Um homem da povoação de Neguá, na
costa da Colômbia, conseguiu subir às alturas do
céu.
À volta, contou. Disse que, lá de
cima, contemplara a vida humana. E disse que éramos um
mar de foguinhos.(...)
Cada pessoa brilha com luz própria
entre todas as outras. Não há dois fogos iguais. Há fogos grandes, fogos
pequenos e fogos de todas as cores.
Eduardo Galeano, O Livro Dos Abraços
Lana é a minha neta mais nova. Faz hoje dois anos. É um ser ainda pequenino , dotado de uma grande história. Uma história que, se fosse vista das alturas, não teria o brilho que ela merece. Tudo isso se deve a uma circunstância que lhe é estranha. Nasceu num tempo empestado pela pandemia. E vive agora num mundo massacrado por uma guerra. A Lana não sabe disso. Apenas é capaz de verificar que também há sorrisos para lá das máscaras. Descobriu-o há pouco tempo. E foi uma grande descoberta para uma menina que, sem mais, cativa e nos prende ao seu olhar.
Linda e feliz, a Lana não percepciona o que os homens fizeram e continuam a fazer ao mundo . O seu mundo é um mar de descobertas em construção. Não há dia que lhe escape . Tudo se conjuga para que tente um novo feito. Aprendeu a andar para poder decidir onde quer chegar. Verborreia enquanto discursa para nos fazer entender que sabe o que quer. Observa e reflecte a seu modo para mimetizar o que concluiu.
É assim a Lana. Entrou nas nossas vidas há dois anos. E nada foi mais o mesmo. Se a aprendizagem se medisse , era ela quem venceria. Ensinou-nos vida e fez-nos aprender que há sempre um depois , um novo amanhã que desconhecemos. Um futuro que se encheu de muita cor que só ela sabe escolher. Talvez a vida seja apenas isso: amar incondicionalmente um ser que nos chega em tempo de adversidade para transformar os nossos dias.
A Lana não o sabe ainda. Mas se de lá de cima o mundo é um mar de foguinhos, ela é aquele que tem todas as cores.
Parabéns, querida Lana.
