domingo, 25 de junho de 2017

Ao Domingo Há Música

"ENCANTAMENTO é nisso precisamente que reside um dos elementos de sedução da música: ela representa a perfeição de uma maneira suficientemente fluida e ligeira para podermos prescindir do esforço."
                                       Albert Camus, in "Escritos de Juventude" 


Num tempo de algum desencanto, retomar obras que nos encantaram é talvez um caminho para celebrar a vida. 
Polovtsian Dances with Chorus  de  "Prince Igor", de Alexander Borodin, pelo USSR Radio Large Chor/Klavdi Ptitsa e a USSR Symphony Orchestra, sob a direcção do Maestro Svetlanov.


Sobre a obra 
"Químico de reputação internacional, Alexander Borodin (São Petersburgo, 12 de Novembro de 1833 — 27 de Fevereiro de 1887) é hoje mais conhecido como compositor, apesar desta actividade ter sido afectada pela sua carreira académica. Deixou por isso várias obras inacabadas, entre as quais a ópera O Príncipe Igor, embora  se tenha dedicado à sua composição durante 18 anos. Após a sua morte, a obra foi completada e parte da sua orquestração terminada por Glazunov e por Rimski-Korsakoff, sendo estreada em 1890. O libreto foi adaptado pelo compositor a partir de uma epopeia do séc. XII (cuja autenticidade não tem reunido consenso no meio académico) – Canção da Campanha de Igor – que relata as lutas entre um príncipe russo e um povo nómada de origem turca denominado polovtsianos.
As Danças Polovtsianas são uma das secções mais conhecidas de O Príncipe Igor, e encerram o 2º acto. A composição desta secção terá decorrido durante o Verão de 1875, e foram estreadas isoladamente em 1879. As Danças ocorrem num momento da ópera em que o protagonista, o Príncipe Igor, está preso no acampamento do chefe dos polovtsianos, Khan Kontchak, que o presenteia com um espectáculo em admiração pela sua valentia. O filho de Igor, Vladimir, também prisioneiro, está enamorado da filha de Kontchak, e este sentimento está subjacente ao cariz sensual da música desta secção. O ondular das melodias, o uso de instrumentos de sopro e a utilização de cromatismos realçam esta sensualidade e conferem-lhe um apelo particular, que poderá ter levado à sua adaptação na canção “Stranger in Paradise”, do musical de sucesso da Broadway Kismet (1953). Na ópera, as Danças incluem intervenções corais, que costumam ser omitidas em versão de concerto.
Na curta introdução, que acompanha a entrada em palco dos escravos polovtsianos e da corte de Kontchak, apontamentos solísticos nos instrumentos de sopro dão lugar à apresentação de um dos temas mais conhecidos  destas Danças pelo corne inglês: é a Dança das Raparigas de ‘movimentos ondulantes’, conforme descrição da partitura. A Dança dos Homens, caracterizada como ‘selvagem’ na partitura, também com solos de instrumentos de sopro, termina numa breve pausa, seguindo-se a Dança Geral e a Dança dos Rapazes. Todas estas secções vão sendo depois alternadas e revisitadas, num crescendo de energia que desemboca no clímax final."

sábado, 24 de junho de 2017

As grutas

Ponta da Piedade, Lagos, Algarve
As Grutas
"O esplendor poisava solene sobre o mar. E — entre as duas pedras erguidas numa relação tão justa que é talvez ali o lugar da Balança onde o equilíbrio do homem com as coisas é medido — quase me cega a perfeição como um sol olhado de frente. Mas logo as águas verdes em sua transparência me diluem e eu mergulho tocando o silêncio azul e rápido dos peixes. Porém a beleza não é só solene mas também inumerável. De forma em forma vejo o mundo nascer e ser criado. Um grande rascasso vermelho passa em frente de mim que nunca antes o imaginara. Limpa, a luz recorta promontórios e rochedos. E tudo igual a um sonho extremamente lúcido e acordado. Sem dúvida um novo mundo nos pede novas palavras, porém é tão grande o silêncio e tão clara a transparência que eu muda encosto a minha cara na superficie das águas lisas como um chão.
As imagens atravessam os meus olhos e caminham para além de mim. Talvez eu vá ficando igual à almadiIha da qual os pescadores dizem ser apenas água.
Estarão as coisas deslumbradas de ser elas? Quem me trouxe finalmente a este lugar? Ressoa a vaga no interior da gruta rouca e a maré retirando deixou redondo e doirado o quarto de areia e pedra. No centro da manhã, no centro do círculo do ar e do mar, no alto do penedo, no alto da coluna está poisada a rola branca do mar. Desertas surgem as pequenas praias.
Um fio invisível de deslumbrado espanto me guia de gruta em gruta. Eis o mar e a luz vistos por dentro. Terror de penetrar na habitação secreta da beleza, terror de ver o que nem em sonhos eu ousara ver, terror de olhar de frente as imagens mais interiores a mim do que o meu próprio pensamento. Deslizam os meus ombros cercados de água e plantas roxas. Atravesso gargantas de pedra e a arquitectura do labirinto paira roída sobre o verde. Colunas de sombra e luz suportam céu e terra. As anémonas rodeiam a grande sala de água onde os meus dedos tocam a areia rosada do fundo. E abro bem os olhos no silêncio líquido e verde onde rápidos, rápidos fogem de mim os peixes. Arcos e rosáceas suportam e desenham a claridade dos espaços matutinos. Os palácios do rei do mar escorrem luz e água. Esta manhã é igual ao princípio do mundo e aqui eu venho ver o que jamais se viu.
O meu olhar tornou-se liso como um vidro. Sirvo para que as coisas se vejam.
E eis que entro na gruta mais interior e mais cavada. Sombrias e azuis são águas e paredes. Eu quereria poisar como uma rosa sobre o mar o meu amor neste silêncio. Quereria que o contivesse para sempre o círculo de espanto e de medusas. Aqui um líquido sol fosforescente e verde irrompe dos abismos e surge em suas portas.
Mas já no mar exterior a luz rodeia a Balança. A linha das águas é lisa e limpa como um vidro. O azul recorta os promontórios aureolados de glória matinal. Tudo está vestido de solenidade e de nudez. Ali eu quereria chorar de gratidão com a cara encostada contra as pedras."
Sophia de Mello Breyner Andersen, in Livro Sexto, 1962, Ed. Caminho
Lagos, Algarve

sexta-feira, 23 de junho de 2017

quinta-feira, 22 de junho de 2017

A voz do Mar

A voz do Mar
"O Artur sentiu sobre a orelha uma coisa muito fria, com um som...
- O que é, mãe?
- Não ouves?
Sim, ouvia. Era um som pesado lá ao longe e que depois vinha, vinha e subia, e que depois se tornava mais brandinho, para logo voltar a vir de longe. Parecia música, mas não era bem música. E talvez fosse. Bom, não seria bem música.
- O que é, mãe? - voltou a perguntar. - Que barulho é este?
- É o mar... É a voz do mar...
- A voz do mar?!
- O mar fica longe, mas a voz meteu-se aí dentro. Isto é um búzio.
- E onde nascem os búzios?
- No mar.
-Então é por isso que se ouve...
- Pois é. As ondas fazem um barulho assim quando se ouvem ao longe. E a gente está longe. Não ouves a voz que lá vem?
- Oiço.
- E depois quebra-se assim como as ondas na areia.
- Então isto é o mar? O mar é o oceano. No mapa chamam-lhe oceano. Parece que há vários... . Eu já ouvi aos que andam no quarto ano: é o Oceano Atlântico, o Oceano Índico...
- Não achas que mar é mais bonito?
- Pois é, mar é muito mais bonito.
De repente, fechou os olhos e juntou as duas mãos sobre o búzio, apertando-o contra o ouvido.
- Agora deve ser um navio que lá vem. É mesmo, é, é um navio...
A mãe aproximou o ouvido, desviando o lenço.
- Não ouves?
Não, a mãe não ouvia. Mas o importante para ele era ter o mar apertado entre as mãos. Lá vinha uma onda... e outra."
Alves Redol, in Histórias Afluentes, Publicações Europa América

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Um dia de Sol

A DAY OF SUN

I love the things that children love
Yet with a comprehension deep
That lifts my pining soul above
Those in which life as yet doth sleep.

All things that simple are and bright,
Unnoticed unto keen‑worn wit,
With a child's natural delight
That makes me proudly weep at it.

I love the sun with personal glee,
The air as if I could embrace
Its wideness with my soul and be
A drunkard by expense of gaze.

I love the heavens with a joy
That makes me wonder at my soul,
It is a pleasure nought can cloy,
A thrilling I cannot control.

So stretched out here let me lie
Before the sun that soaks me up,
And let me gloriously die
Drinking too deep of living's cup;

Be swallowed of the sun and spread
Over the infinite expanse,
Dissolved, like a drop of dew dead
Lost in a super‑normal trance;

Lost in impersonal consciousness
And mingling in all life become
A selfless part of Force and Stress
And have a universal home;

And in a strange way undefined
Lose in the one and living Whole
The limit that I call my mind,
The bounded thing I call my soul.
Alexander Search
17.III.1908



"Alexander Search, banda criada pelo pianista Júlio Resende conta com o vencedor do Festival da Eurovisão, Salvador Sobral, como vocalista. “A Day of Sun” é a canção  apresentada .
O reportório que será editado em álbum é baseado na poesia de Fernando Pessoa, escrita em inglês durante a permanência do poeta e escritor na África do Sul nos tempos de adolescência e assinada, principalmente, pelo heterónimo Alexander Search.
Tanto Resende como Sobral, bem como os restantes elementos da banda, adoptam personagens fictícias que representam os vários heterónimos ingleses de Fernando Pessoa. Augustus Search (composição, direcção musical, piano e teclados), Benjamin Cymbra (voz), Marvel K. (guitarra), Sgt. William Byng (electrónica) e Mr. Tagus (bateria) são os cinco elementos dos Alexander Search.
Alexander Search é uma banda de língua inglesa que cresceu na África do Sul, mas que está radicada na Europa, mais concretamente Portugal, "paraíso à beira mar plantado" como dizia o seu maior poeta, Fernando Pessoa. A sua música mistura influências da indie-pop, música electrónica e rock. As letras foram escritas maioritariamente por Alexander Search, membro da banda que morreu tragicamente ainda jovem, mas que granjeia o respeito e admiração dos seus pares como "the greatest conquerer of the beauty of words", o maior conquistador da beleza das palavras.
Augustus Search é o compositor de serviço da banda, toca piano e sintetizadores e faz a direcção musical. Benjamin Cymbra é um cantor extraordinário e traz na sua voz a garra rock n'roll do passado e as angústias e esperanças do presente. O futuro "é a possibilidade de tudo", dizia também Pessoa.
Sgt. William Byng comanda a vertente computacional e electrónica. Marvel K. tem uma guitarrada cortante e espacial. E Mr. Tagus, ex-baterista de jazz, ainda tem na música e 'groove' de África uma das suas maiores riquezas.
Alexander Search é uma banda que gosta de ousar, impaciente, à procura, sempre à procura, da quintessência. Nunca o conseguiu. Este é o disco de mais uma tentativa falhada."
Benjamin Cymbra - Voice
Augustus Search - Keyboards and Piano
Sgt. William Byng - Electronics
Mr. Tagus - Drums
Marvell K. - Electric Guitar

terça-feira, 20 de junho de 2017

Um abraço de afago

Resultado de imagem para Imagens de paisagens queimadas
Perdi a minha família. 
Como é que uma avó vai ao funeral das netas?!
Não são frases que se escutam é a dor que nos chega. A dor daqueles que ficaram e se enxergam  em pungente sofrimento.
As imagens dos incêndios, que se sucedem,  mostram uma devastação chocante: o domínio do negrume, das cinzas e do silêncio que preenche o vazio, a ausência de vida.
Imagens semelhantes já nos foram mostradas, ao longo dos anos. Repetem-se sem que alguém as risque definitivamente. É a inoperância, a passividade de quem tem poder, a incompreensível agitação climática ou/e a difícil e nem sempre eficiente  gestão de recursos?
Mas a dor,  meu Deus, a dor não pode repetir-se incessantemente. E esta atingiu  o limiar do desespero. Morrer entre fogos. Haverá morte mais dolorosa? Não sei. Mas morreram muitos e isso não pode nunca mais repetir-se.
Aos que ficaram e se questionam por que sobreviveram  sem todos aqueles que lhe eram família ou entes próximos não há explicação que se baste. Há , isso sim, um dorido  e longo abraço de afago de quem se sente solidário e em estupefacta desolação.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Para ler em francês


Littérature française
L’homme qui s’envola
Antoine
Bello
L’homme
qui s’envola
Walker a tout pour
être heureux. Il dirige
une florissante entreprise
au Nouveau-Mexique…
(lire la suite)
Les vivants au prix des morts
René
Frégni
Les vivants au prix des morts
Lorsque le douzième coup de midi tombe du clocher des Accoules, un peu plus bas, sur les quais du Vieux-Port, les poissonnières se mettent à crier : « Les vivants au prix des morts ! » … (lire la suite)
Belle d’amour
Entretien
avec l’auteur
Franz-Olivier
Giesbert
Belle d’amour
Experte en amour, pâtisseries et chansons de troubadour, Tiphanie dite Belle d’amour a été l’une des suivantes de Saint Louis… (lire la suite)
De la bombe
Entretien
avec l’auteur
Clarisse
Gorokhoff
De la bombe
Dans un luxueux hôtel d’Istanbul, Ophélie a posé une bombe. Une bombe, elle rêve aussi d’en être une aux yeux de Sinan… (lire la suite)
Retourner à la mer
Raphaël
Haroche
Retourner à la mer
Un colosse, vigile dans les salles de concert, et une strip-teaseuse, au ventre couturé de cicatrices, partagent une histoire d’amour… (lire la suite)
Ma mère, cette inconnue
Entretien
avec l’auteur
Philippe
Labro
Ma mère,
cette inconnue
« Netka, il y a du slave dans ce nom qui sonne clair. Elle a cinquante pour cent de sang polonais dans ses veines…
(lire la suite)
Croire au merveilleux
Entretien
avec l’auteur
Christophe
Ono-dit-Biot
Croire au merveilleux
César a décidé de mourir. Mais une jeune femme sonne à sa porte et contrarie ses plans… (lire la suite)
Le cas Malaussène
Entretien
avec l’auteur
Daniel
Pennac
Le cas Malaussène
« Ma plus jeune soeur Verdun est née toute hurlante dans La Fée Carabine, mon neveu C’Est Un Ange est né orphelin dans La petite marchande de prose(lire la suite)
Le tour du monde du roi Zibeline
Entretien
avec l’auteur
Jean-Christophe
Rufin
Le tour du monde du roi Zibeline
Comment un jeune noble né en Europe centrale, contemporain de Voltaire et de Casanova, va se retrouver en Sibérie puis en Chine, pour devenir finalement roi de Madagascar…
(lire la suite)
Littérature étrangère
Les filles au lion
Jessie
Burton
Les filles au lion
En 1967, cela fait déjà quelques années qu’Odelle, originaire des Caraïbes, vit à Londres.
Elle travaille dans un magasin de chaussures mais elle s’y ennuie, et rêve de devenir écrivain… (lire la suite)
La nature exposée
Erri
De Luca
La nature exposée
Dans un petit village au pied de la montagne, un homme, grand connaisseur des routes qui permettent de franchir la frontière, ajoute une activité de passeur pour les clandestins à son métier de sculpteur…
(lire la suite)
Celle qui fuit et celle qui reste
Elena
Ferrante
Celle qui fuit
et celle qui reste
Après L’amie prodigieuse et Le nouveau nom, Celle qui fuit et celle qui reste est la suite de la formidable saga… (lire la suite)
Ailleurs
Dario
Franceschini
Ailleurs
Quand le notaire Ippolito dalla Libera comprend que ses jours sont comptés, il appelle au chevet du grand lit où il vit depuis des années, son fils unique, Iacopo, et lui révèle le secret de sa vie… (lire la suite)
Le vieil homme et la mer
Ernest
Hemingway
Le vieil homme
et la mer
À Cuba, voilà quatre-vingt-quatre jours que le vieux Santiago rentre bredouille
de la pêche, ses filets désespérément vides…
(lire la suite)
Dans une coque de noix
Ian
McEwan
Dans une coque
de noix
« À l’étroit dans le ventre de ma mère, alors qu’il ne reste plus que quelques semaines avant mon entrée dans le monde, je veille. J’entends tout. Un complot se trame…
(lire la suite)
À la mesure de l’univers
Jón Kalman
Stefánsson
À la mesure
de l’univers
Ari rentre en Islande après
avoir reçu une lettre de son
père lui annonçant son décès imminent… (lire la suite)
Le dimanche des mères
Graham
Swift
Le dimanche
des mères
Angleterre, 30 mars 1924. Comme chaque année, les aristocrates donnent congé à leurs domestiques pour qu’ils aillent rendre visite à leur mère le temps d’un dimanche…
(lire la suite)
Les douze balles dans la peau de Samuel Hawley
Hannah
Tinti
Les douze balles dans la peau de Samuel Hawley
Samuel Hawley n’est pas un père tout à fait comme les autres. C’est un marginal, un esprit libre qui a vécu sur la route pendant des années… (lire la suite)
Aux Cinq Rues, Lima
Mario
Vargas Llosa
Aux Cinq Rues, Lima
Le carrefour des Cinq Rues, qui donne son nom à l’un des quartiers les plus fréquentés de Lima, est ici le décor d’une brillante comédie de moeurs… (lire la suite)


Nouveautés
« Un roman ultrasensible et mélancolique qui réaffirme le pouvoir et les limites de la fiction. » Élisabeth Philippe, Les Inrockuptibles

« On n'arrive plus à lâcher ce livre qui vous colle aux mains, à la tête. » Patrick Williams, Elle

PRIX LIVRE INTER 2016
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Dans une ambivalente oscillation entre le roman et l'autobiographie, La faille explore avec une précision clinique les blessures d'une galerie de personnages d'une magnifique opacité. Au-delà d'une étude...
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#PDLFolio : La première édition du Prix des Lycéens Folio a réuni 556 établissements et recueilli près de 5000 votes. L’orangeraie de #LarryTremblay remporte le prix !

Larry Tremblay a reçu hier son prix des mains de David Foenkinos, parrain de l’édition 2016-2017, en présence de 80 professeurs et élèves participants.

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Retrouvez-le dans les librairies participantes à l'opération de l'été (2 Folio achetés = un cadeau offert) ! Qui ? Notre totebag de l'été avec sa citation d'#Hemingway bien sûr ! Saurez-vous comment le remplir ? Attention toutes nos nouveautés ne rentreront pas en même temps dans le sac ! #LireEnFolio
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24 mai 2017
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