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quinta-feira, 23 de junho de 2022

Dois anos, Lana!

 

Um homem da povoação de Neguá, na costa da Colômbia, conseguiu subir às alturas do céu.

À volta, contou. Disse que, lá de cima, contemplara a vida humana. E disse que éramos um mar de foguinhos.(...)

Cada pessoa brilha com luz própria entre todas as outras. Não há dois fogos iguais. Há fogos grandes, fogos pequenos e fogos de todas as cores.

                                         Eduardo Galeano, O Livro Dos Abraços



Lana é a minha neta mais nova. Faz hoje dois anos. É um ser ainda pequenino , dotado de uma grande história. Uma história que, se fosse vista das alturas, não teria o brilho que ela merece. Tudo isso se deve a uma circunstância que lhe é estranha. Nasceu num tempo empestado pela pandemia. E vive agora num mundo massacrado por uma guerra. A Lana não sabe disso. Apenas é capaz de verificar que também há sorrisos para lá das máscaras. Descobriu-o há pouco tempo. E foi uma grande descoberta para uma menina que, sem mais,  cativa e nos prende ao seu olhar.

Linda e feliz, a Lana não percepciona o que os homens fizeram  e continuam a fazer ao mundo . O seu mundo é um mar de descobertas em construção. Não há dia que lhe escape . Tudo se conjuga para que tente um novo feito. Aprendeu a andar para poder decidir onde  quer chegar. Verborreia enquanto discursa para nos  fazer entender que sabe o que quer.  Observa e reflecte a seu modo para mimetizar o que concluiu. 

É assim a Lana. Entrou nas nossas vidas há dois anos. E nada foi mais o mesmo. Se a aprendizagem se medisse , era ela quem venceria. Ensinou-nos vida e fez-nos aprender que há sempre um depois  , um  novo amanhã que desconhecemos. Um futuro que se encheu de muita cor que só ela sabe escolher. Talvez  a vida seja apenas isso:  amar incondicionalmente um ser que nos chega em tempo de adversidade para transformar os nossos dias. 

A Lana não o sabe ainda. Mas se de lá de cima o mundo é um mar de foguinhos, ela é aquele que tem todas as cores.

Parabéns, querida Lana.