Os livros de Novembro da Guerra & Paz e da Gradiva
"Estes são os meus livros de Novembro e esta é a newsletter que mando a quem gosto e respeito. É a última."
Manuel S. Fonseca, editor da Guerra & Paz e da Gradiva
Os meus livros de Novembro
Os livros da Guerra e Paz
"Esta é, nestes termos meio melosos e líricos, correndo desarvorada por entre os livros da Guerra e Paz e da Gradiva, a minha última newsletter. Para 2027, terei de descobrir outra forma de divulgação.
E estes são os novíssimos livros a chegar à livraria, as derradeiras edições deste ano. Para acabar lancei-me ao mar, acompanhando o biólogo marinho Henrique Cabral e o jornalista João Lopes Marques. A imersão não podia ser mais deliciosa: Calcem as Barbatanas!, Um Mergulho no Mundo Desconhecido das Criaturas Marinhas é um encontro, animal marinho a animal marinho, com a fauna dos nossos oceanos. Garanto-vos: ninguém se afoga e vão rir-se como perdidos com o que cada uma das criaturas vos vai dizer. É o segundo livro da colecção Pensar Português, que tem a Fundação Manuel António da Mota como mecenas exclusivo.
Já nadámos, pedalemos agora: de José Carlos Gomes chega-nos Pedalar o Destino, 40 Anos de Ciclismo na Roda de Delmiro Pereira, a história de um campeão contada com humor, que nos leva a vencer 54 corridas com Delmiro.
Na pré-história não havia bicicletas; a pé, pé ante pé, Jacques Jaubert reescreve e mapeia esse passado longínquo (afinal tudo começou há 2,6 milhões de anos) em mais um dos nossos Atlas Históricos, o Atlas da Pré-História: 70 mapas (ó que cartografia linda) e documentos inéditos num livro a cores, claro, como os Atlas devem ser.
A vantagem da História é podermos dar saltos gigantes e fazermos associações mais do que legítimas: em Os Lusíadas e a Visão Herética, juntamos Luís de Camões e Jorge de Sena. Em versão de capa mole, este livro reúne Os Lusíadas, de Camões e dois ensaios luminosos (soberbos de erudição) de Sena que oferecem uma visão heterodoxa, porventura a mais fidedigna, de análise do nosso épico.
Ana Paula Jardim, uma das poetas da nossa colecção nobre, quis fazer uma incursão romanesca pela prosa e desenhar um mais do que íntimo e velado retrato feminino em A Mulher do Véu. Uma memória entre silêncio e dor.
Fecho com uma monumental biografia. Deixem-me dizer assim: Miguel Pinheiro escreve Sá Carneiro. De «um bebé sem nome» a «depois da morte» Miguel Pinheiro examina ao microscópio e de forma sistemática uma vida turbulenta, uma acção política que se roçou pela glória e pela tragédia. São 768 páginas de rigor e notável informação.
Os livros da Euforia e Alquimia
As feminíssimas edições da Euforia e da Alquimia saem a grande velocidade e profusão das mãos da editora, Rita Fonseca, para as mãos das leitoras: em Novembro, Diabo de Sierra Simone, Tem Cuidado, de Tate James e Chuva de Sombras e Fins, de Melissa K. Roehrich são os perigosos títulos de tensão, mistério, erotismo e romance. Imbatíveis.
Os livros da Gradiva
A vaga ficcional de Novembro na Gradiva é prodigiosa: regressa O Cemitério de Praga, Umberto Eco, berço de todas as conspirações; do Prémio Booker, o Ian McEwan da anti-noite de núpcias de Na Praia de Chesil. Tão belo como a ficção, n’ A Colecção Que Não Precisa de Nome, mais um Prémio Nobel, neste caso Kazuo Ishiguro, de quem oferecemos uma digressão confessional arrebatadora, A Minha Noite no Século XX e Outras Pequenas Descobertas.
Dois livros muito distintos de autores portugueses: Tudo se Desmorona e Tu Sorris é um romance de António Oliveira e Castro sobre os sonhos que História consome, e Sistemas Partidários: Reflexões Teóricas e Casos Práticos é um estudo inédito e raro de Conceição Pequito Teixeira que nos leva ao centro da vida democrática: como funcionam os sistemas partidários?
E peço-vos, não deixem que silenciem O Genocídio Ocultado, do historiador senegalês Tidiane N’Diaye: é um livro que dá voz e visibilidade à razia árabo-muçulmana que levou de 12 a 18 milhões de escravos de África. Como é possível que tanta gente, porventura legitimamente indignada, tente calar indignamente este crime?
E para que se não diga que não falei dessa flor chamada ciência, vejam bem os três livros que vos trago na colecção Ciência Aberta: do professor e químico João Paulo André, capa linda, texto delicioso, oferecemos aos leitores O Elogio da Batata, de A a Z o Tubérculo que Mudou o Mundo; do professor e físico Antonino Del Popolo, As Grandes Questões da Ciência faz perguntas – o que é a vida? estamos sozinhos? o que é um buraco negro? – e dá as respostas abrindo-nos as portas da ciência moderna; já Luísa Pereira, fazendo uso do seu doutoramento em genética populacional humana, vem guiar-nos na resposta a perguntas como «quem somos?» e «qual a nossa origem?» em O Património Genético Português Revisitado: a História Humana Preservada nos Genes Antigos e Actuais, um contraponto a muita desinformação que por aí prolifera.
Acabo com BD: de Eric H. Cline e Glynnes Fawkes, publicamos 1177 a. C. Uma História Gráfica do Ano em que a Civilização Colapsou. Uma aventura espectacular que nos mostra o desabar das civilizações do Mar Egeu e do Mediterrâneo Oriental.
Despeço-me. Mas só das newsletters. O grupo Guerra e Paz / Gradiva avança para 2027, depois de um excelente 2026 de consolidação e (franco e generoso) crescimento. Em 2027, aos catálogos das duas editoras vão juntar-se 40 autores e cerca de 60 títulos, que acolhemos vindos da Esfera dos Livros, editora que abandona em definitivo a actividade em Portugal. Os trabalhos prometem ser hercúleos, mas os livros e os autores são tão bons e estão sempre a reinventar-se. E a ressuscitar: afinal, mesmo os manuscritos do Mar Morto, a acreditar no senhor Umberto Eco, apareceram há pouco mais de meio século, exactamente o mesmo tempo de que, pela sua saudinha, as galinhas precisaram para aprender a não atravessar a estrada. Até para o ano, e anuncio-vos já que em Janeiro serei o autor de um novo livro, Marilyn: Citações e Algumas Excitações. Tem uma capa linda e sou eu a escutar, o tempo todo, a voz de Marilyn Monroe. Que voz!"
Manuel S. Fonseca, editor da Guerra & Paz e da Gradiva




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