sábado, 19 de setembro de 2026

O último poema

O último poema

Assim eu quereria meu último poema
Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.
Manuel Bandeira, in  50 poemas escolhidos pelo autor, Ed. Cosac Naify – São Paulo, 2006, pág. 35.

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