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sexta-feira, 6 de maio de 2011

Notícias de Portugal

Hoje é dia de greve nacional na função pública e estão abrangidos pelo pré-aviso 250 mil trabalhadores. Os sindicatos antecipam uma forte perturbação no funcionamento de todos os serviços públicos.
Hospitais, centros de saúde, tribunais, serviços da Segurança Social e escolas serão provavelmente os locais em que mais se sentirão os efeitos da greve marcada para esta sexta-feira por diversos sindicatos da CGTP, que representam trabalhadores do Estado.
Os alunos dos 4º e 6º ano do ensino básico têm a prova de aferição de português marcada mas sem funcionários, as escolas podem não abrir. A não ser que os professores assumam o trabalho dos não docentes, o que o Sindicato da Função Pública considera ilegal.
Os dirigentes sindicais têm boas expectativas quanto à adesão à greve, mas também temem a desmobilização após o primeiro-ministro ter anunciado que as medidas impostas pela "troika" não implicavam despedimentos, cortes nos salários ou nos subsídios de férias e de Natal."RR

"Pacote da troika é atestado de incompetência ao Governo de Sócrates"
"Em entrevista à Renascença, Álvaro Santos Pereira, analisa o pacote de ajuda negociado entre o Governo e a "troika", salientando as causas e consequências da actual situação financeira em Portugal.
Em entrevista à Renascença, Álvaro Santos Pereira analisa o pacote de ajuda negociado entre o Governo e a "troika", salientando as causas e consequências da actual situação financeira em Portugal. O professor da Universidade Simon Fraser (Canadá) acusa os governos dos últimos 15 anos de terem sido "irresponsáveis" por terem levado o país "quase à bancarrota".
Quando se insistem em políticas erradas durante anos a fio, o "preço é o declínio absoluto e o empobrecimento" desses países, sublinha o economista, que deixa um caminho para mudança: “Quem quiser votar na bancarrota do país, quem quiser assinar e votar na maior taxa de desemprego dos últimos 90 anos, na, na maior dívida pública dos últimos 160 anos, no pior crescimento económico dos últimos 90 anos, na pior dívida externa dos últimos 120 anos, na pior taxa de poupança dos últimos 50 anos, na segunda pior taxa de emigração dos últimos 160 anos. Quem quiser isto tudo, no dia 5 deve votar na continuação das políticas dos últimos anos. Quem quiser uma inversão de curso, estiver interessado em ficar no país e estiver interessado em dar um futuro aos seus filhos é melhor que pense duas vezes.” RR

sábado, 22 de janeiro de 2011

Dia de REFLEXÃO ou de CATARSE?

Circula pelos orgãos de comunicação social a regimentada e imposta ideia de que o dia de hoje é de reflexão por estabelecimento legal. Ora, se atentarmos nos pressupostos que determinam  esta regulação, constataremos que não se adequam aos propósitos daqueles que foram  atordoados durante uma longa jornada pelos ruídos invasores de uma campanha vazia mas agressiva, opaca mas incendiária, pobre mas fátua, torpe mas  virulenta , verborreica mas palavrosa, narcísica mas humilhante,  desagregadora mas redundante.
Que se poderá reflectir sobre esta panaceia imposta? Que a cidadania nos obriga ao  voto? Que para assim votar , teremos de  esquecer o objecto da nossa escolha? Que regressou   o tempo da venda nos olhos? O tempo de uma venda que não é  imposta, que  não é coerciva, mas acintosamente vinculativa porque germinada na ausência de um ideário. Para propalar a REFLEXÃO será  necessário antecipar a CATARSE deste tempo pervertido  em ruinoso  cirandar de figuras propensas ao verniz fulgoroso  do poder presidencial.
Segundo Eduardo Lourenço,  Senancour escreveu uma frase que Unamuno e , mais tarde Camus, consideraram como uma espécie de sésamo às avessas , aquela verdade manifesta e suficiente para fechar de vez a porta escancarada do nosso pânico diante da morte e que se apropria  ao também  actual  pânico perante  este  quadro eleitoral :" O homem é perecível. Admitamo-lo; mas morramos resistindo e se é o nada que nos está reservado, não aceitemos que isso seja justo".
E porque da ausência de ruído também nascem a  poesia  e o silêncio, companheiro expatriado, que ,  neste dia, pretendemos homenagear, transcreve-se um  extraordinário poema de Fernando Echebarria que será um excelente mote para a celebração de todo e qualquer tempo de interioridade .

ABSTRAI-SE O RUIDO, PARA QUE O SILÊNCO
da sua massa de insistência suba.
E arraste consigo o pensamento,
erguendo-os ambos à feliz altura,
de onde ficarmos vendo
não coincide só. Também acusa
fidelidade a quanto jaz. E é objecto
de um ímpeto pungido. Mas em cuja
punção subsiste e age e, até mesmo,
do mais ímo de si se desoculta.
E iça-se de si. Abre o deserto
da sua solidão que, à volta, pulsa
e o reduz a luto tenso
da existência liberta. Resoluta.
E reina, enfim, o pino do silêncio
e o mais feliz da escuta.
Fernando Echevarría, in "Lugar de Estudo",Poesia, Edições  Afrontamento, Porto ,Maio de 2009

sábado, 15 de janeiro de 2011

Salgado Zenha e as Presidenciais de 1986

Vivemos um tempo diferente. Tempo em que os ideais se confundem e as ideologias não vigoram. Aproximam-se Eleições e esse acto que deveria promover um amplo debate de novos projectos para este país mortificado por tantos erros e vãs experiências,  queda-se perante um quadro de desalento , de repúdio por uma corrida que se esgota em si e per si, sem senso pelo censo. Os tempos mudaram , os candidatos são outros e , entretanto, Portugal espera.
Salgado Zenha foi candidato presidencial em 1986. Recordemo-lo.

Francisco Salgado Zenha, um grande Democrata
Francisco Salgado Zenha nasce a 2 de Maio de 1923 em Braga, numa família abastada. Foi um dos nossos  grandes da Resistência, lutando valorosamente contra o regime fascista, quer como militante do Partido Comunista desde a década de 40 , quer  através de uma militância activa nas CEUD's (Comissões Eleitorais de Unidade Democrática) , quer, posteriormente, como fundador do PS. Foi perseguido e feito preso político. Paralelamente , exerceu   uma excelente  actividade jurídica  nunca deixando de prestar ajuda a todos os  que  combatiam a Ditadura ,  realizando  brilhantes defesas  nos Tribunais . Com Mário Soares, forma uma das maiores duplas políticas do Portugal do século XX, partilhando ideais e quase todos os grandes momentos da vida política nacional. Ambos apoiam, sem reservas, o general Humberto Delgado em 1958 nas eleições presidenciais, para além de lutarem na linha da frente da oposição ao regime, da qual são figuras emblemáticas.
 Em artigos, em jornais, em Conselhos de Ministros e num Comício no Pavilhão dos Desportos (em 15 de Janeiro de 1975), Zenha bateu-se sempre contra o projecto da unicidade sindical,  uma única central sindical, apesar da proposta ter sido aprovada. Terá dito, antes, empolgando os socialistas no Comício, que "se hoje se sacrifica uma liberdade, amanhã poderá sacrificar-se outra, depois de amanhã outra, e assim sucessivamente".
Em 1976, começa esta dupla, Mário Soares e Salgado Zenha,  a desfazer-se , mas será o  ano de 1986 que marcará o afastamento definitivo destas personalidades políticas cuja  relação se foi  degradando  progressivamente. Zenha demite-se do PS e, apoiado pelo PRD e por Eanes, candidata-se a Belém, causando mal-estar no Partido, onde ainda existiam divergências internas entre "soaristas" e políticos ligados a Zenha. Recebe o apoio do PCP, o que não o impede de conhecer uma derrota política logo na primeira volta das Eleições, ainda que com a cifra de 20%. Em 10 de Junho de 1990, contudo, será por este condecorado com a Ordem da Liberdade, depois de um processo negocial para que aceitasse a distinção, mediado, entre outros, por António Guterres, amigo de sempre de Zenha.
Na data do seu septuagésimo aniversário, a 2 de Maio de 1993, terá dito, perante um grupo de amigos que lhe pediram mais protagonismo político "Sejamos bons e tentemos ser os melhores. Mas sejamos modestos; a modéstia é a melhor forma de vaidade."
Morre a 2 de Novembro de 1993. (  Consulte: Francisco Salgado Zenha. In Infopédia [Em linha]) Porto: Porto Editora, 2003-2011).

Eleições de 1986

  
                  
Resultados da Eleição Presidencial de 26 de Janeiro de 1986 - 1.ª volta :
Diogo Freitas do Amaral  -  CDS-PSD  -  2 629 597 votos  -  45,8%
Mário Soares   -  PS  -  1 443 683 votos  -  25,1%
Francisco Salgado Zenha  -  Independente  -  apoiado pelo PCP e PRD  -  1 185 867 votos  -  20,6%
Maria de Lourdes Pintasilgo  -  Independente  -  418 961 votos  -  07,3%
Ângelo Veloso  -  PCP  -  desistiu a favor de Salgado Zenha
Resultados da 2.ª volta de 16 de Fevereiro de 1986:
Mário Soares   -  PS e os restantes candidatos derrotados na 1º volta -  3 010 756 votos  -  50,7%
Diogo Freitas do Amaral  -  CDS-PSD  -  2 872 064 votos  -  48,4%