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quinta-feira, 14 de junho de 2012

As palavras morriam em ti

Ouvi-te mas nada disseste
As palavras morriam em ti
E eu olhava -te sem mim
O amor fora-se sem nós.

Os dias mornos despojados de todo o calor
levaram dos meus olhos os sons do teu chamar.
Já não sei se desejo  ficar nas pregas da sombra
esperando o que não vem, se me fui e já não sou
quem te sonhou nos dias sem saber quem eras
quando chegavas no enlevo perdido do sonho.
Sobraram as ténues memórias dum dizer inaudível
apenas sibilado pelos  sons dos gestos nunca feitos
perdido nas palavras gastas da espuma do devir
que se foi sem vir e se fez morrer sem existir.

Adeus. Já não importam
esses sinais  que ficaram 
no longo  desenho dos beijos  
que  nos lábios se afundaram.
Maria José Soares de Moura , in " Poesias do Mar e da Terra"