sexta-feira, 31 de julho de 2026

AS RELIGIÕES NÃO CRISTÃS (1)

Manoel de Andrade

Transcrevemos do  aplaudido livro do poeta Manoel de Andrade, algumas das primeiras  reflexões que situam a busca da  Verdade e revelam o profundo conhecimento dos temas abordados. 

MÓDULO I - ANTECEDENTES DO CRISTIANISMO
AS RELIGIÕES NÃO CRISTÃS (1)
por Manoel de Andrade 
"Foi no Oriente que se acenderam as primeiras lâmpadas para iluminar a alma humana. Foi de lá que migraram os primeiros passos do pensamento religioso e filosófico que enriqueceram a cultura do Ocidente. A China e a Índia foram os berços dos maiores pensadores da antiguidade que buscaram expressar a espiritualidade na sua mais pura essência.                    
Hinduísmo
O Hinduísmo surgiu há cerca de 3500 anos entre as antigas religiões das comunidades do norte da Índia e se tornou uma das mais poderosas forças culturais como expressão de modo de vida, marcadas pela não violência, pelo princípio da tolerância, a crença na reencarnação, pelo realce no progresso e na libertação espiritual. Suas orações, hinos e mantras, culturalmente santificados pelo povo, eram transmitidos oralmente de geração em geração e foram posteriormente compilados nos Vedas, formando a base ritual do Hinduísmo e tido como o primeiro livro sagrado da história.
Eis por que a formação do Hinduísmo clássico retrocede ao remoto período védico, época da transcrição das expressões orais que deram origem aos Upanishads, composição de hinos, diálogos e poemas considerados como o mais antigo tratado de filosofia que chegou quase intacto ao nosso tempo. O ponto alto da literatura clássica indiana são as epopeias, Ramayana, escrita há mais de 2000 anos e contendo os ensinamentos dos primeiros sábios hindus, e o grande poema filosófico Mahabhárata, com cerca de 100 mil versos. É a obra literária reconhecida como o maior poema épico da história da humanidade, dentro do qual o Bhagavad-Gita ocupa uma de suas partes e onde é chamado a “canção do bem-aventurado”. O Bhagavad-Gita é o livro sagrado do hinduísmo, a mais conhecida obra da literatura sânscrita, por conter a essência do conhecimento védico e tendo influenciado inumeráveis movimentos espiritualistas do mundo.
O Hinduísmo mantém o seu sistema de castas como uma expressão de “estágio” cármico, e eis por que o praticante do Hinduísmo encara religiosamente a vida como um rito de renúncia, não havendo separação entre o sagrado e o profano. Vive de acordo com o “dharma”, ou seja, em harmonia com o amplo significado da lei, com o caminho da justiça e da plena retidão moral.

Budismo
A outra grande expressão religiosa indiana é o Budismo, que nasceu na Índia e migrou para o Ceilão (hoje Sri Lanka), China e Japão, onde predomina, e para vários países do Ocidente, congregando, atualmente, uma das mais expressivas legiões de seguidores em todo o mundo.
Seu fundador era chamado Sidarta Gautama, também conhecido por Sakiamuni, um príncipe sábio nascido no povo Sakia, num reino na fronteira entre o Nepal e a Índia. Ao ver a miséria do seu povo, renunciou ao trono e saiu em busca das respostas para o sofrimento humano. Nesse caminho encontrou a iluminação, passando então a ensinar suas verdades, das quais nasceu o Budismo.
O Budismo, como uma religião contemplativa, surgiu na Índia entre os séculos VI e IV a.C. A essência da sua filosofia é superar o desejo como causa do sofrimento. Duas grandes escolas dividem seus ensinamentos: a Hinayana (Veículo Menor) e a Mahayana (Veículo Maior), e cada uma delas com diferentes filosofias espalhadas pelo mundo, com seus próprios conceitos sobre iluminação e libertação. O estado de libertação é o resultado da busca espiritual do ser humano para atingir o Nirvana, um estado eterno de graça pela superação do karma. Resulta de um longo caminho percorrido pela meditação, pela renúncia às ilusões do mundo e do aniquilamento de certos traços da personalidade como: o orgulho, o ódio, a inveja e o egoísmo.
Buda compreendeu que as dores humanas são causadas pela ignorância das leis que governam a vida e que só se alcança a felicidade e se abre o caminho para a iluminação quando o ser se liberta das distrações mundanas. Segundo ele os prolongados sofrimentos são causados por uma mente desgovernada. Ensinou que:

- "Tudo o que somos é resultado do que pensamos. A mente é tudo. O que pensamos, nós nos tornamos."
- "A paz vem de dentro. Não a busque fora."
- "A raiz do sofrimento é o apego."
- "A felicidade nunca virá para aqueles que não apreciam o que já têm."
- "Manter o corpo em boa saúde é um dever... caso contrário, não seremos capazes de manter a mente forte e clara."
- "Não viva no passado, não sonhe com o futuro, concentre a mente no momento presente."
- "Assim como uma vela não pode queimar sem fogo, os homens não podem viver sem uma vida espiritual."
- "Milhares de velas podem ser acesas com uma única vela, e a vida da vela não será encurtada. A felicidade nunca diminui ao ser compartilhada."
- "No final, apenas três coisas importam: o quanto você amou, o quão gentilmente você viveu e o quão graciosamente você abriu mão de coisas que não eram para você."
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A imagem de Buda como um mestre iluminado, a vida ascética nos mosteiros budistas, os princípios e práticas do seus ensinamentos, suas atividades sociais e expressões culturais pelo mundo, colocam o Budismo como a quarta maior religião da Humanidade, com mais de 520 milhões de seguidores. No Brasil, segundo o censo de 2010, residem aproximadamente 245 mil budistas."
Manoel de Andrade, Edição do 
Centro Espírita Luz da Caridade,Rua Mato Grosso, 145 – Água Verde, CEP: 80260-070 – Curitiba - Paraná, pp.33-36

(1)-https://www.revistaentreasanas.com.br/post/10-cita%C3%A7%C3%B5es-de-buda-para-voc%C3%AA-aprender-e-refletir-no-seu-dia-a-dia.

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