sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Qual vai ser o seu próximo destino?

Conheça os melhores destinos para o corpo, alma e mente
"Desde as baleias mexicanas até às imensas paisagens australianas, sem deixar fugir os encantos de Portugal. Estes países são ideais para ficar em pleno estas férias. Qual é o seu favorito?
Há países ideais para desanuviar a mente e a alma, outros mais apropriados para dar descanso ao corpo. O Telegraph foi descobri-los e o Observador coloca-os a todos num mapa. Portugal não escapou ao percurso. Qual vai ser o seu próximo destino?
Para explorar o mapa, passe o rato por cima da imagem abaixo. Os círculos amarelos apontam os melhores países para umas férias saudáveis para a mente. Os círculos vermelhos marcam os países que mais contribuem para o descanso do corpo. Para a alma, utilizámos os círculos azuis." Observador

Filmes de Jacques Tati restaurados regressam aos cinemas
Ciclo dedicado ao " mestre francês da comédia" contará com todas as seis longas-metragens que realizou e ainda sete curtas-metragens de exibição inédita em Portugal.
"Todo o cinema do realizador francês Jacques Tati será exibido, pela primeira vez, em Portugal, em versão digital restaurada, ao longo das próximas semanas, a partir de 20 de Setembro, em Lisboa, e de 01 de Setembro, no Porto. 
O ciclo dedicado a Jacques Tati, "mestre francês da comédia", como descreve a Leopardo Filmes, contará com todas as seis longas-metragens que realizou e ainda sete curtas-metragens de exibição inédita em Portugal e que o cineasta escreveu ou interpretou. 

A retrospectiva, começou ontem (20 de Agosto), no Espaço Nimas, em Lisboa - e a 01 de Setembro, no Teatro Campo Alegre, no Porto -, com "Sim, Sr. Hulot" (1971) e acontece depois de a cinematografia de Jacques Tati ter sido alvo de restauro digital em 2013 e edição em Blu-ray. 
A acompanhar o ciclo, o Espaço Nimas acolherá uma exposição de cartazes das longas-metragens de Jacques Tati, reinterpretadas pelos ilustradores portugueses André Letria, Marta Monteiro, Madalena Matoso, Sara-a-dias, João Fazenda e Catarina Sobral. 
No ciclo, além de "Sim, Sr. Hulot" serão ainda exibidos "Há festa na aldeia" (1949), "As férias do Sr. Hulot" (1953), "O meu tio" (1958), "Playtime - Vida moderna" (1967) e "Parade", o último filme, feito em 1974 para a televisão sueca. 
A eles juntam-se as curtas-metragens "Procura-se brutamontes" (1934), de Charles Barrois, "Domingo animado" (1935), de Jacques Berr, "Cuida do teu gancho esquerdo" (1936), de René Cleement, "A escola de carteiros" (1946), de Tati, "Aulas nocturnas" (1967), de Nicoolas Ribowski, "Especialidade da Casa" (1976), de Sophie Tatischeff (filha, montadora e assistente de Jacques Tati), e "Força, bastia" (1978), feito a meias entre pai e filha. 
Jacques Tati, que tinha ascendência russa, francesa e holandesa, protagonizou todos os seus filmes. Se, em "Há festa na aldeia", era o distraído carteiro François, nas restantes longas-metragens (exceptuando "Parade") assume uma das mais conhecidas personagens, que, para sempre, se lhe colou à pele: o desconcertante Sr. Hulot, de chapéu, cachimbo e gabardine. 
A primeira vez que Jacques Tati se filmou como Sr. Hulot foi em "As férias do Sr. Hulot", filme exibido em Cannes e nomeado para os Óscares. Seguiu-se a comédia "O meu tio", que lhe valeu em 1959 a estatueta dourada de Hollywood de melhor filme estrangeiro. 
Depois dos ambientes campestres, dos tempos de veraneio e em família, Tati filmou a vida moderna numa grande cidade, Paris, em "Playtime" - um ícone do cinema, mas um fracasso de bilheteira que levou o realizador à falência -, e "Sim, Sr. Hulot", sobre uma aventura nas autoestradas de França e da Bélgica, em direcção a uma feira automóvel. 
Em "Parade", o filme com que se despediu na década de 1970, Jacques Tati presta um tributo ao mundo do espectáculo e do circo. 
Jacques Tati morreu em 1982, vítima de uma pneumonia, deixando por concluir o projecto "Confusion". 
Em 2010, o realizador Sylvain Chomet rodou o filme animação "O mágico", a partir de um argumento de traços biográficos escrito por Jacques Tati, na década de 1950, com referências a uma filha ilegítima do cineasta. 
Em Lisboa, 16 de Setembro é a data prevista para o termo da retrospectiva; no Porto, 23 de Setembro."RTP

EXPOSIÇÕES
Aproveite o verão para visitar seis exposições que a Fundação Calouste Gulbenkian apresenta.

Quarta, 2 Set 15  |  21:00 Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian
ORQUESTRA XXI
DINIS SOUSA (maestro)
HORÁCIO FERREIRA (clarinete)

Francisco de Lacerda
Dans le claire de lune
Almourol

Johannes Brahms / Luciano Berio
Sonata op. 120, nº 1

Piotr Ilitch Tchaikovsky
Sinfonia nº 5, em Mi menor, op. 64


A Orquestra XXI, que reúne músicos portugueses residentes no estrangeiro e venceu em 2013 o concurso da Fundação Gulbenkian, FAZ - Ideias de Origem Portuguesa, regressa ao Grande Auditório com dois apelativos poemas sinfónicos de Francisco de Lacerda, cuja obra orquestral importa redescobrir. Com o clarinetista Horácio Ferreira, Jovem Músico do Ano 2014 e membro da orquestra desde a sua primeira digressão. A Orquestra XXI apresenta a estreia nacional da orquestração de Berio da primeira sonata para clarinete e piano de Brahms, concluindo o programa com uma obra de referência do repertório sinfónico, a 5.ª Sinfonia de Tchaikovsky.

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Assim nasceram os Madredeus


Lisboa Rainha Do Mar, pelos Madredeus, Composição de Pedro Ayres Magalhães

Senhora do Mar
do mundo e da vida
cidade sem par
foi Lisboa antiga


Vejo o manto branco
do seu casario
e vejo as mil velas
dos barcos no rio


Ainda não sei
se o reinado durou
mas em tempo a Senhora
foi dita Rainha


Rainha do mar
que ao mar se levou
e o que é ficou
da Lisboa antiga
eu não sei ainda


Vejo esta cidade
parada no tempo
deve ser saudade
a vista que invento


Lisboa recorda
aquele momento
em que foi Senhora
e do mar Rainha
levada pelo vento

Da esquerda para a direita: Pedro Ayres Magalhães, Rodrigo Leão,
Gabriel Gomes, Teresa Salgueiro e Francisco Ribeiro (fotografia de Álvaro Rosendo, 1987)
[
defronte ao portal da antiga igreja do convento de Xabregas / Teatro Ibérico]
«Há pouco mais de um quarto de século, trabalhava eu na maior editora de música portuguesa [Valentim de Carvalho], participei numa reunião muito acalorada. Tudo, claro, por causa de um disco...»
Assim começa David Ferreira a contar a história do nascimento e primeiros passos dos Madredeus, o nome da música portuguesa que, depois de Amália Rodrigues, maior projecção alcançou além-fronteiras. É uma história repartida por seis capítulos cuja audição se recomenda vivamente, quer aos admiradores do grupo, quer àqueles que, em razão da jovem idade, não conheçam a obra da fase inicial. E com a vantagem de ser contada por alguém que fala com conhecimento de causa:David Mourão-Ferreira.  
Descubra -a " I- Nos bastidores do lançamento de um disco estranho" em: 
 AQUI .

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Ulisses e os poemas de G.Steiner

Then and Now, 1937
We look back to a review by Alan Clutton-Brock of the first English edition of Ulysses
Published: 10 June 2015, TLS
“Mr. Joyce’s major work is at any rate obscure enough to have invited several interpretations, and its structure is sufficiently unlike that of the ordinary novel to have suggested hidden messages and meanings. It has, for example, been supposed to have a pattern analogous to that of the Odyssey, to give an accurate and realistic account of the “stream of consciousness” in the human mind, and by a new technique of writing to have expressed the nature of the characters’ thoughts without the usual distortion of common sense and literary forms. But such explanations commonly arise when a new artistic method is invented; when the post-impressionists first startled the world with their pictures it was commonly believed that in some mysterious fashion they described essential as opposed to accidental properties of natural appearances. Later the artistic purpose of the new method emerges, and there is no longer any need to justify it either by supposing that it conceals as in a cryptogram an intelligible plan like that of previous and familiar works, or as a mode of scientific investigation.
There is, of course, a deliberate attempt to impose order on the incoherence of Ulysses by making all its events belong to a single day and by making the same episodes and characters appear and reappear in the kaleidoscope. But when one chapter contains a succession of masterly parodies of English prose in chronological order, from Beowulf to modern slang, when another is an amusing and satirical excursion on the Irish literary movement, another an irresistibly funny transcription of a young girl’s daydream in terms of the novelettes she has been reading, then the use of the same characters and episodes has the appearance of a merely conventional link between all the sections of the book. No doubt the link has a certain use in helping the reader along, but there is no reason to suppose that it makes the book a coherent whole from which no part can be removed without disaster. It is of no use to look for secret connexions, for in a work of art if the relations of the parts are not apparent enough to be felt, then the parts are not artistically related.
Mr. Joyce’s unit, in fact, is not the book as a whole but the chapter, often the paragraph, and sometimes, one might almost say, the phrase, or even the word. Ulysses is evidently the production of a man fascinated by language rather than by thought or observation; the progress of his style towards the final word-making and word-taking of the unintelligible “Work in Progress” has always been away from observation of life and towards the word as a complete substitute for the flesh. Like the lunatic whose speech degrades into a set of arbitrary sounds more and more remotely connected with his interior preoccupations, Mr. Joyce has played with language – it is perhaps the last development of the Irishman’s habit of inventing new languages which shall not be English – until it has become his private construction. This is not, because he is content, like the lunatic, with any private or delusory world: but it is a curious fact, which several writers have noticed, that there is a remarkable similarity between Mr. Joyce’s compositions and the prose style of certain lunatics. In the two instances the ordinary structure of the language is broken down for quite different reasons, but the results are oddly alike. And with the lunatic it may be worth while looking for the hidden connexion and meaning of apparently disorderly phrases; but with Mr. Joyce we are not to analyse the latent content of his verbal constructions, we are only concerned with the artistic and therefore immediate effect of his language.
But Ulysses only marks a stage in this progress, and his release from the ordinary linguistic conventions only enables Mr. Joyce to exercise all his talent, his almost incredible virtuosity, to the full. Passages that are genuine poetry alternate with the harshest and most deliberately contemptuous parodies, uproarious burlesque with subtle indications of character in a phrase. It is still a work of much observation, and of observation sharpened by disgust; but it is above all the profusion and fertility of language that will fascinate the reader. In this, the first edition published in England, there is an appendix giving, among other details of controversy, the decisions of the United States District Court and of the United States Court of Appeals which allowed Ulysses to be published in that country."


 ‘For R. P. Blackmur Reading His Poems During An Eclipse’
by George Steiner; introduced by Andrew McCulloch
Published: 21 April 2015,TLS
“In 1951, Theodor Adorno famously claimed there could be “no poetry after Auschwitz”. In a TLS article twelve years later, George Steiner took a less pessimistic view. While there was no denying that men with civilized tastes had committed inconceivably barbaric acts, he argued it was still true that ‘what light we possess on our essential, inward condition is still gathered by the poet’ (“Humane Literacy”). And not only was the poet still relevant, so too was the critic, whose job it was to clear the ground for a new poetic age. In the “unprecedented ruin of humane values and hopes” Steiner found a new starting point for the serious discussion of literature. And after the wholesale cheapening and twisting of language by Nazi propaganda, one of the critic’s most urgent jobs was to help restore the integrity of language itself by reminding us how to read “as total human beings”.
Steiner is under no illusions about his own literary abilities. In an interview with the Paris Review he said his French lycée education taught him to regard the ability to write verse as a necessary accomplishment for any civilized person “so I wrote poems . . . some of which were perhaps a tiny shade better than that”. For Steiner, poetry was the opposite of Wordsworth’s “spontaneous overflow of powerful feelings”: “if you flowed over you wiped it up”. But he also insists on the pre-Romantic view of poetry as a suitable medium for analytical discourse (Pope’s Essay on Criticism, for example) and it is perhaps in this light that we should read “For R. P. Blackmur Reading his Poems during an Eclipse”. Although it appears to be a darkness in the heavens that brings Blackmur’s poems down to earth, it is hard not to see here the closing-in of terrifying political shades. For Steiner, the threat of this “ashen triumph” makes the poem a crucial gesture of pure and lasting “defiance”. All that dignifies us are our creative acts: “The word alone outstays / The green armadas of the equinox”.
For R. P. Blackmur Reading His Poems During An Eclipse
I
By that ceremonious prosody of shade
And slow cesura of the light, you read
Twelve poems of the roiling sea. Though salt
Shone in your voice – no actor mimes the fault
And yowing of a poet at his speech –
Though the blue riot and November reach
Of tides sang through the room, that high eclipse
Forced on the sea-shell murmur of your lips
A precept earthbound as the schoolmen teach.
II
The berry grays under the web of frost
No touch of spindrift but wears rock to dust.
These wan conceits and barrens of our state
Take on sharp presence when the moon flares out.
The ashen triumph of that nibbling arc
The lunge of night, make of the poet’s work
A pure defiance by which soul can breathe
A hawser lashing in the smoke-white seas.
Moon and the lover founder in the dark.
III
We cry no miracle, leap to no dance
At light reborn (all hope is arrogance).
A magic graver than this play of air
Holds our breath. Like flame upon a stair
The parched and flickering ones from their dry rocks
Shadow the house, but living song unmasks
Their hollow spell. No acts, no courtly ways
Of heart endure. The word alone outstays
The green armadas of the equinox.
George Steiner (1961) 

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Notícias avulsas

Quer ouvir o som dos quadros da National Gallery?
Quer ouvir o som dos quadros da National Gallery?

"É assim que soa o quadro “Coastal Scene”, de 1892, da autoria de Theo van Rysselberghe? É, segundo Jamie XX, um dos membros do conhecido grupo XX. Isto porque o músico britânico integra uma iniciativa da National Gallery de Londres: seis quadros expostos em seis salas à prova de som.
Cada uma das obras inspirou a criação de uma composição musical exclusiva, num audacioso exercício de reinterpretação. Chama-se Soundscapes esta mostra.
“Convidámos dois autores do panorama artístico contemporâneo, dois compositores de música clássica e depois decidimos ampliar o espetro, e escolhemos um técnico de som. No outro extremo deste leque, está alguém que está no apogeu do som urbano, que é o dj Jamie XX”, explica a curadora, Minna Moore Ede.
O jovem compositor americano Nico Muhly criou uma espécie de resposta auditiva para aquela que é a sua peça museológica favorita, o “Díptico de Wilton”, uma obra do século 14, retratando a Virgem Maria, Jesus e São João Batista. O retábulo foi criado para Ricardo III de Inglaterra.

Muhly afirma que tentou fazer algo “que não caísse no caricatural. Não se trata de fazer associações imediatas. A minha ideia foi mais de rodear o objeto com algo que está sempre em movimento. Trabalhei com um músico chamado Jethro Cooke para garantir que tudo se desloca devagar. Se fosse arte em 360 graus, também a teríamos de contornar para viver a experiência.”
A artista britânica Susan Philipsz criou um acompanhamento para “The Ambassadors”, feito no século 16 por Hans Holbein, o Jovem. A Gabriel Yared, o conhecido compositor responsável por bandas sonoras de filmes como “O Paciente Inglês”, coube “As Banhistas”, de Paul Cézanne.
“Soundscapes” – para ver e ouvir até 6 de setembro.

Mais informação sobre

CCB- Concertos no Jardim das Oliveiras - 28 de Agosto
Durante todo o mês  de Agosto o CCB estará a funcionar em pleno, com os seus restaurantes, lojas  e jardins preparados para receber os visitantes com concertos.
CCB.
1ª parte
Ricardo Pinto Trio

Ricardo Pinto trompete
Oscar Graça piano e teclado
Vasco Furtado bateria
Este projecto assenta na base de improvisação colectiva e feita a partir de ideias que passam por sugestões melódicas, harmónicas e rítmicas que possam construir uma ideia de tema ou temas, inspira-se essencialmente na fase musical de Miles Davis na década de 70.
2ª parte  DJ NERY
DJ desde 2003, é já um talento reconhecido no panorama musical português.
Começou o seu trabalho como DJ profundamente envolvido com o Drum n' Bass, mas cedo escutou as suas raízes vindas do Jazz e envolveu-se ainda mais com a música negra.
Os seus sets de Funk proporcionam momentos únicos acompanhados de pitadas de scratch, a partir de uma selecção de discos retirados de colecções exclusivas. No entanto, Nery é sinónimo de música contemporânea e as suas viagens musicais são também conduzidas pelo vasto espectro da música electrónica, dos future beats ao hip hop clássico.
DJ KWAN
Para Kwan, músico, letrista, jornalista, animador de rádio e desde 2007 Music Programmer da MTV Portugal, tudo começou na década de 80, período em que Afrika Bambaata e A Tribe Called Quest, as suas primeiras memórias musicais, acabariam por influenciar o percurso de uma das maiores referências do deejaying nacional, que em 2013 comemorou 15 anos de carreira.
Ainda muito novo, começou por misturar rock, numa primeira fase, e depois disso todos os vinis que conseguia encontrar. O envolvimento com a cultura Hip-Hop aconteceu nos anos 90, dedicando-se oficialmente ao scratch a partir de 1998."
Coprodução | CCB | NCS
Rafael Chirbes na sua passagem por Lisboa há dois meses
Rafael Chirbes na sua passagem por Lisboa há dois mesesFotografia © Reinaldo Rodrigues/Global Imagens
Morreu o escritor espanhol Rafael Chirbes

"Em Junho esteve na Feira do Livro de Lisboa a apresentar o seu mais recente livro, Na Margem. Morreu este sábado aos 66 anos. Tinha-lhe sido diagnosticado um cancro no pulmão no início da semana.
Uma morte que foi uma surpresa. O cancro no pulmão, irreversível, foi detectado na passada segunda feira no hospital, segundo o El Pais. Rafael Chirbes, considerado um dos melhores escritores de literatura contemporânea da actualidade, morreu passados 5 dias.
Em Junho, aquando da sua passagem por Lisboa, deu uma entrevista ao DN. Veio lançar Na Margem (Assírio & Alvim), então acabado de traduzir para português, considerado livro do ano por vários jornais espanhóis. Disse admirar Camões, Torga e Eça de Queirós - "um dos maiores escritores do mundo". Sobre os seus livros disse:"Nunca tenho um plano de escrita. Aliás, enquanto estou a escrever não sei do que trata o livro nem como acaba. Ao chegar ao fim, dou-me conta de qual era o tema", disse.
Vivia num povoado para onde se exilou, Beniarbeig, nos arredores de Valência com os seus dois cães e dedicava-se à escrita.
Ganhou o Prémio Nacional de Crítica em 2007 e o Prémio Nacional de Narrativa em 2014, entre outros."

Avalanche de migrantes tenta atravessar a Macedónia
"Estas cenas repetem-se diariamente em Gevgelija, na Macedónia, junto da fronteira grega. Centenas de migrantes, a maioria sírios, mas também afegãos e iraquianos, tentam forçar portas e janelas para entrar nos comboios que partem rumo à Sérvia.
Contam passar a fronteira sérvia e depois entrar na Hungria, país do espaço Schengen, a zona europeia de livre circulação.
“A minha ambição é viver num lugar onde o meu filho e a minha mulher estejam bem e eu tenha trabalho”, diz um homem vindo da Síria. Foge de uma vida pior, mas que não corresponde exatamente às suas esperanças: “Não peço ajuda na Europa. Tenho qualificações para trabalhar e trabalharei assim que obtiver permissão para isso.”
Até julho passado, desde o início do ano, entraram na Hungria 57 mil migrantes.
Para travar esta avalanche, Budapeste quer construir um muro na fronteira húngara e a notícia fez nas últimas semanas multiplicar o número de clandestinos que entram na Grécia.
Só no mês passado, foram cerca de 38 mil, os clandestinos que entraram na Macedónia.
As redes de traficantes fazem fortuna. Os passadores na Turquia recebem cerca de mil euros por cada adulto e 600 por criança que metem em barcos rumo às ilhas gregas do mar Egeu."

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Fotógrafos que retratam a migração no Mediterrâneo

LA HISTORIA DETRÁS DE
Lo que opinan los fotógrafos que retratan la migración en el Mediterráneo
Hablamos con los autores de algunas de las fotos que más repercusión han tenido estas semanas·
Por Lucía González  / Jaime Rubio Hancock  - 15 AGO 2015 - El País
"Miles de inmigrantes han llegado en los últimos días a la isla griega de Kos, cercana a la costa turca, que es vía de paso sobre todo para gente que huye de las guerras de Afganistán y de Siria. Pagan unos mil euros por una hora de trayecto en una balsa de plástico y se unen a las más de 120.000 personas que han llegado este año a las costas griegas por mar. Hemos entrevistado a los autores de algunas de las fotografías más publicadas y compartidas en medios y redes para que nos expliquen la historia detrás de estas imágenes a veces duras, pero en ocasiones, también esperanzadoras.
1
El fotógrafo de Reuters Darrin Zammit Lupi tomó está foto el 6 de agosto desde el Phoenix, un barco de rescate de la ONG MOAS, donde estuvo en total diez días. En ella vemos a un inmigrante arrojándose al mar durante una operación de rescate a 16 kilómetros de la costa de Libia. “Habíamos participado ya en varias operaciones hasta ese momento -explica a Verne-. El Phoenix había lanzado sus lanchas para acercarse al barco de los inmigrantes, mientras yo me quedé en el barco a unos 150 metros. No podía ir con las lanchas porque le hubiera quitado el sitio a alguien que necesitaba rescate urgente. A veces la foto tiene que quedarse en segundo plano”. REUTERS
2
El maltés Darrin Zammit Lupi lleva diez años fotografiando la inmigración en el Mediterráneo y es autor de Isle Landers, un libro que recoge muchas de estas historias. “Es emocionalmente duro a veces, pero también recompensa, sobre todo cuando ves que muchas de las imágenes han tenido un impacto positivo y directo en la gente que sale en ellas”. Seguir este tema es importante para él: “Es una de las historias más importantes del siglo XXI. Hasta donde yo sé, nunca en la historia de la humanidad ha habido un movimiento tan masivo de gente”. En su opinión, “no es algo que vaya a cambiar pronto. Es una realidad que tenemos que aceptar y tratar. Es esencial para la integración y el bienestar de todos comprender por qué está gente tiene que viajar y qué sacrificios terribles han de soportar”. Esta foto está tomada en un barco de rescate de Médicos Sin Fronteras, entre Libia y Sicilia. REUTERS
3
El fotógrafo Yannis Behrakis tomó esta foto desde la costa. "Comienzo cada mañana a las cuatro o incluso antes -explica a Verne-. De hecho, muchos días ni siquiera duermo. Voy a los sitios a los que normalmente llegan y espero. A veces llegan a unos cien metros de donde estoy y aún así no los veo porque está totalmente oscuro. Intento escuchar el ruido del motor y si hay luna llena puedo oír el bote. Entonces corro hacia ellos. Es muy difícil y necesitas tener mucha suerte, pero sobre todo pasión y creer en lo que haces". Esta fotografía muestra un bote a la deriva en el mar Égeo después de que se averiara su motor entre la costa turca y la isla de Kos. Fue portada del New York Times. REUTERS
4
Behrakis se ha encontrado más de una vez con esta crítica en redes: "¿Por qué haces fotos a los inmigrantes y no les ayudas?". El fotoperiodista griego suele responder con una foto en la que se ve a los guardacostas ayudándoles: "Alguna gente no entiende o no quiere entender que mi forma de ayudar a esta gente es fotografiándoles". Si estas imágenes se publican, "la comunidad internacional estará al tanto de estos problemas y nadie podrá decir que no sabía nada al respecto". En la foto vemos a refugiados sirios sacándose un selfi al llegar a la isla de Kos. Algunos de ellos traen móviles envueltos en fundas de plástico y lo primero que hacen al llegar es llamar a sus familias. REUTERS
5
Miloš Bičanski explica a Verne que “los inmigrantes suelen llegar entre las tres y las ocho de la mañana. En la isla de Kos hay dos playas a las que pueden acceder y normalmente esperamos en una de ellas. Se les puede oír cuando están llegando”. Bičanski lleva diez años trabajando en Atenas, incluyendo muchas fotografías sobre inmigración: “Es un tema que me interesa personalmente porque soy serbio y he conozco muchas historias de este tipo de cerca”. Getty Images
6
En esta foto vemos el contraste entre el crucero del fondo y los inmigrantes en el primer plano, secando sus pertenencias en la playa de Kos, pero Bičanski explica a Verne que esto no fue intencionado: “En ese momento no me di cuenta y no tenía la idea de crear este contraste. Kos es un sitio muy turístico y ves continuamente barcos y yates". Getty Images
7
Algunas de las fotos más difundidas estas semanas no provienen de fotoperiodistas. Las instituciones también publican en sus redes sociales imágenes (fotografías y vídeos), que ofrecen asimismo a medios de comunicación. Es el caso de esta fotografía que muestra el rescate por parte de miembros de la marina de los inmigrantes que viajaban en la embarcación en el canal de Sicilia, el 12 de agosto. "Algunos de los miembros de la Marina están especializados en comunicación, aunque no hay especialistas en todos los barcos. A veces, cuando es posible, algunos sacan fotos o graban vídeos mientras estamos haciendo diferentes tareas", explica a Verne un portavoz de la Marina Militare a través de correo electrónico. El mismo portavoz indica que el objetivo es "documentar" el trabajo, tanto en el caso del rescate de migrantes como en el de otro tipo de tareas. "Intentamos hacer siempre fotos y vídeos. Las mejores las colgamos en las redes sociales y para los medios, y especialmente en Twitter". El fotoperiodista Darrin Zamit Lupi nos cuenta que muchas de las fotos de las autoridades son impactantes "porque suelen ser los primeros en llegar". Los fotógrafos con los que hemos hablado advierten de los diferentes objetivos de las autoridades: "No publicarán una foto de una situación que salió mal", , afirma Yannis Behrakis . Marina Militar italiana
8
Otro ejemplo de imágenes tomadas por instituciones, en este caso por la Polizia di Stato italiana. Se trata de una operación de rescate de más de 600 inmigrantes que naufragaron cerca de la costa de Libia. Se teme que hayan muerto más de 200 personas. El portavoz de la Marina explica a Verne que fotografiar el proceso es parte de su protocolo: "Tenemos cámaras preparadas en todos los barcos, aunque no haya ningún miembro de los especializados en comunicación. Tratamos de grabar cada uno de los trabajos que hacemos por aire, mar y tierra" en un ejercicio de transparencia con los ciudadanos. Marina Militar italiana" El País

domingo, 16 de agosto de 2015

Ao Domingo Há Música

PARAÍSO          
Deixa ficar comigo a madrugada,
para que a luz do Sol me não constranja.
Numa taça de sombra estilhaçada,
deita sumo de lua e de laranja.

Arranja uma pianola, um disco, um posto,
onde eu ouça o estertor de uma gaivota...
Crepite, em derredor, o mar de Agosto...
E o outro cheiro, o teu, à minha volta!

Depois, podes partir. Só te aconselho
que acendas, para tudo ser perfeito,
à cabeceira a luz do teu joelho,
entre os lençóis o lume do teu peito...

Podes partir. De nada mais preciso
para a minha ilusão do Paraíso.
David Mourão-Ferreira, in "Infinito Pessoal ou a Arte de Amar" (1962). Guimarães Editores

Nem sempre somos nós a procurar a Música. Apresenta-se, por vezes, em traje de evidente sedução e de plena  ousadia,  numa perseguição que nos enreda  e nos submete ao seu jugo. E surgem os  sons que nos transportam para  galáxias de paraísos insondáveis ou  as vozes que se insinuam, com tal intensidade, que nos afundam, em longínquos oceanos de mares transparentes e de profundas águas cristalinas. Mergulhamos sem que a possamos repelir, tal é a força e o encanto da melodia e da sonoridade que a enforma. 
Tudo isso nos traz June Tabor. Uma voz  de um timbre singular  que sempre nos surpreende, em qualquer registo.

June Tabor, em Don't Think Twice, com Huw Warren ao piano (1993).

June Tabor,  em As I Roved On, do Álbum On Air, 1998.


June Tabor, em Shipbuilding, do  Álbum Ashore  (2011, Topic Records Ltd.). Canção composta por Elvis Costello.


June Tabor, em Where are you tonight , do Álbum Aqaba,(1988), uma canção de Andy M Stewart.

sábado, 15 de agosto de 2015

O génio da nossa língua

O génio da nossa língua
Por Teixeira de Pascoaes
"O génio da língua é a essência espiritual emanada dos seus vocábulos intraduzíveis, que se pode sintetizar numa expressão mais ou menos definida.
Na língua portuguesa há um certo número de palavras altamente expressivas do que a nossa sensibilidade possui de mais íntimo e característico, e, por isso, sem equivalentes nas outras línguas.
Mas conhecemos ainda uma célebre palavra animada pelos dois princípios religiosos que definem a alma pátria.
Não precisamos de reunir vários sentimentos comuns dos portugueses, para com eles desenharmos o seu carácter mortal. Há um que o define por completo. Refiro-me à Saudade.
Analisai-a e vereis logo os elementos que a formam: desejo e lembrança, conforme Duarte Nunes de Leão; gosto e amargura, segundo Garrett.
O desejo é a parte sensual e alegre da Saudade, e a lembrança representa a sua face espiritual e dolorida, porque a lembrança inclui a ausência de uma coisa ou de um ser amado que adquire presença espiritual em nós.
A dor espiritualiza o desejo, e o desejo, por sua vez, materializa a dor. Lembrança e desejo confundem-se, penetram-se mutuamente, e precipitam-se depois num sentimento novo que é a Saudade.
Pelo desejo e pela dor, a Saudade representa o sangue e a terra de que descende a nossa Raça.
Assim, aqueles dois ramos étnicos que deram origem aos povos latinos encontraram na Saudade e, portanto, na alma portuguesa, a sua divina síntese espiritual.
A saudade pelo desejo (desejar é querer, e querer é esperar), em virtude da própria natureza do desejo, é também esperança, assim como é lembrança pela dor.
Mas, para além deste aspecto definido e revelado da Saudade, existe ainda a sua feição misteriosa, vaga e indefinida, que devemos perscrutar em outros vocábulos intraduzíveis, como remoto, ermo, oculto, luar, nevoeiro, medo, sombra, etc.1"
Teixeira Pascoaes, In  Arte de ser Português, Lisboa, Assírio & Alvim, 2007, pp. 89-91
1 Cf. O Génio Português, pp. 27-33

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

POESIA

Ai deixa, deixa lá que a Poesia
no perfume das flores, no quebrar
das ondas pela praia,
na alegria
das crianças que riem sem porquê
— deixa-a lá que se exprima, a Poesia.
 
Fica sentado aí onde estás, Poeta,
e não mexas os lábios nem os braços:
deixa-a viver em si;
não tentes segurá-la nos teus braços,
não pretendas vesti-la com palavras...
 
Se a queres ter,
se a queres sempre ver pairando à flor das coisas, fica aí
no teu cantinho, e nem respires, Poeta, e não te bulas,
p'ra que ela não dê por ti.
 
Não a faças fugir, toda assustada
com a tua presença...
Deixa-a, nua, pairando à flor das coisas,
que ela não sabe que a viste,
nem sabe que está nua,
nem sequer sabe que existe...

                          2-2-1945
Sebastião da Gama, in "Serra-Mãe", Lisboa: Portugália Editora, 1945; Lisboa: Edições Ática, Colecção Poesia, 6.ª edição, 1991 – págs. 132-133