Sophia de Mello Breyner Andresen nasceu a 6 de Novembro de 1919 (1919-2004). Completaram-se , ontem , 92 anos do seu nascimento. A poesia que nos deixou tem sido constantemente aplaudida e relembrada em todo o mundo. Hoje, também a recordamos.
As rosas
Quando à noite desfolho e trinco as rosas
É como se prendesse entre os meus dentes
Todo o luar das noites transparentes,
Todo o fulgor das tardes luminosas,
O vento bailador das Primaveras,
A doçura amarga dos poentes,
E a exaltação de todas as esperas.
É como se prendesse entre os meus dentes
Todo o luar das noites transparentes,
Todo o fulgor das tardes luminosas,
O vento bailador das Primaveras,
A doçura amarga dos poentes,
E a exaltação de todas as esperas.
Sophia de Mello Breyner, in "Dia do Mar" (1º ed. Ática 1947, incluído no vol. I da "Obra Poética", ed. Caminho)
A anémona dos dias
Aquele que profanou o mar
E que traiu o arco azul do tempo
Falou da sua vitória
Disse que tinha ultrapassado a lei
Falou da sua liberdade
Falou de si próprio como de um Messias
Porém eu vi no chão suja e calcada
A transparente anêmona dos dias.
Sophia de Mello Breyner, in “No Tempo Dividido e Mar Novo”, Edições Salamandra, 1985, p. 67

