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segunda-feira, 23 de maio de 2011

As intempéries naturais e eleitorais

Espaço aéreo islandês encerrado por fumo e cinzas do vulcão Grimsvotn
O espaço aéreo islandês foi temporariamente encerrado na manhã de ontem devido à erupção do vulcão Grimsvotn, o mais activo da Islândia, anunciou a autoridade aeroportuária daquele país.
Os principais aeroportos internacionais da Islândia foram encerrados ontem às 08:30 locais (09:30 em Lisboa) devido a nuvem de cinzas e fumo que já atinge uma altitude de mais 15 quilómetros.
O encerramento do espaço aéreo islandês deverá continuar em vigor "pelo menos nas próximas horas", anunciou a porta-voz da autoridade aeroportuária islandesa (ISAVIA), Hjordis Gudmundsdottir, citada pelas agências.
De acordo com esta responsável, será feito um novo ponto de situação as 12:00 locais (mais uma hora em Lisboa).
Apesar do encerramento do espaço aéreo islandês, a ISAVIA e cientistas acreditam que a erupção do Grimsvotn não irá provocar o caos nos transportes aéreos tal como aconteceu em 2010 com as erupções do Eyjafjallajokul.
A nuvem de cinzas e fumo já cobre uma boa parte da Islândia, mas não se dirige à Europa, explicou Hjordis Gudmundsdottir.
Relatos de residentes na zona do vulcão descrevem colunas de fumo que podem ser vistas de vários locais da região sul da Islândia, e o Instituto Meteorológico local já confirmou a atividade do vulcão.
Localizado no glaciar Vatnajokull, o vulcão Grimsvotn registou as maiores erupções em 1922, 1933, 1934, 1938, 1945, 1954, 1983, 1998 e em 2004, sendo que a maioria das erupções prolongou-se entre uma e três semanas.
No ano passado, a nuvem de fumo e cinzas do vulcão Eyjafjallajokul levou ao encerramento do espaço aéreo europeu durante cinco dias e afectou milhões de passageiros.Lusa


PS faz desaparecer imigrantes da campanha depois do escândalo
As dezenas de imigrantes paquistaneses e indianos que têm agitado bandeiras, dado apertos de mão ao secretário-geral do Partido Socialista nos últimos dias e enchido salas de comício não compareceram ontem na campanha do PS em Campo Maior. A direcção de campanha garantiu ao i que se trata de uma "estrutura voluntária que não é controlada" e que poderá não voltar a aparecer. O desaparecimento destes apoiantes -comerciantes do Martim Moniz, em Lisboa, e trabalhadores da construção civil que estiveram com José Sócrates em Beja, Coimbra e no comício de Évora de sábado - acontece depois de os órgãos de comunicação social, atraídos pelos turbantes, terem começado a fazer perguntas.
"Sócrates é muito boa pessoa, tratou de dar nacionalidade, tratou de tudo", disse ao i um dos indianos presentes no comício de Sábado em Évora, onde foram poucos os alentejanos a encher a sala e visível a população de turbantes. A campanha garante que os imigrantes "se ofereceram em Lisboa como voluntários para acompanhar a comitiva socialista". Ainda assim, há entre os viajantes casos de fome e garantias de que a presença nos comícios é trocada pela certeza de uma refeição quente.
Ontem, o tema foi abordado indirectamente pelo candidato centrista. "Não é preciso trazer gente de fora, nem em transporte colectivo organizado pelo partido. A gente está aqui porque quer e porque está a pensar seriamente votar CDS", afirmou Paulo Portas em Ponte Lima. Nas redes sociais, também houve ecos. Nogueira Leite, conselheiro económico do PSD, ironizou, dizendo que o alegado apoio dos imigrantes nos comícios socialistas em troca de refeições era um exemplo do Estado social que Sócrates defendia.
Publicitado o caso, desapareceram, primeiro, alguns turbantes - substituídos por chapéus de campanha do PS. Depois, sumiram-se os imigrantes, muitos que mal articulavam uma palavra em português e que não podiam votar nas eleições legislativas de 5 de Junho por não terem nacionalidade portuguesa. A duvida fica: se foram transportados de Lisboa para o Alentejo no autocarro socialista como é que regressaram a casa?
Nos últimos dias, José Sócrates tem tentado encostar o PSD à direita, numa tentativa de captar votos ao centro. Uma estratégia seguida desde o início da campanha oficial. O secretário-geral socialista agitou o fantasma do regresso aos tempos da ditadura, se o PSD vencer as eleições. "O que ele querem é que haja uma educação para pobres e outra para ricos como havia antes do 25 de Abril", disse o candidato em Elvas, depois de já ter dito em Ourém que o país "teve uma ditadura que nunca apostou na educação", reservada nesses tempos "às elites".
A intenção dos socialistas é a de distanciar o projecto de Passos Coelho da social-democracia e colá-lo o mais possível à direita. Nas muitas referências feitas ao PSD nos primeiros dois dias de campanha, Sócrates critica o projecto de revisão constitucional e as alterações que o programa de Passos preconiza para o Estado social. "O modelo social europeu não é só património dos socialistas, é também dos social-democratas e da doutrina social da igreja católica", afirmou Sócrates, num almoço, no sábado, em Ourém, acusando Passos Coelho de ter "um preconceito social".
O discurso do PS não foge muito do guião definido para esta campanha e passa essencialmente por ataques ao PSD e pela defesa do Estado social, principalmente em áreas como a educação a saúde e o trabalho. "Lutaremos contra o aventureirismo privatizador da direita nas funções sociais do Estado", disse Pedro Marques, cabeça-de-lista por Portalegre, em Elvas.
Os ataques a Passos Coelho não são só feitos pelo secretário-geral do PS e vários socialistas têm realçado o facto de o presidente do PSD não ter experiência de governo. "Não tem experiência, nem equipa", disse o ministro da Agricultura, António Serrano, num almoço em Ourém no Sábado. Umas horas depois em Évora foi Capoulas Santos a acusar Passos Coelho de ter enviado o seu "putativo ministro das Finanças para o exílio no Brasil". Em declarações ao i, o ex-director de campanha de Sócrates para a liderança do PS disse que Catroga "tem muito poucas condições" para integrar um governo de coligação, se o PS vencer as eleições e fizer uma aliança com os sociais-democratas, e classificou como "um susto" a "entourage" de Passos Coelho.
A presença de Sócrates nas arruadas é contida e o PS aposta sobretudo nos almoços e nos comícios ao fim do dia. Em Campo Maior - terra com uma forte influência do comendador Rui Nabeiro, dono da Delta Cafés - o PS conseguiu, até agora, a melhor arruada. Os imigrantes indianos e paquistaneses foram substituídos ontem na rua pelos trabalhadores das empresas do grande magnata do café - o principal empregador da região. O secretário-geral do PS não tem escapado a algumas críticas dos populares, que se insurgem contra a situação a que o país chegou e, como dizia um habitante de Évora, contra "os luxos gastos em campanha". Os socialistas já garantiram que vão gastar menos do que o habitual, mas não abdicaram - como os partidos de direita - dos outdoors, embora só tenham colocado um cartaz em cada distrito. Jornal I

segunda-feira, 7 de março de 2011

Assim vai Portugal

"Homens da Luta" vencem o Festival da Canção 2011.A canção vencedora," A luta é uma alegria", tem letra de Jel e música de Vasco Duarte e vai representar a RTP no Festival da Eurovisão 2011 na cidade de Dusseldorf, na Alemanha, em Maio. 
Portugal está imerso numa crise incompreensível  que sucessivamente  está a fazer explodir  diversas manifestações de contestação.O regresso da  canção de intervenção é já uma nova arma de combate e de resistência.



Geração Desenrasca


Cartoon Rodrigo, Jornal "Expresso"

Oscar da melhor execução orçamental

Cartoon Rodrigo, Jornal "Expresso"




quarta-feira, 2 de março de 2011

Os novos dias de ira

"Sócrates vs Merkel Poucos dias antes da reunião entre os líderes da zona euro, José Sócrates irá encontrar-se com Merkel para discutir soluções para a resolução da crise da dívida.
Este encontro colocará frente a frente duas posições opostas. Portugal defende que o fundo europeu seja utilizado de forma mais flexível, nomeadamente na compra de obrigações soberanas, enquanto vários responsáveis alemães já se manifestaram contra essa estratégia. Na semana passada, o governo alemão apoiou a proposta dos grupos parlamentares de centro-direita para proibir a compra de obrigações pelo fundo de resgate europeu.
(...)Apesar de Lisboa garantir que o convite partiu de Berlim, a mesma fonte da Comissão Europeia desconfia que a iniciativa pode ter partido de Portugal. "A diplomacia alemã não costuma funcionar assim, chamando outros líderes a Berlim. Parece-me mais um exercício de relações públicas para favorecer Portugal. Além disso, duvido que, depois da derrota eleitoral que Merkel sofreu, a chanceler se apresente favorável às propostas portuguesas, bastante impopulares na Alemanha." in  Jornal i ,Filipa Martins

Nota:Todos estes acontecimentos que se sucedem no nosso país fazem ressurgir uma voz forte da nossa Literatura , Guerra Junqueiro. No seu tempo dissecou a realidade nacional e exortou à  insurgência contra o autoritarismo. Por isso , um dia Guerra Junqueiro diria para o seu amigo Luis de Oliveira Guimarães " Os poetas consideram-me um político; os católicos julgam-me um ímpio; os ateus, um crente." (1).
 Se num exercício simples e quase rudimentar tentarmos substituir algumas referências nomeadamente a que designa o  Rei, as palavras  de  Guerra Junqueiro ganham plena actualidade nestes dias de ira contida. Estas que vamos transcrever  surgiram  na sequência do Ultimatum inglês :
"O estado é o rei. Cidadão há um único: D. Carlos. Os deveres são nossos, os direitos, dele. Estrangula-me as ideias, arromba-me a gaveta, ou corta-me o pescoço, conforme o queira. A justiça é um relógio que ele atrasa, adianta ou faz parar, segundo lhe dá na vontade. Decreta a lei e nomeia o juiz. O parlamento é o seu capricho" (2)
"Liberdade absoluta, neutralizada por uma desigualdade revoltante, o direito garantido virtualmente na lei, posto, de facto, à mercê dum compadrio de batoteiros, sendo vedado, ainda aos mais orgulhosos e mais fortes, abrir caminho nesta porcaria, sem recorrer à influência tirânica e degradante de qualquer dos bandos partidários".
(1) Luís de Oliveira Guimarães, Junqueiro e o Bric-à-Brac, Lisboa, 1942
(2)Guerra Junqueiro, "Anotações (Balanço Patriótico)", in Pátria, 7ª edição, Porto, Lello & Irmão – Editores, 1950

terça-feira, 1 de março de 2011

No 1º dia de Março

Começa o mês de  Março com o redesenho da lúgubre palavra AUSTERIDADE. Impressa há muito no mapa linguístico português, ela persegue-nos ciclica e endemicamente. Substantiva e concreta desfaz-se em medidas que se sucedem indefinidamente sem que sejamos capazes de compreender o por quê e menos ainda o para quê . Avulsas para quem as dita, os nossos indefectíveis governantes, mas sistemáticas para quem as sofre, nós o povo, elas são sempre anunciadas como sendo as últimas e as adequadas ao sucesso, à reposição da Economia Nacional.
A miserabilidade que se vai instalando neste país decorre de uma repetida metodologia incoerente que o Presidente do Conselho apregoa como estratégia inteligente, eficaz e oportuna. O esforço, que desassombradamente reitera ao extrapolar para o estado crísico nacional a situação  europeia e  mundial,   é um exercício que nem um aprendiz de feiticeiro tenta  ensaiar.
Ancorados neste país mortificado por estes governantes de cartola emprestada, somos continuadamente sacudidos pelos maléficos malabarismos que vão improvisando.
Que novas medidas nos lançarão ainda ? Que dias nos esperam? Que resistência e que resiliência daí virão?
"Ah, meu pobre, pobre Portugal."