sexta-feira, 3 de abril de 2026

O resgate de Jesus

 
O resgate de Jesus
 
Depois do seu passamento,
no mais ingrato momento,
Jesus foi abandonado.
Apenas dois fariseus,
sacerdotes entre os judeus,
honraram o crucificado.
 
Foi José de Arimateia
que teve a sublime ideia,
do resgate de Jesus.
Rogou a Poncio Pilatos
que autorizou com seus atos
descer seu corpo da cruz.
 
Pelo Evangelho, sabemos,
que ele com Nicodemos
retiraram do madeiro
o corpo do mestre amado,
que depois foi perfumado
para seu ato derradeiro.
 
E foi nesse triste cenário,
que ali perto do Calvário
foi um sepulcro encontrado.
E a Arimateia, bendigo,
por ceder o seu jazigo,
onde Jesus foi sepultado.
 
Ninguém sequer imagina
que foi por inspiração divina
o resgate de Jesus.
O que teria se passado
com seu corpo abandonado,
e ali pregado na cruz.
 
Pois pela lei do Império,
não se dava cemitério
para os réus crucificados.
Por condenações tão graves,
eram pasto para as aves,
suspensos e ali deixados.
 
E a lei do judaísmo,
com um cruel extremismo,
os destinava ao vexame.
Depois de ser despregado
era o corpo do condenado
jogado num vale infame.
 
Por ironia e por Deus,
devemos a dois fariseus
o resgate de Jesus.
Gratidão a Nicodemos
e a Arimateia não menos
por tirarem o Mestre da Cruz.
            Curitiba, 14 de março de 2026
Manoel de Andrade

3 comentários:

  1. Agradeço a editoria do Livres Pensantes a postagem deste meu poema.
    Ao longo da história, muitos escritores e artistas se inspiraram nas descrições evangélicas das cenas da Paixão de Cristo para criar obras de arte que expressassem a sua fé, a sua emoção e a sua visão sobre o sacrifício de Jesus, retratando a crucificação e a retirada do Seu corpo da cruz. Essas obras podem ser encontradas em diversas formas, como livros, pinturas, esculturas, vitrais, mosaicos, tapeçarias, músicas, poemas, filmes e peças de teatro. As que mais se destacaram foram as pinturas expostas nos maiores museus do mundo. A descida da cruz foi pintada por Michelangelo, Rafael Sanzio, Caravaggio, Jan Mabuse, Rembrandt, Rubens, Gustave Doré, Candido Portinari e tantos outros. Na “Descida da Cruz” do pintor renascentista holandês Jan Mabuse (1478 – 1532), cuja tela está exposta no museu Hermitage, em São Petersburgo, três homens descem o corpo de Jesus apoiados em duas escadas. No alto de uma escada está José de Arimateia que retira os pregos para soltar os braços. No meio de outra escada está Nicodemos, suportando todo o peso do corpo de Jesus. No chão, um terceiro homem retira o prego que prende os pés do Cristo. Caravaggio mostra José de Arimateia, Nicodemos, João e Maria Madalena carregando o corpo de Jesus para o túmulo. Rembrandt mostra José de Arimateia, Nicodemos, João, Maria de Nazaré, Maria Madalena e Maria de Cléofas também carregando o corpo de Jesus para o túmulo, com uma expressão de tristeza e esperança.
    O grande filósofo, teólogo e historiador francês Ernest Renan (1823 – 1892) no final de sua célebre obra sobre a Vida de Jesus, traz um relato inquietante sobre a morte de Jesus. Afirma ele que: “Segundo o costume romano, o corpo de Jesus deveria ficar suspenso para pasto das aves. Segundo a lei judaica, devia ser despregado à noite e depositado no lugar infame destinado à sepultura. Se Jesus só houvera por discípulos apenas seus pobres galileus, tímidos e sem créditos, ter-se-ia cumprido à risca a lei judaica. Mas nós vimos que, apesar de seu pouco êxito em Jerusalém, Jesus acareara a simpatia de algumas pessoas de consideração que esperavam o reino de Deus e que, sem se confessarem seus discípulos, tenham por ele arraigada dedicação. Uma dessas pessoas, José de Arimateia (Haramathaim), foi à tarde pedir o corpo ao procurador. José era um homem rico e respeitável, membro do Sanedrim. A lei romana, nessa época, ordenava que se entregasse o cadáver do supliciado a quem o reclamasse. (...) Apareceu, nessa ocasião, outro amigo secreto, Nicodemo, que já vimos, mais do que uma vez, empregar sua influência em favor de Jesus. Era portador de abundante provisão de substâncias necessárias para a embalsamação. José e Nicodemos sepultaram Jesus segundo o costume judaíco, isto é, envolvendo-o em uma mortalha com mirra e aloés. As mulheres galileias estavam presentes e decerto, acompanharam aquela cena com gritos e prantos.”
    Diante do que escreveu Renan, resta perguntar o que teria acontecido com o corpo de Jesus se um “rico e honrado” fariseu não tivesse a feliz e decisiva inspiração de pedi-lo ao poderoso governador romano da Judeia?
    Como se vê, foram dois fariseus que estiveram tão perto do Cristo nos seus momentos mais extremos sobre a Terra. Nicodemos foi muito além do encontro que teve com Jesus. Em muitas dessas e outras expressões das cenas do Calvário, o seu nome e o de José de Arimateia saem das páginas do Evangelho para entrar na história da arte e da literatura.

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    1. Uma oportuna e completa contextualização do poema pelo seu autor.
      Apenas podemos agradecer tudo o que nos tem oferecido tão prodigamente.
      Bem haja , poeta!

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  2. Uma aula, sublime, sobre o filho de Deus. Com, certeza, era uma missão Divina, direcionada para esses homens. Deslumbrante.

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