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domingo, 27 de março de 2011

Ao Domingo há Música

A Europa estultificou e com ela o respeito pela independência dos países que a compõem. Ingerência, sobranceria e ousadia soberba vieram pelas vozes de uma precária Chanceler da Alemanha, do pretenso descendente directo de Napoleão Bonaparte e de outros quejandos que para Bruxelas emigraram por via da falta de espaço nos seus países de origem. Agregaram-se e não é que, de estultice em estultice, pretendem governar à distância este ainda nosso país.Regressar ao tempo de Castela, ao reinado dos Filipes,às invasões francesas ou aos tenebrosos sonhos pangermânicos é um execrando exercício e um atentado ao salutar e democrático espírito que deve gerir as relações entre os homens e os Tratados Internacionais.
Ouvir essa gente não faz falta para cumprir Portugal. E porque nesta semana também celebrámos a Poesia e o advento da Primavera ficam as palavras inconfundíveis de David Mourão Ferreira na voz maior de Mariza que apagam quaisquer indesejáveis ruidos predadores.



Primavera


Todo o amor que nos prendera
Como se fora de cera
Se quebrava e desfazia
Ai funesta primavera
Quem me dera, quem nos dera
Ter morrido nesse dia


E condenaram-me a tanto
Viver comigo meu pranto
Viver, viver e sem ti
Vivendo sem no entanto
Eu me esquecer desse encanto
Que nesse dia perdi


Pão duro da solidão
É somente o que nos dão
O que nos dão a comer
Que importa que o coração
Diga que sim ou que não
Se continua a viver


Todo o amor que nos prendera
Se quebrara e desfizera
Em pavor se convertia
Ninguém fale em primavera
Quem me dera, quem nos dera
Ter morrido nesse dia

Composição:
David Mourão-Ferreira e Pedro Rodrigues

quinta-feira, 10 de março de 2011

Mario Vargas Llosa e Dalai Lama


A boa literatura forma cidadãos críticos
A boa literatura é a melhor forma de criar cidadãos críticos que não podem ser manipulados facilmente, afirmou o Prémio Nobel da Literatura 2010, o peruano Mario Vargas Llosa, perante um milhar de estudante de Monterrey, capital do Estado mexicano de Nuevo León.
«Uma sociedade livre, democrática, aspira a ter cidadãos comprometidos com a vida pública», disse Vargas Llosa aos alunos universitários de várias escolas da região.
O escritor acrescentou não haver mais nada mais que «atice os desejos de satisfação que a realidade não pode satisfazer, que a literatura».
Para Vargas Llosa, que está no México para diversas conferências, os leitores de boa literatura são a melhor garantia para que uma sociedade evolua e seja critica.
O escritor também recebe hoje o Prémio Internacional Alfonso Reyes que inclui também um valor pecuniário de 50.000 dólares e que as autoridades mexicanas atribuem a personalidades com uma vasta trajectória no campo das humanidades.
Por ocasião da entrega do prémio, o Instituto Nacional de Belas Artes e a Universidade Autónoma de Nuevo León editam o texto 'Um homem das letras' escrito por Vargas Llosa sobre Alfonso Reyes e que foi publicado pela primeira vez no diário espanhol El País a 20 de Fevereiro de 2005.
Entre os autores que  receberam esta  distinção estão Jorge Luis Borges, Carlos Fuentes, Octavio Paz, Nobel de Literatura 1990 e José Emilio Pacheco.In Lusa/Sol

 “Criamos constantemente a nossa própria infelicidade devido à nossa ignorância e falta de discernimento.”
Dalai Lama

No aniversário da ocupação do Tibete, Dalai Lama anuncia transmissão do poder político
Passam hoje 52 anos sobre rebelião frustrada no Tibete que acabou com o exílio na Índia do Dalai Lama que pretende, agora, ceder o poder tibetano a um representante eleito.Aos 75 anos, o líder disse que não se quer esquivar de responsabilidades.Exilado na Índia, ele garante que pensa em aposentar-se há muito tempo.
O líder espiritual Dalai Lama anunciou nesta quinta-feira (10) a decisão de ceder o poder político formal que ostenta como chefe das autoridades tibetanas no exílio a um representante "livremente eleito".Em comunicado, o Dalai Lama explicou que na próxima sessão do Parlamento, que terá início na segunda-feira (14), proporá "formalmente" uma emenda à Constituição para tornar possível seu desejo de "transferir a autoridade" a um líder eleito.Com 75 anos, o líder espiritual e político dos tibetanos, exilado na Índia, assegurou que a decisão "não tem relação com uma vontade de se esquivar de responsabilidades" e lembrou que vem propondo sua aposentadoria há muito tempo."Desde a década de 1960, manifestei que os tibetanos necessitam de um líder livremente eleito pelo povo tibetano, a quem eu possa delegar o poder. Agora, claramente chegou o momento de pôr isto em prática", expressou o Dalai Lama.O líder negou que isto signifique que se sente "desanimado" e prometeu seguir cumprindo com sua parte na "causa justa do Tibete".No comunicado, o Dalai Lama repassou os poucos avanços nas negociações com a China sobre o futuro do Tibete, para o qual voltou a reivindicar uma "autonomia genuína".Também mencionou a "notável luta não-violenta pela liberdade e a democracia" em vários países do norte da África, em alusão às rebeliões em Tunísia, Egipto e Líbia."Devemos esperar que todas estas mudanças inspiradoras conduzam à liberdade, à felicidade e à prosperidade genuínas dos povos desses países", disse. Apesar de deixar a liderança política, Dalai Lama reforçou que permanece como líder espiritual dos tibetanos
O Dalai Lama teve alguns problemas de saúde nos últimos anos, o que o obrigou a relaxar sua agenda oficial, embora as viagens ao exterior, as reuniões com líderes e os seminários de filosofia e prática budista continuem frequentes.O líder vive em Dharamsala, na Índia, país que acolhe cerca de 130 mil refugiados tibetanos.In IQ
Reacção da China:
Em pronta reacção, a China desvalorizou a decisão do Dalai Lama, avaliando que a decisão do líder tibetano em abandonar o seu papel político não é mais do que um “truque”. “O Dalai Lama tem falado amiúde sobre retirar-se nestes últimos anos. Creio que se trata de um truque para enganar a comunidade internacional”, afirmou o porta-voz do Ministério chinês dos Negócios Estrangeiros, Jian Yu. Este mesmo responsável do regime de Pequim aproveitou para frisar que “o governo [tibetano] no exílio é uma organização política ilegal que nenhum país no mundo inteiro reconhece”. In Jorna l Público”,10/03/2011
Leia mais em: Dalai Lama anuncia transferência do poder político para ...

terça-feira, 8 de março de 2011

As vozes das novas gerações estão no ar

A revolta, a contestação, o protesto são formas de dizer "BASTA". As novas gerações estão a sair para a rua. O silêncio nem sempre traduz conformismo, mas a aceitação é silenciosa e solitária.O futuro não se constrói sem ideais, sem objectivos, sem perspectivas de realização e sobrevivência pessoais. A força de um povo reside na capacidade  de se indignar contra a injustiça, contra o autoritarismo cego, contra a indignidade e de construir, em conjunto, um futuro melhor.  E porque é tempo de o fazer, os jovens aí estão.

Jovens expulsos por interromper discurso de Sócrates
Uma dezena de jovens do movimento "Geração à Rasca" manifestou-se segunda-feira à noite em Viseu, quando o secretário-geral do PS, José Sócrates, discursava sobre a sua moção política ao congresso do partido.José Sócrates apenas tinha tido tempo para fazer os agradecimentos quando os jovens, munidos de um megafone, começaram a dizer: "Chegou a hora de a geração à rasca falar, isto é pacífico, só queremos falar".
Os jovens foram colocados na rua pela segurança, queixando-se de terem sido agredidos. "Eu fiz questão de dizer que era pacífico, mas fomos corridos a empurrões e houve uma rapariga que levou um pontapé", lamentou aos jornalistas Paulo Agante, do movimento, que agendou para sábado uma manifestação anti-Governo.
Enquanto os jovens eram expulsos do salão onde decorria o jantar, os participantes gritavam PS. "Se me permitem, camaradas, eu gostaria de fazer um convite às pessoas que agora entraram para jantar connosco, não temos nenhum problema nisso. Somos um partido da tolerância, estamos no Carnaval e a verdade é que no Carnaval ninguém leva a mal", interrompeu-os José Sócrates.
Paulo Agante explicou aos jornalistas que ele e os colegas pagaram para entrar no jantar, durante o qual pretendiam manifestar ao primeiro-ministro o descontentamento que sentem por estarem desempregados e haver muitos jovens a trabalharem de forma precária. "Peço desculpa não ter aceite o jantar, mas já estávamos cá fora a levar pontapés e empurrões e foi mesmo impossível", ironizou. O jovem criticou ainda José Sócrates por ter dito que o PS é um partido de tolerância: "Só queríamos expor a nossa palavra, ter um espaço onde pudéssemos falar, já que ninguém nos ouve, e iríamos sair pacificamente. Ninguém teria de nos expulsar, mas, enquanto estávamos a ser expulsos a empurrões e nos partiam o material, estava o primeiro-ministro a rir-se", criticou Paulo Agante.
Os jovens queixam-se ainda de lhes ter sido retirada a faixa que levavam, com a inscrição "Fim às políticas rascas" e "619 mil amigos gostam disto", numa alusão ao número de desempregados portugueses
"Enquanto nós estávamos a ser empurrados e pontapeados, eu não tirei os olhos dele, ele estava com um sorriso de satisfação na cara".
Lusa,in DN 8/03/2011

E Portugal continua em queda. A pobreza, a miséria  substituem "o estado social".

Em apenas um ano, os serviços da Segurança Social deixaram de pagar o Rendimento Social de Inserção (RSI) a quase 75 mil pessoas e a mais de 29 mil famílias.
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