Macbeth
na Rússia
Depois de matar e incendiar,
depois de constante bombardear,
aquele cadáver frio que procria,
sem sabedoria nem alegria,
Vladimir Putin, feio czar da
Rússia,
onde se tortura com arrogância,
e se mata irmão ou filho, que importa,
é preciso é desamparar a porta,
Putin, dizia, vai ver a
floresta,
até aí, imóvel, caminhar,
imparável e ameaçadora besta,
como se viu, em Dunsinane,
andar
outra floresta, até aí quieta,
em direcção a Macbeth, como seta!
11.05.2023
Eugénio Lisboa
depois de constante bombardear,
aquele cadáver frio que procria,
sem sabedoria nem alegria,
onde se tortura com arrogância,
e se mata irmão ou filho, que importa,
é preciso é desamparar a porta,
até aí, imóvel, caminhar,
imparável e ameaçadora besta,
outra floresta, até aí quieta,
em direcção a Macbeth, como seta!
11.05.2023
Eugénio Lisboa
| 133- Putin caricature stock illustrations |
Nero recomendava o suicídio
ou mandava a guarda pretoriana
ou também usava o matricídio,
querendo livrar-se de algum sacana.
O melhor modo de fazer calar
um adversário muito eloquente
é, sem mais, fazê-lo assassinar,
de modo rápido e eficiente.
Navalny foi agora “afastado”,
porque incomodava muita gente.
Putine, naturalmente agastado,
disse: “Quem me livra deste demente?”
Os seus assessores compreenderam
e, muito prestamente, procederam.
16.02.2024
Eugénio Lisboa SONETO MUITO GAUCHE PARA USO DOS
OPRESSORES DO MOMENTO
Os ditadores usam a cartilha
normalmente usada por quem oprime.
O opressor percebe bem que trilha
inocentes e que nada o redime.
A razão do opressor é a força,
já que outra razão não tem.
Porém a força a razão reforça
e a razão faz da força seu refém.
A sabedoria dos opressores
é o contrário de saber viver:
o uso constante dos seus terrores
é sementeira que fará colher
os tais destemidos frutos da ira,
que atira os restos da força à pira!
25.02.2022
Nota do autor – Quem não tem cão caça com gato. Quem não tem espingarda dispara soneto mal-amanhado.
Eugénio Lisboa, in Poemas em tempo de guerra suja , Editora Guerra & Paz , Setembro de 2022, p 17
Eugénio Lisboa, in Poemas em tempo de guerra suja , Editora Guerra & Paz , Setembro de 2022, p 17
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