terça-feira, 19 de março de 2013

Exposições, Livros e Prémios em Março


Exposição 360º Ciência Descoberta

Uma exposição-viagem de 360º pela ciência descoberta por portugueses e espanhóis. Visitas e conferências completam o programa da exposição na Fundação Calouste Glbenkian.
 Consulte aqui o programa em Agenda

A Seixo Publishers lançou no mercado  dois novos livros integrados na Colecção Um Conto, conforme divulga este convite.  Obras curtas , com poucas páginas que primam pelo valor literário e pela encadernação de grande qualidade artística.

" A sagração do amor "  de  Anabela Mimoso é uma dessas obras. Um conto onde a vida e o amor se encontram e se perdem  quando um deles foge. " Porque  só pelo amor nos podemos aproximar dos deuses e rasgar a inevitabilidade da morte , há quem faça do amor a sua religião.
Uma escrita sempre extraordinária manipulada pelo talento desta  grande escritora.
Sobre a Autora: "Anabela Mimoso nasceu em Lisboa em 1953, mas vive há muito tempo em Vila Nova de Gaia. É professora e investigadora da Cei-EF da Universidade Lusófona Tem uma vasta obra publicada que se reparte pela investigação, pela literatura infanto-juvenil e pela  ficção para adultos.Publicou o seu primeiro livro aos dezasseis anos e desde aí não mais parou de escrever: traduções, manuais escolares, estudos literários, ficção para os mais novos e para adultos,  artigos científicos em revistas e livros na área da Literatura infantil, da literatura tradicional e das ideias pedagógicas. Tem participado em Encontros, Congressos, Acções de Formação no campo da Cultura Portuguesa, em que é Doutora pela FLUP." Anabela Mimoso escreve e publica regularmente  para públicos diversos.

 A  Quidnovi Editora publicou o primeiro volume da  fascinante "História Prodigiosa de Portugal. Mitos & Maravilhas" de Joaquim Fernandes.
Sobre o Livro:“Aqui se apresenta o retrato de um País digno de Alice, tão crédulo e piedoso na regência dos negócios públicos: crenças, mitos e maravilhas cozinhados a lume brando em pactos partilhados entre o céu e o inferno, em sobrenatural e fantástica existência nossa, abençoada a incenso ou a enxofre, com anjos e demónios, par a consolação e provimento da Grei. Nas páginas desta "História Prodigiosa de Portugal" o leitor irá conhecer personagens e eventos capitais que marcam este milenar consórcio de Portugal com os universos do sobrenatural e da magia:
Pedimos de empréstimo Ulisses e outros deuses menores para reconstituir no solo pátrio o Éden bíblico; ousamos "nacionalizar" a submersa Atlântida e a plataforma continental há mais de século; requisitamos ajuda às tropas celestes e aos eclipses para levar de vencida o Mouro invasor; "senhoras luminosas" dispensaram-nos ajuda médica nas frentes de combate contra o infiel; os nossos soberanos acediam à pia baptismal  ao altar e ao trono após consulta aos céus e ao astrólogo régio; comerciámos as nossas mulheres com o diabo e o seu séquito no silêncio dos conventos; as nossas batalhas e os nossos exércitos regulamentavam-se pela aparição dos cometas; traficámos falsas relíquias, aos milhares, em piedosa contrafacção controlada pela Corte e apaniguados; salvámos os nossos prisioneiros dos cárceres da mourama em instantâneos teletransportes; multiplicámos falsos Sebastiões desejados em farsas e tragédias; enviámos homens santos aos mares do Oriente domesticar oceanos e pescarias; replicámos toda a sorte de amuletos e mezinhas para consumo de reis e aristocratas...
Se fossemos coevos de Camilo Castelo Branco subscreveríamos a camiliana sentença: "Uma nação que assim está sob fiscalização divina não pode cair como Cartago ou Roma.” por Joaquim Fernandes
Sobre o Autor:" Joaquim Fernandes é professor na Universidade Fernando Pessoa e co-fundador do Centro Transdisciplinar de Estudos da Consciência (CTEC). É licenciado em História pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto e mestre em História Moderna. Doutorou-se em História, com a tese "O Imaginário Extraterrestre na Cultura Portuguesa - do fim da Modernidade até meados do século XIX", a primeira no seu género a ser apresentada numa universidade portuguesa e europeia." Tem já uma vasta obra publicada.

Prémio bienal Natália Correia vai distinguir livros de poesia
"Coimbra vai acolher um prémio bienal de poesia, sob o signo de Natália Correia, disse  à agência Lusa o poeta António Vilhena.
O prémio nacional visa distinguir, de dois em dois anos, um livro de poesia, no âmbito de uma parceria, com sede em Coimbra, que envolve diversas entidades e o próprio António Vilhena, enquanto dinamizador da Tertúlia Memória e Literatura, que decorre uma vez por mês no espaço BE Poetry, na Baixa da cidade.
Segundo o poeta, que é também vereador do PS na Câmara Municipal de Coimbra, o Prémio de Poesia Natália Correia é uma iniciativa conjunta da Sociedade Portuguesa de Autores, Casino da Figueira da Foz, Diário de Coimbra, BE Poetry e Tertúlia Memória e Literatura.
"Natália tinha uma grande relação com a cidade de Coimbra", disse o amigo da poetisa, falecida há 20 anos, autora do prefácio do livro "A Eterna Paixão De Nunca Estar Contente", que Vilhena publicou em 1991.
A confirmar a ligação afectiva de Natália a Coimbra, realçou a admiração que ela tinha pelos intelectuais da chamada "Geração de 70", do século XIX, em especial pelo seu conterrâneo Antero de Quental, nascido, como ela, na ilha açoriana de S. Miguel.
Na sexta-feira à noite, a tertúlia moderada por António Vilhena, no BE Poetry, foi subordinada ao tema "Lembrar Natália Correia vinte anos depois da sua morte" e contou com a presença do escritor Fernando Dacosta, amigo da autora do poema "Romance de D. Pedro e D. Inês", duas figuras míticas da história medieval de Coimbra. Lusa, DN, 16/03/2013
Novo Programa Cidadania Ativa EEA Grants

A Fundação Gulbenkian e a Embaixada da Noruega convidam a participar na sessão de lançamento do novo Programa Cidadania Ativa / EEA Grants 2013-2016, destinado às Organizações Não Governamentais Portuguesas.
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segunda-feira, 18 de março de 2013

Recordar Raul Brandão

Memórias I
PREFÁCIO- JANEIRO - 1918

“Se tivesse de recomeçar a vida, recomeçava-a com os mesmos erros e paixões. Não me arrependo, nunca me arrependi. Perdia outras tantas horas diante do que é eterno, embebido ainda neste sonho puído. Não me habituo: não posso ver uma árvore sem espanto, e acabo desconhecendo a vida e titubeando como comecei a vida. Ignoro tudo, acho tudo esplêndido, até as coisas vulgares: extraio ternura de uma pedra. Não sei – nem me importo – se creio na imortalidade da alma, mas do fundo do meu ser agradeço a Deus ter-me deixado assistir um momento a este espectáculo desabalado da vida. Isso me basta. Isso me enche: levo-o para a cova, para remoer durante séculos e séculos até ao juízo final. Nunca fui homem de acção e ainda bem para mim: tive mais horas perdidas... Fugi sempre dos fantasmas agitados, que me metem medo. Os homens que mais me impressionaram na existência foram outros: foram , por exemplo, D. João da Câmara, poeta e santo, Corrêa d'Oliveira, um chapéu alto e nervos, nascido para cantar, Columbano e a sua arte exclusiva, e alguns desgraçados que mal sabiam exprimir-se. Conheci muitos ignorados e felizes. Meio doidos e atónitos. O Nápoles ainda hoje dorme sobre a mesma mesa de jornais?... Outro andava roto e dava tudo aos pobres. O homem é tanto melhor quanto maior quinhão de sonho lhe coube em sorte. De dor também.A que se reduz afinal a vida? A um momento de ternura e mais nada... De tudo o que se passou comigo só conservo a memória intacta de dois ou três rápidos minutos. Esses sim! Teimam, reluzem lá no fundo e inebriam-me, como um pouco de água fria embacia o copo. Só de pequeno retenho impressões tão nítidas como na primeira hora: ouço hoje como ontem os passos de meu pai quando chegava a casa; vejo sempre diante dos meus olhos a mancha azul-ferrete das hidrângeas que enchiam o canteiro da parede. O resto esvai-se como fumo. Até as figuras dos mortos, por mais esforços que faça, cada vez se afastam mais de mim... Algumas sensações, ternura, cor, e pouco mais. Tinta. Pequenas coisas frívolas, o calor do ninho, e sempre dois traços na retina, o cabelo de oiro, a outra-banda verde... Passou depois por mim o tropel da vida e da morte, assisti a muitos factos históricos, e essas impressões vão-se desvanecidas. Ao contrário, este facto trivial ainda hoje o recordo com a mesma vibração: a morte daquela laranjeira que, de velha e tonta, deu flor no Inverno em que secou. O resto usa-se hora a hora e todos os dias se apaga. Todos os dias morre.Lá está a velha casa abandonada, e as árvores que a minha mãe, por sua mão, dispôs: a bica deita a mesma água indiferente, o mesmo barco arcaico sobe o rio, guiado à espadela pelo mesmo homem do Douro, de pé sobre a gaiola de pinheiro. Só os mortos não voltam. Dava tudo no mundo para os tornar a ver, e não há lágrimas no mundo que os façam ressuscitar.

Esta Foz de há cinquenta anos, adormecida e doirada, a Cantareira, no alto o Monte, depois o farol e sempre ao largo o mar diáfano ou colérico, foi o quadro da minha vida. Aqui ao lado morou a minha avó; no armário, metido na parede como um beliche, dormiu em pequeno o meu avô, que desapareceu um dia no mar com toda a tripulação do seu brigue, e nunca mais houve notícias dele. Lembro-me da avó e da tia Iria, de saia de riscas azuis, sentadas no estrado da sala da frente, e possuo ainda o volume desirmanado do Judeu que elas liam, com o Feliz Independente do Mundo e da Fortuna e a Recreação Filosófica do padre Teodoro de Almeida. Ouço, desde que me conheço, sair do negrume, alta noite, a voz do moço chamando os homens da companha: – Ó sê Manuel, cá pra baixo prò mar! – Vi envelhecer todos estes pescadores, o Bilé, o Mandum, o Manuel Arrais, que me levou pela primeira vez, na nossa lancha , ao largo. Há que tempos! – e foi ontem... A quarenta braças lança-se o ancorote. Na noite cerrada uma luzinha à proa; do mar profundo – chape que chape – só me separa o cavername. Deito-me com os homens sob a vela estendida. Primeiro livor da manhã, e não distingo a luz do dia do pó verde do ar. Nasce da água, mistura-se na água, com reflexos baços, a claridade salgada que palpita no ar vivo que respiro, no oceano imenso que me envolve. – Iça! iça! – e as redes sobem pela polé, cheias de algas e de peixe, que se debate no fundo da catraia. Voltamos. Já avisto, à vela panda, o farolim, depois Carreiros; um ponto branco, além no areal, é o Senhor da Pedra, e a terra toda, roxa e diáfana, emerge enfim, como aparição, do fundo do mar. A onda quebra. Eis a barra. Agora o leme firme!... As mulheres, de perna nua, acodem à praia para lavar as redes, e o velho piloto-mor, de barba branca, sentado à porta da Pensão, fuma inalterável o seu cachimbo de barro. O azul do mar, desfeito em poalha, mistura-se ao oiro que o céu derrete. mais barcos vão aparecendo, vela a vela: o Vai com Deus, a Senhora da Ajuda, o Deus te guarde, e os homens, de pé, com o barrete na mão, cantam o bendito, tanta foi a pesca. – Quantas dúzias? – Um cento! dois centos! – Nas linguetas de pedra salta a pescada de lista preta no lombo, a raia viscosa, o ruivo de dorso vermelho, ou, no Inverno, a sardinha que os batéis carreiam do mar inesgotável, estivando de prata todo o cais. Às vezes o peixe miúdo e vivo é tanto, que não bastam os almocreves com os seus burros canastreiros, as varinas com os seus gigos, nem as mulheres de saia ensacada e perna à mostra, para o levarem, apregoando-o, por essa terra dentro. Dá-se a quem o quer, faz-se o quinhão dos pobres. Em Setembro são as marés vivas. Mais tarde cresce do mar um negrume. Acastelam-se as nuvens no poente, e forma-se para o sul uma parede compacta que tem léguas de espessura. A voz é outra, clamorosa, e, à primeira lufada, bandos de gaivotas grasnam pela costa fora, anunciando o Inverno que vem próximo. O quadro muda, e os homens morrem à boca da barra, na Pedra do Cão, agarrados aos remos, sacudidos no torvelinho da ressaca, o velho arrais de pé, as duas mãos crispadas no leme, cuspindo injúrias, para lhes dar ânimo, e todo o mulherio da Póvoa, de Matosinhos, da Afurada – vento sul, camaroeiro içado – com as saias pela cabeça, salpicadas de espuma e molhadas de lágrimas: – Ai o meu rico homem! o meu filho, que não o torno a ver! – E chamam por Deus, ou insultam o mar, que, Inverno a Inverno, lhos leva todos para o fundo.O que sei de belo, de grande ou de útil, aprendi-o nesse tempo: o que sei das árvores, da ternura, da dor e do assombro, tudo me vem desse tempo... Depois não aprendi coisa que valha. Confusão, balbúrdia e mais nada. Figuras equívocas, ou, com raras excepções, sentimentos baços. Amargor e mais nada. Nunca mais... Nunca Londres ou a floresta americana me incutiram mistério que valesse o dos quatro palmos do meu quintal. Nunca caça às feras no canavial indiano foi mais fértil em emoção e aventura que a armadilha aos pássaros na poça do monte, com o Manuel Barbeiro. Uma nora, dois choupos, a água empapada, e, entre as ervas gordas como bichos, pegadas de bois cheias de tinta azul, reflectindo o céu implacável de Agosto: Os pássaros com as asas abertas desconfiam e hesitam: a sede aperta-os, o sol escalda-os. Mal pousam na armadilha agarramo-los com ferocidade. Chiu!... Uma andorinha descreve lá no alto um círculo perfeito, e vem, no voo desferido, arripiar com o bico a água estagnada. Toca numa palheira de visco – é nossa! Já tiveste nas mãos uma andorinha? É penas e vida frenética. E essa vida pertence-te!... Só ao fim da tarde regressava a casa com os bolsos cheios de rãs e os olhos deslumbrados. Nenhuma figura torva, nem o Anticristo, me comunicou terror semelhante ao do inofensivo manco da esquina, que escondia de manhã a barba, que lhe chegava ao umbigo, entre o peito e a camisa, para a sacar de noite, quando saía à estrada... Sou capaz de te dizer qual o tom róseo de certos dias, quando o pessegueiro bravo encostado ao muro floresce. O murmúrio da minha bica não me sai dos ouvidos até à hora da morte. Quase todos os meus amigos – o Nel, que não tornei a ver... – são dessa época. Doutras impressões mais tardias não restarão vestígios, mas tenho sempre presentes os mesmos pinheiros mansos – que já não existem – acenando para a barra, e alta noite acordo ouvindo o rebramir do mar longínquo. Nos dias de desgraça é sempre a mesma voz que chama por mim... Olha, olha ainda e extasia-te; o rio parece um lago, e um bando de gaivotas desfolhadas alastra sobre a tinta azul, com laivos esquecidos do poente. Bóia espuma na água viva que a maré traz da barra... E não há cheiro a flores que se compare a este cheiro do mar.” Raul Brandão , in “Memórias I”, ed. de José Carlos Seabra Pereira, Lisboa: Relógio d'Água, 1998
Raul Brandão (1867-1930) nasceu na Foz do Douro e aí passou a infância e a juventude. "Era filho e neto de pescadores. Durante os anos de liceu, começou a interessar-se pela literatura. Frequentou, como ouvinte, o Curso Superior de Letras, ingressando mais tarde na Escola do Exército. Paralelamente a esta carreira - mormente ligada à burocracia militar - Raul Brandão foi jornalista escritor. Em 1896 foi colocado em Guimarães, cidade onde se casou e se instalou definitivamente. Em 1912, depois de se reformar, dedicou-se exclusivamente à escrita, encetando um ciclo de particular fecundidade literária.É o grande modernista português na prosa de ficção. "Húmus", 1917,é considerada a sua melhor obra , aquela que mais legitimamente o situa no plano das obras excepcionais, singulares.Nela se evidencia o peso do drama humano,  encenando a tragédia da luta da «vila» pelo seu «sonho», e utilizando processos de desconjuntamento do tempo narrativo que antecipam o trabalho discursivo da ficção de hoje." “ A Farsa” , " O Padre", "Os Pobres”, " Os Conspiradores", " El Rei Junot", " Os Pescadores" , " As Ilhas desconhecidas", " O Avejão"(Teatro)  são também algumas das suas obras.
Inquirido a propósito da elaboração da sua biografia, Raul Brandão respondeu:" Da minha vida não posso acrescentar mais nada, além do que aí está em farrapos nalguns dos meus volumes."

domingo, 17 de março de 2013

Ao Domingo há Música


Firenze, Toscana
A música não nos confia nem o tempo nem o eterno, mas produz o movimento; ela não afirma nem o vivido nem o conceito, mas constitui o acto de razão sensível.” G. Deleuze 
A voz de Andrea Bocelli e o talento do pianista Lang Lang  constituem, neste Domingo, o acto de grande sensibilidade musical.  Do espectáculo ao vivo que juntou estes dois grandes artistas, em 2007, na Toscana, extraiu-se a canção "Io ci sarò" cuja letra foi assinada pelo próprio Bocelli.



Io Ci Saro

Amore mio forse sai
che domani non mi troverai
non è mia la colpa
è la vita che mi porta via da te
ogni volta che sentirai
un pianoforte ti ricorderai
le nostre ore insieme a giocare
e ascoltare musica
ma io ci sarò
se soffrirai
accanto a te mi troverò
se vorrai
con il tempo, scoprirai
che l'Amore viene e se ne va
ma c'è un solo Amore
che non muore
e che col tempo crescerà

Un vento di maestrale
che improvvisamente
il cielo schiarirà
ma io ci sarò
e se sarai felice
al cielo griderò

Io non me ne andrò
e nei momenti tristi
accanto a te sarò
e se vorrai
io accanto a te sarò!
Letra: Andrea Bocelli/Eugenio Finardi; Música: David Foster/Walter Afanasieff

sábado, 16 de março de 2013

Assim foi a semana

OMS lança relatório de saúde da Europa em 2012


"A Organização Mundial de Saúde (OMS) publicou no passado dia 13 um relatório sobre a situação da saúde na Europa. Segundo o documento, a esperança média de vida dos europeus aumentou, ainda que se verifiquem grandes diferenças entre os países do continente.
O relatório mostra que a esperança média de vida de um europeu era de 76 anos em 2010, mais 5 anos do que em 1980. A Suíça, a Islândia e a região do Mediterrâneo lideram a lista dos países com maior longevidade, com uma expectativa de vida de 82 anos. A Rússia registar o número mais baixo do grupo, 69 anos.
As doenças cardiovasculares são as que mais matam na Europa, sendo responsáveis por metade das mortes de pessoas com idade inferior a 65 anos. Apesar da alta mortalidade provocada por este tipo de enfermidades, os indicadores mostram que a sua influência está a diminuir, excepção feita aos países do leste europeu onde se regista uma tendência de subida." rcmpharma15/03/2013 
O cardeal argentino Jorge Bergoglio é o primeiro latino-americano e o primeiro jesuíta a liderar a Igreja Católica "Foi a 21 de Fevereiro de 2001 que João Paulo II fez de Jorge Mario Bergoglio Cardeal. Nove anos antes, o mesmo Papa nomeou-o Bispo. Bergoglio, homem de fé austera, teve uma carreira meteórica na hierarquia da Igreja Católica Romana.  O seu nome não estava entre os favoritos, no entanto, em 2005, no meio de indiscrições após o Conclave, soube-se que Bergoglio tinha sido o segundo nome mais votado. Ratzinger, ou Bento XVI, foi o primeiro. O novo Papa tem 76 anos. Filho de imigrantes italianos, nasceu em Buenos Aires. Além da sua nacionalidade, argentina, a sua idade constitui outra surpresa. Depois de Bento XVI, esperava-se um Sumo Pontífice mais novo. E de saúde mais robusta. mas adolescente, Bergoglio contraiu uma doença respiratória infecciosa e desde os 20 anos que vive só com um pulmão. Técnico em química, foi mais tarde que escolheu o sacerdócio.Foi aos 21 anos, quando entrou para a Companhia de Jesus. Como estudos escolheu Humanidades e obteve uma Licenciatura em Filosofia. É a primeira vez que um jesuíta se torna Papa, isto apesar da Companhia de Jesus ser uma das três mais importantes organizações dentro da Igreja Católica Romana. Ordenado padre em 1969, quando completa 36 anos, em 1973 torna-se primado da Argentina. Ou seja, o responsável nacional dos jesuítas do país. Três anos depois começa a ditadura na Argentina. Um período que traz algum desconforto a Bergoglio. Os sequestros políticos começam, padres e a classe trabalhadora, muito implicados socialmente, tornam-se alvo especial da junta. Dois prelados são detidos e torturados. Nessa altura, tentaram implicar Bergoglio. O agora Papa sempre rejeitou essa acusação. E na Argentina, a sua má relação com o casal Kirchner é conhecida. Começou no tempo de Nestor e culminou em 2010, com Cristina no poder, por causa da legalização, no país, do casamento homossexual. Apesar de se opor ao aborto e à ordenação das mulheres, Bergoglio criticou, em 2012, os padres que recusam baptizar crianças nascidas fora do casamento. Chamou-os “hipócritas”. Mas o que o apaixona é a luta contra a pobreza. E conhece bem os bairros desfavorecidos de Buenos Aires. A escolha de Jorge Mario Bergoglio é vista por muitos como o regresso da humildade ao Vaticano. Uma humildade que o Cardeal professa. Sempre preferiu os transportes públicos, abdicou dos faustos oferecidos pela residência dos arcebispos e vive num apartamento modesto. Como vai um jesuíta agora encarar a vida de Papa?" Euronews

Vislumbre do bosão de Higgs nas colisões de outras partículas
                        Vislumbre do bosão de Higgs nas colisões   de outras partículas Fotografia © CERN

"Os físicos do CERN anunciaram em Julho a descoberta de uma nova partícula que, tudo indicava, poderia ser o tão procurado bosão Higgs. A tal "partícula de Deus", que é responsável pela massa das outras partículas, segundo o Modelo Padrão da Física, o mais consensual para explicar o mundo da matéria e a forma como ela se organiza. Hoje, os cientistas do CERN foram mais incisivos. Numa conferência que está decorrer em Itália, e com duas vezes e meia mais de dados já analisados, os físicos afirmam que a partícula anunciada há oito meses se parece cada vez mais com o bosão de Higgs.
"Os resultados preliminares sobre a totalidade dos dados de 2012 são magníficos e, para mim, é claro que estamos perante o bosão de Higgs, ainda que nos encontremos longe de saber que tipo de bosão de Higgs se trata", adiantou Joe Incandela, da experiência CMS, uma das que detetou os sinais da nova partícula. O físico fez hoje a apresentação dos novos resultados na conferência "Encontros de Moriond", que está a decorrer em La Thuille, nos Alpes italianos, e que é o primeiro grande encontro de Física do ano.
Os dados obtidos pela ATLAS, a outra experiência do CERN orientada para a busca deste bosão, vão no mesmo sentido. "Os novos resultados são belíssimos e apontam para que a nova partícula tem as características do bosão de Higgs do Modelo Padrão", confirmou o porta-voz da ATLAS, Dave Charlton.
Há, no entanto, confirmações que é necessário fazer para se ter uma certeza absoluta sobre estas indicações fortes. "Mantém-se em aberto a questão de este ser mesmo o bosão de Higgs, ou um bosão mais leve de uma série deles do mesmo tipo, que estão previstos por algumas teorias que vão para além do Modelo Padrão", explica o CERN, sublinhando "que responder a esta questão vai levar tempo".
O bosão de Higgs foi teorizado na década de 60 do século passado pelo físico britânico Peter Higgs, tornando-se a chave para compreender o mundo da matéria segundo o Modelo Padrão da Física. Mas para haver certezas, pelos vistos, ainda vai ser preciso esperar mais algum tempo, enquanto os físicos continuam a fazer contas." DN,14/03/13
Dois milhões de crianças poderão ser "geração perdida"
Crianças brincam num tanque destruido em Aleppo.
"Mais de dois milhões de crianças sírias poderão tornar-se uma "geração perdida" devido à falta de apoio da comunidade internacional, alertou a UNICEF, que pede fundos urgentes para abordar a crise no país.
Se a situação não melhorar, avisou a agência da ONU para a infância num relatório que assinala os dois anos do conflito na Síria, a organização será obrigada a interromper, até ao final de Março, as "operações para salvar vidas na Síria".A UNICEF acrescentou que será "incapaz de responder às necessidades básicas das crianças, tais como acesso sanitário, campanhas de vacinação contra a poliomielite e o sarampo, cuidados neonatais e ajuda médica de urgência".
Até agora, a comunidade internacional financiou apenas 20% do total de 195 milhões de dólares (150 milhões de euros) pedidos pela UNICEF para cobrir, até ao fim de Junho  as necessidades humanitárias das mulheres e das crianças afectadas pela crise na Síria, na Jordânia, no Líbano, na Turquia, no Iraque e no Egito.
O conflito na Síria afecta actualmente mais de dois milhões de crianças, 536.000 das quais têm menos de cinco anos, e uma em cada cinco escolas foi destruída pela guerra.
Cerca de 800 mil crianças com menos de 14 anos estão deslocadas no interior do país, enquanto meio milhão de menores são refugiados em países vizinhos.
"Em resumo, a crise está a chegar a um ponto sem retorno, com consequências de longo prazo para a Síria e a região como um todo, incluindo o risco de uma geração perdida de crianças sírias", escreveu a UNICEF no relatório.
Para o Director executivo daquela agência, Anthony Lake, "o risco de ver perder uma geração aumenta a cada dia de deterioração da situação".
"Milhões de crianças na Síria e na região vêem desaparecer o seu passado e o seu futuro", engolidos pelos "escombros e pela destruição provocada pelo conflito que se prolonga", acrescentou, referindo que as crianças enfrentam "perigos terríveis, são mortas, mutiladas e ficam órfãs devido ao conflito".
Mais de 70.000 pessoas morreram na Síria desde o início do conflito, que começou há dois anos.
Embora sem números concretos, a UNICEF lembrou que há crianças entre os milhares de mortos, assim como há crianças mutiladas, vítimas de violência sexual, tortura, detenções arbitrárias e menores recrutados como soldados.
"Inúmeras crianças sofrem o trauma psicológico de ver morrer familiares, de ser separados da família, de viver aterrorizados pelos bombardeamentos constantes", disse Lake, acrescentando que o acesso a água potável, a saneamento adequado e a cuidados de saúde está cada vez mais difícil." Lusa,12/03/13
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É no Sul do Mundo que cresce a economia
"O PNUD define o Norte como "o Ocidente". Os outros países de grande crescimento, mesmo que fiquem acima da linha do Equador, pertencem a este novo conceito de Sul, dinâmico e em florescimento. Os países que evoluíram positivamente têm em comum uma posição proactiva no desenvolvimento.O Sul é o novo pólo de desenvolvimento do planeta, diz o Relatório de Desenvolvimento Humano de 2013 do Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (PNUD). Em 2020, a produção combinada da China, Índia e Brasil, as três maiores economias "do Sul", deverá mesmo ultrapassar a dos Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Canadá.
Não é novidade que a categoria “países em desenvolvimento” já não é adequada aos dias de hoje. Entre 1980 e 2010, esses países em desenvolvimento quase duplicaram a sua quota das trocas comerciais internacionais: passaram de 25% para 47% do mercado." Público,!4/03/2013

"A taxa de desemprego deste ano e do próximo , em Portugal, foi revista fortemente em alta pelas Finanças. A taxa deverá atingir 18,2% da população activa este ano e 18,5% no próximo, indicou  Vítor Gaspar.
De acordo com as novas projecções da sétima avaliação da troika, o desemprego parece ir a caminho de 19%, a recessão deste ano será de 2,3% (e não de 1% como se dizia há três meses), o investimento vai afundar 7,6% e as exportações ficarão quase estagnadas, em 0,8% em 2013.
O défice deste ano foi flexibilizado para 5,5%, para 4% em 2014 e 2,5% em 2015, indica o novo quadro da avaliação externa e das Finanças."Dinheiro vivo,15/03/13

Milhares de manifestantes exigem a demissão do Governo
"Milhares de funcionários públicos de todo o país e de vários sectores desceram, ontem, a Avenida da Liberdade gritando palavras de ordem a exigir o fim da política de austeridade e a demissão do Governo."DN,15/03/13

sexta-feira, 15 de março de 2013

O Brasil tem um tempo próprio


Um pouco de história
Por  Carlos Heitor Cony
DE SÃO PAULO
“Descoberto em 1500, o Brasil tem um tempo próprio, que o distingue de outros países. Quando os portugueses aqui chegaram, nossos índios viviam na Idade da Pedra. O período colonial equivaleu à nossa Antiguidade e os dois reinados fizeram a vez de nossa Idade Média.
Com a república no final do século 19, entramos no que seria a Idade Moderna, mas não a Idade Contemporânea. Nada de estranhar, portanto, que oito anos após a vitória republicana, em 1889, fosse fundada a Academia Brasileira de Letras, em Julho de 1897, com alguns séculos de atraso em relação a seu modelo, a Academia Francesa.
Na própria França, o gosto literário e a liturgia social haviam mudado, e numa época em que Baudelaire, Mallarmé e Rimbaud rompiam com a ética conservadora e a estética tradicional da literatura, no Brasil ainda se cultuava o parnasianismo rebuscado, o romantismo enviagrado.
Mesmo assim, a ABL representou um estágio superior na história cultural do país. Ali se reuniram os melhores escritores da época, ao lado de alguns notáveis de nossa vida pública --herança da própria Academia Francesa.
Um exemplo ilustra a tradição de academizar os notáveis. Joaquim Nabuco, um dos fundadores, sugeriu a Machado de Assis o nome do Barão do Rio Branco, ministro das Relações Exteriores, certamente o homem mais importante daquele tempo. Machado hesitou, alegando que o barão não tinha livro publicado, nada escrevera até então. Nabuco argumentou: "Rio Branco está escrevendo o mapa do Brasil". E o barão tornou-se académico.
Pouco a pouco, historiadores e sociólogos, e não apenas críticos literários, começam a absorver a fundação da ABL, entre os fatos marcantes da República recém-instaurada. Com efeito, a ideia de uma academia de letras ou de artes sempre pareceu associada aos regimes monárquicos, e o Brasil foi monarquia constitucional desde a sua independência, em 1822.
Atravessou os dois reinados, o de Pedro 1º e Pedro 2º, sem que nenhum brasileiro articulasse seriamente um movimento académico  embora o fato literário, em si, tenha sido dominante na historia da nação, desde os tempos em que era colónia de Portugal.
O próprio D. Pedro 2º tinha pretensões de poeta, ligou-se aos intelectuais e cientistas de sua época, tanto no Brasil como no exterior, mas nunca lhe ocorreu fundar ou patrocinar uma Academia Real (ou Imperial) de Letras ou de Artes. Circulam até hoje sonetos de sua autoria, que alguns atribuem a amigos do imperador, como Carlos de Laet, por sinal, um dos primeiros integrantes da futura Academia "Brasileira" de Letras.
Certo que não houve qualquer conotação política na sua fundação. A ideia de congregar escritores num cenáculo não foi de Machado de Assis, que para todos os efeitos ficou como pai da ideia e dela se apossou, não por vontade própria, mas por mérito e circunstância.
A semente que produziria a futura "Casa de Machado de Assis" foi lançada por Lúcio Mendonça, um jurista, membro do Supremo Tribunal Federal, e homem dedicado às letras mas sem o carisma literário que, na época, somente Machado possuía.
A Academia não se fundou às custas nem sob as benesses do governo, até hoje mantém uma cordial distância do poder político e económico  Ao mesmo tempo em que elege partidários da situação, igualmente escolhe adversários dos diversos regimes que o país vem atravessando em sua fase republicana.
No seio da agremiação, tiveram assento monarquistas, anarquistas, positivistas, católicos praticantes, comunistas, integralistas --um mosaico até certo ponto divertido do ponto de vista social e político.
Sem falar nas diversas correntes da literatura propriamente dita, desde os classicistas e parnasianos, como Ruy Barbosa, Coelho Neto, Alberto de Oliveira e Olavo Bilac, até modernistas, como Manuel Bandeira, Jorge Amado, José Lins do Rego e Menotti del Pichia, sem falar nos outsiders, como Guimarães Rosa e João Cabral de Melo Neto.“  Carlos Heitor Cony em Artigo de Opinião, publicado na Folha de S. Paulo, em 8/03/2013
Carlos Heitor Cony é o "quinto ocupante da Cadeira nº 3 da Academia Brasileira de Letras, eleito em 23 de Março de 2000, na sucessão de Herberto Sales e recebido em 31 de Maio de 2000 pelo académico Arnaldo Niskier.
Carlos Heitor Cony nasceu no Rio de Janeiro em 14 de Março de 1926.  Fez Humanidades e o curso de Filosofia..
Em 1952 é redactor da Rádio Jornal do Brasil. De 1958 a 1960 é um dos jovens escritores que colaboram no SDJB (Suplemento Dominical do Jornal do Brasil), com contos, ensaios, traduções. Em 1961 começa a trabalhar no Correio da Manhã, do qual foi redactor  cronista, editorialista e editor. Com a revolução de 1964 é preso várias vezes e passa um período na Europa e em Cuba. Numa das prisões (em 1965), teve como companheiros, entre outros, Flávio Rangel, Glauber Rocha, Antonio Callado, Mário Carneiro, Jayme Azevedo Rodrigues, Márcio Moreira Alves, Thiago de Mello e Joaquim Pedro de Andrade.
Colabora por mais de 30 anos na revista Manchete e dirigiu Fatos & Fotos, Desfile, Ele Ela. De 1985 a 1990, foi director de Teledramaturgia da Rede Manchete, produzindo e escrevendo sinopses das novelas A Marquesa de Santos, D. Beja, Kananga do Japão. Em 1993 substitui a Otto Lara Resende na crónica diária do jornal Folha de S. Paulo, do qual é membro do Conselho Editorial. É comentarista diário da CBN, participando do Grande Jornal com o programa “Liberdade de Expressão”.
Ganha duas vezes o Prémio Manuel António de Almeida, com os romances A Verdade de Cada Dia, em 1957, e Tijolo de segurança, em 1958.
Prémio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto da obra, em 1996.
Prémio Jabuti de 1996, da Câmara Brasileira do Livro, pelo romance Quase memória.
Prémio Nacional Nestlé de Literatura de 1997, pelo romance O piano e a orquestra.
Prémio Jabuti de 1997, pelo romance A casa do poeta trágico.
Prémio Jabuti 2000, concedido ao Romance sem palavras.
Os romances Quase memória e A casa do poeta trágico ganharam o Prémio “Livro do Ano”, em 1996 e 1997, conferido pela Câmara Brasileira do Livro.
Recebeu do governo francês a Ordre des Arts et des Lettres (1998 – Paris)".Fonte: ABL

quinta-feira, 14 de março de 2013

As crianças e a crise


“Cerca de 300 crianças ligaram em 2012 para a Linha SOS Criança, do Instituto de Apoio à Criança, preocupadas com a situação socioeconómica dos pais, um número que aumentou quase 8% em relação a 2011.
O número consta nos dados estatísticos relativos ao ano passado e que mostram que o Instituto de Apoio à Criança (IAC) apoiou 6.872 crianças, entre a Linha SOS Criança (2.760), mediação escolar (3.610), Linha da Criança Desaparecida (53), correio electrónico (389) e atendimento psicológico (103).
Dos mais de 2.700 telefonemas feitos para a Linha SOS Crianças, 311 (11%) foram feitos por crianças que ligaram a pedir apoio, a maioria das quais por causa da situação socioeconómica dos pais, fruto das dificuldades económicas pelas quais o país atravessa.
"As crianças desenvolveram assim quase como que a ideia de um síndrome de um mundo mau e começaram a ficar preocupadas com medo que os pais pudessem perder o emprego e ligaram mais com esse tipo de preocupação", contou o secretário-geral do IAC.
De acordo com Manuel Coutinho, comparativamente com os anos anteriores, esta "foi a preocupação que mais surgiu", sublinhando que a Linha SOS Criança serviu como uma "almofada psicoemocional".
"Certamente que há uma correlação positiva entre a abertura dos jornais e as preocupações que as crianças nos vão manifestando, até porque muitas delas viviam numa situação socioeconómica melhor e hoje estão um bocadinho mais privadas e isto fá-las perceber que algo está a acontecer, nomeadamente no campo das restrições", adiantou Manuel Coutinho.
Nestes casos, explicou o psicólogo clínico, a solução passa por "ouvir com muita tranquilidade (...),de maneira a que a criança por ela consiga perceber e intuir que há caminho para andar".
Manuel Coutinho acrescentou que estes casos acontecem mais entre as crianças com idade entre os 10 e os 12 anos porque "têm alguma perceção, mas não têm conhecimento total" e não gostam de partilhar as suas angústias com os pais.
Os telefonemas não foram todos eles feitos por crianças, e houve também 2.283 chamadas feitas por adultos. Do total de chamadas, houve 345 por causa de crianças em perigo, 300 por situações de negligência, 256 por maus tratos físicos, 151 por maus tratos psicológicos, 65 por abusos sexuais, entre outros.
Do total de 2.760 chamadas, a Linha SOS Criança teve de dar encaminhamento específico a 608 situações.
A maior parte dos contactos foi feito de Lisboa (538), logo seguido do Porto (181) e de Setúbal, enquanto a maior parte das ocorrências foi registada em Lisboa (626), Setúbal (605) e Porto (219).
A maior parte dos contactos foi feita à terça-feira (574), no mês de maio (297) e a maioria das chamadas (677) durou até meia hora.
A Linha SOS Criança foi criada em 1988 e até hoje já recebeu mais de 120 mil apelos.”Diário Digitall/Lusa, 14/03/2013

quarta-feira, 13 de março de 2013

Escrever um poema


Cinco Palavras Cinco Pedras

Antigamente escrevia poemas compridos
Hoje tenho quatro palavras para fazer um poema
São elas: desalento prostração desolação desânimo
E ainda me esquecia de uma: desistência
Ocorreu-me antes do fecho do poema
e em parte resume o que penso da vida
passado o dia oito de cada mês
Destas cinco palavras me rodeio
e delas vem a música precisa
para continuar. Recapitulo:
desistência desalento prostração desolação desânimo
antigamente quando os deuses eram grandes
eu sempre dispunha de muitos versos
Hoje só tenho cinco palavras cinco pedrinhas
Ruy Belo , in “ Homem de Palavra(s)”, Editorial Presença

Apetecia-me escrever um belo verso

Sonoro, elegante, correcto, de mármore!
Nele pôr o que outros me inspirassem.
O que ali aquele poeta estava cantando.
Ele o cantava e eu o repetia.
Acrescentava, desdobrava, acrescia da minha ansiedade.
Mas verso bem feito!
Cheio do que se sonha, não do que se sente.
Parece-me pobre o que sinto.
E vulgar.
Estes olhos que sem querer se envidraçam, fúteis, sem recato, infantis, esta voz
                                     [insegura, enfim, tudo isto…
Que figura iriam fazer dentro de um verso elegante, lapidar?
Belo verso trair-te-iam, roubar-te-iam toda a graça e até a ressonância, o êxtase
                                     [e aquela espécie de embalo que ao espírito sempre dás.
Mas sinceramente me apetecia escrever um verso de mármore belo!
Tudo, tudo por causa daquele poema
Irene Lisboa (com o pseudónimo de João Falco), in “ Outono havias de vir latente e triste”, Lisboa, Seara Nova, 1937


EMERGÊNCIA
Quem faz um poema abre uma janela.
Respira, tu que estás numa cela
abafada,
esse ar que entra por ela.
Por isso é que os poemas têm ritmo
- para que possas profundamente respirar.
Quem faz um poema salva um afogado.

Mário Quintana, in “ Cem Melhores Poemas Brasileiros do Século”, Antologia de Poesia organizada por Ítalo Moriconi,  Ed. Objetiva

terça-feira, 12 de março de 2013

Um sismómetro em órbitra

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GOCE: o primeiro sismómetro em órbita
"Os satélites eram já usados para mapear mudanças na superfície da Terra causadas por sismos, mas até agora nunca se tinham sentido no espaço as ondas de som de um sismo. Agora, o GOCE - o hiper-sensível satélite de gravidade da ESA - acrescentou um novo item à sua lista de sucessos.
Os tremores de terra não só criam ondas sísmicas que viajam através do interior da Terra, como os grandes sismos fazem também vibrar a superfície do planeta como se fosse um tambor. Isto produz ondas sonoras que se deslocam para cima, através da atmosfera.
A amplitude dessas ondas muda de centímetros à superfície da Terra para quilómetros na atmosfera fina, a altitudes de 200-300 quilómetros.
Apenas as ondas sonoras de baixa frequência – os infrassons - chegam a estas alturas. Isto causa movimentos verticais que expandem e contraem a atmosfera por aceleração de partículas de ar.
A 11 de Março de 2011, 20 mil pessoas morreram no sismo e tsunami que devastou a costa nordeste do Japão. Novos estudos revelaram agora que esse grande sismo também foi sentido no espaço pelo satélite da ESA GOCE.
Desde que foi lançado, em 2009, o GOCE tem mapeado a gravidade da Terra com uma precisão inigualável, sendo o satélite de observação a orbitar a mais baixa altitude. Mas a cerca de 270 quilómetros da Terra, o GOCE tem de lidar com a resistência do ar, uma vez que atravessa restos de atmosfera.
Mas o inteligentemente concebido satélite inclui um inovador motor iónico que instantaneamente compensa qualquer efeito da resistência do ar, gerando impulsos cuidadosamente calculados. Essas medições são realizadas por acelerómetros muito precisos.
Enquanto as medições garantem que o GOCE permanece ultra-estável na sua órbita baixa, de forma a realizar medidas ultra-precisas da gravidade da Terra, a densidade atmosférica e os ventos verticais ao longo do seu caminho podem ser inferidos a partir de dados do propulsor e do acelerómetro.
Explorando os dados do GOCE ao máximo, os cientistas do Instituto de Investigação em Astrofísica e Planetologia, em França, a agência espacial francesa CNES, o Instituto de Física da Terra de Paris e a Universidade de Tecnologia de Delft, na Holanda, apoiados pelo programa da ESA Observação da Terra, têm estado a analisar medidas anteriores do satélite.
E descobriram que o GOCE detectou ondas sonoras do terramoto que atingiu o Japão em 2011.
Quando o GOCE passou através destas ondas, os seus acelerómetros detectaram os deslocamentos verticais da atmosfera envolvente de um modo semelhante ao sismómetro na superfície da Terra. Foram também observadas oscilações na densidade do ar.
Earthquake felt by GOCE
Raphael Garcia, do Instituto de Investigação em Astrofísica e Planetologia disse: “Os sismólogos estão muito entusiasmados com esta descoberta, porque eles eram praticamente os únicos investigadores das Ciências da Terra que não tinham um instrumento de medida no espaço que fosse comparável aos existentes em terra.
“Com esta nova ferramenta eles agora podem começar a olhar para o espaço para perceber o que está a acontecer aos seus pés.”Esa, 11/03/2013