sábado, 12 de setembro de 2026

AS BEM-AVENTURANÇAS


MÓDULO II - ENSINOS DIRETOS DE JESUS
                                                                           
1
AS BEM-AVENTURANÇAS
por Manoel de Andrade
     " As beatitudes são o que de mais belo, poético e profético há no Sermão da Montanha. Belo e poético pelo lírico sabor moral das palavras e profético porque anunciam aos que sofrem a plena libertação e a verdadeira felicidade no mundo espiritual.
     Esta passagem de Mateus e Lucas foi tão estudada e comentada ao longo dos tempos que vale aqui fazer uma singela reflexão lembrando de dois fatos tão significativos na história do cristianismo. Moisés subiu a uma montanha para receber os Mandamentos da Lei e Jesus subiu a um monte para nos enviar os mandamentos do coração. Entre tantas referências, por certo a mais expressiva foram as palavras de Mahatma Gandhi (1869 – 1945) quando, numa de suas reflexões, afirmou que “Se se perdessem todos os livros sacros da humanidade e só se salvasse O Sermão da Montanha, nada estaria perdido.” (1) Essa sábia dedução de um homem tão iluminado como Ghandi indica que essa marcante passagem do Evangelho resume todo o fundamento moral do Cristianismo. Santo Agostinho escreveu o livro “Sobre o Sermão do Senhor na Montanha” onde analisa em profundidade cada detalhe da mensagem incomparável de Jesus. Martinho Lutero (1483 – 1546) dedicou ao texto vários sermões em Wittenberg, publicados em 1532 e Francois Mauriac (1885 – 1970), o grande mestre do romance francês, que descreveu Jesus em seu livro O Filho do Homem e foi laureado com o prêmio Nobel de Literatura de 1952, comentando o mais belo discurso do Divino Mestre, afirmou: "Quem nunca leu o Sermão da Montanha, não é capaz de saber o que é o cristianismo". E mesmo diante de tanta reverência, no Ocidente, essa mensagem sublime de Jesus foi deformada pela poderosa tutela “teocrática” que tinha a Igreja sobre a consciência das pessoas. A vigilância pela pureza dogmática mantida pela intolerância do Santo Ofício negava todo o elevado significado da compaixão, da caridade e do perdão que marcaram indelevelmente as palavras de Jesus. Nascida à sombra arbitrária da cura pontifícia e do trono imperial, a Inquisição marcou o desprezo absoluto pelo significado da fé, do amor e da esperança contida no Sermão da Montanha, restando às vítimas do poder eclesiástico, o desespero, a ruína e a crença na perdição irreparável da salvação da própria alma.
     Finalmente, é indispensável acrescentar que no Sermão da Montanha, contido no Evangelho de Mateus, está descrito o nosso mais belo “caminho” para nos dirigir a Deus. É lá que Jesus nos ensina a orar com humildade e respeito ao Criador, proferindo a mais perfeita e a única prece que nos ensinou: o Pai Nosso."
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(1)https://www.pensador.com/frase/MjYzMDEyOA

                                                        
 2
DISCÍPULOS: SAL DA TERRA E LUZ DO MUNDO
por Manoel de Andrade
    " Este belo título nos traz muitas reflexões sobre a grandeza espiritual de Jesus, como sábio e como poeta. Além das maravilhas morais das Bem-aventuranças, há outros tantos e tão belos recantos nos Evangelhos, onde o Mestre deixou as marcas de sua indelével sensibilidade, trazendo metáforas que se imortalizaram pelo fascinante lirismo das imagens ao falar dos lírios dos campos, das aves do céu, do pão da vida, da candeia, das sementes e do joio e do trigo.
     Vós sois o sal da terra”, disse Jesus aos seus discípulos. O que levou o Mestre fazer esta rara analogia, comparando os seus discípulos ao sal da terra? 
      Na antiga cultura judaica o sal é o símbolo da eterna aliança entre Deus e o povo de Israel. É uma alegoria com profunda significação religiosa, presente já nos primórdios dos rituais de oferendas a Deus como se lê nas primeiras páginas do Levítico: “Salgarás toda a oblação que ofereceres e não deixarás de pôr na tua oblação o sal da aliança com teu Deus; a toda oferenda juntarás uma oferenda de sal ao teu Deus.” (Lv, 2:13).  Em Ezequiel (16:4), os recém-nascidos eram purificados com o sal. No segundo livro de Reis, o profeta Eliseu purifica com o sal as águas do rio Jordão que banhava Jericó: (2 Rs, 2:20-22).
     Além do significado religioso que o sal tinha entre os hebreus, o que Jesus buscou, na sua comparação, foi associar as propriedades puras e incorruptíveis do sal, como uma substância química que tudo preserva, com as qualidades morais dos seus discípulos. Seu desejo era imaginá-los cristalinos como o sal, como um exemplo perfeito da preservação e da pureza. Como o elemento que nada corrompe e conserva tudo o que toca. O símbolo incorruptível do sal como um componente preservador da dissolução moral. Um caráter que não se contamina e que jamais se corrompe. Uma alma imune às impurezas e aos equívocos ilusórios do mundo.
     Além do “sal da terra” os discípulos foram chamados de a “luz do mundo”, porque eram investidos como os arautos da Boa Nova, trazendo acesa no Evangelho a candeia do conhecimento e da verdade. Nada se revela sem a luz. E a luz que ilumina o mundo é o Cristo. Sem ele caminhamos na penumbra.  Se buscamos, como seguidores do Mestre, ser a luz do mundo, deixemos que o amor, a verdade e a justiça brilhem em tudo o que fazemos e compartilhamos. Ser a luz do mundo significa viver com a consciência crística da verdade, porque a consciência é a lâmpada da alma, a bússola divina, iluminando nosso caminho na imortalidade."
Manoel de Andrade , in  Em Busca da verdade, reflexões e estudos sobre Cristianismo e Espiritismo, Edição do Centro Espírita Luz da Caridade, Rua Mato Grosso, 145 – Água Verde, CEP: 80260-070 – Curitiba - Paraná, pp.159 - 162

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