sábado, 14 de dezembro de 2013

Assim vai o Mundo

Michelle Bachelet: entre “os mercados” e o clamor das ruas 
 Por Frederico Füllgraf,  de Santiago do Chile
"A poucos dias do segundo turno das eleições presidenciais no Chile, ninguém mais, dentro e fora do país, duvida que Michelle Bachelet será a mandatária do país andino até 1º. de Janeiro de 2018.
A direita, que em menos de um ano escalou três candidatos, dos quais dois renunciaram – o último deles, o pinochetista Pablo Longueira, afetado por grave crise de depressão – disputa o páreo com Evelyn Matthei, filha de um general que durante catorze anos integrou a ditadura Pinochet, e que nada fez para impedir a prisão e a morte de seu colega de farda, Brigadeiro Alberto Bachelet, pai da candidata de centro-esquerda, falecido nas masmorras da ditadura chilena em Março de 1974. Indiferente à derrota que sua candidata sofrerá no próximo domingo, 15, Sebastián Piñera, dono de patrimônio avaliado em 2,5 bilhões de dólares, retorna aos seus negócios, distribuídos entre línhas aéreas, o clube de futebol Colo Colo, administradora de cartões de crédito e supermercados.
Para Evelyn Matthei o páreo se encerra em 15 de dezembro, já para a virtual Presidente Bachelet a arrumação do país começa no dia seguinte. Seus desafios são enormes: o Chile não apenas vive sob uma democracia amordaçada pelo legado pinochetista, com uma Constituição e leis ordinárias permeadas pelo estado de exceção, mas é também um país assimético, ultra-centralizado em Santiago, com notável dívida à diversidade e autonomia das províncias, e sobretudo um país imensamente desigual.
As 50 medidas dos primeiros 100 dias de governo
A duas semanas de assumir o poder, Bachelet terá que arrebatar a Sebastián Piñera e sua bancada direitista no Congresso, a garantia de disponiblidade orçamentária para financiar as primeiras 50 medidas que pretende implementar nos primeiros 100 dias de seu governo. A grosso modo, seu programa de governo, dilatado em quatro anos, está focado em três grandes eixos: as reformas tributária, do ensino e da Constituição. Contudo, um amplo leque de medidas emergencias tem por objetivo reduzir imediatamente parte da dívida social acumulada. Entre elas estão a entrega dos primeiros 500, de um total de 4.500 novos berçários em todo o Chile; a criação de duas novas universidades públicas regionais, uma delas na explosiva província de Aysén; convênios para criação das 5 primeiros escolas públicas regionais de Formação Técnica; implementação do Fundo Nacional de Medicamentos, conveniado com todas as municipalidades do país; contratação de 750 novos médicos especialistas para o sistema de saúde pública; projeto de lei que cria, a partir de 2014, o Aporte Familiar Permanente, subsídio de combate à pobreza no valor mensal de 40.000 Pesos (equivalente a R$ 175,00) que beneficiará 2,0 milhões de famílias; programa de Formação e Capacitação Profissional para aumentar a participação feminina no mercado de trabalho, beneficiando 300.000 mulheres, e assim por diante."Frederico Füllgraf 
Leia o artigo completo em : Füllgrafianas
Temporal no Brasil 
Rio de Janeiro. Além das vítimas no Rio de Janeiro, as enchentes provocadas por fortes chuvas desde a última quarta-feira deixaram um morto e desabrigados em cidades do interior e das regiões metropolitanas em Goiás e Espírito Santo
Chega a 2.563 o número de famílias afectadas pelas chuvas na baixada fluminense. De acordo com balanço divulgado ontem pela Secretaria Estadual de Assistência Social e Direitos Humanos, a maior parte das famílias desalojadas por causa das chuvas já retornou às suas casas ou foi para a residência de familiares ou amigos."


Rodrigo Leão na lista dos nomeados  para os Óscares 
"Rodrigo Leão que compôs a banda sonora para o novo filme de Lee Daniels, O Mordomo, está entre os 114 compositores escolhidos para uma possível nomeação aos Óscares. A Academia Americana de Artes e Ciências Cinematográficas divulgou esta quinta-feira a lista dos compositores candidatos à nomeação para melhor banda sonora original, onde surge Rodrigo Leão.O nome do português está entre candidatos bem conhecidos da Academia e já habituais nesta lista, incluindo os cinco compositores nomeados ontem para os Globos de Ouro: Hans Zimmer (12 Anos Escravo), Steven Price (Gravidade), John Williams (A Rapariga Que Roubava Livros), Alex Ebert (Al lis Lost) e Alex Heffes (Mandela: Longo Caminho Para a Liberdade). E escreve a imprensa especializada que é muito provável que estes três primeiros compositores (Zimmer, Price e Williams) cheguem mesmo à nomeação final." Público

Maria Mota, galardoada com o Pessoa 2013

Público.pt - ‎Há 1 hora‎

"Há quase 19 anos que investiga o parasita da malária. Nesta sexta-feira, Maria Mota viu o seu trabalho reconhecido com a atribuição do Prémio Pessoa 2013, no valor de 60 mil euros. Maria Mota, de 42 anos, há mais de dez que lidera uma equipa que...Leia o artigo AQUI
A guerra fratricida na República Centro-Africana 
"Os confrontos armados entre muçulmanos e cristãos na República Centro-Africana deixaram pelo menos 600 mortos em uma semana, sendo 450 só na capital, Bangui, de acordo com um relatório publicado nesta sexta-feira pelo Alto Comissariado para Refugiados das Nações Unidas (Acnur). Pelo menos 159 mil pessoas deixaram as suas casas nos últimos sete dias.
Muitos dos que fugiram estão em condições absolutamente precárias. Quase 110 mil buscaram campos de refugiados na capital, e outras 38 mil alojaram-se no aeroporto da cidade - onde não há banheiros ou abrigo. O local, no entanto, representa segurança: é a base dos 1.600 soldados franceses deslocados, que, junto aos 3 mil da Missão Internacional Africana (Misca), não conseguiram pôr fim ao conflito.
Há ainda uma grande concentração de deslocados em Bossangoa, onde fica parte do exército francês.
"Espontaneamente e em busca de vagas, 40 mil cristãos de Bossangoa e das aldeias próximas foram-se juntando ao redor do arcebispado da cidade, de apenas quatro hectares", conta a ONG Acção contra a Fome. "Do outro lado da cidade, as famílias muçulmanas procuram, há pelo menos seis dias, a escola Liberté."
Em visita à capital na manhã desta sexta-feira, o ministro da Defesa da França, Jean-Yves Le Drian, falou sobre o "início de uma crise humanitária". Ele viajou para apoiar o contingente da Operação Sangar, tendo declarado:"A República Centro-Africana é um país à deriva. Temos que ficar atentos ao perigo de que reine a anarquia e a situação acabe desestabilizando toda a região, atraindo grupos criminosos e terroristas." DP
Papa Francisco, Figura do ano
"O Papa Francisco foi eleito a figura do ano de 2013 pela revista americana Time, que justifica a escolha do líder da Igreja Católica por este ter assumido uma "nova voz de consciência".
Destacando a "humildade" e a "compaixão" do papa Francisco, eleito a 13 de Março de 2013, a revista americana justifica que "raramente um novo actor da cena mundial captou tanto e tão rapidamente a atenção dos mais novos e dos mais velhos, dos crentes e dos cépticos".
O papa Francisco derrotou outros candidatos a personalidade do ano, entre os quais o ex-consultor informático Edward Snowden, que denunciou programas de vigilância de comunicações levados a cabo pelos Estados Unidos, e o Presidente da Síria, Bashar al-Assad, que lidera uma das frentes de combate da guerra civil sangrenta que se prolonga há mais de dois anos.
Na lista de candidatos estava também a activista Edith Windsor, que conseguiu que o Supremo Tribunal dos Estados Unidos decretasse a inconstitucionalidade de restringir o casamento a pessoas heterossexuais; e Ted Cruz, senador republicano ligado à facção mais conservadora Tea Party, que foi uma das mais fortes vozes de bloqueio à reforma do sistema de saúde dos Estados Unidos." Sol

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

De Pessoa como pura virtualidade

476.
"Parecerá a muitos que este meu diário, feito para mim, é artificial de mais. Mas é de meu natural ser artificial. Com que hei-de eu entreter-me, depois, senão com escrever cuidadosamente estes apontamentos espirituais? De resto, não cuidadosamente os escrevo. É, mesmo, sem cuidado limador que os agrupo. Penso naturalmente nesta minha linguagem requintada. 
Sou um homem para quem o mundo exterior é uma realidade interior. Sinto isto não metafisicamente, mas com os sentidos usuais com que colho a realidade. 
A minha frivolidade de ontem é hoje uma saudade constante que me rói a vida.
Há claustros na hora. Entardeceu nas esquivanças. Nos olhos azuis dos tanques um último desespero reflecte a morte do sol. Nós éramos tanta coisa dos parques antigos; de tão voluptuoso modo estávamos incorporados na presença das estátuas, no talhado inglês das áleas. Os vestidos, os espadins, as perruques, os meneios e os cortejos pertenciam tanto à substância de que o nosso espírito era feito! Nós quem? O repuxo apenas, no jardim deserto, água alada indo já menos alta no seu acto triste de querer voar." Livro do Desassossego

Quando se celebram os 125 anos do autor de Livro do Desassossego, a Casa Fernando Pessoa reuniu mais de quarenta investigadores, críticos, tradutores e criadores de variados países que encontram neste escritor universal alento e inspiração para os seus percursos académicos ou artísticos. O III Congresso Internacional Fernando Pessoa realizou-se nos dias 28, 29 e 30 de Novembro, no Teatro Aberto em Lisboa, conforme anunciámos. No segundo dia, entre as 10 e as 11 da manhã, no painel Narrei-me à sombra e não me achei sentido, Eduardo Lourenço leu De Pessoa como pura virtualidade, texto que constitui um prefácio inédito, escrito para uma obra de Leyla Pérrone-Moisés . Participaram também nesta sessão, moderada por Maria Manuela Viana, Teresa Rita Lopes e Fernando Cabral Martins.
Eis o registo dessa apresentação.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

A minúscula Europa

Europa, quantas divisões?
10 Dezembro 2013 Les Echos  Paris 
"A sociedade contra as elites, o Norte contra o Sul, a Alemanha contra a França, a Grã-Bretanha contra todos os outros: o nosso continente multiplica as divisões que o fragilizam face ao novo rumo do mundo. Devemos voltar a mostrar coragem e continuar a acreditar na Europa, afirma o politólogo Dominique Moïsi.
"Europeus, abram os olhos. Em 2050, constituirão apenas 6% da população mundial, quando representavam 20% no início do século XVIII. Juntos, sois pequenos. Isolados no seio das vossas nações, sois minúsculos! Até a Alemanha, o novo gigante económico e demográfico da União Europeia representa, hoje em dia, apenas 1% da Humanidade, um número que virá a diminuir no futuro. Entretanto, o continente africano passou de 180 milhões de habitantes em 1950 para mais de mil milhões hoje em dia, e ultrapassará muito provavelmente os dois mil milhões dentro de trinta anos. A demografia não é, de facto, o único factor a ter em conta: a influência de Singapura não se mede pela dimensão da sua população. Mas não deixa de ser importante.
Os europeus precisam cada vez mais da União Europeia, não apenas pelo facto de serem cada vez menos, como também pela maior incerteza que rege o mundo.
Sérias preocupações
A América tem vindo a afastar-se, cansada das suas aventuras militares dispendiosas e incertas no Médio Oriente. Provavelmente, o país também se sente mais tranquilo por saber que, em 2020, irá tornar-se independente a nível de recursos energéticos, graças ao gás e ao petróleo de xisto. A Rússia aproxima-se cada vez mais, mas não no bom sentido da palavra, não a nível dos valores mas das suas ambições imperiais. Nunca renunciou à Ucrânia e investe todas as suas forças em Kiev. Não estamos perante uma nova Guerra Fria, a Rússia não é a URSS, mas, no leste, surgiram novos acontecimentos que geram sérias preocupações.
As revoluções árabes podem suscitar uma dupla analogia, com a Revolução Francesa e com as guerras religiosas
No sul, o Médio Oriente entrou num processo de fragmentação, desde o início da Primavera Árabe. As revoluções árabes podem suscitar uma dupla analogia, com a Revolução Francesa e com as guerras religiosas que ensanguentaram a Europa de meados do século XVI até meados do século XVII: com os xiitas e os sunitas no papel dos protestantes e dos católicos. Mas, na realidade, são os acordos Sykes-Picot de 1916 [sobre a divisão do Médio Oriente após a Primeira Guerra Mundial] que estão a colapsar perante os nossos olhos e, à medida que se desmoronam, fracturam a unidade de países como o Iraque, a Síria e a Líbia, a fundação sobre a qual assentava o Médio Oriente.
Por fim, temos a Ásia, que se encontra em pleno clima de tensão. De Tóquio a Pequim passando por Seul, as elites asiáticas perguntam, preocupadas, se 2013 não será para o continente o equivalente ao que foi 1913 para a Europa, o ano que precedeu a guerra. Nenhum deles quer iniciar um conflito armado, mas também não fazem esforços suficientes para evitar que uma guerra inesperada rebente no mar da China.
Europa fecha-se
O que faz a Europa perante um ambiente internacional cada vez mais perigoso? Fecha-se sobre si mesma, criando todas as condições para o reforço do populismo no seio da UE.
Em 1994, foi lançado um filme na Grã-Bretanha, que teve muito sucesso: Quatro Casamentos e um Funeral*, com Hugh Grant como protagonista. Hoje em dia, para descrever a realidade europeia, poderíamos falar em: “Quatro divórcios e nenhum funeral”.
Na verdade, existe um quadruplo divórcio que tem vindo a aprofundar-se no seio dos países membros da União Europeia. O primeiro, e o mais importante, é o que existe entre a sociedade e as elites, quer se tratem das elites nacionais ou “bruxelenses”. Este divórcio precedeu a crise económica e financeira que começou em 2007. Os referendos negativos sobre o Tratado constitucional na França e na Holanda, em 2005, provam-no. A crise só veio aumentar o fosso que se abriu entre o projecto europeu que já não convence ninguém – à excepção dos não europeus e dos não membros da União Europeia, como a Ucrânia – e os cidadãos desiludidos pela política e os seus políticos.
O segundo divórcio, o geográfico, é o que existe entre o sucesso da Europa do norte, com a Alemanha na linha da frente, e o fracasso da Europa do sul, representada pela Grécia, ainda que Atenas, felizmente, continue sozinha na sua categoria. A esta divisão norte-sul, convém doravante adicionar uma dimensão este-oeste. De facto, à excepção da Polónia, os países de leste e do centro da Europa que entraram para a União entre 2004 e 2005 estão mal, tanto de um ponto de vista económico como político.
Uma crise ética
O terceiro divórcio é um “divórcio de situação” entre os dois países que formavam os pilares da União Europeia: a França e a Alemanha. Por outras palavras, Paris já não se encontra na mesma categoria que Berlim. De facto, a impotência calculada da Alemanha no plano internacional tende a restabelecer um certo equilíbrio entre estes dois países. No entanto, trata-se de um equilíbrio artificial. Desde 1995 e da morte de François Mitterrand que nenhum Presidente da República se equipara a um chanceler da Alemanha. Não é de estranhar, portanto, que a França se aproxime seriamente do sul da Europa e dos seus problemas e que se afaste da Europa do norte e dos seus sucessos.
O quarto divórcio, entre a Grã-Bretanha e a Europa, torna o terceiro ainda mais problemático. Paris já não pode contar com Londres para fazer frente a Berlim, uma vez que Londres se está a afastar cada vez mais do continente, o que irá muito provavelmente levar à realização de um referendo sobre a Europa em 2017.
Se a Europa, que viveu muito acima das suas possibilidades de um ponto de vista material, e muito abaixo das suas possibilidades de um ponto de vista político, intelectual ou espiritual, recuperar a lucidez e a coragem perante uma crise que é, antes de mais, ética, não haverá funerais. Agora, mais do que nunca, os europeus precisam de continuar a acreditar na Europa e na sua combinação excepcional de unidade e diversidade." Presseurop, 10/12/2013

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quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Leda Valladares

Leda Valladares (Tucumán, 21 de diciembre de 1919 - Buenos Aires, 13 de julio de 2012) foi professora de filosofía, poeta, cantora, compositora e musicóloga que dedicou a  sua  vida a conhecer, registar, proteger e difundir a música anónima e popular da  Argentina.
A imensa obra de Valladares, responsável  pelo resgate de grande parte da herança musical andina, em especial aquela de rasto anónimo, foi homenageada. Para recordar a compositora e poeta tucumana, que faleceu a 13 de Julho de 2012, organizaram-se espectáculos preenchidos por diversas interpretações dos seus mais representativos trechos musicais 
"Leda não era musicóloga.Os seus resgates  estavam  vinculados a  critérios estéticos e o seu canto era, natural; ensinou  a muitos a relação entre a música e a terra", recordou  José Luis Castiñeira de Dios, Director Nacional de Artes.
Criada entre as sonoridades da tradição  europeia, Valladares abraçou o legado oral  e anónimo da música andina e, a partir desse compromisso, deixou  uma  enorme e valiosa obra.  
No 1º aniversário da sua morte, várias homenagens foram-lhe prestadas. Apresentamos a homenagem musical  da cidade Tucumán ( Argentina).
                                   Homenagem da Cidade de Tucumán, Argentina,
a Leda Valladares
"La Vida Mía", de Leda Valladares

Sale el sol, sale la luna, la vida mía
con su vajilla de plata, la vida mía
una madejita de oro, la vida mía
del lindo sol se desata, la vida mía.

Yo soy paloma del cerro, la vida mía
que voy bajando a la aguada, la vida mía
con las alitas la enturbio, la vida mía
por no tomar agua clara, la vida mía.

Palomita, palomita, la vida mía
paloma del palomar, la vida mía
todas salen, todas entran, la vida mía
todas salen a volar, la vida mía.

Las estrellitas del cielo, la vida mía
forman corona imperial, la vida mía
y sola en medio del campo, la vida mía
vidala quiero cantar, la vida mía.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Mandela

"O valor da nossa recompensa  partilhada deve ser medida e a paz triunfará. Porque a humanidade que une negros e brancos em uma só raça dirá a cada um de nós que devemos viver como filhos do paraíso" Mandela
Filme sobre Mandela estreia esta semana
"A Zon Audiovisuais antecipou estreia do drama biográfico sobre Nelson Mandela
O filme "Mandela: Longo caminho para a liberdade", de Justin Chadwick, a partir da biografia escrita por Nelson Mandela, estrear-se-á nos cinemas portugueses na próxima quinta-feira, dia 12, anunciou a exibidora Zon Audiovisuais. A estreia portuguesa estava prevista para 9 de Janeiro de 2014.
A estreia do filme em Portugal estava marcada para Janeiro, mas foi antecipada, com a revelação da morte do ex-presidente da África do Sul Nelson Mandela, na quinta-feira, aos 95 anos.
"Mandela: Longo Caminho para a Liberdade" baseia-se na autobiografia homónima escrita por Nelson Mandela e publicada em 1994, poucos anos depois de ter sido libertado.
Descrito como o filme biográfico "definitivo" sobre Mandiba, "uma das mais importantes figuras da história da Humanidade", a longa-metragem é protagonizada pelo ator inglês Idris Elba e teve a estreia mundial em Setembro no festival de cinema de Toronto.
Na semana passada estreou-se nos Estados Unidos e na África do Sul, onde foi o filme mais visto de sempre na semana de estreia.
Da banda sonora do filme faz parte a música "Ordinary Love", composta pelos U2.
Na quinta-feira, o filme teve antestreia em Londres, com a presença do príncipe William e da mulher, Kate Middleton, a duquesa de Cambridge, e das duas filhas mais novas de Mandela, que souberam, na ocasião, da morte do pai.
A morte de Nelson Mandela, aos 95 anos, foi anunciada na quinta-feira à noite pelo Presidente da República da África do Sul, Jacob Zuma, motivando de imediato reacções de pesar a nível mundial.
"A nossa nação perdeu o maior dos seus filhos", disse Jacob Zuma, anunciando que a bandeira sul-africana vai estar a meia haste até ao funeral de Estado, marcado para 15 de Dezembro." Cinemax

Leia mais: Actores prestam homenagem a Mandela
                  Mandela visto pelo cinema (e televisão)

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

O indigno negócio do infortúnio

Lampedusa
por Serge Halimi
"Há trinta anos, fugir do sistema político opressivo do seu país valia aos candidatos ao exílio os elogios dos países ricos e da imprensa. Nessa altura considerava-se que os refugiados haviam «escolhido a liberdade», isto é, o Ocidente. Assim, um museu em Berlim honra a memória dos cento e trinta e seis fugitivos que pereceram entre 1961 e 1989, quando tentavam transpor o muro que dividia a cidade em dois.
As centenas de milhares de sírios, somalis e eritreus que, neste momento, «escolhem a liberdade» não são acolhidos com o mesmo fervor. Em Lampedusa foi requisitada uma grua, a 12 de Outubro último, para carregar um navio de guerra com os despojos de cerca de trezentos deles. O Muro de Berlim destes boat people foi o mar; a Sicília foi o seu cemitério. A nacionalidade italiana foi-lhes concedida a título póstumo.
A sua morte parece ter inspirado alguns responsáveis políticos europeus. No passado dia 15 de Outubro, Brice Hortefeux, antigo ministro do Interior francês, considerou, por exemplo, que os náufragos de Lampedusa obrigavam a responder «a uma primeira urgência: fazer com que as políticas sociais dos nossos países sejam menos atractivas» [1]. E atacou as prodigalidades que atraem os refugiados para as costas do Velho Continente: «A ajuda médica do Estado permite que pessoas que chegam ao território sem respeitar as nossas regras [sejam tratadas gratuitamente], enquanto para os franceses pode haver até 50 euros de franquia».
Só lhe resta concluir o seguinte: «A perspectiva de beneficiar de uma política social atractiva é um elemento motriz. Deixámos de ter meios para fazer isto». Não se sabe se Brice Hortefeux imagina também que foi por se sentirem atraídos pelas ajudas sociais paquistanesas que 1,6 milhões de afegãos encontraram refúgio neste país. Ou que foi para beneficiarem das larguezas de um reino cuja riqueza por habitante é sete vezes inferior à de França que mais de 500 mil refugiados sírios já obtiveram asilo na Jordânia.
O Ocidente valia-se, há trinta anos, da sua prosperidade e das suas liberdades como de uma lança ideológica contra os sistemas que combatia. Agora, alguns dos seus dirigentes utilizam a desgraça dos migrantes para precipitar o desmantelamento de todos os sistemas de protecção social. Pouco importa a tais manipuladores do infortúnio que a esmagadora maioria dos refugiados do planeta seja quase sempre acolhida por países quase tão miseráveis quanto eles.
Quando a União Europeia não intima estes Estados, já próximos do ponto de ruptura, a «acabarem com o indigno negócio das embarcações improvisadas» [2], ela ordena-lhes que se tornem a capa que a cobre, que a protejam dos indesejáveis, perseguindo-os ou detendo-os em campos [3]. O mais sórdido é que tudo isto será passageiro. Porque, um dia, o Velho Continente vai voltar a fazer apelo a jovens imigrantes para travar o seu declínio demográfico. Nessa altura os discursos vão inverter-se, os muros vão cair, os mares vão abrir-se…"
Sábado 9 de Novembro de 2013” Le Monde Diplomatique,Novembro 2013
Notas
[1] RTL, 15 de Outubro de 2013.
[2] Tuíte de Cecilia Malmström, comissária europeia dos Assuntos Internos, acusando a Líbia e a Tunísia, a 11 de Outubro de 2013.
[3] Ler Alain Morice e Claire Rodier, «Como a União Europeia enclausura os seus vizinhos», Le Monde diplomatique – edição portuguesa, Junho de 2010.

domingo, 8 de dezembro de 2013

Ao Domingo Há Música

" É tempo de falar das fadas. Para fugir da intrépida melancolia da espera, é tempo de criar novos mundos. Não julguem, de resto, que os contos de fadas mentem. Mente quem o disser - mas uma vez contado, o milagre das fadas voga lento no ar  e vai-se embora, vai viver a sua vida, mais real e mais verdadeira do que a insolência quotidiana. Ao narrador nada resta para além da amargura de se ter dado e de nada conservar. A amargura, ou a fervorosa alegria.
É preciso, por conseguinte, falar das fadas. Mas é preciso, todavia , escolhê-las. Porque algumas há que, sendo demasiado belas, são aborrecidas. E outras que, por serem perfeitas de mais, nos chegam a irritar. As mais simpáticas e mais próximas  de nós ainda são as que de fadas só têm o nome. Frágeis, infelizes, atentas à inquietação, assim as desejo. O mesmo é dizer que  é impossível encontrá-las. E que temos que as inventar. " Albert Camus, in " O Livro da fada Melusina, conto para crianças tristes de mais" 1934 - " escritos da juventude", Edição Livros do Brasil - Lisboa

Sem o talento de Camus, mas aspirando o milagre das fadas, resolvemos procurá-las para criar,  neste  Domingo , um momento de fervorosa alegria. E ei-las. Talentosas , belas e perfeitas em eufónica combinação: Kiri Te Kanawa, Katherine Ciesinski & Kathleen Battle , em “– Act 3, Final Trio”, da ópera “Der Rosenkavalier” de Richard Strauss (1864-1949) , acompanhadas pela American Symphony Orchestra , regida pelo Maestro James Levine.