domingo, 17 de julho de 2022

Ao Domingo Há Música

              La musique chasse la haine chez ceux qui sont sans amour. Elle donne la paix                        à ceux qui sont sans repos, elle console ceux qui pleurent.
               Pablo Casals, Artiste, Compositeur, Musicien, Violoncelliste (1876 - 1973 )

Da Música espera-se tudo. Dá o que não se  tem,  o que se  quer e o que se sonha. Por vezes, até  traz a esperança de  dias felizes. 
Lang Lang , em Suite bergamasque, L.75: III. Clair de Lune, de Claude Debussy.
 
Lang Lang impressionou os turistas naquela que é designada como a 'Cidade do Amor', ou seja,  Paris,  no Dia dos Namorados de 2019, com  um concerto único ,  num barco cruzando o Sena, à noite. O passeio tinha como finalidade, apresentar peças de seu novo álbum, Piano Book, como o clássico francês 'Clair de Lune' de Claude Debussy. Com 'Piano Book', Lang Lang volta ao seu primeiro amor , às peças que lhe despertaram o desejo de  querer ser músico,  acima de qualquer outra profissão. “Dedico este álbum aos meus maravilhosos alunos de piano e a todos os meus amigos de todo o mundo que amam o piano tanto quanto eu.” Redescobrindo as peças mais populares e acessíveis, escritas para aprendizes e amantes do piano, este álbum é uma jornada de inspiração, descoberta, fantasia e aprendizagem. ‘Piano Book’ reúne muitas das peças com as quais gerações de pianistas amadores cresceram. Lang Lang  tem-nas  na mais alta consideração, acreditando que são clássicos por direito próprio. Ele quer encorajar estudantes de piano de todo o mundo a apreciá-los plenamente.  
O vídeo desta famosa peça  foi produzido por Christopher Alder  , tendo como produtor de vídeo  Phillippe Schirer e  directores de vídeo Anthony Forestier e  Donat Lefebvre

sábado, 16 de julho de 2022

Meditação, perguntando

Terá sido bom o ter-se vivido?
Ou tê-lo-á sido estar-se a viver?
Aquilo que já foi acontecido
só foi bom enquanto estava a ser?
 
O ter sido não é bom nem é mau
e tão só um algo que passou?
É, nesta vida, apenas um degrau
que se deixou, depois que se pisou?
 
De qualquer modo, lembrar sabe bem
e o passado também nos aconchega.
Cada um de nós guarda o que tem
 
se a mais nada ou a mais longe não chega.
Se ter tido não chega a ser poder,
é modo bom de estar a fenecer.
                             16.07.2022
Eugénio Lisboa

Os poderes da Literatura

OS PODERES DA LITERATURA
por Eugénio Lisboa
 
                                             
                                   Há livros escritos para evitar espaços vazios nas estantes.
                                                                  Carlos Drummond de Andrade
 
« A literatura tem grandes poderes e grandes fastios. Não vou enumerar aqui todos os seus poderes nem todos os seus fastios. Estaríamos aqui até chegarem aí os chineses.
Um dos seus mais admiráveis, estimáveis e quase nunca alardeados poderes é o de, mais do que tornar o leitor um admirador do escritor, ser capaz de fazer dele um amigo. Há escritores de quem ficamos gratos amigos, depois de os lermos, mesmo sem os termos pessoalmente conhecido, mesmo não tendo vivido no mesmo século que eles. Para dar só alguns exemplos, repito: só alguns exemplos, Camões, o Padre António Vieira, Garrett, Camilo, Eça, Pessoa, Régio (há meninos que, para efeito curricular académico, gostam de definir a presença, suprimindo Régio e dando como suas balizas Nemésio e Torga, o que, além de ser estúpida afronta, é, eruditamente falando, um ciclópico disparate, porque Nemésio e Torga pouco tiveram que ver com a presença. Mas, ocultar Régio afaga o ego de certos docentes que, fazendo também versos, desconhecem a mais elementar arte poética, e os candidatos a docentes sabem bem para que lado o vento sopra), Domingos Monteiro, Rodrigues Miguéis, Jorge de Sena, Sophia (a sua poesia, não ela), Montaigne, Voltaire, Vauvenargues, Stendhal, Baudelaire, Gide, Roger Martin du Gard, Edgar Poe, Mark Twain, Dickens, Charlotte Brontë, Tolstoi, Tcheckov, Turguenev e outros. Repito que falo de amizades e não de admirações: há escritores que admiramos mas que não consideramos necessariamente nossos amigos. Seja como for, quer haja só admiração, quer haja também amizade, a literatura ajuda-nos a viver, protege-nos e torna-nos a vida viável, mais rica e aprazível.
Dizia o ficcionista americano Charles Bukowski que, sem a literatura, a vida seria um inferno. Isto é bem verdade, mas a literatura que impede que a nossa vida se torne num inferno é só uma certa literatura. Há, julgo eu, mais duas espécies de literatura: aquela que nos deixa completamente indiferentes e que, quando a lemos, não altera nada dentro de nós, e aquela que torna a nossa vida num inferno. A primeira, a que nos deixa exactamente como éramos antes de a lermos, é aquela que Carlos Drummond de Andrade dizia só servir “para evitar espaços vazios na estante”. É uma literatura constituída por livros que não nos incomodam, mas também nos não exaltam, que não nos arreliam mas também não nos modificam. Digamos que são livros neutros, assexuados, desnecessários, mas não necessariamente malignos.
Porém, há outra categoria de literatura, a dos livros que fazem da nossa vida um inferno, que nos fazem mau sangue e nos produzem enxaquecas intratáveis. Livros que interferem com o normal funcionamento do nosso organismo e com a nossa saúde mental. Infelizmente, a nossa literatura portuguesa contemporânea, com a bênção de tantas das nossas vestais universitárias & outras, abunda nesta espécie de literatura infernal. Ainda há pouco, tive ocasião de identificar uma dessas espécies – para o caso, um romance – cujo contacto me abalou a saúde para sempre. Para estes malfeitores devia congeminar-se legislação adequada. Que diabo, um crime é um crime!
A única vantagem destes livros sulfurosos é esta: se duas pessoas que se encontram pela primeira vez verificam que ambos acham infernal um mesmo livro, há grande probabilidade de essas duas pessoas se tornarem grandes amigas para o resto dos seus dias. Inversamente, como observava o maravilhoso P. G. Wodehouse, “não há base mais segura para uma bonita amizade do que um gosto mútuo na literatura.” Por outras palavras, o inferno une mas o céu também.
Seja como for, a literatura tem admiráveis poderes: abre-nos mundos novos, é, como dizia Kafka, “uma expedição em direcção à verdade”, consola-nos, desafia-nos, provoca-nos, ensina-nos, obriga-nos a desaprendermos conceitos falsos mas muito enraizados, ilumina as dificuldades com que, na vida, deparamos, e enriquece-nos das maneiras mais diversas.
Talvez possamos resumir os poderes benévolos da literatura, por estas palavras singelas e sábias do filósofo, linguista e ensaísta literário búlgaro, radicado em Paris, Tzvetan Todorov: “Hoje, se me pergunto por que amo a literatura, a resposta que me vem espontaneamente à cabeça é porque ela me ajuda a viver”.»
Eugénio Lisboa, 07.07.2022

sexta-feira, 15 de julho de 2022

O Humor , o Riso e o Divino

O Humor , o Riso e o Divino

por Anselmo Borges
“Pediram-me uma vez uma reflexão precisamente sobre o tema em epígrafe. Aí fica uma tentativa.
Sobre Deus que sabemos nós? Ele é infinito e está para lá de tudo o que possamos pensar ou dizer. O que sabemos dEle sabemo-lo através de Jesus, a sua revelação no mundo.
Através de Jesus, sabemos que Deus é, como se lê na Primeira Carta de São João, Agapê: Amor incondicional. Mas o Evangelho segundo São João também diz que Deus é Logos: Razão,  Inteligência e que tudo foi criado pelo Logos. Por isso, Deus tem sentido de humor, pois o humor é sinal de inteligência. Não é o humor fino revelador de uma inteligência fina?
Logo no primeiro livro da Bíblia, o Génesis, há um passo belíssimo em conexão com o riso. “O Senhor apareceu a Abraão quando ele estava sentado à porta da sua tenda”, sob a figura de três homens. ‘Onde está Sara, tua  mulher?’ Ele respondeu: ‘Está aqui na tenda. Um deles disse: Passarei novamente pela tua casa dentro de um ano, nesta mesma época, e Sara, tua mulher, terá já um filho’. Ora, Sara estava a escutar à entrada da tenda. Abraão e Sara eram já velhos, e Sara já não estava em idade de ter filhos. Sara riu-se consigo mesma e pensou: ‘Velha como estou, poderei ainda ter esta alegria, sendo também velho o meu senhor?’.” O que é facto é que “o Senhor visitou Sara, como lhe tinha dito, e realizou nela o que lhe prometera. Sara concebeu e, na data marcada por Deus, deu um filho a Abraão, quando este era já velho. Ao filho que lhe nasceu de Sara deu Abraão o nome de Isaac. Abraão tinha cem anos quando nasceu Isaac, seu filho. Sara disse: Deus concedeu-me uma alegria, e todos quantos o souberem alegrar-se-ão comigo.”
Há aqui dois tipos de riso: Sara ri-se para dentro: como é possível, velha, ter um filho? Mas ao filho é dado o nome de Isaac, que, em hebraico, quer dizer “riso”, sendo aqui o riso um riso intenso de alegria: Isaac também quer dizer “aquele que traz alegria”. 
De Jesus diz-nos o Evangelho que chorou: chorou pela morte do seu amigo Lázaro, também sobre Jerusalém. Não se diz que riu. O nome da rosa, de Umberto Eco, anda também à volta dessa questão. Mas já Santo Tomás de Aquino observou  que é evidente que Jesus riu. A prova: Jesus é homem e rir é característica essencial do ser humano. Jesus participou em festas de casamento e alguém imagina uma festa de casamento sem risos, sem piadas festivas? O Evangelho testemunha que Jesus experienciou o melhor sentimento face à vida e ao seu milagre: o do maravilhamento e do contentamento.
O humor e o riso, repito, são um sinal evidente de inteligência, desdramatizam a vida, permitem viver de modo sadio consigo próprio, fazem bem à saúde, abrem transcendências. A Igreja está atravessada pelo bom humor, porque “um santo triste é um triste santo”. E há piadas fatais. Lá está o dito famoso: “ridendo castigat mores”: a rir castiga-se e corrige-se os costumes. Gil Vicente foi exemplar nisso. Digo: ai da Igreja e dos crentes sem a crítica mordaz, ácida, pela palavra e pela caricatura! O que não se pode é cair na boçalidade, pois esta apenas significa falta de inteligência. O riso também cura a vaidade oca: “Mesmo no mais alto trono do mundo, está-se sentado sobre o cu”, escreveu Montaigne.
Na Idade Média, realizava-se a chamada Festa dos Loucos, uma crítica brutal ao poder eclesiástico. Pegava-se num subdiácono, o grau mais baixo da hierarquia, era vestido de bispo, colocado em cima de um burro, entrava na igreja com a face voltada para a cauda, de costas para o altar. Em momentos fundamentais da liturgia, o celebrante e o povo zurravam. Na transmissão simbólica do báculo episcopal, rezava-se o Magnificat naquele passo: “e Deus derrubou os poderosos e exaltou os humildes.” Chamada a pronunciar-se, a Faculdade de Teologia de Paris, justificou-a com a necessidade de dar expansão à crítica, voltando depois a ordem.
A propósito da força crítica da piada e da caricatura, fica aí esta sobre o Vaticano e todo aquele luxo, que blasfema do Evangelho de Jesus, no fausto de uma procissão com cardeais, arcebispos, bispos, monsenhores... Veio São Pedro à janela do Céu e viu aquilo e, estarrecido, chamou Jesus, que olhou e apenas comentou: “E pensarmos nós, Pedro, que começámos aquilo, entrando de burro em Jerusalém onde fui crucificado... Lembras-te?” Por isso, respondi uma vez a uma jornalista: “Não. Jesus não entraria no Vaticano, porque não o deixariam entrar.”
Francisco socorre-se também do bom humor, e todos os dias reza a Oração do bom humor, oração atribuída a São Tomás Moro, o autor de A Utopia, o ex-chanceler que não se esqueceu de levar a gorjeta para o carrasco que ia decapitá-lo. Francisco recomendou-a também aos membros da Cúria Romana, onde tem tantos adversários e até inimigos, a quem falta o bom humor divino: “Dá-me, Senhor, uma boa digestão e também algo para digerir./ Dá-me um corpo saudável e o bom humor necessário para mantê-lo./Dá-me uma alma simples que sabe valorizar tudo o que é bom/ e que não se amedronta facilmente diante do mal, /mas, pelo contrário, encontra os meios para voltar a colocar as coisas no seu lugar./ Concede-me, Senhor, uma alma/ que não conhece o tédio,/ os resmungos,/ os suspiros/ e as lamentações,/ nem os excessos de stress por causa desse estorvo chamado ‘Eu’./ Dá-me, Senhor, o sentido do bom humor./ Concede-me a graça de ser capaz de uma boa piada, uma boa piada para descobrir na vida um pouco de alegria/ e poder partilhá-la com os outros./ 
Ámen.”
Anselmo Borges, Padre e Professor de Filosofia, em Artigo publicado no DN de 9 de Julho de 2022.

quinta-feira, 14 de julho de 2022

O soneto maroto


O SONETO MAROTO
(Útil em dias de muito calor)
 
Não há como um soneto maroto,
que faz titilar a imaginação,
mesmo com um verso muito canhoto,
porém cheiíssimo de combustão!
 
O soneto maroto, à Bocage,
mas, no entanto, bem mais educado,
diverte à grande, a sacanage
e é bom pra esquecer um mau bocado.
 
O Antero não fez soneto maroto
e teve por isso o fim que se sabe.
Só há vantagem em ser boquirroto:
 
rimo-nos antes que o mundo desabe!
Em suma, não é em vão que maroto
rima – e bem – com heterozigoto!
                                   14.07.2022
Eugénio Lisboa 

O calor é um preservativo


O calor é um preservativo
(O soneto que o calor permite)
 
Não é possível amor com calor:
o calor torna a pele escorregadia
e tira ao amor todo o valor.
O calor, como tudo, o amor adia.
 
Uma pele que escorrega noutra pele
não produz o atrito necessário
pra que um corpo ao outro interpele
e se produza o grito-corolário!
 
O calor, em suma, nega o amor,
porque põe os corpos todos em sumo
e o sumo pode ter bom sabor
 
mas não é bom para amoroso consumo.
O calor serve para derreter
mas não se presta para… conceber(1)
                                     13.07.2022
Eugénio Lisboa
 
(1) Sim, eu escrevi “conceber” e não isso em que está a pensar. Até porque isso em que estava a pensar tem uma sílaba a menos e estragava o soneto!

quarta-feira, 13 de julho de 2022

Bibliotecas, campos férteis da aprendizagem

Convento de São Marcos, Florença, Itália 

“No Egipto, as bibliotecas eram chamadas ‘Tesouro dos remédios da alma’. De facto é nelas que se cura a ignorância, a mais perigosa das enfermidades e a origem de todas as outras.”
Jacques-Bénigne Bossuet (1627-1704)

A primeira biblioteca moderna nasceu num espaço entre duas celas do Convento de São Marcos , em Florença . O humanista Niccolò Niccoli legou os seus livros à cidade "para o bem comum , para o serviço público , para que permaneçam num lugar aberto a todos , onde as pessoas esfomeadas de educação possam colher nelas , como em campos férteis, o rico fruto da aprendizagem.".
Irene Vallejo

É sempre tempo de visitar , de descobrir , de desfrutar estas magníficas  bibliotecas   que Lisboa oferece. Silenciosas, mas cheias de desafios, podem ser, em qualquer momento, belos locais de aprendizagem. 


1 - Biblioteca da Academia das Ciências, em Lisboa, Portugal

Começamos pela Biblioteca da Academia das Ciências, que fica situada no antigo Convento de Jesus, no Bairro Alto.
Esta biblioteca ocupa o imponente Salão Nobre da Academia das Ciências, e aqui vai ficar deslumbrado com as pinturas do tecto e com as estantes em talha dourada que revestem as suas paredes.
Além das obras da própria Academia, fundada em 1779, também integra boa parte da antiga Livraria do Convento de Jesus, contando com cerca de três mil manuscritos e uma valiosa colecção de obras dos séculos XIV, XV, XVI e XVII.

2 - Biblioteca Palácio Galveias
Construído no final do século XVII, este palácio nobre foi casa de campo dos Távora e residência dos condes de Galveias (daí o seu nome) antes de passar a funcionar como biblioteca, no ano de 1931.
Em 2017, reabriu de cara lavada, depois de uma renovação que lhe devolveu o brilho original e ainda aumentou o espaço destinado aos leitores. Actualmente, guarda mais de 120.000 documentos.
No exterior, saltam à vista o portão maneirista, e o escudo heráldico de Lisboa. Já lá dentro, destacam-se as madeiras, os mármores e os tectos trabalhados, bem como os azulejos de Leopoldo Batistini (1931) e os bustos dos reis D. Pedro V e D. Luís.
Morada: Campo Pequeno

3 – Biblioteca de São Lázaro
Aberta desde 1883, a biblioteca mais antiga de Lisboa é um segredo bem guardado na Rua do Saco (entre o Martim Moniz e o Campo Santana) que tem  de conhecer.
O principal ex-líbris deste espaço é o Salão Nobre. Com uma disposição hexagonal e forrado a madeiras nobres, é um local austero e com uma aura quase mágica, que não ficaria mal num filme de Harry Potter. O cenário está lá todo: um enorme candelabro ao centro, as estantes cheias de livros e até uma curiosa escada em caracol que dá acesso à mezzanine que envolve a sala.
No total, as várias salas da biblioteca guardam mais de 20 mil documentos em diferentes suportes, como livros infantis, literatura diversa, manuais técnicos, revistas, jornais, CD’s e DVD’s.
Morada: Rua do Saco 1

4 – Biblioteca Passos Manuel
A Biblioteca da Assembleia da República, baptizada em 2017 com o nome Biblioteca Passos Manuel, fica situada nos antigos dormitórios do mosteiro beneditino que deu lugar ao palácio São Bento, hoje sede do Parlamento.
A sua origem remonta à antiga Biblioteca das Cortes, criada em 1836.
No total, guarda mais de 180 mil volumes. Embora seja utilizada, sobretudo, pelos deputados e outros funcionários da Assembleia da República, também está aberta ao público em geral que procure informação sobre assuntos parlamentares.
Morada: Rua de São Bento

5 – Biblioteca da Cruz Vermelha
O Palácio da Rocha do Conde d`Óbidos, junto ao Museu Nacional de Arte Antiga, serve de morada à sede da Cruz Vermelha Portuguesa, onde está instalada esta bonita (e desconhecida) biblioteca.
O seu acervo conta com cerca de 16 mil títulos, desde monografias a publicações periódicas nacionais e estrangeiras.
Do espaço, destacam-se as pinturas do tecto, as estantes em madeira e a balaustrada em redor, além de um imponente lustre de cristal, no centro da sala, produzido pela Fábrica da Marinha Grande.
As visitas necessitam de marcação prévia.
Morada: Jardim 9 de Abril 1

terça-feira, 12 de julho de 2022

Para a Ucrânia

“Eis a péssima notícia: estamos perdidos, irremediavelmente perdidos.
Estamos perdidos, mas temos um tecto, uma casa, uma pátria. É a nossa pátria, o lugar de nossa comunidade de destino de vida e morte. 
O evangelho dos homens perdidos diz-nos que devemos ser irmãos, não porque seremos  salvos, mas porque estamos perdidos”
Edgar Morin,  "Terra-pátria",1995


Better Day por  Natalia Klitschko , acompanhada por  Lisa Klitschko & Daniel Léon.
Quando Putin invadiu  a Ucrânia e a guerra começou  em  24 de Fevereiro, Natalia Klitschko decidiu escrever uma canção  de esperança para o seu povo ucraniano. Juntamente com o cantor e compositor Daniel Léon de Hamburgo, um bom amigo da família,  compôs ,  no dia seguinte,  „Better Day“ . O produtor Henrik Menzel (Udo Lindenberg etc.) e Daniel Léon assumiram a produção da música. A 20 de Março, no grande concerto de apoio à Ucrânia, "Sound of Peace",  no Portão de Brandemburgo em Berlim, " Better Day" foi apresentado pela primeira vez na TV nacional. No  dia 1 de Abril,  a Universal Music lançou a música com Natalia Klitschko a cantar os versos ucranianos e Lisa Klitschko & Daniel Léon  a cantar os refrões ingleses. Todos os lucros da música serão doados à fundação #WeAreAllUkrainians para ajudar as pessoas ucranianas necessitadas e a reconstrução da Ucrânia.