sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Óscar Niemeyer


"O arquitecto brasileiro Oscar Niemeyer, que morreu  quarta-feira (5) aos 104 anos, foi um dos profissionais mais premiados e influentes do mundo.
O seu trabalho, sempre cheio de curvas em concreto que tornavam o seu estilo inconfundível, marcou a paisagem urbana do Brasil e de outros países.
Nasceu no Rio Janeiro a 15 de Dezembro de 1907. Desde criança que gostava de desenhar e muito cedo decidiu estudar Arquitectura. Trabalhou com Lucio Costa . O seu primeiro projecto individual a ser construído foi a Obra do Berço, em 1937, no Rio de Janeiro - um edifício nitidamente influenciado por Le Courbusier. Em 1940, Niemeyer conheceu Juscelino Kubitschek, na altura prefeito de Belo Horizonte. A seu pedido, planeou o conjunto arquitectónico de Pampulha (1943). Foi com esse projecto que "o mundo clareou". "Defendo uma arquitectura diferente. Acho que a arquitectura não basta servir bem ao homem. Ela tem de ser bonita e, para ser bonita, tem que ser diferente, tem que criar surpresa, espanto. Tem de ser audaciosa. De modo que adoptei um trabalho que é uma invenção."
Essa obra foi importante também pela relação que estabeleceu com Kubitchek, eleito em 1956 presidente do Brasil com o plano ambicioso de construir uma nova capital numa região despovoada no centro do país. E convidou para essa empreitada Niemeyer. O edifício do Congresso e o Palácio do Planalto são alguns dos projectos que exemplificam bem o estilo de Niemeyer. "Não é ângulo recto que me atrai, nem a linha recta, dura, inflexível, criada pelo homem", explicava. "O que me atrai é a curva livre e sensual, a curva que encontro nas montanhas do meu país, no curso sinuoso dos seus rios, nas ondas do mar, no corpo da mulher preferida. De curvas é feito todo o universo."
Ele achava que, apesar de todos os problemas que se vieram a revelar mais tarde, Brasília tinha valido a pena: "Brasília deu certo, era isso que JK queria, levar o progresso para o interior." "É uma cidade muito calma, muito tranquila." Mas a sua cidade preferida continuava a ser o Rio de Janeiro: "Eu gosto mesmo é do Rio. Do Rio da praia, dos amigos, de olhar para o mar, de sentir que a natureza é fantástica."
Com um passado ligado ao Partido Comunista, Niemeyer não escondia a sua admiração por Lula. Numa entrevista no ano passado, dizia: "Continuo a defender a mensagem básica que é possível reconhecer nos escritos de Marx - a sua confiança no advento de uma sociedade mais justa e mais fraterna. Aprecio muito a coragem política e a capacidade de resistência ao imperialismo dos EUA de líder como Fidel, em primeiro, e Chávez. Não sou cientista político, portanto, não posso avaliar 'tecnicamente' o grau de eficácia do modelo político adoptado na Venezuela e na China."

Aos 95 anos começou a estudar filosofia. Niemeyer faleceu às 21:55 horas de quarta-feira (23:55 em Lisboa), aos 104 anos

Um pouco por todo o mundo, registaram-se muitas reacções à sua morte tais como:
"Neste momento, não posso deixar de recordar as palavras do próprio Niemeyer que disse 'A vida é um sopro!' A vida do Arquitecto Óscar Niemeyer foi muito mais do que isso e o seu legado será para sempre reconhecido" - Cavaco Silva, Presidente da República de Portugal
"A carreira de Niemeyer foi excepcionalmente longa e ilustre, mas o que fez dele um arquitecto de excepção não foi só o seu vigor e talento. Ele incutiu ao seu trabalho um poderoso sentido de humanismo e envolvimento global" - Ban Ki-moon, secretário-geral da ONU
"Na altura em que o pessoal da ONU em Nova Iorque é realojado de instalações temporárias para o seu agora renovado complexo, maravilhamo-nos de novo com a sua visão para criar um lar belo e inspirador, a partir da qual prestamos o nosso serviço para toda a humanidade" - Ban Ki-moon, secretário-geral da ONU
Oscar Niemeyer é "um arquitecto e um criador que domina o século XX e o princípio do século XXI também", para além de ter sido " uma pessoa encantadora", "realizada completamente com uma vida longa" - Álvaro Siza Vieira, arquitecto português
"A preservação desta herança para as gerações futuras e fruição destes espaços singulares (...) são o mínimo que podemos fazer para honrar este legado" - Luigi Valle, administrador do grupo Pestana, detentor da única obra em Portugal com o traço de Niemeyer, o Casino Park Hotel, no Funchal
Niemeyer foi "uma das grandes figuras da arquitectura do século XX, a par de Frank Lloyd Wright, Mies van der Rohe e Le Corbusier" - Francis Rambert, director do Instituto Francês de Arquitectura em Paris

Manuel Alegre compôs um poema para  Óscar Niemeyer , após ele ter revelado  numa entrevista que tinha no seu atelier um poema do poeta  emoldurado, a "Trova do Vento que passa". Manuel Alegre enviou-lhe o poema inspirado na obra e na pessoa do mítico arquitecto brasileiro. Alegre e Niemeyer não se ficaram por esta troca poética, ainda trocaram recordações e combinaram projectos em que ambos participariam, uma revista que o arquitecto queria editar." Fonte: Imprensa 

POEMA PARA OSCAR NIEMEYER

Gostava de estabelecer entre as palavras e o silêncio
aquelas proporções que Oscar Niemeyer consegue
entre volumes e não volumes
entre cheios e vazios.
Gostava de inventar linguagem dentro da linguagem
como Niemeyer inventa espaço dentro do espaço.
Mas como criar na escrita o nunca escrito?
Gostava meu caro Oscar Niemeyer
de pegar na caneta e fabricar um pouco de infinito
fazer com sílabas e fonemas
o que você faz com traços e com esquemas.
Mas eu não posso meu caro eu não posso ou não sei
construir uma cidade com poemas.
Tão pouco sei se Deus tem mão e se desenha
não sei sequer se existe ou simplesmente
deixou para Oscar Niemeyer
o oitavo dia da criação.
Mas é o que parece quando você faz um croqui
e depois é Brasília
uma catedral um museu uma mulher
ou uma casa em Canoas.
Com Oscar Niemeyer o Brasil é mais Brasil
o mundo se refaz se reinventa se revoluciona
contra a injustiça contra a opressão contra a fealdade.
Cada projecto seu é um acto de harmonia
traço a traço você subverte o espaço
e semeia a beleza na desordem estabelecida.
Consigo é possível a utopia
consigo a arquitectura é outra vida.
Manuel Alegre, 4/08/2003

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Uma nação em ruína



Tenemos un sistema político rehén del sistema financiero”
Petros Markaris narra con claridad en 'Liquidación final' la crisis en Grecia y alude al incremento en un 30% los suicidios en el último año
Si su novela ” Liquidación final” (Tusquets)  es un fiel reflejo de la dureza de una crisis como la que está viviendo Grecia, y no menos dura en España e Italia, el análisis que hace Petros Markaris (Estambul, 1927) de la situación europea no tiene nada de balsámica: “Tengo un amigo que suele decir: 'Si quieres encontrar alguien de pensamiento oscuro busca al creador del policía Jaritos". Desde las primeras páginas de su última novela el lector recibe un mazazo que le deja sin respiración: el suicidio de cuatro ancianas que no tienen dinero para poder pagar las recetas de la Seguridad Social. El escritor utiliza al comisario Kostas Jaritos, que aparece en todas sus novelas policíacas, para describir la realidad de una nación en la ruina, de una juventud bien preparada, que duda entre abandonar el país o no, del aumento de suicidios, de la pobreza. Markaris, conocido en España por sus obras de género negro, es además traductor, dramaturgo, guionista y narrador muy respetado en Grecia. Hace unos meses recibió en Cataluña el VII Premio Pepe Carvalho por tratar en sus libros temas como “corrupción, manipulación del poder, diferencias entre justicia y ley o la mezquindad de los poderosos”.
El escritor griego tiene claro que los europeos estamos sumidos en una crisis de valores que hemos ido perdiendo poco a poco, casi sin darnos cuenta. “La llegada del euro para los países que formamos parte de la Unión Europea nos obligó a todos a centrarnos en la moneda y con ello tiramos nuestras identidades culturales. Y con las ayudas económicas que nos fueron dando pensamos que cada vez éramos más ricos y lo que hacíamos era entrar en un sistema que nos iba empobreciendo”. La miseria fue llegando a los ciudadanos, lentamente, casi sin darnos cuenta “hasta que ha llegado el momento de que somos más pobres y se ha extendido a muchos sectores de la sociedad. A los que han sido siempre ricos eso no les preocupa para nada porque ellos seguirán mandando a sus hijos a estudiar al extranjero”, explica el escritor.
En todos los países de UE tenemos un par de generaciones que son las mejor preparadas de la historia y “aceptan sueldos miserables porque todos los partidos de izquierdas, que podrían ser los que canalizaran su rabia e impotencia, forman parte del sistema y están secuestrados por él”. ¿A qué se debe que los jóvenes no reaccionen? “Para que se den cuenta de su situación tienen que ser conscientes de lo que está ocurriendo. Necesitan tiempo para reflexionar y todavía es demasiado pronto. Me da miedo lo que pueda suceder. Hace un par de días en Grecia se suicidaron dos jóvenes de 20 años. Una se tiró por la ventana y otra se quemó a lo bonzo. En el último año los suicidios en Grecia se han incrementado en un 30%. Me inquieta cómo reaccionarán y cómo se podrá canalizar su rechazo a esta sociedad”.
Markaris cree que “los políticos están alejados de la sociedad". "Son muchos las personas, que cuando doy conferencias, preguntan: '¿Y ahora, a quién votamos?' Lo que está claro es que el ciudadano quiere votar contra ese sistema que le está asfixiando”, defiende el autor. ¿Y el papel de los intelectuales? “El problema es que muchos de ellos han vivido de las subvenciones de los distintos gobiernos y de la UE. ¿Qué pueden decir cuando han hecho cine, han escrito, han montado obras de teatro o han expuesto gracias a las instituciones? Nada, es mejor que se mantengan callados”.
¿Y él que tiene una formación alemana cómo contempla esa animadversión que está surgiendo contra el país que gobierna Merkel? “No se ha conseguido que nos sintamos europeos somos antes griegos o españoles. Cosa que no ocurre en Estados Unidos en donde los griegos que viven en el barrio Astoria de Nueva York desde 1950 lo primero que te dicen es que son americanos de origen griego, aunque vivan como si estuviesen en Atenas. Alemania en estos momentos es rica y el resto de los países que estamos en situación desesperada tenemos que echar la culpa a alguien. Nosotros si estuviésemos en su situación haríamos lo mismo”.
“Estamos en la peor de las situaciones porque los políticos son rehenes del sistema financiero. Todo es cuestión de finanzas y el dinero en algunos gobiernos va destinado a sacar a flote algunos bancos en vez de destinarlo a los ciudadanos. El pueblo se siente vencido mientras el rico aumenta su capital”, señala el escritor. ¿Cómo ve España? “Como estaba Grecia hace un año. Me he quedado impresionado de ver tantos carteles en los comercios de liquidación o de venta. Era como volver a vivir un mal sueño”. Aurora Intxausti , El País, Madrid , 28 NOV 2012  

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Sem ter amor não é viver


Eu não existo sem você

Eu sei e você sabe, já que a vida quis assim
Que nada nesse mundo levará você de mim
Eu sei e você sabe que a distância não existe
Que todo grande amor
Só é bem grande se for triste
Por isso, meu amor
Não tenha medo de sofrer
Que todos os caminhos me encaminham pra você

Assim como o oceano
Só é belo com luar
Assim como a canção
Só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem
Só acontece se chover
Assim como o poeta
Só é grande se sofrer
Assim como viver
Sem ter amor não é viver

Não há você sem mim
E eu não existo sem você
Vinicius de Moraes / Antonio Carlos Jobim na voz maior de Nana Caymmi



Ainda bem

Ainda bem
Que agora encontrei você
Eu realmente não sei
O que eu fiz pra merecer
Você


Porque ninguém
Dava nada por mim
Quem dava, eu não tava a fim
Até desacreditei
De mim


O meu coração
Já estava acostumado
Com a solidão


Quem diria que a meu lado
Você iria ficar
Você veio pra ficar
Você que me faz feliz
Você que me faz cantar
Assim


O meu coração
Já estava aposentado
Sem nenhuma ilusão


Tinha sido maltratado
Tudo se transformou
Agora você chegou


Você que me faz feliz
Você que me faz cantar
Assim


Marisa Monte em " Ainda Bem"

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

A humanidade e a simplicidade


 
“A vida é curta e é pecado perder o seu tempo. Sou activo, diz-se. Mas ser activo é ainda perder o seu tempo, na medida em que nos perdemos. Hoje é um descanso e o meu coração parte ao encontro de si próprio. Se uma angústia ainda me estreia, é a de sentir este impalpável instante escorregar-me por entre os dedos como as gotas do mercúrio. Deixai, pois, aqueles que querem voltar as costas ao mundo. (...) Posso dizer, e direi daqui a pouco, que o que conta é ser humano e simples. Não, o que conta é ser verdadeiro e então, tudo aí se inclui, a humanidade e a simplicidade. E quando posso eu ser mais verdadeiro do que quando sou eu o mundo? Sou satisfeito antes de ter desejado. A eternidade está ali e eu esperava-a. Já não é ser feliz o que eu desejo agora, mas apenas ser consciente.
Um homem contempla e o outro cava o seu túmulo: como distingui-los? Os homens e o seu absurdo? Mas aqui está o sorriso do céu. A luz aumenta e breve será o Verão? Mas aqui estão os olhos e as vozes daqueles que é preciso amar. Estou preso ao mundo por todos os meus gestos, aos homens por toda a minha piedade e o meu reconhecimento. Entre este direito e este avesso do mundo, eu não quero escolher, não gosto que se escolha. As pessoas não querem que se seja lúcido e irónico. Eles dizem: «Isso mostra que não és bom.» Não vejo a relação. Decerto oiço dizer a uma delas que é imoralista, traduzo que ela tem necessidade de atribuir-se uma moral; a outra que despreza a inteligência, compreendo que ela não pode suportar as suas dúvidas. Mas porque eu não gosto que se faça batota. A grande coragem é ainda a de ter os olhos abertos para a luz como para a morte. Além disso, como explicar a ligação que leva deste amor devorador à vida a este desespero oculto? Se escuto a ironia escondida no fundo das coisas, ela descobre-se lentamente. Piscando o olho pequeno e claro: «Vive como se...», diz ela. Apesar de muitas pesquisas, aqui está toda a minha ciência.”
Albert Camus, in “O avesso e o direito”, Editora Livros do Brasil

Sinopse
“O Avesso e o Direito” é o primeiro livro de Albert Camus. Foi publicado ainda na Argélia, em 1937, com a tiragem muito discreta de 350 exemplares. Só em 1958, quando o autor já se tinha tornado uma celebridade, é que o livro seria reeditado, desta vez em França. E contudo, este livro impregna toda a restante obra de Camus. Estão aqui presentes o fascínio da luz e da felicidade, as primeiras suspeitas do absurdo («toda a absurda simplicidade do mundo»), os temas do silêncio, da mãe, da indiferença mas também do amor, que irão perpassar ao longo de todos os seus outros romances, e também de muitas das suas reflexões. A presente edição inclui também o Discurso que Camus proferiu em Dezembro de 1957, em Estocolmo, durante a cerimónia em que lhe foi entregue o prémio Nobel de literatura. O filósofo começou por lembrar que “um sábio oriental pedia sempre, nas suas orações, que a divindade se dignasse poupá-lo a viver numa época interessante. Como não somos sábios, a divindade não nos poupou, e vivemos numa época interessante.”
É um texto que resume bem a sua concepção do ofício de escritor: este «não pode hoje pôr-se ao serviço daqueles que fazem a história; tem antes de servir aqueles que a sofrem.»

Bom desempenho climático de Portugal

Portugal tem a terceira melhor actuação nas políticas de alterações climáticas, diz a Quercus
"Portugal subiu oito lugares no índice sobre desempenho nas alterações climáticas, sendo o 3.º entre 58 países, um comportamento justificado pela crise e pela política energética, informou hoje a Quercus.
Os resultados da análise do CCPI (Climate Change Performance Index) 2013 foram anunciados na Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP18), a decorrer em Doha, no Qatar, até 07 de Dezembro e que reúne 194 países.
«Portugal ficou classificado em 6.º lugar (mas os 3 primeiros não foram atribuídos) em termos de melhor desempenho relativamente às políticas na área das alterações climáticas numa classificação a comparar 58 países que, no total, são responsáveis por mais de 90% das emissões de dióxido de carbono associadas à energia», refere a Quercus.
Assim, «na prática Portugal é o 3.º melhor país», o melhor lugar de sempre, já que, tal como ano passado, os três primeiros lugares não foram atribuídos pois os peritos responsáveis pela classificação consideraram não haver qualquer país merecedor.
O vice-presidente da Quercus, Francisco Ferreira, que participa na conferência de Doha, afirmou que, «como o relatório salienta, não deixa de ser espantoso que Portugal seja o terceiro país melhor classificado».
Falando à agência Lusa, ao telefone, o ambientalista avançou que a subida de Portugal do 14.º lugar «surpreende pela positiva, mas também pela negativa».
«Conseguimos este lugar muito à custa da crise que nos tem vindo a afectar e que tem levado a que se reduzam muito os consumos energéticos, na electricidade e no gás, e na parte rodoviária, no gasóleo e na gasolina», explicou.
«Temos agora consumos por pessoa relativamente baixos e a tendência é de decréscimo», frisou Francisco Ferreira.
O responsável da Quercus referiu também o papel das renováveis, «quer o seu aumento, quer pelo que já representam para o país, [que é] bastante relevante».
Por isso, alertou, o Governo «não deve descurar de forma alguma, na sua política climática, os investimentos nesta área».
Para a Quercus, o objectivo é fazer com que fracas emissões se consigam, «acima de tudo, a partir da redução do desperdício, pelas indústrias e pelas pessoas em casa», que evitam gastos devido ao aumento dos preços e à crise, e que «continuarão a manter estes níveis, mas melhorando a sua qualidade de vida, quando a crise for ultrapassada».
E isso «só se consegue com uma política proactiva de eficiência energética, de preços que promovam a eficiência», disse Francisco Ferreira, realçando que «não se pode perder esta oportunidade».
Portugal partilha os três primeiros lugares com Dinamarca e Suécia, sendo as piores posições ocupadas pelo Canadá, Cazaquistão, Irão e Arábia Saudita.
Na União Europeia, a Holanda substitui a Polónia no pior desempenho, enquanto o Brasil tem uma das maiores quedas, ao passar do 7.º para o 33.º lugar, devido à desflorestação.
A Índia recuou seis lugares e a China melhorou três, enquanto os EUA subiram nove posições, para o 43.º, devido à crise económica e à redução do uso de carvão.
O índice sobre desempenho nas alterações climáticas (Climate Change Performance Index - CCPI) é da responsabilidade da organização não-governamental de ambiente GermanWatch e da Rede Europeia de Acção Climática, integrada pela Quercus."
Diário Digital com Lusa

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

O lugar das Humanidades



Elogio da humanidade das Humanidades
por ANSELMO BORGES
"Nestes tempos de crise profunda e de exaltação da sociedade científico--técnica e do economicismo, muitos perguntam-se pelo lugar das Humanidades na sociedade contemporânea.
A breve reflexão que aí fica inspira-se numa excelente conferência do colega João Maria André para os jovens estudantes da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, em início de ano lectivo. O seu objectivo era demonstrar que "vale a pena investir numa formação humanística para fazer face ao mundo em mudança e às transformações macroparadigmáticas" da nossa actual sociedade.
1 João M. André começou por apresentar traços fundamentais do tempo presente.
O primeiro é a globalização, com diversos rostos, de tal modo que tanto pode ser "a globalização da rapina, hegemónica, de matriz neoliberal", como uma globalização da solidariedade, que se exprime nas lutas pelo reconhecimento dos direitos de todos e no esforço de invenção de novas formas ecoéticas de habitar o mundo. As Humanidades, nas suas várias vertentes, contribuem com o seu olhar crítico dos problemas ao mesmo tempo que inscrevem outros valores para lá dos económicos e tecnológicos.
Outro traço é o de uma sociedade do conhecimento e da informação. Não é acidental que se chame assim e não sociedade da cultura. Ora, as Humanidades, pela Filosofia, pela História, pela mediação linguística e artística, "activam o pensamento que é algo diferente do cálculo e da navegação" nos novos meios de comunicação.
Vivemos numa sociedade multicultural, e também aqui as Humanidades têm um papel decisivo: no seu estudo, "entramos em contacto com povos e culturas diferentes, aprendemos as suas línguas, a sua história, a sua geografia, os seus mitos, os seus valores, as suas formas de comunicar, de viver e de fazer mundos."
2 Esta sociedade é uma sociedade em mudança, com o fim de velhos paradigmas, ao mesmo tempo que emergem outros novos, para os quais o contributo das Humanidades é inquestionável.
Vimos do paradigma da análise e da fragmentação, com o primado do pontual, da especialização, do analítico, perdendo a noção da totalidade e da complexidade e separando o sujeito e o objecto, e o indivíduo da comunidade e da sociedade. Hoje, exige-se "um paradigma holístico dentro de uma concepção de verdade multiperspectivada e complexa e a partir de uma abordagem não só interdisciplinar mas mesmo transversal do mundo, da natureza e do humano". Neste trânsito de um paradigma redutor para um paradigma holístico e reunificador, as Humanidades podem mostrar todas as suas virtualidades.
Um segundo paradigma dá o primado à tecnociência nos diferentes domínios, incluindo o humano, reduzindo o homem a faber e o mundo a um mundo-máquina, habitado por uma sociedade-máquina. Mas, dentro do reconhecimento dos benefícios científico-técnicos deste paradigma, não é verdade que ele também nos empobreceu, já que, por detrás deste mecanicismo, está um dualismo entre a dimensão corporal e espiritual do homem, prolongado numa cisão entre a racionalidade e a afectividade, desvalorizando o domínio das emoções? Não se acabou por esquecer que o homem é simultaneamente sapiens e demens e que, além do interesse do saber, também há o interesse no jogo, no sonho, na imaginação criadora, na efabulação?
O actual paradigma é da mercantilização das coisas e da vida, no quadro do primado do homo oeconomicus. Pergunta-se: mas será que tudo se reduz ao valor monetário e de mercado? E os valores éticos e os valores estéticos e os valores políticos e os valores afectivos e os valores religiosos?
Vinculado ao paradigma da mercantilização está o paradigma da liquefacção: vivemos na sociedade líquida, como teorizou Z. Bauman, desembocando numa existência efémera, na cultura ligt, descartável, do consumismo, na insatisfação permanente. As Humanidades, apelando à memória e aprofundando no pensamento crítico, salvaguardarão um mínimo de solidez, captando o peso do tempo na esperança da dignidade livre e da liberdade na dignidade de todos."
Anselmo Borges, em Artigo  publicado no DN de 1/12/2012

domingo, 2 de dezembro de 2012

Ao Domingo Há Música


Uma vez que já tudo se perdeu

Que o medo não te tolha a tua mão
Nenhuma ocasião vale o temor
Ergue a cabeça dignamente irmão
falo-te em nome seja de quem for

No princípio de tudo o coração
como o fogo alastrava em redor
Uma nuvem qualquer toldou então
céus de canção promessa e amor

Mas tudo é apenas o que é
levanta-te do chão põe-te de pé
lembro-te apenas o que te esqueceu

Não temas porque tudo recomeça
Nada se perde por mais que aconteça
uma vez que já tudo se perdeu

Ruy Belo, in " Obra Poética de Ruy Belo " , volume 1, Lisboa, Editorial Presença, 1981

Um soneto de  Ruy Belo, poeta maior da nossa Literatura,  e a voz extraordinária de Cecilia Bartoli  são as escolhas para este primeiro Domingo de Dezembro.
"Casta Diva" de  Vincenzo Bellini, (1801-1835), da ópera  "Norma" (1831), com Libreto de  Felice Romani.


sábado, 1 de dezembro de 2012

O Fim do Mundo

NASA desmente 'fim do mundo'
Face à avalanche de perguntas de pessoas preocupadas com o eventual fim do mundo, no dia 21 de Dezembro - algumas falam até em suicídio -, a NASA decidiu fazer um esclarecimento público, através do seu site, desmentindo esses rumores
As 5000 questões recebidas e 400 respostas já publicadas sobre este tema levaram a agência espacial norte-americana a criar uma secção no seu site para desmistificar o rumor.
Segundo o astrobiologista David Morrison, do Centro de Pesquisa Ames, da NASA, muitas das questões recebidas sobre as teorias apocalípticas são colocadas por jovens e crianças, muitas relatando que não conseguem dormir nem comer. Mas entre os adultos há até quem tenha manifestado intenção de se suicidar ou matar os filhos para não terem de assistir ao fim do mundo.
A gravidade do caso, levou então a NASA a este esclarecimento, publicando as respostas já dadas e criando uma secção de perguntas mais frequentes.
"O que é uma piada para muitos e um mistério para outros está a preocupar seriamente algumas pessoas e por isso é importante que a NASA responda a essas perguntas que nos são enviadas", justifica Morrison.
Um dos rumores que prevê o fim do mundo para o próximo dia 21 prende-se com a convicção de que essa seria a última data do calendário da civilização maia. Outro rumor tem origens em textos do escritor Zecharia Sitchi, dos anos 70, com a previsão de um planeta - Nibiru, ou Planeta X - iria colidir com a Terra. Sobre esta teoria, a NASA explica: "A data para esse suposto choque estava inicialmente prevista para Maio de 2003, mas como nada aconteceu, o dia foi mudado para Dezembro de 2012, para coincidir com o fim de um ciclo no antigo calendário maia".
A agência espacial norte-americana sublinha ainda que não há provas de que os planetas do sistema solar estejam a preparar-se para um alinhamento, como dizem outras teorias, e que, mesmo que se isso ocorresse, os efeitos sobre a Terra seriam irrelevantes."Visão, 21/11/2012


 

Mais um astrónomo diz que afinal o mundo não acaba este ano
O dia 21 de dezembro de 2012 marca uma nova era para os maias e não o fim do mundo
Afinal, o mundo não acaba este ano, de acordo com o astrónomo mexicano Marte Trejo Sandoval, que lamenta que alguns meios de comunicação tenham avançado com esta informação, tendo em conta "supostas profecias e calendário maia".
O astrónomo e historiador, que participou num encontro de jornalismo científico em Yacatán, México, refere que nenhum texto ou calendário maia profetiza o fim do mundo para dia 21 de Dezembro deste ano. Sandoval diz mesmo que na civilização maia não existia esta concepção apocalíptica.
O calendário maia iniciou-se há 5125 anos e a 21 de Dezembro de 2012 tem início um novo ciclo, não o fim do mundo. Os maias atribuíam grande relevância à astronomia, até alinhavam as cidades tendo em conta o movimento no espaço, os edifícios apontavam para o sol ou para outras estrelas.
Indígenas mexicanos, descendentes da antiga cultura maia, festejaram a 21 de Dezembro do ano passado o começo do último ano da era actual do seu calendário. O chefe maia Santiago Cruz disse à agência Efe que chegaram "os dias de oração e era tempo de preparação para uma nova era". Visão, 30/11/2012