sábado, 18 de julho de 2026

A propósito do novo livro do poeta Manoel de Andrade

O poeta Manoel de Andrade publicou o livro " Em Busca da verdade, reflexões e estudos sobre  Cristianismo e Espiritismo ",que foi anunciado neste blog e  de que  já publicamos um pequeno excerto.
É um livro invulgar, diferente  do poeta de quem tantas páginas temos já publicadas neste espaço. Tem-nos honrado com a magia rica da sua poesia , habituando-nos a um deslumbre imersivo sempre que lemos ou relemos  os seus poemas. Do seu  longo labor literário , destaca-se também  o volumoso registo de memórias, ( "Nos rastros da Utopia") que traça, perante o leitor, o período em que o autor esteve em diáspora pela América Latina, pugnando pela liberdade, já que não lhe era permitido ser bardo livre no seu país . Nesse exílio,  escreveu um dos mais belos  gritos poéticos  " Poemas para a Liberdade", contra a tirania na América Latina.  
Aparece-nos , agora, com este novo  livro dedicado a outra causa que nos  faz pensar: o estudo aprofundado do Cristianismo e do Espiritismo. Uma obra que nos faz pensar porque, além do tema que não conhecemos , ou seja, não somos devidamente instruídos, nos questiona,  ao colocar  a premissa   " Em busca da verdade", no próprio título, que, nas primeiras páginas,  é abordado pelo autor da Apresentação da obra, Luiz Henrique da Silva, deste modo:
O que é a Verdade?
O sugestivo título deste livro, que atendendo ao honroso convite do autor temos o prazer de apresentar, propõe aos seus leitores a íntima procura de autoconhecer-se, porque a busca da verdade será sempre o mais belo ideal de um homem espiritualizado.
A noção de verdade varia significativamente entre distintas culturas, refletindo divergentes perspectivas sobre a natureza da realidade e do conhecimento.
É importante considerar o contexto em que a verdade é discutida, pois diferentes culturas -- sejam elas filosóficas, religiosas e científicas -- podem ter seus exclusivos pressupostos e valores. Cada doutrina, ciência ou credo tem sua própria abordagem para entendê-la e defini-la."

É nessa questão que se postula o desafio.  Como encontrar ou definir   a verdade nas suas diferentes asserções ?!
E o apresentador , Luiz Silva , prossegue para estabelecer o âmbito e finalidade da obra:

Entendemos que o rico conteúdo desta obra é um ponto de encontro entre o Cristianismo e o Espiritismo, trazendo expressivas reflexões sobre as memoráveis passagens do Evangelho e os relevantes temas sobre a Doutrina Espírita. Suas páginas marcam o roteiro de uma busca evangélica e doutrinária da verdade, através dos sublimes exemplos deixados por Jesus e dos conhecimentos revelados pelo Consolador. Que Jesus continue a inspirar todos que de uma forma ou de outra colaboraram na construção deste farol de luz, em especial nosso irmão e amigo Manoel de Andrade que com sua dedicação, trabalho e reflexão compartilhou através das páginas deste livro a Luz que estava embaixo do alqueire"

Entretanto, Manoel de Andrade  esclarece-nos sobre a rica e laboriosa  agenda de que emergiu  esta obra: 

A coletânea de reflexões que constam destas páginas exprime uma modesta interpretação dos roteiros agendados para as noites de estudos, e compartilhados, todas as terças-feiras, pelos nossos aplicativos de mensagens, visando motivar o grupo para o tema do dia. São singelos comentários sobre o assunto apresentado semanalmente e cuja ordem segue a mesma disposição dos sumários dos cinco livros do Estudo Aprofundado da Doutrina Espírita (EADE). Considerei adequado reuni-los e ordená-los com o objetivo de deixar um duradouro registro destes luminosos anos de busca e de encontro com o conhecimento. Esperamos que estas despojadas anotações, caso venham a se transformar em livro, adicionem um quarto título ao catálogo de publicações da nossa Casa, como um testemunho do amor pelo estudo, que enaltece e distingue a história do Centro Espírita Luz da Caridade.
Bem quiséramos que o destino destas reflexões fosse além do grupo de estudos do nosso Centro, e pudesse, pela sua fraterna intenção, complementar os estudos do EADE em muitas outras casas espíritas. Entregamos aqui a nossa parte, rogando a Jesus que possa ser repartida com todosManoel de Andrade, Curitiba, outono de 2025.

A sensibilidade do poeta de Curitiba revela-se em muitas destas páginas. É a alma de um bardo que procura e sinaliza as palavras que devem compor as linhas da sua imersão no estudo dos textos religiosos , nas diferentes exposições, resultantes das abordagens que vai realizando ao longo do tempo,  nos mais variados e  afins  temas deste estudo.
O lírico  e  forte poder  das palavras  surge nesta Prece de Gratidão, constante das primeiras páginas do livro , para enquadrar o largo percurso da procura, do estudo :

Senhor e Mestre Jesus!
Chegamos hoje ao final da primeira etapa da nossa longa jornada de estudos do Cristianismo e este é o momento para agradecer a Deus, a ti Senhor Jesus, que és o nosso maior educador. Agradecer aos amigos espirituais que nos inspiraram e também a todos que participaram, como ouvintes ou como expositores, neste belíssimo itinerário marcado pela busca e pelo encontro com tantos novos conhecimentos.
Amado Mestre, no início dessa peregrinação estudamos as religiões não cristãs inspiradas pelos grandes iniciados que antecederam a tua chegada. Depois nossa busca descreveu a missão celestial de Maria e o teu nascimento naquele humilde estábulo de Belém. Estudamos tua infância em Nazaré e teu encontro com João Batista nas águas do Jordão, anunciando os primeiros passos de tua sublime missão no mundo.
Revimos tuas pegadas nos caminhos da Galileia, a escolha dos apóstolos, tuas curas, tuas pregações, teus passos sobre as águas, a pesca milagrosa, a multiplicação dos pães, a tua incomparável mensagem no Sermão da Montanha e o esplendor da tua imagem no Tabor, diante da presença espiritual de Moisés e de Elias.
Estas foram as partes mais belas do nosso estudo, quando buscamos contar a história viva dos teus atos até a chegada em Jerusalém, montado num jumentinho e saudado pelo povo na festa da Páscoa.
Depois, as tuas recomendações na Última Ceia, a promessa de um Consolador, tua humildade lavando os pés dos discípulos e o patético anúncio da traição. Ao final, tua presença no Jardim das Oliveiras, tua oração em lágrimas, o beijo de Judas, o julgamento mais iníquo da História, a coroa de espinhos, a via dolorosa e o martírio da crucificação.
Mas a noite passou e ressurgiste na aurora da ressurreição, no sepulcro vazio, nas tuas aparições aos discípulos, e na ascensão ao Mundo Maior.
Tudo isso estudamos, Senhor, para relembrar tua incomparável missão. Desde a manjedoura até o calvário e do calvário até tua volta ao Reino de Deus.
E depois que Tu partiste, pelo estudo dos Evangelhos passamos a expor com emoção os teus ensinamentos através das páginas de Mateus, Marcos, Lucas e João, contamos a história daqueles que, em Jerusalém, morreram por ti na glória do martírio. Contamos e recontamos sobre a vida e as obras do convertido de Damasco que, muito além da Palestina, saiu pelo mundo para pregar o teu Evangelho e cujas cartas falam do amor, da fé e da esperança, espalhando, até os confins da Terra os teus imperecíveis ensinamentos.
Mas isso não foi tudo, Mestre. Nossos estudos tiveram que apontar o surgimento de teologias que, nos primeiros séculos, desfiguraram a simplicidade dos tuas verdades, estabelecendo polêmicas estéreis e dogmáticas em torno da tua natureza espiritual; tivemos que recordar com tristeza os mártires que, honrando teu nome, caíram na Palestina e em Roma condenados pelo poder da intolerância; lastimar aqueles que renasceram com a missão de corrigir os desvios do Evangelho, mas traíram a promessa espiritual promovendo a violência e transviando-se do caminho. Aqueles que usaram teu nome para instigar as guerras santas e promover tantos desregramentos no seio eclesiástico do Cristianismo.
Hoje, ao encerrar esta primeira etapa, podemos te dizer o que Paulo disse a Timóteo: “Combatemos o bom combate, acabamos a carreira e guardamos a fé”. Por isso, creio que, neste momento, posso falar, com a permissão e em nome de todos aqui em oração, para juntos dizermos, muito obrigado, Mestre. Obrigado por estarmos um ano inteiro contigo, relembrando a cada sete dias teus exemplos e teus ensinamentos. Obrigado por termos cumprido uma tarefa tão auspiciosa, tarefa que aumentou nossa confiança nas tuas verdades e o significado de amar-nos como tu nos amas. Te agradecemos, mas também te rogamos que continues conosco inspirando o seguimento desses estudos para que, nos compromissos deste ano, possamos interpretar com bom ânimo e com a sabedoria do coração as páginas que nos esperam com teus ensinos e tuas parábolas.
Na magia e no encanto desta prece te enviamos a nossa imperecível gratidão. Obrigado, Mestre. Obrigado sempre. Assim seja.

O livro é um manancial de aprendizagem. Os temas são tão abrangentes que, de uma leitura atenta, resulta um outro conhecimento para aqueles  que , como nós , nunca aprofundámos ou dominamos estes ensinamentos  doutrinários. 
Enquanto obra literária  é um expoente de um notável  fluir encadeado , numa prosa clara e rica, que sabe prender o leitor e o obriga  a  explorar, com  aprazível atenção,  todas as páginas que compõem o livro.    A profusão de conhecimentos e a soberba cultura deste exímio poeta brasileiro, emergem desta  obra,  em consonante parceria.
Uma obra que merece e tem merecido  os aplausos e o interesse de todos os  que não perdem uma grande e enriquecedora  obra.
E , para fechar, usemos as palavras deste nosso aplaudido poeta, nas últimas páginas do livro :
Com os instrumentos da cultura, o homem é, ao mesmo tempo, criatura e criador que, através dos tempos, criou o seu “admirável mundo novo”, muito diferente do cenário tosco, inculto e primitivo que encontrou em sua origem ancestral. Esse é o supremo privilégio do homem: a sua capacidade de aperfeiçoar-se. Essa bela significação faz da cultura o nosso maior tesouro, nosso legado social herdado de muitas gerações e transmitida pela palavra falada e escrita. A linguagem é nosso mais belo e poderoso instrumento de expressão pessoal e da nossa interação cultural coletiva. “A minha pátria é a língua portuguesa”, escreveu o poeta Fernando Pessoa (1888-1935) e Martin Heidegger (1888-1976), um dos mais importantes filósofos de século XX, afirmava que “A língua é o solo comum da cultura de um povo”.
Se buscarmos a essência da cultura espírita encontraremos sua expressão na fé raciocinada, na existência de Deus, na imortalidade da vida, nas moradas do Universo, na relação com os Espíritos e na crença das vidas sucessivas. Tudo isso e muito mais revelam o diferenciado conteúdo cultural do Espiritismo: a bandeira da caridade, o impositivo da transformação moral, o perdão incondicional das ofensas, a missão de interpretar a mensagem do Consolador na vivência cotidiana do Evangelho, o dever de “amarmo-nos e instruirmo-nos”, e a certeza da imortalidade nos abrindo o caminho para a vida futura e o encontro com a família universal. Que mais elevada expressão de cultura poderia ter um habitante de um mundo de expiações e provas?

Obrigado, sempre, caro poeta.

Sobre o Livro:
"EM BUSCA DA VERDADE
Reflexões e Estudo aprofundado sobre o Cristianismo e Espiritismo
"

Redação e organização do texto
Manoel de Andrade

Diagramação
Odete Cachuba

Revisão ortográfica e gramatical
Neiva Terezinha Piacentini de Andrade

Capa
Cleto de Assis

CENTRO ESPÍRITA LUZ DA CARIDADE
Rua Mato Grosso, 145 – Água Verde
CEP: 80260-070 – Curitiba - Paraná

Toda a receita sobre a venda desta obra será integralmente creditada para o Centro Espírita Luz da Caridade.

1 comentário:

  1. Não esperava que o eco de tão singelas mensagens fosse ecoar tão longe. Vem do sul de Portugal, de Portimão, no Algarve, essas palavras fraternas que enriquecem um coração e as páginas deste livro, que saiu pelo mundo Em Busca da Verdade.
    Esse é o poder da arte e da literatura, transcender o cotidiano para revelar a beleza, o amor e a esperança e interpretar os significados mais profundos da condição humana.
    Nossa imperecível gratidão à Maria José Vieira de Souza, editora deste blogue, pela leitura, interpretação e divulgação de nosso livro.
    Manoel de Andrade

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