segunda-feira, 20 de abril de 2026

No reino do ditador

Le vignette di Italia Oggi

Macbeth na Rússia
 
Depois de matar e incendiar,
depois de constante bombardear,
aquele cadáver frio que procria,
sem sabedoria nem alegria,
 
Vladimir Putin, feio czar da Rússia,
onde se tortura com arrogância,
e se mata irmão ou filho, que importa,
é preciso é desamparar a porta,
 
Putin, dizia, vai ver a floresta,
até aí, imóvel, caminhar,
imparável e ameaçadora besta,
 
como se viu, em Dunsinane, andar
outra floresta, até aí quieta,
em direcção a Macbeth, como seta!
                           11.05.2023
Eugénio Lisboa

 
          133- Putin caricature stock illustrations

Na morte de Navalny

Nero recomendava o suicídio
ou mandava a guarda pretoriana
ou também usava o matricídio,
querendo livrar-se de algum sacana.

O melhor modo de fazer calar
um adversário muito eloquente
é, sem mais, fazê-lo assassinar,
de modo rápido e eficiente.

Navalny foi agora “afastado”,
porque incomodava muita gente.
Putine, naturalmente agastado,

disse: “Quem me livra deste demente?”
Os seus assessores compreenderam
e, muito prestamente, procederam.
                             16.02.2024
Eugénio Lisboa


SONETO MUITO GAUCHE PARA USO DOS
OPRESSORES DO MOMENTO


Os ditadores usam a cartilha
normalmente usada por quem oprime.
O opressor percebe bem que trilha
inocentes e que nada o redime.

A razão do opressor é a força,
já que outra razão não tem.
Porém a força a razão reforça
e a razão faz da força seu refém.

A sabedoria dos opressores
é o contrário de saber viver:
o uso constante dos seus terrores

é sementeira que fará colher
os tais destemidos frutos da ira,
que atira os restos da força à pira!
                           25.02.2022
Nota do autor – Quem não tem cão caça com gato. Quem não tem espingarda dispara soneto mal-amanhado.
Eugénio Lisboa, in Poemas em tempo de guerra suja , Editora Guerra & Paz , Setembro de 2022, p 17

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