sexta-feira, 22 de novembro de 2013

O que não fui

"Quando considero a minha vida fico apavorado ao achá-la informe. A existência dos heróis, aquela que nos contam, é simples: vai direita ao fim como uma seta. E a maioria dos homens gosta de resumir a sua vida num preceito, por vezes uma jactância ou numa lamentação, quase sempre numa recriminação; a sua memória fabrica-lhes complacentemente uma existência explicável e clara. A minha vida tem contornos menos firmes. Como sucede frequentemente, é talvez o que não fui que a define com maior justeza: bom soldado, mas não um grande homem de guerra; amador de arte, mas não aquele artista que Nero julgou ser, ao morrer; capaz de crimes, mas não carregado de crimes."
Marguerite Yourcenar, in "Memórias de Adriano", trad. de Maria Lamas, Ulisseia, p.25 

Quo vadis, Europa?

Zona euro: “Austeridade, o fim de um dogma”
21 novembro 2013, Presseurop, Libération
"Segundo um estudo redigido por Jan in ’t Veld, um economista da Comissão Europeia, as políticas de consolidação orçamental levadas a cabo na Europa nestes últimos anos têm tido efeitos negativos sobre o crescimento e o emprego.
Apesar de a França ter perdido 4,8% do crescimento acumulado entre 2011 e 2013 adianta o Libération, "o triste recorde de perda de riqueza cabe à Grécia: durante este mesmo período, as políticas de austeridade impostas a Atenas terão resultado numa perda de crescimento (sempre num período de três anos) de 8,05%. A Itália, a Espanha e Portugal terão perdido respectivamente o equivalente a 4,9%, 5,4% e 6,9% do PIB. Até mesmo a virtuosa Alemanha foi afectada por estas medidas (2,61%)."
O diário considera que, "apesar de ter sido escrito por um único economista consagrado, o documento que contém o carimbo da Comissão não reflecte apenas a opinião do autor. Este confirma que em Bruxelas, o dogma da austeridade está a desintegrar-se progressivamente até desaparecer por completo. […] Devido à falta de grandes projectos de desenvolvimento, a austeridade mina hoje em dia a economia e alimenta os protestos e o populismo."Presseurop
Malta: Cidadania da UE à venda
13 Novembro 2013,Presseurop,The Times of Malta 
"No dia 12 de Novembro, o Parlamento de Malta aprovou uma lei controversa que permite adquirir a nacionalidade maltesa, incluindo o passaporte e o acesso ao espaço Schengen, por 650 mil euros, adianta o Times of Malta.
A oposição acusou as alterações na lei sobre a cidadania de “prostituir Malta por uma soma exígua de 650 mil euros”, acrescenta o diário, enquanto ocorriam protestos contra a medida em frente ao Parlamento.
A lei deverá agora ser assinada pelo Presidente da República antes de entrar em vigor, acrescenta o Malta Today, que considera que "a atribuição da cidadania através deste processo controverso deverá permitir ao Estado angariar 30 milhões de euros, cuja metade será directamente aplicada no orçamento, […] e os 15 milhões restantes serão investidos num fundo de desenvolvimento nacional – uma injecção que permitirá ao Governo limitar a extensão da tributação indirecta no orçamento mas que o deixará exposto a acusações de desvalorização da cidadania maltesa."
O racismo cria raízes na Europa
18 novembro 2013,La Repubblica Roma
"Quer se tratem de provocações contra uma ministra francesa ou uma colega italiana, de gritos de macaco dirigidos a futebolistas, de islamofobia ou de discriminação contra os ciganos, as atitudes racistas manifestam-se cada vez mais abertamente. Por isso, não se pode ceder um milímetro e há que dar exemplos de pedagogia, defende o escritor Tahar Ben Jelloun.
Por Tahar Ben Jelloun
"O racismo é próprio do homem. É assim e mais vale saber isso e impedir que ele progrida, combatendo-o por meio de leis. Mas não basta. É preciso educar, desmontar os seus mecanismos, provar o carácter absurdo das suas bases e nunca baixar a guarda.
Nos últimos tempos, a sociedade francesa tem sido vista como terreno de um racismo virulento, mas, no fundo não é mais racista do que muitas outras. A rejeição do estrangeiro, daquele que é diferente, daquele que é tido como uma ameaça para a própria segurança é um reflexo universal e nenhuma sociedade lhe escapa. Essa aversão pode, em alguns casos, centrar-se numa comunidade, mas isso não quer dizer que as restantes sejam poupadas. Por outras palavras, não há discriminação no exercício do ódio. Ninguém pode considerar-se a salvo.
Na Europa de hoje, assiste-se a uma série de desvios gravíssimos. Porque o racismo começa pela palavra e pode ir até aos fornos crematórios. Chamar macaca à ministra da Justiça francesa, Christiane Taubira, numa manifestação, em fins de Outubro, contra o casamento de homossexuais é só o começo. Se o permitirmos, será fácil que se passe do insulto ao castigo corporal, à tortura (como no caso do jovem Ilan Halimi) e ao homicídio. É por isso que é preciso recordar que não há formas de racismo light ou descafeinado.
Christiane Taubira teve razão, ao lamentar o facto de nenhum dirigente político ter erguido a voz contra o racismo de que foi vítima. Recentemente, outra ministra sofreu um tratamento análogo: desta vez, em Itália. Trata-se da ministra da Integração, Cecile Kyenge, originária do Congo (Kinshasa), que foi insultada por alguns deputados da Liga do Norte, conhecidos pelo seu apego às ideias racistas. Até no mundo do futebol, jogadores de pele negra também têm sido alvos de um racismo bem enraizado. Quando o chefe de um Governo se permite fazer rir o seu público, falando do “aspecto bronzeado de Obama”, isso equivale a abrir as comportas e a dar àqueles que, antes, não ousavam manifestar abertamente seu racismo, o sinal que os encoraja a cultivar e dar livre vazão às suas ideias nauseabundas.

O racismo é a preguiça mental

É preciso encontrar um culpado. Dantes era o judeu, agora é muçulmano
O facto de, a pouco e pouco, a Europa ter perdido o seu lugar preponderante no mundo, não apenas no plano económico, mas também no plano cultural, favorece um azedume que pode transformar-se em desprezo por tudo o que seja diferente. A Espanha ainda não saneou a sua relação com o Islão. Os imigrantes oriundos do Magrebe são chamadas “mouros”, sabendo-se que esse termo é pejorativo e recorda a triste história da Inquisição. E a crise económica não veio melhorar as coisas. As suas vítimas desconfiam sempre daqueles que são mais pobres do que elas, mais diferentes do que elas. É isso que torna o racismo a atitude fácil perante as provações da vida. É preciso encontrar um culpado. Dantes era o judeu, agora é muçulmano." Presseurop
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quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Vozes de sempre

" navegar ou cantar, ou simplesmente ser
  a cor de um fruto, o peso de uma flor ;"  Eugénio de Andrade, em " Litania - Até amanhã", Assírio&Alvim

Escolhemos cantar para recordar algumas das grandes vozes de sempre.



A voz incomparável de Amália Rodrigues em " Canzone per Te ", uma canção italiana.



Lucilla Galeazzi, uma grande voz de Itália , em  "Quante stelle nel cielo con la luna".


Liza Minnelli & Charles Aznavour  em “ LE TEMPS (There is a time) “,Música de  Charles Aznavour  e Letra de Jeff Davis , num espectáculo em PARIS no  PALAIS DES CONGRÈS, 1991

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Os vagares limpos do poente

ÀS VEZES A VELHICE RECONHECE
o júbilo crescente de irmos indo.
Os passos, graves, contam. Mas só essse
esplendor vagaroso de caminho
que eleva o corpo a condição celeste
onde estremece o espírito.
E a unidade profunda, quando exerce
o ponderado ofício
e a lucidez de mover-se
segundo o assentimento do sentido.
É então que a velhice resplandece.
Sem mérito qualquer. Sofremos isso
como os vagares limpos do poente
a entrar pelo nosso paraíso.
Fernando Echevarría, in " Lugar de Estudo", Edições Afrontamento, 2009

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Ventanas

Fotografia: F. Füllgraf

Contos intimistas : Ventanas

Por Frederico Füllgraf 

"Quando vi pela primeira vez aquele terraço emoldurado, imaginei que o quarto dela estivesse escondido atrás da veneziana da direita, com suas asas ligeiramente encostadas; apenas o suficiente para iluminar sempre os traços do rosto dele no escuro das cobertas.
Às vezes, ouve-se algumas notas tocadas ao piano, provavelmente oculto atrás da veneziana do meio. Quando as notas resvalam pelo gradeado do terraço e caem na calçada, elas se transformam em outra nota - um si, um fá, por exemplo.
Quando as pessoas as ajuntam do chão, elas voltam a vibrar como as notas tocadas pelas mãos dela. Então, as pessoas as levam para casa. Para tocá-las para suas namoradas, ou seus maridos.
Já este gradeado contava outra estória. Enquanto faziam amor, deixaram aberta a porta. Ela queria enxergar o céu enquanto desfrutava o êxtase. As frestas da veneziana filtraram uma nesga de sol que cindiu a coxa direita dela em zonas de claro e escuro no momento da pequena morte no gozo. A trepadeira no vaso, que testemunhara tudo, estrebuchou.
E ela foi regá-la.

Ciudad Vieja.

Aqui a estória era sussurrada pelas cortinas.
Quando se casaram, sempre que fazia lua-cheia sobre o rio, eles se beijavam na sacada, repleta de begónias e amores-perfeitos. Hoje, a sacada é um depósito de entulho como seu amor: no canto direito, o cabo de uma antena do rádio, silenciado, que às sextas lhes enchia a sala de tangos, que eles bailavam, ida e volta, sempre até a varanda.
Agora, tudo são paredes descoradas, cortinas que pendem, pesadas de pó e sonhos murchos, junto à porta escancarada para o nada. 
Vai se vivendo. 


Aquela janela ali poderia ser de Ulisses. Desde que a mulher partiu, ele não sai da cama, colocada no centro geográfico da mansarda, cujas janelas não abrem, e cujas cortinas continuam atadas em tranças. Do jeito que ela deixou. Em certos dias, o frio e a luz macilenta que se infiltram pelas frestas, lhe fazem lembrar Dublin. No inverno, as noites do Prata são compridas. Mas quem sabe Molly se arrependa...

 Podia ser Madrid. Quem sabe, Barcelona.
Também podia ser Génova. 
Buenos Aires? Podia ser.
Palermo é que não poderia ser: quando o último capo tomou o navio para a América, todas as mulheres foram para a capela, rezar.
Aqui, no dia da chegada, essas lembranças, todas, se misturaram ao Prata.
Uma vez por dia, há vinte e três anos, a mulher espreita da varanda, por cima dos telhados contíguos. 
Quem sabe hoje conseguiria denotar no rio a silhueta do barco desaparecido, aproximando-se do porto! Do qual baixaria então seu homem, que foi ao mar e nunca mais lhe escreveu. 
Ela tem esperanças. Ainda não se deixa chamar viúva, mas a pensão intocada se avoluma na conta do banco.

Nesta, daqui debaixo, me senti em casa. Poderia ter sido assim: Ela me convidou para morarmos juntos, minha escrivaninha encaixada na nave desta sala, iluminada pelos três lados, para que em nenhuma hora do dia o escuro caia sobre as palavras."Frederico Füllgraf


Frederico Füllgraf, estudou na FUB-Universidade Livre de Berlim e na DFFB-Academia Alemã de Cinema e Televisão, também em Berlim, até seu mestrado (MA) em Comunicação Social. É escritor (A bomba ´pacífica´- o Brasil e outros cenários da corrida nuclear, Brasiliense, 1988), roteirista e Director de cinema. É colunista da revista eletrônica Speculum, de arte e cultura, e das revistas impressas Caros Amigos, Ideias e ETC (Travessa dos Editores) e do  Jornal GGN Santiago de Chile. Frederico Fullgraf vive no Chile.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Vozes da Literatura

"Como na esfera política, ensina-se a criança que ela é livre, é uma democrata, dispondo de vontade própria e mente livre, morando num país livre, e podendo tomar suas próprias decisões. Ao mesmo tempo, ela é prisioneira das suposições e dos dogmas de sua época, que ela não questiona, porque nunca lhe disseram que eles existiam. Quando um jovem chega à idade em que precisa escolher (continuamos a aceitar sem discutir que a escolha é inevitável) entre as artes e as ciências, ele costuma escolher as artes porque julga que nesse campo há humanidade, liberdade e opção. Ele não sabe que já se emoldurou ao sistema, não sabe que a própria escolha é resultado de uma falsa dicotomia enraizada no coração de nossa cultura. Os que o percebem e que não querem submeter-se a mais padrões, tendem a ir embora, num esforço meio inconsciente e instintivo de encontrar trabalho onde eles, como pessoas, não serão divididos entre si mesmos.“ Doris Lessing, in  Prefácio d' "O Caderno Dourado" , Editora Record
Morreu Doris Lessing, “uma das grandes vozes literárias do século XX"
A escritora britânica Doris Lessing, prémio Nobel da Literatura em 2007, morreu, ontem,  aos 94 anos
"Produziu cerca de um livro por ano, em quase 40 de escrita. Nobel da Literatura 2007, a britânica morreu ontem, aos 94 anos, em Londres
Poderia ter sido médica e não se teria dado mal como agricultora. "E muito mais coisas. Tornei-me escritora por frustração, motivo pelo qual, penso eu, muitos escritores se tornam escritores." A entrevista à "The Paris Review" é de 1987, vinte anos antes dessa notícia que chegou entre alcachofras e cebolas, com a banalidade de uma ida rotineira ao supermercado. "Sabia que ganhou o Nobel da Literatura?", pergunta-lhe o repórter da Reuters. "Oh Christ", solta Doris acabada de chegar das compras, voltando-se de imediato para trás para soldar a dívida da corrida com o taxista. No ano seguinte, à revista "Time", Lessing desvaloriza a invocação do nome do filho de Deus e a aparente excitação do seu desabafo. "Se me é permitido ser mazinha, a Suécia não tem mais nada. Não há grande tradição literária portanto tiram o maior partido possível do prémio." Bastava então que o ouvido estivesse ligado até ao final da frase para perceber que há poucas coisas mais aborrecidas que ser abordado quando há sacos para descarregar. "I couldn't care less". Para o bem e para o mal, a idade pouco ensina a amestrar os desencantos da infância e no estádio de adulta manteve-se igual a ela própria: controversa, de língua sem rédea e cabeça livre de restrições. "À medida que envelhecemos, não ficamos mais sensatos. Ficamos irritáveis", dizem os cabelos grisalhos à mesma publicação, indiferentes a cartas de apresentação dos senhores da academia, que louvaram a autora de "épicos sobre a experiência feminina", um sucedâneo de feminista, rótulo que a britânica enjeita - mas que na verdade recusaria menos que a brandura do eufemismo.
 Segundo Vinicius Jatobá,( escritor e crítico literário brasileiro), "a maior herança de Doris Lessing é uma atitude: seus livros sufocam, constrangem, não negoceiam. E isso porque sua grande cruzada sempre foi ideológica. Por trás de uma gramática que engloba conflitos entre indivíduos e sociedade, entre assumir um papel e uma responsabilidade determinada, seja no coração de uma família, como mãe e esposa, ou perante um partido e sindicato, há uma escrita feita de uma pátina de cores muito contrastantes - sem zonas de cinza. O que busca é retratar a verdade por trás das grandes ideias, e palavras. Toda rudeza de sua literatura é provocada por um compromisso inalienável com a verdade."
Nascida a 22 de Outubro de 1919 em Kermanshah na Pérsia, actualmente Irão, Doris Lessing é autora de uma obra vasta e diversificada com cerca de 50 títulos. Ficou conhecida pela sua militância de esquerda, mas também pelas suas posições anti-apartheid, anti-colonialistas e feministas." Artigo baseado em  recortes da imprensa e outros
Primeiro Poema
A palavra , vida inteira, mata.
O seu silêncio não fala nem cala: ri.
Sem antes, nem depois, nem agora.
É o infalável que fala.
Não o ouças: ouve-o.
Oh, falar sem ouvir,
como ri o riso
pleno dos mortos 
os meus e os teus mortos 
debaixo de nós. 
Manuel António Pina,1991 in " Primeiros Poemas - Todas as Palavras, poesia reunida" Assírio & Alvim, Abril de 2012 


Celebrar Manuel António Pina
"Os 70 anos do nascimento do escritor, falecido o ano passado, serão assinalados com diversas iniciativas que incluem leitura de poemas em cafés e locais que Pina frequentava, no Porto.
Um grupo de mais de 30 pessoas vai formalizar, em breve, a constituição do Círculo Literário e Artístico Manuel António Pina, anunciaram à Lusa dois dos fundadores desta associação, que pretende promover a figura do escritor e jornalista.
O anúncio é feito quando passam, nesta segunda-feira, 70 anos do nascimento do escritor, falecido o ano passado, data que será assinalada com diversas iniciativas que incluem leitura de poemas em cafés e locais que Pina frequentava, no Porto.
Agostinho Santos, artista plástico e jornalista, e Luís Humberto Marques, director do Museu da Imprensa, afirmam que “o leque de fundadores ainda não está fechado”, mas quiseram anunciar na altura do aniversário do escritor.
Os artistas José Rodrigues, Armando Alves, Graça Morais, os jornalistas Sérgio Almeida, Fernando Martins, Leite Pereira e Manuel Tavares, o director da Faculdade de Belas Artes, Francisco Laranjo, o presidente da cooperativa Árvore Amândio Secca, o subdirector do Museu Reina Sofia, João Fernandes, a presidente do Instituto Politécnico do Porto, Rosário Gambôa, e os familiares directos de Manuel António Pina, são algumas das pessoas anunciadas como integrando esta iniciativa.
O objectivo da associação é “promover sem fins lucrativos e por todos os meios ao seu alcance, o desenvolvimento de actividades culturais e científicas relacionadas com a vida e obra do jornalista e escritor Manuel António Pina”.
A edificação de um busto na cidade, que conta com a oferta de José Rodrigues para a concepção, é uma das primeiras iniciativas em ideia, revelou Agostinho Santos.
Hoje, segunda-feira, dia em que o escritor faria 70 anos, o Museu de Imprensa promove a leitura de dez poemas em sete locais frequentados pelo escritor, numa iniciativa intitulada “7 X 10 - Homenagem a Manuel António Pina”, que inclui também o descerrar de placas de homenagem.
O périplo poético que, do Museu, passa, a partir das 12:00 horas, pela padaria Ribeiro, Livraria Lello, café Piolho, estação de metro da Trindade, terminando nos cafés Orfeuzinho e Convívio, local onde a leitura caberá ao actor António Capelo. Neste local, haverá também um momento de fado, com Helena Sarmento, que interpretará “saudades da Prosa, de Manuel António Pina. “Lusa

domingo, 17 de novembro de 2013

Ao Domingo Há Música

NOS TEUS OLHOS

Nos teus olhos
Como em dois espelhos
A brilhar
Vi reflectir-se
O voo das gaivotas 
O contorno das rochas 
E o refluxo do mar.

Vi a calma das nascentes
O crepúsculo solar
E o ímpeto das torrentes
A correr para o mar.

E vi a abolição dos limites 
Na fusão das cores do 
Arco-íris
E no acoitar dos pontos cardeais.
Cristina Semblano, in " O Murmúrio do Poço", Novembro de 2011, Palimage

Há sons que pedem palavras e palavras que pedem sons. Reciprocidade harmoniosa que nem sempre acontece. Provocá-la, através da  poesia,  talvez seja a forma mais sublime de o fazer. 
Neste Domingo, dar ao surpreendente poema de Cristina Semblano as vozes mágicas de Julianna Barwick é a proposta que se lança.

Julianna Barwick  em "Nepenthe", último álbum, 20  Agosto, 2013,  Dead Oceans.

sábado, 16 de novembro de 2013

Cinema

Caça às obras de arte roubadas pelos Nazis
"Filme de George Clooney relata a história verídica das obras de arte desparecidas confiscadas pelo regime Nazi.
Uma colecção de 1500 obras de arte, entre elas algumas de Picasso, Henri Matisse, Franz Marc e Max Beckmann, foram esta semana descobertas, num apartamento em Munique. Estas obras foram confiscadas pelos Nazis nas décadas de 1930 e 1940, cujo valor total actualmente ronda os 1,4 mil milhões de dólares. A revista alemã Focus reporta que as obras estavam na posse de Cornelius Gurlitt, filho de um negociante de arte autorizado pelo propagandista de Hitler, Joseph Goebblers, a vender a arte que os Nazis roubavam. O governo alemão disse na passada segunda-feira que já tinha sido informado há alguns meses atrás sobre a descoberta, afirma o New York Times. O mais recente filme de George Clooney, "The Monuments Men - Os Caçadores de Tesouros" é baseado na história verídica de um pelotão de aliados que entraram na Alemanha, perto do fim da Segunda Guerra Mundial, para resgatar as obras de arte confiscadas pelos Nazis e devolvê-las aos seus donos. Matt Damon, Bill Murray, John Goodman, Jean Dujardin, Bob Balaban, Hugh Bonneville e Cate Blanchett, integram o elenco do filme ao lado de Clooney.
 O filme está previsto estrear nas salas de cinema no início do próximo ano."
Vem aí o Natal. O cinema tem sempre um lugar privilegiado nesta época. Há filmes que se imortalizaram com histórias alusivas ao  Natal. Veja a  selecção que destacamos.

50º Aniversário de Lawrence of Arabia
"Um dos clássicos mais consagrados e uma das obra que muitos consideram insuperável, não só pela sua qualidade artística, pelos suas sete estatuetas que ganhou nos Óscares, mas também pelo seu carácter faraónico de um filme de duas horas e meia e cujo custo, a preços actuais, quebraria muitos estúdios, comemora meio século após sua estreia em 1962.
Para a comemoração dos seu 50.º aniversário a Academia de Hollywood realizou uma projecção especial no cinema Samuel Goldwyn e em seguida foi exibido em mais de 600 salas de cinema nos EUA."
Cinema de Israel em Dezembro
“Entre 5 e 8 de Dezembro, o Cinema City Alvalade recebe uma selecção de cinco filmes representativos da produção israelita entre 2011 e 2013.
 Em parceria com a embaixada de Israel em Lisboa, a 6ª edição do Ciclo de Cinema Israelita da New Lineo Cinemas pretende, nas palavras da empresa de exibição: "aproximar as culturas portuguesa e israelita mostrando a Portugal os diferentes aspectos da vida em Israel, (...) através das diferentes perspectivas dos indivíduos que as compõem".
Serão exibidos os seguintes filmes:
 •"Footnote" (Hearat Shulayim), drama de Joseph Cedar. Filme de 2011 nomeado para o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro sobre pai e filho, rivais numa escola de estudos talmúdicos.
 •"Hunting Elephants", comédia de Reshef Levi (2013). A história de três idosos e uma criança que roubam um banco em Jerusalém.
 •"The World is Funny" (Haolam Mats'hik), drama de 2012 realizado por Shemi Zarhin. Acompanha um grupo de pessoas normais em circunstâncias extraordinárias.
 •"Melting Away", drama de 2011, assinado por Doron Eran, acompanha as buscas por um filho desaparecido que regressa como mulher.
 •"The Wonders", thriller de 2013, realizado por Avi Nesher. A história da relação entre um artista de Jerusalém e uma profeta dos nossos dias.
 O ciclo volta a ser possível graças ao apoio da United King Films que, nos últimos anos, se tornou o pilar da produção cinematográfica israelita e principal responsável pela sua internacionalização.”


"Noé": o primeiro trailer (já legendado em português)
A Paramount acaba de divulgar o primeiro trailer do épico realizado por Darren Aronofsky, com Russell Crowe no papel do patriarca Noé.
Jennifer Connely e Emma Watson compõem o elenco juntamente com Anthony Hopkins no papel de Matusalém.
"Noé" estreia em Portugal a 27 de Março de 2014