Ah, deixem-me não aproveitar nada!
Nem tempo, nem ser, nem memórias de tempo ou de ser!...
Deixem-me ser uma folha de árvore, titilada por brisa,
A poeira de uma estrada involuntária e sozinha,
O vinco deixado na estrada pelas rodas enquanto não vêm outras,
O pião do garoto, que vai a parar,
E oscila, no mesmo movimento que o da alma,
E cai, como caem os deuses, no chão do Destino.
Álvaro de Campos, in “Poesias de Álvaro de Campos.Fernando Pessoa.”
Lisboa, Edições Ática
O Domingo é sempre tempo de dar às palavras a forma que o tempo exige. E para este último Domingo de Janeiro são as palavras de Fernando Pessoa como Álvaro de Campos que podem ilustrar a extraordinária peça musical de Hans Zimmer, "Time" .