quinta-feira, 16 de fevereiro de 2023

O poeta é um mentiroso

O poeta é um grande mentiroso,
dizia-o um poeta francês,
mas, como era muito cauteloso,
logo acrescentava, para Vocês:
 
Mentiroso que diz sempre a verdade
é aquilo que o poeta é:
pode-se mentir à comunidade,
servindo a verdade em canapé.
 
Dizer a verdade a mentir,
fingir que mente, sendo verdadeiro
é modo escondido de conseguir
 
aquilo a que não chega o embusteiro.
É bem verdadeiro o mentiroso
que se não perde em rumo sinuoso!
                                   16.02.2023
Eugénio Lisboa 

Uma mente brilhante

                Em Ferney, Voltaire é recordado como um homem activo, que ajudou a transformar o povo.
                Voltaire conversando com os camponeses de Ferney é o título desta cena campestre, 
                atribuída a Jean Huber, 1721-1786 (Museu de Belas-Artes, Nantes).

 
Voltaire, (1694-1778)  filósofo, escritor, ensaísta, poeta, dramaturgo e historiador  francês é um dos grandes representantes do  Iluminismo em França, juntamente com Montesquieu e Rousseau. Nasceu em Paris, França, no dia 21 de Novembro de 1694. Nesta cidade, viria a falecer no dia 30 de Maio de 1778 (Rousseau morreria trinta e dois dias depois).Em 1781, os seus restos mortais foram transladados com todas as honras para o Panteão de Paris.
O pensamento de Voltaire,  tolerante e aberto, anticlerical e deísta, assenta na convicção de que o homem é o dono do seu próprio destino.
Voltaire era pseudónimo literário de François Marie Arouet.
Eis algumas frases reveladoras do seu pensamento (uma das mentes mais brilhantes do Século das Luzes) que  permanecem repletas de actualidade. É essa a marca de um grande escritor e pensador.

"Os leitores servem-se dos livros como os cidadãos dos homens." 

"Não vivemos com todos os nossos contemporâneos, escolhemos alguns amigos."

"Todas as grandezas do mundo não valem um bom amigo."

"O segredo de aborrecer é dizer tudo."

"Os infinitamente pequenos têm um orgulho infinitamente grande."

"Aproximo-me suavemente do momento em que os filósofos e os imbecis têm o mesmo destino."

"Há muito poucas repúblicas no mundo, e mesmo assim elas devem a liberdade aos seus rochedos ou ao mar que as defende. Os homens só raramente são os dignos de se governar a si mesmos."

"Não estou de acordo com aquilo que dizeis, mas lutarei até ao fim para que vos seja possível dizê-lo."

"Para ter sucesso neste mundo não basta ser estúpido, é preciso também ter boas maneiras."

"Encontrou-se, em boa política, o segredo de fazer morrer de fome aqueles que, cultivando a terra, fazem viver os outros."

"A política tem a sua fonte na perversidade e não na grandeza do espírito humano."

"O melhor governo é aquele em que há o menor número de homens inúteis."

Voltaire 

Saiba mais :
O legado de Voltaire
"O pensamento de Voltaire ficou registado nas suas inúmeras obras filosóficas e, de forma implícita, nas suas tragédias, trabalhos historiográficos e romances. Contrariamente ao que defendia Rousseau, Voltaire não via nenhuma oposição entre a sociedade e o indivíduo. Pelo contrário, convencido da existência de um sentimento universal e inato de justiça, defendia que o ser humano, bom por natureza, não se deixava corromper pela pressão social: as leis levavam-no a estabelecer um pacto social que preservava os interesses de cada um. O fim último da moral seria estabelecer os princípios da convivência e torná-la frutífera para todos. O homem poderia melhorar a sua condição através da ciência e da técnica, e a sua vida graças às artes e à cultura.
Relativamente à religião, Voltaire proclamava-se deísta e assegurava que, da mesma forma que um relógio pressupõe a existência anterior de um relojoeiro, o universo implica a obra do que denomina como “eterno geómetra”. O seu romance Cândido ou o optimismo (1759), em que o clero, a monarquia e o exército não saíam com uma imagem muito abonatória, acabou por lhe render a condenação da Igreja católica.
Fervoroso opositor da Igreja católica, à qual acusava de intolerante e injusta, a sua linha de actuação converteu-o no modelo a seguir para a burguesia anticlerical e acarretou-lhe a inimizade de toda a Igreja. Apesar disso, foi um firme defensor da tolerância e da convivência pacífica entre pessoas de diferentes credos."

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2023

José Pacheco Pereira

Pacheco Pereira, Ilustração de Mariana Dimas 
JOSÉ PACHECO PEREIRA
por Eugénio Lisboa
 
 À medida que avançamos na vida, apercebemo-nos
 de que a coagem mais rara é a coragem de pensar.
              Anatole France, La Vie Littéraire
 
"A Sociedade Portuguesa de Autores acaba de atribuir o Prémio VIDA E OBRA a José Pacheco Pereira. Dificilmente poderia ter escolhido melhor.
José Pacheco Pereira situa-se naquela nobre linhagem de clercs que, como o Padre António Vieira, Alexandre Herculano, Raul Proença, António Sérgio ou Jaime Cortesão, souberam gerir a nobre missão de serem incómodos. A melhor maneira de ser incómodo é não ter medo de pensar e, depois, dizer sempre o que se pensa. Coisa raríssima, querer pensar: Huxley observava escarninhamente, que pensar é a excepção à regra de não pensar. Mas não chega pensar: quando o pensamento pode incomodar muita gente, há duas escolas de pensamento, uma mete a viola no saco ou diz o que não pensa, a outra diz mesmo o que pensa, venha a tempestade que vier.
No nosso milieu intelectual, abundam sobretudo os que fazem cálculos de interesses e futurologias de cargos e sinecuras. Antes de porem cá fora o que pensaram, calculam os custos e quase sempre concluem que são demasiado elevados. Os outros – um número muito reduzido – decidem que tem melhor estética ser destemido e que, além disso, como observava Shaw, ninguém se diverte tanto como a pessoa que diz o que pensa: é só ver o ar atabalhoado dos que assistem ao exercício.
José Pacheco Pereira, armado de uma grande cultura (não só política) e de uma intrepidez à prova de bala, quando fala, escreve ou actua, deixa-nos sempre a grata impressão de pertencer a um único Partido: o da Inteireza do pensar e do “franc parler” que Stendhal tanto estimava. É pois parte integrante do melhor que o nosso património cultural tem para legar aos vindouros.
Assim seja e bem haja.”
Eugénio Lisboa, em 15.02.2023 

ITA EST

O sol brilhante. O deitar na praia.
O pequeno almoço abundante.
O sexo dela, debaixo da saia.
O gosto de leituras, triunfante.
 
As descobertas, todos os dias.
O futuro à espera, sem limites.
O amor, a maior das rebeldias.
A vida toda, cheia de palpites.
 
Um mundo de promessas a cumprir,
coração palpitando de fervor!
Tudo isto, um dia, a fugir
 
do vento, do fogo, do terror,
que apagam tudo o que era vida,
em aventura horrível, genocida!
                        15.02.2023
Eugénio Lisboa

O provincianismo feliz

 
O provincianismo feliz
por Luís Castro Mendes
 
O provincianismo consiste em pertencer a uma civilização sem tomar parte no desenvolvimento dela - em segui-la pois mimeticamente, com uma subordinação inconsciente e feliz.
                                                           Fernando Pessoa
 
“O provincianismo em Portugal tem sido profusamente praticado por algum jornalismo, maioritariamente ausente dos problemas do mundo e concentrado nos vãos de escada da política nacional. O paradigma desta situação encontro-o numa comentadora que afirmou, candidamente, que enquanto os países da Europa resolvem os problemas de saúde pública com mestria e sucesso, o pobre Portugal, entregue aos bichos, enfrenta questões que em nenhum outro país europeu se levantam: a crise da saúde pública, os problemas na educação, as greves, a insatisfação social, os efeitos da inflação e da guerra. Tudo desconhecido para lá de Badajoz! Para esta comentadora provinciana, que deve abster-se cuidadosamente de ler quaisquer jornais estrangeiros, todo o mal se concentra neste país ingrato que é o nosso.
Entender que as nossas crises estão ligadas às crises mais gerais que enfrentam as sociedades contemporâneas está fora do alcance de um jornalismo casuístico, de snipers bem treinados e concentrados em pequenos objetivos partidários, orgulhosamente ignorantes do que se passa lá fora. Felizmente não são todos, mas são eles que dão o tom e o lamiré que se pretende passar à opinião pública.
Os portugueses comuns, obrigados a ser cosmopolitas pela emigração e pela expatriação a que os obriga a pobreza do país, têm uma visão mais lúcida das coisas, que se exprime no adágio popular "cá e lá más fadas há". Mas espanta que, face aos problemas da saúde e da educação, ninguém, a não ser alguns especialistas, tenha trazido ao debate público as respostas e as políticas que outros países da Europa e do Mundo adotaram para enfrentar estas crises.
O nosso provincianismo exprime o sentimento de inferioridade que sempre tivémos face aos mais ricos e poderosos. Mas também a distância que estabelecemos entre nós e o mundo, verdadeiro círculo de giz caucasiano, que nos torna ensimesmados numa pátria que queremos absolutamente diferenciada das outras, para o bem ("orgulhosamente sós") ou para o mal ("a choldra, a piolheira").
Eça de Queirós (sempre este homem fatal!) conta a fábula de uma pacata família burguesa que lê tranquilamente o seu jornal. Primeiro, vem a notícia de terríveis cheias que vitimaram milhares de pessoas na China. O pai de família vira a página do jornal e todos comentam distraidamente, dizendo num suspiro "coitados". Depois, um desastre ferroviário algures na Europa. O interesse aumenta, alguma emoção se exprime e volta o dono da casa a virar a página. E, de repente, tudo muda: uma senhora da terra, conhecida da família, tinha torcido um pé! A solidariedade foi imediata e unânime, a compaixão fez elevarem-se as vozes, todos queriam ler a notícia no jornal. Porque só sentimos verdadeiramente as dores que estão mais próximas de nós.
Essa visão provinciana corresponde, não apenas ao nosso difuso sentimento de sermos gente aparte do resto do mundo, geniais numa perspetiva, medíocres noutra, mas também à humana e comum condição de sempre nos afetar mais aquilo que está próximo.
A nossa comunicação social tem contribuído para acentuar na opinião pública esta ideia de isolamento, magnífico ou grotesco, do nosso país, ao não dar atenção às crises e enfrentamentos que vivem as sociedades europeias e ocidentais. Mantêm-nos informados sobre a guerra na Ucrânia, para reforçar a ideia de que as sociedades liberais são imunes às grandes crises, que apenas lhes podem chegar do exterior.
Cultivámos demasiado tempo a ilusão confortável de serem as guerras coisas do passado. Quem me abriu os olhos a esse respeito foi um diplomata indiano a quem eu fui dizer que a Alemanha era a maior potência da Europa; o meu colega riu e disse "só há duas potências na Europa, o Reino Unido e a França - porque só elas, na vossa Europa, têm armas nucleares".
O comércio livre falhou em trazer-nos a paz. A globalização agravou as nossas dependências. As motivações primárias dos seres humanos, os instintos de morte e de guerra, continuam a prevalecer. A guerra está uma vez mais a alastrar na Europa.
Mas Portugal, como dizia um outro personagem queirosiano, continua a ser "um torrãozinho"...
Luís Castro Mendes,(Diplomata e escritor), em crónica publicada no DN , de 14 Fevereiro de 2023.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2023

O Amor em sucessos musicais

 

Procurar-te-ei. No Mar que te enfrenta, no ar que te sustém, na luz que te ilumina, na lonjura que te retém.
Procurar-te-ei. No sempre do dia que se faz, na noite que se constrói, nos momentos que passam , nos segundos que não chegam e nas horas que  te prometo.
Procurar-te-ei. Não sei como e nem sei porquê.
Procurar-te-ei. E se mo disseres, ficarei. 
                 Maria José Soares de Moura , Poemas da Terra e do Mar

E é nesse procurar constante que se alimenta e se redime o amor. Num tempo de tanta adversidade, celebrar o Amor é preciso.
Eis alguns sucessos musicais que nos ficaram na memória.

ABBA , em I Have a Dream * Legendado em Português.
Leonard Cohen , em Dance Me to the end of Love ...
   
Barbra Streisand, em Woman In Love.
   
Lionel Ritchie e Diana Ross, em Endless Love.
   
Céline Dion, em Titanic' Theme Song - My Heart Will Go On.
 
Caetano Veloso, Gilberto Gil, Ivete Sangalo , em  Você É Linda.
 
Vinicius de Moraes , Maria Creuza e Toquinho, em  Eu Sei Que Vou Te Amar.
 
Eu sei que vou te amar
Por toda minha vida eu vou te amar 
A cada despedida eu vou te amar
Desesperadamente 
Eu sei que vou te amar

E cada verso meu
Será prá te dizer
Que eu sei que vou te amar 
Por toda minha vida
         Vinicius de Moraes

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2023

E tudo o vento levou

A acção de ventos, águas, tornados,
terramotos e guerras assassinas,
retaliações de deuses irados,
ou gula grande de carnificinas
 
de tiranos fabricados em coitos
nocturnos e sulfúricos, de bruxas,
todos eles, infernalmente afoitos,
ao som muito cheio de sacabuxas,
 
fizeram, da vida, eterna morte,
eterno sono, todo sem memória,
de leste a oeste, de sul a norte:
 
da História, não ficou qualquer história,
porque tudo, tudo se arrasou,
incluindo o que se registou.
                    13.02.2023
Eugénio Lisboa

É preciso agarrar a oportunidade pelos cabelos


É preciso agarrar a oportunidade pelos cabelos mas não esquecer que ela é careca
por António Lobo Antunes
“Não somos um país, somos um enorme convento de carmelitas autistas em silenciosa comunicação com o seu écranzinho que os põe em contacto com um estranho universo inexistente, cheio de palavras e imagens irreais. Os humanos já não falam: dialogam em silêncio com o nada, isto é com o que pensam ser os outros e o mundo.
Andei agora uma série de dias no estrangeiro e o que mais me surpreendeu foi não ter visto uma única pessoa de iphone na mão, a carregar nas teclas, alheada do mundo. Eu como todos os dias fora, num restaurante aqui perto, vou e venho a pé, cruzo-me com gente na rua, passo por uma paragem de autocarro e é extraordinário o que Portugal mudou. Por exemplo o que mais me aborrecia, nos sítios onde almoçava e jantava, eram os guinchos de meninas e meninos a correrem entre as mesas, enlouquecendo todo o mundo sob o olhar desvelado ou ausente dos pais. Não é que as crianças se tenham tornado bem educadas, isso seria pedir demais aos lusitanos, é que em lugar de gritarem, incomodarem e empurrarem os vizinhos estão caladinhas ao lado dos adultos, cada uma com o seu iphone, a carregarem nas teclas num autismo absoluto, concentradas num jogo qualquer. Como os pais não conversam com elas ou entre si, ocupados a comerem, de olhos no prato
(se calhar existem iphones escondidos no puré)
completamente sozinhos, enho a sensação de estar, com o bacalhau à Brás em frente, num silêncio de capela. A mesma coisa nos transportes, a mesma coisa nas esplanadas, a mesma coisa nas paragens de autocarro
(há semanas, ao passar por uma delas, vi sete pessoas sete à espera, todas de olhos baixos, a picarem o seu quadradinho de plástico com o indicador, alheadas do universo.) 
Não somos um país, somos um enorme convento de carmelitas autistas em silenciosa comunicação com o seu écranzinho que os põe em contacto com um estranho universo inexistente, cheio de palavras e imagens irreais. Os humanos já não falam: dialogam em silêncio com o nada, isto é com o que pensam ser os outros e o mundo, trocando banalidades arrasadoras com criaturas e acontecimentos tão fantasmáticos quanto elas. Não se relacionam entre si: relacionam-se com silhuetas vazias, interessam-se por acontecimentos ocos, os afectos transformam-se em siglas, a ternura em bjs sem carne, meia dúzia de consoantes e de k estratégicos substituem os sentimentos e as emoções. Os corpos transformam-se em silhuetas, a partilha em frases feitas, o amor no supermercado do facebook onde as pessoas se apaixonam por criaturas irreais, ou seja fotografias minúsculas e ideias sem carne, encharcando os iphones de lugares comuns patetas nos quais se sente o enorme peso de uma solidão irremediável. Tenho muito dó desses infelizes fantasmas procurando desesperadamente outros infelizes fantasmas na esperança de uma relação fantasmática que, ao fim e ao cabo, não é possível porque não se pode amar uma ausência sem espessura de gente. O poeta Fernando Pessoa, por exemplo, parece-me não uma criatura mas um nada falante. Não é ao artista que me refiro agora, é ao homem que tentava existir através da bebida na esperança de obter, por intermédio de um substituto do leite materno, a densidade carnal que não tinha e, portanto, os seus escritos não respiram. Fingem que respiram, num sofrimento imenso. As criaturas dos iphones não pensam, não lhes interessa pensar, interessa-lhes existir no vazio, relacionando-se com vazios tão brancos quanto os deles, procurando desesperadamente bjs sem substância. Conversam com ninguéns em diálogos de uma pobreza afectiva absoluta que é o único anteparo de que são capazes para tentarem lutar contra a depressão, porque ao princípio não era o Verbo, era a Depressão, e as nossas almas tão sozinhas, tão pobres. O que queremos de facto, o que esperamos ainda é encontrar um modo de nos acharmos menos desamparados, menos indefesos, menos perdidos, e esperamos, como crianças que esqueceram o caminho para casa, que um bj nos aponte o caminho. E não aponta porque nenhum bj se transforma em beijo, é uma metamorfose impossível. Toma o meu bj, dá-me o teu bj em troca. E ficamos cada um com o bj do outro na palma a pensar
– O que faço eu com isto?
enquanto as duas letras se dissolvem ou se evaporam num écranzinho que não responde. Na fila dos automóveis de regresso a casa ao fim do dia vemos as pessoas sentadas no carro, olhando fixamente em frente, imóveis e sérias. Se repararmos nos olhos delas estão todas mortas atrás dos olhos. Não faz mal: o iphone está aqui no bolso; em chegando a casa ligo-o e encontro outros desgraçados, tão defuntos quanto eu, à espera de um colo que não existe. Há uma ausência apenas e lá ao fundo, na cozinha, uma torneira que não veda bem a pingar no lava-loiças o ritmo angustiado do nosso desespero. Talvez um bj ajude um bocadinho a torná-lo suportável: é que somos tão pobres que nos contentamos com uma côdeazita de nada. E amanhã encontraremos na fronha algumas migalhas que sobraram. Se as metermos na boca têm um gosto a lágrimas.”
António Lobo Antunes, em Crónica publicada na VISÃO 1319, de 14 de Junho de 2018