quinta-feira, 8 de março de 2018

De ontem para hoje: Dia da Mulher

7.03. 2018

Hoje é o dia  da minha  neta Charlotte. Faz seis anos. É a menina da família. Até ela nascer, movia-me num mundo de homens: dois filhos e três netos. Nunca me incomodei com essa circunstância. Creio, até, que tenho um lado muito compatível com o género masculino. Sempre tive grandes e fiéis amigos e excelentes alunos, todos eles homens.  Manter um bom debate com homens inteligentes que saibam combater, em paridade, apenas com argumentos válidos, foi e continua a ser um excelente desafio. A sobranceria nunca a encarei como masculina, mas antes própria dos néscios de qualquer sexo.
Mas a Charlotte chegou e foi um raiar de luz. Linda  e rabina, veio desassossegar a organização estabelecida pelos rapazes. De princípio, acharam-lhe graça até que a irrequietude de menina começou a exasperá-los. E assim se têm passado os dias entre eles: da paz carinhosa à guerra declarada.
Esperta e uma excelente  negociadora, sabe fazer uma oportuna trégua  a fim de reaver o estatuto de neta e prima única.
Comigo, o milagre aconteceu. A menina que nunca me fez falta , chegou sem instruções e com adjectivos novos que me cativaram ao primeiro olhar. Obrigou-me a procurar adornos, vestidos e todo um complemento de objectos que jamais comprara para a prole que me compunha. Nos primeiros tempos, foi um esbanjamento a toda a linha. Creio que adquiri tudo aquilo que nunca pude comprar e que enchia as montras das lojas infantis.Desde os vestidos de diversos tamanhos e feitios, às blusas e saias, aos laçarotes e sapatinhos de verniz, nada foi ficando para trás. A Charlotte fez emergir a minha veia consumista que desconhecia. Ainda hoje me perco, quando vou às compras para ela ou com ela.
Nem sei se sou uma avó vaidosa , daquelas que contribuíram para   o célebre cliché de avó. Não me interessa. A Charlotte é loirinha, de olhos azuis como o firmamento, em dia de muita luminosidade. Branquinha e harmoniosa, tem os gestos dóceis e  elegantes que  as lições de ballet lhe acentuaram. Quando se zanga ou lança o lado mais incontrolado, grita, corre e esmurra se necessário. Pedala, nada, patina e sobe às árvores com uma destreza notável. Concorre com os primos,  em qualquer situação. É, porém, a menina que veio alterar a paz masculina. É a minha única menina.
E isso trouxe-me uma felicidade indizível.

3 comentários:

  1. Parabéns para a Charlotte e para os avós babados.

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  2. Querida amiga Maria José, está carta é o major elogio que se pode fazer a uma neta! Parabéns Charlotte!

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  3. Parabéns à Charlotte, que ainda não conheço. Comigo é ao contrário, 5 netas e um neto. Beijinhos para a Charlotte.

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