segunda-feira, 21 de março de 2022

Da mui nobre e vetusta arte de bem matar


DA MUI NOBRE e VETUSTA ARTE DE BEM MATAR
(REDONDILHAS DEDICADAS AOS INDUSTRIAIS DA GUERRA)
1
São muito boas as guerras
prós que a elas não vão:
nas guerras, ganham-se terras,
mas não são para o povão.
2
Nas guerras, manda quem pode,
e pode quem muito vende:
o pobre é quem se fode,
porque morre e não entende.
3
As fábricas de matar
são muito ambiciosas:
não podem nunca parar
porque são muito custosas!
4
Mais se morre, mais se vende:
um avião metralhado,
novo avião subentende
- eis negócio consumado.
5
Quanto mais bombas rebentam,
mais bombas há que comprar
e só ruínas lamentam
os que não sabem ganhar.
6
A guerra é um grande negócio,
para quem sabe viver
e tira os madraços do ócio,
dando-lhes um bom morrer.
7
Os que ordenam matar
vão depois beber à glória
que se há de registar
nos compêndios de História!
                     20.03.2022
Eugénio Lisboa

Celebrar a Poesia


A poesia, eu te digo,
é o gesto dilatado
de toda mão estendida
é o doce sabor dos frutos
a face amarga do mundo
a eterna canção da vida.
Manoel de Andrade, Poemas da Liberdade

21 de Março  foi a data escolhida pela XXX Conferência Geral da Unesco, em 1999, como o  Dia Mundial da Poesia . Com essa resolução, a Organização das Nações Unidas para a Educação,  Ciência e Cultura  esperava ter incentivado a criação poética   em todo o mundo.
Celebrar a poesia é dar voz e espaço aos poetas. Para quem gosta de poesia é sempre difícil estabelecer qualquer critério selectivo.  O mundo está repleto de poetas talentosos, ao longo da sua história. Aliás foram os poetas que deram voz ao mundo. São eles que cantam a eterna canção da vida.  
Neste ano de 2022, optamos por trazer  poetas que escreveram em Língua Portuguesa. Ficaram muitos por citar, mas como amantes que somos de poesia, regozijamo-nos por a publicarmos com devotada assiduidade.
Aos poetas fica  a nossa fervorosa gratidão. 

Pacto

Do pacto que o Verbo celebrou comigo
há sempre um artigo que sempre subsiste
 
Deixar que as palavras apenas exprimam
o que sem palavras tentava exprimir-se
 
Deixá-las que rompam da noite da vida
para que suspendam a morte do dia
David Mourão-Ferreira, Os remos,  in Obra Poética (19448-1995), Assírio & Alvim, 2019, 
p 624

BICICLETA

Lá vai a bicicleta do poeta em direcção
ao símbolo, por um dia de verão
exemplar. De pulmões às costas e bico
no ar, o poeta pernalta dá à pata
nos pedais. Uma grande memória, os sinais
dos dias sobrenaturais e a história
secreta da bicicleta. O símbolo é simples.
Os êmbolos do coração ao ritmo dos pedais —
lá vai o poeta em direcção aos seus
sinais. Dá à pata
como os outros animais.

O sol é branco, as flores legítimas, o amor
confuso. A vida é para sempre tenebrosa.
Entre as rimas e o suor, aparece e des
aparece uma rosa. No dia de verão,
violenta, a fantasia esquece. Entre
o nascimento e a morte, o movimento da rosa floresce
sabiamente. E a bicicleta ultrapassa
o milagre. O poeta aperta o volante e derrapa
no instante da graça.

De pulmões às costas, a vida é para sempre
tenebrosa. A pata do poeta
mal ousa agora pedalar. No meio do ar
distrai-se a flor perdida. A vida é curta.
Puta de vida subdesenvolvida.
O bico do poeta corre os pontos cardeais.
O sol é branco, o campo plano, a morte
certa. Não há sombra de sinais.
E o poeta dá à pata como os outros animais.

Se a noite cai agora sobre a rosa passada,
e o dia de verão se recolhe
ao seu nada, e a única direcção é a própria noite
achada? De pulmões às costas, a vida
é tenebrosa. Morte é transfiguração,
pela imagem de uma rosa. E o poeta pernalta
de rosa interior dá à pata nos pedais
da confusão do amor.
Pela noite secreta dos caminhos iguais,
o poeta dá à pata como os outros animais.

Se o sul é para trás e o norte é para o lado,
é para sempre a morte.
Agarrado ao volante e pulmões às costas
como um pneu furado,
o poeta pedala o coração transfigurado.
Na memória mais antiga a direcção da morte
é a mesma do amor. E o poeta,
afinal mais mortal do que os outros animais,
dá à pata nos pedais para um verão interior.

Herberto Helder, Cinco Canções Lunares, in  Poesia Toda II, Plátano Editora ,Setembro 1973


O Poeta  é um fingidor
 
Exprimo o que já não sinto.
Escrevo o que já pensei.
Em arte , se sofro, minto:
registo o que já não sei.
 
Fazer é ter já sofrido
o que hoje não é sofrer.
já não faz nenhum sentido,
a dor dita no escrever.
                                            
Eu finjo que já sofri,
com arte que sou capaz,
aquilo que eu vivi,
no tempo de ser rapaz.
 
Viver é um luxo passado,
perdido, já sem sentido,
que eu terei recuperado
no texto agora mentido.
 
O poeta é um fingidor:
finge tão completamente,
que finge de fingidor,
no momento em que mente.
                      Londres, 15.05.82
Eugénio Lisboa, in a matéria intensa, Editora Peregrinação, Suíça, p 52


O desterro dos poetas
 
Nada vos quisera dizer que sonegasse o encanto
mas transito por um mundo sombrio
e por caminhos degradados.
Já não vejo flores nas campinas
nem lírios à beira das estradas,
já não ouço o cantar dos pássaros
nem o murmúrio das fontes.
Restou-nos a paisagem decepada e nua,
de quando em quando, pequenos bosques solitários
e o sibilar melancólico do vento.
 
Viandantes milenares da estesia e do mistério,
hoje somos seres desgarrados e silentes.
Nossas imagens foram abatidas,
nossos símbolos calcinados,
globalizaram as metáforas,
plastificaram as rosas,
poluíram as estrelas.
 
Restaram-nos o espanto e os pressentimentos,
e, nessa patética realidade,
entre rimas e a paixão pelo lirismo,
a poesia mendiga descalça pelo mundo,
trajando seu rosário de versos encolhidos.
Nossas páginas já não são abertas,
já não publicam nossos livros,
declamamos num palco de figurantes
não há público nem aplausos…
Versejar é uma vocação solitária,
uma chama delirante que se apaga no coração dos homens.
 
Apesar de tanto desencanto,
nada vos direi que sonegue a esperança,
mas digo que os poetas jamais silenciarão seu canto,
porque ninguém poderá desterrar o sonho e a beleza
e porque sempre haverá um poema de amor a ser escrito.
Os poetas cantam desde a aurora dos tempos,
pela glória de Aquiles e pela paixão por Beatriz.
Cantam para gestar uma “Ode Triunfal”,
para compor “Uma Canção Desesperada”,
ou para erguer uma bandeira libertária.
 
Cantam para denunciar os calvários de chumbo que
                                             [sangraram tantas pátrias 
e para que o esquecimento não sepulte a história dos
                                                                       [vencidos.
Cantam para acusar os tiranos e consagrar os mártires,
e para reunir na memória os punhos da bravura.
Os poetas sempre haverão de cantar,
enquanto a luz parir a vida, eles cantarão…
cantarão para abrir as janelas do infinito
e para semear novos sonhos nos herdeiros do amanhã.
 
Machucado por tanto desamor,
por esses acordes tolos e nocivos a malhar meus tímpanos,
e perante essa estética do absurdo,
a essa irreverência que empesta os ares
e proscrito por um tempo que confunde os nossos passos,
saio em busca do Eldorado.
Quero um cântaro de luz para beber a vida,
um sol de abril para iluminar meu rumo.
Quero meu veleiro, meu farol, meu porto, minha aldeia,
e “onde estiver meu coração, sei que lá estará o meu tesouro”.
 
“Vou-me embora pra Pasárgada”
levando minhas ternuras e uma fé inabalável.
Minhas velas vão rasgando o desencanto,
navegando nas lágrimas do mundo
e nesses mares de naufrágios.
Sei que quando o impasse se acabar,
as flores repovoarão os campos
uma rosa purpurina se abrirá no teu canteiro
e a estrela da manhã surgirá num novo céu.
E eis que uma aurora de luz há de beijar a Terra,
o amor abraçará os filhos da esperança,
e só então a paz será um eterno banquete festejando a vida.
Vos digo que num só “idioma” se entenderão os povos,
que a música renascerá na melodia,
que uma nova literatura deslumbrará a alma
e que o nosso canto, sedutor e palpitante, reviverá no coração
                                                                           [dos homens.
                                           Curitiba, 20 de Agosto de 2014
Manoel de Andrade, in As Palavras no espelho, Escrituras Editora, São Paulo, Brasil, 2018, pp.251, 252, 253


A Hora da Partida

A hora da partida soa quando
Escurece o jardim e o vento passa,
Estala o chão e as portas batem, quando
A noite cada nó em si deslaça.

A hora da partida soa quando
As árvores parecem inspiradas
Como se tudo nelas germinase.

Soa quando no fundo dos espelhos
Me é estranha e longínqua a minha face
E de mim se desprende a minha vida.
Sophia de Mello-Breyner Andresen, in Poesia, Editorial Caminho, p 55

Um verso ligasse

Um verso ligasse
os desertos que somos, querida;
um oásis, um verso,
e, fresco, o instinto,
como que de água,
sob milénios de areia,
o buscasse, ou à miragem.
Mas nem ao ar acostam
os dias que duramos,
em nossas medidas
emoções – de reserva,
com a seiva dos cactos.
Até que duas dunas assinalem
Uma mudança qualquer.
E é a eternidade.
Sebastião Alba, in O ritmo do presságio, Edições 70,1981, p 38

No fim do mundo de tudo
 
No fim do mundo de tudo
Há grandes montes que têm
Ainda além para além —
Um grande além mago e mudo.
 
São paisagens escondidas
Que são o que a alma quer.
Ali ser, ali viver
Vale por vidas e vidas.
 
Todos nós, que aqui cansamos
A alma com a negar,
Nesse momento de sonhar
Ali somos, ali estamos.
 
Mas, depois, volvidos onde
Há só a vida que há
Vemos que ante nós está
Só o que vela e que esconde.
 
Só dormindo os horizontes
Se alargam e há a visão
Dos montes que ao fundo estão
E o saber do além dos montes [...]
                                   19-5-1934
Fernando Pessoa , Mensagem - Poemas esotéricos,  (Edição Crítica de José Augusto Seabra.) Porto: Fund. Eng. A. Almeida, 1993. 


Epitáfio para um herói

Por se negar a dar  um viva ao comunismo,
Ou ao fascismo
(Pouco importa)
Mataram--no... , morreu.
Mas não morreu! Só o deixaram 
De olhos abertos, boca aberta, ventre aberto para o céu.
E a terra , em volta, é que parecia morta.
José Régio, in Colheita da Tarde, volume póstumo, Brasília Editora, 
Dezembro de 1971, p127

domingo, 20 de março de 2022

Inventário seguido de percalço


Inventário de perdas

Vai-se, com o tempo, perdendo tudo.
Perdi já tantos dos que tanto amava,
perdi sítios, perdi sóis, sobretudo,
perdi poderes, ilusões, e brava
 
força que punha, no lutar, fervor!
Perdi livros e haveres e tudo
o que à vida dá tanto sabor!
Meu canto triste foi ficando mudo,
 
ao ver, por todo o lado o atropelo,
o assalto ao poder da liberdade,
o pôr, na destruição, tanto zelo!
 
Por todo o lado, alastra a iniquidade
e a vida cada vez mais fenece,
neste pobre mundo que anoitece.     
                         19.03.2022
Eugénio Lisboa



Un petit obstacle inattendu

A vida é só um curto percorrer,
entre um deslumbrado despertar
e um melancólico desvanecer:
entre os dois, o nosso saber voar.
 
Não é importante o que acontece,
mas o que fazemos acontecer:
o que se conquista não é com prece,
nem ficando à espera de suceder.
 
O nosso destino é por nós feito,
como se constrói palácio ou casa.
Todavia, nada é nunca perfeito:
 
tantas vezes o nosso golpe d’asa
fica acintosamente travado
por sismo que não estava programado!
                             20.03.2022
Eugénio Lisboa

Ao Domingo Há Música



Sobe à colina
olha o poente e o mar -
verás a eternidade.
Sorri à flor
capta o insensível do seu odor -
sentirás a eternidade.
Pára, escuta o inescutável do Ser
ausculta a melodia do Cosmos -
captarás a eternidade.
José Nuno Pereira Pinto, Que Passem Sorrindo 


Auscultar a belíssima composição Time (Inception), de Hans Zimmer talvez não seja  captar a eternidade,  mas é poder sentir o inescutável do seu odor. 

sábado, 19 de março de 2022

Crónicas da Infâmia


Crónicas da Infâmia
9 - Das Palavras  e da  Guerra


Não só os sentimentos criam palavras, também as palavras criam sentimentos.(…) São a vida e quase toda a vida – a razão e a essência desta barafunda. É com palavras que construímos o mundo. (…) Mas agora  que os valores mudaram, de que nos servem estas palavras? É preciso criar outras, empregar outras, obscuras, terríveis, em carne viva, que traduzam a cólera, o instinto e o espanto.
                                                                    Raul Brandão

Não sei que palavras utilizar , quando os dias que correm são dias de vergonha . Queria registar toda a perplexidade dorida que cresce ,  sempre que eclodem as notícias diárias.  Mas « os limites da minha linguagem são os limites do meu mundo» escreveu Wittgenstein, no século XX. Perante a barbárie,  esgotam-se os caminhos da linguagem. Perante a crueza das realidades emergentes do mundo actual, é impossível ser claro , sem que a emoção nos embargue e o horror nos tome.
 A verbalização é uma capacidade inerente à pessoa humana, à sua relação com o mundo e respectiva materialização. Eis porque se  quedam  as palavras numa agónica aporia, num silêncio   de espanto perante o terror que milhares e milhares de seres humanos vivem, numa parte deste nosso mundo. E, quando esse terror  é propagado pela tirana ambição de um só homem, de que nos servem as palavras que conhecemos? Recusam-se a traduzir a ferocidade do homem capaz de negar o outro homem. Teriam de ser medonhas , numa obscuridade indefinível , que logo ficariam opacas pela sua enormidade. Como criá-las ? E inventá-las  para quê , quando são  glosadas infamemente pela boca do carrasco.  A inversão de posições,  o plano da realidade é empurrado para a vítima invadida,   quando o agressor  se diz ser ele próprio a vítima. O Ocidente está a sofrer o resultado da sua ambição, grita o louco facínora, enquanto lança bombas sobre crianças e gente desprotegida. Não lhe basta dizimar um país, mas quer estender a ameaça ao mundo ocidental. Que tipo de homem tem tamanha ambição?
E lembro-me de repente dum filme muito antigo
Em que o criminoso perguntava:
“De quoi est fait un homme, monsieur le comissaire?”
e nos seus olhos lia-se o pavor
de quem viu um abismo e não lhe sabe o fundo...
De quoi est fait un homme? De que são feitos os homens
que queimaram vivos outros homens? Que tinham centos de crianças
a morrer de fome e pavor, escravos como os pais?
que matavam ou deixavam morrer homens aos milhões,
que os faziam descer ao mais fundo da degradação,
torturados, esfomeados, feitos chaga e esqueleto?
Eram esses mesmos homens
que faziam pouco da liberdade,
que vinham salvar o mundo da desordem,
que vinham ensinar a ORDEM ao planeta!
Sim, que traziam a paz com as grades das prisões,
a ordem com as câmaras de tortura...
Assim  disse Adolfo Casais Monteiro, no magnífico  poema Europa. 
Sei que não sei dizer as palavras nem exactas  nem reais  .Tento reconhecê-las  em quem as soube produzir. Mas sei, isso sim, que há dor a mais nos rostos de quem sobrevive à  morte encomendada por um só homem. Homem que traz  as grades da tortura para impor a Ordem do seu amordaçado mundo.  As palavras emudecem. E, se algumas sobreviverem,  talvez  repitam como  Sartre: «Ces mots durs et noirs,  je n’ en ai connu le sens que dix ou quinze ans plus tard et, même aujourd’hui, ils gardent leur opacité : c’est l’humus de ma mémoire. »
Que Deus não salve Putin. Viva a Ucrânia. 
Praia da Rocha, 19 de Março de 2022
Maria José Vieira de Sousa

O Inferno não é Literatura

Pablo Picasso. Guernica, 1937 | Pintura a óleo | 350 × 776
Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofia
 
O Inferno não é  Literatura
 
O Inferno que Dante imaginou
é literatura pura e dura:
essa já há muito caducou
e, já hoje, coitada, não perdura.
 
O inferno verdadeiro, que dura,
é o que fazem homens que governam:
congemina-o a nomenclatura
dos que assassinam e desgovernam.
 
O inferno está à vista, de aço
vestido e pomposo alarido,
atropelando, infame e devasso,
 
a vida, que não é literatura:
é uma Guernica, fruto de bandido,
o qual massacra tudo o que procura!
                       18.03.2022
Eugénio Lisboa

sexta-feira, 18 de março de 2022

NÃO MATARÁS


Não matarás
Aviso a quem o faz
 
Dizia um profeta: Não matarás!
Pensava que era tão evidente
ser obra de um mítico satanás
tirar a vida a qualquer vivente,
 
que dizem ter ele dado a vida,
para que nos não perdêssemos nós,
impedindo a vida de ser cumprida,
qual rio que não vai chegar à foz.
 
Mas os que dizem amar o profeta
são aqueles que mais têm matado,
em nome dele e ao som da trombeta!
 
Matar em nome de quem avisou
que fazê-lo era grande pecado
dita fado igual ao de quem tombou.
                               18.03.2022
Eugénio Lisboa

Os livros de Março

Da Quetzal Editores

- Conversas em Princeton, de Mario Vargas Llosa, Rubén Gallo
Edição/reimpressão: 03-2022- Editor: Quetzal Editores, Colecção: Américas
Preço: 18,80 €
Sinopse
"Nunca a boa literatura teve tanta importância na vida e na formação de leitores atentos ao mundo. E nunca Mario Vargas Llosa foi tão sábio e eloquente.
Este livro resulta das conversas que decorreram nos encontros com um pequeno e estimulante grupo de alunos da Universidade de Princeton, que, nas palavras de Vargas Llosa, sabiam mais da construção da sua obra do que ele próprio. Há, assim, a perspetiva do autor, que revela o processo criativo na base dos seus romances; a de Rubén Gallo, que analisa os diferentes sentidos que as obras de Vargas Llosa assumiram no momento da publicação; e a dos estudantes, cujas reflexões e interrogações dão voz a milhões de leitores de Vargas Llosa.
Subordinados ao grande tema «literatura, jornalismo e política», há digressões por outros subtemas que foram sendo introduzidos e discutidos de forma muito fluida e informal, mas sempre com grande rigor e profundidade: teorias do romance, jornalismo e literatura, a ameaça do terrorismo no século xxi - além das histórias e das muitas personagens de livros que mudaram o destino da literatura.
O livro encerra com um texto de Vargas Llosa escrito depois dos atentados à redação do Charlie Hebdo e ao Bataclan, em Paris.”

- O Colibri, de Sandro Veronesi (Prémio Strega)
Editor: Quetzal Editores, Coleção: Serpente Emplumada
Com tradução de Cristina Rodriguez e Artur Guerra, chega às livrarias nacionais a 17 de Março.
Preço: 16,92 €
Sinopse:
“Como o colibri, que tem a capacidade de se suster no ar, parado, sem que consigamos vislumbrar o seu bater de asas, também Marco Carrera, protagonista do romance de Sandro Veronesi, resiste de pé, graciosamente, enquanto o mundo à sua volta desaba em adversidades.
Marco Carrera é um oftalmologista com uma vida boa e organizada - até que lhe entra pelo consultório um desconhecido, que sabe tudo sobre o seu passado e o avisa de que corre perigo. Além disso, diz-lhe que a sua mulher está a ter um caso extraconjugal e vai ter um filho que não é dele.
Estas revelações desencadeiam um longo fluxo de recordações: da infância e juventude, da família, da primeira mulher na vida dele, de um certo amigo, da irmã mais velha que morreu afogada. A narrativa constrói-se de forma empolgante e original, avançando e retrocedendo entre várias décadas dos séculos XX e XXI. “
- Melancolia em Tempos de Perturbação, de Joke J. Hermsen
Edição/reimpressão: 03-2022 .Editor: Quetzal Editores
Preço: 16,60 €
Sinopse:
«A melancolia não só reflete a dualidade do nosso ânimo, como também a estimula. Poderia dizer-se, portanto, que a melancolia "dá alma" à pessoa, ou a inspira.»
Sendo um dos sentimentos mais complexos e ambivalentes, na Idade Média a melancolia era uma «doença diabólica», no Renascimento estava ligada à reflexão e à sabedoria, e no Romantismo era uma qualidade que encorajava a criatividade e a arte. O problema surgiu quando, no início do século xx, se substituiu a palavra «melancolia» por «depressão», como se fossem sinónimos, e se enveredou pelo caminho da medicalização dos «estados melancólicos».
Neste ensaio, a filósofa Joke J. Hermsen propõe uma nova abordagem da melancolia, assumindo-a como um pilar da civilização e uma forma de nos relacionarmos com o mundo e a natureza. Mostra o ser humano como uma entidade capaz de transformar a perda e a transitoriedade em criatividade e esperança - e, com a ajuda de pensadores como Hannah Arendt, Ernst Bloch e Lou Andreas-Salomé, investiga as circunstâncias em que o ser humano usa e ultrapassa a melancolia para estabelecer uma nova relação com o mundo e consigo mesmo. Ou seja, a melancolia é um dos nossos estados naturais - e um dos mais criativos." 

- Um Casamento Americano, de Tayari Jones, Vencedor do Women’s Prize for Fiction 2019
Edição/reimpressão: 03-2022. Editor: Quetzal Editores.Colecção: Serpente Emplumada
Preço: 18,80 €
Sinopse:
“Roy Othaniel Hamilton e Celestial Gloriana Davenport conheceram-se durante o tempo da faculdade e estão casados há pouco mais de um ano. Vivem em Atlanta. Roy é um homem afável, que aprecia regras e tem um bom emprego. Celestial, é bonita, cheia de carácter e uma artista promissora. Um dia, durante uma visita aos pais de Roy, na Luisiana, a porta do quarto de motel em que se tinham hospedado é arrombada e Roy é preso, acusado de violação. Mas está inocente. Celestial sabe-o e nós, os leitores, também. Roy é condenado a 12 anos de prisão.
A segunda parte do livro é epistolar e como que um diálogo entre os dois, ele preso, ela em liberdade. À medida que os anos passam, os ressentimentos aumentam, assim como os silêncios e os intervalos das cartas. Cinco anos volvidos, Roy ganha um recurso e é libertado. Na terceira parte do livro (cheia de acontecimentos) veremos como tudo mudou e como o passado não pode ser desfeito.
Uma narrativa fortíssima, com um extraordinário trabalho no delinear das três personagens principais (e narradores: Roy, Celestial e Andre, o grande amigo comum), face a questões morais, raciais e legais.”

Editora Temas e Debates
- Os Refugiados Judeus de Hitler- Esperança e ansiedade em Portugal, de Marion Kaplan
Edição/reimpressão: 03-2022. Editor: Temas e Debates
Preço: 18,80 €
Sinopse:
“Uma descrição profunda das histórias dos judeus que chegaram a Lisboa em busca de segurança e protecção para procurar um futuro longe do centro da Europa. Os Refugiados Judeus de Hitler – Esperança e Ansiedade em Portugal é um impressionante livro que relata as experiências dramáticas de quem abandona a sua casa e a sua história e se vê obrigado a suplicar pela bondade e compaixão de estranhos. Um livro que descreve a História que teima em repetir-se na Europa.
Numa altura em que o tema dos refugiados está outra vez na ordem do dia, Marion Kaplan capta a dimensão emocional da fuga ao regime nazi. A mágoa e a ansiedade que marcaram a odisseia destas pessoas é balançada com a euforia da esperança de chegar a Lisboa e de esta ser o ponto de partida para um futuro longe da Europa ocupada pelos alemães. Portugal transformou-se num dos únicos portos seguros para judeus em 1938. As dezenas de milhares de pessoas que passaram por Lisboa transformaram-na no único caminho de evasão em massa da Europa Ocidental. Histórias passadas entre 1938 e 1945 que de Lisboa levaram recordações de compaixão e generosidade.”
Relógio D’Água Editores
- A Arte da Guerra (Clássicos para Leitores de Hoje), de Sun Tzu
Tradução: Carlos Correia Monteiro de Oliveira
Data de Publicação: 02/2022. Nº de Páginas: 192.
Preço: 11,25 €
Sinopse:
«Os ensaios de Sun Tzu sobre “A Arte da Guerra” são o tratado mais antigo sobre o tema, mas o alcance e a profundidade do seu juízo nunca foram ultrapassados, podendo ser considerados como a quintessência da sabedoria na condução da guerra. Entre todos os teóricos militares do passado, Clausewitz é o único que se lhe pode comparar e, apesar de ter escrito mais de dois mil anos depois, está mais “datado” e, em boa parte, mais ultrapassado.
Muitos dos danos causados à civilização nas guerras mundiais do século passado teriam podido ser evitados se, à influência exercida pelos volumes monumentais de Clausewitz, intitulados Da Guerra, e que moldaram o pensamento militar da Europa na era anterior à Primeira Guerra Mundial, se tivesse misturado, temperando-o, um conhecimento da exposição de Sun Tzu sobre “A Arte da Guerra”. O realismo e a moderação de Sun Tzu contrastam com a tendência de Clausewitz para enfatizar o ideal racional e o “absoluto” com que esbarraram os seus discípulos ao desenvolverem a teoria e a prática da “guerra total” para lá dos limites ditados pelo bom senso.» [Do Prefácio de B. H. Liddell Hart]
- Diário do Escritor (pré-venda), Fiódor Dostoievski
Tradução: Filipe Guerra, Nina Guerra
Data de Publicação: 03/2022. Nº de Páginas: 464
Preço: 24.00 € 21.60 €
LIVRO EM PRÉ-VENDA — ENVIOS DIA 21 DE MARÇO
Sinopse
«A ideia do Diário do Escritor nasceu durante a estada de Dostoiévski no estrangeiro em 1867-1871. Sempre atento aos acontecimentos da vida corrente, o escritor sabia captar nos factos aparentemente insignificantes os indícios de fenómenos históricos globais, sabia discernir o lugar desses factos no processo histórico de desenvolvimento dos países, dos povos e das religiões. Os textos do seu “Diário”, enquanto análise e interpretação dos acontecimentos da sua época do ponto de vista da eternidade histórica, mantêm o seu carácter actual ainda hoje, passado quase um século e meio desde a sua criação.» [Da Nota Introdutória de Nina Guerra]
- O Quarto de Jacob, de Virginia Woolf
Tradução: João Pedro Vala
Data de Publicação: 03/2022. Nº de Páginas: 200
Preço: 17.00 € 15.30 €
Sinopse
“Escrito em 1922, O Quarto de Jacob marca uma inovação narrativa de Virginia Woolf, que será confirmada em Mrs. Dalloway (1925) e Rumo ao Farol (1927). Com recurso a novas técnicas, em particular à corrente de consciência, Virginia Woolf arma um novo realismo capaz de romper com a mera descrição e o mundo das aparências.
Enquanto Jacob descobre a amizade e o amor, Woolf descobre-nos Jacob, e a interacção entre estas duas descobertas resulta numa realidade mais completa.
O romance começa com Jacob a brincar numa praia e termina no seu quarto vazio. Entre os dois episódios, decorreu a Primeira Guerra Mundial.”
- Eles , de Kay Dick
Tradução: Miguel Serras Pereira
Data de Publicação: 02/2022.Nº de Páginas: 128
Preço: 16.00 € 14.40 €
Sinopse:
“Obra-prima perdida da distopia, Eles é um romance passado numa Inglaterra onde os livros são confiscados e a National Gallery esvaziada. É por isso uma meditação sobre arte, memória e inconformidade.
Com um prefácio de Carmen Maria Machado, é agora recuperada esta distopia clássica e radical que ficou esquecida no tempo, mas que se revela hoje mais atual do que nunca.”
- A Agência Barnett e C.ª, de Maurice Leblanc
Data de Publicação: 03/2022
Nº de Páginas: 160
Preço: 16.00 € 14.40 €
Sinopse
As investigações do inspector Béchoux estão num impasse. É então que surge um detective privado da Agência Barnett e C.ª, que descobre o culpado, salva os inocentes e faz tudo isso gratuitamente.
Mas é difícil acreditar que Arsène Lupin, pois é da sua agência que se trata, não cobre pelos seus serviços. Ele sabe melhor do que ninguém encontrar objectos valiosos, um colar de pérolas, uma carta do rei Jorge IV, um título de propriedade…
Nesta antologia publicada em 1928, Lupin protagoniza oito aventuras em que confirma a sua espantosa intuição e a generosidade, que, é claro, começa por si e pela própria Agência Barnett e C.ª”
«A Agulha Oca é, com A Agência Barnett e C.ª, aquele que prefiro entre todos os meus livros.» [Maurice Leblanc em entrevista a Georges Charensol]
Outras novidades da Relógio D'Água:
1 — Jogos de Azar, de José Cardoso Pires (Prefácio de Afonso Reis Cabral)
2 — Livro dos Prefácios ou para Entender a Obra de Agustina Bessa-Luís
3 — Políticas de Poder, de Margaret Atwood
4 — Cartas do Pai: Cartas dos Pais Reclusos no GULAG aos Filhos (Prefácio de Liudmila Ulítskaia)
5 — China versus América: Um Alerta, de Oliver Letwin
6 — Entre Dois Fogos: Verdade, Ambição e Compromisso na Rússia de Putin, de Joshua Yaffa (Prémio Orwell 2021)
7 — Reflexos Primitivos, de Peter Sloterdijk
8 — Cartas de Amor, Virginia Woolf e Vita Sackville-West
9 — Casa, de Marilynne Robinson
Guerra e Paz Editores
- Atlas da Guerra Fria – 1947-1990: Um Conflito Global e Multiforme , de Sabine Dullin, Stanislas Jeannesson e Jérémie Tamiatto
Cartografia: Aurélie Boissière
Guerra e Paz Editores
Não-Ficção / Atlas 176 páginas
Nas livrarias a 22 de Março
Preço: · 20,00 €
Sinopse
“Num momento em que os desafios contemporâneos das relações internacionais mostram quanto a Guerra Fria foi decisiva para o quadro geopolítico actual, os historiadores franceses Sabine Dullin, Stanislas Jeannesson e Jérémie Tamiatto apresentam-nos o Atlas da Guerra Fria – 1947-1990: Um Conflito Global e Multiforme, uma obra de divulgação histórica fundamental para responder a questões que ocupam os nossos dias: como chegámos aqui? Como é a que a Rússia, herdeira da gigante URSS, tem vindo a conviver com o seu desprestígio? Porque é que o Kremlin considera um acto de hostilidade a extensão da NATO à Europa Centro-Oriental?
O livro, que agora é publicado em Portugal, está dividido em cinco principais períodos. As duas primeiras partes pretendem mostrar como o conflito Leste-Oeste, entre a democracia liberal dos Estados Unidos e o comunismo da União Soviética, gerado a partir da divisão da Alemanha, no pós-Segunda Guerra Mundial, degenerou numa Guerra Fria global. Um conflito ideológico e político inédito da História, que não acarretou nenhum confronto físico directo entre os seus principais oponentes, mas que precipitou conflitos armados periféricos, como a Guerra da Coreia e a Guerra do Vietname.”
Biografias Guerra e Paz
- Nietzsche - O Combate com o Demónio, de Stefan Zweig.
Não-Ficção / Biografia. 128 páginas
Disponível a partir do próximo dia 22 de Março na rede livreira nacional e no site da Guerra e Paz Editores.
Preço:14 €
Sinopse:
“As paixões, as obsessões e os demónios de Friedrich Nietzsche, um dos maiores filósofos do século XIX, foram objecto de análise do escritor e filósofo austríaco Stefan Zweig no ensaio biográfico Nietzsche – O Combate com o Demónio, publicado pela primeira vez em 1925. Fundamental para compreender a essência do pensamento nietzschiano, esta biografia, escrita por um dos principais autores do século XX, é um encontro de dois grandes pensadores. Dois génios, mil demónios. 
«Nietzsche nunca quer, em nenhum caso, ser feliz, mas antes ser verdadeiro. Não busca o repouso (como a maior parte dos filósofos), mas, como servidor escravo do demónio, procura o superlativo de todas as excitações e de todos os movimentos.» No ensaio biográfico Nietzsche – O Combate com o Demónio, Stefan Zweig, um dos maiores pensadores do século xx, revela o homem por trás da obra, concentrando-se nos hábitos, nas paixões e nas obsessões de Friedrich Nietzsche, em combate permanente com inquietações aflitivas e impulsos ingovernáveis, esse demónio interior.”
Actualmente indisponível no mercado livreiro português»., a obra é agora publicada numa nova edição, traduzida por Maria José Diniz, que inaugura a colecção «Biografias Guerra e Paz»
Nietzsche – O Combate com o Demónio estará disponível a partir do próximo dia 22 de Março na rede livreira nacional e no site da Guerra e Paz Editores.
- Esta Ferida Cheia de Peixes, de Lorena Salazar Masso
Ficção / Romance. 144 páginas
Nas livrarias a 22 de Março
Preço:15,00 €
Sinopse.
“Um romance comovente e admirável, Esta Ferida Cheia de Peixes, marca a estreia da jovem romancista colombiana, Lorena Salazar Masso. A obra leva-nos, rio acima, a percorrer a selva da Colômbia, tão magnífica quanto perigosa, numa jornada de reflexão sobre a beleza e a dor da maternidade e sobre a importância da sororidade, num mundo de violência. Depois de conquistar os leitores sul-americanos e europeus, 
O que é uma mãe? Uma mãe – diz-nos Esta Ferida Cheia de Peixes – é uma coisa que dói, é ferida e cicatriz, é fingir que vences o medo. Pungente, a obra de estreia de Lorena Salazar Masso, convida-nos a acompanhar, numa prosa comunicativa e num lirismo que criam uma atmosfera viciante, a jornada de uma mãe que, rio Atrato acima, se prepara para apresentar a criança negra que criou à sua mãe biológica.”
Esta Ferida Cheia de Peixes chega agora a Portugal numa edição Guerra e Paz, com tradução de Luísa Mellid Monteiro, que inaugura, lado a lado com o romance canibal Mãe Para Jantar, do norte-americano Shalom Auslander, uma nova colecção de romances elegantes, intrigantes, extravagantes e sem fronteiras: os romances de guerra e paz. O livro estará disponível, quer na rede livreira nacional quer nas plataformas de distribuição de ebooks, a partir do próximo dia 22 de Março.

Publicações Dom Quixote 
- Podia Ter Sido Pior , de José Cutileiro
Editor: Dom Quixote. Edição/reimpressão: 03-2022 .Crónicas. Páginas: 816
Preço: 26,91€
Sinopse:
"Podia Ter Sido Pior reúne os melhores trabalhos de José Cutileiro publicados na imprensa ao longo de 67 anos. Nesta antologia o leitor encontra uma selecção dos mais bem conseguidos Bilhetes de Colares, diversos obituários publicados originalmente na célebre coluna In Memoriam do jornal Expresso, alguns dos mais influentes textos de Antropologia, e comentários de política internacional muito actuais. Enriquecido com um prefácio de Marcelo Rebelo de Sousa e uma nota de Myriam Sochacki-Cutileiro, Podia Ter Sido Pior mostra a relevância, frescura e erudição de um dos cronistas mais bem-sucedidos do Portugal contemporâneo."

50 Anos de Poesia, Antologia Pessoal (1972-2022), de Nuno Júdice.
Edição/Reimpressão 03-2022,.Editor: Dom QuixoteI.Páginas: 224
Preço:14,31€
Sinopse:
"Quando se celebram os 50 anos de poesia de Nuno Júdice, a sua antologia pessoal.
Um livro onde se espelha o melhor de uma carreira com muitos e premiados livros."


FOLIO
- «Cher Monsieur Germain,...». Lettres et extraits , Albert Camus
Collection Folio 2 € (n° 7059) Parution : 10-03-2022
Sinopse:
19 novembre 1957
Cher Monsieur Germain,
J’ai laissé s’éteindre un peu le bruit qui m’a entouré tous ces jours-ci avant de venir vous parler un peu de tout mon cœur. On vient de me faire un bien trop grand honneur, que je n’ai ni recherché ni sollicité. Mais quand j’ai appris la nouvelle, ma première pensée, après ma mère, a été pour vous. Sans vous, sans cette main affectueuse que vous avez tendue au petit enfant pauvre que j’étais, sans votre enseignement, et votre exemple, rien de tout cela ne serait arrivé. (…)
Je vous embrasse, de toutes mes forces.
Albert Camus

“Alors qu’il vient de recevoir le prix Nobel de littérature, Albert Camus écrit à son ancien instituteur à Alger, celui sans qui « rien de tout cela ne serait arrivé », toute sa reconnaissance. L’ensemble de la correspondance entre les deux hommes et un extrait du Premier homme où apparaît le personnage de l’instituteur M. Bernard sont ici réunis. Une édition en forme d’hommage à ce lien magnifique de gratitude et de tendresse."
- Légende, de Philippe Sollers
Collection Folio (n° 7053). Parution : 03-03-2022
Sinopse:
“Les représentants du vieux Dieu mort et de la vieille littérature sont destitués, mais continueront à parler et à écrire comme si de rien n’était, ce qui est sans importance, puisque plus personne n’écoute ni ne lit vraiment. Les Banques, le Sexe, la Drogue et la Technique règnent, la robotisation s’accélère, le climat explose, les virus poursuivent leurs ravages mortels, et la planète sera invivable pour l’humanité dans trente ans. Malgré tout, un nouveau Cycle a déjà commencé, et les masques tombent. À vous de juger.”
Ph. S.