Recordamo-lo sempre, com um infindo apreço a par de uma majestosa gratidão. Eis alguns poemas inéditos que retratam sublimemente este nosso tempo.
Quanto mais vivo, mais convencido fico de que este planetaé usado por outros planetas como um asilo de alienados.George Bernard Shaw
Neste enorme asilo de lunáticos,
que é este planeta onde vivo,
onde se dá palco aos mediáticos,
sem nunca serem passados ao crivo,
onde as luzes são para os fanáticos,
sempre enormemente assertivos,
mesmo que sejam brutalmente asnáticos,
aldrabões e muito rebarbativos,
neste globo insano, irei morrer,
eu e mais alguns, sem culpa nenhuma,
a quem aconteceu aqui nascer
e aqui viver, como quem arruma
depressa a trouxa, para poder partir
desta bagunça que nem dá pra rir!
Eugénio Lisboa03.09.2023
Em deslouvor das epopeias
As epopeias só celebram guerras,
matanças e cornos assinalados,
corridas tontas por plainos e serras,
gritos, berros, brados misturados,
viagens míticas e mentirosas,
milagres mais ou menos inventados,
ninfas e putas muito dadivosas,
guerreiros dementados, abraçados
a efebos doces e epicenos.
A sujidade muito prolongada,
de vez em quando, os líricos acenos,
que embelezam a caca celebrada.
Trata-se de verso alevantado,
promovendo terreno mal mijado!
Eugénio Lisboa01.12.2023
Glosa sobre o fanatismo
O fanatismo embrutece
ou a estupidez fanatiza?
A burrice não me enternece
e o fanático barbariza.
O fanático tem certezas,
onde certezas não existem:
estão repletas de bichezas
que são nocivas e persistem.
A fé não é conhecimento,
pelo menos, até mais ver.
Transforma o mundo em turbulento
e estupora o bom viver.
Crê quem desiste de entender,
por isso o crente é perigoso:
quando não sabe convencer,
vira tirano afanoso.
O fanático não tolera
aquilo que não compreende:
torna-se logo uma fera,
filha bastarda de duende!
Eugénio Lisboa25.10.2023
Dou isto à meditação dos actuais “iluministas”, totalmente embevecidos com os fanáticos que por aí proclamam, aos gritos, um óbvio desejo de hegemonização religiosa do planeta, para maior glória de um deus soturno e nada misericordioso, que veneram. Eles nem sequer escondem ao que vêm. E os “iluministas” acolhem-nos de braços abertos, decididos a serem, por eles, devorados. Já se tem visto e a História, afinal, repete-se.
O fanatismo e a ignorância militante são os maiores inimigos actuais deste pobre planeta. E o bem intencionismo enviesado dos “iluministas” dá à catástrofe uma boa ajuda.



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