"A coisa mais indispensável a um homem é reconhecer o uso que deve fazer do seu próprio conhecimento" Platão
segunda-feira, 7 de agosto de 2023
Poesia e oralidade
SONETO
e cada verso feito com dez sílabas.
Nele falamos de assuntos diversos,
respeitando sempre as decassílabas.
usando sempre alta amperagem,
mas nunca com grande estardalhaço,
permite curta mas densa viagem.
mas fica escondido nas entrelinhas,
acrescenta muito, nesse esconder,
No tamanho do soneto há beleza
e mistério que se esconde em clareza!
07.08.2023
Eugénio Lisboa
domingo, 6 de agosto de 2023
Ao Domingo Há Música
Uma emoção pequeniname vem do lado de lá.Rompe através da cortinaque envolve o mundo de cá.
(...)Dá-lhe sol num de repenteFulge rápida, num grito.Flor de silêncio estridente,continente de infinito.António Gedeão, Poesias Completas
sábado, 5 de agosto de 2023
Sobre a minha pouca importância
Haverá, então, alguma diferença?
Meu ser fez a galáxia estremecer?
Pra luzir, ela pede-me licença?
Que peso tem minha insignificância?
Fez alguma diferença o meu nascer?
Trouxe significado e importância
O mundo, sem mim, seria pior?
Trouxe comigo alguma concordância?
Eu, quanto mais penso, menos existo
e, não existindo, fico-me nisto.
05.07.2023
Eugénio Lisboa
Há dias
Há dias
Há dias em que julgamos
que todo o lixo do mundo
nos cai em cima
depois ao chegarmos à varanda avistamos
as crianças correndo no molhe
enquanto cantam
não lhes sei o nome
uma ou outra parece-se comigo
quero eu dizer:
com o que fui
quando cheguei a ser luminosa
presença da graça
ou da alegria
um sorriso abre-se então
num verão antigo
e dura
dura ainda.
Eugénio de Andrade, in " Os Lugares do Lume", Assírio & Alvim, p 37
sexta-feira, 4 de agosto de 2023
Modos de morrer
por Eugénio Lisboa
Livros e actividades culturais
EXPOSIÇÃO
Histórias de uma coleção
Até 18 set, Galeria Principal do Edifício Sede
MÚSICA
Jazz em Agosto
Até 6 ago
EXPOSIÇÃO
Flaubert na Coleção Gulbenkian
Até 20 nov, Museu Calouste Gulbenkian
PODCAST
Histórias de Arte
SABER MAIS
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Julho-Dezembro, 2023
PROGRAMAÇÃO
EDITORIAL NÃO EXAUSTIVA
Julho:
— As
Personagens, de Ana Teresa Pereira
— A Luz e a
Escrita, de Humberto Brito
— Acolher, de
Claire Keegan (Trad. Marta Mendonça)
— Job, de Joseph Roth (Trad. Gilda Lopes Encarnação)
— A Tempestade,
de William Shakespeare (Trad. Fátima Vieira)
— Diário do
Sedutor, Søren Kierkegaard (Trad. Elisabete M. de Sousa)
— Um Balé de Leprosos, de Leonard Cohen (Trad. Frederico Pedreira)
Agosto:
— Escorram-Me,
Lágrimas, Disse o Polícia, de Philip K. Dick (Trad. Manuel Alberto Vieira)
— Estado de Vigilância: A Via Chinesa para Uma Nova Era de Controlo Social, de Josh Chin e Liza Lin (Trad. Valério Romão)
Setembro:
— Um Cão Que
Sonha, de Agustina Bessa-Luís (Prefácio de Eduardo Lourenço)
— Certas Raízes
(Contos), de Hélia Correia
— Poemas, de
Bertolt Brecht (Trad. Paulo Quintela e Org. António Sousa Ribeiro)
— O Segredo da
Força Sobre-Humana (Romance Gráfico), de Alison Bechdel (Trad. Nuno Batalha)
— Um Homem
quase Perfeito, de Richard Russo (Trad. Maria Emília Moura)
— O Império da Dor.
A História Secreta da Dinastia Sackler, de Patrick Radden Keefe (Trad. Maria
Ponce de Leão)
— O Fim do
Mundo Clássico: De Marco Aurélio a Maomé, de Peter Brown (Trad. António
Gonçalves Mattoso)
— Perturbação, de Thomas Bernhard (Trad. Leopoldina Almeida)
Outubro:
— Adivinhas de
Pedro e Inês, de Agustina Bessa-Luís
— A Família, de
Sara Mesa (Trad. António Gonçalves)
— Amor e Perda,
de Amy Bloom (Trad. José Mário Silva)
— Não Tenho
Casa Se Esta não For a Minha (Título Provisório), de Lorrie Moore
— Foi Assim, de
Natalia Ginzburg (Trad. Anna Alba Caruso)
— Duna (Romance
Gráfico), de Frank Herbert, adaptado por Brian Herbert e Kevin J. Anderson
— Margarida e
Rosa, de Louise Glück (Trad. Inês Dias)
— Puro, de Nara
Vidal
— Austerlitz,
de W. G. Sebald
— Gente Pobre,
de Fiódor Dostoievski (Trad. António Pescada)
— País do
Passado (título provisório, vencedor International Booker Prize 2023), de
Georgi Gospodinov (Trad. Monika Boneva e Paulo Tiago Jerónimo)
— A Morte Breve
e a Democracia Imanente, de José Gil
— O Mar Negro.
De Péricles a Putin, de Neal Ascherson (Trad. João Paulo Moreira e Maria João
B. Marques)
— Feiticeira da
Lua, Rei Aranha, de Marlon James (Trad. José Miguel Silva)
— Patos
(Romance Gráfico), de Kate Beaton (Trad. Alda Rodrigues)
— Bunny, de
Mona Awad (Trad. Manuel Alberto Vieira)
— As Palavras da
Noite, de Natalia Ginzburg (Trad. Luísa Feijó)
— Franny e Zooey, de J. D. Salinger
Dezembro:
— Contos
Completos, de Agustina Bessa-Luís
— A Casa
Sombria, de Charles Dickens (Trad. Paulo Faria)
— O Dia em que
o Sol Morreu, de Yan Lianke (Trad. Eugénio Graf)
— Ensaios, de Robert Louis Stevenson (Trad. Nuno Batalha)
quinta-feira, 3 de agosto de 2023
Fim à vista
sabia-se, porque nada é eterno
mas o difícil de imaginar
era que fosse evento hodierno.
mas não passa de sórdida epopeia:
rios e mares que perdem a pista,
formidáveis ventos em antestreia!
animais e homens em confusão,
horrorosas feridas, sofrimentos,
que transforma tudo em grande espanto,
a que se não ajusta qualquer pranto!
01.08.2023
Eugénio Lisboa


