segunda-feira, 7 de agosto de 2023

Poesia e oralidade


POESIA E ORALIDADE
por Manoel de Andrade
"A Poesia, ao longo do tempo, foi perdendo a nítida feição com que nasceu: a oralidade. Conta-se que há 2.500 anos, o poeta grego Simónides de Ceos — célebre pelo hino que compôs aos heróis das Termópilas e que treinou sua memória para correr a Grécia declamando os poemas de Homero, de Safo e de poetas que o antecederam — encontrou um dia seu discípulo e conterrâneo Baquílides, escrevendo suas odes sobre uma placa de cera e o acusou de trair a poesia cuja magia e encanto, dizia, estava em sua expressão declamatória e não na palavra escrita. “A Poesia, afirmava ele, é uma pintura que fala”. A poesia oral consta dos mais antigos registros literários da Grécia micênica e embora, no terceiro mundo, ainda se encontrem hoje culturas ágrafas, cuja expressão poética se manifesta apenas pela oralidade, é necessário lembrar que a literatura nasce da littera(letra), como pressuposto da escrita e da leitura. Assim, um fenômeno não pode excluir o outro e é tão importante valorizar a tradição oral da poesia, quanto reconhecer que sem a escrita, parte de todo o seu acervo histórico se perderia com o tempo. Nesse sentido tanto a poesia escrita, como a vocalizada ou dramatizada são expressões por onde permeia a mágica dimensão poética. Nas antigas culturas de tradição oral os poetas eram tidos como os receptores e transmissores do Conhecimento e reverenciados como os guardiões da Sabedoria e por isso considerados tão importantes como os reis, sendo que os reis podiam ser mortos, mas matar um poeta era considerado um sacrilégio. O premiado poeta nicaraguense Ernesto Cardenal, em seu notável Prólogo a la antología de la poesía primitiva, afirma que “ el verso es el primer linguaje de la humanidade. Siempre ha aparecido primero el verso, y después la prosa; y ésta es una espécie de currupción del verso. En la antigua Grécia todo estaba escrito en verso, aun las leyes: y en muchos pueblos primitivos no existe más que el verso. El verso parece que es la forma más natural del lenguaje”.
(…)
Nós, os poetas, temos plena consciência de que não podemos mudar o mundo, embora nosso DNA seja feito de sonhos. Por isso somos tão poucos e estamos cada vez mais sozinhos. Quem sabe por sermos os herdeiros solitários de tantas utopias!? A pós-modernidade aniquilou o homem. Tentou matar Deus, tentou matar a Verdade, está tentando matar a Arte e a Poesia. Na década de 70 perguntaram a Pablo Neruda o que aconteceria com a poesia no ano 2000. Ele respondeu que, com certeza, não se celebraria a morte da poesia. Que em todas as épocas deram por morta a poesia, mas que ela está sempre ressuscitada e que parece ser eterna. O grande poeta e revolucionário argentino Juan Gelman, prémio Cervantes de 2007, afirma que “Lo extraordinário es como la poesía, pese a todo, a las catástrofes de todo tipo, humanas, naturales, viene del fondo de los siglos y sigue existiendo. Ese es el gran consuelo para mí. Va a seguir existiendo hasta que el mundo se acabe si es que se acaba alguna vez”.
(…)
A poesia está inscrita no âmago da alma humana e ela é de todos os tempos. Desde Homero, há 3.000 anos, cantando as peripécias de Ulisses e os combates de Aquiles; desde Camões cantando a saga dos grandes descobrimentos, até Castro Alves cantando a liberdade para os escravos e Drummond de Andrade, dizendo-nos, poeticamente, que há sempre “uma pedra no caminho” de nossas vidas. A palavra, na poesia, foi e será sempre a mais bela forma de resistência contra um mundo desumano, e um profético aceno para um tempo melhor.
(…)
Eis porque nós, os poetas, sentimos que só resta a nossa própria plenitude, esse misterioso monólogo com a história e o incognoscível, porque habitamos o território do encanto e do amanhecer. Cantamos porque vivemos dessa partícula de sonho que nos sobrepõe ao real, como disse Ingenieros. Cantamos porque acreditamos na missão imperecível da beleza, apesar de todo esse desamparo e essa perplexidade ante um mundo cada vez mais violento e cruel. Cantamos “porque a canção existe” e essa é a nossa fortuna. Cantamos para dizer nossas verdades e repartirmo-nos em cada verso. Cantamos porque cada palavra, cada poema nosso é uma esperança de busca e de encontro, um mágico roteiro para a liberdade, uma proposta de diálogo com o mundo, um gesto de amor para legitimar a condição humana e também nossa gota de lirismo para salvar a poesia de sua angustiante agonia. (...)”
Manoel de Andrade, poeta brasileiro, em ensaio publicado no Blog Palavras todas as palavras, 4 Novembro 2008.

SONETO

 

Usamos apenas catorze versos
e cada verso feito com dez sílabas.
Nele falamos de assuntos diversos,
respeitando sempre as decassílabas.
 
Dizer muito, em muito pouco espaço,
usando sempre alta amperagem,
mas nunca com grande estardalhaço,
permite curta mas densa viagem.
 
Aquilo que se não chega a dizer,
mas fica escondido nas entrelinhas,
acrescenta muito, nesse esconder,
 
a segredo guardado em escrivaninhas.
No tamanho do soneto há beleza
e mistério que se esconde em clareza!
                         07.08.2023
Eugénio Lisboa

domingo, 6 de agosto de 2023

Ao Domingo Há Música

Uma emoção pequenina
me vem do lado de lá.
Rompe através da cortina
que envolve o mundo de cá.
(...)
Dá-lhe sol num de repente
Fulge rápida, num grito.
Flor de silêncio estridente,
continente de infinito.
António Gedeão, Poesias Completas

Num tempo de   emoções  de intensa fulgência, a música rompe em fulgurante harmonia.
Lang Lang,  em magnífica actuação, chama ao palco   Nicole Scherzinger para, com ela,  interpretar Reflection ,  canção escrita por   Matthew Wilder e David Zippel para a banda sonora do filme "Mulan", de Disney. Registo retirado do espectáculo Coronation Concert,  realizado no Castelo de Windsor , a 7 de Maio de 2023.  

 
Andrea Bocelli e  Sir Bryn Terfel , em You'll Never Walk Alone , no Coronation Concert,  realizado no Castelo de Windsor , a 7 de Maio de 2023.  
 

sábado, 5 de agosto de 2023

Sobre a minha pouca importância

 
O que é ser e o que é não ser?
Haverá, então, alguma diferença?
Meu ser fez a galáxia estremecer?
Pra luzir, ela pede-me licença?
 
Que peso tem, na galáxia, meu ser?
Que peso tem minha insignificância?
Fez alguma diferença o meu nascer?
Trouxe significado e importância
 
eu ter nascido e ter tido infância?
O mundo, sem mim, seria pior?
Trouxe comigo alguma concordância?
 
Ou tornou-se o mundo melhor?
Eu, quanto mais penso, menos existo
e, não existindo, fico-me nisto.
                     05.07.2023
Eugénio Lisboa

Há dias

 Há dias 

Há dias em que julgamos
que todo o lixo do mundo
nos cai em cima
depois ao chegarmos à varanda avistamos
as crianças correndo no molhe
enquanto cantam
não lhes sei o nome
uma ou outra parece-se comigo
quero eu dizer:
com o que fui
quando cheguei a ser luminosa
presença da graça
ou da alegria
um sorriso abre-se então
num verão antigo
e dura
dura ainda.
Eugénio de Andrade,
 in " Os Lugares do Lume",  Assírio & Alvim, p 37

 
E há outros dias
Dias em que milhares de jovens enchem as ruas de Lisboa. Jovens vindos de todo o mundo, unidos por uma fé feita de esperança num futuro irmanado. 
Rostos sorridentes, energia no coração e abertos ao outro que chega em peregrinação. São as Jornadas Mundiais da Juventude (JMJ Lisboa 23). 
Portugal rejuvenesceu. A alegria invadiu-o e as ruas transbordam em jubilosa afirmação de uma juventude que sonda a vida em fé  e de olhos abertos.
Dias que ficarão para sempre.

sexta-feira, 4 de agosto de 2023

Modos de morrer

 
Modos de morrer   ou nem todas as mortes são suaves ou gloriosas
por Eugénio Lisboa
 
“Depois de uma vida gloriosa, de poeta, dramaturgo, romancista ou filósofo, seria de justiça uma boa morte, cheia de luz e serena ou dramática beleza. Infelizmente, os deuses são, por vezes, estupidamente brincalhões e acabam por não ter graça nenhuma. Vejamos só alguns dos muitos exemplos que há. Dou também o exemplo de Mark Twain, por ser muito curioso, embora, neste caso, o desejo do autor tenha sido satisfeito e tenha tido uma morte muito interessante.

O poeta grego Anacreonte morreu, engasgando-se numa semente de uva.
 
O poeta grego Terpander encontrava-se a cantar uma das suas canções, quando alguém lhe atirou um figo, que lhe foi entupir a traqueia. Morreu engasgado, o que é totalmente desajustado a quem sempre viveu da palavra e para a palavra.
 
Luciano “O Blasfemo” morreu à boca raivosa de uma matilha de cães, diz-se que devido à sua irreverência religiosa.
 
O grande dramaturgo grego Eurípedes também morreu retalhado por cães raivosos, embora haja quem opte por outra versão: teria morrido às mãos de um colectivo de mulheres furiosas, devido a uma das suas peças de teatro.
 
Heráclito teve uma morte mal cheirosa, quando se cobriu com excremento de vaca, para se aquecer e secar.
 
O conhecido historiador grego Políbio morreu aos 82 anos, por ter caído desastradamente de um cavalo.
 
O dramaturgo Menandro, nadando no Pireu, teve um ataque de caimbras e morreu afogado.
 
O escritor romano Lucrécio endoideceu por ter tomado um afrodisíaco e suicidou-se.
 
Depois de ter escrito um tratado sobre os prazeres do palato, o poeta romano Quintus Ennius morreu de gota.
 
O poeta chinês Li Po (c. 700 – 762) caiu de um barco e afogou-se, quando tentava beijar o reflexo da lua na água.
 
O dramaturgo e poeta Ben Jonson (1572 – 1637) disse que queria ser enterrado “de pé”. O rei James I tomou-o à letra e Jonson encontra-se enterrado de é, na Abadia de Westminster.
 
Molière morreu poucas horas depois de ter representado o papel de um hipocondríaco. Durante a peça, cuspiu sangue, mas continuou galhardamente a representar. A peça era sua e intitulava-se LE MALADE IMAGINAIRE.
 
O grande poeta russo Alexandre Pushkine morreu, como se sabe, em duelo. Também morreu em duelo outro poeta russo, Lermontov, que, inspirado por Pushkine, escrevera o poema SOBRE A MORTE DE UM POETA.
 
O grande romancista inglês, William Thackeray, autor, entre outros romances, de A FEIRA DAS VAIDADES, morreu por ser glutão.

O grande ficcionista e humorista americano Mark Twain nasceu em 1835, ano em que apareceu o cometa Halley e morreu, tal como previra e desejara, quando o cometa reapareceu em 1910. Entretanto, escrevera: “Será o maior desapontamento da minha vida, se eu não me for embora com o cometa Halley. Tenho a certeza de que o Altíssimo disse: ‘Ora aqui estão dois irresponsáveis malucos: apareceram juntos, devem desaparecer juntos’.”

O poeta revolucionário russo Sergei Esenin (1895 – 1925) cortou os pulsos, escreveu um poema com o seu próprio sangue e, depois, enforcou-se.”
Eugénio Lisboa, em 04.07.2023

Livros e actividades culturais




EXPOSIÇÃO
Histórias de uma coleção

Até 18 set, Galeria Principal do Edifício Sede

A Fundação Gulbenkian comprou as primeiras obras de arte moderna, no final dos anos de 1950, para integrarem exposições temporárias itinerantes. Entre elas contavam-se obras de artistas como Amadeo de Souza-Cardoso, Almada Negreiros ou Vieira da Silva e, a partir de 1956, de bolseiros como Paula Rego e João Cutileiro. Nos anos de 1960, juntar-se-iam obras de arte britânica – de David Hockney ou Bridget Riley, entre outros. A vontade de construir um espaço para a coleção que se formava é oficializada em 1979 e, a 20 de julho de 1983, inaugurava-se o CAM.
Percorra a exposição, desvende as suas histórias e, através delas, os 40 anos do CAM.



MÚSICA

Jazz em Agosto
Até 6 ago

Venha ouvir os exímios improvisadores que compõem os Ghosted, o quinteto Fire and Water criado por Myra Melford, a composição em tempo real de Marta Warelis, o álbum Amaryllis de Mary Halvorson, a relação de Camille Émaille com o som de cada objeto ou o concerto de encerramento da edição deste ano do Jazz em Agosto, pela Gard Nilssen’s Supersonic Orchestra.


EXPOSIÇÃO
Flaubert na Coleção Gulbenkian
Até 20 nov, Museu Calouste Gulbenkian

«Nunca, enquanto for vivo, serei ilustrado, pois a mais bela descrição literária é devorada pelo mais mísero desenho», escrevia Flaubert ao seu notário, em junho de 1862. Após a sua morte, as ilustrações dos seus contos e romances multiplicaram-se. Conheça algumas das edições adquiridas por Calouste Gulbenkian.


PODCAST
Histórias de Arte

Neste novo podcast, o diretor-adjunto do Museu Calouste Gulbenkian, João Carvalho Dias, e o historiador Rui Ramos, conversam sobre a arte representada na coleção do Museu Gulbenkian e o impacto que esta teve e continua a ter no nosso tempo.
O primeiro episódio, dedicado à época que põe fim à Pré-história e inicia a História, leva-nos até duas das mais antigas civilizações agrícolas sedentárias e dotadas da escrita: Mesopotâmia e Antigo Egito. Um podcast realizado em parceria com a rádio Observador.

SABER MAIS




Para celebrar o lançamento do livro Beleza: Uma Muito Breve Introdução, decidimos fazer uma oferta muito especial: na compra de Beleza, Guia de Filosofia para Pessoas Inteligentes e Breve História da Filosofia Moderna, nós oferecemos um exemplar de Como Ser um Conservador. Basta colocar os 3 livros no carrinho, nós tratamos da oferta!
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Será a beleza subjectiva? Como poderemos julgá-la quando os nossos gostos diferem tanto? Poderá a beleza ser perturbadora? Será sempre inspiradora? O que torna uma pintura, uma sinfonia ou uma paisagem belas?


Uma Noite Descansada revisita histórias contadas a crianças desde tempos imemoriais e actualiza-as e purificando-as de tudo o que nelas podia ofender, discriminar ou marginalizar!
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Outras campanhas




Newsletter Julho-Dezembro, 2023

PROGRAMAÇÃO EDITORIAL NÃO EXAUSTIVA

Julho:

— As Personagens, de Ana Teresa Pereira

— A Luz e a Escrita, de Humberto Brito

— Acolher, de Claire Keegan (Trad. Marta Mendonça)

— Job, de Joseph Roth (Trad. Gilda Lopes Encarnação)

— A Tempestade, de William Shakespeare (Trad. Fátima Vieira)

— Diário do Sedutor, Søren Kierkegaard (Trad. Elisabete M. de Sousa)

— Um Balé de Leprosos, de Leonard Cohen (Trad. Frederico Pedreira)

Agosto:

— Escorram-Me, Lágrimas, Disse o Polícia, de Philip K. Dick (Trad. Manuel Alberto Vieira)

— Estado de Vigilância: A Via Chinesa para Uma Nova Era de Controlo Social, de Josh Chin e Liza Lin (Trad. Valério Romão)

Setembro:

— Um Cão Que Sonha, de Agustina Bessa-Luís (Prefácio de Eduardo Lourenço)

— Certas Raízes (Contos), de Hélia Correia

— Poemas, de Bertolt Brecht (Trad. Paulo Quintela e Org. António Sousa Ribeiro)

— O Segredo da Força Sobre-Humana (Romance Gráfico), de Alison Bechdel (Trad. Nuno Batalha)

— Um Homem quase Perfeito, de Richard Russo (Trad. Maria Emília Moura)

— O Império da Dor. A História Secreta da Dinastia Sackler, de Patrick Radden Keefe (Trad. Maria Ponce de Leão)

— O Fim do Mundo Clássico: De Marco Aurélio a Maomé, de Peter Brown (Trad. António Gonçalves Mattoso)

— Perturbação, de Thomas Bernhard (Trad. Leopoldina Almeida) 

Outubro:

— Adivinhas de Pedro e Inês, de Agustina Bessa-Luís

— A Família, de Sara Mesa (Trad. António Gonçalves)

— Amor e Perda, de Amy Bloom (Trad. José Mário Silva)

— Não Tenho Casa Se Esta não For a Minha (Título Provisório), de Lorrie Moore

— Foi Assim, de Natalia Ginzburg (Trad. Anna Alba Caruso)

— Duna (Romance Gráfico), de Frank Herbert, adaptado por Brian Herbert e Kevin J. Anderson

— Margarida e Rosa, de Louise Glück (Trad. Inês Dias)

— Puro, de Nara Vidal

— Austerlitz, de W. G. Sebald

— Gente Pobre, de Fiódor Dostoievski (Trad. António Pescada)

 Novembro:

— País do Passado (título provisório, vencedor International Booker Prize 2023), de Georgi Gospodinov (Trad. Monika Boneva e Paulo Tiago Jerónimo)

— A Morte Breve e a Democracia Imanente, de José Gil

— O Mar Negro. De Péricles a Putin, de Neal Ascherson (Trad. João Paulo Moreira e Maria João B. Marques)

— Feiticeira da Lua, Rei Aranha, de Marlon James (Trad. José Miguel Silva)

— Patos (Romance Gráfico), de Kate Beaton (Trad. Alda Rodrigues)

— Bunny, de Mona Awad (Trad. Manuel Alberto Vieira)

— As Palavras da Noite, de Natalia Ginzburg (Trad. Luísa Feijó)

— Franny e Zooey, de J. D. Salinger

Dezembro:

— Contos Completos, de Agustina Bessa-Luís

— A Casa Sombria, de Charles Dickens (Trad. Paulo Faria)

— O Dia em que o Sol Morreu, de Yan Lianke (Trad. Eugénio Graf)

— Ensaios, de Robert Louis Stevenson (Trad. Nuno Batalha)

quinta-feira, 3 de agosto de 2023

Fim à vista

 
Que o fim do mundo tinha de chegar
sabia-se, porque nada é eterno
mas o difícil de imaginar
era que fosse evento hodierno.
 
O fim prodigioso está à vista,
mas não passa de sórdida epopeia:
rios e mares que perdem a pista,
formidáveis ventos em antestreia!
 
Raios, explosões, aquecimentos,
animais e homens em confusão,
horrorosas feridas, sofrimentos,
 
impensáveis e em tal dimensão,
que transforma tudo em grande espanto,
a que se não ajusta qualquer pranto!
                      01.08.2023
Eugénio Lisboa