domingo, 9 de junho de 2019

Ao Domingo Há Música

                                      
                       Hei-de trazer-te uma fresca papoila de rubras pétalas
                                                         Teócrito, O Cíclope

Os sons rompiam  por entre os fios  de um passado distante e feliz. Era a Música que chegava  daquela largueza em que tudo era pouco e o muito se fazia de tudo, sem que tudo se fizesse bastante. O espanto era, então,  a infinda descoberta da harmonia dos sons: a Música.  Vinha e alojava-se como parte de um desejo que nunca saciaria. Não sabia como  moderá-lo. E deixava-se ir para voltar  e recomeçar . 
Embalara-lhe  muitos  dos sonhos do coração de criança. Iam por um além que se projectava  em sonoridades luminosas de  matizes diversos. O gemer do violino, a grandeza das teclas, a força  das tubas , a  beleza singular do sopro, a dança das cordas  e as vozes em mágico abraço, num jamais acabar de sonho e sedução. Era a descoberta maior que ficaria para sempre . Fascínio , sonho, encantamento, desejo, enlevo, alimento, amor e paixão para a vida: a Música. 
                                      Maria José Vieira de Sousa, escritos

De Johann Sebastian Bach , Cantata Wachet auf, ruft uns die Stimme BWV 140 , pela Bach Society, com Maria Keohane -soprano,Tim Mead - alto, Daniel Johannsen - tenor, Matthew Brook - bass, sob a direcção do Maestro Jos van Veldhoven.
Registo gravado para o projecto  All of Bach , em 11 Fevereiro de 2018, na  Walloon Church, Amsterdão, Holanda.

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