" É Agosto, mês de calor e férias. Trago-vos, pacientes leitores desta newsletter, fantasias pompeianas e alguns afagos matemáticos. Obrigado por gostarem de livros."
Manuel S. Fonseca, editor da Guerra & Paz e da Gradiva
Os meus livros de Agosto
heranças e fantasia
Os livros Gradiva de Agosto
"A fantasia abre Agosto na Gradiva. Já tínhamos, na editora, a divagação ronronante de Freud, mas faltava-nos o pequeno sobressalto original, o inspirador romance Gradiva, Uma Fantasia Pompeiana, de Wilhelm Jensen: agora sim, sabemos de que onirismo é filho o nome desta editora. Publicado pela primeira vez em Portugal, abre as novidades dos livros Gradiva deste mês.
E na pré-rentrée, nos últimos dias de Agosto, há dois romances – clássicos contemporâneos, se me autorizam o dúbio oxímoro – que a Gradiva leva às livrarias. De Michael Cunningham, vencedor do Prémio Pulitzer, regressa As Horas: a capa é nova e felicíssima, tendo lá dentro as vidas de três mulheres, que são capelas interiores e (im)perfeitas.
E com Ian McEwan voltamos a Amsterdão, romance vencedor do Booker Prize, que irónica e essencialmente se passa em Londres e começa à porta de um crematório, num funeral: impiedoso e divertido. Herança magnífica do fundador desta casa, Guilherme Valente.
Herança de Valente também são dois autores portugueses raros, magistrais e insólitos. Ora, leiam.
Jorge Calado, professor de química em Cornell e no Técnico, escreveu Após a Bomba, para uma história da ciência em Portugal (1945-2005), um livro escrupulosamente verdadeiro, com o apoio da Sociedade Portuguesa de Química, em que o autor testemunha os passos de desenvolvimento da ciência em Portugal, a partir do dia em que foi lançada sobre Hiroxima a bomba atómica.
Jorge Buescu, vencedor do Prémio Ciência Viva 2024, é um dos grandes matemáticos portugueses, mas é sobretudo um intelecto imprevisível, com um fascinante pendor para gerar as mais inesperadas e imaginativas associações, do que o leitor terá substancial prova em Casamentos e Outros Desencontros… a culpa é da matemática? Casamentos, relações humanas, economia, o cosmos até, não resistem ao penetrante afago do pensamento matemático."
«Não leias mensagens da tua mãe num clube de sexo» é a regra n.º 1 que o leitor de Olha para mim, de Sara Cate, encontra mal dá a volta à esquina do prólogo do livro. É um livro da euforia, a chancela em que a Rita Fonseca, a editora, só traz livros que brinquem com o fogo.
Os livros Guerra e Paz de Agosto
"E a Agosto a Guerra e Paz editores oferece três livros. Conversas Soltas na Casa das Palavras é uma homenagem a uma professora de português, mestre em didáctica, Emília Amor. Falecida há três anos, deixou-nos este livro, um objecto entre a ficção e a pedagogia, que só o esforço de vários professores, seus colegas e admiradores, conseguiu transformar em realidade.
Nuno Ferrão é o meu autor de Desamor. Como se saísse ele próprio de um romance, Nuno Ferrão converte-se em personagem e conta-se em Um Corpo Sob Reserva, Esclerose Múltipla. Diz-nos como convive com a esclerose múltipla, mas acima de tudo como luta contra essa esclerose que o invade, desgasta e rouba. Uma luta em que a lucidez e o humor guiam o Nuno.
Acabo com uma edição gloriosa. Em grande formato (24x33 cm) com organização dos angolanos Irene Guerra Marques e Carlos Monteiro Ferreira (Cassé), a Guerra e Paz tem a honra de editar a «reconstituição» da célebre revista Mensagem, a voz dos naturais de Angola, de que se publicou, em Luanda, o primeiro número, em Julho de 1951, saindo os números 2, 3 e 4 em conjunto, em Outubro de 1952. Com o mecenato exclusivo do dstgroup, a quem a cultura portuguesa (a angolana também) muito deve. Além das livrarias portuguesas, haverá mil exemplares a ser distribuídos em Angola, 200 dos quais doados a um grupo vasto de bibliotecas e entidades ligadas ao ensino. Em fac-símile, aqui se encontram poemas memoráveis de Viriato da Cruz, textos de Mário Pinto de Andrade, intervenções de Óscar Ribas, Mário António e Agostinho Neto, no que quis ser simultaneamente afirmação estética e fundacional de uma literatura e de uma pátria. Um documento histórico."
Manuel S. Fonseca, editor da Guerra & Paz e da Gradiva
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