental estão sob aviso amarelo por causa da previsão de chuva, por vezes forte, e de trovoadas, segundo o Instituto de Meteorologia
Estes avisos, válidos até hoje às 23h59, deixam de fora a Madeira e os Açores, informa o site do instituto.
O aviso amarelo implica uma "situação de risco para determinadas actividades dependentes da situação meteorológica", segundo uma escala de quatro avisos (verde, amarelo, laranja e vermelho).
Por seu lado, a Autoridade Nacional de Protecção Civil alerta todos os distritos para a ocorrência de precipitação intensa, sendo de esperar “cheias rápidas” nas cidades, “cortes de estrada devido a inundações” e “danos em estruturas”.
Esta manhã, o mau tempo causou a queda de uma árvore na Avenida João XXI, em Lisboa, danificando uma viatura, informou a agência Lusa. Fonte dos Sapadores de Bombeiros disse que não houve vítimas a registar. “A viatura ligeira ficou danificada pela queda de uma árvore cerca das 07h00 devido à chuva e ao vento que se fizeram sentir durante a noite, não havendo vítimas a lamentar uma vez que o automóvel encontrava-se estacionado”, informou.
Para hoje, o Instituto de Meteorologia prevê céu geralmente muito nublado e aguaceiros por vezes fortes, com condições favoráveis à ocorrência de trovoada. O vento soprará fraco a moderado (10 a 30 quilómetros/hora), por vezes forte (30 a 50 quilómetros/hora) nas terras altas até ao início da tarde.
A temperatura máxima vai descer, prevendo-se para o Porto 17ºC e para Lisboa e Faro, 19ºC.
As condições meteorológica desta semana contrastam com a da semana passada, que registou temperaturas próximas dos 30ºC devido à “predominância da corrente de leste, transportando ar quente e seco no território do continente”, explicou o Instituto de Meteorologia. Anteontem à tarde o cenário mudou devido à “rotação do vento para o quadrante sul” que transporta ar marítimo, progressivamente, de Sul para Norte.”in Jornal “Público”

domingo, 17 de abril de 2011

Finlândia - Portugal

Em tempos foi Portugal a ajudar a Finlândia
"O DN publicou a 21 de Abril de 1940 um "bem haja" da Finlândia aos portugueses. Enviada pelo representante em Lisboa desse país nórdico, a nota diplomática agradece a Portugal a ajuda, tanto em víveres como em agasalhos, durante a guerra russo-finlandesa do Inverno de 1940-1941. "Nunca poderá o povo finlandês esquecer a nobreza de tal atitude", podia ler-se no pequeno texto publicado no nosso jornal há mais de 70 anos.
A solidariedade com a Finlândia pode explicar-se pela aversão no Estado Novo a tudo o que fosse comunista, e era a União Soviética que estava a atacar o seu vizinho, e também pela simpatia natural do pequeno Portugal por outra pequena nação, sobretudo numa época em que as grandes potências mostravam toda a sua gula conquistadora. Mas o heroísmo dos finlandeses, que evitaram que Estaline os integrasse na União Soviética quando pouco antes se tinham libertado do império czarista, emocionou a sério muitos portugueses bem-intencionados.
Hoje boa parte da opinião pública finlandesa mostra não estar nada emocionada com a crise que afecta os portugueses. E se depender de vários partidos, alguns dos quais podem chegar ao Governo nas legislativas de hoje, não haverá solidariedade com Portugal. A ideia é mesmo não participar no resgate da dívida portuguesa e quem o defende parece ganhar votos.
Portugal entrou na União Europeia em 1986, a Finlândia em 1995. Periféricos ambos, optaram por aderir ao euro, sendo os finlandeses os únicos nórdicos a fazê-lo. Tudo parecia indicar um partilhado entusiasmo pelo ideal europeísta. Hoje, nas urnas, veremos se assim é. E bem haja aos eleitores finlandeses que percebam que todos, mas sobretudo os pequenos, ficam a ganhar quando existe solidariedade entre os países da velha Europa." In DN, 17/04/2011

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Os jovens e a dependência das tecnologias

Jovens privados de tecnologias sofrem sintomas de abstinência
A equipa de cientistas estudou os efeitos num milhar de estudantes

   Vício em tecnologias é semelhante ao da droga
Um estudo da Universidade de Maryland analisou os sintomas de abstinência que poderiam sofrer os jovens privados de computadores e smartphones e chegou à conclusão que são comparáveis aos de viciados em drogas, segundo avançou o diário britânico «The Telegraph».
Para a investigação, a equipa de cientistas estudou os efeitos num milhar de estudantes, com idade compreendidas entre os 17 e os 23 anos, em dez países. Para o efeito, o grupo em estudo foi impedido de usar telefones, redes sociais, internet e televisão durante 24 horas.
Apenas podiam utilizar telefones fixos ou ler livros e tinham de manter um diário. Segundo os investigadores, 79 por cento dos estudantes relataram reacções adversas que vão desde desconforto a confusão e isolamento.
Os adolescentes falaram de ansiedade enquanto outros relataram sintomas como comichões, uma sensação semelhante à dos viciados em drogas, em processo de desintoxicação. Alguns ainda relataram sintomas semelhantes a bulimia.
Um em cada cinco alunos relataram sentimentos de abstinência, enquanto 11 por cento disseram que estavam confusos ou se sentiam fracassados. Quase um em cinco (19 por cento) relataram sentimentos de angústia e 11 por cento avançaram que se sentiam isolados. Apenas 21 por cento admitiram que poderiam sentir os benefícios de ficar incomunicáveis.
Alguns estudantes relataram extrema ansiedade por simplesmente não poder tocar o telefone. Um participante relatou: "Eu sou um viciado. Eu não preciso de álcool, cocaína ou qualquer outra forma de depravação social. Esta é minha droga, sem ela fico perdido". Outro escreveu: "Não sabia o que fazer, literalmente. Ir para a cozinha procurar inutilmente nos armários tornou-se numa rotina".
Segundo Susan Moeller, da Universidade de Maryland, que liderou o estudo, "a tecnologia permite contactos sociais para os jovens de hoje e passam a maior parte do tempo ligados a qualquer dispositivo". "Alguns disseram que queriam ficar sem tecnologia durante algum tempo, mas eles não conseguiram devido à possibilidade de serem condenados ao ostracismo".In “ Ciência Hoje”, 2011-04-12

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Quando a realidade se torna ficção

"Tropa de Elite 2"  nos cinemas, em Portugal. Tal como o primeiro é um filme violento com imagens de grande força que tentam recriar uma realidade marginal, mas poderosa. Na tela repetem-se cenas vividas na vida real e que ficcionadas pela subtil "sétima arte" espelham o quotidiano de muita gente.
 "A guerra continua, mas o alvo desloca-se dos narcotraficantes para os senhores do crime. A acção salta 15 anos em relação ao primeiro filme, de modo a chegar à actualidade. Em "Tropa de Elite 2 - o inimigo agora é outro", os inimigos deixam de ser os narcotraficantes para passarem a ser os políticos corruptos que controlam os negócios das favelas do Rio de Janeiro.
"Tropa de Elite 2 - o inimigo agora é outro" chegou, ontem, aos cinemas nacionais após ter-se tornado no filme brasileiro mais visto de sempre (estreado no Brasil em Outubro, em Dezembro já atingira os 11 milhões de espectadores - superando o número de espectadores de "Dona Flor e Seus Dois Maridos").
José Padilha, - o realizador que já antes de se ter aventurado no primeiro "Tropa de Elite", levara a cabo "Ônibus 174", o documentário sobre o assalto e tomada de reféns num autocarro - descobriu na crua realidade da violência do Rio de Janeiro, um ingrediente para a sua fórmula de sucesso.
Em "Tropa de Elite", José Padilha colocava-se claramente na perspectiva de defesa dos polícias que não se deixavam corromper, que apresentava como vítimas da denúncia da violência policial movida pelos "intelectuais de esquerda".
Seu Jorge como prisioneiro amotinado
Neste segundo filme dá continuidade a essa perspectiva, mas o argumento dá outra volta, focando agora o modo como facilmente uma classe política corrupta e sem escrúpulos se aproveita dos media para se eleger, ao mesmo tempo que controla o mundo do crime.
O músico Seu Jorge aparece na fase inicial, como o prisioneiro que lidera uma rebelião na penitenciária de Bangu 1.
Os BOPE - as forças impolutas da polícia militar, que no primeiro filme moviam uma guerra implacável contra o narcotráfico nas favelas cariocas - são chamadas para controlar a situação.
O coronel Nascimento (Wagner Moura) reaparece, a liderar a operação, assim como o seu velho amigo e colega André Matias (André Ramiro), que será um dos BOPE com a missão de entrar na zona tomada pelos prisioneiros.
O novo rival de Nascimento
Entretanto, Diogo Fraga (Marcelo Freixo), um historiador e activista dos direitos humanos, surge na prisão com autorização para entrar e negociar com os presos.
A situação irá descontrolar-se, dando ao activista uma oportunidade de ouro para voltar a manchar a imagem das forças policiais junto dos media.
Fraga é agora um dos principais opositores de Nascimento e o pior é que ele é também o novo marido da sua ex-mulher e, logo, padrasto do seu filho, por esta altura já adolescente.
Apesar do saldo sangrento da operação dos BOPE na prisão, Nascimento surge como um herói para uma larga camada da opinião pública, sedenta de alguém que faça frente a um ambiente de insegurança generalizado, e os seus superiores não vêem outra alternativa senão promovê-lo a sub-Secretário de Estado dos Serviços de Informação da Segurança Pública do Rio de Janeiro, deixando a Matias o papel de arcar com as culpas, destituindo-o dos BOPE e voltando a colocá-lo como um mero polícia de rua.
Nascimento aproveita a sua nova posição, para em acções concertadas com os BOPE acabar com o narcotráfico das favelas.
A estratégia parece resultar, só que em breve Nascimento irá dar-se conta de como o mundo do crime se consegue rapidamente readaptar, criando toda uma nova série de esquemas.” Alexandre Costa (www.expresso.pt)

quinta-feira, 7 de abril de 2011

O poder da indignação

Stéphane  Hessel
Em Dezembro de 2010, foi publicado em França um pequeno livro-manifesto de Stéphane Hessel , veterano da Resistência Francesa e Diplomata, actualmente com 93 anos, onde exorta veementemente os franceses à indignação tal como fizeram os resistentes aquando da 2ª Guerra Mundial.O livro "Indignez-vous!" foi um êxito de vendas num curto espaço de tempo. Em Portugal já foi editado com prefácio de Mário Soares sob o título de "Indignai-vos!" pela Editora Objectiva.  
Neste dia em que Portugal foi sacudido por um turbilhão de sombrias incógnitas que o vinham ameaçando e que surpreendentemente os nossos governantes  tentaram manipular e esconder,  as palavras deste grande resistente francês e a lucidez da poesia de Miguel Torga impoêm-se com mestria como as melhores legendas para esta época.

" O motivo basilar da Resistência era a indignação. Nós, os veteranos dos movimentos de resistência e das forças combatentes da França livre, apelamos às gerações mais jovens que dêem a vida ao legado da resistência e aos seus ideais, e que os transmitam. Dizemos-lhes: revezai-vos e indignai-vos!
Os responsáveis políticos , económicos , intelectuais e a sociedade em geral não podem desistir , nem deixar-se impressionar pela actual ditadura internacional dos mercados financeiros que ameaça a paz e a democracia.(....) Quando  algo nos indigna como eu me indignei contra o nazismo, tornamo-nos  militantes, fortes e empenhados. Juntamo-nos a esta corrente  da História, e a grande corrente da História deve prosseguir graças a cada um de nós.
(...) A pior das atitudes é a indiferença, dizer "como não posso fazer nada, desenvencilho-me como posso". Este tipo de atitude conduz à  perda de uma das componentes essenciais do ser humano. Uma das componentes indispensáveis : a capacidade de indignação e a consequente militância."
Stéphane Hessel , "Indignez-vous!"

Plateia
Não sei quantos seremos, mas que importa?!
Um só que fosse, e já valia a pena
Aqui, no mundo, alguém que se condena
A não ser conivente
Na farsa do presente
Posta em cena!

Não podemos mudar a hora da chegada,
Nem talvez a mais certa,
A da partida.
Mas podemos fazer a descoberta
Do que presta
E não presta
Nesta vida.

E o que não presta é isto, esta mentira
Quotidiana.
Esta comédia desumana
E triste,
Que cobre de soturna maldição
A própria indignação
Que lhe resiste.

Miguel Torga, in "Câmara Ardente ", 1962

sexta-feira, 1 de abril de 2011

A MENTIRA

“Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
muda-se o ser, muda-se a confiança;
todo o Mundo é composto de mudança,
tomando sempre novas qualidades.”
Luís de Camões
«Quem conta uma mentira raramente se apercebe do pesado fardo que toma sobre si; é que, para manter uma mentira, tem de inventar outras vinte». Swift

O primeiro dia de Abril é celebrado como o dia das mentiras. Tradicionalmente, os espíritos mais criativos inventavam  com muito rigor e “veracidade”  grandes falsidades que se impunham a quem as escutava. Os media  foram responsáveis por ardilosos enganos que se propagavam como notícias espantosamente verosímeis  apenas nesse dia.
Ora, essa arte deixou de ter qualquer relevo neste nosso Portugal e para que se comprove basta-nos  ler as notícias que os MEDIA divulgaram ontem, 31 de Março. A mentira já não é o que era. A mentira  tem sido a (in)verdade diária que nos tem acometido há anos, há meses, há dias . O primeiro de Abril perdeu a validade ,  a patente foi-lhe sonegada.

José Sócrates, um antipático contra todos
José Sócrates é descrito como «um antipático contra todos» pelo diário espanhol ABC, que o compara a um condutor em contra-mão.
O primeiro-ministro português é comparado pelo ABC a um «condutor que circula a alta velocidade pela auto-estrada em contra-mão, convencido que são os outros automobilistas que estão enganados». Isto devido à convicção de Sócrates de que Portugal não precisa de ajuda externa e que o «país é capaz de superar os seu problemas através dos seus esforços», escreve o jornal espanhol.
«Depois de ter sido derrotado no Parlamento, apresentou a sua demissão e lançou ao seu partido, socialista, a toda a velocidade contra a oposição liberal-conservadora» esperando conseguir «dar a volta às sondagens e regressar ao poder», contextualiza o ABC.
E no entanto, o dito antipático «surpreendeu tudo e todos quando estendeu a mão aos jornalistas antes de se sentar e explicar a sua versão dos factos» na última cimeira europeia em Bruxelas, refere o jornal. Contudo, no final do encontro, Sócrates tinha regressado ao seu registo anterior: «Podem ter certeza que isto não é uma despedida, apesar de estar seguro que seria o que desejam».
O ABC retoma ainda a polémica da licenciatura do primeiro-ministro português: «Temos de nos abster das partes mais importantes da sua biografia [para acreditar em Sócrates] tendo em conta que quatro das cinco disciplinas concluídas foram aprovadas por um professor que mais tarde foi ocupar um importante cargo no Governo de Sócrates. Já a quinta disciplina foi aprovada pelo próprio reitor da universidade privada de Lisboa, que acabou por ser encerrada precisamente pelo cúmulo de irregularidades que foram surgindo à medida que se investigava o escândalo».
Mas «do que se trata agora é de dinheiro» e do «possível colapso de todo o país», afirma o jornal. Segundo o Presidente do Eurogrupo, Jean Claude Juncker, Portugal poderá precisar de mais de 70 mil milhões de euros ao abrigo de um plano de resgate para garantir o pagamento de uma dívida que poderá arrastar a banca espanhola. In Jornal “SOL”

António Barreto: Crise política é "golpe" de Sócrates para se vitimizar
O sociólogo afirmou que a demissão do Governo foi um "golpe" do primeiro-ministro para provocar eleições, vitimizar-se e que aumenta as dificuldades para Portugal se financiar nos mercados.
"Estamos a pedir em más condições, depois de um golpe de Sócrates que provocou eleições para tentar continuar no deslize e no agravamento em que estávamos", afirmou Barreto, que preside à Fundação Francisco Manuel dos Santos, em declarações à agência Lusa, à margem do lançamento do livro de Vítor Bento, "Economia, Moral e Política".
António Barreto acrescentou ainda que o momento actual do país "corresponde à ideia do primeiro-ministro, de provocar uma crise na qual ele possa, eventualmente, passar por vítima".
O presidente da Fundação Francisco Manuel dos Santos acusou ainda José Sócrates de "caluniar" as entidades internacionais "a quem pede ajuda" e de "caluniar os credores" depois de pedir empréstimos. "Esta duplicidade é um péssimo sinal para o exterior", acrescentou, referindo que se Portugal tivesse pedido ajuda externa há mais de um ano, teria estado em melhores condições para o fazer, e em melhores condições para cumprir eventuais programas de reformas económicas. Lusa

terça-feira, 22 de março de 2011

A banalização da violência

"É notória a escalada da violência nos tempos actuais. O quotidiano está permeado de cenas reais dessa violência, a qual vai assumindo proporções “espantosas”, mas que, para assombro, já não causa tanto espanto. Trata-se de uma violência que se alastra e se banaliza. A sua banalização  dá-se na medida em que já não tem mais face e nem limites. Mostra-se capaz de atingir extremos quase inimagináveis e de ser praticada por todos aqueles que, apesar de humanos, de algum modo, são refractários à ideia de agirem como pessoas em relação aos semelhantes." Marcius Nadur

segunda-feira, 14 de março de 2011

A tragédia no Japão


O pavor de Hiroshima paira de novo sobre o Japão. É a ameaça nuclear que volta sobre um país que guarda marcas e feridas  de um memorial de guerra. O homem cria, inventa e pensa que domina a ciência , mas a fiabilidade dos seus engenhos não é plena. E o perigo ronda quando a natureza toma as rédeas da vida. A construção de centrais nucleares tem sido sempre uma decisão que provoca grande polémica e , por isso, rejeitada em muitos países tal como Portugal. Que o Japão vitimado pela fúria do sismo seguido de um brutal tsunami se confronte novamente  com o horror de um nível elevadíssimo de radioactividade nos seus ares é por demais violento para a sua população. Esperemos que a natureza corrija os danos que provocou e não haja mais sofrimento.
Entretanto, na imprensa de hoje pode-se ler:"A central nuclear mais afectada pelo terramoto do Japão registou esta madrugada uma nova explosão. O acidente gerou oito feridos. As autoridades asseguram que a estrutura do reactor está intacta.
A central Fukushima 1, tem seis reactores nucleares e está localizada a 250 quilómetros de Tóquio. No sábado registou-se uma primeira explosão no reactor 1. Esta manhã, a explosão ocorreu no reactor 3, segundo informam as agências internacionais. O reactor 2 também está inoperacional, por ter perdido as funções de refrigeração.
O porta-voz do governo japonês, Yukio Edano, afastou a possibilidade de se terem produzido significativas fugas de radioactividade depois da explosão. Meia hora depois do acidente, que ocorreu às duas horas da manhã de Portugal (11 horas locais), o responsável garantiu em conferência de imprensa que o nível de radioactividade a cinco quilómetros do local era semelhante ao de ontem.
Apesar disso, a Agência de Segurança Nuclear japonesa pediu aos 600 habitantes de um perímetro de vinte quilómetros que não tinham sido evacuados que permaneçam em casa.
Oficialmente, o número de vítimas do terramoto de sexta-feira ultrapassa as 1.500, às que acrescem milhares de desaparecidos. In "Jornal de Negócios"