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quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Tomás Segovia e Rubens Figueiredo

Enquanto
Enquanto não queira o tempo
Soltar a minha mão
Sairei cada manhã
A buscar com a mesma reverência
Minha diária salvação pela palavra
                                    Tomás Segovia


México - "O poeta espanhol Tomás Segovia, que chegou exilado ao México em 1940, faleceu na segunda-feira, aos 84 anos, na capital mexicana vítima de cancro, informou o Instituto Nacional de Belas Artes (INBA).
"Segovia é um dos poetas mais importantes das letras em língua espanhola. O seu talento, sabedoria e grande humanismo enriqueceram a vida cultural de nosso país desde que chegou, expulso pela guerra civil espanhola", afirmou Teresa Vicencio Álvarez, directora geral do INBA.
Nascido em Valencia, Tomás Segovia desembarcou no México em 1940 e  tornou-se uma importante figura da vida intelectual mexicana." Lusa


Prémio Portugal Telecom Literatura
O livro "Passageiro do Fim do Dia" de Rubens Figueiredo foi o vencedor da edição deste ano do Prémio Portugal Telecom de Literatura, em cerimónia realizada esta terça-feira em São Paulo.
Rubens Figueiredo ,escritor e tradutor brasileiro, é um autor galardoado com vários prémios ,incluindo dois Prémios Jabuti de Literatura e já tinha recebido este ano o Prémio São Paulo de Literatura.
O "Passageiro do Fim do Dia" conta o que os olhos de Pedro vêem enquanto atravessa a cidade do Rio de Janeiro até chegar ao bairro onde vive. Com um livro velho nas mãos, que vai lendo, a personagem criada por Rubens Figueiredo vai observando as relações e as desigualdades sociais no Brasil.
«Tentei concentrar-me em pequenos factos ou situações, às vezes detalhes mesmo pequeninos», contou o escritor, referindo ainda que abordou a «distância entre as pessoas» e «a dificuldade de ver os outros como iguais a nós mesmos».
O vencedor do prémio Portugal Telecom de Literatura escreveu o primeiro romance aos 23 anos. Nasceu em 1956, no Rio de Janeiro e vive nessa cidade. Foi professor e actualmente é tradutor, tendo mais de 40 traduções publicadas.
Mesmo com todo um currículo marcado pelo envolvimento com a língua, o autor diz não ser movido apenas pela palavra. "Eu só começo a escrever quando tenho alguma coisa para dizer".
Os dez finalistas do prémio deste ano foram Rubens Figueiredo, com "Passageiro do fim do dia" (Editora Companhia das Letras), João Tordo, com "As três vidas" (Editora Língua Geral), Gonçalo M. Tavares, com "Uma viagem à Índia" (Editora Leya), José Castello, com "Ribamar" (Editora Bertrand), João Almino, com "Cidade Livre" (Editora Record), Marina Colassanti, com "Minha guerra alheia" (Editora Record), Alberto Martins, com "Em Trânsito" (Editora Cia das Letras), Elvira Vigna, com "Nada a dizer" (Editora Cia das Letras), Ricardo Aleixo, com "Modelos Vivos" (Editora Crisálida) e Donizete Galvão, com "O homem inacabado" (Portal/Dobra Editorial). Notícia  da Comunicação social

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

A Jorge Luis Borges

“Para mí, vivir sin odio es fácil, ya que nunca he sentido odio. Pero vivir sin amor creo que es imposible”
                                      Jorge Luis Borges


Jorge Francisco Luis Borges nasceu em Buenos Aires a 24 de Agosto de 1899. Morreu a 14 de Junho de 1986, na Suiça . Passaram 112 anos sobre o seu nascimento e continua a ser o nome maior da Literatura Argentina.
A sua obra é imensa e valiosa. Desde a Poesia ao Ensaio, Borges deu à palavra uma nova dimensão. Tive o privilégio de o  escutar em Colóquios  e de verificar, presencialmente, quão forte era nele a sedução da palavra.  
A Jorge Luis Borges apresentamos  a nossa homenagem, recordando-o através da sua escrita.
Até sempre.

O Presente não Existe

Não é extraordinário pensar que dos três tempos em que dividimos o tempo - o passado, o presente e o futuro -, o mais difícil, o mais inapreensível, seja o presente? O presente é tão incompreensível como o ponto, pois, se o imaginarmos em extensão, não existe; temos que imaginar que o presente aparente viria a ser um pouco o passado e um pouco o futuro. Ou seja, sentimos a passagem do tempo. Quando me refiro à passagem do tempo, falo de uma coisa que todos nós sentimos. Se falo do presente, pelo contrário, estarei falando de uma entidade abstracta. O presente não é um dado imediato da consciência.
Sentimo-nos deslizar pelo tempo, isto é, podemos pensar que passamos do futuro para o passado, ou do passado para o futuro, mas não há um momento em que possamos dizer ao tempo: «Detém-te! És tão belo...!», como dizia Goethe. O presente não se detém. Não poderíamos imaginar um presente puro; seria nulo. O presente contém sempre uma partícula de passado e uma partícula de futuro, e parece que isso é necessário ao tempo.

Jorge Luís Borges, in '” O Tempo”

Nostalgia do Presente

Naquele preciso momento o homem disse:
«O que eu daria pela felicidade
de estar ao teu lado na Islândia
sob o grande dia imóvel
e de repartir o agora
como se reparte a música
ou o sabor de um fruto.»
Naquele preciso momento
o homem estava junto dela na Islândia.

Jorge Luis Borges, in "A Cifra"

SON LOS RÍOS
Somos el tiempo. Somos la famosa
parábola de Heráclito el Oscuro.
Somos el agua, no el diamante duro,
la que se pierde, no la que reposa.
Somos el río y somos aquel griego
que se mira en el río. Su reflejo
cambia en el agua dei cambiante espejo,
en el cristal que cambia como el fuego.
Somos el vano rio prefijado,
rumbo a su mar. La sombra lo ha cercado.
Todo nos dijo adiós, todo se aleja.
La memória no acuna su moneda.
Y sin embargo hay algo que se queda
y sin embargo hay algo que se queja.

Jorge Luis Borges , in “ Os Conjurados” , Editora Três, 1985.