| Hans Rottenhammer, Ressurreição de Cristo [Detalhe],quarto trimestre do sec.XVI, domínio público, Wikimedia Commons |
Neste Domingo de Páscoa, o domingo da nova Esperança , ficam as palavras de um grande poeta , num longo poema , que dão ao dia o seu verdadeiro significado.
Para todos, desejamos uma Feliz Páscoa .
Quão grandioso és Tu, Senhor,
transfigurado no alto do Tabor!
Evocas no infinito a Elias e Moisés,
numa epifania divina e inescrutável,
revelando Teu poder irrefutável
diante de Pedro, João e Tiago aos Teus pés!
Canto o Teu triunfo no alto do Calvário,
ante os zombadores e ali tão solitário,
dizendo ao mundo e aos anais da História:
Pai, por misericórdia, perdoa Meus algozes.
É o Teu amor, sob as dores mais atrozes,
que erige ali o panteão da Tua glória.
E no injusto tribunal dos opressores,
Teu amor invencível vence os “vencedores”.
Vence a imensa ingratidão do mundo,
vence a justiça de Pilatos e a Lei dos sacerdotes,
perdoa a patética traição de Iscariotes
e deixas na Via Crucis Teu rastro mais profundo.
Teu sacrifício, Teu exemplo, Tua dor,
revelam a personificação do Teu amor.
São Teus lábios perdoando o bom ladrão,
é Tua inocência sangrando no madeiro,
manchando de vergonha o mundo inteiro
e entregando a Deus Teu coração.
E depois da fúnebre travessia,
Tu ressurgiste no terceiro dia,
anunciando o sol da imortalidade.
E dizes, mostrando Tuas chagas a Tomé,
põe aqui teu dedo, e revive a tua fé,
Eu estou vivo. Sou a prova da verdade.
E só então subiste para além do horizonte.
Ficou Tua imagem, meu sustento, minha fonte,
Teu Evangelho a iluminar meus passos.
Ficou Tua figura tão bela e tão serena,
Teus cabelos repartidos na forma nazarena,
e se Te busco em prece, me sinto em Teu regaço.
O vértice da verdade, és Tu Senhor
És a ponte, o caminho para o Criador,
e ante a tempestade, és a certeza da bonança.
És o Mestre dos saberes mais profundos,
És Tu que acendes o farol do mundo,
És o sacrário da fé e o templo da esperança.
És o poeta das aves e dos lírios.
És o altar de todos os martírios,
e o fermento da humana devoção.
Bendito sejas, Divino Missionário,
Governador da Terra, celeste relicário,
e modelo da suprema perfeição.
Em verdade, nenhum poeta deste mundo,
cantou ditos tão belos e tão profundos
como a Tua sapiência no Sermão do Monte.
Onde, na beleza das Bem-Aventuranças,
Tu espalhaste as sementes da esperança
nas dimensões do tempo e do horizonte.
Rabi da escola terrestre,
Tu és o mestre dos mestres,
o Redentor e a luz do mundo.
Teu Evangelho simboliza a verdade,
é a cartilha de amor à humanidade
e o testamento dos princípios mais profundos.
Tua profecia derrubou o santuário
e dividiste as datas do nosso calendário.
Que poder é esse que encanta o mundo?
Caiu o Templo e nada restou do Império.
Restou Tua imagem no sudário e no mistério
e ninguém mais deixou exemplos tão profundos.
E desde então dois mil anos são passados,
e a humanidade ainda ostenta seus pecados.
Hoje somos nós que rogamos o Teu perdão,
pelas fogueiras que acendemos em Teu nome,
pela desventura de tantos que têm fome
pelas trincheiras em guerra e os bazares da ilusão.
Na magia da fé e nos mares do encanto,
numa nave celestial que esperamos tanto,
tu, ó Cristo, navegas revelando a profecia.
Estás no leme do veleiro da esperança,
no rumo do porvir, da Terra da bonança,
para nos abrir, no amanhã, um novo dia.
Curitiba, 29 de março de 2026
Manoel de Andrade, poema inédito
Leonard Bernstein em LSO - Gustav Mahler: Symphony No. 2 in C Minor "Resurrection", V. Finale (Excerpt)
Sem comentários:
Enviar um comentário