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sexta-feira, 5 de outubro de 2012

5 de Outubro, o dia da República


" o ar de Lisboa andou esguedelhado de tiros, o céu riscado de fogos-de-vistas singulares.”José Rodrigues Miguéis , in “A Escola do Paraíso”, 1960, Editorial Estampa


José Rodrigues Miguéis (1901-1980), é um dos nomes maiores da literatura portuguesa, com uma enorme obra publicada e, frequentemente, esquecido na invocação literária. 
Em “ A Escola do Paraiso”, este  admirável escritor, através do olhar de uma criança, Gabriel, relata e descreve os acontecimentos e o revolucionário tempo vividos em 1910, na implantação da República.

"Começavam-se a vender na rua bandeiras, alfinetes, postais e globos de vidro colorido com cenas e retratos dos homens do regime. Era uma Vida Nova que raiava. Dir-se-ia que estava tudo preparado para a celebração! Passavam bandos aos vivas, caminho da Baixa, da Rotunda, do Tejo, cantando a Portuguesa. Afluíam de todos os lados os heróis de última hora: as barricadas, até ali quase vazias, transbordavam agora de combatentes, eriçadas de armas que não tinham chegado a dar fogo. Tiravam-se grupos memoráveis, para depois se dizer «Eu também Lá estive!».
 (…)Então compreenderam que alguma coisa de grande e sério se passava: não era só festa, só vivas, só fogo-de-vista! E ficaram muito tempo calados, no escuro da noite, pensando no pai que chorava de alegria, até que o cansaço daquele primeiro dia da Vida Nova os venceu, e adormeceram."
José Rodrigues Miguéis , in “A Escola do Paraíso”, 1960, Editorial Estampa