sábado, 14 de julho de 2012

Um lugar nos olhos


Luis Manuel Gaspar - Um lugar nos olhos
EXPOSIÇÃO na Biblioteca Nacional de Portugal de  2 Julho a 31 Agosto | Sala de Referência | Entrada livre

Minudências
João Paulo Cotrim

E no galope, ao bater de asas
do último insecto, roubei-te as imagens:
construíram-nos em pedra, rosa
sem fios de fogueira, a pele apartada
dos pulsos. Há um tremor por excesso de pupilas,
o brilho que me arrasta ao arrepio
para o teu campo visual

Luis Manuel Gaspar, Pandora (Averno, 2003)

"À força do bater de asas, Luis Manuel Gaspar (Lisboa, 1960) ganhou uma reputação. Tantas pupilas lança de encontro aos textos, sobretudo poéticos, sobretudo de amigos, que lhes detecta as falhas de natureza: gralhas, incorrecções, dislexias e paralisias. Possui memória de pedra e a atenção do fogo, qualidades ancestrais que o tornam notável organizador de edições literárias, com o que isso implica de intuição e paciência. A obra volátil torna-se completa por via do seu afã. Há quem diga que basta passar pelos sítios, conversar com este e aquela, para que a sua vetusta pasta recolha com simplicidade os segredos e detalhes dos artistas de nomeada como do poeta mais obscuro. Mas ainda se tem desfeito revisor, aquele que volta a ler, que persegue o galope da frase até que as palavras se tornem definitivas. Em qualquer destas suas vocações da releitura, o seu brilho está no detalhe.
Como nenhum outro ilustrador, o essencial da sua obra pode ser encontrado algures entre a Natureza e a palavra (nos livros de poesia, capas e miolo; dando rosto aos volumes de ficção; em livro infantil com animais; nas bandas desenhadas que ilustram poemas de Sophia, Pessoa, O’Neill entre tantos outros). 
Uma parte deste campo visual radica no naturalismo mais despojado, aqui e ali retocado pelas cores vibrantes do acrílico. São lugares (recantos de cidade) e paisagens (de beira-mar), gatos em diversas poses com todos os pêlos (sim, contei-os…), moscas ou objectos. E retratos, de escritores ou de felídeos. A riqueza de pormenor vai do cenário de ópera íntima à dentição completa do peixe. A segunda parte acomoda-se na gaveta dos surrealismos, como se as gralhas dos textos se transfigurassem em híbridos do mundo natural. Tenho-os no aconchego da mão e não me canso de os mirar: aracnídeos em flor, ramos secos que se locomovem em patas de aranha, pássaros que se desfazem em estames e corolas, ausências de branco no coração de um bailado de folhas. Neste reino desenhado de Gaspar com pujante ciência, animal e vegetal e inanimado fazem-se criatura única que evolui perante os nossos olhos na superfície do papel. Uma composição por vezes abstracta que faz todo o sentido. O que parecia arbitrária conjugação de factores pulsa uma naturalidade óbvia, que parece dizer-nos, então não tinhas reparado que os gravetos de pinho são invertebrados de exoesqueleto quitinoso?
Por junto e sem risco, podemos afirmar estar em presença de um pequeno ecossistema circulante, também ele orgânico, de desenhos parasitas dos livros e das palavras. Mesmo que não sejam detectadas outras mais evidentes relações, partilham espaço e alimentação. Luis Manuel Gaspar foi ao museu de uma história natural paralela e esquecida, onde o universo fazia sentido através da catalogação sistemática em enciclopédias ilustradas, e libertou a força primordial das coisas: esqueletos e ossos, corpos e suas partes, folhas, ferramentas, plantas, pétalas e pólenes e luminescências, becos sem saída, paredes decadentes, azulejos, uma gama de fórmicas além da inesgotável lista de insectos, de moscas e faróis. Portanto, todo um vocabulário que se vai reinventando e tecendo a teia onde a morte se há-de sentar.
O estilo minucioso de Luis-sem-acento tem como assinatura a tinta-da-china e o aparo fino, tão fino como a sua elegância. Não dá um passo sem sépia. Mas a gama de cor, por exemplo nas citadas bandas desenhadas (publicadas no jornal Viva Voz e na revista Ler) onde o poema corre como arrepio suscitando variações do olhar sobre sítio significante em modo disléxico e não ilustrativo, torna-se personagem. Pela intensidade da paleta generosa e densa, as texturas, a luz, os céus acontecem mais reais que o real. Como na poesia que também pratica, o museu naturalmente de Luis enche de carne e veias o farol assim como dá ao granito a leveza do veludo."
(texto introdutório do catálogo "Um lugar nos olhos, 2011")

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Tornar possível o impossível


É longa, longa, a estrada,
e pedregosa. O sonho,
É construir
um mundo de homens livres
e iguais.
Urbano Tavares Rodrigues, " Tornar possível o impossível", in "Assim se esvai a vida, três livros num só ", Ed. Dom Quixote, 2010

O 'mapa mundi' que baptizou a América


Encontrada versão desconhecida  do 'mapa mundi' que baptizou a América
'Mapa de Waldseemüller', do século XVI, estava na Biblioteca da Universidade de Munique
Investigadores alemães da Biblioteca Universidade de Munique acharam um exemplar desconhecido do 'mapa de Waldseemüller', o primeiro em que o 'Novo Mundo' é nomeado como 'América'. Klaus-Rainer Brintzinger, director da biblioteca, considera esta descoberta sensacional, uma vez que se conhecem muito poucos exemplares deste mapa desenhado pelo cartógrafo alemão Martin Waldseemüller, que viveu entre 1470 e 1522.
A versão é mais pequena do que o mapa datado de 1507 encontrado num mosteiro alemão em 1901, do mesmo autor. Com três metros quadrados, aquele planisfério é visto como a 'certidão de nascimento' do continente americano.
Em 2007, a chanceler alemã Angela Merkel ofereceu-o aos Estados Unidos. Hoje, faz parte da lista de mundial de documentos da UNESCO e pode ser visitado na Biblioteca do Congresso, em Washington.
Waldseemüller, Colombo e Vespucci
Waldseemüller ajudou a estabelecer "América" como o nome do continente recentemente descoberto em honra das expedições do explorador Amerigo Vespucci. Este era contemporâneo do genovês Cristóvão Colombo, que, ao serviço do Reino Espanhol, chegou a América Central em 1492, acreditando que estava a chegar à Ásia.
O trabalho de Waldseemüller manteve-se na obscuridade por muitos anos, mas foi absolutamente fundamental para uma compreensão radicalmente diferente da geografia. O alemão elaborou o mapa baseando-se nas descobertas de Colombo e Vespucci.Nele, incluiu dados recolhidos durante as viagens de Vespucci ao Novo Mundo e 'baptizou' as novas terras de 'América', reconhecendo, assim, que Vespucci estava a explorar, de facto, um novo continente.

Quinta versão
Antes da descoberta deste pequeno mapa, eram conhecidas apenas apenas quatro versões. Uma delas tinha sido vendida em leilão, em 2005, por 800 mil euros.
Sven Kuttner, que dirige o departamento de livros antigos da biblioteca, afirma que este mapa é ligeiramente diferente das outras versões. Por exemplo, o porto de Calecute, onde Vasco da Gama desembarcou 1498, está assinalado no Mapa. Mas nesta versão está desenhado no quarto fragmento, enquanto que nas outras se encontra no quinto.
A origem desta cópia não foi ainda determinada com absoluta exactidão. Mas os investigadores acreditam que foi criada, provavelmente, pouco depois do seu primeiro mapa. O planisfério foi impresso a partir de blocos de madeira cuidadosamente esculpidos." in " CiênciaHoje" 3/07/2012

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Amanhã




«Amanhã», dizes tu. Viverei amanhã.»
Quando virá, porém, esse tal amanhã?
Ah! que sabemos nós do dia de amanhã?
Em que reino se esconde o rosto de amanhã?
Que idade tem ao certo o vulto de amanhã?
É coisa que se venda? É coisa que se compre?
Que certeza tens tu de estar vivo amanhã?

Tarde já é viver no próprio dia de hoje.
Mais sábio é começar a vivermos desde ontem.

Marcial, Epigramas, Livro V, 58,Tradução de David Mourão-Ferreira in “Vozes da Poesia Europeia” – I, Colóquio Letras n.º 163,Janeiro - Abril 2003

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Estamos tão perto uns dos outros.


Somos a primeira pessoa do plural
“Estamos tão perto uns dos outros. Somos contemporâneos, podemos juntar-nos na mesma frase, conjugarmo-nos no mesmo verbo e, no entanto, carregamos um invisível que nos afasta. Ouvimos os vizinhos de cima a arrastarem cadeiras, a atravessarem o corredor com sapatos de salto alto, a sua roupa molhada pinga sobre a nossa roupa a secar; ouvimos a voz dos vizinhos de baixo, dão gargalhadas, a nossa roupa molhada pinga sobre a roupa deles a secar; cheiramos as torradas dos vizinhos do lado, ouvimo-los a chamar o elevador e, no entanto, o nosso maior problema não é apenas não nos reconhecermos na rua. O nosso problema grande é estarmos convencidos que os problemas deles não nos dizem respeito. A nossa tragédia é acharmos que não temos nada a ver com isso.
Há três ou quatro anos, caminhava com um conhecido no aeroporto. De repente, ouviu-se um estalido. Ele agarrou-se ao peito com as duas mãos, caiu de joelhos e, pálido, esperou por morrer. Não morreu. Tinha-lhe rebentado um isqueiro no bolso da camisa. Aliviado, encostado a um balcão, a beber um copo de água, explicou que esse ardor repentino e esse susto pareceram-lhe um ataque cardíaco. Nunca tinha tido um ataque cardíaco antes, por isso confiou em descrições vagas, a que nunca tinha realmente prestado muita atenção.
Há alguns anos também, talvez um pouco mais do que três ou quatro, tinha acabado de participar num jantar cordial, reconfortante. Toda a gente estava bem disposta, à porta dos anfitriões, longa despedida, graças, à espera de táxi. De repente, tocou o telefone de um senhor com quem tinha estado a conversar durante todo o serão. Ninguém reparou nesse telefonema até ao momento em que o senhor começou a chorar convulsivamente. Ficámos todos a olhar sem saber como chegar até ele. Tínhamos braços, estendíamo-los na sua direcção, mas continuavam distantes.
Irritamo-nos com a existência uns dos outros. Fazemos sinais de luzes àquele homem com setenta anos, num carro dos anos setenta, que anda a setenta quilómetros por hora na auto-estrada. Contrariados, esperamos por aquela pessoa que atravessa a passadeira, enchemos as bochechas de ar e sopramos. Impacientes, batemos no volante. Daí a minutos, depois de estacionarmos o carro, somos essa pessoa a atravessar a passadeira. Da mesma maneira, daqui a algum tempo, não muito, seremos esse homem com setenta, dos setenta, a setenta. O tempo passa. Se deitarmos lixo para o chão, alguém o apanhará.
Um amigo que teve um AVC, que passou por uma reabilitação profunda, que enfrentou a morte e a paralisia, depois de anos de fisioterapia, depois de esforço gigante e sofrimento gigante, falou-me da forma como esse susto muda tudo. Passa-se a apreciar aquilo que realmente importa. A imensa maioria das preocupações transformam-se em luxos ridículos, desprezíveis, alimentados pela cegueira. Após essa experiência de quase morte, ganha-se uma nitidez invulgar, que, no entanto, esteve sempre lá. Para percebê-la, bastava levar a sério a promessa de transitoriedade de tudo e, também, levar a sério essa palavra, esse planeta: o amor. Ao ouvi-lo, fui capaz de entender aquilo que dizia. Depois, também fui capaz de entender quando me disse: mas, sabes, ao fim de algum tempo, esquecemo-nos, voltamos a tomar tudo por garantido e voltamos a cometer os mesmos erros.
Repito para mim próprio: estamos tão perto uns dos outros. Não há nenhum motivo para acreditarmos que ganhamos se os outros perderem. Os outros não são outros porque levam muito daquilo que nos pertence e que só pode existir sendo levado por eles. Eles definem-nos tanto quanto nós os definimos a eles. Eles são nós. Eles somos nós. Se tivermos essa consciência, podemos usar todo o seu tamanho. Mesmo que pudéssemos existir sozinhos, de olhos fechados, com os ouvidos tapados, seríamos já bastante grandes, mas existe algo muito maior do que nós. Fazemos parte dessa imensidão. Somos essa imensidão que, vista daqui, parece infinita.”
José Luís Peixoto, in revista Visão (Dezembro 2011)

terça-feira, 10 de julho de 2012

Não me esqueci de nada, mãe

Poema à Mãe

No mais fundo de ti,
eu sei que traí, mãe

Tudo porque já não sou
o retrato adormecido
no fundo dos teus olhos.

Tudo porque tu ignoras
que há leitos onde o frio não se demora
e noites rumorosas de águas matinais.

Por isso, às vezes, as palavras que te digo
são duras, mãe,
e o nosso amor é infeliz.

Tudo porque perdi as rosas brancas
que apertava junto ao coração
no retrato da moldura.

Se soubesses como ainda amo as rosas,
talvez não enchesses as horas de pesadelos.

Mas tu esqueceste muita coisa;
esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração
ficou enorme, mãe!

Olha — queres ouvir-me? —
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;

ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;

ainda oiço a tua voz:
          Era uma vez uma princesa
          no meio de um laranjal...

Mas — tu sabes — a noite é enorme,
e todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber,
Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas.

Boa noite. Eu vou com as aves.

Eugénio de Andrade, in "Os Amantes Sem Dinheiro", Quasi 2008

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Gabriel Garcia Márquez


O escritor colombiano Gabriel Garcia Márquez não vai voltar a escrever, depois de ter sido diagnosticado com demência. O anúncio foi feito pelo irmão do escritor, Jaime Garcia Marquez, numa conferência em Cartagena das Índias, Colômbia ,no dia  7 deste mês de Julho. Visivelmente emocionado contou que o Nobel da Literatura está bem em termos físicos, mas que perdeu a memória.
Esta é verdadeiramente uma notícia muito  triste. Garcia Márquez, o Gabo, deixar de escrever. Ficaremos muito mais pobres sem a sua escrita. Lê-lo foi uma descoberta imensurável. Retomar e retornar indefinidamente à sua obra é um prazer inesgotável. Todos os livros que produziu fazem parte do acervo particular de todos aqueles que se encantaram  com uma prosa inovadora e um mundo onde não encaixam limitações . O exercício do imaginário, do fantástico sobre o real em que se confunde caos  e premonições,  epopeias e tragédias, morte e ressurreição, profano e religioso, não  condiciona a sublimação da sua obra  sem limites. É a capacidade criadora do escritor que avassala e obriga o leitor a uma viagem onde tudo é normal e tudo é excepcional ,  como afirmou Cortázar .
Perder a 2ª parte do seu livro de  memórias, “ Viver para contá-la”, é renunciar a mais um dos melhores relatos de ficção de Garcia Marquez  “onde as faculdades de narrador ultrapassam as capacidades de memorialista”. Frequentemente repetia que no jornalismo , um só facto falso prejudicava  toda a obra ,enquanto que na ficção um só facto verdadeiro a legitima. Afinal as coisas são como  se recorda como foram, não importa se um acontecimento não está certo, porque o vai ser em algum momento futuro.
Aquando da publicação da 1ª Parte de “ Viver para contá-la”, Carlos Fuentes escreveu um conjunto de textos condensados num pequeno livro sob o título “Gabo Memórias da Memória” que acompanhava a 1ª edição dessa obra memorialista.
Pelo interesse e amizade que ligava estes dois grandes escritores latino-americanos, Carlos Fuentes faleceu há pouco tempo, transcreve-se um desses textos, “ Vida e Morte”.
“ Quando Cortázar morreu, telefonei a Garcia Márquez, comovido pelo desaparecimento do nosso incomparável amigo. Gabo respondeu-me, memoravelmente: -  Não acredites em tudo o que lês nos jornais. É verdade: não há mortalidade na literatura. Ouvir  Gabo falar de livros e autores  é ouvi-lo falar do mais vivo, do mais próximo, do mais íntimo. Gabriel possui uma memória poética fabulosa, coisa que – entre outras – lhe invejo como invejo a Carlos Monsiváis ( capaz de passar uma tarde  com Neruda fazendo conversa sem outras palavras que não sejam citações da poesia de Neruda); a Chema  Pérez Gay  ( que, além disso, cita Holderlin, Goethe e Rilke em alemão) ; ou a Antonia Fraser, que memoriza um poema todas as noites. Gabo sabe de cor poesia  de Garcilaso ( “ Escrito está na minha alma o vosso gesto / e quanto escrever de vós desejo / vós  só o escreveste, eu o leio / apenas, que mesmo de voz me guardo nisto “). Às vezes, Garcia Márquez deixa entrever a literatura que guarda. É Kafka e A Metamorfose, a leitura que o precipitou na escrita , angustiado e anelante. É Faulkner e a convicção de que o presente começou há dez mil anos. É Rulfo e o clamor dos silêncios. E é, surpreendentemente, Dumas e O Conde de Monte Cristo como fábula de fábulas que encerra o enigma do enigma; como fugir da  prisão do Castelo de If? Que o leitor se ponha a pensar e verá como as combinações possíveis são infinitas, tão infinitas como a leitura. Gabriel García Márquez e Alexandre Dumas e Franz Kafka: como entrar no Castelo, como sair do Castelo. A chave chama-se a literatura. Mas ela também está escondida. Está na ilha do tesouro. Não a de Stevenson, mas a de Defoe, autor preferido de García Márquez não tanto pelo Robinson como por Diário do Ano da Peste O título diz tudo. O Robinson de Gabo é o do muito admirado Coetzee: uma notícia falsa que alguém conta a Defoe. O meu Robinson é o de Buñuel: o solitário gritando no alto da montanha para ouvir o eco da sua voz e se sentir acompanhado.” Carlos Fuentes, “ Vida e Morte”, in “ Gabo Memórias da Memória”, Ed. Dom Quixote, Abril 2003

domingo, 8 de julho de 2012

Ao Domingo Há Música



Reservo-me o Domingo

Reservo-me o domingo para a busca
receosa e teimosa da alegria.
Meu coração devia ser alegre
como um pássaro novo,
meu coração devia ser alegre
como o vinho ou o fogo
No entanto, onde está a alegria?
onde estão as sementes da alegria?
onde vive a alegria? No entanto,
pergunto às coisas e às gentes
de domingo onde está a alegria.
Mesmo que a não encontre
destino-lhe o domingo,
este e outros domingos,
este sol e outros ventos,
este mar e outras ruas,
estas mãos e estes olhos.
Assim acho razão para não estar triste.
António Rebordão Navarro, "O Dia Dentro
da Noite - Poemas (1952 - 1982)"
Lisboa, Imprensa Nacional Casa da Moeda

E também se reserva este Domingo para reviver os sons extraordinários dos Queen em "Bohemian Rhapsody", no talento da voz , do teclado e da composição de  Freddie Mercury. Momentos de extrema beleza musical extraídos do Álbum " A Night at the Opera".