sexta-feira, 20 de abril de 2012

Angola em imagens I

Angola é um país multicolor, verdejante, árido, luxuriante, diverso e sempre surpreendente. De Cabinda ao Cunene, o olhar perde-se na riqueza da oferta, na desmesura do contraste. Em cada paisagem, em cada lugar, em cada rosto está sempre uma imagem inédita. Retratar Angola é querer apanhar o infinito.
Em jeito de insensata ousadia, apresenta-se um parco registo que  pretendeu  apenas fixar  retalhos dessa imensa  e  bela diversidade.






Angola em imagens II




quinta-feira, 19 de abril de 2012

Queria escrever-te uma carta

Carta de um contratado
Eu queria escrever-te uma carta
amor,
uma carta que dissesse
deste anseio
de te ver
deste receio
de te perder
deste mais bem querer que sinto
deste mal indefinido que me persegue
desta saudade a que vivo todo entregue…

Eu queria escrever-te uma carta
amor,
uma carta de confidências íntimas,
uma carta de lembranças de ti,
de ti
dos teus lábios vermelhos como tacula
dos teus cabelos negros como dilôa
dos teus olhos doces como maboque
do teu andar de onça
e dos teus carinhos
que maiores não encontrei por aí…

Eu queria escrever-te uma carta
amor,
que recordasse nossos tempos a capopa
nossas noites perdidas no capim
que recordasse a sombra que nos caía dos jambos
o luar que se coava das palmeiras sem fim
que recordasse a loucura
da nossa paixão
e a amargura da nossa separação…

Eu queria escrever-te uma carta
amor,
que a não lesses sem suspirar
que a escondesses de papai Bombo
que a sonegasses a mamãe Kieza
que a relesses sem a frieza
do esquecimento
uma carta que em todo o Kilombo
outra a ela não tivesse merecimento…

Eu queria escrever-te uma carta
amor,
uma carta que ta levasse o vento que passa
uma carta que os cajús e cafeeiros
que as hienas e palancas
que os jacarés e bagres
pudessem entender
para que o vento a perdesse no caminho
os bichos e plantas
compadecidos de nosso pungente sofrer
de canto em canto
de lamento em lamento
de farfalhar em farfalhar
te levassem puras e quentes
as palavras ardentes
as palavras magoadas da minha carta
que eu queria escrever-te amor….

Eu queria escrever-te uma carta…
Mas ah meu amor, eu não sei compreender
por que é, por que é, por que é, meu bem
que tu não sabes ler
e eu – Oh! Desespero! – não sei escrever também
António Jacinto, poeta angolano, in “ Poemas”

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Fernando Pessoa quase autobiográfico

José Paulo Cavalcanti Filho, Advogado no Recife, consultor da Unesco e do Banco Mundial,  ex-Ministro da Justiça,  membro da Academia Pernambucana de Letras escreveu “ Fernando Pessoa – Uma quase-autobiografia”. Esta  monumental obra sobre a vida de Fernando Pessoa chega às livrarias a 19 de Abril, com chancela da Porto Editora.
José Carlos de Vasconcelos apontou, na apresentação à edição portuguesa, que este é «um livro absolutamente invulgar, extraordinário, "apaixonado" e que as centenas de páginas que tem, «se lêem como um romance, acrescentam muito ao conhecimento do percurso existencial de Pessoa e dos que lhe são próximos». O jornalista e director do Jornal de Letras salienta ainda a inteligência e a seriedade da investigação, ressalvando, porém, o possível cariz controverso de certas conclusões.

No Brasil, a revista Veja considerou “Fernando Pessoa – Uma Quase- Autobiografia” «a mais completa e detalhada reconstituição que jamais se fez da vida do autor». Mas este livro foi notícia também em Espanha. O El País revelou que contém «novidades surpreendentes sobre o genial poeta português» e que colocou o «mundo das letras em polvorosa». Na generalidade dos artigos, merecem elogio o esforço notável de pesquisa por parte do autor, a amplitude da obra – personalidades como Richard Zenith, Tereza Sobral Cunha, Eduardo Galeano ou Millôr Fernandes também o confirmam – e o facto de esta conseguir desmontar mitos e lendas em torno de Pessoa.
A obra vista pelo autor
«Este livro, pois, não é o que Pessoa disse, ao tempo em que o disse; é o que quero dizer, por palavras dele. Com aspas é ele, sem aspas sou eu (…).
Não é um livro para especialistas, por já terem, à disposição, páginas demais. Que contam seus poemas octossilábicos, ano a ano — três em 1919, seis em 1920, e por aí vai; ou os advérbios de modo usados, equivalentes a 2,94% das frases de sua obra; ou estudam o uso do vocativo nos seus versos; ou examinam cada palavra de Mensagem — após o que se sabe haver, no livro, dez com 13 sílabas; ou sustentam que castelos, espadas, gládios e padrões, expressões nele tão frequentes, seriam símbolos fálicos; ou relacionam o horizonte paradigmático que modifica o buraco negro da luz ofuscante da melancolia de Bernardo Soares com as teorias de um filósofo alemão da Escola de Frankfurt ou com a lituraterra da psicanálise; ou discutem o número de vezes, 125, em que neles aparece a palavra coração. Sendo mais frequente na obra, só para constar, a palavra mar — em Mensagem, 35 vezes; no seu mais longo poema, “Ode marítima”, 46; mais 13, em fragmento de uma “Ode to the sea” que escreveu como Alexander Search; muito mais, parei de contar quando o número se aproximava das duas centenas. Nem proponho uma nova interpretação de Pessoa — que também muitas existem, para todos os gostos. Reduzidos, então, os bons propósitos dessas páginas, a serem simples guia para não iniciados.»  in  "Um quase-prefácio”
Sinopse
«Conheci Fernando Pessoa em 1966, pela voz de João Villaret. Foi o começo de uma paixão que até hoje me encanta e oprime.»
Enamorado desta figura de romance por escrever e de uma obra imensa que dispensa apresentação, José Paulo Cavalcanti Filho partiu à descoberta do homem que aqui nos dá a conhecer, de corpo inteiro: um Fernando Pessoa multifacetado, homem vaidoso, com dons de inventor e astrólogo, de ambições desmedidas e existência modesta; uma vida banal e triste para uma obra verdadeiramente universal.
Da reconstituição das esferas culturais da época aos pormenores do quotidiano, Cavalcanti decifra a vida por trás das palavras, a solitária multidão de um só Pessoa.
Imprensa
«A mais completa e detalhada reconstituição que jamais se fez da vida do autor.»
Revista Veja
«Vinte anos levantando fontes inéditas de Pessoa.»
Revista Época
«Novidades surpreendentes sobre o genial poeta português. Mundo das letras em polvorosa.»
El País
«Primeira biografia escrita por um brasileiro e talvez a mais ampla.»
O Globo
«Cavalcanti descobriu que podia retratar o poeta a partir de seus próprios escritos.»
O Estado de São Paulo
Outras opiniões
«O que o grande escritor português nos deixou é uma vida-obra, ou obra-vida, sendo uma coisa indissociável da outra. Sei que José Paulo partilha esta ideia, e sei que dedicou vários anos a documentá-la.»
Richard Zenith
«A ideia de erigir sobre o caos documental pessoa uma “quase autobiografia” diz bem do prolongado envolvimento de José Paulo com a obra do poeta e da generosa franqueza com que necessariamente a si mesmo se desvela nessa expedição.»
Tereza Sobral Cunha
«Bem-vinda seja esta descoberta de José Paulo.»
Eduardo Galeano
Li este livro impressionante em suspense, mesmo sabendo, desde o início, que o herói morre no fim. E José Paulo revela nele a figura perfeita do anti-herói. Descreve-o com amplitude e detalhes que ele próprio não saberia repetir. Que admirável esforço perseguindo essa vida! E que admirável revelação de biógrafo!»
Millôr Fernandes
Fonte E-cultura

Sons de Angola

Angola tem sons e tons únicos. Gentes que cantam e que sonham. Angola é terra , é continente . Angola  chora, geme, grita,  sorri . Angola vive e revive nas vozes dos seus cantores. Waldemar Bastos, voz ímpar de Angola, fá-lo com mestria em " Ndapandula".


terça-feira, 17 de abril de 2012

Simplesmente Amo-te

Soneto – X L I V
Saberás que não te amo e que te amo
posto que de dois modos é a vida,
a palavra é uma asa do silêncio,
o fogo tem uma metade de frio.

Eu te amo para começar a amar-te,
para recomeçar o infinito
e para não deixar de amar-te nunca:
por isso não te amo todavia.

Te amo e não te amo como se tivesse
em minhas mãos as chaves da fortuna
e um incerto destino desditoso.

Meu amor tem duas vidas para amar-te.
Por isso te amo quando não te amo
e por isso te amo quando te amo.
Pablo Neruda, in “Cem Sonetos de Amor” Ed. Campo das Letras

Eu Simplesmente Amo-te
Eu amo-te sem saber como, ou quando, ou a partir de onde. Eu simplesmente amo-te, sem problemas ou orgulho: eu amo-te desta maneira porque não conheço qualquer outra forma de amar sem ser esta, onde não existe eu ou tu, tão intimamente que a tua mão sobre o meu peito é a minha mão, tão intimamente que quando adormeço os teus olhos fecham-se.
Pablo Neruda, in "Cem Sonetos de Amor" , Editora Campo das Letras

Não te quero senão porque te quero

Não te quero senão porque te quero
E de querer-te a não querer-te chego
E de esperar-te quando não te espero
Passa meu coração do frio ao fogo.

Te quero só porque a ti te quero,
Te odeio sem fim, e odiando-te rogo,
E a medida de meu amor viageiro
É não ver-te e amar-te como um cego.

Talvez consumirá a luz de janeiro
Seu raio cruel, meu coração inteiro,
Roubando-me a chave do sossego.

Nesta história só eu morro
E morrerei de amor porque te quero,
Porque te quero, amor a sangue e fogo. 
Pablo Neruda, in "Cem Sonetos de Amor" , Editora Campo das Letras

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Neste mundo há lugar para todos

"Queremos todos ajudar-nos uns aos outros. Os seres humanos são assim. Queremos viver a felicidade dos outros e não a sua infelicidade. Não queremos odiar nem desprezar ninguém. Neste mundo há lugar para toda a gente. E a boa terra é rica e pode prover às necessidades de todos.
O caminho da vida pode ser livre e belo, mas desviámo-nos do caminho. A cupidez envenenou a alma humana, ergueu no mundo barreiras de ódio, fez-nos marchar a passo de ganso para a desgraça e a carnificina. Descobrimos a velocidade, mas prendemo-nos demasiado a ela. A máquina que produz a abundância empobreceu-nos. A nossa ciência tornou-nos cínicos; a nossa inteligência, cruéis e impiedosos. Pensamos de mais e sentimos de menos. Precisamos mais de humanidade que de máquinas. Se temos necessidade de inteligência, temos ainda mais necessidade de bondade e doçura. Sem estas qualidades, a vida será violenta e tudo estará perdido. O avião e a rádio aproximaram-nos. A própria natureza destes inventos é um apelo à fraternidade universal, à união de todos. Neste momento, a minha voz alcança milhões de pessoas através do mundo, milhões de homens sem esperança, de mulheres, de crianças, vítimas dum sistema que leva os homens a torturar e a prender pessoas inocentes. Àqueles que podem ouvir-me, digo: Não desesperem. A desgraça que nos oprime não provém senão da cupidez, do azedume dos homens que têm receio de ver a humanidade progredir. O ódio dos homens há-de passar, e os ditadores morrem, e o poder que tiraram ao povo, o povo retomá-lo-á. Enquanto os homens morrerem, a liberdade não perecerá."
Charles Chaplin, in  Discurso final de «O Grande Ditador»

A Essência de Madredeus

Beatriz Nunes é a nova voz dos Madredeus que surge em "Essência", o  último e  novo registo do grupo  que acaba de ser  lançado.
Com "Essência" os Madredeus  preparam-se para festejar os seus 25 anos. São novas versões de 13 temas seleccionados entre as quase duas centenas que fazem parte do repertório da banda.
Teresa Salgueiro, assim como a maior parte dos músicos da formação original, deram entretanto lugar a novos elementos, entre os quais se destaca Beatriz Nunes, a nova vocalista em estreia neste disco de 13 faixas.
À guitarra clássica de Pedro Ayres de Magalhães e aos sintetizadores de Carlos Maria Trindade juntam-se agora as cordas de Varrecoso e de António Figueiredo e Luís Clode.
"Jorge Varrecoso, violista da Orquestra do São Carlos que também  integra a nova formação do Madredeus, terá dado o primeiro passo na direcção desta 'Essência' quando propôs a Pedro Ayres que se vestisse o repertório clássico deste ensemble com novos arranjos. Primeiramente para um novo espectáculo, que depois desembocou naturalmente neste novo registo", refere o texto de apresentação. Fonte Expresso
Madredeus com a  voz de Beatriz Nunes em " Estrada da Montanha" do álbum " Essência"