quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Prémio Goncourt

Nicolas Mathieu vence Goncourt
"O romance Leurs Enfants Aprés Eux foi o escolhido pelo júri do Prémio Goncourt. O anúncio foi comunicado a 6 deste mês, terça feira, após a deliberação em Paris. O livro não está traduzido em Portugal, tal como o anterior romance do escritor francês.
O segundo romance, Leurs Enfants Après Eux, o escritor Nicolas Mathieu (1978) foi o preferido dos jurados do Prémio Goncourt, tendo vencido os restantes livros que chegaram à final: Frère d"âme de David Diop, Maîtres et esclaves de Paul Greveillac e L"Hiver du mécontentement de Thomas B. Reverdy. Como sempre, o anúncio foi feito no restaurante parisiense Drouant.
O nome de Mathieu surpreendeu pois não estava entre os favoritos desta edição. Segunda a crítica francesa, o escritor conta no seu romance uma história dividida em quatro verões, sempre em torno da dificuldade dos adolescentes conseguirem seguir o caminho que sonham, sem reduzir a sua prosa à nostalgia ou miserabilismo.
Leurs Enfants Après Eux relata em 432 páginas o desejo de fuga de vários adolescentes da terra onde vivem, na província francesa do Vale de Lorraine. A edição é da editora Actes Sud, onde o autor já tinha publicado Aux animaux la guerre pela mesma editora, também premiado."João Céu e Silva, DN, 6.11.18

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

A Virgem e o Menino com Santa Ana

Documentário sobre o trabalho de restauro à famosa obra de Leonardo da Vinci "A Virgem e o Menino com Santa Ana", realizado em 2011, que gerou grande e polémica controvérsia. 
Especialistas  e estudiosos de Arte  apresentaram  algumas divergências, quanto ao processo de restauro de uma obra tão importante como esta, com mais de quinhentos anos.  Estas controvérsias são frequentes e quase necessárias entre especialistas. Há sempre o receio e o risco de utilização de processos abrasivos que possam  alterar  a obra.  
A Virgem e o Menino com Santa Ana é um óleo sobre madeira (168 cm x 112 cm), pintado em Milão entre 1508 e 1513. Leonardo nunca finalizou este painel. 

terça-feira, 6 de novembro de 2018

AMA

"Ama is a silent film. It tells a story everyone can interpret in their own way, based on their own experience. There is no imposition, only suggestions.
I wanted to share my biggest pain in this life with this film. For this is not too crude, I covered it with grace. To make it not too heavy, I plunged it into the water.
I dedicate this film to all the women of the world."
Julie

Credits :
Choreographer : Ophélie Longuet
Music : « Rain in your black eyes », Ezio Bosso. (P) Sony Music Entertainment.
Cinematographer : Jacques Ballard
Editor : Jérôme Lozano
Colorist : Arthur Paux @ Spark Seeker
Compositing : Gregory Lafranchi @GoneFX
Sound mix : Nassim El Mounabbih @Dinosaures
Production : Spark Seeker/Les Films Engloutis
Associated Producers : Y-40 The Deep Joy/RVZ
Camera Assistant : Arthur Lauthers
Electrician Romain Mostri
Safety Freedivers : Anne Maury - Fouad Zarrou
Making off : Jimmy Golaz
Camera Rental (Red VistaVision 8K) RVZ
Light&Electric Rental : TSF Cannes
Wardrobe : Tatiana Henri

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

domingo, 4 de novembro de 2018

Ao Domingo Há Música

O tango nos dá, a todos, um passado imaginário. Estudar o tango não é inútil; é estudar as diversas vicissitudes da alma argentina. 
                                    Jorge Luís Borges (1899-1986), Tango

O livro Tango  de Jorge Luís Borges  , editado pela Quetzal,  em Abril deste ano,  contém  conferências inéditas, proferidas por Borges sobre o Tango, em 1965. Nesta obra , Borges afirma  que "conhecer o tango era conhecer o lado negro da alma portenha, que entrou na literatura com esse universo de ‘compadritos’, “mulheres de má fama”, histórias de amor e morte, com um tom valente e feliz que depois seria também triste e melodramático! Vi pares de homens a dançar o tango, digamos que o carniceiro, um carroceiro, porventura um deles a dançar com um cravo na orelha, a dançar o tango ao ritmo de um realejo. Porque as mulheres do povo conheciam a raiz infame do tango e não queriam dançá-lo.  Temos, pois, as personagens: temos o compadrito, rufia, temos o menino-bem, patotero, e temos a mulher de má vida, também. (...) E há, além disso, um nome, um nome que os senhores, sem dúvida, estarão à espera de ouvir, e que é um nome um tanto posterior, de Carlos Gardel. Porque Carlos Gardel, além da sua voz, além do seu ouvido, fez algo com o tango, algo que tinha sido tentado antes, mas de um modo parcial, e que Gardel levou, não sei se à perfeição, mas a um ponto culminante.”

É com Tango que se preenche este apontamento musical do primeiro Domingo de Novembro.
Eis Carlos Gardel , no famoso tango  Por una cabeza.
Soha canta Mil Pasos , dançado por  Maria Filali e Ozgür Karahan.
De Astor Piazzolla , Tango Apasionado , dançado por Mauro Caiazza e Daniela Kizyma.
Astor Piazzolla e Jorge Luis Borges , em  El Tango (1965), com Luis Medina Castro.
El tango

Dónde estarán? pregunta la elegía
de quienes ya no son, como si hubiera
una región en que el Ayer, pudiera
ser el Hoy, el Aún, y el Todavía.

Dónde estarán? (repito) el malevaje
que fundó en polvorientos callejones
de tierra o en perdidas poblaciones
la secta del cuchillo y del coraje?

Dónde estarán aquellos que pasaron,
dejando a la epopeya un episodio,
una fábula al tiempo, y que sin odio,
lucro o pasión de amor se acuchillaron?

Los busco en su leyenda, en la postrera
brasa que, a modo de una vaga rosa,
guarda algo de esa chusma valerosa
de Los Corrales y de Balvanera.

¿Qué oscuros callejones o qué yermo
del otro mundo habitará la dura
sombra de aquel que era una sombra oscura,
Muraña, ese cuchillo de Palermo?

¿Y ese Iberra fatal (de quien los santos
se apiaden) que en un puente de la vía,
mató a su hermano, el Ñato, que debía
más muertes que él, y así igualo los tantos?

Una mitología de puñales
lentamente se anula en el olvido;
Una canción de gesta se ha perdido
entre sórdidas noticias policiales.

Hay otra brasa, otra candente rosa
de la ceniza que los guarda enteros;
ahí están los soberbios cuchilleros
y el peso de la daga silenciosa.

Aunque la daga hostil o esa otra daga,
el tiempo, los perdieron en el fango,
hoy, más allá del tiempo y de la aciaga
muerte, esos muertos viven en el tango.

En la música están, en el cordaje
de la terca guitarra trabajosa,
que trama en la milonga venturosa
la fiesta y la inocencia del coraje.

Gira en el hueco la amarilla rueda
de caballos y leones, y oigo el eco
de esos tangos de Arolas y de Greco
que yo he visto bailar en la vereda,

en un instante que hoy emerge aislado,
sin antes ni después, contra el olvido,
y que tiene el sabor de lo perdido,
de lo perdido y lo recuperado.

En los acordes hay antiguas cosas:
el otro patio y la entrevista parra.
(Detrás de las paredes recelosas
el Sur guarda un puñal y una guitarra.)

Esa ráfaga, el tango, esa diablura,
los atareados años desafía;
hecho de polvo y tiempo, el hombre dura
menos que la liviana melodía,

que solo es tiempo. El Tango crea un turbio
pasado irreal que de algún modo es cierto,
el recuerdo imposible de haber muerto
peleando, en una esquina del suburbio.

Jorge Luís Borges, in  El otro, el mismo

sábado, 3 de novembro de 2018

Celebrar o aniversário de Manoel de Andrade

Manoel de Andrade nasceu a 3 de Novembro de 1940. Faz hoje 78 anos. Poeta, ensaísta, jornalista, Manoel de Andrade é um escritor prolífico. Com um passado empenhado e marcado pela resistência à Ditadura militar, que vitimou o Brasil durante décadas do século passado, Manoel de Andrade soube imprimir à sua obra a voz profunda de poeta  e a força mobilizadora de  prosador. 
Ler Manoel de Andrade é descobrir quanto o sonho encheu  e determinou a vida de um jovem poeta, que fez da palavra a arma contra a tirania, a ignomínia , a traição em prol da Liberdade e da Dignidade do Homem. 
Ler  Manoel de Andrade é apreender a História da  América Latina na década de setenta e acompanhar os acontecimentos que marcaram  os respectivos povos, através da sua magna obra memorialística " Nos rastros da Utopia".
Ler Manoel de Andrade  é  celebrar a magia , a plasticidade  de uma escrita que  continua a fabricar novas e luzentes produções que não cessam de cativar os seus fiéis leitores.
Ler Manoel de Andrade é   concluir que estamos perante um  escritor que soube dar à palavra o encanto e o traço que  distinguem as obras no grande  mural  da Literatura.
Ler Manoel de Andrade é não esquecer que , além do homem de Letras, do intelectual,  vive o homem bom e simples que conhecemos e muito estimamos.
Ao Manoel , os nossos vigorosos  Parabéns.
Celebrar um escritor é dar-lhe voz. Transcrevemos um poema  que compõe um dos livros de Manoel de Andrade, " Cantares".


Infância

                                                Ao meu  pai

Lá vai a Dona Biloca levando uma corvina...
Levei uma surra porque peguei um ovo no galinheiro dela
e disse pra minha mãe que achei na rua...
Lá vem a Odair e o Udinho...
Eu sei que eles querem brincar na piscina que eu fiz  
                                                                               [sooozinho..
- Ei Lelo, lá  vem o Seu Badico lavar os cavalos na praia...
- Eu sei, mas depois ele vai  encher a carroça de tainhas,
vai pôr folhas de bananeira em cima  e vai vender lá em 
                                                                             [Medeiros.
-Paaaai!... deixa eu ir com o senhor lá em Medeiros???.
Como eu gosto de lavar o Sanho....ele é tão mansinho...
- Pai... o senhor já nadou até a ilha?
- Pai... depois o senhor me leva até o fundo?
- Pai... eles vão pôr de novo a rede hoje?
- Pai... depois vamos tomar garapa lá no Seu Bebé?

Infância... a indelével imagem da vida
o território mágico da alma
lembrança viva e peregrina que  flutua pelo tempo.
Ah! essa salgada saudade dos braços fortes de meu pai
a levar-me sobre os ombros entre as ondas.
O salto, o mergulho, o torvelinho das águas
minha festa, meu delírio.
Meu mar, meu céu, meu pão de liberdade
meus sete anos correndo atrás das gaivotas
perambulando entre as canoas que chegavam
meus pés vestidos com  pantufas de espuma
a chutar seus densos flocos pelo ar.
As estrelas do mar semeadas ao longo dos meus passos
os siris entrando em seus buracos
os maçaricos andando ligeirinhos pela praia
as redes chegando lentamente com o  cardume aprisionado

                                                               
arraias, bagres, cações
espadas, águas vivas, caranguejos
os pescadores repartindo os peixes agonizantes
os baiacus mortos na areia
os restos do arrastão espalhados sobre a praia
meu samburá repleto de peixinhos.

Ah, a canção intermitente das ondas
o poético itinerário das velas levadas pelo vento
o vôo vagabundo das  aves litorâneas
o dorso escuro dos botos surgindo de quando em quando 
                                                                          [ sobre as águas.
a maré alta da tarde apagando  as marcas da manhã
a minha lagoinha lá perto da ponte
o meu mangue povoado de siris-goiá
meu pai tirando ostras
o rio desembocando lá na barra
a chegada das tainhas no inverno.

Ali morava minha infância
ali, e na imensurável morada do horizonte...
Meus olhos despertavam nas pálpebras entreabertas
                                                                         [ da aurora
e partiam com os mastros que sumiam na distância.
Vagavam no caminho melancólico do crepúsculo
no ocaso das tardes e na penumbra
na sedução da lua cheia sobre o mar.
Ah, Piçarras!... Piçarras!...............................
Não eras ainda esse moderno balneário
e a tua praia era somente  minha o ano inteiro.

......................................................................................

As velas da minha infância,
arriadas pelo tempo, já não saem pra pescar.
As redes daqueles anos,
abertas qual flor nas águas, chegam vazias do mar.
Os cardumes de tainhas,
ligeiras como corisco, já não chegam pra invernar.
As águas vivas do rio,
hoje carregam chorando,  seu veneno para o mar.

Meu manguezal de menino,
berçário de tantas vidas, foi inteiro loteado.

                                                                 
       Minhas canoas à vela,
poemas soltos ao vento, hoje navegam roncando.
O lago era um ovário
cujo canal dava ao rio, e tudo foi aterrado.
Progresso... que desencanto!!!
  sou um estranho nesse ninho, sou uma infância
                                                                       [ chorando.

............................................................................................

Ó mar, ó mar
procuro em vão meus rastros na areia
e por isso meus passos já não serão como um regresso...
Me restará, contudo, sempre  a tua eterna imagem,
tua beleza amanhecida e retocada pelo sol e pela brisa,
tuas verdes planícies que espraiam o mundo.
Resta-me o teu sabor primordial
“o sal da vida”
linfa incorruptível
ventre profundo que dia a dia reinaugura a maternidade 
                                                                                [planetária.
Restam-me tuas noites  pontilhadas pelos faróis do mundo
por Sírius, Antares,  Aldebarã...
por todo o firmamento constelado
e pelo  esplendor dos plenilúnios.

Volto saudoso aos meus mares
porque sempre haverá um leste e um sul magnético no 
                                                                                  [meu peito
apontando-me  o encanto desses íntimos recantos.
Aqui, uma pequenina praia entre pedras e penhascos,
ali, a visão imensa da baía com seus barcos e canoas, 
além,o grito alado das plumagens que voam lentamente 
                                                                                  [sobre as ondas
ao longe, o pesqueiro solitário que demanda as águas fundas.
Relembro este molhe de pedra que avança sobre o mar
do farol da barra  e  desta paisagem soberana
e da minha adolescência cruzando a nado esta corrente.
É o meu Itajaí-Açu desembocando calmamente no oceano
neste mar tão verde desta manhã de sol.
Meu olhar ancora ao longe, nos navios fundeados
e navega, mais além,  pousado no mastro esbelto de 
                                                                               [um veleiro.

Mar, ó mar
restará sempre o teu murmúrio a embalar o mundo
a voz inaudível das profundidades orientando a  rota 
                                                                             [dos cardumes

                                                              
a tua gestação incessante de criaturas
a força imponderável das correntes
a pontualidade das marés
os teus ciclos arquétipos que sustentam a vida.

Mar, ó mar
basta-me hoje o que já me deste desde sempre...
a tua imensidão tatuada nos meus olhos,
verde enseada onde aportou meu lírico destino.
Esses teus encantos, as tuas extensões,  essa totalidade...
todas as tuas medidas eu quisera ter na suprema síntese 
                                                                                 [dos meus versos,
para dá-la ao mundo na  expressão mais bela da poesia:
a face deslumbrante da esperança.

Piçarras-Itajaí, fevereiro de 2005

Manoel de Andrade, in " Cantares", Escrituras Editores, São Paulo, Brasil, pp. 52-56

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Io son l'umile ancella

"Io son l'umile ancella",  da ópera  "Adriana Lecouvreur", Act 1, de Francesco Cilea, na voz de  Renée Fleming, acompanhada pela Prague Symphony Orchestra, regida pela Maestro Christian Benda, no Prague Smetana Hall.

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Eventos em Novembro


CANDIDATURAS ABERTAS

Prémio Vilalva

Até 30 de novembro


A Fundação já está a receber as candidaturas ao Prémio Maria Tereza e Vasco Vilalva, que desde 2007 distingue intervenções exemplares em bens móveis e imóveis de valor cultural que estimulem a preservação e a recuperação do Património (como a Igreja e Torre dos Clérigos, na fotografia). 
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É JÁ NO SÁBADO!

O Gosto dos Outros

Sábado, 3 novembro, das 14:30 às 23:30, vários espaços da Fundação, entrada gratuita mediante levantamento de bilhete no próprio dia, a partir das 10:00.


Souto de Moura, Aldina Duarte, Fernanda Fragateiro, Júlio Isidro, Nuno Markl, André Carrilho, Rui Zink, Pedro Mexia, Capicua e Eduarda Abbondanza, entre muitos outros, discutem o gosto (o seu e dos outros) e partilham os seus dez poemas, músicas, filmes ou cartoons preferidos.
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MÚSICA NO MUSEU

Concerto Promenade

Domingo, 4 de novembro, 12:00, Coleção do Fundador, Entrada gratuita mediante levantamento de bilhete no próprio dia


Neste programa dois em um, passeie pela nova exposição Pose e Variações. Escultura em Paris no Tempo de Rodin enquanto assiste a um concerto de harpa por Carolina Coimbra, que tocará Jean Cras, Gabriel Fauré, Jacques de La Presle, Claude Debussy e Henriette Renié.
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ATIVIDADE PARA FAMILÍAS

Mitomóvel - histórias de princípios

Domingo, 4 de novembro, 11:00 e 16:00, Sala Polivalente – Coleção Moderna


Os mitos são histórias que nos levam até ao início das coisas.
Nesta atividade teatral, uma escultura mitomóvel desenlaça, pela voz de uma contadora, «histórias de princípios», símbolos do nosso imaginário e da nossa cultura. Sessão interativa, que inicia as crianças (maiores de 8) no universo dos mitos.
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