"A coisa mais indispensável a um homem é reconhecer o uso que deve fazer do seu próprio conhecimento" Platão
Mostrar mensagens com a etiqueta Música Portuguesa. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Música Portuguesa. Mostrar todas as mensagens
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
Até ao Fim
Então está tudo dito, meu amor
Por favor, não penses mais em mim
O que é eterno acabou connosco
E este é o princípio do fim
Mas sempre que te vir
Eu vou sofrer
E sempre que te ouvir
Eu vou calar
Cada vez que chegares
Eu vou fugir
Mas mesmo assim amor
Eu vou-te amar
Até ao fim do fim
Eu vou-te amar
Então está dito, meu amor
Acaba aqui o que não tinha fim
Para ser eterno tudo o que pensámos
Precisava que pensasses mais em mim
Para ti pensar a dois é uma prisão
Para mim é a única forma de voar
Precisas de agradar a muita gente
Eu por mim só a ti queria agradar
Tozé Brito
Ana Moura, uma das novas grandes vozes do Fado, em " Até ao Fim ", peça extraída do Álbum "Coliseu audio" cujo poema e Música são de Tozé Brito.
sexta-feira, 30 de dezembro de 2011
Intervalo musical
Por vezes, temos de fazer um intervalo para escutarmos os sons que se tocam por aí e as vozes que lhes dão forma. Estas, além de muito populares, são versatéis e qualificadas. Rui Veloso e Perfume na canção de sucesso " Intervalo ".
"Não me deixes na
história que não terminou
Não me deixes
No livro que eu não li,
No filme que eu não vi,
Na foto onde eu não entrei,
Notícia do jornal
O quadro minimal
Sou eu
No livro que eu não li,
No filme que eu não vi,
Na foto onde eu não entrei,
Notícia do jornal
O quadro minimal
Sou eu"
sábado, 23 de julho de 2011
Com que voz
Amália Rodrigues nasceu a 23 de Julho de 1920. Hoje seria o seu 91º Aniversário.
"Com que voz" um soneto de Luis de Camões e música de Alain Oulman ficou imortalizado nesta voz maior do Fado Português.
Até sempre Amália.
Com que voz
Com que voz chorarei meu triste fado,
que em tão dura paixão me sepultou.
Que mor não seja a dor que me deixou
o tempo, de meu bem desenganado.
Mas chorar não estima neste estado
aonde suspirar nunca aproveitou.
Triste quero viver, poi se mudou
em tisteza a alegria do passado.
Assim a vida passo descontente,
ao som nesta prisão do grilhão duro
que lastima ao pé que a sofre e sente.
De tanto mal, a causa é amor puro,
devido a quem de mim tenho ausente,
por quem a vida e bens dele aventuro.
Luis Camões - Alain Oulman
domingo, 17 de julho de 2011
Ao Domingo há Música
Teresa Salgueiro na antiga e célebre melodia "Olhos negros" do Álbum "Obrigado" de 2006, numa versão de excelência, acompanhada pelo Orfeão Dr. Edmundo Machado de Oliveira .
E porque hoje é Domingo, o céu pode ficar mais perto, sob o poder destas grandes vozes, preparando a semana para uma mais leve sequência de dias.
Os teus olhos, negros negros
São gentios, são gentios da Guiné
Ai da Guiné, por serem negros
Por serem negros, gentios por não terem fé
Os teus olhos são brilhantes
Semelhantes aos luzeiros que o céu tem
Ai eu amei dois olhos negros
Dois olhos negros, sem fazer mal a ninguém
Os meus olhos de chorar
Ai de chorar, fizeram covas no chão
Choram por ti, os teus por quem chorarão?
quinta-feira, 16 de junho de 2011
A palavra em Carlos Tê
Aquele que será provavelmente o mais célebre letrista em Portugal apresenta, no Grande Auditório do CCB, um programa que terá o formato de um desfile de cumplicidades, autorais e artísticas, estabelecidas durante um percurso de trinta anos que deu origem a muitas canções. Para interpretar vários temas do seu repertório mais conhecido, bem como alguns inéditos, Carlos Tê convidou os Clã, Cristina Branco e Rui Veloso.
“[…]este espectáculo aflora aquilo que tem sido a tónica principal do meu trabalho: a relação da palavra com a voz que se manifesta na calha da melodia. Falo da canção popular, esse fenómeno que atingiu o seu apogeu na segunda metade do século XX. […] Nesses tempos, a canção parecia deter um poder catalítico, era sopro que enfunava a alma com palavras tolas alavancadas por melodias viciantes. Nunca fiz planos para integrar o seu clube de artesãos, nem sei bem como fui lá parar, mas acho que se deveu à dedicação ao culto. O salto de utente para artesão é que foi brusco, mirabolante, próprio de tempos mirabolantes em que tudo parecia possível, até fazer canções sem ter habilitação para isso. Mais tarde, percebi que era essa a grande força da canção pop: não ter habilitação, apenas enraizamento, paixão, perceber que a sua função ia de vazadouro de angústias amorosas a funda de atirar pedras a injustiças seculares.”
Rui Veloso em "Paixão" (anel de Rubi), uma canção intemporal que foi um grande sucesso. Carlos Tê e Rui Veloso formaram uma longa e cúmplice parceria que produziu grandes canções.
Carlos Tê - Paixão (anel de Rubi ... Rivoli)
Tu eras aquela, que eu mais queria.
Para me dar algum conforto e companhia.
Era só contigo que eu, sonhava andar.
Para todo o lado e até pensava, talvez casar.
Ai o que eu passei, só por te amar
A saliva que eu gastei, para te mudar.
Mas esse teu mundo era mais forte do que eu.
E nem com a força da música ele se moveu.
Mesmo sabendo que não gostavas,
Empenhei o meu anel de rubi.
Para te levar ao concerto
Que havia no Rivoli.
E era só a ti, quem eu mais queria,
Ao meu lado no concerto nesse dia.
Juntos no escuro de mão dada a ouvir.
Aquela música maluca, sempre a subir.
Mas tu não ficaste, nem meia hora.
Não fizeste um esforço para gostar e foste embora.
Contigo aprendi uma grande lição.
Não se ama alguém que não houve a mesma canção.
Mesmo sabendo que não gostavas,
Empenhei o meu anel de rubi.
Para te levar ao concerto,
Que havia no Rivoli.
Foi nesse dia, que percebi,
Nada mais por nós havia a fazer.
A minha paixão por ti, era um lume,
Que não tinha mais lenha por onde arder.
Mesmo sabendo que não gostavas,
Empenhei o meu anel de rubi.
Para te levar ao concerto,
Que havia no Rivoli.
quinta-feira, 14 de abril de 2011
Enquanto há força
Estamos em Abril. Mês de tantas palavras com ligação directa à LIBERDADE. Zeca Afonso recorda-nos que Portugal tem gente que sabe erguer a voz e fazer-se ouvir. A liberdade preencheu-lhe o sonho e a vida. Escutá-lo é também erguer Portugal.
Numa entrevista de 1981 declarou o seguinte:"Eu sempre disse que a música é comprometida quando o músico, como cidadão, é um homem comprometido. Não é o produto saído desse cantor que define o compromisso mas o conjunto de circunstâncias que o envolve com o momento histórico e político que se vive e as pessoas com quem ele priva e com quem ele canta.
Canto estas canções porque não sei cantar outras. Se as canções têm ou não interesse, isso pertence a quem escuta. Estamos num momento mitológico da canção. Qualquer dia oraganizam-se sindicatos de cantores e academias de baladeiros com pessoas muito sisudas, a escutar os mestes, muito sabedoras, a espremerem uma coisa que não tem nada para espremer.
Parto da música para o texto.(...) Semeio palavras na música. Não tenho pretensões de dar a estas minhas deambulações pela música qualquer outro rótulo. Faço apenas canções. A canção insere-se sempre dentro de um processo. A sua eficácia depende do processo em que se insere. A sua importância depende da vastidão desse processo.
Eu fiz uma canção (Grândola) que, vendo bem, já não me pertence. Agora é mesmo cantada em meios populares. Mas um cantante com as minhas características tem de fazer canções elaboradas a partir de elementos culturais que sejam da sua própria existência."
Entrevista a Viriato Teles, in «Mundo da Canção», Fev./Mar. de 81
Zeca Afonso em " Enquanto Há Força", Álbum de 1978
Enquanto Há Força
Enquanto há força
No braço que vinga
Que venham ventos
Virar-nos as quilhas
Seremos muitos
Seremos alguém
Cantai rapazes
Dançai raparigas
E vós altivas
Cantai também
Levanta o braço
Faz dele uma barra
Que venha a brisa
Lavar-nos a cara
Seremos muitos
Seremos alguém
Cantai rapazes
Dançai raparigas
E vós altivas
Cantai também.
José Afonso
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
Recordar Zeca Afonso
Zeca Afonso morreu em Setúbal há 24 anos , a 23 de Fevereiro de 1987. Deixou-nos um valioso legado musical, além de um passado marcado por imenso combate contra a Ditadura. Lançou, nos dias escuros do Portugal amordaçado, palavras de denúncia e de esperança através de canções de intervenção que estimularam aqueles que lutavam pela Liberdade. Foi o maior trovador português do Sec. XX.
Em 1979 numa entrevista a António Macedo do «Se7e» afirmou: "Admito que a revolução seja uma utopia, mas no meu dia a dia procuro comportar-me como se ela fosse tangível. Continuo a pensar que devemos lutar onde exista opressão seja a que nível for. É importante assumir um passado cultural ainda presente e essa é uma orientação que a canção de intervenção pode seguir."
Em 1979 numa entrevista a António Macedo do «Se7e» afirmou: "Admito que a revolução seja uma utopia, mas no meu dia a dia procuro comportar-me como se ela fosse tangível. Continuo a pensar que devemos lutar onde exista opressão seja a que nível for. É importante assumir um passado cultural ainda presente e essa é uma orientação que a canção de intervenção pode seguir."
A actualidade é uma das características das grandes obras e dos grandes artistas. E porque , no Portugal de hoje , crescem as desigualdades sociais e emigrar é novamente a arma para a sobrevivência, as canções que escolhemos "Menino do Bairo Negro", (1963) e " Canção do Desterro, Emigrantes" ( 1970) atestam a contemporaneidade da obra de Zeca Afonso.
Sobre MENINO DO BAIRRO NEGRO, do Álbum "As primeiras canções"1963 onde se inclui "Os vampiros", Zeca Afonso disse: "Estilização decente de um refrão indecente recolhido numa parede cheia de sinais cabalísticos, desses que conservam para a posteridade as mais expressivas jóias dos géneros líricos nacionais. A negritude de que fala o poema existe nos estômagos diagnosticados por Josué de Castro no seu livro "Geopolítica da Fome". Os meninos de ouro que habitavam os céus antes do Dilúvio descem à Terra e são condenados pelo tribunal de menores a viverem em habitações palafitas até ao dia do Juízo Final representado por uma bola de cartão que desce, desce até tocar nas montanhas."
Menino do Bairro Negro
Menino do Bairro Negro
Olha o sol que vai nascendo
Anda ver o mar
Os meninos vão correndo
Ver o sol chegar
Menino sem condição
Irmão de todos os nus
Tira os olhos do chão
Vem ver a luz
Menino do mal trajar
Um novo dia lá vem
Só quem souber cantar
Vira também
Negro bairro negro
Bairro negro
Onde não há pão
Não há sossego
Menino pobre o teu lar
Queira ou não queira o papão
Há-de um dia cantar
Esta canção
Olha o sol que vai nascendo
Anda ver o mar
Os meninos vão correndo
Ver o sol chegar
Se até da gosto cantar
Se toda a terra sorri
Quem te não há-de amar
Menino a ti
Se não é fúria a razão
Se toda a gente quiser
Um dia hás-de aprender
Haja o que houver
Negro bairro negro
Bairro negro
Onde não há pão
Não há sossego
Menino pobre o teu lar
Queira ou não queira o papão
Há-de um dia cantar
Esta canção
Compositor: José Afonso
Sobre CANÇÃO DO DESTERRO (EMIGRANTES) do Álbum "Traz outro amigo também" de 1970, José Afonso esclareceu: "Sugerida em Lourenço Marques, pela leitura dum artigo da Seara Nova sobre as causas da emigração portuguesa. Tenta-se evocar a odisseia dos forçados actuais, partindo em modernas naus catrinetas, como os Mendes Pintos de outras épocas, a caminho dum destino que na História se repete como um dobre de finados."
Canção do Desterro
Vieram cedo
Mortos de cansaço
Adeus amigos
Não voltamos cá
O mar é tão grande
E o mundo é tão largo
Maria Bonita
Onde vamos morar
Na barcarola
Canta a Marujada
- O mar que eu vi
Não é como o de lá
E a roda do leme
E a proa molhada
Maria Bonita
Onde vamos parar
Nem uma nuvem
Sobre a maré cheia
O sete-estrelo
Sabe bem onde ir
E a velha teimava
E a velha dizia
Maria Bonita
Onde vamos cair
À beira de àgua
Me criei um dia
- Remos e velas
Lá deixei a arder
Ao sol e ao vento
Na areia da praia
Maria Bonita
Onde vamos viver
Ganho a camisa
Tenho uma fortuna
Em terra alheia
Sei onde ficar
Eu sou como o vento
Que foi e não veio
Maria Bonita
Onde vamos morar
Sino de bronze
Lá na minha aldeia
Toca por mim
Que estou para abalar
E a fala da velha
Da velha matreira
Maria Bonita
Onde vamos penar
Vinham de longe
Todos o sabiam
Não se importavam
Quem os vinha ver
E a velha teimava
E a velha dizia
Maria Bonita
Onde vamos morrer
Compositor: José Afonso
Anda ver o mar
Os meninos vão correndo
Ver o sol chegar
Menino sem condição
Irmão de todos os nus
Tira os olhos do chão
Vem ver a luz
Menino do mal trajar
Um novo dia lá vem
Só quem souber cantar
Vira também
Negro bairro negro
Bairro negro
Onde não há pão
Não há sossego
Menino pobre o teu lar
Queira ou não queira o papão
Há-de um dia cantar
Esta canção
Olha o sol que vai nascendo
Anda ver o mar
Os meninos vão correndo
Ver o sol chegar
Se até da gosto cantar
Se toda a terra sorri
Quem te não há-de amar
Menino a ti
Se não é fúria a razão
Se toda a gente quiser
Um dia hás-de aprender
Haja o que houver
Negro bairro negro
Bairro negro
Onde não há pão
Não há sossego
Menino pobre o teu lar
Queira ou não queira o papão
Há-de um dia cantar
Esta canção
Compositor: José Afonso
Sobre CANÇÃO DO DESTERRO (EMIGRANTES) do Álbum "Traz outro amigo também" de 1970, José Afonso esclareceu: "Sugerida em Lourenço Marques, pela leitura dum artigo da Seara Nova sobre as causas da emigração portuguesa. Tenta-se evocar a odisseia dos forçados actuais, partindo em modernas naus catrinetas, como os Mendes Pintos de outras épocas, a caminho dum destino que na História se repete como um dobre de finados."
Canção do Desterro
Vieram cedo
Mortos de cansaço
Adeus amigos
Não voltamos cá
O mar é tão grande
E o mundo é tão largo
Maria Bonita
Onde vamos morar
Na barcarola
Canta a Marujada
- O mar que eu vi
Não é como o de lá
E a roda do leme
E a proa molhada
Maria Bonita
Onde vamos parar
Nem uma nuvem
Sobre a maré cheia
O sete-estrelo
Sabe bem onde ir
E a velha teimava
E a velha dizia
Maria Bonita
Onde vamos cair
À beira de àgua
Me criei um dia
- Remos e velas
Lá deixei a arder
Ao sol e ao vento
Na areia da praia
Maria Bonita
Onde vamos viver
Ganho a camisa
Tenho uma fortuna
Em terra alheia
Sei onde ficar
Eu sou como o vento
Que foi e não veio
Maria Bonita
Onde vamos morar
Sino de bronze
Lá na minha aldeia
Toca por mim
Que estou para abalar
E a fala da velha
Da velha matreira
Maria Bonita
Onde vamos penar
Vinham de longe
Todos o sabiam
Não se importavam
Quem os vinha ver
E a velha teimava
E a velha dizia
Maria Bonita
Onde vamos morrer
Compositor: José Afonso
domingo, 13 de fevereiro de 2011
Ao Domingo há música
Porque hoje é Domingo saboreie o prazer de (re)escutar Música Portuguesa.
A magia na voz maior de Dulce Pontes, uma das cantoras mais talentosas de Portugal, em Ondeia (Água). Esta canção tem letra e música de Dulce Pontes e faz parte do Álbum " O primeiro Canto" de 1999.
A magia na voz maior de Dulce Pontes, uma das cantoras mais talentosas de Portugal, em Ondeia (Água). Esta canção tem letra e música de Dulce Pontes e faz parte do Álbum " O primeiro Canto" de 1999.
Ana Moura, outra grande voz portuguesa, em " O que foi que aconteceu" do Álbum " Aconteceu" de 2004.
Afinal , também se pode sonhar em português.
sábado, 5 de fevereiro de 2011
As novas palavras cantadas
‘Parva que Sou’ dos Deolinda é uma canção consentânea com os dias que passam. Os malefícios da crise são transversais à sociedade, mas atingem desmesuradamente os jovens que são impedidos de iniciar qualquer carreira ou, em alternativa, são arrastados para uma precariedade perigosa. Ao glosar, em cântico , esta realidade os Deolinda lançam um êxito com resultados surpreendentes. Dos concertos realizados no Coliseu ( Porto e Lisboa), a canção invadiu meteoricamente as redes sociais e o público. É a " canção de intervenção" do momento.
Sou da geração sem remuneração e não me incomoda esta condição.
Que parva que eu sou!
Porque isto está mal e vai continuar, já é uma sorte eu poder estagiar.
Que parva que eu sou!
E fico a pensar, que mundo tão parvo onde para ser escravo é preciso estudar.
Sou da geração casinha dos pais, se já tenho tudo, pra quê querer mais?
Que parva que eu sou!
Filhos, maridos, estou sempre a adiar e ainda me falta o carro pagar.
Que parva que eu sou!
E fico a pensar, que mundo tão parvo onde para ser escravo é preciso estudar.
Sou da geração vou queixar-me pra quê? Há alguém bem pior do que eu na TV.
Que parva que eu sou!
Sou da geração eu já não posso mais que esta situação dura há tempo demais.
E parva não sou!
E fico a pensar, que mundo tão parvo onde para ser escravo é preciso estudar.
Deolinda
sábado, 8 de janeiro de 2011
Porto Sentido
Quem vem e atravessa o rio
Junto à serra do Pilar
vê um velho casario
que se estende ate ao mar
Quem te vê ao vir da ponte
és cascata, são-joanina
dirigida sobre um monte
no meio da neblina.
Por ruelas e calçadas
da Ribeira até à Foz
por pedras sujas e gastas
e lampiões tristes e sós.
E esse teu ar grave e sério
dum rosto e cantaria
que nos oculta o mistério
dessa luz bela e sombria
[refrão]
Ver-te assim abandonada
nesse timbre pardacento
nesse teu jeito fechado
de quem mói um sentimento
E é sempre a primeira vez
em cada regresso a casa
rever-te nessa altivez
de milhafre ferido na asa
Composição de Carlos Tê (Letra)
e Rui Veloso( Música)
"Porto Sentido" - Rui Veloso e Carlos Paredes em 1992, no Teatro São Luiz , em Lisboa
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
Haja o que houver

A voz extraordinária de Teresa Salgueiro é um forte registo de esperança que devemos estender a Portugal. Ao celebrarmos um nascimento portador de um novo sentido para o homem, tentemos eliminar o desalento que tem grassado entre nós e transformá-lo em solidariedade e força partilhada " haja o que houver".
Haja O Que Houver
Haja o que houver
Eu estou aqui
Haja o que houver
espero por ti
Volta no vento ô meu amor
Volta depressa por favor
Há quanto tempo, já esqueci
Porque fiquei, longe de ti
Cada momento é pior
Volta no vento por favor...
Eu sei quem és
pra mim
Haja, o que houver
espero por ti...
Há quanto tempo, já esqueci
Porque fiquei, longe de ti
Cada momento é pior
Volta no vento por favor
Eu sei quem és
pra mim
Haja, o que houver
espero por ti...
Madredeus
Composição: Pedro Ayres Magalhães
domingo, 21 de novembro de 2010
ACORDAI
Acordai!
Acordai, homens que dormis
A embalar a dor
Dos silêncios vis!
Vinde, no clamor
Das almas viris,
Arrancar a flor
Que dorme na raíz!
Acordai!
Acordai, raios e tufões
Que dormis no ar
E nas multidões!
Vinde incendiar
De astros e canções
As pedras e o mar,
O mundo e os corações...
Acordai!
Acendei, de almas e de sóis,
Este mar sem cais,
Nem luz de faróis!
E acordai, depois
Das lutas finais,
Os nossos heróis
Que dormem nos covais.
ACORDAI!
José Gomes Ferreira
(letra musicada por Fernando Lopes Graça para interpretação coral)
Acordai, homens que dormis
A embalar a dor
Dos silêncios vis!
Vinde, no clamor
Das almas viris,
Arrancar a flor
Que dorme na raíz!
Acordai!
Acordai, raios e tufões
Que dormis no ar
E nas multidões!
Vinde incendiar
De astros e canções
As pedras e o mar,
O mundo e os corações...
Acordai!
Acendei, de almas e de sóis,
Este mar sem cais,
Nem luz de faróis!
E acordai, depois
Das lutas finais,
Os nossos heróis
Que dormem nos covais.
ACORDAI!
José Gomes Ferreira
(letra musicada por Fernando Lopes Graça para interpretação coral)
Coro de Câmara Lisboa Cantat interpreta "Acordai", poema de José Gomes Ferreira e música de Lopes Graça, in CD "Compositores Portugueses XX / XXI, vol.1
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
A magia de Rodrigo Leão
A excelente voz da soprano Ângela Silva, interpretando admiravelmente a composição " Imortal" de Rodrigo Leão. Dois grandes talentos do panorama musical português.
" (...) O realizador espanhol Pedro Almodóvar tem-no como "um dos mais inspirados compositores do Mundo". Mas, se calhar andamos todos enganados. Rodrigo Leão não compõe música. Compõe magia. Quando lho dizemos no final de um concerto, nega-o. E socorre-se da plateia: "É um privilégio muito grande estarmos aqui com tanto público mais uma vez no Coliseu, que é um sítio tão especial". in JN de 15/11/2010
Ler texto integral: A noite mágica de Rodrigo Leão - JN
sábado, 6 de novembro de 2010
O MEDO
" O MEDO " cantado pela voz maior e desassombrada de Amália Rodrigues que tanto ASSOMBRO espalhou por todos nós e pelo mundo.
O MEDO
O MEDO
Quem dorme à noite comigo
É meu segredo,
Mas se insistirem, lhes digo,
O medo mora comigo,
Mas só o medo, mas só o medo
E cedo porque me embala
Num vai-vem de solidão,
É com silêncio que fala,
Com voz de móvel que estala
E nos perturba a razão
Gritar: quem pode salvar-me
Do que está dentro de mim
Gostava até de matar-me,
Mas eu sei que ele há-de esperar-me
Ao pé da ponte do fim
É meu segredo,
Mas se insistirem, lhes digo,
O medo mora comigo,
Mas só o medo, mas só o medo
E cedo porque me embala
Num vai-vem de solidão,
É com silêncio que fala,
Com voz de móvel que estala
E nos perturba a razão
Gritar: quem pode salvar-me
Do que está dentro de mim
Gostava até de matar-me,
Mas eu sei que ele há-de esperar-me
Ao pé da ponte do fim
Letra de Reinaldo Ferreira e música de Alain Oulman.
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Voltar
Ana Vieira interpretando com perfeição "Voltar", no Concerto de Rodrigo Leão e da Sinfoneta de Lisboa, em Belém - Lisboa , 06/07/2007.
Voltar
Rodrigo Leão
Manhã Cinzenta
Faz me chorar
A chuva lembra
O teu olhar
As folhas mortas
Caem no chão
A dor aperta
O coração
Quanto eu não daria
Para poder voltar atrás
Volta pra meu peito
Daqui não saias mais
Perdi- me AMOR
Pra te encontrar
Na solidão
Do teu olhar
No teu olhar
Se perde o meu
Também o mar
Se perde no céu
Quanto eu não daria
Para poder voltar atrás
Volta pro meu peito
Daqui não saias mais.
Faz me chorar
A chuva lembra
O teu olhar
As folhas mortas
Caem no chão
A dor aperta
O coração
Quanto eu não daria
Para poder voltar atrás
Volta pra meu peito
Daqui não saias mais
Perdi- me AMOR
Pra te encontrar
Na solidão
Do teu olhar
No teu olhar
Se perde o meu
Também o mar
Se perde no céu
Quanto eu não daria
Para poder voltar atrás
Volta pro meu peito
Daqui não saias mais.
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
A Canção Inicial
Quão longe vai esse tempo e quanta esperança nele depositámos. As questões à volta do OE mostram a vacuidade que invadiu a política portuguesa. Muitos dos ideais que pretendiam construir um Portugal novo, solidário, livre e humanista foram esquecidos e preteridos em função de um liberalismo económico selvagem , castrador e voraz. A miserabilidade é-nos imposta e o estado social que Abril apregoou está moribundo. Portugal é um mosaico de anacronismos políticos esvaziado de um projecto nacional em que o governo exclui o próprio cidadão que o elegeu. A ganância e o fátuo desejo de protagonismo pessoal e partidário substituiu a causa pública. Da res publica chegou-se a coisificação individual e ao primado do interesse de quem governa , de quem se move no corredor do poder em total detrimento do benefício dos governados, do país.
Meu pobre, pobre Portugal, que fizeste às promessas desse Abril redentor?
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
Para ouvir IV
A talentosa Sara Tavares num espectáculo ao vivo, interpretando "Bom Feeling", uma quente e harmoniosa canção.
terça-feira, 7 de setembro de 2010
Para ouvir (II)
A voz timbrada de Camané em “Sei de um rio”, um Fado com letra de Pedro Homem de Mello e música de Alain Oulman do Album "Sempre de mim" , de 2008
Sei de um rio, sei de um rio
Em que as únicas estrelas nele sempre debruçadas
São as luzes da cidade
Sei de um rio, sei de um rio
Onde a própria mentira tem o sabor da verdade
Sei de um rio…
Meu amor dá-me os teus lábios, dá-me os lábios desse rio
Que nasceu na minha sede, mas o sonho continua
E a minha boca até quando ao separar-se da tua
Vai repetindo e lembrando
Sei de um rio, sei de um rio
Meu amor dá-me os teus lábios, dá-me os lábios desse rio
Que nasceu na minha sede, mas o sonho continua
E a minha boca até quando ao separar-se da tua
Vai repetindo e lembrando
Sei de um rio, sei de um rio
Sei de um rio, até quando
Pedro Homem de Melo e Alain Oulman,in "Sempre de Mim", 2008
Sei de um rio, sei de um rio
Em que as únicas estrelas nele sempre debruçadas
São as luzes da cidade
Sei de um rio, sei de um rio
Onde a própria mentira tem o sabor da verdade
Sei de um rio…
Meu amor dá-me os teus lábios, dá-me os lábios desse rio
Que nasceu na minha sede, mas o sonho continua
E a minha boca até quando ao separar-se da tua
Vai repetindo e lembrando
Sei de um rio, sei de um rio
Meu amor dá-me os teus lábios, dá-me os lábios desse rio
Que nasceu na minha sede, mas o sonho continua
E a minha boca até quando ao separar-se da tua
Vai repetindo e lembrando
Sei de um rio, sei de um rio
Sei de um rio, até quando
Pedro Homem de Melo e Alain Oulman,in "Sempre de Mim", 2008
domingo, 15 de agosto de 2010
Barco Negro
Amália em "Barco Negro". Incomparável. Apenas ela, Amália.
Barco Negro
De manhã, que medo, que me achasses feia!
Acordei, tremendo, deitada n'areia
Mas logo os teus olhos disseram que não,
E o sol penetrou no meu coração.[Bis]
Vi depois, numa rocha, uma cruz,
E o teu barco negro dançava na luz
Vi teu braço acenando, entre as velas já soltas
Dizem as velhas da praia, que não voltas:
São loucas! São loucas!
Eu sei, meu amor,
Que nem chegaste a partir,
Pois tudo, em meu redor,
Me diz qu'estás sempre comigo.[Bis]
No vento que lança areia nos vidros;
Na água que canta, no fogo mortiço;
No calor do leito, nos bancos vazios;
Dentro do meu peito, estás sempre comigo.
Voz de Amália Rodrigues
Poema de David Mourão-Ferreira
Barco Negro
De manhã, que medo, que me achasses feia!
Acordei, tremendo, deitada n'areia
Mas logo os teus olhos disseram que não,
E o sol penetrou no meu coração.[Bis]
Vi depois, numa rocha, uma cruz,
E o teu barco negro dançava na luz
Vi teu braço acenando, entre as velas já soltas
Dizem as velhas da praia, que não voltas:
São loucas! São loucas!
Eu sei, meu amor,
Que nem chegaste a partir,
Pois tudo, em meu redor,
Me diz qu'estás sempre comigo.[Bis]
No vento que lança areia nos vidros;
Na água que canta, no fogo mortiço;
No calor do leito, nos bancos vazios;
Dentro do meu peito, estás sempre comigo.
Voz de Amália Rodrigues
Poema de David Mourão-Ferreira
Subscrever:
Mensagens (Atom)






