sexta-feira, 27 de outubro de 2023

URGENTE

 

URGENTE
 
É urgente destruir certas palavras,
 ódio, solidão e crueldade
 alguns lamentos, muitas espadas.
            Eugénio de Andrade
 
 
O ódio, a solidão, as espadas
e a crueldade são as locuções,
por ti, grande poeta, detestadas,
quando versejas tuas petições.
 
Pedes urgência para o amor,
pede-la também para a alegria
e pra rosas e rios, com fervor,
porque nada disto tudo se adia!
 
Teus versos emitem a luz do dia,
que tão bem ilumina a tua urgência:
eles dizem, com ardor e eufonia
 
e com uma original cadência,
o desejo que, em ti, reside, puro,
de amor e alegria, no futuro.
                      26.10.2023
Eugénio Lisboa

quinta-feira, 26 de outubro de 2023

Um mundo de homens

 
O muçulmano Muhammed Attah,
que destruiu uma das torres gémeas,
atirando pessoas para a sucata,
com menção especial para as fêmeas,
 
legou-nos dois únicos testamentos:
um não queria, no seu funeral,
a presença de seres nojentos:
mulher ou animal, só num curral.
 
O outro não queria, perto de casa,
os seres mais impuros que existem:
fêmeas prenhas, cuja impureza arrasa.
 
Estes homens são seres que insistem
no valor único do masculino,
que despreza o odor do feminino.
                         26.10.2023
Eugénio Lisboa

quarta-feira, 25 de outubro de 2023

Glosa sobre o fanatismo


O fanatismo embrutece
ou a estupidez fanatiza?
A burrice não me enternece
e o fanático barbariza.
 
O fanático tem certezas,
onde certezas não existem:
estão repletas de bichezas
que são nocivas e persistem.
 
A fé não é conhecimento,
pelo menos, até mais ver.
Transforma o mundo em turbulento
e estupora o bom viver.
 
Crê quem desiste de entender,
por isso o crente é perigoso:
quando não sabe convencer,
vira tirano afanoso.
 
O fanático não tolera
aquilo que não compreende:
torna-se logo uma fera,
filha bastarda de duende!
               25.10.2023
Eugénio Lisboa
 
Dou isto à meditação dos actuais “iluministas”, totalmente embevecidos com os fanáticos que por aí proclamam, aos gritos, um óbvio desejo de hegemonização religiosa do planeta, para maior glória de um deus soturno e nada misericordioso, que veneram. Eles nem sequer escondem ao que vêm. E os “iluministas” acolhem-nos de braços abertos, decididos a serem, por eles, devorados. Já se tem visto e a História, afinal, repete-se.
O fanatismo e a ignorância militante são os maiores inimigos actuais deste pobre planeta. E o bem intencionismo enviesado dos “iluministas” dá à catástrofe uma boa ajuda. 

The Small Measure of Peace

      To be at a certain place or with a certain person for the rest of your days
 and to be at ease with your decision, that contentedness is to have found
 the 'small measure of peace' ,that we can spend our entire lives trying
 to capture but only a few ever truly find. 
 
Hans Zimmer - Small measure of Peace

Chamaram-me Sontinho

Lourenço Marques


José Craveirinha - Depoimento autobiográfico
(Janeiro de 1977)
 
"Nasci a primeira vez em 28 de Maio de 1922. Isto num domingo. Chamaram-me Sontinho, diminutivo de Sonto [que significa domingo em ronga, língua da capital]. Pela parte de minha mãe, claro. Por parte do meu pai fiquei José. Aonde? Na Av. do Zichacha entre o Alto Maé e como quem vai para o Xipamanine. Bairros de quem? Bairros de pobres.
Nasci a segunda vez quando me fizeram descobrir que era mulato...
A seguir fui nascendo à medida das circunstâncias impostas pelos outros.
Quando meu pai foi de vez, tive outro pai: o seu irmão.
E a partir de cada nascimento eu tinha a felicidade de ver um problema a menos e um dilema a mais. Por isso, muito cedo, a terra natal em termos de Pátria e de opção. Quando a minha mãe foi de vez, outra mãe: Moçambique.
A opção por causa do meu pai branco e da minha mãe negra.
Nasci ainda mais uma vez no jornal O Brado Africano. No mesmo em que também nasceram Rui de Noronha e Noémia de Sousa.
Muito desporto marcou-me o corpo e o espírito. Esforço, competição, vitória e derrota, sacrifício até à exaustão. Temperado por tudo isso.
Talvez por causa do meu pai, mais agnóstico do que ateu. Talvez por causa do meu pai, encontrando no Amor a sublimação de tudo. Mesmo da Pátria. Ou antes: principalmente da Pátria. Por causa de minha mãe, só resignação.
Uma luta incessante comigo próprio. Autodidata.
Minha grande aventura: ser pai. Depois, eu casado. Mas casado quando quis. E como quis.
Escrever poemas, o meu refúgio, o meu País também. Uma necessidade angustiosa e urgente de ser cidadão desse País, muitas vezes altas horas da noite."
José Craveirinha, in Antologia da nova poesia moçambicana, org. Fátima Mendonça e Nelson Saúte, AEMO, 1989, pp. VIII-X. 


Xigubo
 
Minha mãe África
meu irmão Zambeze
Culucumba! Culucumba!
Xigubo estremece terra do mato
e negros fundem-se ao sopro da xipalapala
e negrinhos de peitos nus na sua cadência
levantam os braços para o lume da irmã lua
e dançam as danças do tempo da guerra
das velhas tribos da margem do rio.
Ao tantã do tambor
o leopardo traiçoeiro fugiu.
E na noite de assombrações
brilham alucinados de vermelho
os olhos dos homens e brilha ainda
mais o fio azul do aço das catanas.
Dum-dum!
Tantã!
[...]
E as vozes rasgam o silêncio da terra
enquanto os pés batem
enquanto os tambores batem
e enquanto a planície vibra os ecos milenários
aqui outra vez os homens desta terra
dançam as danças do tempo da guerra
das velhas tribos juntas na margem do rio.
José Craveirinha , in Obra Poética I, Edit. Caminho, 1999, p 132

E grito Inhamússua, Mutamba, Massangulo !!!
E torno a gritar Inhamússua, Mutamba, Massangulo !!!
E outros nomes da minha terra
afluem doces e altivos na memória filial
e na exacta pronúncia desnudo-lhes a beleza.
Chulamáti ! Manhoca ! Chinhambanine !
Morrumbala, Namaponda e Namarroi
e o vento a agitar sensualmente as folhas dos canhoeiros
eu grito Angoche, Marrupa, Michafutene e Zóbuè
e apanho as sementes do cutlho e a raiz da txumbula
e mergulho as mãos na terra fresca de Zitundo

José Craveirinha,in Obra Poética I, Edit. Caminho, 1999 , p 100

José Craveirinha

Vida e obra de José Craveirinha
 
"Poeta, ensaísta e jornalista. Nasceu em Lourenço Marques (hoje Maputo), filho de pai branco (algarvio) e de mãe negra (ronga). Sendo o pai um modesto funcionário e, ao tempo da opção, já reformado, José Craveirinha teve de ser sacrificado, ficando pela instrução primária, para que seu irmão mais velho fizesse o liceu. Mas Craveirinha, que então já lia muito, influenciado por seu pai, grande apaixonado de Zola, Victor Hugo e Junqueiro, passa a fazer em casa o curso que o irmão fazia no liceu, acompanhando as lições que este ia tendo. Assim, os seus professores foram-no sem o saber ou sabendo-o só mais tarde. Iniciou a sua actividade jornalística no Brado Africano, mas veio a colaborar depois no Notícias, onde foi também revisor, na Tribuna, no Notícias da Beira, na Voz de Moçambique e no Cooperador de Moçambique. Neste último publicou uma série de artigos ensaísticos sobre folclore moçambicano que constituem uma importante contribuição para o tema. Mas foi na poesia que Craveirinha se revelou como um destacado caso nas letras de língua portuguesa, afirmando-se "a incomensurável distância - o maior poeta africano de expressão portuguesa" (Rui Knopfli). Estrear-se-ia como poeta, também no Brado Africano de Lourenço Marques, em 1955, seguindo-se a publicação de poemas seus no Itinerário da mesma cidade e em jornais e revistas de Angola, Portugal (nomeadamente em Mensagem, da Casa dos Estudantes do Império) e Brasil, principalmente. Figura em todas as antologias de poesia africana de língua portuguesa que desde então se publicaram e também em muitas antologias de poesia africana de todas as línguas. A sua estreia em livro deu-se com Chigubo, editado em Lisboa em 1964 pela Casa dos Estudantes do Império e logo apreendido pela PIDE, que o utilizou como prova nos processos de que foi vítima durante o período em que esteve preso (na célebre cela 1 com Malangatana e Rui Nogar, entre outros, entre 1965 e 1969). Antes, em 1962, uma colectânea de poemas seus com o título de Manifesto obtivera o Prémio Alexandre Dáskalos da Casa dos Estudantes do Império. Obteria depois numerosos prémios em Moçambique, Itália (o Prémio Nacional de Poesia e outros) e Brasil, além do Prémio Lotus da Associação de Escritores Afro-Asiáticos, de cujo júri passou depois a fazer parte. Foi o Prémio Camões de 1991. Está traduzido em várias línguas e é grande a relação de estudos que à sua poesia foram dedicados. Usou também os nomes: Nuno Pessoa, Mário Vieira, J. C., J. Cravo e José Cravo."
Adaptado de Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, Vol. V, Lisboa, 1998.

terça-feira, 24 de outubro de 2023

O que se esconde por detrás do Hamas, do Hezbollah, do Irão et altri

Período do Terror de 1793, em França - ( Revolução Francesa 1789)
 
O que se esconde por detrás do Hamas, do Hezbollah, do Irão et altri
por Eugénio Lisboa
 
From the beginning men used God
to justify the unjustifiable.
Salman Rushdie

Religious fanaticism is the most
dangerous form of insanity.
Robert Graves
 
“Começo, para não haver dúvidas sobre aquilo a que venho, por dizer que condeno com a maior veemência, o comportamento arrogante, brutal e invasivo que Israel tem demonstrado, ao longo dos anos, para com os palestinianos da faixa de Gaza. Mesmo tendo em conta que Israel passou por períodos altamente perigosos, no começo da sua formação, quando foi atacado por todos ou quase todos os Estados árabes da redondeza, o que lhe terá criado um complexo de “excesso de resposta”, este excesso tem ultrapassado todas as linhas vermelhas de uma desejada proporcionalidade. Todavia, também honestamente não devemos esquecer que o HAMAS jamais aceitará a solução dos dois Estados, convivendo pacificamente. Para estes, como fundamentalistas de um Islão inaceitável por gente civilizada, a Palestina é terra islâmica, doada aos palestinianos por Alá e nenhum “infiel” poderá jamais habitá-la. Por outras palavras, os israelitas devem ser escorraçados daquele sagrado solo islâmico. E o HAMAS não é uma excrescência bizarra, no solo palestiniano. É lá aceite e faz parte dos que ali governam: foi eleito. Por outras e bem dolorosas palavras, se os palestinianos merecem toda a solidariedade pelo que têm sofrido e continuam a sofrer, a última coisa que podem dizer é que são vítimas inocentes, porque não são. Quem semeia ventos colhe tempestades. Eles conhecem a fibra de Israel, mas permitem que o HAMAS continue com a sua política de quanto pior, melhor. O HAMAS, aquecido fanático religioso, usa de uma linguagem e de um comportamento de profeta medieval. Não é com guerras sagradas que se resolve, no século XXI, um complexo problema de convivência. Dizia o nunca assaz citado Diderot, um dos pais da Revolução Francesa, que “do fanatismo à barbárie, vai apenas um passo.” O HAMAS já deu esse passo. Aliás, a própria França passou por isso, quando caminhou da Revolução de 1789 para o Terror de 1793. O fanatismo só pode levar à destruição e faz pena ver uma certa esquerda a pôr-se embevecidamente ao lado de fanáticos religiosos, que os devorarão, assim que tiverem oportunidade. Por detrás destes está um país infernal, tirânico, retrógrado e misógino, que a esquerda – uma certa – não gosta de atacar, porque financia os delírios revolucionários de grupelhos mais ou menos genocidas. Dizia o grande Umberto Eco que “as pessoas nunca são tão completamente e entusiasticamente más, como quando agem em nome das suas convicções religiosas.” Ficam aqui estes avisos destinados àqueles que se referem sempre à triste tragédia do povo palestiniano, esquecendo-se de mencionar o HAMAS, como um dos encenadores dessa tragédia. Com Israel, sim. Juntos."
Eugénio Lisboa, 24.10.2023
 
NOTA FINAL: Ser de esquerda não é o mesmo que apoiar fanáticos. O grande homem de esquerda que foi Voltaire escreveu uma peça de teatro intitulada MAOMÉ, cuja leitura recomendo aos “compagnons de route” do HAMAS. Não vai ser fácil encontrar uma edição desta obra. Eu possuo-a numa edição das obras de Voltaire, publicadas ainda em vida do grande escritor.

segunda-feira, 23 de outubro de 2023

Não é com palavras de ódio que se constrói a paz

 
Não é com palavras de ódio que se constrói a paz
por Eugénio Lisboa
 
 
Uma coisa não é necessariamente
verdadeira, só porque morremos por ela.
Oscar Wilde
 
 
“Não há mortos bons e mortos maus. Os mortos são todos iguais e não há uns mais iguais do que os outros. Morrer por uma causa que se julga boa é, como observou Bertrand Russell, uma estupidez, porque podemos estar errados e a causa não ser boa. Só os idiotas e os fanáticos têm certezas. Os filósofos e os homens de ciência costumam ter dúvidas. Quase todos os mortos têm alguém que gostaria de os retrazer à vida. Não se pode chorar um palestiniano morto e não se chorar um israelita morto. Um autor anónimo disse esta coisa belíssima: “Se as lágrimas pudessem construir uma escada e as memórias uma estrada, eu subiria ao céu para te trazer de volta.” Há por certo, pelo menos, um palestino que pensa isto de outro palestino morto e um israelita que pensa isto de outro israelita morto. Diante destes mortos, de um lado e do outro, devemos curvar-nos, em respeito, e não tomar partido. Não dá para se gostar de uns e não se gostar de outros. E também não deve dar para incitar palavras de ódio e não palavras de paz. Não há “infiéis”, há só pessoas que têm visões da vida diferentes. Devemos respeito aos mortos, mas não àqueles que os fizeram morrer, porque estes não souberam encontrar, nem de um lado nem do outro, a linguagem do diálogo e da paz. Nenhum deles tem a razão toda, embora ambos tenham as suas razões. Tentar chegar a uma solução aceitável, por via da guerra é o mesmo que tentar preservar a vida por via da morte. A guerra, como dizia o outro, não dita quem tem razão, dita só quem sobra. E os que sobram encontram-se, regra geral, piores do que estavam, antes de a guerra começar.
As redes sociais andam cheias de uma gritaria frenética, uns a favor dos palestinos (ocultando cuidadosamente as atrocidades do HAMAS), outros a favor dos israelitas (ocultando a opressão ignóbil destes sobre os palestinos e os colonatos impostos, em violação das leis internacionais). Quem não é nem palestino nem israelita devia favorecer a linguagem da aproximação, do diálogo e da paz, em vez de incitar ao ódio, que os leva, quase sem darem por isso, a pisar um chão ensanguentado. Cogito muitas vezes como podem dormir sossegados os fautores de guerras e os imbecis que os seguem, sem um minuto de reflexão. Sabe-se hoje, por força da documentação histórica existente, que a horrível carnificina da Primeira Guerra Mundial poderia ter sido evitada. A Europa poderia estar hoje mais forte e mais feliz. E o nosso património cultural infinitamente mais rico, se alguns dos talentos e génios ali mortos e apodrecidos, tivessem vivido as suas vidas normais.
Toda a guerra é sempre um mal e uma fonte insensata de desperdício. Quem a faz, quem a aplaude e quem a incita comete um inequívoco acto de delinquência, punível ao mais alto nível.”
Eugénio Lisboa, 23.10.2023

Até o lume parece encantado

 
Até o lume parece encantado
por Raul Brandão
“Nas  caladas noites de Inverno, quando despego o olhar dos papéis, encontro sempre os teus que me envolvem de ternura . Isto é quase nada  - e revolve o mundo. É saudade , e a vida que passa e a morte que se aproxima, enquanto o tronco arde  no lume , o pinheiro estala ou o carvalho amorroa. De fora, vem o hálito da floresta e das águas. Mais silêncio… Surpreendo-me então a repetir o meu pensamento, ou é o teu que me acode ao mesmo tempo. Não fales!  Outra figura transparece atrás da tua figura. Nesse momento  até o lume parece encantado e ficas tão linda que antevejo a vida misteriosa que me fascina e deslumbra.  Isto só dura um segundo. Mas basta  às vezes que sorrias e é a tua alma que sorri, basta ás vezes que não fales e é a tua alma que me fala! Nesse momento somos um ser: eu sou tu , tu és eu, tu sorris, eu sorrio… Então cai sobre nós o silêncio  - e eu descubro o que só nos é dado ver depois da morte, a amplidão das almas, seu poder mágico e, num deslumbramento, ao lado da existência pueril, a imensidade do universo e o infinito que nos rodeia e de que perdemos a sensação pelo hábito. A casa que tem raízes de granito, voga no éter arrastada num turbilhão que me mete medo… Alguém nos vai bater à porta … Alguém se aproxima pouco  e pouco num cerco que se aperta e em passos tão leves que mal se ouvem … Rodeia -nos o silêncio vivo,  alma do mundo, o silêncio que é talvez o que mais amo na aldeia, este silêncio perfumado que envolve a nossa casa na solidão tremenda da noite: mais perto de mim arfa alguma coisa de religioso e profundo: - sinto a Vida e a Morte. Sinto—as enquanto a última brasa se apaga e as tuas mãos se agarram às minhas mãos de velho. “
Raul Brandão, in Se tivesse de recomeçar a vida, Livraria Civilização Editora, Porto pp.42, 43
Raul Brandão
Sobre o Autor:
Raul Brandão (1867-1930) nasceu na Foz do Douro e aí passou a infância e a juventude. "Era filho e neto de pescadores. Durante os anos de liceu, começou a interessar-se pela literatura. Frequentou, como ouvinte, o Curso Superior de Letras, ingressando mais tarde na Escola do Exército. Paralelamente a esta carreira - mormente ligada à burocracia militar - Raul Brandão foi jornalista escritor. Em 1896 foi colocado em Guimarães, cidade onde se casou e se instalou definitivamente. Em 1912, depois de se reformar, dedicou-se exclusivamente à escrita, encetando um ciclo de particular fecundidade literária. É o grande modernista português na prosa de ficção. "Húmus", 1917, é considerada a sua melhor obra , aquela que mais legitimamente o situa no plano das obras excepcionais, singulares. Nela se evidencia o peso do drama humano,  encenando a tragédia da luta da «vila» pelo seu «sonho», e utilizando processos de desconjuntamento do tempo narrativo que antecipam o trabalho discursivo da ficção de hoje." “ A Farsa” , " O Padre", "Os Pobres”, " Os Conspiradores", " El Rei Junot", " Os Pescadores" , " As Ilhas desconhecidas", " O Avejão"(Teatro)  são também algumas das suas obras.
Inquirido a propósito da elaboração da sua biografia, Raul Brandão respondeu:" 
Da minha vida não posso acrescentar mais nada, além do que aí está em farrapos nalguns dos meus volumes."