domingo, 18 de janeiro de 2026

Ao Domingo Há Música

África minha

A África tem isto: é enorme:
ali, nunca se fica apertado.
Mesmo quando parece que ela dorme,
há nela um grande fogo agastado!

A diferença entre ser grande e pequeno
é a mesma que entre oceano e rio:
um ruge e o outro corre ameno,
o rio, manso, o oceano, bravio.
        Eugénio Lisboa,  Soneto modo de usar


África. Quem a quer ama-a pela sua singularidade. 
África que bate em ritmo cadenciado que se repercute pelos espaços abertos que a têm sempre cativa. África dos sons quentes que se insinuam e exalam o fragor da sedução. África é apenas África. Um continente grandioso  que se impõe sem  se  interpor. Não rivaliza , não concorre, não se sobrepõe, não comanda , não se subjuga. É.  Ao ser, África é tempo, espaço, movimento, ritmo, gente . Acalenta e deixa-se acalentar numa imponência discreta que embala e se move em movimento distinto de qualquer outro. Cria , em quem a visita, memórias imperecíveis tão intensas que,  por vezes, se tornam inenarráveis. E, como a memória é um veículo que nos transporta quando o desejamos, decidimos   voltar a África para (re)fruir alguns dos sons que sempre nos surpreendem pela sua beleza natural e genuína melodia. 
África é um imenso , belo e diverso continente que convida a ficar para regressar . A grandiosidade da sua dimensão permite uma enorme riqueza de sons que nos chegam ainda impregnados da largueza das savanas e do doce marulhar dos mares.


Stromae - Papaoutai Official Music @stromae (Afro soul cover video by Khalifa).
   
N’Bala Soro – Epic African Spiritual Chant Music | Cinematic Emotional Soundtrack 
"N’bala Soro é um cântico épico  africano para cinema  que combina ritmo tribal, vocais emotivos e atmosfera sagrada — um hino de luz, perda e renascimento. Composto por Astral Dimensions, capta a profunda essência espiritual de África, onde cada batida de tambor ecoa o pulsar da terra e cada voz carrega uma história de força e união."
 
Echoes of Freedom – Epic African Cinematic Music
   
"Echoes of Freedom é uma peça instrumental africana para cinema, inspirada no espírito de libertação, na memória ancestral e na profunda ligação entre a terra, o ritmo e a identidade. Construída em torno de percussão africana orgânica, texturas tribais subtis e elementos melódicos minimalistas, esta composição permite que o espaço e o silêncio desempenhem um papel central. "
 
Dununba Kɔnɔ | African Ritual Deep Cinematic Music 
"Dununba Kɔnɔ é uma peça musical cinematográfica ritualística africana inspirada nas cerimónias ancestrais com tambores, ritmos sagrados e na ligação espiritual entre a terra, o povo e a memória. Enraizada nas tradições Mandinga, a composição centra-se no dununba, o grande tambor utilizado nos rituais de força, transição e energia coletiva. A música desenrola-se lenta e cerimonialmente, guiada por pulsações profundas do tambor, cantos repetitivos e texturas ambientais amplas. As vozes são utilizadas como um elemento ritualístico, e não como um cântico, formando um diálogo hipnótico que evoca a presença ancestral, a proteção materna e a oração comunitária.  Dununba Kɔnɔ convida o ouvinte a um espaço sagrado onde o ritmo se torna linguagem e a repetição se torna significado."

sábado, 17 de janeiro de 2026

Novidades Literárias e Eventos Culturais


Planeamento Editorial Não-Exaustivo, JAN-JUN 2026


Janeiro

— Embaixada a Calígula, de Agustina Bessa-Luís (Prefácio de Guilherme d’Oliveira Martins)

— Ciência Pop, de Carlos Fiolhais e João M. Santos

— Ensaios, de Thomas Mann

— As Confissões de Felix Krull, de Thomas Mann

— American Foreign Policy and Palestine, de Hannah Arendt

— Eurotrash, de Christian Kracht (nomeado para o International Booker Prize 2025)


Fevereiro

— A Universidade, de Maria Filomena Mónica

— Onde Queremos Viver, de Djaimilia Pereira de Almeida e Humberto Brito

— Aquela Que Esquece, de Ana Teresa Pereira

— O Céu em Desordem, de Slavoj Zizek

— Espanto, de Zeruya Shalev

— Vai e Põe Uma Sentinela, de Harper Lee


Março

— The Land in Winter, de Andrew Miller (finalista do Booker Prize 2025)

— To Tell a Story, de John Berger e Susan Sontag

— O Terceiro Reino, de Karl Ove Knausgård

— The Fall of Hyperion, de Dan Simmons

— Franny e Zooey, de J. D. Salinger

— The Favourite Game, de Leonard Cohen

— As Alegres Comadres de Windsor, de William Shakespeare (Projecto Shakespeare)


Abril

— Empire of AI: Dreams and Nightmares in Sam Altman's Open AI, de Karen Hao

— Longos Dias Têm Cem Anos. Presença de Vieira da Silva, de Agustina Bessa-Luís

— Submundo, de Don DeLillo

— Henrique VI, Parte I, de William Shakespeare (Projecto Shakespeare)

— Os Anéis de Saturno, de W. G. Sebald 

— A Perfect Day to Put Your Head in the Oven, de Lee Chia-ying


Maio

— Carne, de David Szalay (Vencedor Booker Prize 2025)

— The Collected Prose, de Sylvia Plath

— Henrique VI, Parte II, de William Shakespeare (Projecto Shakespeare)


Junho

— Terra, de Maggie O’Farrell

— Pure, de Andrew Miller (autor finalista do Booker Prize 2025)

FILME

A minha noite em casa de Maud

Dom, 25 jan, 16:00, Grande Auditório

 

O segundo momento do ciclo O Poder e a Glória começa com a transmissão de A minha noite em casa de Maud, uma comédia romântica de Éric Rohmer, que levanta questões sobre amor, religião e a complexidade das relações humanas. O filme é antecedido de uma conversa entre o curador do ciclo, Pedro Mexia, e o realizador Joaquim Sapinho.
SABER MAIS

CANDIDATURAS ABERTAS

Apoio à criação artística

 

Até 06 mar

Estão abertas as candidaturas ao concurso de Apoio à Criação Artística, dirigidas a artistas com projetos nas áreas de Artes Performativas, Artes Visuais, Cinema e Cruzamentos Disciplinares. Na Delegação em França também decorre um concurso para promover artistas portugueses em vários países europeus.

 

SABER MAIS

VISITA

Zineb Sedira. Cultura e Resistência

 

Sáb, 17 jan, 15:00, Espaço Projeto – CAM

 

Esta será a última visita orientada à exposição em que a artista franco-argelina radicada em Londres, Zineb Sedira, explora as utopias dos anos de 1960 no contexto das novas independências e das lutas de libertação africanas.

 

SABER MAIS

CENTRO DE ARTE MODERNA

Aniversário

 

Sáb, 17 jan, 15:00, Espaço Engawa – CAM, Entrada gratuita

Encontros inesperados, música, leituras, workshops, dança no Bosque (a instalação criada para a exposição Carlos Bunga. Habitar a Contradição), cacau quente para partilhar, entre outras atividades, é o que encontrará, em vários espaços do CAM, neste dia de celebração inspirado no histórico 1.000.011.º Aniversário da Arte (1973), de Ernesto de Sousa, a partir da ideia de Robert Filliou. Um dia de festa, para celebrar a Arte e a Vida.

SABER MAIS

TRANSMISSÃO EM DIRETO

Grande Missa em Dó menor

 

Sex, 23 jan, 19:00, Online


Assista à transmissão em direto da grande Grande Missa em Dó menor de Mozart, com Coro e Orquestra dirigidos por Sofi Jeannin.

 Un manoir. Une famille d'aristocrates. Un passé houleux


« Elle a épuisé ses réserves de chagrin, ne lui reste que ce vide nouveau à l'intérieur – un espace dont elle ne connaît pas encore pleinement les contours. Elle sait seulement que quelque part, au fond de son être brûle une flamme minuscule, si petite qu'elle ne peut la nommer, de crainte que cela ne suffise à l'éteindre.
– Anna Hope, Nos héritages
 « Anna Hope dit avec une rare finesse nos attentes et nos blessures. Notre besoin de consolation parfois impossible à rassasier. » Lire Magazine
« Roman riche, habilement construit jusqu'au coup de théâtre final. » Le Monde
« Hope est une romancière de la nuance, qui excelle à se glisser dans les interstices de l'existence, entre les apparences et ce qui nous hante, nos attentes et nos espoirs déçus. » ELLE
 Le richissime Philip Brooke vient de mourir, laissant derrière lui un patrimoine grandiose : le plus beau manoir du Sussex, datant du XVIIIᵉ siècle et comprenant pas moins d’une vingtaine de chambres, entouré d’un domaine luxuriant de centaines d’hectares. Mari volage et père absent, il n’est regretté ni de sa femme ni de ses trois enfants. En revanche, sa vaste fortune déclenche des conflits galopants dans la famille car chacun veut mettre la main sur cette succession hors norme. Le clan Brooke réussira-t-il à ne pas voler en éclats avant le jour de l’enterrement ?
 Drame familial haut en couleur et en tensions, Nos héritages nous plonge dans les arcanes fascinants d’une famille d’aristocrates britanniques tiraillée par l’argent et les secrets du passé. Anna Hope signe ici son grand retour au roman, qui comblera les lecteurs de Nos espérances.
disponible en livre audio !Lu par Lara Suyeux, Nos héritages explore les liens familiaux, la transmission et les secrets qui traversent les générations. Un roman sensible et profond, porté par une lecture juste et immersive.
À écouter pour se laisser emporter par l’histoire et les émotions des personnages.

Découvrez les premières pages de Nos héritages

Le jour n’est pas encore levé. Frannie est allongée dans la pénombre de la chambre, sa fille Rowan à ses côtés dans le lit. Quelque chose l’a réveillée. Peut-être que le vent a tourné, brassant les feuilles nouvelles, ou peut-être que Rowan a remué dans son sommeil. Sa fille, qui dort si bien maintenant, le souffle lent et régulier, les bras étendus en travers du matelas, mais qui a encore traversé le palier hier soir, perturbée par un cauchemar, en larmes et effrayée. Frannie regarde l’heure sur son téléphone – presque quatre heures. Elle ne dormira plus, c’est une certitude, alors elle se glisse hors des couvertures et attrape le tas de vêtements abandonnés la veille – un jean et un vieux sweat à capuche.
Rowan ne bronche pas quand Frannie s’assoit au bord du lit pour s’habiller, ni quand elle traverse la pièce avec précaution, se frayant un chemin entre les cartons ouverts, les valises et les cadres entassés contre le mur. Une fois sur le palier, elle referme doucement derrière elle, descend l’escalier, emprunte le couloir du fond jusqu’au vestiaire où elle enfile son bonnet, sa veste de travail, trouve dans le noir ses bottes en caoutchouc, les chausse.

Dehors, derrière la masse obscure de la maison, il fait froid et son haleine forme de petits nuages dans l’air immobile. Le ciel est bleu marine, avec une lune jaune à l’ouest. Elle emprunte l’allée qui traverse le potager puis soulève le loquet du portail et pénètre dans le parc. Vers le sud, au creux de la vallée, un tapis de brume flotte sur la rivière et le lac, s’accroche aux broussailles qui bordent le plan d’eau. Frannie hésite sur la direction à prendre, puis se lance à l’assaut de la colline, grimpant à travers les hautes herbes – les tiges ploient sous la rosée, chargées de bouse, de fleurs, de crachats de coucou, masse épaissie de chardons, d’oseille et de séneçon.

Rencontrez Anna Hope, l'autrice de Nos héritages
Anna Hope sera en tournée pour présenter Nos héritages. Plusieurs rencontres sont programmées en librairies, ainsi qu’un rendez-vous en festival : une occasion privilégiée d’échanger avec l’autrice et de faire dédicacer vos exemplaires !


sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

A 16 de Janeiro de 1605 ...


16 de Janeiro de 1605, publicada em Madrid a obra de Miguel Cervantes , “Dom Quixote “
"Em 16 de Janeiro de 1605, Miguel de Cervantes, então próximo dos 60 anos, publicou em Madrid a primeira parte de O engenhoso fidalgo Dom Quixote de La Mancha. Naquele dia, os romances de cavalaria e a mentalidade medieval como um todo receberam um golpe mortal. No livro, que é considerado a obra fundadora da literatura espanhola, Cervantes narra a saga de um nobre que sonhava com aventuras incríveis de cavalaria mas não conseguia ver a miséria da realidade que o cercava.
A história começa num  vilarejo da região de Castela-La Mancha, vasta planície localizada ao sul da capital espanhola, Madrid. Ali, vivia um Alonso Quijano, também escrito Alonso Quixano, o verdadeiro nome do fidalgo D. Quixote, tão apaixonado por romances de cavalaria que perdeu o juízo. Certo dia, abandonou a sobrinha, a governanta e os empregados domésticos e partiu, montado num cavalo  de nome  Rocinante, armado unicamente com uma espada e tendo sobre a cabeça uma bacia de fazer a barba como capacete. Providenciados o cavalo e  a armadura, resolve lutar para provar o seu amor por Dulcineia de Toboso, uma mulher imaginária. 
Quixote mistura fantasia e realidade, como se estivesse  num romance de cavalaria. Transforma obstáculos banais (como moinhos de vento ou ovelhas) em gigantes e exércitos de inimigos.
Inspirado por alucinações, Quijano tomou uma estalagem por castelo, onde se fez armar cavaleiro. Acabou convencendo o seu ambicioso vizinho, Sancho, a se tornar seu escudeiro. Tendo cismado em defender os pobres e oprimidos, não faltariam a ele aventuras reais ou imaginárias: lutar contra moinhos de vento, libertar presos das galés e fazer penitência na cordilheira de Serra Morena. 
É derrotado e espancado inúmeras vezes, sendo batizado de "Cavaleiro da Fraca Figura", mas sempre se recupera e insiste nos seus objetivos.
Só volta para casa quando é vencido em batalha por outro cavaleiro e forçado a abandonar a cavalaria. Longe da estrada, fica doente e acaba morrendo. Nos seus momentos finais, recupera a consciência e pede perdão aos seus amigos e familiares.
O encanto da obra nasce do descompasso entre o idealismo do protagonista e a realidade na qual ele actua. Cem anos antes, Quixote teria sido um herói a mais nas crónicas ou romances de cavalaria, mas  enganara-se no século. A sua loucura residia no anacronismo. Isso permitiu ao autor fazer uma sátira de sua época, usando a figura de um cavaleiro medieval em plena Idade Moderna para retratar uma Espanha que, após um século de glórias, começava a duvidar de si mesma.
No capítulo VIII do livro, há um episódio emblemático em que Dom Quixote, ao chegar a uma planície, confunde cerca de trinta moinhos de vento com gigantes, decidindo enfrentá-los sozinho. Sancho, o  seu escudeiro, ainda tenta alertá-lo da ilusão, mas Quixote insiste e parte para o ataque a um dos moinhos, sendo derrubado juntamente com o seu cavalo Rocinante por uma das pás.
Em seguida, Sancho vai ao socorro do seu mestre e  questiona-o  sobre como pôde cometer tamanho engano. Quixote responde, insistindo na ilusão, que aquilo era obra do mago Friston, que tinha transformado os gigantes em moinho para impedir a sua glória.
Esse episódio é a origem da expressão "lutar contra moinhos de vento", que acabou por se tornar um termo universal, usado até hoje para descrever situações onde se cria uma percepção errada de um adversário ou de um cenário. O que poderia ser um mero moinho de vento pode ser erradamente ampliado em algo gigantesco, surreal. Traduzindo isto para os tempos modernos, todos nós devemos saber escolher as batalhas que merecem o nosso tempo e a nossa energia. Talvez a chave seja ser um pouco mais como o Sancho Panza e menos como o “cavaleiro da triste figura”, e compreender o que faz andar a mó do moinho.

— A aventura vai encaminhando os nossos negócios melhor do que o soubemos desejar; porque, vês ali, amigo Sancho Pança, onde se descobrem trinta ou mais desaforados gigantes, com quem penso fazer batalha, e tirar-lhes a todos as vidas, e com cujos despojos começaremos a enriquecer; que esta é boa guerra, e bom serviço faz a Deus quem tira tão má raça da face da terra.
— Quais gigantes? — disse Sancho Pança.
— Aqueles que ali vês — respondeu o amo — de braços tão compridos, que alguns os têm de quase duas léguas.
— Olhe bem Vossa Mercê — disse o escudeiro — que aquilo não são gigantes, são moinhos de vento; e os que parecem braços não são senão as velas, que tocadas do vento fazem trabalhar as mós.

Dom Quixote é considerada a grande criação de Cervantes. O livro é um dos primeiros das línguas europeias modernas e é considerado por muitos o expoente máximo da literatura espanhola, apontado como o primeiro romance moderno, tendo influenciado várias gerações de autores que se seguiram. 
As suas personagens parecem ter pulado do livro para o imaginário contemporâneo, sendo representadas através de diversos meios (pintura, poesia, cinema, música, entre outros)
Em princípios de Maio de 2002, o livro foi escolhido como a melhor obra de ficção de todos os tempos. A votação foi organizada pelo Clubes do Livro Noruegueses e participaram escritores de reconhecimento internacional."
Fonte "Cais da Memória" e outros.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Quem foi Nostradamus ?

Michel de Nostredame, famosamente conhecido como Nostradamus,
 retratado numa xilogravura de 1810, da autoria de Charles Canivet.
INTERFOTO / Alamy Stock Photo.

Quem foi Nostradamus – e por que razão as suas previsões ainda nos entusiasmam?
por Erin Blakemore
"Muito antes das teorias do TikTok, Michel de Nostredame cativou a Europa com as suas previsões assustadoramente precisas. Aqui está a história do médico da peste, cuja vida foi tão interessante quanto as suas profecias.
Michel de Nostredame, famosamente conhecido como Nostradamus,  médico e astrólogo francês é famoso pelas suas profecias, mas muitas delas são vagas e abertas a interpretações.
O que nos reserva o futuro… e como acabará o mundo? São perguntas tentadoras – para as quais, há muitos séculos, o médico e autoproclamado profeta Nostradamus sempre afirmou conhecer as respostas. As suas famosas previsões eram desde confusas a assustadoras e os seus acólitos acreditam que algumas delas, feitas no século XVI, ainda hoje se aplicam. As suas alegadas profecias para 2025 incluíram guerras longas, uma peste e uma bola de fogo que poderia destruir a Terra.
Com efeito, Nostradamus é tão conhecido pelas suas previsões que o seu nome é mencionado em 1672 num dos primeiros usos documentados da palavra “prognosticação” em língua inglesa.
Mas o homem que alguns consideram um profeta não era um ser divino. Era um médico, ervanário e autor de carne e osso, cujas previsões ousadas o tornaram conhecido na tumultuosa Europa renascentista. Apresentamos-lhe Michel de Nostradame, mais conhecido como Nostradamus.
Quem foi Nostradamus?
Michel de Nostradame nasceu em Saint-Rémy-de-Provence, em França, em Dezembro de 1503. (Os historiadores discordam quanto à data exacta.) Os seus pais eram o filho de um notário e a filha de um proeminente médico local. Nostradame casou-se duas vezes durante a vida e teve oito filhos.
A França renascentista, como o resto da Europa, esteve imersa em conflitos religiosos durante o seu tempo de vida e isso exerceu um impacto considerável no jovem Nostradame. A sua família era judaica, mas converteu-se ao catolicismo quando a Provença se tornou parte do Reino de França em 1486. Embora os judeus tivessem um longo passado na região, no final do século XV, as autoridades disseram-lhes que, ou se convertiam, ou seriam expulsos, por isso, Michel foi criado como católico.
O jovem Nostradame estudou latim, grego, hebraico e medicina antes de frequentar a Universidade de Avinhão, ainda durante a adolescência. Terminou o bacharelato em medicina na década de 1520, embora a sua faculdade tenha encerrado devido à peste bubónica, enquanto ele ainda era aluno.
Médico da peste e a inquisição
Depois de concluir os seus estudos formais, Nostradame passou algum tempo a viajar por França para estudar plantas medicinais e tratar vítimas da peste, uma das doenças mais temidas da época.
Os historiadores acham que ele foi expulso da Universidade de Montpellier, onde estudou em seguida, por ter praticado o ofício “manual” de ervanário, e discordam quanto à possibilidade de ele ter regressado para terminar o doutoramento.
Praticar medicina na França renascentista significava tratar doenças como a peste. No entanto, a medicina da época também envolvia práticas actualmente consideradas não-científicas, como alquimia, astrologia e profecia. Estas práticas não conseguiram salvar a mulher de Nostradamus, cujo nome se perdeu no tempo, nem os seus dois filhos. Morreram na década de 1530, provavelmente de peste. 
Devastado, o médico também enfrentava outros problemas. Em 1538, foi ouvido a condenar a execução de uma estátua religiosa – palavras que lhe valeram uma acusação de heresia e o levaram a ser arrastado e apresentado à Inquisição em 1538. Uma acusação de heresia teria destruído a sua reputação localmente e uma condenação significaria execução. Contudo, o tribunal absolveu-o e ele voltou a viajar, especializando-se no tratamento da peste.
Alguns dos remédios de Nostradame parecem ter funcionado, pois ele foi sempre encontrando trabalho. O sucesso de alguns dos seus remédios dependia, possivelmente, de práticas de higiene como recomendar beber água potável. Outros, como os seus comprimidos de rosas, baseavam-se no uso de ervas e flores. A sua prática poderia também envolver alquimia, astrologia e outras práticas esotéricas actualmente consideradas não-científicas. No entanto, os seus pacientes ficaram suficientemente satisfeitos com os resultados para espalharem palavra sobre as suas competências. Científicos ou não, os métodos utilizados pelo médico para tratar a peste tornaram-no conhecido em França ao longo da década seguinte – e tanto o seu trabalho, como a sua obra escrita, começaram a ganhar fãs em sítios importantes.
As previsões poéticas de Nostradamus
O médico e astrólogo francês, cujo nome foi amplamente latinizado como Nostradamus, começou a escrever almanaques anuais na década de 1550, baseados na sua suposta “habilidade” de fazer previsões acertadas sobre os eventos e as condições meteorológicas do ano seguinte. Estas publicações, baratas e populares, tornaram-se conhecidas pelos seus prognósticos poéticos e apresentaram Nostradamus a um público mais vasto.
A fama de Nostradamus conquistou-lhe alguns clientes de estatuto elevado, ansiosos por uma previsão pessoal e política. Em 1555, ele previu que um “jovem leão” – designação que se pensava ser um código alusivo ao brasão de armas do rei Henrique II de França— morreria em combate e, no ano seguinte, a rainha de França, Catarina de Médici, e o seu filho, Charles IX, visitaram o profeta.
Quando Henrique II morreu efectivamente no dia 10 de Julho de 1559, devido a um ferimento sofrido num torneio de justa, o acontecimento gerou aquilo a que o historiador Denis Crouzet chamou“uma sensação de catástrofe iminente”.
A linguagem vaga e floreada do médico protegia-o a si próprio e à pessoa no centro da profecia de erros, humilhação e acusações de charlatanismo, contribuindo para a sua reputação e mistério ao longo do tempo. Como Michelle Pfeffer, da Universidade de Oxford, escreveu para The Conversation, a astrologia e a prognosticação eram comummente praticadas na altura e particularmente populares entre as elites.
Naquela época, a Europa já era dominada por conflitos religiosos e sociais, à medida que a Reforma ia criando tensões entre católicos e protestantes, a desigualdade social causava agitação e as profecias e os boatos chamavam a atenção do público. Muitas destas divergências deram lugar a conflitos, incluindo guerra civil, durante a vida de Nostradamus.
Criticado por católicos e protestantes, Nostradamus defendia as suas profecias, publicando um grande livro cheio delas e continuou a publicar os seus populares almanaques, mesmo depois de ser preso durante um curto período por publicar o seu trabalho sem autorização da igreja. Morreu no dia 1 de Julho de 1566, provavelmente de gota. Os historiadores e o público discutiram sobre os milhares de previsões que ele fez ao longo da sua vida – e, aparentemente, validaram-nas – desde então.
O que Nostradamus previu — e o que aconteceu de verdade
Embora a aparente previsão de Nostradamus sobre a morte de Henrique II lhe tenha conquistado fama em vida, o seu nome persistiu graças a outras profecias que alguns acreditam ter-se concretizado.
Talvez a mais espantosa tenha sido a previsão específica de que, por volta de 1558, “O Senado (Parlamento) de Londres irá condenar o seu rei à morte”. Em 1649, aconteceu exactamente isso: Carlos I foi decapitado por traição após um conflito com o Parlamento que acabou por dar origem a uma guerra civil em Inglaterra.
“Como até os cépticos terão de reconhecer, foi uma afirmação notável”, escreveu o biógrafo Ian Wilson. Na mesma profecia, Nostradamus previu que Londres seria “incendiada por bolas de fogo em três vezes vinte mais seis”. Em 1666, ocorreu efectivamente um incêndio em Londres, destruindo enormes parcelas da cidade.
As pessoas da época não se tinham esquecido das profecias de Nostradamus – e não pararam de procurar acontecimentos que pudessem corresponder à sua concretização nos anos que se seguiram. Os fãs do médico que via o futuro atribuíram tudo desde a revolução francesa (“um casal” que resultará em “tempestade–fogo–sangue”), a ascensão de Napoleão (um imperador “porque custará bastante caro ao Império”), e a ascensão de Hitler (“o maior inimigo de toda a raça humana”) a Nostradamus.
Contudo, muitos dos seus prognósticos vagos também não se tornaram realidade e existe uma longa história de figuras políticas e culturais que reinterpretaram e até interpretaram mal Nostradamus para reforçar os seus próprios objectivos.
Alguns dos que não tiveram pudor em utilizar as profecias de Nostradamus a seu favor foram os líderes do Terceiro Reich. O propagandista Joseph Goebbels incorporou as profecias na sua propaganda, utilizando-as para semear dúvidas e angariar apoio para o esforço de guerra nazi. Nostradamus também foi invocado por grupos extremistas, tornando-se um veículo de transmissão de ideologias.
Também se atribuem a Nostradamus previsões sobre o fim do mundo, mas essa profecia ainda não se tornou realidade. Ele profetizou que, em Julho de 1999, “viria do céu um grande Rei de terror”. As suas previsões alimentaram o medo do juízo final e as preocupações com a forma como o suposto bugY2K iria afectar os sistemas informáticos aumentaram.
O astrónomo francês continua a ser interpretado, lido e estudado por pessoas interessadas em profecias e prognosticação.
Mais de 500 anos após a sua morte, Nostradamus continua a entreter e a confundir – e continua a haver muitas pessoas interessadas nas suas profecias. “A profecia continua a moldar as esperanças e os medos de indivíduos, grupos, estados e de todo mundo em relação ao futuro”, escreveu o historiador Stephen Bowd na Encyclopedia of Millennialism and Millennial Movements. Afinal, quem não quer conhecer o futuro – ou achar que é possível fazê-lo?"
Artigo publicado originalmente em inglês em nationalgeographic.com.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Este nosso mundo lido por um grande poeta

Eugénio Lisboa (Maio 1930-Abril 2024)
Eugénio Lisboa lia o mundo com a sagacidade de um poeta brilhante. Registava , em poemas intemporais, a sua visão. Tem vários livros de poesia publicados. Era um poeta fecundo e, até ao final da sua vida,  nunca deixou de escrever.
Recordamo-lo sempre, com um infindo apreço a par de uma majestosa gratidão. Eis alguns poemas inéditos que retratam sublimemente este nosso tempo.


Cantiguinha de Escárnio e Maldizer

Quanto mais vivo, mais convencido fico de que este planeta
é usado por outros planetas como um asilo de alienados.
               George Bernard Shaw

Neste enorme asilo de lunáticos,
que é este planeta onde vivo,
onde se dá palco aos mediáticos,
sem nunca serem passados ao crivo,

onde as luzes são para os fanáticos,
sempre enormemente assertivos,
mesmo que sejam brutalmente asnáticos,
aldrabões e muito rebarbativos,

neste globo insano, irei morrer,
eu e mais alguns, sem culpa nenhuma,
a quem aconteceu aqui nascer

e aqui viver, como quem arruma
depressa a trouxa, para poder partir
desta bagunça que nem dá pra rir!
03.09.2023
Eugénio Lisboa

Em deslouvor das epopeias


As epopeias só celebram guerras,
matanças e cornos assinalados,
corridas tontas por plainos e serras,
gritos, berros, brados misturados,

viagens míticas e mentirosas,
milagres mais ou menos inventados,
ninfas e putas muito dadivosas,
guerreiros dementados, abraçados

a efebos doces e epicenos.
A sujidade muito prolongada,
de vez em quando, os líricos acenos,

que embelezam a caca celebrada.
Trata-se de verso alevantado,
promovendo terreno mal mijado!
01.12.2023
Eugénio Lisboa

Glosa sobre o fanatismo

O fanatismo embrutece
ou a estupidez fanatiza?
A burrice não me enternece
e o fanático barbariza.

O fanático tem certezas,
onde certezas não existem:
estão repletas de bichezas
que são nocivas e persistem.

A fé não é conhecimento,
pelo menos, até mais ver.
Transforma o mundo em turbulento
e estupora o bom viver.

Crê quem desiste de entender,
por isso o crente é perigoso:
quando não sabe convencer,
vira tirano afanoso.

O fanático não tolera
aquilo que não compreende:
torna-se logo uma fera,
filha bastarda de duende!
25.10.2023
Eugénio Lisboa


Dou isto à meditação dos actuais “iluministas”, totalmente embevecidos com os fanáticos que por aí proclamam, aos gritos, um óbvio desejo de hegemonização religiosa do planeta, para maior glória de um deus soturno e nada misericordioso, que veneram. Eles nem sequer escondem ao que vêm. E os “iluministas” acolhem-nos de braços abertos, decididos a serem, por eles, devorados. Já se tem visto e a História, afinal, repete-se.
O fanatismo e a ignorância militante são os maiores inimigos actuais deste pobre planeta. E o bem intencionismo enviesado dos “iluministas” dá à catástrofe uma boa ajuda.

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Gronelândia um território escondido à vista de todos na Terra

Há-de flutuar uma cidade no crepúsculo da vida
pensava eu… como seriam felizes as mulheres
à beira-mar debruçadas para a luz caiada
remendando o pano das velas espiando o mar
e a longitude do amor embarcado
          Al Berto,  Medo

  

GREENLAND: The Most Remote Place on Earth | 4K Travel Documentary 
"Está em território de ursos polares. Gronelândia. No meio do oceano, encontra-se uma massa de terra três vezes maior que a França, onde vivem apenas 50.000 pessoas. Um local sem estradas a ligar as cidades, onde os trenós puxados por cães e os helicópteros são os únicos "meios de transporte" que o podem levar para a frente. A Gronelândia não se parece com nenhum lugar que já tenha visitado. Parece mais um planeta escondido à vista de todos na Terra. 
Assim, vamos além dos limites do mapa e entrar num mundo onde a natureza ainda reina absoluta."

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Globos de Ouro 2026


Wagner Moura em cena no filme 'O Agente Secreto', do diretor Kleber Mendonça Filho

A lista completa dos vencedores do Globos de Ouro 2026

"Os vencedores dos Globos de Ouro foram  anunciados durante a 83ª cerimônia de entrega, neste domingo (11/1). O evento é apresentado pela comediante Nikki Glaser. Os vencedores  de cada categoria estão indicados em negrito.
Os Globos de Ouro 2026 é o prémio  em que  jornalistas ao redor do mundo escolhem os melhores de 2025 no cinema e na TV. A participação brasileira nesta edição é considerada histórica. Dirigido por Kleber Mendonça Filho, o filme O Agente Secreto alcançou um feito raro ao disputar três categorias de peso: Melhor Filme de Drama, Melhor Filme em Língua Não Inglesa e Melhor Ator em Filme de Drama, com Wagner Moura. O número de indicações estabelece um novo recorde para o cinema brasileiro  na premiação.
A primeira vencedora da noite foi Teyana Taylor, como melhor atriz coadjuvante em filme por “Uma batalha após a outra”.
“O agente secreto” venceu como melhor filme em língua não-inglesa e melhor ator de drama, com Wagner Moura.

Melhor Filme – Drama
“Frankenstein”
“Hamnet: A vida antes de Hamlet” (VENCEDOR)
“O agente secreto”
“Valor sentimental”
“Foi apenas um acidente”
“Pecadores”.

Melhor Ator – Drama
Wagner Moura, “O agente secreto” (VENCEDOR)
Joel Edgerton, “Sonhos de trem”
Michael B. Jordan, “Pecadores”
Oscar Isaac, “Frankenstein”
Dwayne Johnson, “Coração de lutador: The Smashing Machine”
Jeremy Allen White, “Springsteen: Salve-me do desconhecido”

Melhor Atriz – Drama
Jessie Buckley, “Hamnet: A vida antes de Hamlet” (VENCEDORA)
Renate Reinsve, “Valor sentimental”
Jennifer Lawrence, “Morra, amor”
Julia Roberts, “Depois da caçada”
Tessa Thompson, “Hedda”
Eva Victor, “Sorry, baby”

Melhor Filme – Comédia ou Musical
“Bugonia”
“Nouvelle Vague”
“Blue Moon
“Marty Supreme”
“No other choice”
“Uma batalha após a outra” (VENCEDOR)

Melhor Ator – Comédia ou Musical
Timothee Chalamet, “Marty Supreme” (VENCEDOR)

Leonardo DiCaprio, “Uma batalha após a outra”
Ethan Hawke, “Blue moon”
George Clooney, “Jay Kelly”
Jesse Plemons, “Bugonia”
Lee Byung Hun, “No Other Choice”

Melhor Atriz – Comédia ou Musical
Chase Infiniti, “Uma batalha após a outra”
Rose Byrne, “Se eu tivesse pernas, eu te chutaria” (VENCEDORA)
Amanda Seyfried, “The testament of Ann Lee”
Emma Stone, “Bugonia”
Cynthia Erivo, “Wicked: Parte 2”
Kate Hudson, , “Song Sung Blue: Um sonho a dois”

Melhor Ator Coadjuvante
Benicio Del Toro, “Uma batalha após a outra”Jacob Elordi, “Frankenstein”
Paul Mescal, “Hamnet: A vida antes de Hamlet”
Sean Penn, “Uma batalha após a outra”
Adam Sandler, “Jay Kelly”
Stellan Skarsgard, “Valor sentimental” (VENCEDOR)

Melhor Atriz Coadjuvante
Elle Fanning, “Valor sentimental”
Emily Blunt, “Coração de lutador: The Smashing Machine”
Ariana Grande, “Wicked: Parte 2”
Inga Ibsdotter Lilleaas, “Valor sentimental”
Amy Madigan, “A hora do mal”
Teyana Taylor, “Uma batalha após a outra” VENCEDORA

Melhor Direção em filme
Paul Thomas Anderson, “Uma batalha após a outra” (VENCEDOR)

Ryan Coogler, “Pecadores”
Guillermo Del Toro, “Frankenstein”
Jafar Panahi, “Foi apenas um acidente”
Joachim Trier, “Valor sentimental”
Chloe Zhao, “Hamnet: A vida antes de Hamlet”

Melhor Roteiro em filme
Paul Thomas Anderson, “Uma batalha após a outra” (VENCEDOR)
Ronald Bronstein, Josh Safdie, “Marty Supreme”
Ryan Coogler, “Pecadores”
Jafar Panahi, “Foi apenas um acidente”
Chloé Zhao, Maggie O’Farrell, “Hamnet: A vida antes de Hamlet”
Eskil Vogt, Joachim Trier, “Valor sentimental”

Melhor Filme em Língua Não-Inglesa
“Foi apenas um acidente”
“No other choice”
“O agente secreto” (VENCEDOR)
“Valor sentimental”
“A voz de Hind Rajab”
“Sirāt”

Melhor Animação
“Arco”
“Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba – Castelo Infinito”
“Elio”
“Guerreiras do K-Pop” (VENCEDOR)

“Little Amélie or the Character of Rain”
“Zootopia 2”

Melhor Trilha Sonora Original de filme
Hans Zimmer, “F1”
Alexandre Desplat, “Frankenstein”
Max Richter, “Hamnet: A vida antes de Hamlet”
Jonny Greenwood, “Uma batalha após a outra”
Ludwig Göransson, “Pecadores” (VENCEDOR)
Kangding Ray “Sirāt”

Melhor Canção Original
“Dream as One” – Miley Cyrus, Simon Franglen, Mark Ronson e Andrew Wyatt, “Avatar: Fogo & cinzas”
“Golden”, “Guerreiras do K-Pop” (VENCEDOR)
“I Lied to You” – Raphael Saadiq, Ludwig Göransson, “Pecadores”
“No place like home” – Stephen Schwartz, “Wicked: Parte 2”
“Train Dreams” – Nick Cave, Bryce Dessner, “Sonhos de trem”
“The Girl in the Bubble” – Stephen Schwartz, “Wicked: Parte 2”

Melhor destaque em bilheteria
“Avatar: Fogo & cinzas”
“F1”
“Guerreiras do K-Pop”
“Missão: Impossível — O acerto final”
“Pecadores” (VENCEDOR)
“Superman”
“A hora do mal”
“Wicked: Parte 2”
“Zootopia 2”

Melhor Série – Drama

“The Diplomat”
“The Pitt” (VENCEDOR)
“Pluribus”
“Ruptura”
“Slow horses”
“The White Lotus”

Melhor Ator – Série de Drama
Sterling K. Brown, “Paradise”
Diego Luna, “Andor”
Gary Oldman, “Slow horses”
Mark Ruffalo, “Task”
Adam Scott, “Ruptura”
Noah Wyle, “The Pitt” (VENCEDOR)

Melhor Atriz – Série de Drama
Kathy Bates, “Matlock”
Helen Mirren, “Mobland”
Britt Lower, “Ruptura”
Bella Ramsey, “The Last of Us”
Keri Russell, “A diplomata”
Rhea Seehorn, “Pluribus” (VENCEDORA)

Melhor Série – Comédia ou Musical
“Abbott elementary”
“O urso”
“Hacks”
“Ninguém quer”
“Only murders in the building”
“O estúdio” / ‘The Studio’ (VENCEDOR)

Melhor Ator – Série de Comédia ou Musical
Adam Brody, “Ninguém quer”
Steve Martin, “Only Murders in the Building”
Martin Short, “Only Murders in the Building”
Seth Rogen, “O estúdio” (VENCEDOR)
Jeremy Allen White, “O urso”
Glen Powell, “Chad Powers”

Melhor Atriz – Série de Comédia ou Musical
Kristen Bell, “Ninguém quer”
Ayo Edebiri, “O urso”
Selena Gomez, “Only Murders in the Building”
Natasha Lyonne, “Poker face”
Jenna Ortega, “Wandinha”
Jean Smart, “Hacks” (VENCEDORA)

Melhor Minissérie
Antologia ou Telefilme“Adolescência” (VENCEDOR)
“All her fault”
“O monstro em mim”
“Black mirror”
“Morrendo por sexo”
“A namorada ideal”

Melhor Ator em Minissérie, Antologia ou Telefilme
Jacob Elordi, “The narrow road to the deep north”
Paul Giamatti, “Black Mirron”
Jude Law, “Black Rabbit”
Stephen Graham, “Adolescência’ (VENCEDOR)
Charlie Hunnam, “Monster: a história de Ed Gein”
Matthew Rhys, “O monstro em mim”

Melhor Atriz em Minissérie, Antologia ou Telefilme
Claire Danes, “O monstro em mim”
Rashida Jones, “Black Mirror”
Amanda Seyfried, “Long bright river”
Sarah Snook, “All her fault”
Michelle Williams, “Dying for sex” (VENCEDORA)
Robin Wright, “The girlfriends”

Melhor Ator Coadjuvante – Série
Owen Cooper, “Adolescência” (VENCEDOR)
Billy Crudup, “The morning show”
Walton Goggins, “The White Lotus”
Jason Isaacs, “The White Lotus”
Tramell Tillman, “Ruptura”
Ashley Walters, “Adolescência”

Melhor Atriz Coadjuvante – Série na TV
Carrie Coon, “The White Lotus”
Erin Doherty, “Adolescência” (VENCEDORA)
Hannah Einbinder, “Hacks”
Catherine O’Hara, “O estúdio”
Parker Posey, “The White Lotus”
Aimee Lou Wood, “The White Lotus”

Melhor performance de comédia stand-up na TV
Bill Maher
Brett Goldstein
Kevin Hart
Kumail Nanjiani
Ricky Gervais (VENCEDOR)
Sarah Silverman

Melhor Podcast
“Call Her Daddy“
“Armchair Expert with Dax Shepard”
“Good Hang with Amy Poehler” (VENCEDOR)
“SmartLess”
“The Mel Robbins Podcast“
“Up First from NPR“

 Fontes:Revista Prosa&Verso, em colaboração com a BBC