sexta-feira, 4 de maio de 2018

Cinema, Livros e Eventos em Maio

Guernsey –A Sociedade Literária da Tarte de Casca de Batata estreia a 10 de Maio em Portugal e destaca o importante papel de um Clube de Leitura durante o período de ocupação nazi descoberto por Juliet Ashton (Lily James), uma jovem escritora bem-sucedida de espírito livre a viver na Londres do pós-guerra.Apesar do sucesso do seu mais recente romance e do apoio do seu querido amigo e editor Sidney (Matthew Goode), Juliet atravessava uma fase de falta de inspiração depois da experiência difícil da guerra. Pronta para aceitar uma proposta de Mark Reynolds (Glen Powell), Juliet recebe uma carta de um membro da misteriosa Sociedade Literária de Guernsey, uma organização formada durante o período de ocupação nazi. Curiosa por saber mais, Juliet decide ir até às ilhas de Guernsey e encontra-se com os excêntricos membros da Sociedade Literária da Tarte de Casca de Batata, entre os quais se encontra Dawsey (Michiel Huisman), o charmoso e intrigante agricultor que esteve na origem da carta.Juliet cedo percebe que a organização esconde um segredo terrível e que têm medo que ela o possa revelar. À medida que Juliet e Dawsey se vão aproximando, ela começa a desvendar o que aconteceu durante os anos difíceis da ocupação nazi e compreende o receio que sentem de contar a sua história.A verdade é que as confidências, a sua ligação à ilha e aos seus habitantes e a crescente afeição que nutre por Dawsey irão, para sempre, mudar o curso da vida de Juliet.
Título Original: The Guernsey Literary and Potato Peel Pie Society
Realizador: Mike Newell (Quatro Casamentos e Um Funeral)
Elenco: Lily James, Michiel Huisman, Jessica Brown Findlay
LIVROS- Editora Relógio D'Água
Diários de Virginia Woolf
9789896418366
736
15,3 x 23,3 cms
Capa Dura com Sobrecapa
1198 gr
SELECÇÃO, TRADUÇÃO E PREFÁCIO DE JORGE VAZ DE CARVALHO
«O que nos diz o Diário da pessoa de VW que nos permita conhecê­‑la melhor? O aspecto mais impressionante creio ser a evidência de uma mulher extremamente contraditória. Desde logo, as alterações radicais dos estados de espírito, a dramática inconstância dos terrores e euforias vivenciais, de um dia “tão divinamente feliz” e de outro exausta e deprimida. Igualmente a dicotomia entre a necessidade de “estar na vertigem das coisas” (o prazer que diz incomparável de jantares e festas, das visitas, das bisbilhotices) e o isolamento com os livros, a escrita, o jardim, a lareira, Leonard. Deseja a animação, os estímulos que põem a mente à prova, os mexericos fervilhantes, e logo se farta da afluência das visitas, despreza os convivas enfadonhos e banais, acusa o desgaste das frioleiras, a perda de tempo com ninharias, anseia beber uma boa “dose de silêncio”.»Do Prefácio
Entre Mim e o Mundo , de Ta-Nehisi Coates
Tradução: Agostinho da Silva
EAN: 9789899947030
Nº de Páginas: 160
Formato: 14x21 cms
Acabamento: Capa Mole
Peso: 214 gr
VENCEDOR DO NATIONAL BOOK AWARD
«A linguagem de Entre mim e o mundo é, como a viagem de Coates, visceral, eloquente, bela e redentora… Um livro de leitura obrigatória.» Toni Morrison
«Poderoso e apaixonado.» Michiko Kakutani, The New York Times
«Brilhante.» The Washington Post
Entre mim e o mundo é uma reflexão profunda e pessoal, muitas vezes indignada, sobre o racismo. Numa carta ao filho adolescente, Ta-Nehisi Coates recorda a sua infância e juventude num bairro violento de Baltimore, o despertar intelectual por via dos livros, dos discursos de Malcolm Xe de mulheres amadas. Dolorosamente, relembra ainda a perda de um colega de faculdade, também ele negro, vítima de uma perseguição policial.
Ta-Nehisi Coates nasceu em 1975 em Baltimore e vive actualmente em Nova Iorque com a mulher e o filho. Como correspondente da revista Atlantic, recebeu os prémios de jornalismo Hillman e George Polk. É o autor de The Beautiful Struggle e de Entre mim e o mundo. O último foi escolhido como um dos melhores livros do ano por, entre outros, The Guardian, The New Yorker e The Economist e venceu o National Book Award de 2015 para não ficção."
Hermione - LaFayette em Portimão
08 Mai 2018 » 10 Mai 2018 (Porto de Cruzeiros de Portimão)
Lafayette partiu na “Hermione” rumo à América do Norte e 1780, onde lutou pelo lado revolucionário na Guerra da Independência dos Estados Unidos da América.
Durante 3 dias pode visitar o mundo de Lafayette em Portimão. Haverá visitas a bordo, espectáculos de música e animação, exposições e conferências.
O Porto de Cruzeiros de Portimão transforma-se no village “Hermione LaFayette” com vários expositores da área gastronómica, artesanato, artigos vários, entidades oficiais e animação diária.
O Village “Lafayette” funciona das 09:30 às 23:00 e tem entrada livre. As visitas à fragata "Hermione Lafayette" são pagas.
Visitas à Fragata : Adulto: €3,00 / Crianças entre os 6 e os 12 anos: €1,00

(Não é permitida a entrada/visita à fragata de crianças com idade inferior a 6 anos por questões de segurança)

Terras sem Sombra em Beja
O Cante da Ilha da Liberdade, a rota de Soror Mariana e observação de aves
O Baixo Alentejo volta a ganhar protagonismo enquanto destino privilegiado de património, música e biodiversidade. Os dias 5 e 6 de Maio são dedicados pelo Terras sem Sombra a Beja, tendo como pano de fundo as Cartas Portuguesas, de Soror Alcoforado.

Segredos das vozes corsas
O etnomusicólogo Michel Giacometti, nascido na Córsega, foi quem primeiro aprofundou as ligações entre o Cante e a Polifonia das zonas rurais dessa ilha, que constitui, decerto, o “parente mais próximo” das modas do Alentejo. Invocando essa herança partilhada, o mais destacado ensemble corso da actualidade, Barbara Furtuna – Voix Corses apresenta, na igreja do convento de S. Francisco (Pousada), às 21h30, o concerto O Canto na Ilha da Liberdade. Jean-Philippe Guissani, Maxime Merlandi, Jean-Pierre Marchetti e André Dominici escolheram um programa, com composições religiosas e profanas, bem representativo da polifonia da Córsega, desde o século XVIII aos dias de hoje, não esquecendo as afinidades com o Cante. Trata-se de uma ocasião muito propícia para conhecer uma tradição musical de que se fala muito, mas que se escuta pouco entre nós. O espectáculo é consagrado pelo Terras sem Sombra à memória de Giacometti, falecido em Faro, em 1990, e cujo corpo repousa em Peroguarda – aldeia alentejana que ele amou e cujas tradições musicais estudou ao longo de décadas. Esta iniciativa resulta da colaboração bilateral do festival alentejano com o Centro Superior de Investigação e Promoção da Música, da Universidade Autónoma de Madrid, iniciada em 2017.

Na Rota de Soror Mariana Alcoforado
O nome de Soror Mariana Alcoforado, religiosa no convento da Conceição, é indissociável das cartas de amor dirigidas a Noël Bouton, conde de Saint-Léger, mais tarde marquês de Chamilly, e publicadas em França (1669) sob o título de Lettres Portugaises. A tarde de sábado é consagrada a percorrer uma “Rota de Mariana”, antecipando a celebração dos 350.º aniversário da publicação das Cartas Portuguesas, em 2019. Visitam-se, assim, monumentos e sítios que conservam a memória da célebre “Freira de Beja”: a casa onde nasceu, hoje sede do Club Bejense; a igreja de Santa Maria da Feira, onde foi baptizada; e o convento onde entrou com apenas 11 anos, passou toda a existência e está sepultada. Esta iniciativa tem o ponto de encontro no Museu Regional de Beja, às 15 horas, e é orientada pelos historiadores Florival Baioa Monteiro e José António Falcão.

Um santuário das aves na planície: a barragem dos Grous
Situada em Albernoa, a Herdade dos Grous caracteriza-se pela simbiose entre as actividades turísticas e as práticas agro-ambientais, apresentando diferentes tipos de habitats que permitem acolher uma grande variedade de espécies de aves, quer residentes, quer migratórias. A sua barragem constitui um santuário na planície para muitas dessas aves, que só podem ser observadas em biomas deste género, tipicamente mediterrânicos. Entre as mais de 200 espécies que se identificam no local, sobressaem o peneireiro-cinzento, a águia-pesqueira, o picanço-real-meridional, a poupa, o abelharuco, a andorinha-dáurica, o picanço-barreiteiro e o papa-figos, entre outros casos paradigmáticos. Um verdadeiro tesouro da biodiversidade alentejana, com repercussões mundiais, que atrai todos os anos muitos peritos em birdwatching. Tirando partido deste contexto privilegiado para a conservação da natureza, o festival dedica a manhã de domingo, às 10 horas, a um passeio interactivo para a observação de aves, com uma explicação das práticas biológicas que a herdade está a desenvolver, em particular na vertente da exploração agrícola, e a realização de actividades práticas a ela associadas. São guias o biólogo Luís Salvador e do médico Dinis Cortes, grandes conhecedores da fauna da região. As iniciativas do Terras sem Sombra são de acesso livre e resultam da colaboração da Pedra Angular com a Câmara Municipal de Beja.
O mês de Maio é porventura aquele em que Beja mais fervilha de actividade cultural. Difícil mesmo é destacar um evento específico relativamente a outro. O cinema italiano está em destaque logo no início do mês com mais uma edição da Festa de cinema desse país.
Dias depois, no primeiro fim-de-semana de Maio, a “Festa do Azulejo” e o “Festival Terras sem Sombra”, trarão muita alegria e qualidade artística
à sede de Concelho.
A “Beja Romana” com alguns contornos novos, nomeadamente um maior envolvimento da comunidade escolar local, estará de regresso ao Centro Histórico entre os dias 17 e 20 de maio.
No final do mês o “Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja” abrirá portas para mais uma quinzena que colocará Beja no topo nacional
da Banda Desenhada, com um roteiro que permitirá praticamente dar a conhecer toda a cidade a quem decida visitar-nos.
A Câmara Municipal de Beja volta também a assinalar o Dia da Cidade, “a nossa” Quinta-Feira da Ascensão, com atividades no Parque da Cidade e
dentro das comemorações da data teremos no domingo, dia 13, a “Grande Corrida Cidade de Beja” agora batizada com o nome do nosso conterrâneo Fernando Mamede.
Teremos ainda conferências, colóquios e exposições de enorme qualidade para completar esta oferta já de si multifacetada.
O Pax-Júlia, o Centro UNESCO, a Biblioteca Municipal, os Museus e espaços privados completam com programações para todos os gostos este leque
de ofertas de excelência que acontecem em Beja em Maio.
Convido-o a consultar as opções nesta agenda e a aproveitar Beja o melhor que puder." CMB

À CONVERSA COM

Bordalo II, no seu ateliê



O artista de arte urbana Bordalo II fala sobre a sua forma de criar e sobre a peça original que construiu para o Jardim Gulbenkian. Não perca a entrevista nem deixe de visitar a obra Half Bear, nos jardins da Fundação.
LEIA A ENTREVISTA

APRESENTAÇÃO DE RESULTADOS

STOP Infeção Hospitalar!

Segunda, 7 aio, 10:30, Auditório 2



O Desafio Gulbenkian STOP Infecção Hospitalar! terminou e foi uma história de sucesso.
A ideia de diminuir, em 50%, a incidência das infecções adquiridas em meio hospitalar no prazo de 3 anos (2015-2018) não só foi alcançada como as expectativas foram superadas. Na segunda feira serão apresentados os resultados finais do Desafio, num encontro que falará também do futuro.
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MÚSICA

War Requiem

Sexta, 4 de Maio, 21:00, Grande Auditório

A obra War Requiem, ou o Requiem da Guerra, foi escrita pelo compositor inglês Benjamin Britten em 1962 como uma pungente declaração antiguerra e um apelo ao entendimento entre os homens. Estreada na catedral de Coventry, a obra (não litúrgica) sobe agora ao palco do Grande Auditório com  o Coro do Teatro Nacional de São Carlos e a Orquestra Sinfónica Portuguesa, sob a direcção de Graeme Jenkins.

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CURSO

Glória e Pranto: a representação da guerra na história da música

8, 10 e 14 Maio, 18:30–20:30, Auditório 3


A história da civilização ocidental é também a história da guerra, diz Rui Vieira Nery. Durante três sessões, o musicólogo falará sobre a representação da guerra na história da música: das marchas militares aos pedidos de protecção divina, dos hinos ao choro pela destruição, a morte e a saudade.
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Hackathon


A Maratona Digital Hack for Good é já este fim de semana, no Palácio dos Correios, no Porto!
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Exposição “Visões Simbólicas” de Gerson Fogaça em Maio


O brasileiro Gerson Fogaça inaugura a exposição de pinturas “Visões Simbólicas” na Casa da América Latina, a 10 de maio, pelas 18h00, e que ficará patente até 27 de julho.
 

Recital de Lauro Moreira "Vozes Poéticas da Iberoamérica"


O ex-embaixador brasileiro Lauro Moreira apresenta o recital "Vozes Poéticas da Iberoamérica" na Casa da América Latina, no dia 11 de maio, pelas 21h30. Lauro Moreira vai interpretar várias “vozes” da literatura ibero-americana, articulando-as com a música destas regiões.

Festival Internacional da Máscara Ibérica apresenta “Dias de Cinema”


XIII Festival Internacional da Máscara Ibérica apresenta, no âmbito da atividade “Dias de Cinema”, três filmes (dois portugueses e um brasileiro), com incidência na temática das máscaras, dias 16 e 17 de maio na Casa da América Latina.

Prémio Científico Mário Quartin Graça 2018


Estão abertas, até ao próximo dia 31 de maio, as candidaturas ao Prémio Científico Mário Quartin Graça, instituído pela Casa da América Latina e pelo Banco Santander. Veja aqui o regulamento e ficha de inscrição.

Embaixada do México homenageia José Arreola no Dia Internacional do Livro


A Embaixada do México em Portugal convidou a cidade a acompanhar a sua comunidade para ler um fragmento da obra “La Feria”, comemorando o centenário do nascimento do escritor Juan José Arreola, que junto com Juan Rulfo, é considerado o mestre do conto mexicano contemporâneo.

Sergio Ramírez – Prémio Cervantes 2018


Prémio Miguel de Cervantes foi entregue ao escritor nicaraguense Sergio Ramírez pelos reis de Espanha, no dia 23 de abril, na Universidade de Alcalá de Henares, em Madrid. Esta é a primeira vez que um autor da América Central é distinguido com este prémio.

Augusto Santos Silva publica “Argumentos Necessários”


Ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, publicou o livro Argumentos Necessários. Para melhor entender a política externa portuguesa.

Visita Guiada à exposição “Movimento 2” de Leonor Beltrán




A Casa da América Latina e Leonor Beltrán organizam uma visita guiada à exposição “Movimento 2”, no dia 3 de maio, pelas 18h00. No final da visita terá lugar uma conversa entre Leonor Beltrán e Joana Consiglieri.

Baile e músicas latinas para toda a família na CAL
 

atividade "Músicas Latinas" é orientada para famílias e procura explorar a expressão criativa das musicalidades da região latino-americana. Esta experiência intercultural realiza-se a 12 de maio, pelas 16h00, na Casa da América Latina.
 

Apresentação do Livro “Cuba, Ano Zero?” na CAL


O livro "Cuba, Ano Zero?", dos fotógrafos Luís Câmara e Carlos Lopes Franco, vai ser apresentado na Casa da América Latina (CAL) a 18 de maio, pelas 18h30.


 

11º edição do Curso de Verão América Latina Hoje


Continua aberta, até 15 de julho, a fase de candidaturas para o Curso de Verão América Latina Hoje, que vai ter lugar no ISCTE-IUL, em Lisboa, entre os dias 2 e 6 de julho.
 

Duas exposições, dois caminhos


Texto de Yvette Centeno sobre as exposições de Leonor Beltrán na Casa da América Latina e Teresa Balté na Perve Galeria. 

FILBo aproxima literaturas ibero-americanas


“Sentir as Ideias” foi o tema da 31ª Feira Internacional do Livro de Bogotá (FILBo), que teve a Argentina como convidado de honra. A feira, onde estiveram presentes diversos autores latino-americanos, decorreu entre 17 de abril e 2 de maio.
 

Carta Universal dos Deveres e Obrigações das Pessoas


Carta Universal dos Deveres e Obrigações das Pessoas, uma iniciativa de um grupo de personalidades mexicanas, conta com o apoio do Governo do México.


Libres - couverture du numéro 5 du Nouveau Magazine littéraire
En kiosque
Le numéro 5 du magazine est arrivé chez vos marchands de journaux.
•En couverture : L'Union européenne focalise toutes les rancœurs et tous les rejets. Voulant sauver cet espace commun du naufrage de la technostructure bruxelloise, nous avons demandé à des auteurs de pays et d'horizons différents de repenser et de réinventer l'Europe.
•La conversation : Leïla Slimani et Raphaël Glucksmann rencontrent Asli Erdogan.
•Les récits : L'île impossible par Eirikur Örn Norodahl et Le premier métro par Sara Lövestam.
•Les idées : Macron, un chasseur sachant chasser. Deux cents ans après, Marx toujours capital.
•Le dossier : Les Misérables ont la peau dure.
•Notre bibliothèque : Philippe Lançon, Silvia Avallone, Edouard Louis...
•Et bien plus encore...

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Passos Manuel e o celibato do Clero

CELIBATO DO CLERO (1835)
Na sessão de 26 de Fevereiro de 1835 da Câmara dos Deputados, Manuel da Silva Passos (Passos Manuel) apresenta dois projectos de lei (1) para a abolição do celibato religioso, considerando cruel e contrária à natureza humana a proibição do matrimónio dos sacerdotes católicos e das freiras.O Deputado aponta os resultados funestos da lei do celibato para a religião e a sociedade, conduzindo a estupros, adultérios e comportamentos contrários à civilização. Aspectos que ganham relevância pela influência que o clero exerce na sociedade:

"Se os eclesiásticos forem virtuosos, salutar será a sua influência; mas se pelo contrário forem devassos, dissolutos, e imorais, a liberdade da nação não pode deixar de se ressentir dessa funesta imoralidade! Em vez de clérigos estragados, adúlteros, concubinários, seria melhor que o povo se acostumasse a ver e respeitar em cada sacerdote um homem virtuoso, um bom marido, e um prudente pai de famílias."

Sobre as mulheres religiosas, lastima a brutalidade de "prender em ferros a melhor parte do género humano", obrigando "fracas damas" a um voto "feito muitas vezes quando o coração não tinha escutado ainda a voz irresistível da natureza". O projecto de Passos Manuel tem o propósito de libertar as religiosas dessa condição, de protegê-las da exposição ao "opróbrio e à desonra", mas também de honrar a dignidade de ser mãe, contra os preconceitos "que tendem a dar preferência a uma virgindade forçada e perpétua sobre a maternidade".
No entendimento de que "a obrigação do legislador não se limita a castigar crimes", mas também a encontrar "meios indirectos" que os previnam "sem provocar os males que acompanham os castigos e que derivam da jurisprudência penal", Passos Manuel socorre-se de dois preceitos defendidos por Jeremy Bentham:

 "1.º Satisfazer um desejo sem prejuízo.
  2.º Diminuir a sensibilidade quanto à tentação."

Relativamente ao primeiro meio de prevenção do crime apontado pelo filósofo e jurista inglês, Passos Manuel começa por evidenciar a "mútua e irresistível inclinação dos dois sexos", "a necessidade que têm de se amarem", conduzindo desta forma "à reprodução da espécie, pelo estímulo do prazer mais vivo, e mais imperioso, da cópula misteriosa”. Prossegue dizendo que, “apesar da hipocrisia", "não há moral poderosa para acalmar sentidos agitados, nem leis que bastem para refrear os vivos desejos do amor".
Defende, assim, que para prevenir o crime, não se deve contrariar a natureza, nem criminalizar os "desejos mais vivos" de um amor recíproco, assente no matrimónio:
"Às leis não cumpre fazer crime do que a natureza fez virtude, ou deixou inocência. Nem o coito vago, nem a poligamia, nem o concubinato oferecem vantagens à sociedade, que possam pôr-se em paralelo com o casamento, estado o mais próprio para fazer a felicidade do homem policiado. É por isso que os legisladores não só não devem pôr nenhum obstáculo aos matrimónios, mas pelo contrário têm obrigação de os favorecer e de os honrar."
Sobre o segundo meio de prevenir o crime, segundo Bentham, Passos Manuel defende que para "diminuir a sensibilidade quanto à tentação, é necessário deixar os meios de satisfazer os desejos do amor sem prejuízo", não os criminalizar e "honrar o matrimónio".

No seu discurso, refere ainda a imprudência de confiar a confissão e a "direcção de consciências" a sacerdotes celibatários, salientando a maior pureza do protestantismo, "onde os clérigos, quando pregam a "castidade conjugal e a modéstia das virgens, são eles próprios, suas mulheres e suas filhas, o exemplo vivo destas virtudes cristãs".

Passos Manuel conclui que o celibato religioso contribui para a "escravidão dos povos", com uma lei imoral que os despoja dos "bons costumes, sem os quais não [pode] haver liberdade".

Na sessão da Câmara dos Deputados de 5 de Março de 1835, é rejeitada a admissão à discussão do projecto de lei para a abolição do celibato clerical.

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(1) Os projectos apresentados foram os seguintes:
Art. 1.º As ordens sacras não constituem um impedimento dirimente do matrimónio.
Art. 2.º Nenhum presbítero, passados dez anos da publicação desta lei, será elevado ao episcopado, sem que, além das qualidades morais e religiosas para isso requeridas por direito canónico, tenha a de ser casado, ou viúvo, e sobre isso, pelas suas virtudes conjugais, e pela boa criação que der a seus filhos, tendo-os, se fizer estimar, e respeitar entre os fiéis, como um bom e prudente pai de famílias.
Art. 3.° O Governo não proverá em nenhum benefício eclesiástico presbítero, que depois da publicação da presente lei se ordenar, não tendo completado os quarenta anos de sua idade, salvo se ao tempo da ordenação, ou depois dela, for casado, ou viúvo.
Art. 4.º O Ministro e Secretário de Estado, que referendar algum decreto contra as disposições do artigo 2.°, será castigado com pena de um até três anos de prisão. O que referendar decreto contra as disposições do artigo 3.° será castigado com a pena de seis até dezoito meses de prisão.
Art. 5.° Nas mesmas penas incorrerá o eclesiástico, que tomar posse de algum bispado, ou benefício eclesiástico, contra as disposições do 2.° e 3.° artigos da presente lei.
Art. 6.° O Governo fica autorizado para convocar um concílio nacional, ou concílios provincianos, se assim o pedirem as necessidades da igreja lusitana, para dela se tirarem os escândalos, reformarem os abusos, e manter a pureza da nossa Santa Fé, e moral cristã.
Art. 7.º Os votos de pobreza, obediência, e castidade, feitos pelos religiosos de ambos os sexos, ou os que para o futuro se fizerem, são declarados desde já írritos, e nulos, por virtude desta lei, e como se feitos não fossem.
§. 1.° O voto de castidade não constitui um impedimento dirimente do matrimónio.
Art. 8.º Nos conventos de religiosas é conservada a clausura.
§. 1.° Só se pode quebrar perpetuamente: 1.° pelo casamento das religiosas; 2.° por autoridade do Governo, ouvidas as câmaras municipais do distrito, e com sua aprovação especial.
§ 2.º Quebra-se a clausura temporariamente: 1.º a das religiosas maiores de quarenta e cinco anos de idade, com licença da prioresa, na falta dela com licença da câmara municipal do distrito; 2.° a das religiosas menores de quarenta e cinco anos, se com as cláusulas acima declaradas, saindo elas para casas de parentes até ao quarto grau, segundo o direito, ou de outras pessoas respeitáveis, e como tais havidas pela câmara municipal do distrito, e só para tratarem de sua saúde, por conselho de um facultativo, dado por escrito; 3.º a clausura de quaisquer religiosas, que queiram sair para casa de seus ascendentes, ou irmãos, declarando eles por escrito, perante a câmara municipal, que estão prontos a receber as ditas religiosas em suas casas, e por quanto tempo as recebem.
Art. 9.º Os filhos ilegítimos dos eclesiásticos regulares ou seculares, que estes perfilharem por escritura pública, ou testamento, são em tudo, e para todos os efeitos havidos como filhos legítimos.
§. 1.° Os eclesiásticos não herdarão de seus filhos ou descendentes, assim legitimados, se não por disposição de suas últimas vontades.
Art. 10.° Fica revogada toda a legislação em contrário. 
Câmara dos Srs. Deputados, 26 de Fevereiro de 1835. - Manuel da Silva Passos, Deputado pelo Douro.
Art. 1.° O Governo pagará desde já a cada uma das religiosas a quantia de 480 réis diários, que lhes serão continuados enquanto vivas forem.
Art. 2 ° Esta quantia poderá subir até à de 720 réis, em atenção às poucas rendas dos conventos, que ficarem subsistindo, e à idade, e enfermidades das mesmas religiosas.
Art 3.º As religiosas, que com autoridade do Governo viverem fora da clausura, vencerão a quantia que se lhes pagaria vivendo clausuradas.
Art. 4.° As religiosas, que casarem, vencerão a pensão de 480 réis diários. Tendo dois filhos, ou daí para cima vencerão 720 réis.
Art. 5.° O Governo por nenhum motivo espaçará a pensão alimentária decretada nos artigos 1.°, 3.° e 4.°.
Art. 6.° As pensões alimentárias decretadas às religiosas começam a vencer-se desde a publicação da presente lei.
Art. 7.º O Governo fará reparar os conventos das religiosas, e as obras necessárias se farão por arrematação.
Art. 8.° As indemnizações decretadas [pelos] decretos de 30 de Julho, e 13 de Agosto de 1832 a respeito das corporações de religiosas, ficam satisfeitas desde a publicação da presente lei com as pensões nela designadas.
Art. 9 ° Fica revogada toda a legislação em contrário. 
Câmara dos Srs. Deputados, 26 de Fevereiro de 1835. - Manuel da Silva Passos" in Comunicar, BAR, Maio 2018

quarta-feira, 2 de maio de 2018

O mistério do tempo

Realidade
Sim, passava aqui frequentemente há vinte anos...
Nada está mudado — ou, pelo menos, não dou por isto —
Nesta localidade da cidade...

Há vinte anos!...
O que eu era então! Ora, era outro...
Há vinte anos, e as casas não sabem de nada...

Vinte anos inúteis (e sei lá se o foram!
Sei eu o que é útil ou inútil?)...
Vinte anos perdidos (mas o que seria ganhá-los?)

Tento reconstruir na minha imaginação
Quem eu era e como era quando por aqui passava
Há vinte anos...
Não me lembro, não me posso lembrar.

O outro que aqui passava, então,
Se existisse hoje, talvez se lembrasse...
Há tanta personagem de romance que conheço melhor por dentro
De que esse eu-mesmo que há vinte anos passava por aqui!

Sim, o mistério do tempo.
Sim, o não se saber nada,
Sim, o termos todos nascido a bordo
Sim, sim, tudo isso, ou outra forma de o dizer...

Daquela janela do segundo-andar, ainda idêntica a si mesma,
Debruçava-se então uma rapariga mais velha que eu, mais lem-
                                                                      bradamente de azul.

Hoje, se calhar, está o quê?
Podemos imaginar tudo do que nada sabemos.
Estou parado física e moralmente: não quero imaginar nada...

Houve um dia em que subi esta rua pensando alegremente no
                                                                                          futuro,
Pois Deus dá licença que o que não existe seja fortemente ilu
                                                                                       minado,
Hoje, descendo esta rua, nem no passado penso alegremente.
Quando muito, nem penso...
Tenho a impressão que as duas figuras se cruzaram na rua, nem
                                                                             então nem agora,
Mas aqui mesmo, sem tempo a perturbar o cruzamento.

Olhamos indiferentemente um para o outro.
E eu o antigo lá subi a rua imaginando um futuro girassol,
E eu o moderno lá desci a rua não imaginando nada.

Talvez isso realmente se desse...
Verdadeiramente se desse...
Sim, carnalmente se desse…


Sim, talvez...
Álvaro de Campos, in "Poesia",Obras Completas de Fernando Pessoa, Edições Ática, pp.291, 292, 293

terça-feira, 1 de maio de 2018

1 de Maio de 1974

Coimbra, 1 de Maio de 1974
"Colossal cortejo pelas ruas da cidade. Uma explosão gregária de alegria indutiva a desfilar diante das forças de repressão remetidas aos quartéis.
- Mais bonito do que a Rainha Santa... - dizia uma popular.
 Segui o caudal humano, calado, a ouvir vivas e morras, travado por não sei que incerteza,  na recôndita e vã esperança de ser contagiado. Há horas que são de todos. Porque não havia aquela de ser também minha? Mas não. Dentro de mim ressoava apenas uma pergunta: Em que oceano de bom senso iria desaguar aquele delírio? Que oculta e avisada abnegação estaria pronta para guiar no caminho da história a cegueira daquela confiança?
A velhice é isto: ou se chora sem motivo, ou os olhos ficam secos de lucidez."
Miguel Torga, in "Diário XII" , Obra completa de Miguel Torga, Círculo de Leitores, p.1159