Manoel de Andrade
Manoel de Andrade é um profícuo poeta de Curitiba , Brasil.
Tem uma vasta obra publicada, iniciada no tempo das lutas estudantis no
Brasil, de que se tornou simbólica A Passeata
dos Cem Mil, no Rio de Janeiro, no tempo da ditadura . Obrigado a
exilar-se , correu a América Latina, que definhava sob o jugo de governos autoritários.
Durante o tempo da diáspora, escreveu empenhados poemas que se condensaram em
dois aplaudidos livros de poesia. Após o regresso ao Brasil, publicou as
memórias desse tempo de exílio, de bardo guerreiro, que são um poderoso e rico
documento da história da América Latina na luta contra a tirania.
Acabamos de receber, o que nos torna muito honrados, um novo poema deste extraordinário poeta que
confidencia o seguinte:
Escrevi algures que:
Esta passagem, constante dos capítulos
5, 6 e 7 de Mateus foi tão estudada e comentada ao longo dos tempos que vale
aqui fazer uma singela reflexão lembrando de dois fatos tão significativos na
história do cristianismo. Moisés subiu a uma montanha para receber os
Mandamentos da Lei e Jesus subiu a um monte para nos enviar os mandamentos do
coração. Entre tantas referências, por certo a mais expressiva foram as
palavras de Mahatma Gandhi (1869 – 1945) quando, numa de suas reflexões,
afirmou que “Se se perdessem todos os livros sacros da humanidade e só se
salvasse O Sermão da Montanha, nada estaria perdido.” (1) Essa sábia dedução de
um homem tão iluminado como Ghandi indica que essa marcante passagem do
Evangelho resume todo o fundamento moral do Cristianismo. Santo Agostinho
escreveu o livro “Sobre o Sermão do Senhor na Montanha” onde analisa em
profundidade cada detalhe da mensagem incomparável de Jesus. Martinho Lutero
(1483 – 1546) dedicou ao texto vários sermões em Wittenberg, publicados em 1532
e Francois Mauriac (1885 – 1970), o grande mestre do romance francês, que
descreveu Jesus em seu livro O Filho do Homem e foi laureado com o prêmio Nobel
de Literatura de 1952, comentando o mais belo discurso do Divino Mestre,
afirmou: "Quem nunca leu o Sermão da Montanha, não é capaz de saber o que
é o cristianismo". E mesmo diante de tanta reverência, no Ocidente, essa
mensagem sublime de Jesus foi deformada pela poderosa tutela “teocrática” que
tinha a Igreja sobre a consciência das pessoas. A vigilância pela pureza
dogmática mantida pela intolerância do Santo Ofício negava todo o elevado
significado da compaixão, da caridade e do perdão que marcaram indelevelmente
as palavras de Jesus. Nascida à sombra arbitrária da cura pontifícia e do trono
imperial, a Inquisição marcou o desprezo absoluto pelo significado da fé, do
amor e da esperança contida no Sermão da Montanha, restando às vítimas do poder
eclesiástico, o desespero, a ruína e a crença na perdição irreparável da
salvação da própria alma.
Finalmente, é
indispensável acrescentar que no Sermão da Montanha, contido no Evangelho de
Mateus, está descrito o nosso mais belo “caminho” para nos dirigir a Deus. É lá
que Jesus nos ensina a orar com humildade e respeito ao Criador, proferindo a
mais perfeita e a única prece que nos ensinou: o Pai Nosso.
Jesus abre o coração
pra dizer sua Verdade.
Aos vindos da Galileia,
aos da Síria e da Judeia,
e pra toda a humanidade.
lá do alto da montanha,
todos fomos consolados.
Na humildade e a mansidão,
e os puros de coração,
como os bem-aventurados.
fez do amor o seu hino
pelo amparo e a compaixão.
Consolou os perseguidos
pelos insultos sofridos
e aos que choram de aflição.
e aos que sofrerem em seu nome,
com a divina recompensa.
Bendisse a paz e a concórdia,
o amor e a misericórdia
com as mais sublimes sentenças.
ante as missões que viriam,
deu a pureza e o sabor.
Chamo-os de “o sal da terra”,
pois o insosso não tempera,
o divino ágape do amor.
Disse: “Sois a luz do mundo”,
tal qual brilha uma cidade.
Pois não se acende o lampião,
pra se cobrir com um tampão,
mas pra iluminar a Verdade.
da Lei, nos Dez Mandamentos,
e nada fique esquecido.
E quem ante a Lei for réu,
passe a Terra e passe o Céu,
tudo há de ser cumprido.
Jesus propôs o perdão.
Nem por olho, nem por dente.
Se te ferirem a direita,
torne a ofensa desfeita
com a esquerda sorridente.
disse com sabedoria:
Amai vossos inimigos.
Fazei o bem ao rival
ora por quem te fez mal
pra ter a paz como abrigo.
é no altar do coração
que Deus ouve teu pedido.
Sem debulhar um rosário,
pede apenas o necessário
e o que for merecido.
Fez do Pai Nosso uma ponte
pra buscar o Criador.
Santificando o seu nome,
dando o pão pra nossa fome
e o perdão ao ofensor.
que a ferrugem rói o ouro
e onde te rouba o ladrão.
Pela pratica do bem,
faz teu tesouro no Além
e guarda no coração.
que Deus te há de prover
do que te falta na vida.
Seu amor não deixa ao léu
nem mesmo as aves do céu
às quais não falta a comida.
os puros lírios campestres
não conhecem a fiação.
Mas disse que a natureza
as vestem com mais beleza
que o manto de Salomão.
tão belo como o horizonte.
Uma canção do humanismo.
É o saber mais profundo
que se conhece no mundo
pela voz do Cristianismo.
Manoel de Andrade, poema inédito
Manoel, grande poeta de longa data, dissemina a palavra com paixão, abre aos incautos a razão.
ResponderEliminarAMEI A POESIA PARABÉNS
EliminarManoel , poeta brasileiro! Belo Poema! Relembrando o profundo ensinamento do Mestre Jesus , O Sermão da Montanha!
ResponderEliminarMuito bom mesmo gratidão
ResponderEliminarMaravilhosas palavras poéticas de amor e caridade. Parabéns seu Manoel.
ResponderEliminarParabéns, linda poesia!!
ResponderEliminarSempre muito inspirado, e inspirador! Lindo poema!!
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