quinta-feira, 27 de julho de 2023

Como se faz um milionário


Como se faz um milionário
Escárnio e Maldizer, muito a propósito
 
Saltou da carroça pró Lamborghini,
sem mesmo saber ler nem escrever,
exibiu bela fêmea com bikini
e pôs imaginações a ferver.
 
Nunca foi dado a letras ou números,
inteligência pouca, mas esperto.
Escrúpulos nulos ou efémeros,
mas com especialistas sempre perto:
 
advogados que ensinam as maroscas,
banqueiros que conhecem os offshores,
assessoras com boas rabioscas
 
e antes favores do que fervores!
Assim se faz um milionário,
espécie de Einstein ao contrário!
                       26.07.2023
Eugénio Lisboa

quarta-feira, 26 de julho de 2023

Os habitantes da escuridão

Os canalhas não gostam do ar puro,
por isso gostam sempre de o sujar.
Buscam o escuso e o escuro.
para aí poderem chapinhar.
 
As suas mordidelas são medalhas,
ao peito dos a quem eles perseguem.
Não são vistos em esbeltas batalhas,
não havendo honra que não reneguem.
 
Quem vive no escuro, escuro fica
e toda a claridade lhe faz ferida!
E quem, da claridade, cedo abdica
 
verá que a sua vida é avenida
que o leva a seguro inferno,
onde nada mais há do que inverno.
                     26.07.2023
Eugénio Lisboa

Salvar a Ucrânia

  

A Ucrânia é um dos países mais bonitos . Neste filme em 4K é possível ver toda a paisagem da Ucrânia. Da vibrante cidade de Kiev às poderosas montanhas dos Cárpatos, as paisagens da Ucrânia são deslumbrantes.
Putin e a sua bárbara guerra destruiu muitas destes belos locais que compunham este grandioso país. Num acto hediondo e tresloucado, teima em tudo destruir. Odessa é agora o alvo a abater. A belíssima Catedral não escapou ao ódio das bombas do tirano. A sede do mal é tão insaciável que se estende às grandes cidades. Diariamente, soma destruição e ceifa vidas a este martirizado país.  Relembrar como era , é prestar à Ucrânia a memória de um tempo, que, no  futuro , agregue todos estes lugares numa paz duradoura.

segunda-feira, 24 de julho de 2023

O ideal cristão

 

O ideal cristão

por Eugénio Lisboa
 
The Christian ideal has not been tried and found wanting;
it has been found difficult and left untried.
G. K. Chesterton
 
"A epígrafe de Chesterton, traduzida para português, reza assim: “O ideal cristão não foi experimentado e considerado inadequado; foi considerado difícil e por isso nunca experimentado.”Chesterton era um assumido católico, por isso devia saber do que estava a falar, ao fazer uma das mais subversivas denúncias de total separação entre cristianismo e catolicismo. Por outras palavras, a Igreja Católica teria mostrado sempre aversão a ensaiar o despojamento total do cristianismo. Seria mesmo um desvio acentuadamente profano, materialista, sumptuário, com os seus bispos, cardeais, cardeais patriarcas, papas e descomunais catedrais – de grande beleza sensual – a ofenderem frontalmente a simplicidade e humildade que vestiu Francisco de Assis. Foi este o sentido agreste que José Régio deu ao título de uma das suas sátiras mais contundentes contra o materialismo inquietante da igreja católica: o NON EST HIC, do seu belo poema, pescado directamente na tradição cristã, quer dizer isto mesmo: NÃO ESTÁ AQUI, nesta igreja, o Cristo que deixou à humanidade um legado que a igreja católica rejeitou. A Igreja Católica da época bem entendeu a denúncia do grande poeta, que faz eco à de G. K. Chesterton: CRISTO NÃO ESTÁ AQUI, ou O SEU LEGADO NUNCA FOI APROVEITADO. Importantes intelectuais católicos que, até à publicação de A CHAGA DO LADO, tinham posto Régio nos cornos da lua, passaram a denegri-lhe a obra, a partir desse livro, que tão poucos leram como deve ser: uma das mais destemidas afrontas feitas ao Estado Novo, com os seus capitalistas protegidos e abençoados por uma igreja que voltaria a crucificar Cristo, se este ressuscitasse. Vale sempre a pena ler a dilacerante cena do Grande Inquisidor, no romance OS IRMÃOS KARAMAZOV, de Dostoiewsky. Também vale a pena voltar a Tolstoi. Todos dizem admirar muito estes dois gigantes, sem repararem no que há, nas suas formidáveis obras, de radical condenação dos mais óbvios desvios do que Cristo recomendou.
Pareceu-me bem lembrar estas coisas, agora que se aproxima o grande espalhafato e confusão das Jornadas Mundiais da Juventude católica. Os fundadores do cristianismo indicaram que uma simples pedra servia bem de igreja. Os milhões que agora se vão gastar serviriam melhor para amaciar tanta pobreza que anda por aí. Régio tinha razão: NON EST HIC."
Eugénio Lisboa, em 24.07.2023

Levantar o céu e os labirintos da sabedoria

José Mattoso publicou, em 2012, o livro “Levantar o Céu – Os Labirintos da Sabedoria”, recolha de textos de intervenção cívica e espiritual da sua autoria, editado pela “Temas e Debates / Círculo de Leitores”.
Este livro foi pretexto para duas entrevistas ao “Público” e ao “Jornal de Letras”, conduzidas por António Marujo e Maria Leonor Nunes, esta por correio electrónico, de que publicamos alguns excertos.

«Ignorada pela alta finança, ofendida pelos políticos, agredida pela maioria da comunicação social, ameaçada pela cegueira da violência, desejada e praticada por muitos pobres, fracos e oprimidos, ameaçada pelos senhores da técnica, cultivada pelos místicos e contemplativos, esperança dos verdadeiros crentes de todas as religiões, aliada dos que respeitam a Natureza, sustentada pelos que buscam a beleza e a arte – a sabedoria está um pouco por toda a parte. Mas ninguém a vê.»
«A sabedoria vive no labirinto do mundo contemporâneo justamente por se esconder sob muitas formas. É ignorada por muitos que julgam possuí-la. Acredita na eficácia dos pequenos passos. Confia mais na qualidade do que na quantidade. Confere o dom de superar a contradição (o céu e a terra, o bom e o mau, o forte e o fraco, o pequeno e o grande). Sabe esperar a sua vez. Permanece e multiplica-se de forma incompreensível.»
«Apesar da sua fraqueza [a sabedoria] é o antídoto mais poderoso contra a angústia que nos causa um mundo à beira do colapso. É ela que nos ensina o que é importante e o que é secundário.»
«A ameaça do colapso da nossa civilização é real. O espectro do desemprego ou o da paralisação universal causada pela escassez da energia e da água, por exemplo, espalha por toda a parte o medo do futuro. Todos perguntamos como iremos atravessar a “crise”. Revoltamo-nos, com razão, por os seus responsáveis serem os menos afetados, e termos nós de a pagar. Mas é preciso defender a Vida. Lutar contra a morte. A sabedoria ensina-nos a sobreviver, a procurar a alegria e a verdade com os meios que temos, e não pede nada por isso.»
«Um dos mais graves problemas do mundo contemporâneo é a crise dos valores. É uma das consequências da perda de noção de “sagrado”. Sem o seu apoio é impossível justificar o respeito por valores intangíveis. Abre-se a Porta ao arbitrário, à irresponsabilidade, à espiral da Laranja Mecânica. A noção de “sagrado” é de natureza religiosa. mas nada impede que seja recuperada por uma civilização secularizada.»
«A minha proposta de “levantar o céu” tem subjacente a ideia de que é preciso temperar ou equilibrar o materialismo contemporâneo por meio de uma espiritualidade que pode envolver todas as manifestações da vida humana. A metáfora do caminho labiríntico que é preciso percorrer para encontrar a sabedoria do entender e do agir alude, de facto, à atual ambiguidade e reversibilidade de toda a linguagem, de toda a obra humana e de todas as ações, e à necessidade de superar as suas contradições. Tanto um conceito como o outro aludem a uma conciliação dos opostos que a civilização ocidental esqueceu, mas está bem viva na sabedoria oriental.»
«Podemos ter uma atitude política, tentar intervir na realidade. Mas, se não formos conduzidos pela fé, o realismo leva-nos a desistir. O cristão tem possibilidade de se livrar dessa fatalidade na sua relação com o céu. Na metáfora que utilizo, levantar o céu, é trazer a terra ao encontro do céu.
Aí, não estamos sós. Temos a intervenção de Deus, temos a fé na redenção, no perdão dos pecados, no valor do sofrimento, na abnegação, na bondade... Temos também a fé na cultura, na inspiração extraordinária dos grandes artistas, que alcançam níveis fantásticos de captação da bondade, da beleza do mundo. E temos a renovação constante da vida: se há um incêndio numa mata, vemos daí a pouco aparecerem as flores, as ervas. A vida não desiste de se reproduzir, de envolver a realidade.»
«Quando falo em levantar o céu, é todo o universo, são realidades espirituais, a arte, mesmo a que não tem nada que ver com a religião, porque representa uma forma de melhorar o ser. O ser é sempre parcialmente realizado. Ao falar na beleza, não se pressupõe que ela não possa conter também alguma coisa de fealdade. Os antagonismos, fundamento do pensamento ocidental, em que se baseia a visão da realidade, são muitas vezes parciais.»
«[Creio que é possível a coexistência da sabedoria, razão e fé,] contanto que a razão não prevaleça sobre a sabedoria e a fé. Mas a razão é fundamental. A formulação teológica do século XII, de São Tomás de Aquino e da teologia escolástica, é a demonstração mais categórica da capacidade de conciliar a fé com a razão. Isso representa um progresso enorme na compreensão da mensagem evangélica. Portanto, não há uma oposição inconciliável. O pietismo, uma devoção sentimental que é por vezes a expressão de um culto popular, precisa da reflexão racional para se tornar aceitável.
Em Portugal, não se cultivou suficientemente a teologia, na sua expressão plena. Não há uma tradição de estudos teológicos suficientemente válidos do ponto de vista racional, para poder responder a um anticlericalismo primário e cego que existiu em Portugal no século XIX e grande parte do século XX.»
«A bondade pode ser praticada numa conceção laical, laicista mesmo. Não precisa de ter nenhum sobrenatural por trás. Mas o cristão tem essa propensão, se a cultivar. E tem o exemplo de Jesus Cristo que leva isso a um extremo que o homem, só por si, não alcança.»
«A realidade do ser humano implica o bem e o mal, como se conciliam, como entram em relação um com o outro... Os livros que têm aparecido a negar a existência de Deus dizem que, se Deus existisse, teria que intervir para que a maldade humana não prevalecesse. A oposição inconciliável entre o bem e o mal leva a negar a existência de Deus.
Qualquer pessoa que considere as coisas em termos de justiça e verifique o que se passa no mundo ou a crueldade no Holocausto, diz: como é que Deus permite isto, como é que estes homens fazem isto e quem sofre são as vítimas?
Para mim também é difícil aceitar esta realidade. Talvez seja numa visão de totalidade, em que o bem não pode existir sem o mal, que se pode aceitar e encontrar uma relação com o ser do homem. O ser implica também o ser mau.»
«Para o homem de fé, é preciso aprofundar esta noção da sabedoria, que se baseia numa experiência vivida e na meditação da palavra como fundadora da própria realidade, de autenticidade dos conceitos e dos valores.»
«Que estratégia a Igreja deveria seguir, para não perder o lugar que chegou a alcançar?
 Penso que é sobretudo na vivência do Evangelho, na autenticidade da vida cristã. Não de uma forma pietista, mas de forma autêntica, vivencial e esclarecida. Há uma grande quantidade de questões que resultam da ignorância teológica pura e simples.»
«Os cartuxos só admitem vocações até aos 40 anos, já tenho o dobro, não sei se tenho capacidades de viver sozinho. Mas pelo menos queria, com a liberdade pessoal suficiente e sem imposição de tempo, dedicar-me à oração. Mais do que isso: dedicar-me a descobrir o valor da palavra, o autêntico significado da palavra, no sentido de linguagem, de expressão da realidade, no sentido de logos. Encontrar-me na meditação da palavra como expressão do mundo, da existência, da história, e descobrir-lhe um sentido.»
António Marujo, Maria Leonor Nunes,in Público / Jornal de Letras, 08.05.12

Sobre o livro, o próprio autor informa:
«Os textos aqui reunidos foram escritos ao sabor de solicitações variadas, a que tentei responder na medida das minhas possibilidades e segundo as minhas convicções pessoais. Uns são mais ‘cívicos’, outros mais espirituais; uns inspirados no senso comum, outros na mensagem evangélica; uns recorrem à História, outros a princípios intemporais. Qualquer que seja a linguagem e o pensamento que os inspira, pretendem todos contribuir em alguma coisa para ‘levantar o Céu’.»
«’Levantar o Céu’ é o nome que os mestres de chi kung (uma variante do tai chi) dão a um dos seus principais exercícios. Consiste, fisicamente, em levantar os braços em arco com as palmas das mãos apontadas uma para a outra e viradas para cima, isto é, para o ‘Céu’. Pouco importa a execução do exercício. Tomo-o como metáfora de uma atitude de vida que dá a primazia ao Céu, no sentido que a palavra tem, por um lado, na cultura chinesa, e, por outro, na nossa.»
«Que aconteceria se a Terra prevalecesse sobre o Céu, o yin sobre o yang, o egoísmo sobre a generosidade, a força sobre a beleza, a ignorância sobre a sabedoria, a violência sobre a persuasão?» – pergunta o pensador. E responde sem pessimismo, embora bem saiba, enquanto historiador, que o egoísmo vence a generosidade, que a força vence a beleza, que a ignorância vence a sabedoria, que a violência vence a persuasão – e vence desde sempre, desde que o mundo é mundo. Lampedusa lembrou-o de forma lapidar: «Se vogliamo che tutto rimanga come è, bisogna che tutto cambi.»
«Renunciando por completo a fazer contas, é bom acreditar que merece a pena ‘levantar o Céu’, e lembrarmo-nos de que não estamos sozinhos. Felizmente há muitas mulheres e homens neste mundo a tentar unir esforços para manter o contacto entre o Céu e a Terra. É esse o caminho que a sabedoria ensina a percorrer para encontrar a saída do labirinto em que a vida nos coloca.»
«Depois das esperanças de liberdade, de justiça, de democracia, de vitória sobre a exploração do homem pelo homem que nos animaram nos anos sessenta, e que nos nossos dias se dissiparam, voltou para muitos o sentimento da proximidade do fim dos tempos, mas não a esperança num mundo melhor.»
«Quem fala, hoje, em bem, beleza, justiça, liberdade, progresso, democracia, solidariedade, bem comum, autoridade, humanismo, solidariedade?»
«E se alguém fala de tais valores, quem se deixa persuadir por tais discursos? Muito pelo contrário: julga-se que quem mais invoca esses ideais é quem menos acredita neles.»
«A sabedoria não é uma doutrina, nem uma moral. É uma práxis.»
Sumário de «Levantar o Céu- Os labirintos da Sabedoria», Temas e Debates/Círculo de Leitores, 2012, 290 páginas:
Introdução. Parte I – SABEDORIA E RAZÃO: A luta pelos valores no fim do milénio. O poder judicial ontem e hoje. A morte das utopias e o fim da História. O lugar da História. Eutrapelia. Desenvolvimento e cidadania. As três religiões do Livro. Parte II – SABEDORIA E FÉ: Onde está a sabedoria medieval? Olhares sobre o sagrado. «A Nuvem do Não-Saber». Contemplação e Intercessão. Taciturnidade e silêncio. Contemplação e acção, ontem e hoje. Sabedoria e fraternidade. A sabedoria. Viver e saber.

domingo, 23 de julho de 2023

Os tiranos de serviço

Catedral de Odessa, após ataque russo.

Catedral de Odessa, após ataque russo.

Os tiranos de serviço
A pensar num deles e na Catedral de Odessa
 
Um filho da puta de sangue quente
e um filho da puta de sangue frio
distinguem-se instantaneamente:
este tem só tesão de calafrio!
 
O calor do sentir nada lhe diz:
destruir catedrais sem nada fremir,
por nada ver à frente do nariz,
nada, mas nada lhe faz pressentir.
 
O filho da puta absoluto simples
destrói cidades e vidas e arte
e cria tragédias dignas de Sófocles.
 
Invoquemos um raio que o descarte
e o entregue a um feio urubu,
que dele faça infame menu!
                         23.07.2023
Eugénio Lisboa

Ao Domingo Há Música

Busto de Chopin , em Maiorca

Chopin e Sand ,  por Eugene Delacroix.


Eu, quando choro,
não choro eu.
Chora aquilo que nos homens
em todo o tempo sofreu.
As lágrimas são as minhas
mas o choro não é meu
António Gedeão

A música é o vínculo que une a vida do espírito à vida dos sentidos. A melodia é a vida sensível da poesia. 
Beethoven

 

A Música reproduz, de forma sublime, a vida. Não só  vai além da vida sensível da poesia ,  como transforma em melodia  qualquer  sonho que a fértil natureza provoca. Foi assim que Chopin criou o belíssimo prelúdio, que se apresenta, quando esteve em Maiorca com George Sand , pseudónimo de Amantine Lucile Aurore Dupin.
Em 1838, o compositor Frédéric Chopin e a escritora francesa George Sand, chegam a Palma de Maiorca para viver um idílio amoroso num lugar ensolarado. Mas tudo corre mal. . O objetivo da jornada era tratar da tuberculose do pianista. A viagem e a estadia na ilha revelaram-se uma grande desventura. Após terem sido forçados a abandonar a primeira casa, onde se tinham instalado, porque o dono ficou com medo da doença de Chopin, alojaram-se  num  antigo convento.
Na pequena cidade de Palma, as chuvas constantes e a humidade afectaram a saúde de Chopin. A tuberculose  agravou-se, levando-o ao leito. Foi, no entanto, por entre estas adversidades, que Frédéric Chopin compôs famosos prelúdios. Mais tarde , o casal  abandona a ilha , circulando por Barcelona e Marselha até retornar à  propriedade de Sand, em Nohant.

Lang Lang interpreta o belíssimo  Prelúdio de Frédéric Chopin em D-Flat Major, op. 28: No. 15 “Raindrop”, no Steinway & Sons Spirio.
Chopin inspirou -se para a “gota de chuva”, quando sonhava  acordado ou delirava ,   num mosteiro, em Maiorca.. De acordo com George Sand, que interrompeu o devaneio do compositor, quando ela voltou ao mosteiro durante uma tempestade, o compositor  viu-se, ele próprio,  afogado num lago, enquanto gotas pesadas de água caíam, num  ritmo regular, sobre o seu  peito.
 

sábado, 22 de julho de 2023

MA PASSION POUR LA CULTURE DE LA FRANCE

Milan Kundera

 MA PASSION POUR LA CULTURE DE LA FRANCE 
"Milan Kundera est mort à l'âge de 94 ans. Véritable maître de l'ironie et de la désillusion, l'écrivain n'a eu de cesse de nous montrer de quelles plaisanteries nous nourrissons nos rêves comme nos mensonges.
Né en 1929, destiné à une carrière de musicien, Kundera devient poète communiste, puis romancier critique à l'égard du régime. Mis à l'index après l'écrasement du Printemps de Prague (1968), il quitte la Tchécoslovaquie sept ans plus tard pour s'installer en France.
Ni dissident ni exilé, il continue toutefois à écrire en tchèque (L'Insoutenable Légèreté de l'être), avant de choisir le français comme langue unique d'écriture. Paradoxal, secret, rarissime dans les médias, le romancier est considéré comme un des écrivains majeurs du dernier demi-siècle. Succès qu'il attribue, avec humour, « au fait d'être mal compris ».
Parce que sa malice est plus que jamais nécessaire face à l’esprit de sérieux et aux dogmes qui envahissent la société, parce que sa distance, son refus de juger, son scepticisme jamais cynique le place au premier rang de ceux qui aident à respirer dans un air raréfié.
En 1994, ce géant de la littérature dénonçait d'ailleurs dans la Revue l'aveuglement des Français face à l'effacement de la culture européenne, tandis qu'un numéro lui est consacré quelques années plus tard : « Milan Kundera, le maître de l'ironie » avec les signatures d'Alain Finkielkraut, Jean-Paul Enthoven, Antoine Gallimard, Jacques de Saint Victor, Olivier Bellamy, Ulysse Manhes...".
Revue des Deux Mondes